Artigo

02 de outubro de 2026

Gerenciamento da comunicação no monitoramento de campo em loteamento urbano: um estudo de caso

Gerenciamento da Comunicação no Monitoramento de Campo em Loteamento Urbano: um Estudo de Caso

Érick Fernando Botelho do Prado; Liliane Pires Andrade

DOI: 10.22167/2675-6528-202602861

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A comunicação em projetos de construção civil é fundamental para o acompanhamento da execução, especialmente em loteamentos urbanos com múltiplos stakeholders. O estudo objetivou estruturar o processo de comunicação na fase de execução de um loteamento urbano, considerando as necessidades informacionais dos stakeholders e um modelo para coleta, organização, armazenamento e disponibilização de dados que apoiasse o monitoramento e a tomada de decisão. Realizou-se uma pesquisa aplicada, descritiva e qualitativa, por meio de um estudo de caso único em um empreendimento em Jaguaquara, Bahia. A análise incluiu documentos, instrumentos de acompanhamento da execução, registros de telemetria e observações do fluxo de trabalho. O modelo foi aplicado entre março e abril de 2026. Os resultados revelaram limitações no fluxo informacional anterior, especialmente quanto à padronização, integração e rastreabilidade. A solução implementada incorporou dados parametrizados, vinculação à Estrutura Analítica do Projeto, armazenamento centralizado no Microsoft OneDrive com controle de acesso e automações parcialmente em Excel/VBA. Durante a aplicação, identificaram-se lacunas de registro, sobreposição de atividades e divergências de localização de maquinários, além de indícios qualitativos de maior organização e rastreabilidade do fluxo. Embora o curto período de aplicação e a natureza qualitativa não permitissem atribuir efeitos causais ou generalizar os resultados, o modelo demonstrou potencial para apoiar o monitoramento da execução e a comunicação entre os stakeholders no contexto analisado.

Palavras-chave: Gestão da informação; Qualidade da informação; Rastreabilidade; Registros operacionais.

1. Introdução

A comunicação é um componente essencial na gestão de projetos, pois facilita a circulação de informações, responsabilidades e decisões entre todos os envolvidos. Mais do que apenas transmitir mensagens, a comunicação eficaz em projetos implica organizar e disponibilizar dados úteis para o acompanhamento das atividades e para a tomada de decisões. O Project Management Institute (PMI, 2025) reconhece a comunicação como um elemento transversal ao trabalho do projeto, com especial relevância nas interações com os “stakeholders”, durante as fases de execução e monitoramento. Em empreendimentos de construção, essa necessidade se intensifica devido à grande quantidade de informações geradas simultaneamente por diversos agentes.

O setor da construção civil é caracterizado pela interação de profissionais com atribuições variadas, diferentes níveis de responsabilidade e distintas necessidades de informação. Quando os registros são incompletos, dispersos ou não chegam aos responsáveis em tempo hábil, o monitoramento da execução exige buscas adicionais, conferências e consolidações manuais. Falhas de comunicação podem estar associadas a atrasos e problemas de qualidade em projetos de construção (Abdallah et al., 2024). Embora as tecnologias digitais ampliem as possibilidades de registrar, integrar e compartilhar informações, seus benefícios dependem da forma como são incorporadas aos processos organizacionais e às necessidades dos usuários (Adekunle et al., 2024).

Em loteamentos urbanos, a gestão da informação envolve interfaces complexas com órgãos públicos, concessionárias de serviços, equipes técnicas e outros agentes relacionados à implantação do empreendimento. No Brasil, a Lei nº 6.766/1979 estabelece requisitos para o parcelamento do solo urbano, abrangendo infraestruturas como escoamento de águas pluviais, abastecimento de água, esgotamento sanitário, energia elétrica e vias de circulação (Brasil, 1979). Dessa forma, os registros produzidos durante a execução devem atender tanto às necessidades internas de acompanhamento quanto à comprovação das atividades realizadas perante agentes externos.

