Artigo

05 de agosto de 2026

Implantação de sistema de gestão da qualidade em escritório de advocacia de contencioso de massa

Jessyca Fernanda Nascimento dos Santos; Lorena Hernández Mastrapa

DOI: 10.22167/2675-6528-202600947

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O contencioso cível de massa impôs aos escritórios de advocacia o desafio sistêmico de gerir grandes volumes processuais com absoluto rigor de prazos e previsibilidade, exigindo efetivo controle e garantia de qualidade nos serviços prestados. O estudo objetivou propor a estruturação e a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) fundamentado na norma internacional ISO 9001:2015 em um escritório de advocacia de médio porte, sob a ótica dos domínios de desempenho do planejamento, do trabalho do projeto e da entrega preconizados pela 7ª edição do Guia PMBOK. Metodologicamente, a investigação caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, conduzida sob uma abordagem de dados mista (qualitativa e quantitativa), configurando-se como um estudo de caso amparado por análise documental e observação participante. O projeto de implantação foi estruturado em duas fases distintas: a primeira, dedicada à adequação normativa, departamentalização e padronização da infraestrutura documental; e a segunda, focada na melhoria contínua e consolidação da cultura da qualidade, mediante a transição para a gestão orientada a dados e integração de inteligência artificial. Os principais resultados revelaram a obtenção antecipada da certificação ISO 9001:2015, a construção de painéis de inteligência de negócios (“dashboards”) para monitoramento proativo, a curadoria de peças com suporte de IA e o controle sistêmico de não conformidades, superando a inércia cultural. Concluiu-se que o sucesso da implementação do SGQ no caso estudado não decorreu de um esforço operacional empírico, mas do planejamento metodológico proporcionado pelo referencial do Guia PMBOK, que transformou a gestão de litígios em um ecossistema auditável e competitivo, gerando valor sustentável e melhorias contínuas.

Palavras-chave: Gestão de projetos; ISO 9001:2015; Melhoria contínua; Operações jurídicas; PMBOK.

1. Introdução

O contencioso de massa, também denominado litigiosidade de massa, representa um fenômeno jurídico-social de crescente relevância, caracterizado pela proliferação de litígios com matérias semelhantes, envolvendo um grande número de partes. Este cenário é impulsionado por uma complexa interação de fatores, incluindo o aumento do consumo, a ampliação do acesso à justiça e a vasta normatização das relações comerciais e civis, bem como a aceleração do fluxo de informações (Ravagnani, 2017). Tal fenômeno se manifesta predominantemente em setores como serviços financeiros, telecomunicações e seguros, onde grandes corporações enfrentam milhares de ações padronizadas (Nascimento, 2026). A gestão desses volumes processuais impõe aos escritórios de advocacia um desafio sistêmico, transpondo a prática jurídica tradicional para um modelo análogo a uma “linha de produção”, exigindo a adoção de preceitos de gestão de operações para garantir rentabilidade e eficácia (Godoi et al., 2016).

Nesse ambiente, a operacionalização de serviços jurídicos em larga escala demanda fluxos de processos definidos, divisão especializada do trabalho, padronização de teses e busca contínua pela redução do tempo de ciclo, visando ao aumento da produtividade. A qualidade emerge como premissa fundamental para a sobrevivência em um mercado altamente competitivo, com mais de 105 mil sociedades de advogados ativas no Brasil em 2021 (Ordem dos Advogados do Brasil, 2021), exigindo excelência (Graciotti, 2023). O controle rigoroso dos prazos judiciais é um risco crítico, pois a preclusão, conforme o Código de Processo Civil (Brasil, 2015), extingue o direito de praticar um ato, gerando prejuízos aos clientes e responsabilizações. A inobservância de prazos por culpa grave pode configurar infração disciplinar, conforme o Estatuto da Advocacia e da OAB (Brasil, 1994). A pressão do alto volume compromete a qualidade técnica das defesas, tornando indispensável um controle operacional minucioso e o uso de Sistemas de Informação Gerencial para agilidade e eficiência (Godoi et al., 2016).

Diante da complexidade e dos riscos envolvidos, a implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) certificado pela norma internacional ISO 9001:2015 surge como solução estratégica para aprimorar os serviços e mitigar riscos (Lopes, 2023). Historicamente, a ISO 9001 foi concebida para padronizar processos em indústrias manufatureiras (Flexo In Foco Treinamentos, 2024). Contudo, a norma evoluiu, expandindo seu escopo para o setor de serviços, incluindo o ambiente jurídico. A versão 2015 transcendeu o foco burocrático, adotando uma mentalidade baseada na gestão de riscos, na melhoria contínua e na centralidade do cliente. Essa adaptação tornou a certificação altamente relevante para escritórios de advocacia, onde a mitigação de riscos e a satisfação do cliente são métricas essenciais. A aderência da ISO 9001:2015 é reforçada por sua fundamentação intrínseca no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), cujos requisitos orientam as organizações na implantação do SGQ e na promoção de melhorias contínuas (Teles, 2017).

