Artigo

29 de setembro de 2026

Avaliação escolar e o processo avaliativo de alunos com necessidades especiais

Avaliação Escolar e o Processo Avaliativo de Alunos com Necessidades Especiais

Alessandra de Ávila Brandão; Maria Angélica Penatti Pipitone

DOI: 10.22167/2675-6528-202602605

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A avaliação escolar desempenha um papel crucial no processo de ensino-aprendizagem, especialmente na inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais. O estudo objetivou compreender as dificuldades enfrentadas nesse processo avaliativo. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada, com a participação de cinco profissionais da educação, incluindo docentes e coordenadores pedagógicos de uma instituição de ensino fundamental I. Os dados foram coletados por meio de questionários e analisados a partir das experiências relatadas pelos participantes. Os resultados indicaram que a escola já empregava diversas estratégias adaptativas, como avaliações orais e práticas, ampliação do tempo e apoio visual, que contribuíram para a participação e demonstração de aprendizagem dos alunos. Contudo, os profissionais também apontaram desafios significativos, como a necessidade de formação específica, tempo insuficiente para planejamento e carência de suporte institucional. Concluiu-se que, embora haja esforços para a inclusão, a efetividade das práticas avaliativas requer maior organização, planejamento e apoio contínuo da instituição, visando abordagens mais acessíveis, formativas e atentas às singularidades de cada estudante.

Palavras-chave: Acessibilidade; Avaliação formativa; Inclusão escolar; Práticas pedagógicas; Processo de ensino-aprendizagem.

1. Introdução

A avaliação escolar desempenha um papel central no processo de ensino-aprendizagem, pois permite acompanhar o desenvolvimento dos alunos, identificar dificuldades e planejar intervenções pedagógicas. Historicamente, a avaliação esteve ligada à aplicação de provas, atribuição de notas e classificação. Contudo, a compreensão contemporânea da avaliação transcende a mera mensuração de resultados, sendo entendida como um processo contínuo de observação, reflexão e tomada de decisão que visa promover o desenvolvimento do estudante (Luckesi, 2011).

Essa perspectiva adquire relevância ainda maior no contexto da educação inclusiva, que desafia a escola a acolher a singularidade de cada estudante. A inclusão não se restringe à matrícula, mas exige uma reorganização do cotidiano escolar para reconhecer os diferentes ritmos e modos de aprendizagem dos alunos (Mantoan, 2003). Nesse cenário, a diversificação das estratégias de ensino e avaliação torna-se uma necessidade pedagógica.

Apesar dos avanços na legislação e nas discussões sobre inclusão, ainda existe uma lacuna entre o que é preconizado e a realidade das escolas. Professores frequentemente enfrentam desafios ao elaborar ou adaptar avaliações para estudantes com necessidades educacionais especiais. As dificuldades incluem a falta de formação específica, o tempo limitado para planejamento e a carência de apoio técnico, elementos cruciais para que a avaliação seja mediadora e promova o avanço do aluno (Hoffmann, 2014).

As contribuições da neurociência têm ampliado a compreensão sobre a aprendizagem, revelando que ela envolve diversas habilidades cognitivas, como atenção, memória, linguagem e funções executivas. Essa perspectiva auxilia os educadores a entender que os estudantes acessam, organizam e expressam o conhecimento de maneiras singulares (Cosenza e Guerra, 2011). As funções executivas, por exemplo, são fundamentais para a aprendizagem e autorregulação, e dificuldades nessas áreas podem impactar a capacidade do aluno de demonstrar o que sabe (Diamond, 2013). A avaliação neuropsicológica, nesse sentido, pode oferecer insights valiosos sobre o perfil de aprendizagem do estudante, orientando a construção de estratégias de apoio que removam barreiras e promovam a participação efetiva (Conselho Federal de Psicologia, 2022; CAST, 2024).

No entanto, a transposição dos achados da neurociência para a prática pedagógica exige mediação cuidadosa da psicologia e da pedagogia, evitando simplificações e neuromitos. As adaptações devem ser individualizadas, considerando que alunos com o mesmo diagnóstico podem apresentar perfis e necessidades distintas (Thomas, Ansari e Knowland, 2019). É fundamental que a avaliação formativa seja fortalecida, focando não apenas no resultado, mas no percurso de aprendizagem do aluno e nas condições que favorecem sua presença, participação e autonomia.