A simples existência de registros, contudo, não garante sua utilidade. Para apoiar a gestão de forma eficaz, a informação deve ser adequada à finalidade para a qual será empregada. A qualidade da informação envolve sua adequação ao uso, e não apenas sua precisão (Wang e Strong, 1996). Em projetos de infraestrutura, a integração entre processos de trabalho e gestão da informação favorece maior confiabilidade e eficiência no uso dos dados (Goonetillake et al., 2023). Assim, um dado corretamente preenchido pode ter valor gerencial limitado se permanecer isolado ou se não puder ser relacionado a outras informações do projeto.

No empreendimento analisado, o acompanhamento da execução utilizava diversas fontes, como Relatórios Diários de Obras, formulários de operação de maquinários, folhas de ponto e registros de telemetria. Embora esses instrumentos contivessem informações relevantes, havia a necessidade de relacioná-las de forma mais estruturada, associando os registros às atividades executadas, à origem dos dados, aos responsáveis e às necessidades dos “stakeholders”. A literatura aponta que informações precisas e atualizadas, compartilhadas digitalmente, podem apoiar o planejamento, o monitoramento e a colaboração em projetos de construção (Lota et al., 2022). Contudo, no contexto estudado, a questão gerencial e empírica persistia: como organizar os diferentes registros da execução de maneira compatível com as necessidades informacionais dos agentes envolvidos.

A pesquisa justificou-se pela possibilidade de aproximar os dados produzidos em campo das informações necessárias ao monitoramento do projeto, buscando compreender quais informações eram essenciais, quem as utilizava e como os registros existentes poderiam ser organizados e relacionados. Essa abordagem alinha-se à integração entre processos, requisitos dos usuários e recursos digitais, conforme discutido por Adekunle et al. (2024) e Goonetillake et al. (2023). Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo estruturar a comunicação formal na fase de execução de um loteamento urbano em Jaguaquara, Bahia, orientada pelas necessidades informacionais dos principais “stakeholders” internos e externos. Para tanto, buscou-se identificar os “stakeholders” relacionados ao acompanhamento da execução e suas necessidades de informação, caracterizar o fluxo de coleta, organização, armazenamento e disponibilização dos dados, estruturar sua reconfiguração e comparar qualitativamente o fluxo anterior com a solução aplicada no período estudado.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi de natureza aplicada, com abordagem descritiva e qualitativa, e foi conduzida por meio de um estudo de caso único. Essa estratégia permitiu o exame aprofundado de um fenômeno contemporâneo em seu contexto específico, utilizando diferentes fontes de evidência e delimitando a unidade de análise (Mtisi, 2022; Saunders et al., 2023). Os resultados foram interpretados de forma contextual, sem pretensão de generalização estatística.

A unidade de análise consistiu em um empreendimento de loteamento urbano situado em Jaguaquara, Bahia, Brasil, que se encontrava em fase de execução durante o período do estudo. O recorte da pesquisa abrangeu os processos de comunicação, registro e monitoramento diretamente relacionados ao acompanhamento da obra. Para garantir os cuidados éticos, o Formulário de Direcionamento Ético [FDE] institucional foi preenchido, e seu resultado indicou a dispensa de submissão do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa [CEP].

A coleta de dados combinou análise documental e observações do fluxo de trabalho e dos instrumentos de registro. A análise documental foi delimitada aos documentos e instrumentos diretamente vinculados ao empreendimento de Jaguaquara, abrangendo registros referentes ao período de outubro de 2023 a março de 2026. Foram considerados 165 Relatórios Diários de Obras (RDOs) e 1.264 formulários de operação de maquinários.

Adicionalmente, coletaram-se registros de telemetria, folhas de ponto, cronogramas, controles de custos e demais registros gerenciais do empreendimento. Documentos de outros empreendimentos foram excluídos para manter o foco no caso estudado. Os registros de telemetria foram confrontados com os formulários de operação para verificar a coerência entre a atividade declarada, as variações de horímetro ou odômetro e a localização do equipamento, conforme a literatura (Rao et al., 2022).