A estruturação e a implantação de um SGQ em um escritório que gerencia dezenas de milhares de processos exige a aplicação rigorosa das melhores práticas de gerenciamento de projetos, abrangendo iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento. O Guia PMBOK, em sua sétima edição, oferece um referencial robusto que organiza essas práticas em domínios de desempenho, como planejamento, projeto e entrega (Project Management Institute, 2021). A aplicação desses domínios promove uma transformação cultural profunda, convertendo a organização de profissionais isolados em um ecossistema integrado, onde rotinas são mapeadas, prazos monitorados proativamente e o aprendizado organizacional é continuamente alimentado. A complexidade do contencioso cível de massa e a imperatividade de garantir excelência e conformidade justificam a integração de qualidade e gerenciamento de projetos, transformando a gestão de litígios em um ecossistema auditável e competitivo. Assim, este estudo objetiva propor a estruturação e a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) fundamentado na norma internacional ISO 9001:2015 em um escritório de advocacia de médio porte, sob a ótica dos domínios de desempenho do planejamento, do trabalho do projeto e da entrega preconizados pela sétima edição do Guia PMBOK.

2. Material e Métodos

A presente investigação caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, buscando solucionar um problema prático no contexto de um escritório de advocacia. Adotou-se uma abordagem de dados mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos para uma compreensão abrangente do fenômeno estudado. O delineamento metodológico configurou-se como um estudo de caso, permitindo uma análise aprofundada e contextualizada da implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) em uma organização específica. Essa escolha metodológica foi fundamental para explorar as particularidades do ambiente jurídico de contencioso de massa.

O estudo foi conduzido em um escritório de advocacia de médio porte, localizado na cidade de Curitiba, no estado do Paraná. A instituição contava com uma equipe de aproximadamente 170 profissionais, dos quais cerca de 100 eram advogados dedicados às áreas de acordos, peticionamento e controladoria. O escritório possuía quase trinta anos de experiência no mercado jurídico, com especialização em direito bancário, recuperação de crédito e representação em litígios correlatos. Este contexto forneceu um ambiente rico para a observação dos desafios da gestão de contencioso de massa.

A unidade de análise consistiu no próprio escritório de advocacia, que gerenciava um volume expressivo de aproximadamente 40 mil processos judiciais, sendo 26 mil deles pertencentes a um único cliente principal. A estrutura operacional do escritório era análoga a uma linha de produção, com equipes segregadas em Controladoria, Peticionamento e Negocial Jurídico. Essa divisão do trabalho, suportada por um sistema preexistente de gerenciamento de processos, foi o cenário para a intervenção e o objeto de observação da pesquisa, permitindo analisar a dinâmica interna da gestão de litígios.

Os procedimentos técnicos da pesquisa envolveram a análise documental e a observação participante, com imersão ativa na rotina operacional do escritório durante o período de execução do projeto. A fase exploratória iniciou-se com um diagnóstico situacional, realizado por uma consultoria especializada em SGQ. Este diagnóstico incluiu a recuperação e análise de registros documentais internos da empresa, complementada por entrevistas com representantes de cada fase dos processos operacionais. Tais instrumentos permitiram conhecer a realidade, características e desafios iniciais da organização (Gil, 2010).

A estruturação do projeto de implantação do SGQ foi concebida sob a ótica da sétima edição do Guia PMBOK (Project Management Institute, 2021), adotando uma abordagem híbrida. O ciclo de vida do projeto foi segregado em duas fases distintas. A Fase 1, denominada Adequação Normativa, focou no atendimento aos requisitos da norma ISO 9001:2015. A Fase 2, por sua vez, visou à Transição Tecnológica e Cultural, buscando a consolidação da cultura da qualidade e a implementação de inovações tecnológicas. Essa segmentação permitiu gerenciar as diferentes naturezas das entregas.

A Fase 1 do projeto, de natureza preditiva, concentrou-se na formalização da informação documentada e no estabelecimento da rastreabilidade em todas as macroáreas da instituição. O escopo abrangeu a adequação normativa para a certificação ISO 9001:2015, com o planejamento detalhado das atividades. As frentes corporativas envolvidas foram Estratégia, Gestão da Qualidade, Comercial, Operação, Gestão de Pessoas e Suprimentos. Para o acompanhamento diário das pendências e cumprimento dos requisitos, utilizou-se um software de gestão visual de tarefas, que permitiu a segregação do trabalho em tarefas e checklists.

A Fase 2 do projeto, com abordagem adaptativa, buscou reforçar a cultura da qualidade e mitigar riscos residuais, tratando os achados da matriz SWOT. O planejamento desta fase previu a execução de atividades estratégicas para a consolidação e maturidade tecnológica do SGQ. Os objetivos incluíram o monitoramento de KPIs em tempo real, a padronização técnica e agilidade no peticionamento, a implementação de melhorias contínuas, a redução da resistência cultural e a expansão de mercado. As entregas esperadas envolviam dashboards em Power BI, acervo de teses estruturado e ferramentas de produção de petições com IA.

