Artigo

02 de outubro de 2026

Influência dos formatos de podcast no engajamento e na decisão de compra dos ouvintes brasileiros

Influência dos Formatos de Podcast no Engajamento e na Decisão de Compra dos Ouvintes Brasileiros

Érika Rodrigues dos Santos; Sílvia Maria Morales Pereira

DOI: 10.22167/2675-6528-202602864

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O podcast consolidou-se como um formato de mídia popular entre o público brasileiro e, consequentemente, um canal de uso publicitário. Além do formato tradicional, que conta apenas com áudio, surgiu o videocast, que une o áudio à imagem, ampliando as possibilidades de comunicação. O estudo objetivou compreender como os formatos de podcasts e videocasts influenciam o engajamento e a decisão de compra dos consumidores brasileiros, considerando o papel dos elementos visuais na percepção e interação com conteúdos publicitários. Para isso, realizou-se uma pesquisa exploratória e descritiva, com levantamento bibliográfico e um survey por meio de questionário, utilizando amostragem não probabilística por conveniência. A abordagem de análise de dados foi quantitativa e coletou 193 respostas válidas. Os resultados indicaram que a amostra se mostrou neutra em relação à influência dos formatos na decisão de compra, embora tenha reafirmado tendências sobre a percepção de elementos visuais e sonoros em anúncios. Concluiu-se que o canal se estabeleceu como uma opção relevante para a construção e divulgação de produtos e serviços, apresentando altos índices de lembrança de marcas e frequência de consumo pelo público.

Palavras-chave: Áudio; Campanhas; Novos formatos; Videocast; Visual.

1. Introdução

O podcast consolidou-se como um formato de mídia popular no Brasil e, consequentemente, como um canal relevante para uso publicitário (IAB, 2021). O termo “podcast” deriva da junção de “iPod”, que remete a conteúdo pessoal sob demanda, e “broadcast”, que significa transmissão (Manduca e De Rezende, 2021). Atualmente, entende-se por podcast uma publicação digital em áudio ou vídeo, disponibilizada sob demanda em dispositivos móveis ou computadores de forma on-line (IAB, 2022).

Esse produto digital alcançou uma consolidação global e números expressivos no Brasil. Em 2023, o público brasileiro atingiu 51,8 milhões de ouvintes mensais (Statista, 2025). O país ocupa a décima primeira posição global em percentual de usuários que ouvem podcasts semanalmente, com 59,7%, e a sexta posição em tempo gasto, com duas horas e cinquenta e oito minutos (DataReportal, 2025). O consumo é caracterizado pela escuta de três a quatro programas diferentes por semana, com 82% dos ouvintes dedicando-se exclusivamente à atividade, o que indica uma imersão profunda (Nielsen, 2024).

Observa-se um padrão de comportamento no consumo de produtos e serviços no ambiente digital que se reflete nos ouvintes de podcast (Kotler et al., 2021). A jornada do cliente, que inclui assimilação, atração, arguição, ação e apologia, destaca a influência social nas decisões de compra, onde a exposição a marcas ocorre por recomendações, anúncios e experiências de terceiros (Kotler et al., 2021). Dados indicam que 35% dos ouvintes descobrem novas ofertas por meio de anúncios em podcasts, e 48% são mais propensos a comprar após indicações de apresentadores, superando a taxa de 40% observada em redes sociais (Nielsen, 2024). Além disso, mais da metade dos ouvintes brasileiros realiza alguma ação após a exposição a anúncios em podcasts, como buscar mais informações na internet (37%), acessar o site da marca (27%) ou consumir conteúdos em redes sociais (18%) (IAB, 2021).

Nesse cenário de alta aceitação do público, torna-se crucial compreender quais fatores adicionais podem influenciar a eficácia dos anúncios e sua capacidade de persuasão (Brinson et al., 2023). A receptividade a ações realizadas por apresentadores, inseridas no conteúdo, tende a ser maior do que a mensagens patrocinadas (Brinson et al., 2023). Em paralelo, a percepção do público em relação à forma de apresentação da mensagem, seja em vídeo ou áudio, ganha relevância (Guerra, 2025). Atualmente, o videocast, que combina áudio e imagem, tem demonstrado crescente adesão, com mais da metade dos americanos já tendo assistido a pelo menos um (Edison Research, 2025). No Brasil, essa tendência se confirma, com 55% dos ouvintes aumentando o consumo de videocasts no último semestre (Nielsen, 2024).

