30 de setembro de 2026
Gerenciamento do cronograma para projeto de implantação de estruturas de rastreio solar
Gerenciamento do Cronograma para Projeto de Implantação de Estruturas de Rastreio Solar
Bruna Bonatto Buffon; Nadia Valério Possignolo Vitti
DOI: 10.22167/2675-6528-202602731
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A energia solar fotovoltaica tem posição crescente na matriz elétrica brasileira, sendo as estruturas de rastreio solar uma alternativa de instalação que pode ser gerenciada por um projeto com premissas de cronograma estruturado. O objetivo foi descrever o gerenciamento do cronograma, conforme as boas práticas do Guia PMBOK, para um projeto de implantação de estruturas de rastreio solar. Realizou-se uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, com delineamento em estudo de caso. Consideraram-se os grupos de processos de Iniciação, Planejamento e Controle e Monitoramento na Área do Gerenciamento do Cronograma. Os métodos empregados incluíram a definição e sequenciamento de atividades com base na Estrutura Analítica do Projeto (EAP), a determinação das durações pelo método PERT, a identificação do caminho crítico e a construção do Diagrama de Rede, a elaboração do Gráfico de Gantt com o software Project Libre®, e o monitoramento do avanço por meio da Curva S. Identificaram-se 28 atividades distribuídas em três entregáveis principais. A duração total estimada do projeto foi de 113,90 dias, com desvio padrão de 8,11 dias e margem de segurança de 13,34 dias, com 95% de confiança. O monitoramento pela Curva S evidenciou descolamento entre o avanço planejado e o realizado já na segunda semana do projeto. A estruturação do gerenciamento do cronograma demonstrou ser fundamental para o alinhamento de expectativas, a identificação de gargalos e a construção de base histórica para projetos futuros no setor de energia solar fotovoltaica.
Palavras-chave: Caminho crítico; Curva S; Energia solar fotovoltaica; Guia PMBOK; PERT.
1. Introdução
O consumo de energia, em suas diversas formas, é intrínseco ao cotidiano de milhões de pessoas, sustentando a comodidade associada ao estilo de vida contemporâneo. Seja para refrigerar alimentos, utilizar transporte público, conectar-se à internet ou acender uma lâmpada, a necessidade de energia elétrica é o fio comum que conecta essas atividades.
No Brasil, a matriz de geração elétrica é predominantemente composta por fontes renováveis, representando 86,8% do total, com a energia solar contribuindo com 9,3% (EPE, 2025). Essa participação reflete a vasta disponibilidade de recursos naturais do país e alinha-se aos compromissos de geração de energia limpa (Petrobras, 2025).
A energia solar fotovoltaica, em particular, tem ganhado familiaridade, com a possibilidade de instalação de usinas em residências (Brasil, 2022). Em instalações de médio ou grande porte, especialmente em solo, utilizam-se estruturas de rastreio solar, conhecidas como “trackers”. Esses sistemas permitem o movimento da estrutura de fixação em um ou mais eixos para seguir o movimento solar ao longo do dia, maximizando a geração de energia (Sunne, 2023).
A implantação dessas estruturas de rastreio solar é, por sua natureza, um projeto. Dada a variedade de condições de terreno e métodos de engastamento, cada solução é desenhada e produzida especificamente para cada obra. Esse processo envolve desde o alinhamento técnico e a produção de desenhos, até a fabricação, logística, fixação das estacas, treinamento da equipe, montagem, comissionamento e suporte técnico.
Considerando a finitude e o resultado único de um projeto, sua gestão coesa e alinhada aos objetivos pode levar a resultados mais satisfatórios (PMI, 2017). Nesse contexto, as metodologias e boas práticas do Guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK) são aplicáveis, especialmente no gerenciamento do tempo, que é crucial para o sucesso da entrega.