Para assegurar a melhoria contínua e a aderência aos requisitos da ISO 9001:2015, a execução do projeto foi estruturada sob a lógica iterativa do ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act). Este ciclo foi aplicado de forma independente e complementar em cada etapa da implementação, integrando as fases de adequação e consolidação aos domínios de desempenho do PMBOK. Essa correlação permitiu que as entregas técnicas fossem planejadas, executadas, monitoradas por indicadores e ajustadas proativamente, garantindo a retroalimentação do planejamento da fase seguinte (Teles, 2017).

No que tange ao tratamento e análise dos dados, a pesquisa utilizou a matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) como ferramenta para o diagnóstico estratégico inicial. Esta análise foi fundamental para permitir uma visão sistêmica da organização, cruzando variáveis internas e externas. A matriz SWOT orientou o gerenciamento de riscos conforme a Cláusula 4.1 da ISO 9001:2015, subsidiando o desenho de planos de ação para mitigar vulnerabilidades e potencializar capacidades operacionais. A identificação das partes interessadas e seus interesses também foi parte da análise de contexto.

O monitoramento e controle da execução do projeto, em ambas as fases, foram operacionalizados por meio de reuniões semanais de acompanhamento, com a participação da equipe do SGQ e da alta direção. Nessas sessões, procedeu-se ao levantamento de pendências, discussões técnicas e validação das etapas concluídas. A formalização das reuniões por meio de atas garantiu a rastreabilidade das decisões. Além disso, a gestão de desvios e o tratamento de não conformidades (RNCs) foram sistematizados, incluindo a análise de causa raiz pela ferramenta dos “5 porquês” e o registro em formulário padrão.

A transição para uma gestão orientada a dados foi materializada pela implementação de dashboards via Power BI, substituindo relatórios manuais e facilitando a tomada de decisão. Esses dashboards permitiram o monitoramento analítico de indicadores de desempenho (KPIs) em tempo real, identificando gargalos operacionais e equilibrando o volume de trabalho das equipes. A estruturação de um acervo de teses e a curadoria jurídica, com modelos paramétricos no sistema de gestão de processos, também foram desenvolvidas para subsidiar futuras ferramentas de Inteligência Artificial e mitigar riscos de defesas incorretas.

A principal limitação metodológica deste trabalho reside na sua natureza de estudo de caso único. Embora a pesquisa tenha proporcionado uma análise aprofundada e contextualizada da implantação do SGQ no escritório específico, os resultados quantitativos obtidos não podem ser universalmente generalizados para bancas jurídicas de portes distintos. A aplicabilidade dos achados a outros contextos exigiria adaptações táticas e novas investigações. Não foram identificados procedimentos éticos específicos, como aprovação por comitê de ética, no TCC original.

3. Resultados e Discussão

A transição para um modelo de gestão da qualidade em um escritório de advocacia de contencioso de massa, conforme delineado no presente estudo, revelou uma série de achados significativos e desafios superados, culminando na obtenção da certificação ISO 9001:2015 e na consolidação de uma cultura organizacional orientada à excelência. A execução do projeto, dividida em duas fases distintas, demonstrou a aplicabilidade e a eficácia de uma abordagem híbrida de gerenciamento de projetos, alinhada aos domínios de desempenho do Guia PMBOK (Project Management Institute, 2021), em um contexto jurídico complexo.

A Fase 1, focada na Adequação Normativa, foi caracterizada por uma execução rigorosa e preditiva, essencial para o atendimento dos requisitos da ISO 9001:2015. A utilização de um software de gestão visual de tarefas foi crucial para o acompanhamento diário das pendências e a segregação clara das responsabilidades entre as seis macroáreas mapeadas: Estratégia, Gestão da Qualidade, Comercial, Operação, Gestão de Pessoas e Suprimentos. Este método de controle descentralizado, mas padronizado, permitiu uma visibilidade granular do progresso, otimizando as entregas e garantindo a conformidade sistêmica em todas as esferas da instituição. A literatura de gestão de projetos, como Gil (2010), enfatiza a importância de ferramentas de acompanhamento para a eficiência e transparência na execução de projetos complexos, o que foi plenamente corroborado neste estudo. A capacidade de monitorar o projeto em percentuais de conclusão por área facilitou a identificação precoce de desvios e a alocação proativa de recursos, um aspecto fundamental para o sucesso em projetos com prazos e requisitos mandatórios.

A departamentalização e o mapeamento detalhado das atividades para adequação ao SGQ, conforme apresentado na Tabela 1, foram pilares para a estruturação da Fase 1.

Tabela 1. Estruturação das áreas e mapeamento das atividades para adequação ao SGQ

Áreas da Organização

Atividades Desenvolvidas e Informação Documentada

Requisitos da norma ISO 9001: 2015

Estratégia

Declarações institucionais; definição do contexto da organização; elaboração de plano de ação; mapeamento das necessidades e expectativas das partes interessadas; definição de objetivos estratégicos; instituição de reuniões estratégicas

4. Contexto da organização
4.1. Entendendo a organização e seu contexto;
4.2. Entendendo as necessidades e expectativas dos trabalhadores e outras partes interessadas.