Diante desse contexto, torna-se relevante investigar as percepções dos profissionais da educação sobre os desafios da avaliação de estudantes com necessidades educacionais especiais, bem como as estratégias já empregadas e as condições necessárias para uma avaliação verdadeiramente inclusiva. Assim, este estudo justifica-se pela necessidade de aprimorar as práticas avaliativas, tornando-as mais acessíveis, formativas e alinhadas às singularidades de cada estudante, e teve como objetivo compreender as dificuldades presentes no processo de avaliação escolar, principalmente quando se trata da inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se por uma abordagem qualitativa e de natureza aplicada, buscando compreender as dificuldades enfrentadas por profissionais da educação no processo de avaliação de estudantes com necessidades educacionais especiais. O estudo foi delineado como um estudo de caso, dada a investigação aprofundada em um contexto específico. Foi realizado em uma instituição privada de ensino fundamental I, localizada no interior do estado de São Paulo, cuja identidade foi preservada, assim como a dos participantes, em conformidade com os princípios éticos da pesquisa.

Participaram do estudo cinco profissionais da educação, especificamente três docentes e dois coordenadores pedagógicos, todos atuantes na instituição investigada. Os participantes foram selecionados por possuírem experiência direta e relevante no acompanhamento e na avaliação de estudantes público-alvo da educação especial. O convite para participação foi estendido a esses profissionais, com a garantia explícita de sigilo e anonimato das informações fornecidas, visando a obtenção de relatos autênticos e detalhados.

A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas principais e complementares. Inicialmente, realizou-se um levantamento bibliográfico abrangente sobre os temas de avaliação escolar e inclusão, com o propósito de fundamentar teoricamente o estudo e contextualizar as discussões. Posteriormente, elaborou-se um questionário estruturado, composto por perguntas tanto objetivas quanto dissertativas, que foram organizadas em eixos temáticos específicos para abordar concepções de avaliação, práticas inclusivas, desafios percebidos e o suporte institucional disponível.

O questionário foi cuidadosamente concebido para explorar as percepções dos profissionais sobre a avaliação da aprendizagem, as estratégias avaliativas adaptadas para alunos com necessidades educacionais especiais, os principais desafios enfrentados no cotidiano escolar e o tipo de apoio institucional recebido. Antes da efetivação da coleta de dados, obteve-se a autorização formal da direção da instituição, formalizada por um Termo de Anuência, assegurando a conformidade ética do estudo e a preservação da identidade de todos os envolvidos, conforme os preceitos da pesquisa acadêmica.

A coleta de dados foi conduzida de forma a garantir a liberdade e a espontaneidade das respostas dos participantes, minimizando qualquer influência externa. Para tanto, os questionários foram distribuídos por um funcionário voluntário da própria instituição, sem a presença direta da pesquisadora durante esse momento. Esse procedimento visou criar um ambiente de confiança, permitindo que os profissionais expressassem suas experiências e percepções de maneira mais livre e autêntica, sem receios de constrangimento.

Para a análise dos dados qualitativos coletados, empregou-se a técnica de análise de conteúdo, seguindo rigorosamente as etapas propostas por Bardin (2011). O processo analítico incluiu a pré-análise do material textual, a exploração detalhada das respostas obtidas nos questionários e a subsequente interpretação dos resultados. A partir dessa análise sistemática e aprofundada, foram organizadas as categorias temáticas que emergiram das experiências e dos relatos dos profissionais da educação, servindo como base para a discussão dos achados.

