Artigo

30 de setembro de 2026

Estabilidade funcional, motivação e autodesenvolvimento do servidor público municipal: segurança ou estagnação?

Estabilidade Funcional, Motivação e Autodesenvolvimento do Servidor Público Municipal: Segurança ou Estagnação?

Andressa Keissiane Andrade de Souza; Lair Barroso Arraes Rocha Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202602666

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A crescente discussão sobre a eficiência da Administração Pública e o papel da estabilidade funcional justificou a realização do estudo, diante das controvérsias acerca de seus impactos no desempenho e no desenvolvimento dos servidores públicos. O estudo teve como objetivo analisar de que forma a estabilidade influenciou o autodesenvolvimento e o desempenho profissional dos servidores públicos municipais, verificando se atuou como fator de segurança e estímulo ou como elemento de estagnação. Metodologicamente, tratou-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada por meio de revisão de literatura e estudo de caso em uma prefeitura de médio porte, com coleta de dados por entrevistas semiestruturadas com servidores e gestora de recursos humanos. Os dados foram analisados por triangulação entre teoria e evidências empíricas. Os resultados indicaram que a estabilidade exerceu papel relevante como mecanismo de segurança e proteção institucional, favorecendo a autonomia e a continuidade administrativa, mas não se mostrou determinante para o desempenho ou desmotivação dos servidores. Verificou-se que fatores como condições de trabalho, reconhecimento, oportunidades de crescimento e práticas de gestão de pessoas apresentaram maior influência sobre a motivação e o autodesenvolvimento. Observou-se ainda que, apesar de limitações estruturais, os servidores demonstraram comprometimento com suas funções, sendo a desmotivação mais associada a falhas organizacionais do que à estabilidade em si. Concluiu-se que a estabilidade, isoladamente, não compromete a eficiência, sendo necessária a adoção de práticas eficazes de gestão de pessoas para potencializar o desempenho no setor público.

Palavras-chave: Administração pública; desempenho profissional; desenvolvimento profissional; gestão de pessoas; motivação no trabalho.

1. Introdução

O servidor público é definido juridicamente como a pessoa legalmente investida em cargo público, criado por lei, com atribuições, responsabilidades e remuneração próprias, conforme estabelecido pela Lei nº 8.112/1990 (Brasil, 1990). A estabilidade funcional, um instituto restrito aos ocupantes de cargos efetivos após o cumprimento dos requisitos constitucionais, não decorre apenas da aprovação em concurso público, mas da natureza do vínculo funcional estabelecido entre o servidor e a Administração Pública (Machado et al., 2021; D’Avila, 2022).

A estabilidade funcional é uma característica marcante do serviço público brasileiro, originalmente concebida como um mecanismo de proteção ao servidor contra demissões arbitrárias e pressões políticas. Seu propósito é garantir a continuidade e a impessoalidade da administração pública. Contudo, ao mesmo tempo em que oferece segurança e previsibilidade de carreira, a estabilidade pode gerar efeitos colaterais, como a acomodação profissional e a diminuição do engajamento com o autodesenvolvimento (Oliveira et al., 2021). Essa perspectiva, entretanto, pode desconsiderar a complexidade de fatores organizacionais, institucionais e individuais que influenciam o comportamento e o desempenho no setor público, evidenciando a necessidade de análises mais aprofundadas e contextualizadas.

No âmbito do serviço público municipal, esse dilema se torna ainda mais evidente. As prefeituras, por estarem mais próximas da população e possuírem estruturas administrativas menores, enfrentam desafios específicos quanto à gestão de pessoas, especialmente no que se refere à motivação e à capacitação contínua dos servidores (Chiavenato, 2014). A discussão sobre a eficiência da Administração Pública e o papel da estabilidade funcional justifica a realização de estudos que abordem as controvérsias acerca de seus impactos no desempenho e no desenvolvimento dos servidores públicos.

A motivação e o autodesenvolvimento são fatores essenciais para o alcance de um serviço público eficiente, inovador e comprometido com resultados (Bergue, 2019). O autodesenvolvimento, entendido como a busca contínua por aprimoramento pessoal e profissional, depende de estímulos internos e externos que incentivem o servidor a refletir sobre sua atuação, desenvolver novas competências e contribuir de forma mais efetiva para o desempenho organizacional (Silva et al., 2019).