O investimento em marketing para podcasts e videocasts tende a crescer, impulsionado pelo custo-benefício e pela natureza engajada e fiel de sua audiência (Benes, 2022; Brinson et al., 2023). O vídeo, ao oferecer elementos visuais adicionais, pode ser um aliado poderoso na construção da mensagem de marca, mas também pode atuar como um limitador para o consumo de programas que originalmente eram apenas em áudio (Guerra, 2025). Diante dessa representatividade e receptividade notável, mostra-se pertinente investigar o impacto que o formato adotado pelo podcast (áudio versus vídeo) pode ter nos resultados das campanhas publicitárias.

Assim, a problemática central deste estudo questiona se o formato do podcast, vídeo versus áudio, interfere no nível de engajamento do público brasileiro em relação a produtos e serviços ofertados nesses canais, e, consequentemente, afeta sua decisão de compra. A justificativa para esta pesquisa reside na necessidade de compreender a influência dos formatos de mídia digital na percepção e interação com conteúdos publicitários, fornecendo insights valiosos para estratégias de marketing mais assertivas. O objetivo deste estudo é compreender como os formatos podcasts e videocasts influenciam o engajamento e a decisão de compra dos consumidores brasileiros, considerando o papel dos elementos visuais na percepção e na interação com conteúdos publicitários.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi delineada com natureza exploratória e descritiva, seguindo as orientações metodológicas de Marconi e Lakatos (2021) e Gil (2019). A fase exploratória consistiu em um levantamento bibliográfico abrangente, que buscou reunir informações e conhecimentos prévios sobre o tema central dos podcasts e videocasts, bem como a percepção e interação do público com conteúdos publicitários, considerando elementos visuais e sonoros. Para isso, foram consultadas fontes confiáveis como livros, artigos científicos, dissertações e teses. Essa etapa permitiu um aprofundamento no assunto, além de auxiliar na identificação de novas abordagens e na correlação entre a literatura existente e os potenciais achados do estudo. Complementarmente, a pesquisa descritiva teve como objetivo definir as características do fenômeno em análise, coletar opiniões e atitudes de um grupo específico e explorar as relações entre as variáveis estudadas.

A estratégia de pesquisa adotada foi o levantamento, do tipo *survey*, realizada por meio de um questionário estruturado. Para a seleção dos participantes, empregou-se uma amostragem não probabilística por conveniência, na qual foram incluídos indivíduos amplamente disponíveis e dispostos a colaborar com o estudo (Richardson, 2017). Essa técnica, embora não permita a generalização dos resultados para a população total, foi adequada para a coleta de dados sobre as percepções e comportamentos dos ouvintes brasileiros. Ao final do processo, foram obtidas 193 respostas válidas para análise.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, desenvolvido e aplicado por meio da plataforma Google Forms. A coleta ocorreu durante os meses de novembro e dezembro de 2025, com a divulgação do questionário realizada em redes sociais como LinkedIn, Instagram e WhatsApp. O questionário foi dividido em três seções distintas. A primeira seção apresentou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e uma pergunta filtro, que assegurou a participação apenas de indivíduos que declararam ouvir podcasts ou assistir videocasts, estabelecendo o critério de inclusão para a pesquisa.

A segunda parte do questionário dedicou-se à caracterização sociodemográfica dos respondentes, coletando informações de perfil sem qualquer identificação pessoal. A terceira e última seção abordou diretamente o objeto de estudo, investigando a influência dos anúncios veiculados em podcasts e videocasts na decisão de compra dos ouvintes. Foram exploradas questões sobre como o formato do anúncio (áudio ou vídeo) impacta o comportamento de compra e a percepção da relação entre a temática do programa e o produto ou serviço ofertado. A construção dessas questões fundamentou-se nos estudos de Marconi e Lakatos (2021).