Apesar da complexidade e dos diversos elementos que compõem o fornecimento de soluções de rastreio solar, a aplicação de um gerenciamento de cronograma estruturado não é uma prática comum no setor. Atualmente, o manejo desses fornecimentos frequentemente se baseia em cronogramas de marcos, o que pode levar a uma percepção de atrasos e alta variabilidade na execução dos projetos, conforme observado em experiências anteriores.
A ausência de um método padronizado para coleta de informações e monitoramento do avanço das atividades contribui para essa imprevisibilidade e dificulta a tomada de decisões embasadas. A implementação de um gerenciamento de cronograma, conforme as boas práticas do PMBOK, é fundamental para a definição clara de objetivos, síntese de atividades, documentação e acompanhamento, permitindo o monitoramento e aperfeiçoamento contínuos. Isso constrói uma base histórica valiosa para futuros projetos, alinhando expectativas e identificando gargalos de forma proativa.
Diante desse cenário, o presente trabalho justifica-se pela necessidade de aprimorar a previsibilidade e a eficiência na implantação de estruturas de rastreio solar. O objetivo do presente trabalho foi descrever o gerenciamento do cronograma, conforme as boas práticas do Guia PMBOK, para um projeto de implantação de estruturas de rastreio solar.
2. Material e Métodos
A pesquisa realizada caracterizou-se como descritiva, de natureza qualitativa, com delineamento em estudo de caso. O foco foi o relato da realidade sem interferência do pesquisador, valendo-se de observações, interrogações, coletas, análises, comparações e registros para caracterizar o fenômeno estudado (Campos, 2008). Buscou-se a compreensão dos elementos e sua ocorrência ao longo do projeto, sem a intenção de quantificação (Gil, 2002).
O delineamento em estudo de caso foi adotado por se basear na análise aprofundada e detalhada de um macroprojeto específico, o qual serviu como unidade de análise (Gil, 2017). O objeto empírico foi o gerenciamento do cronograma para um projeto de implantação de estruturas de rastreio solar, conforme as boas práticas do Guia PMBOK.
O projeto estudado foi a implantação de estruturas de rastreio solar na Usina Solar Fotovoltaica (UFV) Brasília, localizada na cidade de Brazlândia, no Distrito Federal. A empresa responsável pela condução do projeto é uma multinacional especializada em soluções de rastreamento solar. O escopo da pesquisa concentrou-se no setor de implantação, abrangendo as atividades desde a chegada dos materiais em campo até a conclusão da instalação e aceite da solução pelo cliente.
O período de execução do projeto completo, desde a venda até a conclusão da implantação, estendeu-se de 15 de julho de 2022 a 08 de julho de 2025. Para a elaboração do cronograma no software específico, a data de início considerada foi 10 de março de 2025, alinhada ao início real da implantação das estruturas em campo.
Para a realização do presente trabalho, foram considerados os grupos de processos de Iniciação, Planejamento e Controle e Monitoramento, conforme a Área do Conhecimento do Gerenciamento do Cronograma do Guia PMBOK (PMI, 2017). Os dados e informações da empresa foram utilizados mediante anuência formal, garantindo os aspectos éticos da pesquisa.
Na fase de Iniciação, as informações pertinentes ao projeto foram documentadas em um Termo de Abertura do Projeto (TAP). Este documento formalizou o projeto, descrevendo-o, estabelecendo sua finalidade, premissas, justificativa, objetivos mensuráveis, critérios de sucesso, partes interessadas, benefícios esperados, requisitos para aprovação, critérios para término, prazo, restrições e limites do projeto, além de identificar riscos.
A etapa de Planejamento envolveu a definição do escopo, o refinamento dos objetivos e a identificação das ações necessárias para alcançá-los (PMI, 2017). O gerenciamento do escopo assegurou a inclusão de todo o trabalho necessário para a conclusão do projeto, sendo formalizado por meio de uma Declaração de Escopo. Este documento detalhou o projeto e o produto associado, delineando seus limites e critérios de aceitação.