As observações do fluxo de trabalho, associadas às atribuições funcionais dos “stakeholders”, subsidiaram a identificação das necessidades informacionais e a compreensão do uso dos registros no contexto da obra. Os documentos permitiram examinar como as informações da execução eram registradas, organizadas, armazenadas e utilizadas antes da intervenção proposta pelo estudo.

A análise foi conduzida em cinco etapas, agrupadas em dois eixos metodológicos. O primeiro eixo, denominado diagnóstico do fluxo e das necessidades informacionais, compreendeu a identificação dos “stakeholders” relacionados ao acompanhamento da execução e de suas necessidades informacionais, a caracterização do fluxo vigente de coleta, registro, armazenamento e uso da informação, e a identificação de limitações segundo atributos de qualidade.

Como referência para organizar o fluxo de comunicação, utilizaram-se as áreas de foco de planejamento, execução e monitoramento e controle apresentadas na 8ª edição de “A Guide to the Project Management Body of Knowledge” [PMBOK®] (PMI, 2025). Essa estrutura ofereceu um referencial para relacionar necessidades informacionais, coleta de dados e acompanhamento da execução, orientando a análise das necessidades informacionais e a operacionalização dos registros.

Para operacionalizar o recorte analítico, o fluxo foi examinado em cinco dimensões: coleta, criação e organização, distribuição, armazenamento e recuperação, e gestão do ciclo da informação. Nessas dimensões, os registros foram avaliados quanto à capacidade de atender às necessidades dos “stakeholders” e aos atributos de qualidade definidos na pesquisa (Hassenstein e Vanella, 2022; ISO, 2016; PMI, 2021, 2025; Wang e Strong, 1996).

Os atributos de qualidade receberam definição operacional. A tempestividade foi observada pela proximidade entre o fato executado, seu registro e sua disponibilidade para consulta; a precisão, pela compatibilidade entre o conteúdo registrado e as evidências disponíveis; a consistência, pela ausência de contradições entre fontes; a integridade, pela preservação do registro e de seus elementos essenciais; e a rastreabilidade, pela possibilidade de relacionar informação, responsável, atividade, frente de serviço, data e evidência correspondente.

O segundo eixo metodológico, estruturação, aplicação e comparação do modelo, compreendeu a estruturação e a aplicação do modelo, e a comparação qualitativa entre o fluxo anterior e o modelo aplicado. A estruturação do modelo foi orientada pelas limitações identificadas no diagnóstico e pelas necessidades informacionais mapeadas.

O modelo foi aplicado no período entre 18 de março de 2026 e 11 de abril de 2026, período utilizado para observar a operação da solução. Os campos foram reorganizados e parametrizados, e os registros passaram a ser relacionados à Estrutura Analítica do Projeto (EAP), permitindo identificar obra, frente de serviço, etapa e atividade. O armazenamento foi centralizado no Microsoft OneDrive, com estrutura hierárquica e controle de acesso por perfil de usuário.

Durante o período de aplicação, implementaram-se parcialmente rotinas automatizadas em “Microsoft Excel”, com macros em Visual Basic for Applications (VBA), destinadas a apoiar consultas, análises e geração de relatórios. A comparação entre o fluxo anterior e a solução aplicada buscou identificar mudanças observáveis na integração entre fontes, na necessidade de reprocessamento manual e na possibilidade de rastrear e cruzar registros. Não foram empregados testes estatísticos.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa foram apresentados em duas seções principais, seguindo a estrutura metodológica adotada: o diagnóstico do fluxo informacional e das necessidades dos “stakeholders”, e a estruturação, aplicação e comparação do modelo proposto. A interpretação dos achados considerou atributos de qualidade da informação como tempestividade, precisão, rastreabilidade, integridade e consistência, conforme delineado na metodologia. A análise permaneceu restrita às evidências coletadas no empreendimento estudado e ao período de aplicação do modelo, que ocorreu entre 18 de março de 2026 e 11 de abril de 2026.