Em relação aos aspectos éticos, a pesquisa foi conduzida como um estudo de opinião, dispensando a submissão para apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa, conforme previsto pela Resolução CNS nº 510, de 07 de abril de 2016. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi apresentado aos participantes na primeira seção do questionário, garantindo a voluntariedade e o anonimato das respostas. Após a coleta, os dados foram organizados e processados, e a abordagem de análise empregada foi de natureza quantitativa, focada na mensuração e classificação das informações obtidas.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa, que coletou 193 respostas válidas, revelou um perfil demográfico predominantemente feminino, representando 87% da amostra. A faixa etária mais expressiva concentrou-se entre 29 e 39 anos, abrangendo 45% dos participantes. Em termos de escolaridade, 37% dos respondentes possuíam Ensino Superior Completo, enquanto a renda familiar mensal mais comum situou-se na faixa de R$ 4.237,00 a R$ 7.061,00, com 30% da amostra. Geograficamente, a maioria dos participantes, 54%, residia no Estado de São Paulo. Esses dados fornecem um panorama do público consumidor de podcasts e videocasts investigado, indicando uma audiência com certo nível de formação e poder aquisitivo.

Ao analisar os hábitos de consumo, verificou-se que o podcast tradicional, focado apenas em áudio, mantém-se como o formato mais popular, sendo consumido com maior frequência por 54% dos respondentes. O videocast, que integra áudio e vídeo, foi o formato preferencial para 27% da amostra, enquanto 19% afirmaram consumir ambos os formatos de maneira equilibrada. Essa preferência pelo podcast de áudio pode ser atribuída à sua conveniência e à vasta variedade de conteúdo disponível, conforme apontado por Perks e Turner (2019), o que facilita o consumo em diversas situações e momentos do dia.

Em relação aos tipos de conteúdo mais consumidos, o entretenimento, que inclui música, filmes e séries, destacou-se com 27% das preferências. Em seguida, relatos de histórias reais, como crimes e investigações, atraíram 21% dos ouvintes, e notícias e atualidades foram mencionadas por 15%. A predileção por conteúdos de entretenimento alinha-se à sugestão de Schultz (2023) de que o público tende a preferir anúncios que também ofereçam entretenimento, o que reforça a natureza imersiva e engajadora do formato podcast. A diversidade de temas consumidos demonstra a amplitude do alcance desses canais.

A frequência de consumo da mídia também foi um ponto relevante, com 45% dos participantes ouvindo ou assistindo podcasts e/ou videocasts de duas a quatro vezes por semana. Um percentual significativo de 27% declarou consumo diário, e 18% o fazem uma vez por semana. Somando-se esses dados, observa-se que 90% da amostra consome esses formatos pelo menos uma vez por semana, superando a média de 60% de ouvintes semanais no Brasil, conforme o DataReportal (2026). Essa alta frequência de consumo indica que podcasts e videocasts estão profundamente integrados à rotina dos brasileiros, consolidando-se como canais de alta aderência e potencial para comunicação.

Quanto aos dispositivos utilizados para o consumo, o celular emergiu como a plataforma dominante, sendo a escolha de 74% dos respondentes. Outros dispositivos, como Smart TVs e computadores, foram mencionados por 11% e 10%, respectivamente. A prevalência do celular reflete o hábito de conexão dos brasileiros, com 92,1% da população acima de quinze anos possuindo um aparelho e 98,4% utilizando-o para acessar a internet (DataReportal, 2026). Essa ubiquidade do celular facilita o acesso a esses conteúdos e contribui para o crescimento contínuo do consumo, tornando-o um canal de mídia de alta penetração.