A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) foi utilizada para redimensionar o trabalho em componentes de fácil gestão, fornecendo uma visão estruturada das entregas necessárias para a conclusão do projeto (PMI, 2017). A EAP identificou 28 atividades distribuídas em três entregáveis principais, sendo alguns pacotes de trabalho de responsabilidade do cliente.
A definição das atividades baseou-se nas entregas da EAP, identificando e documentando as ações a serem realizadas (PMI, 2017). O sequenciamento das atividades foi realizado por meio do Método do Diagrama de Precedência (MDP), estabelecendo a lógica de relacionamento entre as tarefas e possibilitando uma representação visual da sequência operacional.
A estimativa das durações das atividades considerou históricos de projetos similares e aplicou a Estimativa de Três Pontos (PERT), que avalia cenários otimista, pessimista e mais provável. A duração média de cada atividade (DE) foi calculada pela fórmula (o + 4m + p) / 6, onde ‘o’ é a estimativa otimista, ‘m’ a mais provável e ‘p’ a pessimista.
O desvio padrão (DP) de cada atividade foi determinado por (p – o) / 6, e a variância (Var) como DP². A duração total estimada do projeto (DE Total) foi o somatório das durações médias das atividades do caminho crítico (∑ DE CC). A variância total do projeto (Var Total) correspondeu ao somatório das variâncias das atividades do caminho crítico (∑ Var CC).
O desvio padrão total do projeto (DP Total) foi obtido pela raiz quadrada da variância total. Para o cálculo da margem de segurança, considerou-se um fator de segurança para dois desvios, resultando em DP Total multiplicado por 1,645, garantindo 95% de confiança na conclusão do projeto dentro do prazo estabelecido.
O desenvolvimento do cronograma envolveu a alocação das atividades no calendário, alinhando-as às expectativas de entrega. Para isso, utilizou-se o software ProjectLibre®, versão 1.9.8. Este software permitiu a elaboração do Gráfico de Gantt, que representou visualmente a distribuição das tarefas ao longo do tempo, e a construção do Diagrama de Rede, que delineou o caminho crítico do projeto.
Na fase de Controle e Monitoramento, verificou-se a situação do projeto em intervalos definidos para atualização do cronograma e gerenciamento de mudanças (PMI, 2017). O monitoramento do avanço das atividades foi realizado por meio da construção de uma Curva S, que permitiu a comparação entre o progresso acumulado planejado e o real do projeto.
3. Resultados e Discussão
A presente seção detalha os achados e as interpretações decorrentes da aplicação das boas práticas do Guia PMBOK ao gerenciamento do cronograma de um projeto de implantação de estruturas de rastreio solar. Os resultados obtidos permitiram uma compreensão aprofundada da estruturação do cronograma, desde a definição das atividades e estimativa de suas durações até o monitoramento do progresso, evidenciando tanto a eficácia das ferramentas quanto os desafios inerentes à gestão de projetos complexos no setor de energia fotovoltaica. A análise focou na descrição do planejamento e controle, conforme o objetivo estabelecido.
O processo de iniciação do projeto foi formalizado por meio de um Termo de Abertura do Projeto, que delineou o escopo, os objetivos mensuráveis e os critérios de sucesso. Este documento estabeleceu a finalidade de implementar estruturas de rastreio na Usina Solar Fotovoltaica Brasília para otimizar o potencial energético, além de prever o treinamento da equipe do cliente e a conformidade com normas técnicas. As premissas incluíram a ausência de atrasos significativos por chuva ou falta de concreto, supervisão de qualidade e a expectativa de que não seriam encontrados defeitos durante o comissionamento.
A Declaração de Escopo do projeto, por sua vez, detalhou os objetivos mensuráveis, como a implantação de estruturas autônomas operantes dentro dos prazos contratuais e a confirmação do recebimento completo dos materiais em até quinze dias. Também foram definidos critérios de sucesso, como entregas e marcos formalmente aceitos, documentações críticas assinadas e atividades dependentes da mão de obra da empresa concluídas dentro do prazo. A justificativa para o projeto reside no melhor aproveitamento da energia solar, geração de receita e consolidação da empresa no mercado brasileiro, conforme a literatura sobre gestão de projetos (PMI, 2017).
