Artigo

02 de outubro de 2026

Estratégias de marketing digital para uma empresa de delivery de fast food

Estratégias de Marketing Digital para uma Empresa de Delivery de Fast Food

Edney da Conceição do Nascimento; Bruno Lopes da Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202602851

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Um estudo investigou se estratégias de marketing digital, particularmente o tráfego pago, influenciam o aumento das vendas em canais próprios de um estabelecimento de delivery de fast food em Salvador, Bahia. Realizou-se um estudo de caso aplicado, de natureza qualitativa complementada por dados quantitativos, ao longo de doze meses (janeiro a dezembro de 2025). Comparou-se um período sem investimento em mídia paga (janeiro a maio) com outro que adotou campanhas estruturadas no Meta Ads, produção profissional de conteúdo e gestão da reputação digital no Google Meu Negócio (junho a dezembro). Os resultados evidenciaram crescimento expressivo da presença digital do estabelecimento, com aumento da base de seguidores, expansão do alcance nas redes sociais e melhoria da reputação no Google, que evoluiu de 3,9 para 4,5 estrelas. O faturamento do cardápio digital próprio cresceu 23,2%, superando o investimento total realizado e indicando retorno financeiro positivo. Contudo, a entrada de uma nova plataforma intermediadora com estratégia agressiva de descontos alterou a dinâmica competitiva, reduzindo a taxa de conversão do canal próprio. Concluiu-se que o marketing digital fortaleceu a presença digital e ampliou as vendas no canal direto, embora não tenha eliminado a dependência estrutural das plataformas intermediadoras. A combinação de tráfego pago, conteúdo profissional e gestão da reputação digital ampliou a competitividade e favoreceu a diversificação dos canais de venda.

Palavras-chave: Canais próprios de venda; Delivery; Estratégias digitais; Marketplaces; Tráfego pago.

1. Introdução

O mercado de entrega de produtos, alimentos e bebidas, conhecido como delivery, tem experimentado um crescimento expressivo nos últimos anos. Esse avanço foi notável durante a pandemia de Covid-19 e continua em expansão, conforme dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2023). Esse cenário abriu novas oportunidades para empreendedores de pequenos negócios, que passaram a considerar o modelo de delivery de fast food uma alternativa viável e promissora.

O modelo de delivery de fast food se baseia na conveniência e na rapidez, podendo operar por meio de canais próprios, marketplaces ou em formatos híbridos. Nesse contexto, a gestão da capacidade de produção em horários de pico e a experiência do consumidor tornam-se fatores cruciais para o sucesso. Isso reforça a necessidade de alinhar processos internos com estratégias eficazes de marketing de serviços (Larocca et al., 2023).

Os marketplaces são plataformas digitais que intermedeiam transações entre consumidores e estabelecimentos comerciais, concentrando diversos ofertantes em um único ambiente virtual. No setor alimentício, essas plataformas oferecem funções como divulgação, processamento de pedidos, meios de pagamento e, em muitos casos, gestão da logística de entrega. Embora ampliem a visibilidade e o potencial de alcance dos negócios, sua utilização implica o pagamento de taxas e comissões, o que pode aumentar a dependência comercial dos estabelecimentos em relação aos intermediadores digitais (Baesso e Romani-Dias, 2023; Massa, 2022).

No Brasil, o setor de delivery é marcado pela predominância de grandes plataformas. O iFood, fundado em 2011, consolidou-se como líder nacional e uma das maiores da América Latina (ICBRAS, 2025). A entrada de novos concorrentes, como a 99Food, que retomou suas operações em novembro de 2025 com uma estratégia agressiva de redução de taxas e cupons atrativos, intensifica a dinâmica competitiva (CNN Brasil, 2025). Nesse cenário, pequenos negócios enfrentam o desafio de competir em condições desfavoráveis, especialmente devido às altas taxas cobradas pelas grandes plataformas intermediadoras (FGV, 2024).

Diante desse contexto, torna-se essencial para pequenos negócios adotar estratégias de marketing digital que fortaleçam os canais próprios de venda e reduzam a dependência das plataformas intermediadoras. Pesquisas recentes destacam que estratégias digitais bem integradas são fundamentais para conquistar e fidelizar mercados-alvo (Pereira e Justi, 2024). O crescimento do modelo de delivery no setor alimentício está diretamente associado ao uso de plataformas digitais como Instagram e iFood, que permitem reduzir custos operacionais e ampliar o alcance sem a necessidade de espaço físico para atendimento (Massa, 2022).