Gestão da Qualidade

Elaboração da Política de Qualidade e respectivo registro; mapeamento de processos da qualidade; estruturação de pesquisa de satisfação de clientes; definição de objetivos e indicadores da qualidade; ações para abordar riscos e oportunidades; tratamento de não conformidades e ações corretivas; controle da mudança; controle da informação documentada; redação do Manual do SGQ; procedimento de auditoria interna; ata de análise crítica; modelo de formulário de relatório de não conformidade.

4.3. Determinação do escopo do sistema de gestão;
4.4. Sistema de Gestão e seus processos;
5. Liderança
5.2. Política de Gestão
5.3. Papeis, responsabilidades e autoridades organizacionais;
6. Planejamento
6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades:
6.2. Objetivos da qualidade e planejamento para alcançá-los;
6.3 Planejamento de Mudanças
7. Apoio
7.1. Recursos
7.5. Informação documentada;
8. Operação
8.1 Planejamento e controle operacional;
8.5 Produção e provisão de serviços;
9. Avaliação de desempenho
9.1.2 Satisfação do cliente;
9.1.3 Análise e avaliação;
9.2 Auditoria interna;
9.3 Análise crítica pela direção;
10. Melhoria;
10.2 Não conformidades e ação corretiva;
10.3 Melhoria contínua.

Comercial

Mapeamento de processos comerciais; elaboração de procedimento comercial; definição de objetivos e indicadores do setor; ações para abordar riscos e oportunidades comerciais; redação do POP para prospecção de leads, POP de licitações.

8.2 Requisitos para produtos e serviços;

Operação

Mapeamento detalhado dos processos de cada célula operacional (Negocial, Controladoria e Peticionamento); estabelecimento de objetivos e indicadores por operação; ações para abordar riscos e oportunidades operacionais; Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) inerentes a cada operação.

8.5.1 Controle de produção e de provisão de serviços;
8.5.2 identificação e rastreabilidade;

Gestão de Pessoas

Descrição estruturada de cargos; elaboração do procedimento de Recursos Humanos (RH); aplicação de pesquisa de satisfação dos colaboradores; mapeamento de processos de RH; Estabelecimento de indicadores para área.

7.1.3 infraestrutura;
7.1.6 Conhecimento organizacional;
7.2 Competências;
7.4 Comunicação;

Suprimentos

Mapeamento do processo de compras; ações para abordar riscos e oportunidades; procedimento de compras; instituição de modelo de requisição e pedido de compras; lista de fornecedores homologados.

8.4. Controle de processos, produtos e serviços providos externamente;

Fonte: Dados originais da pesquisa

A Tabela 1 elucida a meticulosa correlação entre as atividades desenvolvidas em cada área da organização e os requisitos específicos da norma ISO 9001:2015. Esta abordagem sistemática permitiu que cada setor compreendesse seu papel na construção do SGQ, transformando requisitos abstratos em ações concretas e mensuráveis. Por exemplo, na área de Estratégia, a definição do contexto da organização e a elaboração de planos de ação foram diretamente vinculadas aos requisitos 4.1 e 4.2 da ISO 9001:2015, que tratam do entendimento da organização e de suas partes interessadas. Esta vinculação explícita entre as atividades internas e os padrões normativos é um diferencial, pois, como apontado por Teles (2017), a ISO 9001:2015 é intrinsecamente fundamentada no ciclo PDCA, exigindo uma abordagem estruturada para a melhoria contínua. A padronização de processos e a formalização da informação documentada, essenciais para a certificação, foram facilitadas por este mapeamento, que serviu como um guia prático para as equipes. A abrangência do mapeamento, que transpassou o setor estritamente jurídico (Operação) para incluir as esferas de apoio, garantiu que a conformidade não fosse apenas setorial, mas sistêmica, um pré-requisito para a certificação e para a verdadeira integração da qualidade na cultura organizacional.

A elaboração da informação documentada, especialmente nas áreas de Estratégia e Gestão da Qualidade, demandou uma estreita colaboração com a Alta Direção. Este engajamento da liderança, conforme o requisito normativo 5.1 (Liderança), foi um fator crítico de sucesso, facilitando a adesão interna e indicando um prognóstico favorável para a eficiência do projeto. A participação ativa da cúpula diretiva no levantamento dos fatores internos e externos com potencial para afetar o SGQ, e na subsequente definição de diretrizes para seu monitoramento contínuo, reforça a premissa de que a qualidade não é apenas uma responsabilidade operacional, mas uma prioridade estratégica (Lopes, 2023). A análise de contexto, um dos primeiros passos na implementação da ISO 9001:2015, foi materializada pela aplicação da matriz SWOT.

A matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) foi a ferramenta selecionada para o diagnóstico estratégico inicial, revelando-se fundamental para uma visão sistêmica da organização.