A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) foi fundamental para decompor o trabalho em componentes gerenciáveis, organizando as entregas necessárias para a conclusão do projeto. Foram identificados três entregáveis principais: Treinamentos e Reuniões, Instalação e Montagem, e Comissionamento. Dentro desses entregáveis, foram detalhados pacotes de trabalho, sendo que os pacotes 1.2.2 a 1.2.6, referentes à montagem da estrutura, foram identificados como de responsabilidade do cliente, o que introduziu uma camada de complexidade e risco ao cronograma geral.
Planejamento do Gerenciamento do Cronograma
Definição das Atividades
A partir da EAP, foi possível identificar e listar 28 atividades distintas, cada uma com seus respectivos recursos, essenciais para a entrega de cada pacote de trabalho. Por exemplo, atividades como “Obter contatos e cronograma de execução do Cliente” (ID 4) e “Inspecionar todo o material recebido” (ID 7) foram definidas com recursos específicos, como o Site Manager e o Almoxarife Cliente. A alocação de recursos, como “Pedreiro e Ajudante Cliente” ou “Montador e Ajudante Cliente”, foi planejada em duplas para os pacotes de trabalho 1.2.2 a 1.2.6, visando segurança em um terreno acidentado e de difícil acesso, o que impacta diretamente na comunicação e no andamento das tarefas.
A atuação do “Site Manager” como recurso único em diversas atividades simultâneas foi identificada como um potencial risco, pois sua eventual substituição em campo consumiria tempo e poderia gerar atrasos em etapas críticas do projeto. A ausência de um método padronizado para a coleta e armazenamento de informações sobre o avanço das atividades, dependendo de relatos informais de diferentes “Site Managers” e clientes, resultou em dispersão e variação dos dados, dificultando a uniformidade no relato de avanços e o uso desses dados para projetos futuros.
Sequenciamento e Duração das Atividades
O sequenciamento das atividades considerou a lógica de instalação e comissionamento, bem como a logística de execução. O Método do Diagrama de Precedência (MDP) foi aplicado para estabelecer as relações lógicas entre as atividades. A estimativa das durações foi realizada utilizando a Estimativa de Três Pontos (PERT), que considera cenários otimista, mais provável e pessimista, permitindo uma determinação mais precisa do tempo necessário para cada tarefa, conforme as equações de cálculo de duração média, desvio padrão e variância.
A duração total estimada do projeto foi de 113,90 dias, com um desvio padrão de 8,11 dias e uma variância total de 65,80 dias². Para garantir uma alta probabilidade de conclusão dentro do prazo, foi calculada uma margem de segurança de 13,34 dias, com 95% de confiança. Essa margem é crucial para absorver imprevistos, especialmente nas atividades de responsabilidade do cliente, que historicamente apresentam maior variabilidade e incerteza.
Um achado significativo foi a diferença de 89,8% entre a duração estimada do projeto (113,90 dias) e o prazo de 60 dias previsto no Termo de Abertura do Projeto para a fase de implantação. Essa discrepância é um indicativo da percepção geral da empresa de que os prazos alocados para a implantação raramente são cumpridos, o que impacta a relação com as partes interessadas e aumenta o risco de alocação deficiente de recursos antes mesmo do início das atividades.
O encadeamento lógico das atividades foi baseado no histórico de projetos e nas premissas contratuais. Por exemplo, a atividade de inspeção visual da instalação (ID 36) depende da finalização da instalação e solicitação do cliente, com um atraso contratual de sete dias para o deslocamento. A concretagem de estacas (ID 18) foi planejada para iniciar três dias após o alinhamento (ID 17), permitindo o acúmulo de estacas para a encomenda de um caminhão betoneira, uma prática comum na atividade.
A atividade de monitoramento remoto da instalação (ID 15), que se estende por 46,67 dias, inicia um dia após o alinhamento de cronogramas (ID 4) e termina com a verificação mínima de qualidade (ID 32). Essa atividade, de responsabilidade da empresa, visa acompanhar o progresso das atividades do cliente, que são cruciais para o andamento do projeto. A duração dessa atividade no cronograma reflete a necessidade de cobrir todo o período das atividades de instalação da estrutura.
Desenvolvimento do Cronograma
A listagem e sequenciamento das atividades, juntamente com a alocação de recursos, foram inseridas no software ProjectLibre®, com data de início do projeto em 10 de março de 2025. Este esforço resultou na automatização do cronograma, permitindo visualização e correção de equívocos. O Gráfico de Gantt, gerado pelo software, delineou visualmente o desdobramento do projeto, seu caminho crítico e o decorrer previsto ao longo do tempo.
O Gráfico de Gantt demonstrou ser uma ferramenta valiosa para a visualização do conjunto de atividades e sua distribuição temporal, com o caminho crítico destacado em vermelho. Seus principais ganhos incluem a visualização das conexões entre as atividades, a sensibilização dos envolvidos sobre seu papel na entrega final, a comunicação das expectativas de desenvolvimento e o rápido acesso ao cronograma para identificar atividades críticas e gerenciar riscos e recursos. Contudo, em projetos muito extensos ou dinâmicos, o esforço de atualização pode superar os ganhos, e as condições de campo podem dificultar o acesso visual à ferramenta.
O Diagrama de Rede, por sua vez, facilitou a visualização do encadeamento lógico do caminho crítico, permitindo identificar tarefas que, se atrasadas, comprometem imediatamente os prazos. Este recurso, conforme Mattos (2010), é essencial para compreender a urgência das atividades e apoiar a tomada de decisões sobre planos de ação em caso de atrasos. Tanto o Gráfico de Gantt quanto o Diagrama de Rede são ferramentas dinâmicas, que exigem monitoramento e atualização constantes para refletir o progresso real do projeto e apoiar o redirecionamento de atividades e reestruturação da equipe.
Controle e Monitoramento do Cronograma
O monitoramento do avanço do projeto foi realizado por meio da Curva S, que comparou o progresso acumulado planejado e o real. Nos primeiros quatorze dias, a Curva S indicou um adiantamento das atividades em campo, focado na passagem de cabos (atividade 1.2.5.2). Este adiantamento, embora dependente das condições climáticas e da disponibilidade de maquinário, foi possível sem riscos adicionais, mesmo que a atividade não pudesse ser concluída totalmente sem a estrutura de rastreio instalada.
O cronograma base previa a conclusão das atividades em 26 de junho de 2025. No entanto, o projeto foi concluído em 08 de julho de 2025, resultando em um atraso de 13,4 dias. É notável que a margem de segurança calculada de 13,34 dias, com 95% de confiança, coincidiu com o atraso real do projeto. Ao somar a duração prevista (113,90 dias), o desvio padrão (8,11 dias) e a margem de segurança (13,34 dias), a duração total alinhada às expectativas mais conservadoras foi de 135,35 dias, diferindo apenas 0,65% da duração real de execução (134,38 dias), o que sugere uma boa previsibilidade da metodologia PERT.
Apesar do atraso total, os critérios de aceitação da Declaração de Escopo foram atendidos, uma vez que as atividades de responsabilidade exclusiva da empresa foram executadas dentro do prazo estabelecido, mesmo que realocadas em datas posteriores. A demora foi comprovadamente associada às atividades de responsabilidade do cliente. Essa distinção é fundamental para a interpretação do sucesso do projeto, reforçando a importância da delimitação clara do escopo e das responsabilidades na fase de iniciação.
