19 de outubro de 2026
Liderança humanizada na produtividade da equipe em um canteiro de obras em Porto Feliz
Liderança Humanizada na Produtividade da Equipe em um Canteiro de Obras em Porto Feliz
Thiago Luiz Leite; Bruno Gomes
DOI: 10.22167/2675-6528-202603512
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A crescente complexidade dos ambientes de trabalho na construção civil evidenciou a necessidade de modelos de liderança mais humanizados, capazes de equilibrar resultados e bem-estar dos colaboradores. O estudo teve como objetivo analisar a influência da liderança humanizada, com base na empatia e na inteligência emocional sobre a produtividade das equipes em um canteiro de obras localizado em Porto Feliz/SP. Para isso, realizou-se uma pesquisa descritiva, com caráter quantitativo, utilizando o método survey. Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado, composto por 15 questões em escala Likert, aplicado a 26 profissionais respondentes, que exerciam funções de liderança no empreendimento, no período de 19 a 23 de janeiro de 2026. Os resultados indicaram elevada percepção positiva quanto às práticas de liderança humanizada, destacando-se aspectos como valorização dos colaboradores, comunicação empática, equilíbrio emocional dos líderes e estímulo ao diálogo. Observou-se também que tais práticas estiveram associadas ao fortalecimento do engajamento, à redução de conflitos e à melhoria do clima organizacional, refletindo diretamente na produtividade das equipes. Concluiu-se que a liderança humanizada representou um fator relevante para o desempenho no canteiro de obras, contribuindo para resultados mais sustentáveis e relações de trabalho mais saudáveis.
Palavras-chave: Bem-estar; Empatia; Gestão de pessoas; Inteligência emocional; Produtividade.
1. Introdução
A complexidade crescente dos ambientes de trabalho, especialmente no setor da construção civil, tem evidenciado a necessidade de modelos de liderança que priorizem o equilíbrio entre resultados e o bem-estar dos colaboradores. Este cenário demanda uma abordagem de gestão mais sensível às dinâmicas humanas e às particularidades de cada equipe, reconhecendo que o desempenho organizacional está intrinsecamente ligado à qualidade das relações interpessoais e ao ambiente de trabalho.
Nesse contexto, a liderança humanizada emerge como um estilo de gestão fundamental, onde as necessidades, o bem-estar e o desenvolvimento dos colaboradores são colocados como prioridade. Conforme Furtado (2023), este modelo envolve a prática da empatia, da escuta ativa e do apoio contínuo, elementos que, juntos, promovem um ambiente de trabalho mais inclusivo, colaborativo e motivador. A liderança, em sua essência, constitui a capacidade de mobilizar indivíduos para que se engajem voluntariamente em aspirações compartilhadas, destacando-se o “querer” como fator motivador (Kouzes; Posner, 1997).
A valorização dos membros da equipe é um pilar central da liderança humanizada. Brown (2019) enfatiza que a liderança deve transmitir uma mensagem constante de valorização a todos, por meio de reconhecimento, feedback construtivo e oportunidades de crescimento e desenvolvimento, independentemente da posição. Essa valorização é crucial para manter o engajamento das pessoas, que, por sua vez, são motivadas a contribuir quando percebem o sucesso da organização (Mudannayake; Bhanugopan; Maley, 2024).
A empatia é uma característica distintiva da gestão humanizada, sendo essencial para o líder construir e consolidar equipes de alto desempenho. Franzoti (2022) destaca que, ao compreender as necessidades dos colaboradores, o líder estabelece uma conexão que permite mobilizar o melhor de cada um, transformando a empatia em uma ferramenta poderosa para entender e responder às demandas da equipe. Essa capacidade de liderar com conexão e empatia é vital em ambientes de trabalho em constante mudança (Souza; Valadão, 2022).
Outro componente indispensável para a liderança humanizada é a inteligência emocional. Goleman (2011) argumenta que o líder precisa desenvolver sua inteligência emocional para estabelecer uma relação direta entre os colaboradores e as metas organizacionais. A gestão adequada das emoções contribui para o aumento da produtividade, a melhoria dos relacionamentos, o bem-estar, a lealdade e o comprometimento, além de auxiliar na resolução de conflitos e na tomada de decisões eficazes. A inteligência emocional abrange a autoconsciência, a autorregulação, a motivação, a empatia e as competências sociais, sendo a autorregulação crucial para manter a calma e agir racionalmente em situações de pressão.