A percepção dos anúncios publicitários nos diferentes formatos foi investigada, e os resultados indicaram uma alta lembrança. Em podcasts, 81% dos ouvintes afirmaram recordar-se de ter ouvido algum anúncio. Para os videocasts, a taxa de lembrança foi ligeiramente menor, mas ainda expressiva, com 77% dos participantes recordando-se de ter visto anúncios. Esses achados corroboram a literatura que sugere que a alta frequência de consumo de podcasts e videocasts aumenta a propensão à lembrança de marca e à percepção de conteúdos publicitários, como destacado por Gandhi et al. (2025).

A influência do formato na lembrança dos anúncios apresentou resultados mais equilibrados. Cerca de 33% dos respondentes declararam lembrar-se dos anúncios na mesma intensidade, independentemente de serem em áudio ou vídeo. Uma parcela de 26% afirmou lembrar mais de anúncios apenas escutados (podcast), enquanto 25% recordaram mais de anúncios assistidos (videocast). Essa neutralidade relativa pode ser explicada pela complexidade da percepção, onde, embora a percepção individual possa indicar maior concentração em vídeos, estudos laboratoriais sugerem maior engajamento cognitivo e emocional com áudios, conforme Richardson et al. (2020). Tal ambivalência sugere que a influência real de cada formato na lembrança pode ser mais matizada do que a percepção inicial dos ouvintes.

A reação do público após a exposição a anúncios também foi analisada, revelando que a maioria, 53%, não realizou nenhuma ação imediata. Contudo, 33% afirmaram que, embora não tivessem agido no momento, consideraram a opção apresentada quando necessitaram do produto ou serviço. Além disso, 10% pesquisaram sobre o produto e consideraram a compra, mas não a efetivaram naquele instante. Esses dados sugerem que o canal atua mais nas fases de atração e arguição da jornada do cliente, conforme Kotler et al. (2021), influenciando a etapa de consideração em vez de gerar uma compra imediata. Assim, o formato se mostra eficaz na construção de conhecimento de marca.

Em relação à influência direta dos anúncios na decisão de compra, a amostra demonstrou uma postura neutra. Para anúncios em podcasts, 41% dos respondentes se declararam neutros. Ao agrupar as respostas, 37% afirmaram não ser influenciados (15% “não influencia em nada” e 22% “não influencia”), enquanto 22% declararam alguma influência (21% “influencia” e 1% “influencia muito”). Um padrão similar foi observado para anúncios em videocasts, com 43% de neutralidade e 35% de não influência. Esses resultados corroboram estudos como o de Gandhi et al. (2025), que não encontraram uma relação significativa entre o consumo de podcasts e o aumento na intenção de compra, indicando que esses canais são mais eficazes para branding do que para conversão direta em vendas.

A qualidade dos recursos de áudio e vídeo em videocasts foi considerada importante para o entendimento da mensagem do anúncio. Metade da amostra (51%) concordou com essa afirmação, e 26% concordaram plenamente, totalizando 77% de aprovação. Apenas 20% mantiveram-se neutros. Esse resultado valida a hipótese de que a qualidade da produção visual é essencial, pois vídeos de alta qualidade estimulam respostas emocionais na audiência, aumentando o engajamento com o conteúdo, como apontado por Taj (2025). A união eficaz de áudio e vídeo, portanto, é crucial para a transmissão da mensagem.

No contexto dos podcasts, o bom uso de trilhas e efeitos sonoros também foi valorizado para a compreensão da mensagem. Cerca de 47% da amostra concordou com a afirmação, e 31% concordou plenamente, somando 78% de aprovação. Esse achado reforça a importância de técnicas sonoras e estratégias narrativas para promover maior imersão dos ouvintes e melhor aceitação de mensagens publicitárias, conforme o estudo de Wang e Chan-Olmsted (2023). A amostra reafirmou que esses elementos são benéficos para a compreensão das mensagens em formatos exclusivamente de áudio.

A percepção sobre o uso exclusivo de áudio em anúncios de podcasts não se mostrou prejudicial para a compreensão da mensagem. Uma parcela de 35% discordou da afirmação de que o áudio interfere na compreensão, e 13% discordou totalmente, totalizando 48% que não veem o áudio como um fator negativo. Outros 32% permaneceram neutros. Apenas 20% (17% concordando e 3% concordando plenamente) acreditam que o áudio interfere. Isso sugere que a autenticidade, o ritmo da fala e a espontaneidade da apresentação, características do áudio, são elementos que constroem confiança e credibilidade, não prejudicando a experiência do público, como indicado por Nguyen et al. (2025).