Contudo, o monitoramento pela Curva S apresentou limitações, pois as 28 atividades não foram valoradas quanto à sua importância ou criticidade. Isso significa que o avanço rastreado não considerou o peso das atividades do caminho crítico, o que poderia distorcer a percepção do progresso real. Mattos (2010) sugere ponderar a conclusão das atividades com base em horas trabalhadas ou custos, o que não foi possível neste estudo devido à ausência de dados consistentes e à falta de controle total sobre as atividades do cliente.
O processo de monitoramento também foi comprometido pela dependência do retorno do cliente ao contato do “Site Manager”, resultando em semanas sem feedback sobre o avanço das atividades. A falta de um protocolo de comunicação robusto e de ferramentas assíncronas para coleta de dados contribuiu para essa falha. Embora a estruturação do cronograma tenha sido promissora para o planejamento, o monitoramento durante a execução evidenciou a necessidade de aprimorar a comunicação e a coleta padronizada de informações para uma gestão mais eficaz dos riscos e desvios.
Em síntese, a aplicação das boas práticas do Guia PMBOK no gerenciamento do cronograma do projeto de implantação de estruturas de rastreio solar revelou a importância da formalização das etapas de iniciação e planejamento para estabelecer uma visão clara do projeto. A utilização de ferramentas como a EAP, o método PERT, o Gráfico de Gantt e o Diagrama de Rede permitiu identificar 28 atividades, estimar uma duração total de 113,90 dias com uma margem de segurança de 13,34 dias, e visualizar o caminho crítico. Embora o monitoramento pela Curva S tenha evidenciado um atraso de 13,4 dias, que coincidiu com a margem de segurança, a previsibilidade da metodologia foi confirmada, e a análise destacou a necessidade de aprimorar a comunicação com o cliente e a ponderação das atividades no monitoramento para futuros projetos.
4. Conclusão
O presente estudo buscou descrever o gerenciamento do cronograma, conforme as boas práticas do Guia PMBOK, para um projeto de implantação de estruturas de rastreio solar. Verificou-se que a aplicação dessas práticas, desde a iniciação, com a formalização do Termo de Abertura e Declaração de Escopo, até o planejamento detalhado, foi fundamental para a estruturação do projeto. Por meio da Estrutura Analítica do Projeto, identificaram-se 28 atividades distribuídas em três entregáveis principais. A estimativa de duração pelo método PERT indicou um prazo total de 113,90 dias, com uma margem de segurança de 13,34 dias para 95% de confiança, o que contrastou significativamente com o prazo inicial de 60 dias. Observou-se que ferramentas como o Gráfico de Gantt e o Diagrama de Rede facilitaram a visualização do caminho crítico e o encadeamento lógico das tarefas. O monitoramento pela Curva S evidenciou um descolamento entre o avanço planejado e o realizado já na segunda semana, e o projeto foi concluído com um atraso de 13,4 dias, valor que se alinhou de forma notável à margem de segurança calculada, confirmando a previsibilidade da metodologia. A principal contribuição reside na demonstração de que a estruturação do gerenciamento do cronograma é essencial para o alinhamento de expectativas, a identificação proativa de gargalos e a construção de uma base histórica robusta para futuros empreendimentos no setor de energia solar fotovoltaica.
Contudo, identificaram-se limitações no processo de monitoramento, principalmente devido à ausência de dados consistentes para a valoração da importância ou criticidade de cada uma das 28 atividades na Curva S, o que pode ter distorcido a percepção do progresso real. A dependência do retorno do cliente para o feedback sobre o avanço das atividades também comprometeu a uniformidade e a frequência do monitoramento, evidenciando a fragilidade dos protocolos de comunicação existentes. Para estudos futuros, recomenda-se a implementação de uma ponderação das atividades no monitoramento da Curva S, considerando sua criticidade e impacto no caminho crítico. Sugere-se, ainda, o desenvolvimento de um protocolo de comunicação mais robusto e a adoção de ferramentas assíncronas para a coleta padronizada de dados, visando aprimorar a gestão de riscos e desvios e fortalecer a previsibilidade em projetos subsequentes.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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