Tabela 2. Matriz SWOT aplicada ao diagnóstico estratégico do escritório

Categoria Principal

Sub-Categoria

Item

Fatores Internos

Forças (“Strengths”)

Experiência consolidada

Fatores Internos

Forças (“Strengths”)

Estrutura Robusta

Fatores Internos

Forças (“Strengths”)

Divisão clara entre áreas

Fatores Internos

Fraquezas (“Weaknesses”)

Dependência financeira de um cliente

Fatores Internos

Fraquezas (“Weaknesses”)

Gestão de riscos e oportunidades de caráter reativo

Fatores Externo

Oportunidades (“Opportunities”)

Integração de inteligência artificial e “dashboards” analíticos

Fatores Externo

Oportunidades (“Opportunities”)

Expansão para novos nichos

Fatores Externo

Ameaças (“Threats”)

Rigor absoluto dos prazos

Fatores Externo

Ameaças (“Threats”)

Alta competitividade

Fatores Externo

Ameaças (“Threats”)

Mudanças legislativas e de entendimento jurisprudencial

Fonte: Dados originais da pesquisa

Conforme apresentado na Tabela 2, a análise SWOT permitiu cruzar variáveis internas (forças e fraquezas) com fatores externos (oportunidades e ameaças), orientando o gerenciamento de riscos em conformidade com a Cláusula 4.1 da ISO 9001:2015. As forças identificadas, como a experiência consolidada e a estrutura robusta, foram alavancadas para potencializar as capacidades operacionais. Por outro lado, as fraquezas, como a dependência financeira de um único cliente e a gestão de riscos de caráter reativo, foram endereçadas por planos de ação específicos. As oportunidades, como a integração de inteligência artificial e dashboards analíticos, e a expansão para novos nichos, foram exploradas para impulsionar a inovação e o crescimento. As ameaças, incluindo o rigor absoluto dos prazos e a alta competitividade, foram mitigadas por estratégias preventivas e de melhoria contínua. Esta abordagem proativa, em contraste com a gestão reativa anterior, é um marco da transição cultural promovida pelo SGQ, alinhando-se à visão de Ravagnani (2017) sobre a necessidade de automação e controle sistêmico na advocacia moderna. A matriz SWOT não foi apenas um exercício de diagnóstico, mas uma ferramenta viva que subsidiou o desenho de planos de ação para mitigar vulnerabilidades culturais e potencializar as capacidades operacionais do escritório diante da litigiosidade de massa. A identificação das partes interessadas e seus interesses, também parte da análise de contexto, garantiu que o SGQ fosse construído com uma perspectiva abrangente, considerando sócios, colaboradores, clientes, fornecedores, órgãos regulamentadores e o Estado.

A definição do escopo do SGQ, embora facultativa pela norma, foi estrategicamente ampliada para abranger integralmente o processo principal (“core business”) do escritório. Esta decisão refletiu o compromisso da alta direção em garantir que a certificação não fosse meramente um selo, mas um catalisador para a excelência em todas as operações críticas. A área de Gestão da Qualidade, atuando como o cerne do projeto, demandou o maior esforço técnico e laboral na Fase 1. O desenvolvimento da Política da Qualidade, documento basilar que estabeleceu princípios, objetivos e compromissos com a melhoria contínua, satisfação do cliente e conformidade legal, funcionou como o guia mestre para o desdobramento dos objetivos da qualidade em todos os níveis da organização. Este alinhamento estratégico é vital, pois, como Graciotti (2023) observa, a qualidade na prestação de serviços jurídicos não é um critério de escolha, mas de permanência no mercado.

Um dos avanços mais significativos na área de gestão da qualidade foi a normatização do fluxo de tratamento das não conformidades (RNCs). A obrigatoriedade do preenchimento de um formulário padrão, com descrição detalhada da falha, origem, setores envolvidos, ações corretivas imediatas e análise de causa raiz pela ferramenta dos “5 porquês”, transformou o registro de falhas de um mero procedimento burocrático em um instrumento de melhoria contínua e segurança jurídica. A análise de causa raiz, em particular, é uma prática fundamental da gestão da qualidade, conforme preconizado por Teles (2017), que permite ir além da correção sintomática para abordar as raízes dos problemas, prevenindo reincidências e fortalecendo a resiliência operacional. O encaminhamento dos relatórios ao SGQ para avaliação da eficácia das medidas e o arquivamento dos tratamentos garantiram a rastreabilidade e a retroalimentação do sistema, fechando o ciclo PDCA de forma robusta.

A manutenção do sistema foi assegurada por protocolos de padronização de documentos, controle da informação documentada e diretrizes para o controle de mudanças. O procedimento de auditoria interna e o modelo de ata para a análise crítica pela direção consolidaram a infraestrutura normativa e documental. O protocolo de Controle de Mudanças, em particular, foi rigoroso, exigindo análise de impacto, avaliação de recursos e definição de responsabilidades para qualquer alteração significativa. Isso preveniu que melhorias isoladas gerassem impactos negativos, garantindo a integridade do SGQ e a rastreabilidade do processo. Esta abordagem sistemática para a gestão de mudanças é um reflexo da maturidade organizacional e da compreensão de que a qualidade é um processo dinâmico que exige vigilância contínua.