A ausência ou a subvalorização da inteligência emocional na liderança humanizada pode acarretar diversas disfunções organizacionais, como comportamentos impulsivos, decisões precipitadas e dificuldades de comunicação interpessoal. Tais falhas impactam negativamente a moral da equipe, o clima organizacional e, consequentemente, a produtividade. Ferreira et al. (2023) ressaltam que o desenvolvimento da inteligência emocional é uma prioridade estratégica para organizações que buscam formar lideranças eficazes, resilientes e orientadas para as pessoas. No contexto desafiador da construção civil, onde a pressão por resultados e a gestão de equipes diversas são constantes, a aplicação de uma liderança humanizada, pautada na empatia e na inteligência emocional, torna-se um diferencial para o sucesso e a sustentabilidade dos projetos.
Diante do exposto, este estudo busca analisar a influência da liderança humanizada, com base na empatia e na inteligência emocional sobre a produtividade das equipes em um canteiro de obras localizado em Porto Feliz/SP.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, desenvolvida sob a modalidade de estudo de caso. Para a coleta de dados, utilizou-se o método survey, que, conforme Mineiro (2020), consiste em um procedimento de investigação que permite reunir informações de um grupo de indivíduos por meio de questionários estruturados, visando analisar opiniões, percepções e comportamentos.
A natureza quantitativa da pesquisa foi determinada pela busca em mensurar a percepção dos profissionais em relação às práticas de liderança. Isso foi realizado por meio da aplicação de um questionário estruturado, que empregou a escala Likert, possibilitando a tabulação, comparação e análise descritiva dos dados coletados.
O estudo de caso foi delimitado a um empreendimento da construção civil localizado em Porto Feliz, no interior do estado de São Paulo. O objetivo foi descrever a percepção dos colaboradores sobre as práticas de liderança humanizada e sua relação com a produtividade da equipe, alinhando-se ao propósito de identificar e apresentar essas percepções.
A instituição estudada foi uma construtora de médio porte, com sede na cidade de São Paulo e mais de 45 anos de atuação no mercado da construção civil. O empreendimento em questão, localizado em Porto Feliz/SP, possuía uma área construída de aproximadamente 80.000 m².
A população-alvo da pesquisa foi composta por profissionais que exerciam funções de liderança no empreendimento, incluindo engenheiros, mestres e encarregados. Não foram selecionados colaboradores com funções estritamente operacionais, pois não se enquadravam no foco do estudo.
A amostra foi constituída por 26 profissionais respondentes, todos com funções de liderança no canteiro de obras. O pesquisador, embora inserido no contexto profissional do empreendimento, não integrou a amostra de respondentes, garantindo a imparcialidade na coleta dos dados.
Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, elaborado pelo próprio pesquisador. A construção das questões baseou-se em um referencial teórico abrangente sobre liderança humanizada e produtividade, incluindo autores como Kouzes (1997), Brown (2019), Caulfield (2023), Franzoti (2022), Souza (2022), Mudannayake (2024), Goleman (2011) e Ferreira (2023).
O questionário foi composto por quinze questões fechadas de múltipla escolha, estruturadas em uma escala Likert de 5 pontos. As opções de resposta variavam de 1, “discordo totalmente”, a 5, “concordo totalmente”, permitindo avaliar a percepção dos colaboradores sobre as práticas de liderança humanizada e seus impactos na produtividade da equipe.
Antes da aplicação definitiva, o instrumento passou por um pré-teste informal, realizado com duas pessoas da área que não faziam parte da amostra. Este procedimento visou verificar a clareza e a compreensão das perguntas, bem como o tempo médio de resposta, e não resultou em alterações significativas.
A coleta de dados foi realizada de forma remota, utilizando a plataforma Google Forms. O link de acesso ao questionário foi encaminhado aos participantes por meio de aplicativo de mensagens (WhatsApp), utilizando contatos profissionais, e a participação ocorreu de forma voluntária.
O período de coleta de dados estendeu-se de 19 a 23 de janeiro de 2026, totalizando cinco dias. Durante esse período, o questionário permaneceu disponível para respostas, garantindo flexibilidade aos participantes.