A metodologia adotada permitiu investigar as percepções e as práticas dos participantes de forma contextualizada, oferecendo um panorama detalhado sobre as estratégias avaliativas empregadas e os desafios enfrentados no contexto da educação inclusiva. Buscou-se, assim, construir uma compreensão aprofundada das condições que permeiam a avaliação de estudantes com necessidades educacionais especiais na instituição estudada, alinhando-se ao objetivo central de compreender as dificuldades nesse processo.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa envolveu cinco profissionais da educação, sendo dois coordenadores pedagógicos e três docentes, todos com experiência direta na avaliação de estudantes público-alvo da educação especial. Essa composição do grupo de participantes permitiu coletar percepções e experiências vivenciadas no cotidiano de uma instituição de ensino fundamental I, localizada no interior do estado de São Paulo, oferecendo uma base empírica sólida para a análise das dificuldades e estratégias no processo avaliativo inclusivo. A compreensão desses profissionais sobre a avaliação escolar revelou-se um ponto de partida crucial para o estudo.

De maneira geral, os participantes demonstraram uma compreensão da avaliação que transcende a mera atribuição de notas ou a aplicação de provas padronizadas. Quatro dos cinco profissionais definiram a avaliação como um processo contínuo de acompanhamento e reflexão sobre a aprendizagem, uma perspectiva alinhada aos preceitos de Luckesi (2011) e Hoffmann (2014), que defendem uma avaliação formativa e mediadora. Essa visão sugere um reconhecimento da complexidade do desenvolvimento do estudante e da necessidade de um olhar mais abrangente sobre seu percurso educativo.

Apesar dessa compreensão teórica, os profissionais relataram dificuldades significativas na implementação prática de uma avaliação verdadeiramente inclusiva. Uma das principais barreiras apontadas por dois participantes foi a necessidade de maior conhecimento técnico para elaborar e adaptar instrumentos avaliativos de forma eficaz. Essa lacuna no saber-fazer pedagógico indica que, mesmo com a intenção de promover a inclusão, a falta de ferramentas e estratégias específicas ainda representa um obstáculo no dia a dia escolar.

No entanto, a instituição já emprega diversas estratégias adaptativas, evidenciando um esforço para atender às necessidades dos estudantes. Foram mencionadas avaliações orais e práticas, ampliação do tempo para a realização das atividades, uso de apoio visual, e a disponibilização de ledor e transcritor. Essas adaptações, conforme um dos participantes, contribuem para a inclusão ao “respeitarem o ritmo e as limitações de cada aluno”, uma abordagem que Souza (2017) corrobora ao enfatizar a importância de instrumentos e metodologias flexíveis.

Os relatos dos profissionais também destacaram que a construção de práticas inclusivas é um processo contínuo e que exige condições adequadas. A falta de tempo para planejamento e a carência de formação específica foram apontadas como desafios persistentes para a preparação de avaliações mais acessíveis. Glat e Estef (2021) reforçam que uma avaliação inclusiva deve considerar o tempo, as formas de comunicação e os apoios necessários para cada aluno, o que sublinha a relevância dessas preocupações manifestadas pelos participantes.

Em relação ao apoio institucional, quatro dos cinco participantes afirmaram que a escola oferece suporte pedagógico com frequência, especialmente em situações mais complexas. Esse dado sugere um movimento de apoio aos professores, que, segundo Nóvoa (1995), é fundamental para o fortalecimento da formação docente ao longo da trajetória profissional, quando a experiência cotidiana encontra respaldo na instituição. Contudo, esse suporte, embora presente, ainda é percebido como insuficiente em algumas áreas.

Mesmo com o suporte existente, os profissionais indicaram a necessidade de recursos técnicos mais diretos, materiais específicos, o fortalecimento das equipes multidisciplinares e mais oportunidades de formação continuada. Essas demandas revelam que, para que as avaliações se tornem mais acessíveis e eficazes, é preciso um investimento contínuo em infraestrutura e capacitação. A avaliação mediadora, como destaca Hoffmann (2014), exige não apenas reflexão e preparo, mas também condições concretas para sua efetivação.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e o Parecer CNE/CEB n° 12/1997 estabelecem que a avaliação deve ser contínua, cumulativa e que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos, focando no progresso do aluno e na orientação de ações de recuperação (BRASIL, 1997). Essa legislação reforça a visão de avaliação como processo e não apenas como medida final, uma perspectiva que os participantes do estudo demonstraram compartilhar, embora enfrentem desafios para aplicá-la plenamente.