Embora as plataformas intermediadoras sejam relevantes, sua utilização impõe desafios estratégicos. Elas ampliam a visibilidade e a captação de clientes, mas concentram poder de mercado e estabelecem estruturas de taxas que reduzem a margem de contribuição dos estabelecimentos. Assim, os restaurantes buscam fortalecer canais próprios para reduzir essa dependência e preservar maior autonomia sobre sua rentabilidade e relacionamento com os clientes (Baesso e Romani-Dias, 2023; Fundação Getúlio Vargas, 2024).

Entre as ferramentas digitais disponíveis, destacam-se o Meta Ads e o Google Meu Negócio. Quando associadas ao tráfego pago, essas ferramentas podem ampliar a visibilidade e atrair clientes qualificados, impulsionando vendas em ambientes competitivos (Pereira e Justi, 2024). O tráfego pago consiste na utilização de mídia patrocinada para ampliar o alcance das publicações, atrair consumidores e estimular conversões comerciais, distinguindo-se do tráfego orgânico (Pereira e Justi, 2024; Santos, 2024). O Google Meu Negócio, atualmente denominado Google Business Profile, permite às empresas gerenciar sua presença digital nos resultados de pesquisa e no Google Maps. A reputação digital, construída a partir de avaliações e interações, é um ativo competitivo que aumenta a confiança dos consumidores e favorece a intenção de compra (Baesso e Romani-Dias, 2023; Nonnenmacher, 2023).

Apesar da relevância prática dessas estratégias, observa-se uma lacuna científica: poucos estudos têm analisado de forma qualitativa o impacto dos marketplaces no faturamento de pequenos negócios de delivery de fast food. Nesse sentido, compreender de que forma estratégias de marketing digital podem fortalecer os canais próprios e reduzir a dependência das plataformas intermediadoras representa uma questão de interesse tanto acadêmico quanto gerencial, especialmente para pequenos negócios inseridos em mercados altamente concentrados (Baesso e Romani-Dias, 2023). Dessa forma, este trabalho tem como objetivo investigar se estratégias de marketing digital, em especial aquelas associadas ao tráfego pago, influenciam o aumento das vendas em canais próprios de um negócio de delivery de fast food localizado em Salvador, avaliando seus efeitos sobre o volume de pedidos, faturamento e dependência das plataformas intermediadoras.

2. Material e Métodos

A metodologia utilizada neste trabalho consistiu em um estudo de caso aplicado, caracterizado como uma investigação empírica que analisa um fenômeno contemporâneo em seu contexto real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (Yin, 2001). Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, complementada pelo uso de dados quantitativos como suporte à análise e fortalecimento da validade dos achados (Creswell e Creswell, 2021). Essa combinação de abordagens foi considerada adequada para compreender tanto os processos quanto os resultados de uma intervenção estratégica em um contexto empresarial real.

A unidade de análise consistiu em um estabelecimento de entrega de comida da culinária oriental, localizado na região da Cidade Baixa, em Salvador, Bahia. O negócio operava há cerca de cinco anos no mercado, era composto por dois sócios e contava com treze funcionários, funcionando diariamente das 11h às 22h30. A estratégia do estabelecimento incluía a busca por diferenciação na qualidade dos insumos e a priorização da entrega rápida e satisfação do cliente. O anonimato do estabelecimento foi preservado, conforme a Resolução CNS nº 510/2016.

O período de análise compreendeu doze meses, de janeiro a dezembro de 2025, divididos em dois momentos distintos e intencionalmente comparáveis. O Momento 1, de janeiro a maio de 2025, caracterizou-se pela ausência de investimento em tráfego pago, com postagens orgânicas amadoras e sem planejamento estratégico. Nesse período, os canais de venda eram restritos ao cardápio digital próprio e ao iFood, plataformas que, conforme apontam Nascimento e Oliveira (2024), constituem os principais canais de comercialização e comunicação com os clientes das micro e pequenas empresas do setor alimentício no Brasil.