Os dados coletados foram organizados e tratados de forma descritiva. Esta abordagem possibilitou a identificação de tendências de percepção relacionadas às práticas de liderança humanizada e sua influência na produtividade e no clima organizacional das equipes de obra.
A pesquisa respeitou os princípios éticos aplicáveis a estudos acadêmicos de risco mínimo. A participação foi voluntária, e os participantes foram informados previamente sobre o caráter acadêmico do estudo. Garantiu-se o anonimato e o sigilo das respostas, sem solicitação de dados de identificação pessoal.
Todos os preceitos éticos foram seguidos, incluindo a omissão dos nomes dos respondentes e a garantia de que as informações seriam utilizadas exclusivamente para fins acadêmicos. Um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi aplicado no ato do preenchimento do questionário, assegurando a confidencialidade e o direito de interrupção da participação a qualquer momento.
3. Resultados e Discussão
A presente seção apresenta os resultados da pesquisa realizada em um canteiro de obras em Porto Feliz/SP, com o objetivo de analisar a influência da liderança humanizada, baseada na empatia e na inteligência emocional, sobre a produtividade das equipes. Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado, aplicado a 26 profissionais com funções de liderança, e organizados em quatro categorias principais para facilitar a interpretação e a discussão. Os achados revelam uma percepção predominantemente positiva dos colaboradores sobre as práticas de liderança humanizada, embora também apontem para áreas que necessitam de aprimoramento, especialmente no que tange à consistência e à profundidade de certas competências.
Os resultados iniciais indicam que a valorização e o respeito pelos colaboradores são amplamente reconhecidos como fatores determinantes para o aumento da produtividade no canteiro de obras. Verificou-se que 81% dos participantes concordaram totalmente com essa afirmativa, e outros 11% concordaram parcialmente, totalizando 92% de percepções favoráveis. Apenas 8% manifestaram alguma discordância. Esse consenso reforça a perspectiva de Brown (2019), que enfatiza a importância de a liderança transmitir uma mensagem constante de valorização, por meio de reconhecimento, feedback construtivo e oportunidades de desenvolvimento, para manter o engajamento e o desempenho dos profissionais.
A percepção sobre a atuação dos líderes na promoção de um ambiente de trabalho saudável, colaborativo e pautado no respeito mútuo também foi investigada. Os dados revelaram que 26,9% dos respondentes concordaram totalmente e 34,6% concordaram parcialmente, somando 61,5% de respostas favoráveis. Contudo, uma parcela significativa de 23,1% posicionou-se de forma neutra ou indiferente, e 15,4% discordaram (7,7% parcialmente e 7,7% totalmente). Essa distribuição sugere que, embora a maioria reconheça esforços positivos, a aplicação dessas práticas pode ser inconsistente ou não percebida por todos os colaboradores, como apontado por Souza e Valadão (2022) sobre a necessidade de conexão interpessoal e equilíbrio nas relações.
No que se refere ao estímulo ao diálogo aberto, à escuta ativa e ao reconhecimento do desempenho individual, 38,5% dos participantes concordaram totalmente e 15,4% parcialmente, totalizando 53,9% de percepções favoráveis. Em contrapartida, 30,7% apresentaram percepções negativas (26,9% discordaram parcialmente e 3,8% discordaram totalmente), e 15,4% foram neutros. Essa divisão de opiniões indica que, embora a maioria perceba práticas alinhadas à liderança humanizada, ainda existem lacunas na sua implementação homogênea, o que pode gerar sentimentos de desvalorização e distanciamento entre liderança e liderados, conforme a discussão de Franzoti (2022) sobre a empatia como ferramenta essencial para o alto desempenho.
A consideração do impacto das decisões da liderança sobre os colaboradores, além dos resultados organizacionais, foi avaliada com 38,5% de concordância total e 30,8% de concordância parcial, totalizando 69,3% de respostas favoráveis. Por outro lado, 23% expressaram percepções negativas (19,2% discordaram parcialmente e 3,8% discordaram totalmente), e 7,7% foram neutros. Esses achados corroboram o entendimento de Caulfield, Lee e Baird (2023) de que a liderança humana exige considerar múltiplas perspectivas antes da tomada de decisão. A presença de discordância, no entanto, sinaliza a necessidade de desenvolver líderes capazes de integrar performance e cuidado com as pessoas no processo decisório, como também ressaltado por Goleman (2011) sobre a inteligência emocional.
