Artigo

02 de outubro de 2026

Marketing digital em clínicas médicas: entre a conscientização estratégica e as barreiras operacionais

Marketing Digital em Clínicas Médicas: entre a Conscientização Estratégica e as Barreiras Operacionais

Fabiano Cade Jorge; Clerison José de Souza Bueno

DOI: 10.22167/2675-6528-202602887

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Um estudo descritivo e quantitativo investigou a percepção de profissionais de clínicas médicas sobre a importância das mídias digitais como mecanismo estratégico, os desafios na implementação do marketing digital e as boas práticas para potencializar seus resultados. Aplicou-se um questionário estruturado, via Google Forms, a 24 médicos, gestores e administradores, distribuídos em dois grupos funcionais. Os dados foram analisados com estatística descritiva, teste U de Mann-Whitney e coeficiente de Spearman. Os resultados revelaram uma conscientização sobre a relevância do marketing estratégico digital e a disposição para investir na capacitação profissional. Contudo, identificaram-se barreiras operacionais e lacunas de competência no tema, fatores que limitam a eficácia da implementação e execução da estratégia. Evidenciou-se a necessidade de planejamento eficiente e conduta ética nas estratégias de marketing digital para expandir a visibilidade institucional, fortalecer o relacionamento com a clientela e otimizar indicadores de desempenho. Concluiu-se que o marketing digital transcende a mera divulgação, configurando-se como um pilar estratégico que integra gestão e comunicação sob o rigor da ética profissional na saúde.

Palavras-chave: Assistência médica; Comportamento do consumidor; Gestão em saúde; Mídias digitais; Redes sociais.

1. Introdução

A revolução digital tem transformado de modo acelerado diversos setores, um processo intensificado após o advento da emergência de saúde pública do novo Coronavírus. A necessidade de respostas ágeis para combater a pandemia impulsionou o avanço para abordagens digitais (Xavier et al., 2025; WHO, 2023). Essa transformação tem suscitado mudanças significativas no mundo do trabalho, promovendo avanços na gestão de dados, nas atividades, produção e acessibilidade, abrangendo também os aspectos humanos e organizacionais, como a cultura, os processos e as relações sociais e humanas da instituição (Rodrigues et al., 2025; Santos, 2025).

A literatura científica tem despontado para os expressivos impactos da transformação digital. Essas mudanças também são reveladas pelas mídias digitais, principalmente por revolucionar os serviços, os processos e a gestão do trabalho, em especial nos sistemas de saúde. Esse setor tem se tornado cada vez mais competitivo, exigindo não apenas excelência técnica, mas também estratégias eficazes de marketing e comunicação (Rachid et al., 2023).

O mercado global de serviços de saúde movimenta expressivas cifras de relevância econômica. Em 2024, essa movimentação alcançou aproximadamente US$ 8,78 trilhões, com previsão de US$ 10,76 trilhões em 2029 (The Business Research Company, 2024). Esse crescimento decorre da expansão estrutural e da reorganização dos modelos de cuidado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a digitalização dos sistemas de saúde está em plena ascendência, sendo o uso das tecnologias da informação imprescindível para a vigilância epidemiológica e o rastreamento populacional (WHO, 2025).

Nesse contexto, o marketing digital tem o potencial de concretizar e tornar eficaz a práxis de relacionamento entre a comunicação e o marketing, podendo até personificar essa conexão. Na saúde, o marketing digital alia-se à metodologia do marketing de conteúdo ou Inbound Marketing, disponibilizando as ferramentas disponíveis na internet por meio de mídias digitais (Chêne Neto, 2021). O Inbound Marketing, conforme Guimarães et al. (2019), refere-se a uma metodologia voltada ao marketing digital com o objetivo de gerar valor ao tráfego de visitantes que buscam por contextos vinculados ao site, tornando-o mais relevante e notado pelos usuários.