Comparativamente, a percepção de que anúncios em videocasts despertam mais atenção e influenciam mais a decisão de compra, em relação aos podcasts, gerou resultados equilibrados. A maioria (32%) mostrou-se neutra. Enquanto 33% (28% concordaram e 5% concordaram plenamente) acreditam em maior atenção e influência do videocast, 35% (22% discordaram e 13% discordaram totalmente) não compartilham dessa visão. Essa ausência de uma discrepância significativa entre as perspectivas do público pode ser explicada pelos resultados contrastantes entre a percepção individual e as respostas fisiológicas ao consumir conteúdo em vídeo ou áudio, conforme Richardson et al. (2020).

A apresentação visual de produtos e serviços em anúncios de videocasts foi percebida como um fator que aumenta o engajamento e a interação. Uma parcela de 36% concordou com essa afirmação, e 5% concordou plenamente, totalizando 41% de aprovação. Em contrapartida, 32% (20% discordaram e 12% discordaram totalmente) não concordaram, e 27% permaneceram neutros. A inclinação de 41% do público a ter maior envolvimento com anúncios em videocasts pelo uso do vídeo reforça a ideia de que vídeos mais longos estimulam respostas emocionais na audiência, resultando em maior engajamento, como observado por Taj (2025).

A falta de recurso visual em podcasts não foi vista como um impedimento significativo para o engajamento com os anúncios. A maioria (31%) discordou que a ausência de vídeo afeta o engajamento, e 15% discordou totalmente, somando 46% de discordância. Uma parcela de 27% manteve-se neutra, e 27% (23% concordaram e 4% concordaram plenamente) acreditam que a falta de vídeo afeta o engajamento. Esses resultados sugerem que a relação entre público e podcast é estabelecida e fortalecida pela autenticidade, narrativa e elementos vocais, e não pela presença de estímulos visuais, como defendido por Nguyen et al. (2025).

A relação entre a temática do anúncio e o tema do podcast/videocast foi considerada influente na decisão de compra. Metade da amostra (39% influenciam e 11% influenciam muito) apontou essa influência, totalizando 50%. Outros 30% mantiveram-se neutros, e 20% (11% não influenciam e 9% não influenciam em nada) negaram a influência. Essa preferência por anúncios alinhados ao conteúdo do programa, como destacado por Brooks (2022) e Schultz (2023), potencializa o impacto sobre a intenção de compra e a relação com as marcas, confirmando a necessidade de coerência temática nas campanhas publicitárias.

Análise cruzada entre os resultados

A análise cruzada entre gênero e a influência dos anúncios em podcasts na decisão de compra revelou que as mulheres demonstram maior propensão a serem impactadas. Embora a maioria de ambos os gêneros tenha se declarado neutra (41% das mulheres e 46% dos homens), 24% das mulheres reconheceram alguma influência, em contraste com 12% dos homens. Esse dado sugere que podcasts podem ser um canal particularmente relevante para a divulgação de produtos e serviços direcionados ao público feminino, considerando sua maior receptividade às campanhas veiculadas nesse formato.

Ao comparar a influência dos anúncios em videocasts na decisão de compra por gênero, observou-se uma proximidade nos níveis de impacto. Para os homens, 19% reconheceram alguma influência, enquanto para as mulheres, esse percentual foi de 23%. A maioria dos homens (42%) declarou não ser impactada, e 35% permaneceram neutros. Entre as mulheres, 44% apontaram neutralidade e 16% negaram a influência. Essa similaridade nos resultados sugere que os videocasts não apresentam uma diferenciação significativa na influência entre os gêneros, podendo ser uma opção eficaz para ativar ambos os públicos em campanhas publicitárias.