Diagnóstico do fluxo e das necessidades informacionais

O mapeamento inicial revelou que os “stakeholders” envolvidos no acompanhamento da execução do loteamento possuíam necessidades informacionais distintas. Para os agentes internos, as demandas estavam diretamente ligadas ao planejamento, à produção em campo e ao controle administrativo-financeiro. Em contraste, os “stakeholders” externos apresentavam necessidades potenciais relacionadas à comprovação da execução, à fiscalização, à integração técnica e à formalização documental. Essa distinção foi crucial, pois indicou que um único registro de campo não era capaz de atender, de forma direta, a todas as necessidades dos diferentes usuários.

Para os “stakeholders” internos, foram identificadas necessidades informacionais específicas e propostos indicadores de desempenho compatíveis com suas respectivas funções. Contudo, esses indicadores não foram mensurados durante o período de aplicação do estudo. Para os “stakeholders” externos, que não estavam diretamente envolvidos na aplicação do modelo, os produtos informacionais permaneceram em caráter propositivo. Essa abordagem, que prioriza a orientação ao usuário, alinha-se aos princípios de gestão sistemática da informação e à adequação dos processos aos requisitos informacionais, conforme discutido por Adekunle et al. (2022) e Goonetillake et al. (2023).

A análise detalhada das necessidades informacionais e dos produtos associados aos “stakeholders” revelou que para Planejamento e Controle (PCP), a necessidade predominante era o avanço físico, o cronograma e a comparação entre o planejado e o realizado, com indicadores propostos como percentual planejado versus realizado, variação de prazo e tendência de conclusão. Para a Produção de Campo, as necessidades envolviam atividades diárias, produtividade, restrições e disponibilidade de recursos, com indicadores como produtividade por equipe, utilização de equipamentos e retrabalho. No âmbito Administrativo-Financeiro, a demanda era por custos, medições e pagamentos com registros rastreáveis, e os indicadores incluíam avanço físico versus financeiro, variação de custos e tempo de processamento.

Em relação aos “stakeholders” externos, as necessidades foram predominantemente propositivas. Para a Prefeitura e órgãos municipais, a demanda era por evidências de avanço físico e conformidade, com relatórios de avanço, ocorrências e dossiês de evidências propostos. As Concessionárias necessitavam de coordenação de interfaces e interligações, com boletins técnicos, registros por trecho e cronogramas de vistorias. Órgãos ambientais e de licenciamento demandavam informações sobre condicionantes, ocorrências e conformidade, com relatórios de condicionantes e eventos relevantes. Proprietários, compradores e a comunidade precisavam de insumos informacionais para comunicação, enquanto Cartório e agentes correlatos demandavam organização e recuperação documental, com dossiês por etapa e controle de pendências. A maioria desses produtos externos não foi validada diretamente durante a aplicação do modelo.

A caracterização do fluxo informacional anterior baseou-se na análise de 165 Relatórios Diários de Obras (RDOs) e 1.264 formulários de operação de maquinários, além de outras fontes. Antes da reestruturação, a coleta de informações dependia principalmente do RDO, do Formulário de Operação de Maquinários e da Folha de Ponto. O desafio não residia na ausência de registros, mas na forma como esses dados estavam dispersos em instrumentos com finalidades e estruturas distintas, o que impedia uma visão integrada e dificultava o acompanhamento eficaz da execução.

O RDO, embora elaborado digitalmente, passava por um processo de impressão, validação, assinatura e nova digitalização para arquivamento, sem que seu conteúdo fosse consolidado em uma base de dados estruturada. O formulário de maquinários continha informações essenciais como identificação, operador, horímetro, quilometragem, abastecimento e manutenção, mas seus dados eram lançados em planilhas eletrônicas sem parametrização ou vínculo sistemático com a Estrutura Analítica do Projeto (EAP). A folha de ponto, por sua vez, utilizava um aplicativo para registrar horários e localização, mas seu foco principal era o controle de recursos humanos.

A presença de instrumentos digitais, portanto, não garantia a integração digital das informações. Cada fonte cumpria sua função imediata, mas a combinação de dados exigia a localização de documentos, a conferência de registros e a reorganização manual. Esse achado é significativo, pois desloca o problema da mera disponibilidade tecnológica para a necessidade de uma organização mais eficaz do processo informacional. Lota et al. (2022) já haviam observado que informações atualizadas e compartilhadas digitalmente podem apoiar o planejamento e monitoramento, enquanto Goonetillake et al. (2023) enfatizaram que os benefícios da digitalização dependem da integração entre processos e gestão da informação.

