Artigo

30 de setembro de 2026

Gestão Estratégica de Pessoas em squads digitais e suas práticas de liderança, engajamento e performance

Gestão Estratégica de Pessoas em Squads Digitais e Suas Práticas de Liderança, Engajamento e Performance

Caroline Domingos; Fernanda Cigainski Lisbinski

DOI: 10.22167/2675-6528-202602759

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A transformação digital e as metodologias ágeis impulsionaram mudanças organizacionais, consolidando os “squads” digitais como modelo relevante para a entrega de valor. O estudo teve como objetivo analisar de que forma práticas de gestão estratégica de pessoas influenciaram o desempenho e os resultados de “squads” digitais, buscando identificar fatores de sucesso, desafios e oportunidades de aprimoramento na integração entre liderança, cultura organizacional e metodologias ágeis. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem mista e natureza descritiva, por meio de um estudo de caso em “squads” de uma instituição financeira brasileira. A coleta de dados envolveu questionário estruturado, entrevistas semiestruturadas e análise documental de indicadores de desempenho organizacional. Os resultados indicaram elevados níveis de engajamento, percepção positiva da liderança e clima de equipe colaborativo, destacando a relevância da autonomia, dos processos de feedback e do reconhecimento. A análise documental demonstrou melhorias importantes em indicadores de eficiência operacional, produtividade das equipes, eficiência das entregas e desempenho organizacional dos “squads” analisados. Concluiu-se que práticas de gestão estratégica de pessoas estão associadas ao fortalecimento do engajamento e à melhoria dos resultados em “squads” digitais, reforçando seu papel como elemento estruturante para conciliar agilidade, performance e desenvolvimento humano.

Palavras-chave: Clima organizacional; Engajamento no trabalho; Gestão de pessoas; Liderança ágil; Metodologias ágeis.

1. Introdução

O avanço da transformação digital tem impulsionado transformações significativas nas últimas décadas, reconfigurando não apenas os modelos de negócio, mas também as estruturas internas e a dinâmica das equipes nas organizações. Essa evolução tem remodelado profundamente a maneira como o valor é entregue, exigindo novas abordagens para a gestão e o desenvolvimento de produtos e serviços.

Nesse cenário de constante mudança, a adoção de metodologias ágeis, aliada ao fortalecimento de estruturas organizacionais baseadas em squads digitais, consolidou-se como uma estratégia essencial para impulsionar a inovação e acelerar o ciclo de entregas. Tais modelos buscam otimizar a eficiência e a capacidade de resposta das empresas frente às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico.

Os squads digitais são caracterizados por serem equipes multidisciplinares, autônomas e orientadas para a obtenção de resultados rápidos e contínuos. Essa estrutura reflete o conceito de aprendizagem contínua, fundamental para a agilidade corporativa, conforme descrito por Schwaber e Sutherland (2017).

A relevância desse modelo é corroborada por dados recentes. O relatório McKinsey Global Survey on Agile Organizations (2023) aponta que organizações que implementam modelos de liderança focados em autonomia, propósito e aprendizado contínuo em times digitais alcançam até trinta por cento mais engajamento e produtividade. Esses números destacam o potencial transformador dos squads bem gerenciados.

A estrutura dos squads digitais, ao reunir profissionais com diversas competências para atuar de forma integrada em objetivos comuns, exige uma abordagem diferenciada na gestão de pessoas. A autonomia inerente a esses times demanda práticas estratégicas que fortaleçam a colaboração, a comunicação eficaz e o desenvolvimento contínuo dos membros.

Para o sucesso desses modelos, é crucial que as lideranças atuem como facilitadoras, criando ambientes organizacionais que promovam a aprendizagem constante, o engajamento e o alinhamento estratégico entre os indivíduos e os resultados esperados. A gestão estratégica de pessoas, portanto, assume um papel central na sustentação e otimização do desempenho dos squads.

Contudo, a mera implementação de processos ágeis não garante, por si só, resultados sustentáveis. A qualidade da gestão de pessoas e a cultura organizacional exercem influência direta sobre o desempenho dos squads digitais. A performance organizacional, conforme Gil (2019), depende da capacidade de alinhar competências individuais aos objetivos estratégicos, cultivando ambientes de confiança, reconhecimento e engajamento.

Nesse sentido, a adoção de boas práticas de gestão de pessoas é fundamental para equilibrar a autonomia dos squads com a necessidade de colaboração. Tais práticas são essenciais para fomentar o aprendizado contínuo, sustentar a motivação dos profissionais e assegurar a qualidade das entregas em um ambiente ágil.