A distribuição do consumo de formatos por faixa etária indicou a prevalência do podcast. O formato de áudio foi mais consumido por respondentes de 51 a 61 anos (75%), de 29 a 39 anos (56%) e de 18 a 28 anos (55%). Já nas faixas de 40 a 50 anos e acima de 62 anos, houve um consumo mais equilibrado entre os formatos, com 41% e 25% para cada formato, respectivamente. A faixa etária acima de 62 anos apresentou o maior consumo equilibrado, com 50% para ambos os formatos. Embora o podcast predomine, a relevância do videocast, com números significativos tanto em consumo exclusivo quanto combinado, aponta para a importância de considerar ambos os formatos em estratégias publicitárias.

A correlação entre escolaridade e a percepção de que videocasts despertam mais atenção e influência na decisão de compra, em comparação com podcasts, mostrou variações. Respondentes com Ensino Fundamental (completo ou incompleto) apresentaram 100% de concordância com essa hipótese. No entanto, em níveis de escolaridade mais elevados, as opiniões se tornaram mais dispersas. Para o Ensino Superior Incompleto, 44% concordaram e 42% discordaram. Na Pós-Graduação completa, 35% concordaram e 34% discordaram. Já no Ensino Superior Completo, a discordância foi maior (41% contra 30% de concordância), e no Mestrado/Doutorado, 27% discordaram contra 18% que concordaram. Esses dados sugerem que a aceitação do videocast pode ser maior em públicos com menor escolaridade, enquanto níveis mais altos de educação tendem a uma percepção mais crítica ou neutra, indicando que o podcast pode ser uma alternativa mais custo-benefício para certos segmentos.

A relação entre a renda mensal dos respondentes e a influência do formato na lembrança de um anúncio também foi analisada. Quatro grupos de renda (acima de R$ 7.062,00, R$ 9.887,00, R$ 4.237,00 e R$ 12.712,00) negaram a hipótese de influência do formato, alegando lembrar dos anúncios com a mesma intensidade, com percentuais de 64%, 41%, 39% e 38%, respectivamente. Em outros grupos, os resultados foram equilibrados quanto à lembrança relacionada a cada formato. O videocast predominou na lembrança para faixas de renda acima de R$ 15.537,00 (33%) e R$ 7.062,00 (14%), enquanto o podcast se destacou para faixas acima de R$ 12.712,00 (31%) e R$ 4.237,00 (30%). De forma geral, não se identificou uma relevância clara de um formato específico, com resultados dispersos e uma parcela significativa da amostra avessa a reconhecer o impacto desse fator.

Implicações práticas do estudo

Os resultados da pesquisa oferecem insights práticos para a elaboração de estratégias de marketing em podcasts e videocasts. A principal implicação é a necessidade de priorizar a aderência entre a temática dos anúncios e o conteúdo dos programas. Essa compatibilidade temática, conforme apontado por Schultz (2023), é crucial para aumentar a aceitação do público e potencializar a influência na decisão de compra. A vasta gama de gêneros de conteúdo disponíveis nesses formatos, como entretenimento, notícias e educação, amplia as possibilidades de segmentação e atratividade para diferentes públicos-alvo.

Em termos operacionais, as campanhas publicitárias devem explorar as características intrínsecas de cada formato. Nos podcasts, o uso estratégico de trilhas e efeitos sonoros pode aprimorar a atenção e a compreensão das mensagens, conforme evidenciado pela valorização desses elementos pela amostra e pelos estudos de Wang e Chan-Olmsted (2023). Para os videocasts, a qualidade do áudio e do vídeo, combinada com a apresentação visual dos produtos ou serviços, contribui significativamente para um maior engajamento e melhor assimilação do conteúdo publicitário, como reforçado por Taj (2025).

Embora a pesquisa tenha indicado que a conversão direta em compra seja limitada, os formatos de podcast e videocast desempenham um papel relevante nas etapas intermediárias do processo decisório do consumidor. Eles são eficazes na geração de interesse, na pesquisa e na consideração de produtos e serviços, atuando como ferramentas poderosas para a construção de reputação, o lançamento de novos produtos e o fortalecimento da marca. Essa eficácia é sustentada pela alta frequência de consumo e pela elevada lembrança dos anúncios por parte do público, conforme os achados do estudo.