A pressão por resultados e as exigências burocráticas do sistema de ensino muitas vezes colocam os professores em uma posição delicada, onde o acompanhamento individualizado pode ficar em segundo plano. Sousa (1998) enfatiza que a avaliação deve considerar o percurso e o contexto de aprendizagem do estudante, e não apenas o resultado final. Essa visão é crucial para que a escola possa construir práticas mais justas e atentas à diversidade, promovendo o desenvolvimento de todos os alunos.

Neurociência e adaptações pedagógicas no cotidiano escolar

As contribuições da neurociência oferecem uma lente valiosa para ampliar a compreensão sobre a aprendizagem, revelando que ela envolve um conjunto complexo de habilidades como atenção, memória, linguagem, percepção, emoção, motivação e funções executivas. Essa perspectiva auxilia os educadores a entender que os estudantes acessam, organizam e expressam o conhecimento de maneiras singulares, o que Cosenza e Guerra (2011) destacam como fundamental para escolhas pedagógicas mais conscientes e coerentes.

As funções executivas, por exemplo, são cruciais para a aprendizagem e autorregulação, conforme ressaltado por Diamond (2013). Dificuldades nessas áreas podem impactar a capacidade do aluno de demonstrar o que sabe, especialmente em tarefas que exigem múltiplas informações simultaneamente, rapidez na resposta, longos períodos de concentração ou planejamento complexo. Compreender esses aspectos permite que a escola vá além do diagnóstico e foque nas condições que favorecem a participação do estudante.

Nesse contexto, a avaliação neuropsicológica, realizada por profissionais habilitados e com métodos cientificamente reconhecidos (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2022), pode oferecer insights valiosos. Ela investiga funções cognitivas, acadêmicas e comportamentais, identificando potencialidades e fragilidades que interferem no desempenho do aluno. Os resultados dessa avaliação, quando traduzidos em perguntas práticas, orientam a construção de estratégias de apoio que removem barreiras sem reduzir as expectativas de aprendizagem.

Na prática, o conhecimento do perfil do estudante pode guiar adaptações específicas. Para dificuldades de memória de trabalho, por exemplo, são indicadas instruções curtas, enunciados objetivos, apresentação de tarefas em etapas, apoio visual e retomadas frequentes. Questões atencionais ou lentidão no processamento podem justificar a redução de estímulos concorrentes, ampliação do tempo, pequenas pausas e organização de tarefas em blocos, conforme as diretrizes do Desenho Universal para a Aprendizagem (CAST, 2024).

Quando a escrita limita a expressão do conhecimento, respostas orais, avaliações práticas, recursos digitais, ledor ou transcritor tornam-se formas legítimas de acesso e expressão. Essas adaptações não visam facilitar o conteúdo ou conceder vantagem, mas sim remover barreiras que impedem o estudante de demonstrar o que aprendeu, mantendo o objetivo pedagógico. Em algumas situações, uma flexibilização curricular planejada com objetivos individualizados pode ser necessária, sempre coerente com o percurso do aluno.

É fundamental, contudo, reconhecer os limites da aplicação direta da neurociência na educação. Thomas, Ansari e Knowland (2019) alertam para a necessidade de mediação da psicologia e da pedagogia, evitando simplificações e neuromitos. Alunos com o mesmo diagnóstico podem apresentar perfis e necessidades distintas, o que exige que as adaptações sejam individualizadas, registradas, acompanhadas e revistas a partir da observação contínua no cotidiano escolar.

A avaliação neuropsicológica e os estudos da neurociência, portanto, fortalecem a avaliação formativa ao direcionar o olhar da escola não apenas para o resultado, mas para o percurso de aprendizagem do aluno. Quando as informações clínicas e científicas se unem à observação atenta do professor, ao planejamento coletivo e ao acompanhamento pedagógico, elas se transformam em apoios concretos. O foco se desloca da dificuldade para as condições que promovem a presença, a participação, a autonomia e uma aprendizagem significativa.