A relevância desta discussão para a gestão pública municipal decorre do fato de que os municípios são responsáveis pela oferta de serviços essenciais, como saúde, educação e assistência social, exigindo servidores qualificados, comprometidos e em constante desenvolvimento. Nesse contexto, compreender de que forma a estabilidade influencia a motivação, o desempenho e o autodesenvolvimento dos servidores torna-se fundamental para o aprimoramento das práticas de gestão de pessoas e, consequentemente, para a elevação da qualidade dos serviços prestados à população. Do ponto de vista prático, tal compreensão pode subsidiar gestores na formulação de estratégias mais eficazes, baseadas não apenas na garantia da estabilidade, mas na valorização profissional, no reconhecimento e na implementação de mecanismos de avaliação e desenvolvimento contínuo.

Apesar da ampla discussão teórica sobre estabilidade e eficiência, observa-se uma lacuna na literatura no que se refere à análise integrada entre estabilidade funcional, motivação e autodesenvolvimento, especialmente no âmbito municipal e a partir de evidências empíricas. Assim, este estudo busca contribuir para o avanço do debate ao propor uma abordagem que considere essas dimensões de forma articulada, ampliando a compreensão sobre os fatores que efetivamente influenciam o desempenho dos servidores públicos.

Diante desse contexto, a presente pesquisa tem como objetivo descrever a percepção dos servidores públicos municipais sobre a relação entre estabilidade funcional, autodesenvolvimento e desempenho profissional, identificando como esses servidores percebem os efeitos da estabilidade sobre sua motivação, desenvolvimento profissional e atuação no trabalho.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, com abordagem qualitativa e caráter aplicado. O propósito central foi alcançar uma compreensão aprofundada sobre a influência da estabilidade funcional no autodesenvolvimento dos servidores públicos municipais. Este delineamento metodológico permitiu explorar o fenômeno em seu contexto real, buscando detalhar as percepções dos participantes sem intervenção direta do pesquisador, conforme a natureza exploratória e descritiva do estudo (Nielsen, Olivo e Morilhas, 2018).

O estudo foi desenvolvido em duas etapas principais. Na primeira, realizou-se uma revisão de literatura abrangente, focada na compreensão teórica dos conceitos centrais de estabilidade funcional, motivação e autodesenvolvimento. Para tanto, analisaram-se livros, artigos científicos, dissertações e teses. Essa etapa inicial foi fundamental para fundamentar o referencial teórico da pesquisa e subsidiar a elaboração dos instrumentos de coleta de dados utilizados na fase subsequente.

Na segunda etapa, conduziu-se a pesquisa de campo, com o objetivo de coletar dados primários. A coleta de dados ocorreu em uma prefeitura localizada em um município de médio porte do estado de São Paulo, de forma presencial. Em atendimento às diretrizes éticas da pesquisa, o nome da instituição não foi divulgado. Foram selecionados uma gestora de Recursos Humanos e cinco servidores públicos municipais efetivos para participar do estudo.

Os critérios de seleção para os servidores públicos incluíram um mínimo de cinco anos de atuação no serviço público, visando assegurar que os participantes possuíssem experiência suficiente para refletir sobre os impactos da estabilidade funcional em suas trajetórias e motivações profissionais. O processo de seleção dos entrevistados utilizou-se de indicações e conveniência da pesquisadora, priorizando a disponibilidade e acessibilidade dos participantes para a realização das entrevistas.

Os participantes incluíram cinco servidores públicos e uma gestora de RH. Entre os servidores, um era do gênero masculino e quatro do feminino, com idades variando de 35 a 53 anos. O tempo de atuação no serviço público desses servidores variou de 7,5 a 33 anos. Os cargos ocupados eram de Agente Administrativo e Auxiliar Administrativo. A gestora de RH, do gênero feminino, possuía 47 anos e 20 anos de atuação como Secretária Municipal.

O instrumento de coleta de dados consistiu em entrevistas semiestruturadas, elaboradas com base nos conceitos identificados na revisão de literatura. Foram desenvolvidos dois roteiros distintos: um para os servidores públicos (Apêndice 1) e outro para a gestora de Recursos Humanos (Apêndice 2). Ambos os roteiros foram organizados em blocos temáticos, abrangendo a trajetória profissional, a percepção sobre estabilidade funcional, a motivação, as oportunidades de desenvolvimento e os desafios enfrentados.