O Momento 2, de junho a dezembro de 2025, correspondeu ao período com investimento estruturado em tráfego pago e suporte de uma empresa especializada em marketing digital. As campanhas no Meta Ads foram estruturadas com três objetivos: aquisição de novos públicos, aquecimento por meio de reengajamento e conversão em vendas. Adicionalmente, um terceiro canal de vendas, o marketplace 99Food, foi incluído em novembro de 2025. A divisão em dois momentos não foi planejada previamente, mas emergiu naturalmente ao longo da coleta de dados, quando a distinção entre os períodos com e sem investimento em marketing se tornou evidente nos indicadores analisados.

A coleta de dados foi realizada pela empresa de marketing digital contratada, que gerenciava as campanhas e acompanhava os indicadores de desempenho no Momento 2. Os dados do Instagram foram extraídos de relatórios mensais do Meta Business Suite, fornecidos pela agência ao estabelecimento. Os dados do Google Meu Negócio foram exportados diretamente da plataforma. Os registros de faturamento e pedidos por canal foram obtidos das planilhas de controle operacional do estabelecimento, alimentadas mensalmente com os registros das plataformas de venda.

Posteriormente, todos os dados foram consolidados em planilhas no Microsoft Excel, organizados por período e canal, para permitir a análise comparativa entre os dois momentos. Esse procedimento de coleta e tratamento de dados é consistente com estudos similares sobre estratégias de marketing digital no setor alimentício (Mitroszewski, 2025). A estratégia digital do Momento 2 foi planejada e executada de forma dinâmica, com ajustes mensais baseados nos resultados obtidos no período anterior. Reuniões mensais com a equipe da agência avaliavam a performance do mês encerrado, revisavam os indicadores de alcance, engajamento e conversão, e definiam o cronograma de campanhas, roteiros de publicações e objetivos de mídia para o mês seguinte.

A produção de conteúdo digital foi integralmente executada pela agência de marketing, incluindo sessões fotográficas mensais no estabelecimento para captação de imagens dos pratos e produtos, produção de vídeos institucionais, edição de materiais para publicação nas redes sociais e criação dos criativos utilizados nas campanhas pagas. O investimento mensal fixo contratado com a agência foi de R$ 2.500,00, cobrindo todos os serviços de gestão, produção e estratégia, além do valor variável destinado à veiculação das campanhas no Meta Ads, que oscilou mensalmente conforme os objetivos e o desempenho das campanhas.

Paralelamente às ações de tráfego pago, implementou-se uma estratégia orgânica para fortalecer a reputação digital do estabelecimento no Google Meu Negócio. Essa iniciativa consistiu no envio automatizado de mensagens via WhatsApp a todos os clientes que realizaram pedidos no dia anterior, solicitando que avaliassem sua experiência por meio de um link direto para o perfil do estabelecimento no Google. O fluxo operacional funcionava com o registro do número de contato do cliente na plataforma integradora de pedidos, que era então utilizado para o disparo automático da mensagem, programado diariamente para ocorrer às 11h, horário de abertura do estabelecimento.

A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva, com comparações das médias mensais, totais acumulados e variações percentuais entre os dois momentos. Os indicadores analisados incluíram número de seguidores, alcance, visitas ao perfil do Instagram, visualizações no Google Meu Negócio, volume de pedidos, faturamento por canal e taxa de conversão do cardápio digital próprio. Para avaliar o retorno sobre o investimento (ROI), consideraram-se o investimento em mídia paga (Meta Ads) e os honorários da agência de marketing.

Ao comparar os períodos, considerou-se a possibilidade de efeitos de sazonalidade e a entrada da plataforma 99Food em novembro de 2025 como variáveis externas capazes de afetar a distribuição do faturamento entre os canais, independentemente das ações de marketing adotadas. Não houve necessidade de submeter o projeto a um comitê de Ética em pesquisas, visto que o trabalho não envolveu a obtenção de dados de seres humanos e o anonimato da empresa estudada foi mantido, conforme a Resolução CNS nº 510/2016.

3. Resultados e Discussão

A análise dos resultados revelou um impacto significativo das estratégias de marketing digital implementadas no estabelecimento de delivery de fast food em Salvador, especialmente no que tange ao fortalecimento de seus canais próprios de venda e à construção de sua presença digital. O estudo comparou dois períodos distintos de 2025: o Momento 1 (janeiro a maio), sem investimento em mídia paga, e o Momento 2 (junho a dezembro), caracterizado por campanhas estruturadas de tráfego pago, produção profissional de conteúdo e gestão ativa da reputação digital. As evidências coletadas demonstram que a adoção dessas estratégias resultou em um crescimento expressivo em diversos indicadores, embora o cenário competitivo do mercado de delivery tenha imposto desafios adicionais, especialmente com a entrada de novos players.