No cenário da saúde, as tecnologias digitais têm provocado transformações na organização do trabalho e nas relações sociais, com indivíduos mais informados, conectados e exigentes, que buscam atendimento e comunicação de qualidade, agilidade e personalizados (Santos, 2025). O marketing digital médico, impulsionado pelo avanço tecnológico e o aumento do uso da internet, tornou-se uma ferramenta fundamental para que clínicas e consultórios se destaquem no mercado, atraindo novos pacientes (Google Brasil, 2024). As redes sociais, em particular, destacam-se por superar o potencial da publicidade tradicional, oferecendo experiências personalizadas e interconectadas (Fonseca e Souza, 2025; Bolton et al., 2013; Lévy, 1999).

Apesar da alta percepção da importância do marketing digital para os resultados das clínicas, com uma média de 4,67 pontos em uma escala de cinco, a autoavaliação das habilidades em marketing digital revelou um cenário desafiador, registrando uma média de apenas 2,62 pontos. Essa discrepância evidencia uma lacuna crítica entre a conscientização da necessidade e a capacidade efetiva de execução, conforme os dados do TCC original. As principais dificuldades identificadas na implementação das estratégias digitais incluem a falta de tempo, apontada por 29,17% dos profissionais, e a carência de conhecimento especializado, mencionada por 25%. Adicionalmente, preocupações com limites éticos e regulamentares foram citadas por 20,83% dos participantes, demonstrando a complexidade do cenário.

A relevância deste estudo reside na necessidade de aprofundar a compreensão sobre a influência das mídias digitais na marca institucional, no faturamento e na imagem das clínicas médicas, destacando seu papel estratégico na prestação de cuidados e incentivando a capacitação profissional. Diante desse panorama, o presente estudo teve como objetivo identificar a percepção dos profissionais de clínicas médicas sobre a importância das mídias digitais como mecanismo estratégico na instituição, bem como analisar os principais desafios operacionais, técnicos e éticos enfrentados na implementação do marketing digital e sistematizar boas práticas capazes de potencializar seus resultados no contexto da saúde.

2. Material e Métodos

Para a realização do presente estudo, adotou-se uma pesquisa de caráter descritivo, com abordagem metodológica quantitativa. A pesquisa descritiva teve como objetivo descrever as características de um determinado fenômeno ou população, utilizando técnicas padronizadas de coleta de dados. A abordagem quantitativa, por sua vez, buscou gerar informações a partir de números para classificá-los e analisá-los, conforme os princípios estabelecidos por Gil (1999).

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, composto por perguntas fechadas. Este questionário foi o meio aplicado para a obtenção de respostas às questões delineadas pela pesquisa, com a finalidade de alcançar o objetivo proposto, sendo respondidas pelos participantes (Cervo e Bervian, 2002). A população do estudo foi composta por profissionais que atuam em clínicas médicas, especificamente médicos, gestores e administradores.

A amostra foi selecionada por conveniência, priorizando profissionais disponíveis e interessados em participar da pesquisa. O questionário estruturado foi disponibilizado por meio da plataforma Google Forms, ferramenta amplamente reconhecida pela sua confiabilidade, facilidade de uso e capacidade de permitir o anonimato dos respondentes. O instrumento foi encaminhado de forma direcionada para um público qualificado, assegurando que os participantes possuíssem experiência prática e conhecimento sobre as práticas de marketing no setor de saúde. A pesquisa contou com a participação de 24 profissionais da área médica, distribuídos em dois grupos funcionais distintos.

A construção do instrumento de coleta de dados foi fundamentada no referencial teórico que embasa o presente estudo. As questões relativas à percepção da importância do marketing e do marketing digital apoiaram-se nos conceitos de criação e entrega de valor ao cliente (Rocha; Capon, 2018) e de marketing estratégico aplicado a clínicas de saúde (Oliveira et al., 2025). Os itens sobre ferramentas, plataformas e marketing de conteúdo derivaram das discussões sobre mídias digitais, redes sociais e inbound marketing (Rez, 2017; Faustino, 2019; Guimarães et al., 2019). As preocupações deontológicas que orientam a publicidade médica embasaram os itens sobre ética e regulamentação, e as questões sobre mensuração de resultados e autoavaliação de habilidades ancoraram-se na literatura sobre gestão e transformação digital em saúde (Santos, 2025). Para aferir relevância, frequência, concordância e percepção ética, utilizou-se a Escala Likert de cinco pontos (Sullivan; Artino, 2013).