Em síntese, os resultados deste estudo revelaram que, embora os profissionais da educação compreendam a avaliação como um processo contínuo e formativo, a implementação de práticas inclusivas ainda enfrenta desafios significativos, como a necessidade de formação específica, tempo insuficiente para planejamento e carência de suporte institucional. Contudo, a escola já emprega diversas estratégias adaptativas, e a integração dos conhecimentos da neurociência com o apoio pedagógico e institucional pode aprimorar a avaliação, tornando-a mais acessível e atenta às singularidades de cada estudante, respondendo assim ao objetivo de compreender as dificuldades e estratégias no processo avaliativo inclusivo.

4. Conclusão

Este estudo objetivou compreender as dificuldades presentes no processo de avaliação escolar, especialmente no contexto da inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais. Verificou-se que os profissionais da educação participantes, incluindo docentes e coordenadores pedagógicos, demonstraram uma compreensão da avaliação como um processo contínuo de acompanhamento e reflexão sobre a aprendizagem, alinhada aos preceitos da avaliação formativa. Observou-se que a instituição já empregava diversas estratégias adaptativas, como avaliações orais e práticas, ampliação do tempo e apoio visual, que contribuíram para a participação e demonstração de aprendizagem dos alunos. Contudo, identificou-se que a implementação plena de práticas avaliativas inclusivas ainda enfrenta desafios significativos, como a necessidade de formação específica, tempo insuficiente para planejamento e carência de suporte institucional e de recursos técnicos diretos. As contribuições da neurociência foram destacadas como um caminho para aprimorar a compreensão sobre a aprendizagem e guiar adaptações pedagógicas individualizadas, removendo barreiras sem reduzir as expectativas.

A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar a complexidade da avaliação inclusiva e a necessidade de um esforço conjunto da escola para além da boa vontade individual do professor. Embora a pesquisa tenha sido realizada em uma única instituição com um número limitado de participantes, o que restringe a generalização dos achados, ela oferece insights valiosos sobre as percepções e desafios vivenciados no cotidiano escolar. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a investigação sobre a efetividade de programas de formação continuada específicos, a revisão de instrumentos avaliativos e a implementação de maior tempo para planejamento e apoio institucional, incluindo o fortalecimento de equipes multidisciplinares, visando consolidar abordagens mais acessíveis, formativas e atentas às singularidades de cada estudante.

Referências Bibliográficas

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB n° 12/1997. Brasília, DF, 1997.

CAST. CAST Universal Design for Learning Guidelines version 3.0. Lynnfield, MA: CAST, 2024. Disponível em: https://udlguidelines.cast.org. Acesso em: 7 set. 2026.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº 31, de 15 de dezembro de 2022. Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no exercício profissional da psicóloga e do psicólogo e regulamenta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI). Brasília, DF: CFP, 2022. Disponível em: https://satepsi.cfp.org.br/legislacao.cfm. Acesso em: 7 set. 2026.

COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

DIAMOND, Adele. Executive functions. Annual Review of Psychology, San Mateo, v. 64, p. 135-168, 2013. DOI: 10.1146/annurev-psych-113011-143750.

GLAT, R.; ESTEF, S. Avaliação flexibilizada para alunos com necessidades educacionais especiais: uma prática pedagógica inclusiva. Olhar de Professor, Ponta Grossa, v. 24, p. 296- 311, 2021. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/684/68466219096/68466219096.pdf. Acesso em: 10 de novembro 2024.

HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 17. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

NÓVOA, Antônio. Formação de professores e profissão docente: In: NÓVOA, Antônio. (Org.). Os professores e sua formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote/ Instituto de Inovação Educacional, 1995.

SOUSA, Sandra M. Zákia L. Avaliação da aprendizagem: teoria, legislação e prática no cotidiano de escolas de 1º grau. In: CUNHA, Maria Cristina Amoroso A. et al. A construção do projeto de ensino e a avaliação. São Paulo: FDE, 1998. p. 106-114. (Série Ideias, 8).

SOUZA, Ivan Vale de. Avaliação na educação inclusiva: aproximações e distanciamentos. In: CONGRESSO PARAENSE DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, 4., 2017, Marabá. Anais […]. Marabá: UNIFESSPA, 2017. ISSN 2526-3579.