As entrevistas foram realizadas individualmente e de forma presencial, com duração aproximada de 25 a 40 minutos cada. Todas as conversas foram previamente autorizadas pelos participantes, garantindo a voluntariedade da participação. Para assegurar a fidelidade das informações, as entrevistas foram registradas em áudio e, posteriormente, submetidas à transcrição integral, constituindo o corpus de dados para a análise.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de conteúdo, utilizando a técnica de análise temática. Este processo analítico abrangeu as etapas de leitura flutuante, codificação, categorização e interpretação dos dados. O objetivo foi identificar categorias, padrões e relações entre os temas estudados, buscando compreender de que maneira a estabilidade funcional se relaciona com a motivação e o autodesenvolvimento dos servidores municipais.

Para aumentar a confiabilidade dos resultados, realizou-se a triangulação de fontes, confrontando as evidências empíricas coletadas com o referencial teórico estabelecido. Este procedimento visou aprofundar a compreensão contextualizada do fenômeno. Adicionalmente, todos os dados atenderam rigorosamente aos princípios éticos que regem pesquisas com seres humanos, garantindo-se o anonimato, a confidencialidade das informações e a participação dos servidores mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

3. Resultados e Discussão

A presente seção apresenta e analisa os resultados do estudo de caso, fundamentando-se nas percepções dos servidores públicos municipais que participaram da pesquisa. A análise foi desenvolvida de forma articulada com a revisão de literatura, organizada em eixos temáticos, permitindo a triangulação entre os referenciais teóricos, os relatos dos servidores entrevistados e as contribuições da gestora de Recursos Humanos. Esse procedimento possibilitou uma compreensão abrangente do fenômeno investigado, bem como a identificação de convergências e divergências entre a teoria e a realidade empírica observada no contexto da administração pública municipal.

O servidor público e a estabilidade

Historicamente, a estabilidade funcional emergiu no Brasil como uma resposta à instabilidade administrativa e às práticas de clientelismo, apadrinhamento e perseguição política que caracterizaram a gestão pública até o início do século XX. Sua introdução legal, ocorrida em 1915 e posteriormente incorporada à Constituição Federal de 1934, consolidou o modelo burocrático de administração pública. Esse modelo se baseava na impessoalidade, legalidade e profissionalização da burocracia estatal, visando assegurar a continuidade administrativa e a qualidade dos serviços prestados à sociedade (Machado et al., 2021).

A Constituição Federal de 1988 reafirmou a estabilidade como garantia institucional, estabelecendo que o servidor público adquire essa prerrogativa após três anos de efetivo exercício, mediante aprovação em avaliação especial de desempenho. A Emenda Constitucional nº 19/1998 reforçou essa compreensão, condicionando a estabilidade ao desempenho funcional e buscando conciliar a proteção ao servidor com o princípio da eficiência administrativa (Machado et al., 2021).

Do ponto de vista institucional, a estabilidade tem como finalidade central proteger o servidor contra exonerações arbitrárias e interferências políticas, permitindo o exercício das funções públicas com autonomia, imparcialidade e foco no interesse coletivo. Esse instituto contribui para a preservação da memória técnica, da cultura organizacional e da continuidade das políticas públicas, especialmente em contextos de alternâncias governamentais e fragilidades institucionais (Oliveira et al., 2021; Sousa; Macêdo, 2023; D’Avila, 2022).

A gestora de recursos humanos entrevistada reforçou a importância constitucional da estabilidade, destacando seu papel em garantir a impessoalidade, independência, idoneidade, transparência e eficiência no serviço público. Ela defendeu a instituição do servidor público de carreira, afirmando que essa proteção é crucial para a resolução dos problemas e a continuidade dos serviços, e que a terceirização não seria a solução para os desafios da administração pública.

Corroborando a percepção dos autores, todos os servidores entrevistados indicaram que a estabilidade foi um dos maiores atrativos para o ingresso no serviço público. Um dos participantes, por exemplo, mencionou que a busca pela segurança e previsibilidade para o futuro, incluindo a aposentadoria, foi um fator determinante, especialmente em contraste com a instabilidade observada nas empresas privadas.

No entanto, a estabilidade também é alvo de críticas na literatura especializada. Alguns estudos apontam que, uma vez adquirida, essa garantia pode contribuir para comportamentos de acomodação, desmotivação e redução do esforço individual, especialmente na ausência de mecanismos eficazes de avaliação e gestão de desempenho. Autores como Fidelis (2016) e Poletto (2019) associam a estabilidade à baixa produtividade, morosidade administrativa e ineficiência na prestação dos serviços públicos, ressaltando a necessidade de políticas de gestão de pessoas que promovam o engajamento e o desenvolvimento profissional (Oliveira et al., 2020).