Para a análise dos dados coletados, aplicaram-se procedimentos estatísticos descritivos, inerentes à natureza ordinal das variáveis mensuradas pela Escala Likert de cinco pontos. Preliminarmente, procedeu-se ao cálculo das frequências absolutas, percentuais, médias e desvios-padrão, para caracterizar o perfil da amostra e as percepções dos participantes. Para as comparações entre os grupos funcionais, utilizou-se o teste U de Mann-Whitney. Na análise de correlação entre variáveis, empregou-se o coeficiente de Spearman. Os resultados obtidos foram comparados com a literatura, por meio da análise de convergência e divergência entre a percepção dos profissionais, as práticas adotadas e os dados disponíveis em publicações elegíveis para a pesquisa.

O estudo dispensou a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), sendo a responsabilidade pela dispensa indelegável do pesquisador. Todos os participantes responderam de forma positiva ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), compondo 100% da amostra. O TCLE especificou os objetivos do estudo, garantindo o anonimato e a confidencialidade das informações, e mencionou a voluntariedade da participação, assegurando que os resultados seriam utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados revelou um panorama multifacetado sobre a percepção e a prática do marketing digital em clínicas médicas, envolvendo 24 profissionais distribuídos em dois grupos funcionais. A maioria dos participantes, correspondendo a 62,5% da amostra, era composta por médicos, enquanto os 37,5% restantes eram profissionais com funções de administração e gestão. Esta composição da amostra permitiu uma perspectiva abrangente, integrando tanto o olhar clínico-assistencial quanto o gerencial, o que é crucial para entender a dinâmica do setor de saúde (Oliveira et al., 2025).

A autoavaliação das habilidades em marketing digital demonstrou um nível relativamente baixo entre os participantes. Os médicos apresentaram uma média de 2,47 pontos, enquanto os administradores e gestores registraram 2,89 pontos em uma escala de um a cinco. Embora os gestores tenham uma percepção ligeiramente superior de suas competências, o teste de Mann-Whitney U não indicou uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos (U = 51,00; p = 0,3027). Este achado sugere que a lacuna de competência em marketing digital é um desafio transversal, afetando tanto o cenário clínico quanto o administrativo, e não se restringe a uma única categoria profissional.

Em contraste com a modesta autoavaliação das habilidades, a percepção geral sobre a importância do marketing para o sucesso das clínicas médicas foi notavelmente alta. A média obtida na avaliação da importância do marketing foi de 4,67 pontos em uma escala de um a cinco, com um baixo desvio-padrão de 0,76, indicando um forte consenso entre os participantes. Aproximadamente 79,2% dos profissionais consideraram o marketing como “Fundamental”. Este resultado corrobora a visão de que o marketing transcendeu seu papel secundário, tornando-se um pilar essencial para a sustentabilidade e o crescimento das organizações de saúde, alinhando-se com a literatura que enfatiza a criação de valor ao cliente (Rocha e Capon, 2018).

Quando a questão se voltou especificamente para a importância do marketing digital para os resultados da instituição, a percepção também se manteve elevada, com uma média de 4,04 pontos. Embora este valor seja ligeiramente inferior à média da importância geral do marketing, ele ainda reflete uma valorização significativa das estratégias digitais. O desvio-padrão de 0,91 sugere uma dispersão um pouco maior nas respostas, indicando que, embora a maioria reconheça o papel estratégico das ferramentas digitais, há um consenso ligeiramente menor em comparação com o marketing tradicional. No entanto, a predominância de avaliações acima de quatro pontos reforça que os profissionais discernem a relevância das mídias digitais na atualidade.

A percepção dos participantes sobre os resultados práticos das ações de marketing implementadas foi bastante positiva, com uma média de 4,08 pontos. Este indicador sugere que as iniciativas de marketing têm sido bem-sucedidas na visão dos profissionais, gerando impactos tangíveis no desempenho das clínicas. O desvio-padrão de 0,83 aponta para uma relativa homogeneidade nas respostas, o que reforça a confiança generalizada nos benefícios proporcionados pelas estratégias de marketing adotadas. Tal observação é crucial, pois a demonstração de resultados concretos é um fator motivador para o investimento contínuo e aprimoramento das estratégias digitais.