A abordagem descentralizada na produção documental, onde cada área era responsável por seus POPs e Planilhas de Gestão de Processos, garantiu que a documentação refletisse a realidade prática de cada célula, ao mesmo tempo em que a padronização assegurou a integridade e a rastreabilidade do sistema. No entanto, a execução da Fase 1 não foi isenta de desafios. A principal barreira prática foi a resistência cultural de parte das lideranças e equipes operacionais em assimilar a importância da rastreabilidade e do registro de rotinas. A justificativa comum de “sempre foi assim” revelou uma forte inércia em manter práticas consolidadas. Este achado corrobora Godoi et al. (2016), que identificam a resistência operacional como um dos principais desafios na transição para a advocacia de volume. A curva de aprendizado acentuada na compreensão de conceitos como gestão de riscos e oportunidades, que exigiu investimento de tempo e treinamento superior ao previsto, demonstra a profundidade da mudança de mentalidade necessária para migrar de um modelo reativo para um preventivo.

Apesar dos obstáculos, a aplicação ostensiva da gestão visual e a comunicação eficiente mitigaram os gargalos, permitindo que o projeto fosse concluído em oito meses, quatro meses antes do previsto. A obtenção da certificação ISO 9001:2015 em abril de 2025 atestou o sucesso da Fase 1, validando a eliminação das vulnerabilidades iniciais e a rastreabilidade conferida pela nova documentação. Este resultado antecipado não apenas demonstrou a eficácia do planejamento e da execução, mas também gerou um impacto positivo na moral da equipe e na percepção de valor do SGQ.

A Fase 2, focada em Inovações e Consolidação Cultural, adotou uma abordagem metodológica mais flexível e adaptativa, priorizando atividades de maior relevância estratégica e agregação de valor. Diferentemente da Fase 1, que exigia um cronograma rigoroso, a Fase 2 pautou-se por iterações e feedback das equipes, alinhando-se à natureza adaptativa dos domínios de desempenho do PMBOK (Project Management Institute, 2021). As atribuições foram descentralizadas, com responsabilidades específicas delegadas à equipe do SGQ, alta direção e lideranças setoriais. A alta direção, por exemplo, concentrou-se na execução do plano comercial, com foco na captação de novos “leads” e na consolidação da autoridade do escritório no mercado. A aplicação dos novos POPs permitiu a captação de novos clientes e a redução da dependência de um único cliente principal, diversificando as áreas de atuação e fortalecendo a resiliência do negócio. Esta expansão estratégica é uma implicação direta da melhoria da qualidade e da previsibilidade dos serviços, que se tornam um diferencial competitivo no mercado jurídico (Lopes, 2023).

No âmbito operacional, a gerência da área de Controladoria assumiu a vanguarda da inovação tecnológica. O desenvolvimento de “dashboards” via Power BI para o monitoramento analítico dos KPIs substituiu relatórios manuais e planilhas complexas, facilitando a tomada de decisão em tempo real. Essa transição analítica para a gestão orientada a dados (“data-driven”) permitiu identificar estrangulamentos operacionais e equilibrar o volume de trabalho das equipes de forma imediata, garantindo um acompanhamento ágil de métricas e KPIs em todas as áreas. A capacidade de predição de gargalos e a otimização da carga de trabalho são exemplos claros de como a tecnologia, quando integrada a um SGQ robusto, pode transformar a eficiência operacional. Ravagnani (2017) destaca a automação como pilar da advocacia moderna, e este estudo demonstra a materialização dessa premissa.

Simultaneamente, a gerência da área de Peticionamento dedicou-se à estruturação do acervo técnico, promovendo a curadoria jurídica necessária para subsidiar futuras ferramentas de Inteligência Artificial (IA). A consolidação do acervo histórico em um banco de teses, atualizadas e alinhadas com as orientações dos clientes, e a disponibilização de modelos paramétricos nativos no sistema de gestão de processos, viabilizaram a extração automática de dados para peças jurídicas. Isso mitigou o risco de submissão de defesas incorretas ou desatualizadas, um risco crítico no contencioso de massa, conforme Brasil (2015) e o Estatuto da Advocacia (Brasil, 1994). A integração da IA na curadoria de peças representa um avanço significativo na padronização técnica e agilidade no peticionamento, um dos objetivos estratégicos da Fase 2, conforme Tabela 2.