A cultura organizacional desempenha um papel crucial na interação e no engajamento das equipes em torno de um propósito compartilhado, como salienta Schein (2017). Práticas que promovem a transparência, a abertura ao feedback e o senso de pertencimento são vitais para construir ambientes psicologicamente seguros, que, por sua vez, são indispensáveis para a experimentação e a inovação.

Diante disso, a liderança em squads digitais transcende a gestão de tarefas, assumindo um papel transformacional. Os líderes atuam como facilitadores do desenvolvimento individual e coletivo, além de garantir o alinhamento estratégico. Assim, a gestão estratégica de pessoas emerge como um fator determinante para o êxito dos modelos ágeis.

Apesar da ampla adoção de metodologias ágeis, a gestão de pessoas em squads ainda enfrenta desafios significativos em termos de maturidade. As equipes frequentemente lutam para conciliar o ritmo acelerado das entregas com a manutenção da qualidade e o bem-estar dos colaboradores, o que ressalta a urgência de abordagens de liderança mais estratégicas e humanizadas.

Este estudo se justifica pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre como as práticas de gestão de pessoas podem otimizar o desempenho de squads digitais e fortalecer o papel da liderança como agente de transformação. Para as organizações, a pesquisa oferece subsídios valiosos para aprimorar a liderança, o engajamento e o desenvolvimento de equipes em ambientes ágeis.

No âmbito social, o trabalho contribui para a promoção de práticas que valorizam o bem-estar, a autonomia e a segurança psicológica no ambiente de trabalho. Para a comunidade acadêmica, a pesquisa enriquece as discussões sobre gestão estratégica de pessoas em equipes ágeis, ao integrar os construtos de liderança, engajamento e segurança psicológica em um estudo de caso com abordagem de métodos mistos, fornecendo evidências empíricas para futuras investigações.

Dessa forma, a relevância deste estudo reside em sua capacidade de oferecer insights práticos e teóricos para aprimorar a gestão em contextos ágeis. O presente estudo teve como objetivo analisar de que forma as práticas de gestão estratégica de pessoas influenciam o desempenho e os resultados de squads digitais, buscando identificar fatores de sucesso, desafios e oportunidades de aprimoramento na integração entre liderança, cultura organizacional e metodologias ágeis.

2. Material e Métodos

A pesquisa realizada caracterizou-se como aplicada, de abordagem mista e natureza descritiva, buscando analisar as práticas de gestão estratégica de pessoas e sua influência no desempenho de squads digitais. O estudo foi conduzido por meio de um estudo de caso em uma instituição financeira de grande porte no Brasil, cujo nome foi preservado em conformidade com as diretrizes éticas da USP/Esalq.

Quanto à sua classificação, a pesquisa foi descritiva, conforme Gil (2019) e Vergara (2016), ao descrever e analisar práticas de gestão, percepções dos participantes e indicadores de desempenho em seu contexto real. Adotou-se uma abordagem mista, integrando métodos qualitativos e quantitativos para uma compreensão abrangente do fenômeno, como proposto por Creswell e Plano Clark (2018). O delineamento empregou a estratégia de estudo de caso, aplicada a um conjunto específico de squads digitais da instituição, adequada para investigar fenômenos contemporâneos em profundidade, conforme Yin (2018).

A coleta de dados ocorreu em três etapas complementares. A primeira etapa consistiu em entrevistas semiestruturadas, conduzidas com líderes e membros dos squads, visando identificar percepções sobre liderança, engajamento, cultura de feedback e reconhecimento. As entrevistas contemplaram entre quatro e seis participantes por squad, com duração aproximada de 30 a 45 minutos, realizadas de forma presencial ou remota. Foram gravadas e posteriormente transcritas, mediante consentimento dos participantes, e seus roteiros detalhados encontram-se nos Apêndices B e C do trabalho original. Os dados coletados foram tratados por análise de conteúdo, permitindo a categorização das percepções e a identificação de padrões temáticos relevantes.

A segunda etapa envolveu a aplicação de um questionário estruturado, disponível no Apêndice A. O instrumento continha afirmações avaliadas em escala Likert de cinco pontos, com o propósito de mensurar percepções sobre engajamento no trabalho, liderança e clima de equipe nos squads digitais. Foi elaborado com base em escalas consolidadas na literatura: “Utrecht Work Engagement Scale” (UWES) para engajamento (Schaufeli e Salanova, 2021), escalas de liderança “empowering” e ágil para percepção de liderança (Gharawi e Alla, 2021), e a escala de Edmondson (1999) com validações de Frazier et al. (2017) e Damen et al. (2021) para clima de equipe e segurança psicológica. O questionário foi aplicado eletronicamente, garantindo anonimato e confidencialidade. Os dados quantitativos obtidos foram submetidos à análise estatística descritiva, com cálculo de mediana, frequências e percentuais.