A coerência entre o discurso e a prática dos líderes, servindo como exemplo ético e humano para as equipes, obteve 26,9% de concordância total e 34,6% de concordância parcial, somando 61,5% de respostas favoráveis. As percepções negativas totalizaram 15,4% (7,7% discordaram parcialmente e 7,7% totalmente), e 23,1% dos participantes foram neutros. Esses resultados, interpretados à luz de Kouzes e Posner (1997), que destacam a importância da legitimidade do líder, sugerem que, embora haja uma percepção majoritariamente positiva, a inconsistência comportamental entre diferentes gestores ainda é um desafio. Brown (2019) também reforça que a valorização das pessoas deve se manifestar em atitudes concretas, não apenas em discursos.
Empatia na Liderança
A análise da empatia na liderança revelou que 19,2% dos respondentes concordaram totalmente e 30,8% parcialmente que os líderes procuram compreender as dificuldades pessoais dos colaboradores antes de tomar medidas corretivas, totalizando 50% de respostas favoráveis. Contudo, 30,7% tiveram percepções negativas (11,5% discordaram parcialmente e 19,2% totalmente), e 19,2% foram neutros. Essa divisão de percepções, com uma leve predominância positiva, alinha-se à visão de Franzoti (2022) sobre a empatia como característica central da liderança humanizada, mas também indica que a sensibilidade às realidades individuais ainda não é universalmente percebida, podendo levar a interpretações de medidas corretivas como injustas, conforme Souza e Valadão (2022).
A sensibilidade e atenção dos líderes às necessidades emocionais da equipe no dia a dia da obra apresentaram 7,7% de concordância total e 26,9% de concordância parcial, somando 34,6% de respostas favoráveis. Em contrapartida, 38,5% expressaram percepções negativas (23,1% discordaram parcialmente e 15,4% totalmente), e 26,9% foram neutros. Esse equilíbrio entre opiniões positivas e negativas, com uma leve predominância desfavorável, sugere que muitos colaboradores não percebem essa competência de forma consistente. Goleman (2011) destaca a inteligência emocional como indispensável para líderes, e a ausência dela pode gerar falhas de comunicação e prejuízos à produtividade, como mencionado por Ferreira et al. (2023).
No que diz respeito à busca dos líderes por ouvir todas as partes envolvidas antes de tomar decisões em situações de conflito, 23,1% dos respondentes concordaram totalmente e 42,3% parcialmente, totalizando 65,4% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 15,4% (7,7% discordaram parcialmente e 7,7% totalmente), e 19,2% foram neutros. Essa predominância positiva corrobora Goleman (2011), que afirma que líderes emocionalmente inteligentes administram conflitos com equilíbrio, e Caulfield, Lee e Baird (2023), que defendem a consideração de diferentes lados. No entanto, a presença de respostas neutras e negativas indica que a prática não é uniforme, sugerindo a necessidade de treinamentos em escuta ativa e gestão de conflitos.
A contribuição da empatia demonstrada pelos líderes para o fortalecimento da confiança e do engajamento da equipe foi percebida positivamente por 34,6% dos participantes que concordaram totalmente e 26,9% que concordaram parcialmente, totalizando 61,5% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 19,2% (7,7% discordaram parcialmente e 11,5% totalmente), e 19,2% foram neutros. Esses resultados confirmam a visão de Franzoti (2022) sobre a empatia como um caminho para equipes de alto desempenho e a de Mudannayake, Bhanugopan e Maley (2024) sobre o engajamento. A presença de respostas neutras e negativas, contudo, indica que essa percepção ainda não é unânime, reforçando a necessidade de fortalecer competências socioemocionais.
Inteligência Emocional
A manutenção da calma e do equilíbrio emocional pelos líderes em situações de alta pressão ou prazos apertados foi avaliada com 11,5% de concordância total e 26,9% de concordância parcial, totalizando 38,4% de respostas favoráveis. Em contrapartida, 42,3% expressaram percepções negativas (11,5% discordaram parcialmente e 30,8% totalmente), e 19,2% foram neutros. Essa predominância desfavorável indica que parte significativa dos colaboradores não percebe equilíbrio emocional consistente por parte das lideranças em momentos críticos. Goleman (2011) destaca a autorregulação emocional como pilar da inteligência emocional, e sua ausência pode gerar reações impulsivas e falhas de comunicação, como apontado por Ferreira et al. (2023).