Quando questionados se já haviam se deparado com situações em que um servidor deveria ter perdido a estabilidade devido ao baixo desempenho, três dos cinco entrevistados responderam afirmativamente. Um servidor relatou que, muitas vezes, o problema não é a falta de bom desempenho em si, mas o servidor estar alocado em uma função inadequada, sem um processo seletivo de rotação eficaz, o que gera insatisfação e menor rendimento.

Contudo, a maioria dos entrevistados afirmou que a ocorrência de acomodação varia de pessoa para pessoa, dependendo do caráter individual. Um servidor destacou que, em sua experiência, o pessoal com quem trabalhou era comprometido, como em uma empresa privada. A gestora de recursos humanos também reconheceu que a estabilidade pode interferir no comportamento dos servidores, apontando uma diferença na dinâmica de trabalho entre o setor público e a iniciativa privada.

No plano social, a imagem do servidor público é frequentemente associada a estigmas de ineficiência e baixa produtividade, responsabilizando-o por problemas estruturais e organizacionais da Administração Pública (Ferreira et al., 2018). Em contrapartida, os servidores entrevistados relataram sentimentos de segurança, satisfação e tranquilidade associados à estabilidade e às condições oferecidas pela carreira pública. Um participante expressou que a estabilidade proporciona objetivos futuros e segurança financeira, permitindo o planejamento da vida sem a preocupação com o desemprego, diferentemente do regime CLT.

Dessa forma, a estabilidade do servidor público é compreendida como um instrumento jurídico e institucional essencial para a continuidade administrativa, a proteção do interesse público e a profissionalização da burocracia estatal. Contudo, sua efetividade depende da adoção de práticas modernas de gestão pública, capazes de equilibrar a segurança funcional com a exigência de desempenho, eficiência e compromisso com a sociedade, evitando que se torne um fator de estagnação.

Autodesenvolvimento no contexto do serviço público

O autodesenvolvimento no serviço público é entendido como um processo contínuo de aprimoramento das competências, habilidades e atitudes do servidor, impulsionado tanto por iniciativas individuais quanto por mecanismos institucionais de gestão de pessoas. Esse conceito ganha relevância diante das críticas à eficiência da Administração Pública, frequentemente associadas ao regime jurídico dos servidores e às garantias funcionais, especialmente a estabilidade, que, segundo parte da literatura, pode favorecer a acomodação e reduzir o estímulo ao aprimoramento profissional (Sousa; Macêdo, 2023).

A percepção de um dos servidores entrevistados (PE2) sobre a estabilidade foi de que ela proporciona calma para trabalhar, permitindo a execução de um serviço bem feito, sem a correria e a pressão excessiva de uma empresa privada. Para essa servidora, a estabilidade não gerava acomodação, mas sim uma sensação de segurança que favorecia seu desempenho e bem-estar no ambiente de trabalho.

Nesse contexto, a avaliação de desempenho surge como um instrumento crucial para fomentar o autodesenvolvimento do servidor público. Trata-se de um mecanismo que permite mensurar a produtividade, a qualidade do trabalho e a aderência aos princípios da Administração Pública, com destaque para a eficiência. Conforme a Constituição Federal de 1988, a avaliação periódica de desempenho é uma das hipóteses de perda do cargo para o servidor estável, mas sua finalidade principal é fornecer feedback, identificar lacunas de competências e orientar ações de capacitação (Sousa; Macêdo, 2023).

A gestora de recursos humanos corroborou a importância da avaliação de desempenho, especialmente durante o estágio probatório, como uma ferramenta para nortear o servidor e a própria administração sobre o que precisa ser melhorado. Ela ressaltou que, embora exista um arcabouço legal para a exoneração de servidores com baixo desempenho, o processo exige provas materiais e direito de defesa, o que o diferencia da iniciativa privada.

Conforme Oliveira et al. (2020), a rigidez dos mecanismos do regime jurídico pode homogeneizar servidores com diferentes níveis de competência e desempenho, limitando a iniciativa, a criatividade e a inovação. Esse cenário desestimula o aprimoramento contínuo e o reconhecimento do mérito individual. Essa percepção foi confirmada pelos servidores, que apontaram a interferência política e a falta de meritocracia como barreiras, com relatos de “cabides políticos” e valorização por “conhecimento de outras pessoas maiores” em detrimento do mérito.