A fragmentação do fluxo informacional anterior impactava negativamente a tempestividade, a consistência e a rastreabilidade dos dados. As informações solicitadas pelos “stakeholders” frequentemente exigiam buscas e consolidações posteriores, o que adicionava etapas ao processo de geração de relatórios. As diferenças na forma de registrar e armazenar os dados dificultavam a comparação entre documentos e o rastreamento da origem da informação. Esses atributos são cruciais para a adequação da informação ao uso, conforme discutido por Hassenstein e Vanella (2022) e Wang e Strong (1996).

Embora o estudo não tenha mensurado o tempo despendido nessas atividades adicionais nem demonstrado efeitos diretos sobre prazo, custo ou produtividade, o fluxo anterior exigia etapas extras de busca, conferência e consolidação antes que os registros de diferentes fontes pudessem ser utilizados de forma conjunta. Esse diagnóstico está em consonância com a literatura do setor, onde Abdallah et al. (2024) relacionaram problemas de comunicação a atrasos e baixa qualidade em projetos de construção, e Rahimian et al. (2022) destacaram a importância da qualidade da comunicação para o entendimento entre os participantes de projetos. Contudo, os efeitos específicos no empreendimento de Jaguaquara não foram quantificados.

Estruturação, aplicação e comparação do modelo

A solução proposta foi desenvolvida a partir das limitações identificadas no diagnóstico e das necessidades informacionais mapeadas. Em vez de substituir os instrumentos de coleta existentes, como o RDO e os formulários de maquinários, o modelo concentrou-se na reestruturação dos dados e no estabelecimento de relações entre eles. Essa abordagem visou otimizar o uso das ferramentas já familiares à equipe, minimizando a resistência à mudança e focando na integração e na qualidade da informação.

Os campos de registro foram reorganizados e parametrizados, e os dados passaram a ser vinculados à Estrutura Analítica do Projeto (EAP), permitindo a identificação clara da obra, frente de serviço, etapa e atividade correspondente. Essa vinculação aproximou o dado de sua finalidade de acompanhamento e facilitou o uso de referências comuns entre as diferentes fontes de informação. A padronização e a estruturação dos registros são aspectos fundamentais na gestão da informação em projetos de construção, conforme ressaltado por Adekunle et al. (2022), pois promovem o compartilhamento e o uso sistemático dos dados.

O armazenamento dos registros também foi reorganizado, centralizando-os no Microsoft OneDrive, com uma estrutura hierárquica e controle de acesso baseado no perfil de usuário. Quando a documentação física era indispensável, o documento digitalizado era associado ao registro correspondente, preservando o vínculo entre a informação estruturada e sua evidência de origem. Essa organização é compatível com os princípios de integridade, confiabilidade e usabilidade dos registros, conforme estabelecido pela ISO 15489-1:2016 (ISO, 2016), embora o estudo não tenha realizado uma auditoria formal de conformidade com a norma.

As informações consolidadas passaram a formar uma base estruturada, utilizada para relacionar registros, responsáveis, datas e documentos associados. Embora a validação humana não tenha sido eliminada, o modelo ofereceu uma referência comum para consulta e cruzamento de informações, o que é coerente com a importância da integração entre processos e gestão informacional em projetos de infraestrutura, conforme destacado por Goonetillake et al. (2023). Essa base permitiu uma visão mais holística e interconectada dos dados do projeto.

Durante o período de aplicação do modelo, foram implementadas parcialmente rotinas automatizadas no Microsoft Excel, utilizando macros em VBA, para apoiar consultas, análises e a geração de relatórios. As observações qualitativas realizadas indicaram uma maior facilidade na organização e rastreamento dos registros, além de uma redução na necessidade de consolidação manual. Contudo, esses efeitos não foram mensurados quantitativamente, sendo tratados como indícios qualitativos do funcionamento do modelo, e não como evidências de ganhos de eficiência ou produtividade.