Ao SGQ, além do suporte técnico transversal, coube a responsabilidade diretiva pela gestão da melhoria contínua, coordenação do programa de treinamentos e alinhamento da comunicação interna. O tratamento de desvios foi institucionalizado por meio da transposição dos diagnósticos de RNCs e do mapeamento de riscos e oportunidades para a prática executiva. A Fase 2, diferentemente da Fase 1, priorizou a implementação de planos de ação preventivos e a criação de dispositivos de bloqueio (“poka-yoke”) no software de gestão de processos. Estes dispositivos, que criam travas nos fluxos para evitar a reincidência de falhas operacionais, são um exemplo prático da aplicação de princípios de qualidade para garantir a segurança jurídica e a eficiência. As lições aprendidas nas auditorias e no monitoramento foram convertidas em mudanças reais nos fluxos de trabalho, elevando o nível de segurança jurídica e a eficiência das células operacionais. A melhoria no meio de controle e acompanhamento dos RNCs, com um fluxo de tarefas no sistema nativo para preencher o relatório detalhado, analisar a causa raiz e acompanhar as ações corretivas, garantiu a rastreabilidade e a eficácia das medidas.

O calendário de treinamentos e as reuniões semanais foram instrumentais para disseminar a cultura da qualidade para além da alta gestão, permeando toda a operação técnica. As capacitações com as lideranças sobre novas ferramentas e processos, e o uso adequado dos sistemas, mitigaram ruídos de comunicação e reduziram a resistência cultural. As reuniões semanais entre gerência operacional, alta direção e equipe do SGQ reforçaram a Política da Qualidade, promovendo a revisão contínua de fluxos e o tratamento rigoroso dos RNCs. A clareza e a escuta ativa nesses encontros foram cruciais para o engajamento das equipes operacionais. Como ferramenta complementar, o Boletim Interno mensal divulgou resultados de indicadores de desempenho, atualizações jurisprudenciais e informes setoriais, promovendo a transparência e o acompanhamento dos resultados por todos os colaboradores. Isso aumentou a conscientização sobre a interdependência das áreas e a relevância sistêmica da Política da Qualidade.

Apesar dos obstáculos iniciais na adequação normativa, a execução da Fase 2 evidenciou um notável amadurecimento organizacional e a superação da inércia cultural. A liderança passou a compreender empiricamente o valor do SGQ, notadamente como a padronização documental facilitou o treinamento e a integração de novos colaboradores (“onboarding”). A consolidação de uma nova mentalidade corporativa focada na melhoria contínua foi observada, com gestores abandonando a aversão à padronização e desenvolvendo a capacidade de analisar criticamente os fluxos de trabalho. A instituição de mecanismos de bloqueio preventivo e o tratamento sistêmico de falhas transformaram registros passivos em alavancas ativas para impossibilitar a reincidência de erros processuais, garantindo o alcance dos exigentes indicadores estipulados pelo cliente principal.

O monitoramento e controle da execução do projeto, em ambas as fases, foram operacionalizados por reuniões semanais de acompanhamento, com a participação da equipe do SGQ e da alta direção. Essas sessões funcionaram como um fórum estratégico para o monitoramento da evolução das entregas frente ao cronograma planejado, permitindo o levantamento de pendências, discussões técnicas e validação das etapas concluídas. Essa sistemática de controle assegurou que o suporte da liderança fosse ativo, permitindo decisões críticas ágeis e o alinhamento contínuo entre operações e objetivos estratégicos. Com a obtenção da certificação e o avanço para a Fase 2, o escopo estratégico dessas reuniões foi expandido para incluir a governança contínua do SGQ, com análise sistemática dos indicadores de desempenho, acompanhamento de RNCs e monitoramento dos planos de ação para mitigação de riscos e alavancagem de oportunidades. Essa dinâmica atesta o cumprimento efetivo do requisito de Análise Crítica pela Direção, garantindo que a alta direção mantivesse o pulso da operação e retroalimentasse o ciclo PDCA.

Complementarmente, a governança operacional aderiu ao modelo de reuniões semanais entre líderes e gerência, focadas na análise técnica dos “dashboards” de desempenho. Isso permitiu a identificação célere de gargalos e a proposição de melhorias imediatas, além do tratamento de RNCs e atualização de POPs. Essa sistemática não apenas garantiu a aderência técnica e a uniformidade das informações, mas também impulsionou o engajamento, alinhando as lideranças intermediárias aos objetivos de excelência e replicando a cultura de qualidade. Nas reuniões operacionais, o acompanhamento sistemático das metas específicas de cada área permitiu uma visão clara do desempenho setorial, facilitando a identificação proativa de tendências e a correção de rumos. A formalização das reuniões deliberativas por meio de atas garantiu a rastreabilidade das decisões, servindo como evidência objetiva para auditorias e registrando o raciocínio das discussões. As sugestões de melhorias e ajustes técnicos foram convertidos em planos de ação estruturados, com responsáveis explícitos, garantindo a efetividade das transformações propostas e consolidando o controle sobre o portfólio de melhorias do escritório.