Apesar do reconhecimento da importância do marketing digital e dos resultados positivos percebidos, a autoavaliação das habilidades em marketing digital revelou um cenário desafiador, com uma média de apenas 2,62 pontos. Este valor, situado abaixo do ponto médio da escala (3,0), caracteriza um nível de competência percebido como fraco ou regular. Cerca de 50% dos profissionais se autoavaliaram como “Regular”, 25% como “Fraco” e 12,5% como “Muito fraco”. Esta discrepância evidencia uma lacuna crítica entre a conscientização da necessidade e a capacidade efetiva de execução, um obstáculo significativo para o pleno aproveitamento do potencial do marketing digital.

Coerentemente com a modesta autoavaliação das habilidades, observou-se uma forte percepção da necessidade de aprimoramento, com uma média de 4,54 pontos, sendo que 70,8% dos participantes indicaram “Muito” interesse em aprimorar suas habilidades. O interesse em participar de programas de treinamento e capacitação também se mostrou elevado, com média de 4,08 pontos. Embora o desvio-padrão de 1,41 sugira maior variabilidade nas respostas, isso pode refletir diferentes níveis de disponibilidade ou motivação individual para investir em formação. Este resultado aponta para uma demanda generalizada e incondicional por capacitação, independentemente do nível de conhecimento prévio.

A pesquisa também investigou a percepção dos profissionais quanto à necessidade de regulamentação das práticas de marketing na área médica. A média de 3,79 pontos, situada acima do ponto médio da escala, indica uma tendência de concordância com a necessidade de regras e fiscalização mais estritas. Aproximadamente 37,5% dos participantes consideraram a regulamentação “Extremamente necessária”, e 25% como “Muito necessária”. Este achado reflete a preocupação com a conduta ética no setor, um aspecto fundamental para a credibilidade e a confiança dos pacientes, conforme destacado na literatura sobre publicidade médica e deontologia.

Em relação às principais dificuldades enfrentadas na implementação das estratégias de marketing digital, a falta de tempo foi a mais apontada, com 29,17% das respostas. Este dado é significativo, pois revela que, mesmo reconhecendo a relevância do marketing digital, os profissionais se deparam com desafios práticos para dedicar tempo a essa atividade em meio às demandas administrativas e assistenciais da rotina de trabalho. A carência de conhecimento especializado em marketing digital foi mencionada por 25% dos entrevistados, um bloqueio que se alinha com a baixa autoavaliação das habilidades no tema, dificultando a execução estratégica eficaz.

Adicionalmente, os limites éticos e regulamentares foram citados por 20,83% dos participantes como um fator inibidor. Essa preocupação com o cumprimento das normas deontológicas demonstra a complexidade do cenário do marketing digital na saúde, onde a busca por visibilidade e atração de pacientes deve ser equilibrada com a responsabilidade profissional e a proteção do paciente. A combinação desses fatores – falta de tempo, conhecimento e preocupações éticas – configura barreiras operacionais e de competência que limitam a eficácia da implementação e execução da estratégia.

Quanto às ações de marketing que proporcionam maior retorno na percepção dos profissionais, o marketing de conteúdo destacou-se, sendo mencionado por 41,67% dos participantes. O marketing de conteúdo, que envolve a criação e distribuição de material relevante e educativo, é reconhecido como uma estratégia eficaz para construir autoridade, educar pacientes e gerar resultados sustentáveis (Rez, 2017). As redes sociais apareceram em segundo lugar, com 33,33% das respostas, evidenciando seu potencial para oferecer experiências personalizadas e interconectadas, superando os limites da publicidade tradicional (Fonseca e Souza, 2025; Bolton et al., 2013; Lévy, 1999).

A compreensão sobre o que os pacientes mais valorizam ao escolher uma clínica médica é fundamental para orientar as estratégias de comunicação. Os profissionais participantes da pesquisa demonstraram clareza sobre este aspecto, indicando que a qualidade técnica dos profissionais é o atributo mais valorizado, com 41,67% das menções. O atendimento humanizado aparece em segundo lugar, com 37,50% das citações. Estes resultados reforçam que, no contexto da saúde, a competência profissional e o cuidado humanizado permanecem como fatores determinantes na decisão dos pacientes, enquanto aspectos como localização, infraestrutura ou preço são secundários, embora relevantes.

Para investigar a relação entre o nível de habilidade em marketing digital e o interesse em participar de programas de treinamento, calculou-se o Coeficiente de Correlação de Spearman. O resultado obtido foi um coeficiente extremamente baixo (p = 0,050) e estatisticamente não significativo (p = 0,8149). Isso indica que não foi identificada nenhuma associação direta entre a autoavaliação das habilidades e o desejo de capacitação. A vontade pelo treinamento é elevada de maneira uniforme, sem considerar o nível de habilidade dos participantes, sugerindo uma demanda generalizada por capacitação, independentemente do conhecimento prévio.

Outra análise de correlação buscou verificar a relação entre a relevância atribuída ao marketing digital e a percepção de que as ações empreendidas tiveram repercussões positivas. Identificou-se uma correlação positiva e estatisticamente expressiva (p = 0,605; p = 0,0017). Este indicativo assinala que, quanto maior a convicção na importância do marketing digital, com maior frequência os participantes reportam experiências satisfatórias com suas decisões. Essa correlação sugere que o reconhecimento da relevância da estratégia digital impulsiona investimentos de recursos, tempo e foco, elevando a probabilidade de sucesso e reforçando a confiança na eficácia do marketing digital.

A mensuração dos resultados das ações de marketing é um quesito peculiar para o aprimoramento contínuo das estratégias. O engajamento em redes sociais e a satisfação dos pacientes foram as métricas mais mencionadas, ambas por 50% dos profissionais. Este resultado é particularmente significativo, pois demonstra que metade dos profissionais reconhece a importância de avaliar o impacto das ações de marketing na percepção e experiência dos pacientes. O número de novos pacientes foi a terceira métrica mais utilizada, mencionada por 37,5% dos profissionais, representando uma medida direta da capacidade de atração. Os resultados financeiros, embora objetivos, foram indicados por apenas 33,3% dos participantes, sugerindo que muitos ainda não estabeleceram conexões claras entre as ações de marketing e os resultados econômicos da clínica.

O Instagram foi considerado pelos participantes como a principal plataforma de marketing digital, sendo mencionado por 22 profissionais, o que corresponde a 91,7% da amostra. O site institucional aparece como a segunda ferramenta mais utilizada, mencionada por 19 profissionais (79,2%). As redes sociais, em geral, superaram o papel da internet convencional no marketing, viabilizando uma conexão direta entre organizações e seus clientes (Baynast et al., 2018). O Brasil, com 144 milhões de usuários de redes sociais em 2025, e o Instagram atingindo cerca de 140,7 milhões de usuários, demonstra a relevância dessa plataforma para o marketing médico (Brand Publishing, 2026).

Em relação às práticas de marketing consideradas eticamente mais problemáticas, houve um notável consenso entre os profissionais. As promoções ou ofertas enganosas foram apontadas por 19 participantes, correspondendo a 79,2% da amostra. A divulgação de informações ou procedimentos sem comprovação científica foi mencionada por 18 profissionais (75%), praticamente empatada como principal preocupação ética. A exposição de pacientes foi identificada como prática preocupante por 9 profissionais (37,5%). Estes resultados sublinham a importância da ética na comunicação em saúde, onde a pressão por resultados não deve comprometer a integridade e a confiança do paciente.

A partir dos resultados obtidos e da literatura consultada, foram sistematizadas as principais recomendações práticas para a gestão do marketing digital em clínicas médicas. Primeiramente, é crucial diagnosticar as lacunas de habilidades por meio de autoavaliações periódicas, mapeando as necessidades de desenvolvimento de cada grupo funcional. Em segundo lugar, investir em capacitação continuada, ofertando cursos e treinamentos em marketing digital em saúde, aproveitando a elevada disposição dos profissionais para a formação, em diferentes níveis de conhecimento.

Adicionalmente, é fundamental comunicar-se de forma ética, pautando a comunicação pelas normas e padrões éticos vigentes da área médica, evitando promoções enganosas, divulgação sem comprovação científica e exposição de pacientes. A mensuração de resultados por indicadores objetivos, como número de novos pacientes, engajamento nas redes sociais, satisfação dos pacientes e resultados financeiros, deve ser sistematicamente acompanhada. Por fim, é essencial avaliar a viabilidade financeira do marketing digital, estabelecendo conexões claras entre as ações de marketing e os resultados econômicos da clínica, analisando o retorno sobre o investimento (ROI) para orientar a alocação de recursos.

Em síntese, a pesquisa revelou que, embora os profissionais de clínicas médicas reconheçam a importância estratégica do marketing digital e estejam dispostos a investir em capacitação, eles enfrentam barreiras operacionais e lacunas de competência que limitam a eficácia da implementação. A necessidade de um planejamento eficiente e uma conduta ética nas estratégias digitais é premente para expandir a visibilidade institucional, fortalecer o relacionamento com a clientela e otimizar os indicadores de desempenho, consolidando o marketing digital como um pilar estratégico que integra gestão e comunicação sob o rigor da ética profissional na saúde.

4. Conclusão

O estudo buscou identificar a percepção de profissionais de clínicas médicas sobre a importância das mídias digitais como mecanismo estratégico, os desafios na implementação do marketing digital e as boas práticas para potencializar seus resultados. Verificou-se uma elevada conscientização acerca da relevância estratégica do marketing digital para o sucesso das clínicas, embora a autoavaliação das habilidades nesse campo tenha se mostrado modesta. Identificaram-se como principais barreiras a falta de tempo e a carência de conhecimento especializado, além de preocupações com os limites éticos e regulamentares. Observou-se que o marketing de conteúdo e as redes sociais, especialmente o Instagram, são percebidos como as ações mais eficazes, e que a qualidade técnica e o atendimento humanizado são os atributos mais valorizados pelos pacientes. A principal contribuição do estudo reside na sistematização de recomendações práticas que visam aprimorar a gestão do marketing digital em clínicas médicas, enfatizando a necessidade de diagnosticar lacunas de habilidades, investir em capacitação contínua e comunicar-se de forma ética.

Contudo, reconhece-se que a amostra por conveniência, de tamanho reduzido (n = 24) e restrita a um contexto institucional específico, limita a generalização dos achados. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da amostra em investigações multicêntricas, abrangendo clínicas de diferentes portes, especialidades e regiões. Recomenda-se também a condução de estudos longitudinais para mensurar o retorno financeiro das ações de marketing digital ao longo do tempo, e aprofundar a investigação sobre os efeitos das regulamentações na publicidade médica em plataformas digitais. Em suma, o marketing digital transcende a mera ferramenta de divulgação, consolidando-se como um pilar estratégico que integra gestão e comunicação sob o rigor da ética profissional na saúde, essencial para a visibilidade institucional, o relacionamento com a clientela e a otimização dos indicadores de desempenho.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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22 de outubro de 2026

Aprendizado Contínuo como Fator de Crescimento Organizacional na Percepção dos Colaboradores

O impacto do aprendizado contínuo e da gestão do conhecimento no crescimento das organizações foi estudado em um cenário de globalização e constantes mudanças. O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos colaboradores sobre a cultura de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento pessoal e profissional. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa anônima, de abordagem quantitativa, utilizando um formulário com questões do tipo “survey” aplicado a 87 profissionais dos setores de tecnologia, saúde, educação, comércio e serviços. Os resultados indicaram que os colaboradores possuíam uma percepção positiva sobre a contribuição do aprendizado contínuo para o crescimento pessoal e organizacional, reconhecendo seus benefícios para o desenvolvimento de novas habilidades, inovação e competitividade. Contudo, observou-se que o incentivo à troca de conhecimento interno e a oferta de treinamentos práticos ainda apresentavam médias moderadas de concordância. Concluiu-se que o aprendizado contínuo contribui significativamente para o desenvolvimento individual e organizacional, sugerindo que as empresas devem desenvolver políticas estratégicas de aprendizado direcionado para novas habilidades, visando maior vantagem competitiva e inovação.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

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