A comparação entre o fluxo informacional anterior e a solução aplicada revelou mudanças significativas em diversas dimensões. Na coleta, os diferentes instrumentos sem estrutura comum foram mantidos, mas com campos mais parametrizados. A vinculação ao projeto, antes caracterizada por registros pouco relacionados, passou a ter dados vinculados à EAP, frente, etapa e atividade. O armazenamento, que era em arquivos físicos e digitais distribuídos, tornou-se um repositório centralizado no OneDrive. O acesso, antes dependente da localização dos arquivos e solicitações, passou a ter controle por perfil de usuário.

A integração, que antes se dava por fontes consultadas separadamente, evoluiu para uma base comum para consolidação e cruzamento. A rastreabilidade, que era dificultada pela dificuldade de relacionar registros entre fontes, passou a permitir a associação entre dado, origem, responsável e documento, configurando uma evidência qualitativa de melhoria. O processamento, antes predominantemente manual, teve automação parcial em Excel/VBA. A validação, que era predominantemente por documento, passou a incluir a possibilidade de confrontar registros e telemetria, evidenciada na análise de maquinários. Os produtos externos, antes produzidos conforme demandas específicas, tornaram-se produtos informacionais estruturados, embora não suficientemente testados. O efeito no desempenho não foi mensurado em ambos os casos, não permitindo inferência causal.

O resultado empírico mais consistente da aplicação do modelo foi obtido no cruzamento entre os formulários de operação dos maquinários e os registros de telemetria. Essa análise permitiu verificar simultaneamente a atividade declarada, a variação de horímetro ou odômetro e a localização do equipamento, revelando três tipos de inconsistências que não eram facilmente identificáveis pela consulta isolada dos formulários. Essa capacidade de verificação cruzada é um avanço significativo na qualidade da informação.

A primeira inconsistência identificada correspondeu a períodos em que não havia atividade registrada no formulário, apesar de os dados de horímetro ou odômetro do equipamento apresentarem variação. Esse achado indicou uma lacuna entre a evidência de utilização do equipamento e o registro operacional correspondente, comprometendo a completude dos registros. A ausência de um registro equivalente dificulta a reconstrução posterior dos eventos, o que é relevante para a qualidade dos dados, conforme Hassenstein e Vanella (2022) e ISO (2016), que enfatizam a necessidade de preservar o contexto associado aos registros.

A segunda ocorrência envolveu a declaração do mesmo maquinário em duas frentes de serviço com coincidência de horários ou registros de quilometragem. Nesse caso, havia registros, mas sua utilização conjunta revelou uma incompatibilidade lógica, interpretada principalmente como um problema de consistência. Esse resultado demonstra que a simples existência do dado não garante sua qualidade, pois registros que parecem plausíveis isoladamente podem revelar contradições quando confrontados, ressaltando a importância da coerência para a adequação da informação ao uso (Wang e Strong, 1996; Hassenstein e Vanella, 2022).

A terceira inconsistência observada foi a divergência entre a localização registrada pela telemetria e a frente de serviço declarada. Esse problema incidiu principalmente sobre a rastreabilidade, pois o vínculo entre equipamento, atividade executada e local informado não pôde ser confirmado diretamente. Rao et al. (2022) destacaram que tecnologias de posicionamento, sensoriamento e rastreamento podem apoiar o monitoramento de equipamentos e atividades em canteiros de obras. No presente estudo, a telemetria não automatizou a operação, mas ofereceu uma fonte independente para confrontar registros declaratórios e indicar situações que exigiam verificação.

Em conjunto, os achados demonstraram que o cruzamento de diferentes fontes de informação permitiu direcionar a verificação de registros que, analisados isoladamente, não revelavam as mesmas inconsistências. No entanto, o estudo não permitiu determinar as causas específicas das divergências, como falhas de preenchimento, erros de classificação ou mudanças operacionais não registradas. Também não foram mensuradas a frequência dessas ocorrências, seu impacto financeiro ou sua influência sobre a produtividade e o prazo do projeto. O resultado, portanto, demonstra a capacidade do fluxo estruturado para identificar situações que demandam conferência, mas não para explicar suas causas ou efeitos sobre o desempenho do projeto.