A auditoria de manutenção realizada em abril de 2026 corroborou o sucesso da intervenção, demonstrando que o escritório transcendeu a mera conformidade burocrática para alcançar a excelência operacional sistêmica. Este resultado evidencia a eficácia da proposta de estruturar e implementar o SGQ sob a ótica do Guia PMBOK (7ª edição). A intervenção comprovou que a aplicação empírica de ferramentas de qualidade seria insuficiente para lidar com a complexidade de 40 mil processos e 170 profissionais, e que o sucesso da implantação decorreu da obediência aos domínios de desempenho do PMBOK. O Domínio da Medição foi concretizado pela transição das planilhas estáticas para os “dashboards” automatizados, que passaram a monitorar proativamente os prazos preclusivos, um risco crítico no contencioso de massa (Brasil, 2015). O Domínio da Entrega foi atestado pelo cumprimento antecipado da certificação (Fase 1) e pela integração de soluções tecnológicas de ponta (Fase 2), gerando valor tangível e imediato aos clientes corporativos.

Fica demonstrado que a adoção das diretrizes do PMBOK atuou como o motor da execução, garantindo que a ISO 9001 não fosse tratada apenas como um selo normativo, mas como a base de um ecossistema operacional escalável, auditável e altamente focado na mitigação do risco jurídico em ambientes de contencioso de massa. Ao confrontar os dados obtidos com os objetivos delimitados para este estudo, constata-se o pleno alcance da estruturação e implementação do SGQ sob a ótica dos domínios do Guia PMBOK (7ª ed.). O domínio do planejamento revelou-se eficaz na mitigação de riscos estratégicos via matriz SWOT, enquanto o domínio do trabalho do projeto garantiu a governança das rotinas e a superação da inércia cultural, fenômeno este corroborado por Godoi et al. (2016), que identificam a resistência operacional como um dos principais desafios na transição para a advocacia de volume. Finalmente, o domínio da entrega materializou-se na obtenção da certificação ISO 9001 e na robustez analítica dos “dashboards”. Tais resultados convergem com o pensamento de Ravagnani (2017), ao reiterar que a automação e o controle sistêmico de falhas são os pilares da advocacia moderna. Assim, a aplicação conjunta desses domínios não apenas formalizou o sistema, mas institucionalizou a cultura da melhoria contínua e da entrega de valor sustentável.

Sob uma perspectiva estratégica final, a implementação conduzida demonstrou que a certificação ISO 9001 atesta um estágio de maturidade operacional, mas não representa uma linha de chegada; a qualidade é, por definição, um processo perene. Nesse sentido, a ciência da gestão de projetos transcende a fase de implantação e revela-se o instrumento ideal para a manutenção evolutiva do SGQ. Essa convergência é corroborada pela transição para a 8ª edição do Guia PMBOK, que consolida o foco na aplicação prática do Sistema de Entrega de Valor e na integração tecnológica contínua. Fica evidente, portanto, que a governança de projetos permitiu que a gestão do contencioso de massa não apenas cumprisse prazos e formalidades, mas evoluísse como um organismo vivo, gerando valor sustentável e melhorias contínuas.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao propor e implementar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) fundamentado na norma internacional ISO 9001:2015 em um escritório de advocacia de médio porte, sob a ótica dos domínios de desempenho do planejamento, do trabalho do projeto e da entrega preconizados pela sétima edição do Guia PMBOK. A intervenção demonstrou a eficácia dessa abordagem híbrida, culminando na certificação antecipada e na transformação de um modelo reativo em um ecossistema operacional escalável, auditável e focado na mitigação de riscos. A superação da inércia cultural e a institucionalização da melhoria contínua foram marcos essenciais, evidenciando que o sucesso não se deu por esforço operacional empírico, mas por planejamento metodológico robusto.

Contudo, este estudo possui limitações inerentes à sua natureza de estudo de caso único, o que restringe a generalização universal dos resultados para bancas jurídicas de portes distintos sem adaptações táticas. A principal barreira prática enfrentada foi a resistência cultural de parte das lideranças e equipes operacionais em assimilar a importância da padronização documental e do registro de rotinas. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a manutenção evolutiva do SGQ, a criação de grupos de estudo sistemáticos para revisão técnica de teses jurídicas, a ampliação do uso de ferramentas avançadas de Inteligência Artificial para otimização de rotinas burocráticas e a capacitação em letramento de dados. Recomenda-se, ainda, a estruturação de um Escritório de Gerenciamento de Projetos (PMO Jurídico) para governança transversal do SGQ e do portfólio estratégico, consolidando a maturidade corporativa da instituição.

Referências Bibliográficas

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Flexo In Foco Treinamentos. 2024. Sistemas de Gestão da Qualidade: Uma abordagem técnica com base na ISO 9001: garantindo a excelência operacional e a satisfação do cliente através da padronização e melhoria contínua. Edição do Autor, [s.l.].

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Ravagnani, G.S. 2017. Automação da advocacia, gestão de contencioso de massa e a atuação estratégica do grande litigante. Revista dos Tribunais 265: 219-256. Disponível em: https://www.academia.edu/36623821/AUTOMAÇÃO DA ADVOCACIA GESTÃO DE CON TENCIOSO DE MASSA E A ATUAÇÃO ESTRATÉGICA DO GRANDE LITIGANTE. Acesso em: 11 abr. 2026.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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