A terceira etapa compreendeu a análise documental de registros internos da organização. Foram examinados indicadores como Objectives and Key Results (OKRs), Net Promoter Score (NPS) interno e métricas operacionais, incluindo lead time de features e Mean Time to Recovery (MTTR). Essa análise documental teve como objetivo complementar as evidências qualitativas e quantitativas.

A amostra do estudo foi composta por dois squads digitais, totalizando treze participantes, incluindo líderes e integrantes das equipes. Desses, oito participaram das entrevistas semiestruturadas e todos os treze responderam ao questionário estruturado. A seleção ocorreu de forma não probabilística, por conveniência e intencionalidade, com o critério principal de atuação direta em squads com práticas ágeis formalmente estruturadas há pelo menos seis meses.

Em relação aos aspectos éticos, todos os participantes contribuíram voluntariamente, mediante consentimento livre e esclarecido. Foi assegurado o anonimato, a confidencialidade e o uso exclusivo acadêmico das informações em todas as fases da pesquisa, conforme o Manual de Instruções e Normas da USP/Esalq (item 5.2). A identidade dos participantes e da instituição foi preservada.

Durante a elaboração do trabalho, utilizou-se a ferramenta ChatGPT (OpenAI) como apoio técnico à estruturação textual, revisão gramatical e aprimoramento da clareza de algumas seções. Todas as ideias, análises e conclusões apresentadas foram de autoria da pesquisadora, e o conteúdo foi integralmente revisado antes da inserção no texto final, em conformidade com o Manual de Boas Práticas – Uso da Inteligência Artificial no Desenvolvimento de TCCs (USP/Esalq, 2025).

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa oferecem uma visão abrangente sobre a influência das práticas de gestão estratégica de pessoas no desempenho e nos resultados de squads digitais, conforme o objetivo deste estudo. A análise integrada dos dados, obtidos por meio de questionários estruturados, entrevistas semiestruturadas e análise documental, revelou padrões consistentes que destacam a relevância da liderança, do engajamento e do clima de equipe em contextos organizacionais ágeis. Esses achados permitem uma compreensão aprofundada da dinâmica interna das equipes e de como a gestão de pessoas pode potencializar a entrega de valor.

A pesquisa foi conduzida em squads digitais de uma instituição financeira brasileira de grande porte, com a participação de treze indivíduos, incluindo líderes e membros das equipes. A maioria dos respondentes indicou mais de seis meses de atuação em seus respectivos squads, um fator que contribui para a consistência e a profundidade das percepções coletadas. Esse tempo de experiência sugere que os participantes possuem um conhecimento consolidado das dinâmicas de trabalho e dos processos de interação que caracterizam suas equipes, fornecendo uma base sólida para a interpretação dos resultados.

Resultados do Questionário Estruturado

O questionário estruturado, composto por quinze afirmações avaliadas em escala Likert de cinco pontos, abordou três blocos temáticos centrais: engajamento no trabalho, percepção de liderança, e clima de equipe e segurança psicológica. A análise das medianas para cada um desses construtos revelou um valor de cinco em todos os casos. Esse resultado indica uma avaliação predominantemente positiva por parte dos participantes em relação às práticas de liderança, ao nível de engajamento e à qualidade do ambiente de trabalho dentro dos squads analisados, sugerindo um cenário favorável ao desempenho.

No que tange ao engajamento no trabalho, os dados quantitativos apontaram níveis elevados de energia, entusiasmo e envolvimento com as atividades desempenhadas. Os participantes demonstraram um forte senso de orgulho em fazer parte da equipe e um envolvimento intenso nas tarefas, o que se alinha com a literatura que descreve o engajamento como uma variável crucial para o desempenho em ambientes dinâmicos (Schaufeli e Salanova, 2021). Esses achados sugerem que o contexto organizacional fomenta a dedicação e a identificação dos profissionais com os objetivos do time.

A percepção de liderança também foi avaliada positivamente, com os respondentes destacando a clareza na comunicação de objetivos, o estímulo à autonomia e o incentivo à aprendizagem contínua. Tais elementos são reconhecidos como pilares da liderança ágil e da liderança “empowering”, essenciais para o fortalecimento do desempenho coletivo (Gharawi; Alla, 2021). Contudo, observou-se uma maior dispersão nas respostas referentes à frequência de feedbacks construtivos, indicando que, embora a prática exista, há espaço para aprimoramento na sua aplicação e consistência.