A gestora de recursos humanos reconheceu a peculiaridade do setor público, onde o “mundo político” pode levar pessoas de fora a assumir posições de liderança, mesmo que não possuam as competências técnicas dos servidores mais experientes. No entanto, ela enfatizou a importância de o servidor buscar proatividade, estudar e se atualizar continuamente, não se limitando apenas às atribuições formais do cargo.

Apesar das limitações e da morosidade, todos os servidores entrevistados relataram ter espaço para serem inovadores e criativos em suas funções. Um servidor (PE1) descreveu o processo como “vagoroso”, mas possível, dependendo de fatores externos como deficiências tecnológicas, autorizações e análises legislativas, indicando que a inovação não depende apenas da iniciativa individual, mas de um arranjo institucional.

Como resposta a essas limitações, a vinculação entre avaliação periódica de desempenho e o princípio da eficiência é apontada como um caminho para estimular o desenvolvimento profissional. Poletto (2019) sugere que a avaliação contínua inibe comportamentos desidiosos e incentiva o comprometimento com resultados. No entanto, os entrevistados, embora reconhecendo o potencial da avaliação para evitar acomodação e melhorar o desempenho, julgaram os processos existentes como um tanto ineficazes.

Motivação e servidores públicos

A motivação no trabalho é um fenômeno complexo, predominantemente intrínseco, relacionado a necessidades, valores, crenças e expectativas individuais. Embora não possa ser imposta externamente, ela é influenciada por condições organizacionais que favorecem o engajamento e a satisfação no desempenho das atividades laborais. Nesse sentido, a motivação resulta da interação dinâmica entre fatores internos ao indivíduo e estímulos externos proporcionados pelo ambiente de trabalho, cabendo às organizações criar condições favoráveis para que esse processo se desenvolva de forma positiva (Machado et al., 2021; Estevão, 2022; Bichett; Vargas, 2021).

A gestora de recursos humanos relatou a dificuldade em encontrar meios de motivar os servidores municipais e converter essa motivação em satisfação no trabalho. Ela mencionou benefícios como reajuste anual, Adicional de Tempo de Serviço (APS), plano de carreira, auxílio-alimentação e plano de saúde, mas observou que os servidores frequentemente atrelam a valorização apenas ao aumento de remuneração, que se dissipa rapidamente. A gestora busca instigar o espírito de que o conhecimento e o desenvolvimento pessoal são fontes de satisfação intrínseca.

Em concordância com Ferreira et al. (2018), todos os entrevistados apontaram a remuneração como o principal fator de sua motivação. Um servidor (PE2) expressou que, em um cenário de alto custo de vida, uma boa remuneração é essencial para ter uma vida digna e tranquila. Essa perspectiva reforça a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg, que distingue fatores higiênicos (como remuneração e estabilidade) que previnem a insatisfação, mas não necessariamente geram motivação duradoura.

Embora muitos servidores relatem realização profissional no exercício de suas funções, a ausência de condições adequadas de trabalho, recursos e equipamentos básicos exige esforços adicionais para manter a qualidade do serviço, gerando sobrecarga, desgaste físico e emocional, com impactos negativos sobre a motivação e o desempenho (Ferreira et al., 2018). Quatro dos cinco servidores expressaram que o ambiente de trabalho, as relações interpessoais e o reconhecimento influenciam diretamente sua motivação.

Um servidor (PE2) exemplificou que um bom relacionamento com os colegas é fundamental para o bem-estar no trabalho, pois a ausência de um ambiente harmonioso pode tornar o dia a dia insatisfatório. A gestora de recursos humanos, embora enfatize a responsabilidade individual sobre o comportamento, reconheceu que um ambiente de trabalho injusto ou mal conduzido pelos gestores pode dificultar a persistência e levar ao desânimo, mesmo para os servidores mais dedicados.

Adicionalmente, três servidores relataram que o trabalho afeta sua saúde mental e causa estresse, sentindo-se muito cobrados sem o devido retorno. Outros três entrevistados afirmaram já ter levado trabalho para casa e utilizado recursos próprios para suas tarefas laborais, evidenciando a sobrecarga e a precariedade das condições de trabalho que contribuem para a desmotivação.

A motivação no serviço público é ainda fortemente impactada por problemas estruturais recorrentes, como restrições orçamentárias, ausência de planejamento estratégico, interferências políticas, práticas clientelistas, escassez tecnológica e sucateamento de equipamentos. Esses fatores comprometem o clima organizacional, a qualidade dos serviços prestados e o bem-estar dos servidores, contribuindo para a desmotivação e o desgaste profissional (Estevão, 2022; D’Avila, 2022).