Em síntese, a comparação qualitativa indicou que a principal mudança do modelo aplicado foi a organização integrada de registros já existentes, estabelecendo vínculos entre necessidades informacionais, responsáveis, EAP e armazenamento. No contexto estudado, isso criou condições para maior padronização, rastreabilidade e verificação cruzada, sem a necessidade de substituir imediatamente os instrumentos de campo. Essa interpretação está em consonância com estudos que enfatizam a articulação entre tecnologias, processos e necessidades organizacionais na gestão da informação (Adekunle et al., 2022, 2024; Goonetillake et al., 2023).

Os achados também dialogam com a literatura que relaciona a qualidade da comunicação à colaboração e à interdependência entre diferentes grupos de “stakeholders” (Rahimian et al., 2022; Yang et al., 2023). Contudo, o estudo evidenciou sobretudo as condições para organizar e verificar informações, sem mensurar mudanças no comportamento dos “stakeholders” ou na qualidade global da comunicação. As limitações do estudo, como o curto período de aplicação, a implementação parcial das automações, a ausência de indicadores comparativos e a avaliação limitada dos produtos para “stakeholders” externos, impedem a generalização dos achados e a atribuição de efeitos causais sobre prazo, custo, produtividade ou desempenho global. A contribuição central do estudo foi, portanto, estruturar um processo que relaciona a necessidade informacional, o registro de campo, o responsável, a EAP, o armazenamento e o produto de comunicação, ampliando a capacidade de relacionar e verificar registros sem comprovar a superioridade de uma tecnologia específica, respondendo ao objetivo do estudo de estruturar a comunicação formal na fase de execução do loteamento urbano.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou estruturar a comunicação formal na fase de execução de um loteamento urbano em Jaguaquara, Bahia, considerando as necessidades informacionais dos principais stakeholders internos e externos. Verificou-se que o fluxo informacional anterior apresentava fragmentação, com dados dispersos em instrumentos distintos, o que dificultava a padronização, integração e rastreabilidade dos registros. Em resposta a essas limitações, desenvolveu-se um modelo que reestruturou os dados, incorporando campos parametrizados, vinculação à Estrutura Analítica do Projeto e armazenamento centralizado no Microsoft OneDrive, com automações parcialmente implementadas em Excel/VBA. Durante a aplicação, observaram-se indícios qualitativos de maior organização e rastreabilidade do fluxo. O achado empírico mais consistente revelou-se no cruzamento dos formulários de operação de maquinários com os registros de telemetria, que permitiu identificar lacunas de registro, sobreposição de atividades e divergências de localização dos equipamentos, evidenciando a capacidade do modelo para direcionar a verificação de inconsistências que não eram facilmente detectáveis isoladamente.

A principal contribuição do estudo reside na sistematização de um processo que relaciona a necessidade informacional, o registro de campo, o responsável, a Estrutura Analítica do Projeto, o armazenamento e o produto de comunicação, ampliando a capacidade de relacionar e verificar registros existentes. Contudo, as conclusões permanecem restritas ao estudo de caso e ao período de aplicação, entre 18 de março e 11 de abril de 2026. O curto intervalo, a implementação parcial das automações, a ausência de indicadores comparativos e a avaliação limitada dos produtos para stakeholders externos impedem a generalização dos achados e a atribuição de efeitos causais sobre prazo, custo ou produtividade. Como continuidade, sugere-se ampliar o período de aplicação do modelo, concluir as automações e estabelecer indicadores para avaliar o funcionamento do fluxo informacional ao longo do tempo, incluindo tempo de processamento, incidência de inconsistências e retrabalho.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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22 de outubro de 2026