Em relação ao clima de equipe e à segurança psicológica, os resultados do questionário indicaram uma percepção predominante de um ambiente colaborativo. Os participantes relataram abertura para a troca de ideias, a aprendizagem a partir de erros e um forte senso de pertencimento. Esses fatores são cruciais para a aprendizagem coletiva e a inovação em equipes organizacionais, conforme a literatura sobre segurança psicológica (Edmondson, 1999; Frazier et al., 2017). A mediana elevada nesses construtos reforça a importância de um ambiente psicologicamente seguro para o alto desempenho.

Resultados das Entrevistas Semiestruturadas

A etapa qualitativa, que envolveu oito entrevistas semiestruturadas com líderes e membros dos squads, complementou os dados quantitativos ao aprofundar as percepções sobre liderança, engajamento, feedback, reconhecimento e clima de equipe. Os relatos gerais confirmaram uma visão positiva da atuação da liderança, especialmente no que diz respeito à remoção de impedimentos operacionais e organizacionais que poderiam afetar o fluxo de trabalho das equipes. A clareza na visão macro das entregas e no direcionamento estratégico também foi um ponto frequentemente mencionado.

A proximidade da liderança e o compartilhamento de responsabilidades e conhecimento foram identificados como práticas essenciais para fortalecer a autonomia dos squads. Essa abordagem favorece um maior alinhamento entre os objetivos organizacionais e as atividades diárias das equipes, contribuindo para a eficiência e a efetividade das entregas. A liderança atua, assim, como facilitadora, criando condições para que os times operem com maior independência e responsabilidade, o que é fundamental em modelos ágeis.

No que se refere ao engajamento, os participantes associaram sua motivação principalmente ao senso de propósito e à percepção do impacto do trabalho realizado. A clareza dos objetivos do squad e a possibilidade de participação ativa nas decisões foram apontadas como fatores que intensificam o foco nas entregas e o envolvimento com o trabalho. Esses achados corroboram a importância de um propósito bem definido e da autonomia na tomada de decisões para o engajamento dos colaboradores, conforme a literatura sobre liderança ágil (Gharawi; Alla, 2021).

A cultura de feedback e reconhecimento emergiu como um tema de particular sensibilidade nas entrevistas. Embora os participantes reconheçam a existência de práticas formais e informais de feedback, muitos indicaram oportunidades de aprimoramento em termos de frequência, clareza e individualização dessas interações. Em relação ao reconhecimento, foram mencionadas tanto práticas institucionais estruturadas quanto ações cotidianas, como agradecimentos espontâneos e valorização pública das entregas, que são consideradas importantes para fortalecer o senso de pertencimento e a motivação.

Quanto ao clima de equipe e à segurança psicológica, os relatos qualitativos reforçaram a existência de ambientes predominantemente colaborativos, com abertura para a troca de ideias e a aprendizagem a partir de erros. Os erros foram, em sua maioria, descritos como oportunidades de aprendizado coletivo, tratados por meio de análises estruturadas e definição de planos de ação, sem caráter punitivo. No entanto, alguns participantes sugeriram a necessidade de ampliar espaços de interação mais informais e dinâmicos, visando à integração e à descompressão das equipes, o que pode otimizar ainda mais o ambiente de trabalho.

Os entrevistados destacaram a importância de uma liderança humanizada, baseada em proximidade, confiança, empatia e capacidade de adaptação às necessidades individuais dos profissionais, como um dos fatores que mais impactam a performance dos squads. Essa perspectiva reforça o papel da liderança como elemento facilitador da autonomia e do alinhamento estratégico em equipes ágeis, conforme Schein (2017), que enfatiza a construção de culturas organizacionais orientadas ao aprendizado contínuo e à colaboração.

Resultados da Análise Documental

A análise documental de registros internos da organização forneceu dados objetivos sobre a eficiência operacional e o desempenho dos squads, complementando as percepções qualitativas e quantitativas. Os indicadores analisados incluíram o “lead time” de features, a latência da aplicação e o “Mean Time to Recovery” (MTTR) de incidentes. Para preservar a confidencialidade, os resultados foram apresentados em base 100, com o valor inicial de cada indicador estabelecido como referência igual a 100.

Observou-se uma redução significativa nos índices de “lead time” de features, que passou de 100 para 38, indicando uma melhoria substancial no tempo necessário para a entrega de novas funcionalidades. A latência da aplicação também demonstrou avanço, com o índice caindo de 100 para 64. Além disso, o “Mean Time to Recovery” (MTTR) de incidentes apresentou uma redução de 100 para 31, o que aponta para uma maior agilidade na recuperação de falhas e na manutenção da estabilidade dos sistemas.

Essas reduções nos indicadores operacionais sugerem avanços importantes nas dimensões de agilidade de entrega, eficiência técnica e resiliência operacional dos squads. A diminuição do “lead time” e do MTTR, em particular, é um forte indicativo de melhorias na produtividade e na qualidade técnica das entregas. Tais resultados estão em consonância com o relatório McKinsey Global Survey on Agile Organizations (2023), que aponta que organizações com maior maturidade em práticas ágeis e liderança orientada à autonomia tendem a apresentar melhorias significativas nesses indicadores.

A convergência entre os dados documentais e as percepções coletadas por meio das entrevistas e do questionário fortalece a consistência dos achados da pesquisa. A melhoria nos indicadores de desempenho organizacional, juntamente com os elevados níveis de engajamento e a percepção positiva da liderança e do clima de equipe, sugere que as práticas de gestão estratégica de pessoas implementadas na instituição financeira estão efetivamente contribuindo para o sucesso dos squads digitais. Essa triangulação de evidências confere maior robustez analítica aos resultados apresentados.

Apesar dos resultados positivos e da robustez analítica alcançada pela triangulação de dados, é importante considerar as limitações inerentes ao estudo de caso. O tamanho reduzido da amostra, composta por apenas dois squads e treze participantes, e a utilização de amostragem não probabilística, por conveniência, limitam a generalização dos resultados para outros contextos organizacionais. Contudo, a profundidade da análise qualitativa e a objetividade dos dados quantitativos e documentais permitiram uma compreensão detalhada do fenômeno estudado na instituição específica.

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam uma forte associação entre as práticas de liderança, a gestão estratégica de pessoas e a construção de ambientes colaborativos e psicologicamente seguros com o fortalecimento do engajamento e a melhoria dos resultados dos squads digitais. A atuação da liderança, o foco no propósito, a autonomia, o feedback e o reconhecimento são elementos cruciais que, em conjunto, contribuem para o desempenho sustentável das equipes em um cenário de transformação digital, respondendo diretamente ao objetivo de analisar a influência dessas práticas nos resultados dos squads.

4. Conclusão

O estudo teve como objetivo analisar de que forma práticas de gestão estratégica de pessoas influenciaram o desempenho e os resultados de squads digitais. Verificou-se que práticas de liderança baseadas em proximidade, clareza de direcionamento, estímulo à autonomia e construção de relações de confiança contribuíram para o fortalecimento do engajamento e para a percepção de um clima de equipe colaborativo e psicologicamente seguro. Identificaram-se elevados níveis de energia, entusiasmo e envolvimento com as tarefas, além de uma percepção positiva da liderança que enfatizava a comunicação clara de objetivos e o incentivo à aprendizagem contínua. Adicionalmente, a análise de registros internos da organização demonstrou melhorias importantes em indicadores de eficiência operacional, como o “lead time” de features, a latência da aplicação e o “Mean Time to Recovery” (MTTR) de incidentes, indicando avanços na agilidade de entrega, eficiência técnica e resiliência operacional. Esses achados coletivamente sugerem uma forte associação entre a gestão estratégica de pessoas e a melhoria do desempenho dos squads.

Do ponto de vista prático, o estudo evidenciou a importância de fortalecer práticas estruturadas de feedback, reconhecimento e desenvolvimento contínuo como elementos estratégicos para a consolidação de ambientes de trabalho ágeis, sustentáveis e orientados a resultados. Concluiu-se que a gestão estratégica de pessoas constitui uma alavanca relevante para o fortalecimento do engajamento e dos resultados em squads digitais, reforçando seu papel como elemento estruturante para organizações que buscam conciliar agilidade, performance e desenvolvimento humano. Contudo, as limitações da pesquisa incluem o recorte restrito a um número reduzido de squads e a utilização de amostragem não probabilística, o que restringe a generalização dos resultados. Sugere-se que estudos futuros ampliem o número de equipes analisadas e explorem diferentes contextos organizacionais, possibilitando aprofundar a compreensão sobre a relação entre práticas de gestão estratégica de pessoas e desempenho em ambientes ágeis.

Referências Bibliográficas

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YIN, Robert K. Case study research and applications: design and methods. 6. ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2018.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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