A gestora de recursos humanos destacou que a implementação de políticas públicas depende de uma série de legislações e esbarra em questões orçamentárias, como o limite legal de responsabilidade fiscal com folha de pagamento. Essa realidade impõe dificuldades para a criação de políticas de gestão de pessoas que poderiam motivar e desenvolver os servidores, exigindo um planejamento muito cuidadoso.

A Teoria dos Dois Fatores de Herzberg distingue os fatores higiênicos, associados à prevenção da insatisfação (como estabilidade, remuneração e condições de trabalho), dos fatores motivacionais, relacionados à satisfação e ao engajamento (como realização, reconhecimento, responsabilidade e crescimento profissional). Evidências empíricas indicam que, embora os fatores higiênicos sejam essenciais para reduzir a insatisfação, eles não são suficientes para promover motivação duradoura, sendo imprescindível o fortalecimento dos fatores intrínsecos ligados ao conteúdo do trabalho (Estevão, 2022; Ferreira et al., 2018; Bichett; Vargas, 2021).

Apesar das limitações estruturais e institucionais, muitos servidores demonstraram elevado comprometimento com suas funções, frequentemente extrapolando suas atribuições formais para assegurar a continuidade e a qualidade dos serviços públicos. Isso indica que a desmotivação decorre mais da ausência de condições adequadas e estímulos institucionais do que da falta de empenho individual (Ferreira et al., 2018). Um servidor (PE3) enfatizou que, independentemente do setor, é preciso entregar o melhor, e que a estabilidade não deve levar à acomodação.

Para aperfeiçoar o desempenho e a motivação, os servidores sugeriram melhorias como a criação de canais para que suas opiniões e sugestões sejam ouvidas, promovendo maior dinamismo e participação (PE1). Outro servidor (PE3) apontou a necessidade de treinamentos, fluxos de trabalho mais claros e transparentes, e a melhoria salarial, embora também tenha ressaltado a responsabilidade individual em buscar aprimoramento e não cair na “zona de conforto”.

A gestora de recursos humanos apontou como boas práticas para uma gestão de pessoas mais estratégica a modernização e o aparelhamento do serviço público com novas tecnologias, que são frequentemente negligenciadas. Ela enfatizou a importância do treinamento e desenvolvimento contínuos, e a necessidade de os gestores compreenderem os processos e as equipes, atuando com empatia para alinhar ferramentas, gestores e servidores em prol de um serviço público eficiente e de qualidade.

Com relação a fortalecer a cultura de aprendizado e melhoria contínua, a gestora de recursos humanos destacou o contínuo investimento no departamento de gestão de pessoas. A intenção é implementar uma plataforma de ensino, similar à ENAP, que ofereça módulos de capacitação para os servidores desde o ingresso, visando fortalecer o desenvolvimento profissional a longo prazo e promover uma cultura de aprendizado contínuo na instituição.

Dessa forma, a motivação do servidor público deve ser compreendida como um fenômeno multidimensional, que envolve fatores individuais, organizacionais e institucionais. A valorização profissional, o reconhecimento, as oportunidades de desenvolvimento, a participação nas decisões e a melhoria das condições de trabalho mostram-se essenciais para promover maior engajamento, satisfação e desempenho. Assim, políticas de gestão de pessoas que integrem estabilidade, mérito, desenvolvimento e reconhecimento tornam-se fundamentais para fortalecer a motivação e a eficiência no serviço público (Machado et al., 2021; Oliveira et al., 2021; Oliveira et al., 2020; D’Avila, 2022; Estevão, 2022; Ferreira et al., 2018 e Bichett; Vargas, 2021).