O estabelecimento, fundado em 2019, consolidou-se como referência local em culinária oriental, operando com uma equipe de 13 funcionários e um horário de funcionamento diário das 11h às 22h30. Sua estratégia de diferenciação baseia-se na qualidade dos insumos, rapidez na entrega e satisfação do cliente. Essa caracterização inicial é fundamental para contextualizar o porte do negócio e os desafios inerentes à sua operação em um mercado dominado por grandes plataformas intermediadoras, conforme discutido por Baesso e Romani-Dias (2023).

Performance do Instagram

A performance do perfil do Instagram do estabelecimento demonstrou uma transformação expressiva ao longo de 2025, evidenciando o impacto direto das estratégias de tráfego pago. Em janeiro de 2025, o perfil contava com 4.699 seguidores. Durante o Momento 1 (janeiro a maio), com postagens orgânicas amadoras e sem investimento em tráfego pago, a base de seguidores cresceu para 5.728. No entanto, a partir de junho, com a implementação das campanhas de tráfego pago e a produção de conteúdo profissional, o crescimento acelerou, atingindo 7.568 seguidores em dezembro, o que representa um aumento de 61,1% ao longo do ano. Esse resultado corrobora a literatura que aponta a frequência de publicações e a criatividade dos conteúdos como fatores determinantes para a expansão da base de seguidores em negócios do setor alimentício (Nascimento e Oliveira, 2024).

O alcance médio mensal do perfil no Instagram também apresentou um salto significativo. No Momento 1, o alcance orgânico médio foi de 1.608 pessoas por mês. Com o início das campanhas pagas no Momento 2, esse número disparou para 36.364 pessoas por mês, um multiplicador de 23 vezes em relação ao período anterior. Ao longo do Momento 2, o perfil acumulou mais de 1,4 milhão de impressões totais, com uma média mensal de 204.813 impressões. As visitas ao perfil cresceram 178,0% entre os dois momentos, alcançando um pico de 4.060 visitas em setembro de 2025. Esses dados reforçam a eficácia do tráfego pago para ampliar a visibilidade digital, conforme destacado por Pereira e Justi (2024) e Santos (2024).

Em termos de eficiência das campanhas, o custo por clique (CPC) médio no Momento 2 foi de R$ 0,58, e o custo por mil impressões (CPM) ficou em R$ 7,76. Esses valores são considerados competitivos para o segmento de alimentação local, conforme referenciado por Mazon (2023). A combinação de tráfego pago com conteúdo profissional e uma estratégia de publicações mais frequente e criativa foi crucial para impulsionar o engajamento e a visibilidade, transformando o Instagram em um canal robusto para a atração de novos clientes e o fortalecimento da marca do estabelecimento.

Performance do Google Meu Negócio

Paralelamente às ações no Instagram, o estabelecimento implementou uma estratégia orgânica focada no fortalecimento da reputação digital no Google Meu Negócio. No Momento 1, nenhuma ação específica foi realizada nessa plataforma. Contudo, a partir de junho de 2025 (Momento 2), iniciou-se o envio automatizado de mensagens via WhatsApp aos clientes que haviam feito pedidos no dia anterior, solicitando avaliações de sua experiência. Essa iniciativa teve um impacto direto na percepção pública do negócio.

Como resultado dessa estratégia, a nota do estabelecimento no Google evoluiu de 3,9 para 4,5 estrelas. Essa melhoria na reputação digital é um fator crítico, pois estabelecimentos com avaliações mais altas tendem a ser indicados com maior frequência pelos algoritmos das plataformas, aumentando a confiança dos consumidores e favorecendo a intenção de compra (Nonnenmacher, 2023; Opinion Box, 2023). A elevação da nota posicionou o estabelecimento em uma faixa de avaliação associada a maiores taxas de cliques e conversão de novos clientes, conforme indicado por Harmo e Reclame Aqui (2025).