Jornada do Consumidor na Decisão de Compra de Infoprodutos no Ambiente Digital

A expansão do comércio eletrônico e a transformação tecnológica impulsionaram a necessidade de compreender o comportamento do consumidor de infoprodutos, cuja experiência percebida tornou-se crucial para o desenvolvimento profissional. O estudo objetivou analisar os fatores que influenciaram a decisão de compra de infoprodutos no ambiente digital, considerando as etapas da jornada do consumidor. Realizou-se uma pesquisa aplicada, quantitativa e descritiva, por meio de um levantamento de campo com 100 consumidores da Serra Gaúcha. A coleta de dados ocorreu via questionário estruturado, utilizando amostragem não probabilística. Os resultados revelaram um público qualificado e com forte comportamento “mobile-first”. Constatou-se que a disponibilidade de informações detalhadas e a aprovação social foram os principais gatilhos de atração na fase de pré-compra. Nas etapas transacionais e posteriores, a minimização de atritos operacionais, a agilidade do acesso imediato e a segurança sistêmica mostraram-se cruciais para a conversão e satisfação, embora lacunas na eficiência do suporte humano tenham sido identificadas. A retenção fundamentou-se na confiança gerada por experiências anteriores positivas, superando o fator preço. Concluiu-se que a jornada do consumidor de infoprodutos opera como um sistema integrado, exigindo alinhamento entre infraestrutura tecnológica, curadoria de conteúdo e humanização do suporte para assegurar o engajamento.

Palavras-chave: Comércio eletrônico; Comportamento do consumidor; Experiência do consumidor; Fidelização; Negócios virtuais.

22 de outubro de 2026

Observatório Digital da Amazônia: Ciência de Dados Aplicada à Análise de Indicadores Sociais, Econômicos, Ambientais e de Saúde

O estado do Amazonas enfrentou desafios históricos na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), decorrentes de barreiras geográficas, desigualdades socioeconômicas e limitações estruturais. Descreveu-se, neste estudo, o desenvolvimento e a implementação de um geoportal de informações em saúde, concebido para apoiar o monitoramento, a avaliação e o planejamento no contexto amazônico. Adotou-se uma abordagem de estudo de caso descritivo, baseada em análise documental e dados secundários, abrangendo o mapeamento de funcionalidades, a infraestrutura técnica e as etapas de validação da ferramenta. O Portal foi desenvolvido com tecnologias abertas e integrou múltiplas bases de dados nacionais, oferecendo dashboards interativos, mapas temáticos e repositório digital de documentos. Entre os resultados, destacaram-se a visualização georreferenciada de indicadores-chave, a possibilidade de análises comparativas temporais e a utilização da plataforma na revisão de planos de saúde e no redirecionamento de ações estratégicas. O portal pode representar um avanço na governança digital e na gestão baseada em evidências, com potencial de replicabilidade para outros territórios de alta complexidade, desde que acompanhada de investimentos em infraestrutura tecnológica, capacitação profissional e articulação interinstitucional.

Palavras-chave: Amazônia; Avaliação em Saúde; Saúde Digital; Sistemas de Informação em Saúde.

22 de outubro de 2026

Aprendizado Contínuo como Fator de Crescimento Organizacional na Percepção dos Colaboradores

O impacto do aprendizado contínuo e da gestão do conhecimento no crescimento das organizações foi estudado em um cenário de globalização e constantes mudanças. O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos colaboradores sobre a cultura de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento pessoal e profissional. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa anônima, de abordagem quantitativa, utilizando um formulário com questões do tipo “survey” aplicado a 87 profissionais dos setores de tecnologia, saúde, educação, comércio e serviços. Os resultados indicaram que os colaboradores possuíam uma percepção positiva sobre a contribuição do aprendizado contínuo para o crescimento pessoal e organizacional, reconhecendo seus benefícios para o desenvolvimento de novas habilidades, inovação e competitividade. Contudo, observou-se que o incentivo à troca de conhecimento interno e a oferta de treinamentos práticos ainda apresentavam médias moderadas de concordância. Concluiu-se que o aprendizado contínuo contribui significativamente para o desenvolvimento individual e organizacional, sugerindo que as empresas devem desenvolver políticas estratégicas de aprendizado direcionado para novas habilidades, visando maior vantagem competitiva e inovação.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

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