A capacidade dos líderes de reconhecer e controlar as próprias emoções para evitar decisões impulsivas obteve 15,4% de concordância total e 26,9% de concordância parcial, somando 42,3% de respostas favoráveis. As percepções negativas totalizaram 30,8% (23,1% discordaram parcialmente e 7,7% totalmente), e 26,9% foram neutros. Embora haja uma leve predominância positiva, o expressivo índice de neutralidade e discordância sugere que muitos participantes não identificam claramente essa competência na prática cotidiana. Goleman (2011) enfatiza a autoconsciência e a autorregulação como essenciais para decisões justas e racionais, e a ausência dessas competências pode resultar em comportamentos impulsivos e impactos negativos no clima organizacional, conforme Ferreira et al. (2023).
A forma como os líderes se comunicam com a equipe, transmitindo segurança, empatia e motivação, foi percebida positivamente por 15,4% dos respondentes que concordaram totalmente e 38,5% que concordaram parcialmente, totalizando 53,9% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 23,1% (15,4% discordaram parcialmente e 7,7% totalmente), e 23,1% foram neutros. Esses resultados, embora predominantemente positivos, indicam que ainda existe uma parcela considerável que não percebe plenamente esses atributos na comunicação da liderança. Brown (2019) ressalta que a comunicação que gera segurança e motivação fortalece vínculos de confiança, e Goleman (2011) aponta que a inteligência emocional favorece relacionamentos saudáveis e maior produtividade.
A capacidade dos líderes de inspirar e motivar as pessoas, mesmo diante de dificuldades, obteve 26,9% de concordância total e 30,8% de concordância parcial, totalizando 57,7% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 15,4% (7,7% discordaram parcialmente e 7,7% totalmente), e 26,9% foram neutros. Essa predominância positiva, com um índice expressivo de neutralidade, pode ser analisada com base em Kouzes e Posner (1997), que definem liderança como a arte de mobilizar pessoas para aspirações compartilhadas. A presença de respostas neutras, no entanto, sugere que a capacidade de inspirar e motivar pode não ser percebida de forma clara ou consistente por todos os colaboradores, como também discutido por Mudannayake, Bhanugopan e Maley (2024) sobre o engajamento e o sucesso organizacional.
Impactos na Produtividade e Clima Organizacional
As práticas de liderança humanizada contribuem para a redução de conflitos e o aumento da harmonia entre os membros da equipe, conforme 50% dos participantes que concordaram totalmente e 23,1% que concordaram parcialmente, totalizando 73,1% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 11,5% (7,7% discordaram parcialmente e 3,8% totalmente), e 15,4% foram neutros. Essa forte predominância positiva corrobora Souza e Valadão (2022), que defendem a liderança humanizada como uma prática baseada na compreensão das individualidades e na comunicação equilibrada. Goleman (2011) também destaca que líderes com inteligência emocional administram conflitos e promovem bem-estar, reforçando que essas práticas criam condições favoráveis para maior produtividade e cooperação.
Por fim, a presença de líderes empáticos e emocionalmente equilibrados tem impacto direto na produtividade e nos resultados da equipe, segundo 76,9% dos respondentes que concordaram totalmente e 11,5% que concordaram parcialmente, totalizando 88,4% de respostas favoráveis. As percepções negativas somaram 7,6% (3,8% discordaram parcialmente e 3,8% totalmente), e 3,8% foram neutros. Esse elevado consenso entre os colaboradores confirma as contribuições de Franzoti (2022), que aponta a empatia como mobilizadora do melhor desempenho, e de Goleman (2011) e Ferreira et al. (2023), que destacam a inteligência emocional como fator essencial para decisões equilibradas e fortalecimento do clima organizacional. Os resultados evidenciam que a liderança humanizada é reconhecida como um elemento estratégico para o alcance de resultados sustentáveis e para o sucesso das equipes no canteiro de obras.
Em síntese, os achados da pesquisa demonstram que a liderança humanizada, pautada na valorização, respeito, empatia e inteligência emocional, é percebida como um fator relevante para o desempenho organizacional no canteiro de obras em Porto Feliz/SP. Embora haja um reconhecimento geral dos benefícios dessas práticas, especialmente na promoção de um ambiente de trabalho saudável, redução de conflitos e fortalecimento do engajamento, os dados também revelaram fragilidades na aplicação consistente de algumas competências, como a sensibilidade às necessidades emocionais e o equilíbrio sob pressão. Essas inconsistências indicam que, apesar da percepção positiva, ainda há espaço para o aprimoramento contínuo das lideranças, visando uma implementação mais homogênea e eficaz dos princípios da liderança humanizada.
4. Conclusão
O presente estudo analisou a influência da liderança humanizada, fundamentada na empatia e na inteligência emocional, sobre a produtividade das equipes em um canteiro de obras localizado em Porto Feliz/SP. Por meio de uma pesquisa descritiva, verificou-se uma percepção predominantemente positiva dos profissionais quanto às práticas de liderança humanizada. Identificou-se que a valorização e o respeito pelos colaboradores, a comunicação empática, o equilíbrio emocional dos líderes e o estímulo ao diálogo aberto foram amplamente reconhecidos como fatores que contribuem para o desempenho organizacional. Observou-se que a adoção dessas práticas esteve associada ao fortalecimento do engajamento da equipe, à redução de conflitos interpessoais e à melhoria do clima organizacional, elementos que, em conjunto, refletiram diretamente na produtividade e na qualidade dos resultados obtidos no canteiro de obras. A liderança humanizada, portanto, emergiu como um elemento estratégico para o alcance de resultados sustentáveis e para a promoção de relações de trabalho mais saudáveis.
Contudo, os resultados também evidenciaram fragilidades na aplicação consistente de algumas competências da liderança humanizada. Notou-se que a sensibilidade dos líderes às necessidades emocionais da equipe, o autocontrole em situações de pressão, a coerência entre discurso e prática e a comunicação motivadora apresentaram índices de percepção divididos ou moderados. Tais inconsistências sugerem que, apesar do reconhecimento geral dos benefícios, ainda existe espaço para o aprimoramento contínuo das lideranças no empreendimento. Diante desse cenário, recomenda-se que a empresa invista em ações estruturadas de capacitação e desenvolvimento de líderes, com foco em inteligência emocional, comunicação interpessoal, gestão de conflitos, feedback construtivo e práticas de escuta ativa. Sugere-se, ainda, a adoção de avaliações periódicas do clima organizacional e programas internos de acompanhamento da liderança, visando identificar pontos de melhoria e fortalecer uma cultura organizacional mais humanizada e produtiva.
Referências Bibliográficas
Brown, Brené. 2019. A coragem para liderar: Trabalho duro, conversas difíceis, corações plenos. 13ª edição.
Caulfield, Jay L.; Lee, Felissa K.; Baird, Catharyn A. 2023. Navigating the ethically complex and controversial world of college athletics: A humanistic leadership approach to student athlete well-being. Journal of Business Ethics, 183(2): 603-617.
Ferreira, F. O., Fonseca, M. E. S., & Nunes, A. L. P. F. 2023. Inteligência emocional e sua influência na gestão de conflitos. Online Revista Multidisciplinar.
Franzoti, Ana Paula. 2022. Liderança Humanitária. São Paulo: Alta Gestão.
Furtado, 2023 [Referência completa não encontrada no documento original]
Goleman, D. 2011. Inteligência emocional: A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. 7ª edição
Kouzes, James M; Posner, Barry Z. 1997. O Desafio da Liderança. 7ª edição
Mineiro, M. 2020. Pesquisa de survey e amostragem: aportes teóricos elementares. Revista de Estudos em Educação e Diversidade, v. 1, n. 2, p. 284-306
Mudannayake, Buddhika; Bhanugopan, Ramudu; Maley, Jane Frances. Unlocking team excellence: The transformative power of work engagement, career commitment, and role innovation Amidst conflict. Heliyon, v. 10, n. 7, p. 2-15, 2024.
Souza, Fabiana S. Perdi; Valadão, Adriana. 2022. Liderança Humanitária. São Paulo: Alta Gestão.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq
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