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a estabilidade funcional exerce um papel relevante como mecanismo de segurança e proteção institucional, favorecendo a autonomia e a continuidade administrativa, e é um fator de atração para o ingresso no serviço público. Contudo, não se mostrou o único ou determinante para o desempenho ou desmotivação dos servidores. Verificou-se que fatores como as condições de trabalho, o reconhecimento, as oportunidades de crescimento e as práticas de gestão de pessoas apresentaram maior influência sobre a motivação e o autodesenvolvimento, sendo a desmotivação mais associada a falhas organizacionais e estruturais do que à estabilidade em si, ressaltando a complexidade multifatorial da relação entre esses elementos.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar a influência da estabilidade funcional no autodesenvolvimento e desempenho profissional de servidores públicos municipais, investigando se operava como fator de segurança e estímulo ou de estagnação. Verificou-se que a estabilidade exerce um papel crucial como mecanismo de segurança e proteção institucional, sendo um atrativo significativo para o ingresso no serviço público e favorecendo a autonomia e a continuidade administrativa. Contudo, os resultados indicaram que a estabilidade, isoladamente, não se mostrou o fator determinante para o desempenho ou a desmotivação dos servidores. Observou-se que a motivação e o autodesenvolvimento são mais fortemente influenciados por condições de trabalho adequadas, reconhecimento, oportunidades de crescimento e práticas eficazes de gestão de pessoas. A desmotivação, por sua vez, foi associada a falhas organizacionais e estruturais, e não à estabilidade em si, evidenciando o comprometimento dos servidores mesmo diante de adversidades. Assim, o estudo contribui ao demonstrar que a estabilidade funcional, embora essencial, não compromete a eficiência quando integrada a uma gestão de pessoas estratégica, que valorize o mérito e o desenvolvimento contínuo.

Apesar dos achados, o estudo reconhece limitações decorrentes do desenho metodológico, como a análise de caso em uma única prefeitura de médio porte, que restringe a generalização dos resultados. A percepção de ineficácia nos processos de avaliação de desempenho e a rigidez dos mecanismos do regime jurídico também foram identificadas como entraves ao autodesenvolvimento e à inovação. Para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas comparativas com amostras mais amplas, abrangendo diferentes municípios, carreiras e níveis de governo. Tal abordagem poderá aprofundar a compreensão das nuances na relação entre estabilidade, motivação e desempenho, permitindo a identificação de padrões e particularidades em diversos contextos organizacionais e institucionais, e consolidando uma cultura de aprendizado e melhoria contínua na administração pública.

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Silva, A. B. da; Bispo, A. C. K. de A.; Ayres, S. M. P. M. 2019. Desenvolvimento de carreiras por competências. ENAP, Brasília, DF, Brasil. (Coleção Gestão Pública). Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/4287/1/11_Livro_Desenvolvimento%20de%20carreiras%20por%20competencias.pdf. Acesso em: 8 ago. 2025.

Sousa, E.A.; Macêdo, A. L. S. 2023. A avaliação periódica de desempenho dos servidores públicos estáveis e a realização do interesse público administrativo. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar. Disponível em: https://recima21.com.br/recima21/article/view/3605/25874. Acesso em: 20 ago. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

Baixa Produção de Conteúdo Gerado Pelo Usuário em Colaborações de Cosméticos nas Plataformas Digitais

Este estudo analisou a relação entre colaborações de marcas, conhecidas como “collabs”, no setor de cosméticos e a produção de conteúdo gerado pelo usuário (UGC) em plataformas digitais. A pesquisa abordou a relevância do tema diante do crescimento do mercado de beleza e da intensificação das estratégias de “co-branding” como ferramenta de diferenciação e inovação. O objetivo principal foi compreender de que forma essas colaborações influenciaram o comportamento do consumidor digital, com foco na criação de UGC e na intenção de compra. Para isso, a metodologia adotada foi exploratória e descritiva, com a aplicação de um questionário online a 493 respondentes da região Sudeste do Brasil. Os dados coletados foram analisados por meio de estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora as “collabs” gerassem engajamento entre os consumidores, a produção de UGC ativo foi baixa, predominando interações passivas como curtidas, salvamentos e reações rápidas. Adicionalmente, as colaborações demonstraram influência limitada na intenção de compra e na disposição a pagar mais pelos produtos. Concluiu-se que, apesar do potencial estratégico das “collabs” para o mercado de cosméticos, sua efetividade dependeu de fatores como a relevância percebida, a identificação com a marca e a presença de estímulos adicionais para a criação de conteúdo pelo usuário.

Palavras-chave: Comportamento online; Co-branding; Engajamento do consumidor; Intenção de compra; Interação digital.