As visualizações mensais do perfil no Google Meu Negócio também apresentaram crescimento consistente. A média mensal de visualizações no Momento 1 (fevereiro a maio) foi de 654, enquanto no Momento 2 (junho a dezembro) essa média subiu para 763, representando um crescimento de 16,6%. O pico de visualizações ocorreu em dezembro de 2025, com 968 acessos. Além disso, os meses de abril (83 solicitações de rotas) e junho (72 solicitações de rotas) registraram os maiores volumes de orientações, sugerindo que a visibilidade digital gerada transbordou para o ambiente físico, estimulando o interesse de consumidores por visitas presenciais. Isso demonstra que a gestão ativa da reputação digital, complementando as campanhas pagas, contribui para a visibilidade orgânica e a credibilidade do negócio a longo prazo (Baesso e Romani-Dias, 2023).

Análise do retorno sobre o investimento

A avaliação do retorno sobre o investimento (ROI) exige uma análise cuidadosa, considerando os diferentes canais e o contexto competitivo. O investimento total em marketing digital no Momento 2, que incluiu o tráfego pago no Meta Ads e os honorários da agência, somou R$ 28.251,13. Em termos de faturamento total do estabelecimento, houve um aumento de R$ 21.833,54 entre os dois períodos, passando de R$ 542.023,68 no Momento 1 para R$ 563.857,22 no Momento 2. Uma análise superficial do ROI, comparando apenas o faturamento total com o investimento, resultaria em um valor negativo de 22,7%, o que poderia sugerir um retorno desfavorável.

Contudo, essa interpretação seria imprecisa, pois não considera a entrada da plataforma 99Food em novembro e dezembro de 2025, que redistribuiu as receitas entre os canais de forma significativa, independentemente das ações de marketing. Ao focar no desempenho do cardápio digital próprio, principal alvo das campanhas de marketing digital, observa-se um cenário mais favorável. O faturamento desse canal cresceu de R$ 167.920,68 no Momento 1 para R$ 206.933,42 no Momento 2, gerando um ganho de R$ 39.012,74. Esse incremento supera o investimento total realizado de R$ 28.251,13, indicando um retorno financeiro positivo quando analisado sob a perspectiva do canal diretamente impactado pelas estratégias.

O volume de pedidos no cardápio digital próprio também refletiu o sucesso das campanhas, crescendo de uma média de 369 pedidos mensais no Momento 1 para 442 no Momento 2, um aumento de 19,8%. O custo médio por pedido gerado nesse canal foi de R$ 10,66. Adicionalmente, o valor médio por pedido evoluiu de R$ 76,35 para R$ 78,10, sugerindo que as campanhas atraíram consumidores com maior propensão a gastos, conforme apontado por Santos (2024). Esses dados demonstram que as estratégias de marketing digital foram eficazes em impulsionar o desempenho do canal próprio, gerando um retorno tangível sobre o investimento.

Apesar dos resultados positivos no canal próprio, a taxa de conversão do cardápio digital próprio apresentou uma queda de 18,8% em julho para 10,7% em dezembro. Essa trajetória coincide diretamente com a entrada da plataforma 99Food no mercado em novembro de 2025, que adotou uma estratégia agressiva de cupons e descontos. Esse fenômeno ilustra o efeito oligopolista do setor, onde o poder de mercado das grandes plataformas pode alterar rapidamente o comportamento do consumidor, limitando os ganhos obtidos com o marketing direto, conforme descrito pela Fundação Getúlio Vargas (2024). Assim, embora o marketing digital tenha fortalecido o canal próprio, a dependência estrutural das plataformas intermediadoras permanece um desafio significativo.

Dependência estrutural das plataformas intermediadoras e mudanças na reputação digital

Os resultados da pesquisa evidenciam que, embora as estratégias de marketing digital tenham fortalecido o canal próprio de vendas do estabelecimento, a dependência estrutural em relação às grandes plataformas intermediadoras persiste como um desafio central. O iFood manteve-se como o canal de maior faturamento durante todo o período, com receitas mensais variando entre R$ 46.907,61 e R$ 91.068,61. O cardápio digital próprio, impulsionado pelas campanhas digitais, apresentou uma trajetória ascendente, partindo de R$ 22.271,05 em janeiro e atingindo o pico de R$ 37.605,57 em setembro.

Contudo, a entrada da plataforma 99Food em novembro de 2025 alterou significativamente a dinâmica competitiva do mercado. A 99Food iniciou suas operações com um faturamento de R$ 19.437,38 em novembro, saltando para R$ 59.626,12 em dezembro. Esse valor superou o faturamento do cardápio digital próprio e se aproximou do iFood no mesmo mês, demonstrando a velocidade com que grandes plataformas podem capturar mercado ao adotar estratégias agressivas de entrada, como a oferta de cupons e descontos. Esse movimento de mercado reforça o caráter oligopolista do setor, onde multinacionais dominam e reduzem o espaço das plataformas próprias, minando o poder de lucro e a determinação de preços dos pequenos negócios (FGV, 2024).