Para potencializar o impacto no comportamento de compra, recomenda-se a integração desses formatos com outras estratégias de marketing. A adoção de ações complementares, como sugerido por Gandhi et al. (2025), pode ampliar a efetividade das campanhas, transformando a exposição inicial em podcasts e videocasts em ações mais concretas de compra. Essa abordagem holística permite que as marcas aproveitem a capacidade desses canais de engajar e informar, direcionando o público para outras plataformas onde a conversão pode ser finalizada.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que, embora o formato (áudio versus vídeo) não seja um fator determinante direto na decisão de compra, ele influencia a lembrança e o engajamento do público. A amostra se mostrou neutra quanto à influência direta na compra, mas valorizou a qualidade sonora em podcasts e a apresentação visual em videocasts para a compreensão da mensagem. A temática do anúncio alinhada ao conteúdo do programa revelou-se crucial para a percepção positiva. Esses achados reforçam o papel dos podcasts e videocasts como ferramentas estratégicas para a construção de marca e o engajamento em etapas iniciais da jornada do consumidor, respondendo ao objetivo de compreender a influência desses formatos na percepção e interação com conteúdos publicitários.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou compreender como os formatos podcasts e videocasts influenciam o engajamento e a decisão de compra dos consumidores brasileiros, considerando o papel dos elementos visuais na percepção e na interação com conteúdos publicitários. Verificou-se que o podcast tradicional, focado em áudio, manteve-se como o formato mais consumido, embora o videocast demonstre uma crescente adesão. Observou-se uma alta lembrança de anúncios em ambos os formatos, com 81% para podcasts e 77% para videocasts. Contudo, a amostra se mostrou neutra quanto à influência direta do formato na lembrança e, principalmente, na decisão de compra, indicando que esses canais atuam mais nas fases de atração e consideração da jornada do cliente. A qualidade dos recursos de áudio e vídeo em videocasts, assim como o bom uso de trilhas e efeitos sonoros em podcasts, foi considerada crucial para a compreensão da mensagem publicitária. A principal contribuição prática do estudo reside na necessidade de alinhar a temática dos anúncios ao conteúdo dos programas, otimizando a aceitação e o engajamento do público.

As limitações deste estudo incluem a alta concentração de respondentes no estado de São Paulo e a predominância de participantes do gênero feminino, além da amostragem não probabilística por conveniência, que restringe a generalização dos resultados. A neutralidade expressa pela amostra em relação à influência direta na decisão de compra também representa uma limitação. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a percepção dos participantes em campanhas publicitárias reais, buscando reduzir o fator de neutralidade das respostas. Recomenda-se, ainda, a realização de comparações diretas entre programas que utilizam exclusivamente um dos formatos, permitindo uma análise mais detalhada das preferências do público-alvo e do impacto específico de cada formato.

Referências Bibliográficas

Interactive Advertising Bureau [IAB]. 2021. A influência da publicidade digital no universo dos podcasts. Disponível em: <https://iabbrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IAB-BRASIL_PESQUISA_PODCAST_FINAL.pdf>. Acesso em: 7 out. 2025.

Interactive Advertising Bureau [IAB]. 2022. Guia de Podcast Advertising 2022. Disponível em: <https://iabbrasil.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IAB-BRASIL_GUIA_PODCAST-ADVERTISING_20220503_FINAL.pdf>. Acesso em: 7 out. 2025.

Manduca, Alexandre.; De Rezende, Taynara Borges. 2021. Podcast como ferramenta de marketing de conteúdo. South American Development Society Journal, 7(20): 66. Disponível em: <https://sadsj.org/index.php/revista/article/view/437>. Acesso em: 7 out. 2025.

Statista. 2025. Podcast consumption in Latin America – statistics & facts. Disponível em: <https://www.statista.com/topics/9770/podcast-consumption-in-latin-america/?srsltid=AfmBOorQsFumAB

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

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