09 de outubro de 2026

Ferramentas e técnicas de gestão do tempo utilizadas por técnicos da capacitação profissional rural e promoção social

A gestão do tempo configura-se como um elemento essencial para a melhoria da produtividade e da qualidade das entregas, ao permitir a organização, priorização e execução eficiente das atividades, contribuindo diretamente para o alcance de metas e a otimização dos resultados no contexto profissional e pessoal. Objetivou-se compreender como práticas, ferramentas e técnicas de gestão do tempo, adotadas por instrutores de formação profissional rural e de promoção social, se associaram a dois desfechos centrais: a realização das atividades diárias planejadas e a percepção do impacto dessas práticas no bem-estar e produtividade. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line estruturado, composto por 18 questões, e as análises foram realizadas no ambiente Python com bibliotecas estatísticas. Os resultados revelaram que a elevada formação acadêmica e maturidade profissional não se traduziu em maior eficácia na gestão do tempo. Observou-se amplo conhecimento sobre ferramentas e técnicas, mas sua utilização prática foi limitada e desigual. Ferramentas mais simples e intuitivas, como listas de tarefas, apresentaram maior adesão, enquanto técnicas que exigem transformações comportamentais, como a Técnica Pomodoro, tiveram baixa aplicação. Houve predominância do uso de soluções digitais, com destaque para o Google Agenda. Evidenciou-se uma percepção quase unânime de que a gestão do tempo influencia diretamente a produtividade e o bem-estar. Concluiu-se que a melhoria da gestão do tempo não dependeu exclusivamente da adoção de ferramentas e técnicas, mas, sobretudo, do desenvolvimento de habilidades práticas e comportamentais, aliado a ajustes nas condições de trabalho.

Palavras-chave: 5W2H; Matriz de Eisenhower; Matriz GUT; Multitarefa; Procrastinação.

09 de outubro de 2026

Análise de Correspondência Aplicada a Dados Periciais: Identificação de Padrões Para Melhoria dos Serviços de Atendimento

A necessidade de otimizar recursos e compreender a complexa dinâmica criminal motivou a exploração de dados periciais, frequentemente subutilizados em laudos textuais. Aplicou-se a Análise de Correspondência Múltipla (ACM) em atendimentos periciais na Macrorregião de Bauru, SP. O objetivo foi investigar e identificar padrões de associação entre o tipo de ocorrência, o período do dia, o dia da semana e a localização, visando subsidiar decisões operacionais. Utilizaram-se dados da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC), coletados entre maio de 2023 e janeiro de 2026. A metodologia englobou a limpeza, transformação e categorização das variáveis, além da construção de matrizes de contingência processadas em Python. A análise descritiva inicial revelou que furtos e colisões predominaram no volume total de ocorrências, enquanto crimes violentos, como homicídios, estupros e feminicídios, representaram uma parcela menor, mas demandaram tempos de resposta significativamente maiores. A ACM mapeou visualmente as correlações estruturais, demonstrando associações claras entre crimes noturnos e de finais de semana com regiões específicas. Identificaram-se dois agrupamentos principais: um perfil noturno e de fim de semana, associado a choques, atropelamentos e suicídios, com destaque para Bauru; e um perfil diurno em dias úteis, dominado por furtos e danos à propriedade. Demonstrou-se que o uso de técnicas exploratórias de aprendizado de máquina transformou dados periciais brutos em informações estratégicas vitais, fornecendo subsídios para a alocação eficiente de equipes e fundamentando a elaboração de políticas públicas baseadas em evidências.

Palavras-chave: Crimes violentos; Matriz de contingência; Priorização de serviços; Python; Tempos de resposta.

09 de outubro de 2026

O comportamento das gerações de consumidores digitais de materiais para construção: análise da Geração X

Analisou-se o comportamento da Geração X na compra de materiais para construção, considerando a articulação entre canais digitais e físicos e as percepções de varejistas e indústrias sobre esse processo. O objetivo foi investigar como esse público utiliza os canais digitais e físicos no processo decisório e relacionar os achados às respostas de varejistas e indústrias. Realizou-se uma pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa e interpretação qualitativa, por meio de três questionários aplicados a 37 consumidores, 25 varejistas e 25 representantes da indústria. Os dados de cada grupo foram analisados separadamente e, em seguida, relacionados por eixos temáticos. Os resultados indicaram que os consumidores da Geração X utilizam meios digitais para pesquisa e comparação, mas valorizam a loja física para contato com o produto, confiança e atendimento consultivo. Os varejistas reconheceram a transformação, mas apresentaram diferentes níveis de adaptação, enquanto as indústrias relataram uso heterogêneo de tecnologias e reconheceram seu papel de apoio ao varejo. Concluiu-se que o comportamento da Geração X se caracteriza por uma jornada híbrida, que exige maior integração entre os canais e os agentes da cadeia de materiais para construção.

Palavras-chave: Comportamento do consumidor; Geração X; Jornada de compra híbrida; Transformação digital; Varejo de materiais para construção.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

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