Apesar da redistribuição do faturamento entre os canais, a diversificação proporcionada pela entrada da 99Food gerou ganhos adicionais, compensando perdas em outros canais e ampliando o faturamento total do estabelecimento. Esse fenômeno sublinha que fatores externos, muitas vezes fora do controle do estabelecimento, podem influenciar o comportamento de compra do consumidor, reduzindo a efetividade marginal das ações de marketing direto. Isso sugere que, embora o fortalecimento dos canais próprios seja financeiramente viável, ele não é suficiente para eliminar completamente a influência das plataformas intermediadoras sobre a dinâmica competitiva do setor (Baesso e Romani-Dias, 2023).

Em síntese, as estratégias de marketing digital implementadas produziram resultados positivos e mensuráveis no fortalecimento do canal próprio, com ganhos financeiros que superaram o custo do investimento quando analisados sob a perspectiva desse canal. A combinação de tráfego pago, produção de conteúdo profissional e gestão ativa da reputação digital ampliou a competitividade do estabelecimento e favoreceu a diversificação dos canais de venda. No entanto, o ambiente competitivo do setor de delivery impõe limites estruturais à autonomia comercial dos pequenos negócios, tornando a dependência das plataformas intermediadoras um desafio de difícil superação, mesmo diante de estratégias digitais bem executadas.

4. Conclusão

O presente estudo investigou a influência de estratégias de marketing digital, especialmente aquelas associadas ao tráfego pago, no aumento das vendas em canais próprios de um estabelecimento de delivery de fast food em Salvador. A análise comparativa entre um período sem investimento em mídia paga e outro com campanhas estruturadas de tráfego pago, produção profissional de conteúdo e gestão da reputação digital revelou transformações expressivas. Verificou-se um crescimento de 61,1% na base de seguidores do Instagram, com o alcance médio mensal expandindo 23 vezes e as visitas ao perfil aumentando 178,0%. Paralelamente, a gestão ativa da reputação digital no Google Meu Negócio elevou a nota do estabelecimento de 3,9 para 4,5 estrelas, ampliando a credibilidade e as visualizações do perfil em 16,6%. Em termos financeiros, o faturamento do cardápio digital próprio cresceu 23,2%, superando o investimento total realizado e indicando um retorno financeiro positivo para o canal diretamente impactado. O volume de pedidos nesse canal também aumentou 19,8%, e o valor médio por pedido evoluiu, sugerindo a atração de consumidores com maior propensão a gastos. A principal contribuição prática deste estudo reside na demonstração empírica de que a combinação de tráfego pago, conteúdo profissional e gestão da reputação digital fortalece a presença digital, amplia a competitividade e favorece a diversificação dos canais de venda para pequenos negócios.

Contudo, a pesquisa identificou uma limitação relevante: a entrada de uma nova plataforma intermediadora no mercado, com uma estratégia agressiva de cupons e descontos, provocou uma queda na taxa de conversão do cardápio digital próprio, evidenciando a persistência da dependência estrutural dos pequenos negócios em relação às grandes plataformas. Esse fenômeno demonstra que, mesmo com estratégias digitais bem executadas, o poder de mercado das plataformas intermediadoras pode limitar os ganhos de autonomia comercial. Para estudos futuros, sugere-se ampliar o período de análise, incluir comparações entre diferentes estabelecimentos e avaliar o impacto isolado de cada variável sobre o desempenho financeiro e competitivo de pequenos negócios no mercado de delivery, a fim de aprofundar a compreensão sobre a dinâmica desse setor.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

Ferramentas e técnicas de gestão do tempo utilizadas por técnicos da capacitação profissional rural e promoção social

A gestão do tempo configura-se como um elemento essencial para a melhoria da produtividade e da qualidade das entregas, ao permitir a organização, priorização e execução eficiente das atividades, contribuindo diretamente para o alcance de metas e a otimização dos resultados no contexto profissional e pessoal. Objetivou-se compreender como práticas, ferramentas e técnicas de gestão do tempo, adotadas por instrutores de formação profissional rural e de promoção social, se associaram a dois desfechos centrais: a realização das atividades diárias planejadas e a percepção do impacto dessas práticas no bem-estar e produtividade. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line estruturado, composto por 18 questões, e as análises foram realizadas no ambiente Python com bibliotecas estatísticas. Os resultados revelaram que a elevada formação acadêmica e maturidade profissional não se traduziu em maior eficácia na gestão do tempo. Observou-se amplo conhecimento sobre ferramentas e técnicas, mas sua utilização prática foi limitada e desigual. Ferramentas mais simples e intuitivas, como listas de tarefas, apresentaram maior adesão, enquanto técnicas que exigem transformações comportamentais, como a Técnica Pomodoro, tiveram baixa aplicação. Houve predominância do uso de soluções digitais, com destaque para o Google Agenda. Evidenciou-se uma percepção quase unânime de que a gestão do tempo influencia diretamente a produtividade e o bem-estar. Concluiu-se que a melhoria da gestão do tempo não dependeu exclusivamente da adoção de ferramentas e técnicas, mas, sobretudo, do desenvolvimento de habilidades práticas e comportamentais, aliado a ajustes nas condições de trabalho.

Palavras-chave: 5W2H; Matriz de Eisenhower; Matriz GUT; Multitarefa; Procrastinação.

09 de outubro de 2026

Análise de Correspondência Aplicada a Dados Periciais: Identificação de Padrões Para Melhoria dos Serviços de Atendimento

A necessidade de otimizar recursos e compreender a complexa dinâmica criminal motivou a exploração de dados periciais, frequentemente subutilizados em laudos textuais. Aplicou-se a Análise de Correspondência Múltipla (ACM) em atendimentos periciais na Macrorregião de Bauru, SP. O objetivo foi investigar e identificar padrões de associação entre o tipo de ocorrência, o período do dia, o dia da semana e a localização, visando subsidiar decisões operacionais. Utilizaram-se dados da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC), coletados entre maio de 2023 e janeiro de 2026. A metodologia englobou a limpeza, transformação e categorização das variáveis, além da construção de matrizes de contingência processadas em Python. A análise descritiva inicial revelou que furtos e colisões predominaram no volume total de ocorrências, enquanto crimes violentos, como homicídios, estupros e feminicídios, representaram uma parcela menor, mas demandaram tempos de resposta significativamente maiores. A ACM mapeou visualmente as correlações estruturais, demonstrando associações claras entre crimes noturnos e de finais de semana com regiões específicas. Identificaram-se dois agrupamentos principais: um perfil noturno e de fim de semana, associado a choques, atropelamentos e suicídios, com destaque para Bauru; e um perfil diurno em dias úteis, dominado por furtos e danos à propriedade. Demonstrou-se que o uso de técnicas exploratórias de aprendizado de máquina transformou dados periciais brutos em informações estratégicas vitais, fornecendo subsídios para a alocação eficiente de equipes e fundamentando a elaboração de políticas públicas baseadas em evidências.

Palavras-chave: Crimes violentos; Matriz de contingência; Priorização de serviços; Python; Tempos de resposta.

09 de outubro de 2026

O comportamento das gerações de consumidores digitais de materiais para construção: análise da Geração X

Analisou-se o comportamento da Geração X na compra de materiais para construção, considerando a articulação entre canais digitais e físicos e as percepções de varejistas e indústrias sobre esse processo. O objetivo foi investigar como esse público utiliza os canais digitais e físicos no processo decisório e relacionar os achados às respostas de varejistas e indústrias. Realizou-se uma pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa e interpretação qualitativa, por meio de três questionários aplicados a 37 consumidores, 25 varejistas e 25 representantes da indústria. Os dados de cada grupo foram analisados separadamente e, em seguida, relacionados por eixos temáticos. Os resultados indicaram que os consumidores da Geração X utilizam meios digitais para pesquisa e comparação, mas valorizam a loja física para contato com o produto, confiança e atendimento consultivo. Os varejistas reconheceram a transformação, mas apresentaram diferentes níveis de adaptação, enquanto as indústrias relataram uso heterogêneo de tecnologias e reconheceram seu papel de apoio ao varejo. Concluiu-se que o comportamento da Geração X se caracteriza por uma jornada híbrida, que exige maior integração entre os canais e os agentes da cadeia de materiais para construção.

Palavras-chave: Comportamento do consumidor; Geração X; Jornada de compra híbrida; Transformação digital; Varejo de materiais para construção.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

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