THOMAS, Michael S. C.; ANSARI, Daniel; KNOWLAND, Victoria C. P. Annual Research Review: educational neuroscience: progress and prospects. Journal of Child Psychology and Psychiatry, London, v. 60, n. 4, p. 477-492, 2019. DOI: 10.1111/jcpp.12973.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

13 de outubro de 2026

Preditores de óbitos em idosos com síndrome respiratória aguda grave confirmados por Influenza A(H1N1)pdm09

A infecção pelo vírus influenza A(H1N1)pdm09 pode evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior risco de óbitos em idosos. O objetivo foi analisar fatores preditores de óbito em casos de SRAG confirmados para influenza A(H1N1)pdm09, entre idosos com 60 anos ou mais, considerando fatores individuais e contextuais das Regiões Administrativas (RA) do Estado de São Paulo (ESP), e comparar o desempenho de modelos de regressão. Realizou-se um estudo descritivo e analítico no ESP, de 2023 a 2024, utilizando dados do SIVEP-Gripe e da Fundação SEADE. Incluíram-se 714 casos confirmados por RT-PCR de influenza A(H1N1)pdm09 em residentes do ESP com 60 anos ou mais. Analisaram-se variáveis sociodemográficas, clínicas, de internação, tratamento, vacinação e local de residência. Empregou-se regressão logística binária e hierárquica logística, com o desfecho de evolução para óbito. Dos 714 casos, 202 resultaram em óbito. O modelo final de regressão logística binária associou maior chance de óbito ao sexo masculino, idade avançada, saturação de oxigênio inferior a 95%, internação em UTI e uso de suporte ventilatório invasivo. A presença de tosse e o uso de antiviral foram associados a menor chance de óbito. O modelo hierárquico logístico apresentou desempenho semelhante, com pequena contribuição contextual residual das RA. Concluiu-se que o modelo de regressão logística binária foi suficiente e mais simples para representar os dados, sendo adotado como modelo final.

Palavras-chave: Influenza A(H1N1)pdm09; Modelagem hierárquica logística; Óbito por Influenza A(H1N1)pdm09; Regressão logística; Síndrome Respiratória Aguda Grave.

13 de outubro de 2026

Uma visão geral comparativa das frotas de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia

O transporte rodoviário contribui para aproximadamente 20% das emissões globais de CO2, impulsionando a busca por soluções de mobilidade mais limpas, como veículos elétricos. O objetivo deste estudo foi comparar os mercados de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia, contrastando suas políticas, adoção por consumidores e desenvolvimento de infraestrutura. Empregou-se um desenho de pesquisa descritiva comparativa, analisando dados quantitativos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, European Alternative Fuels Observatory e European Environment Agency para o período de 2015 a 2024, complementados por análise qualitativa de documentos de política. Os resultados revelaram uma divergência estrutural fundamental: o Brasil apresentou crescimento exponencial de 80,7% ao ano (2022-2025), com híbridos compreendendo aproximadamente 66% das vendas e impulsionado por incentivos fiscais que alavancam a bioeconomia do etanol. A União Europeia, por sua vez, mostrou expansão em fase de consolidação a uma taxa anual de 8,35% (2008-2025), com veículos elétricos a bateria superando 40% dos novos registros, impulsionados por mandatos regulatórios vinculativos. A análise de densidade de infraestrutura indicou que a rede pública de carregamento da União Europeia (55,3 pontos por mil veículos de combustível alternativo) era o dobro da brasileira (27,9 pontos por mil veículos eletrificados). A quantificação ambiental confirmou que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil (64 gCO2/kWh) resultou em emissões well-to-wheel substancialmente menores em comparação com a matriz da União Europeia (246 gCO2/kWh). Concluiu-se que o modelo brasileiro, com incentivos fiscais neutros em tecnologia e aproveitamento da infraestrutura de biocombustíveis, pode acelerar a adoção de híbridos em economias emergentes com baixo gasto público. Para mercados maduros, o modelo da União Europeia, com mandatos regulatórios, estabeleceu um mercado dominante de veículos elétricos a bateria, embora com custo fiscal mais elevado.

Palavras-chave: Energia renovável; Mercado; Qualitativo; Quantitativo.

13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade