29 de setembro de 2026
Aplicação da FMEA na gestão de riscos da silvicultura do eucalipto
Aplicação da Fmea na Gestão de Riscos da Silvicultura do Eucalipto
Amanda Castanho Albuquerque; Decio Henrique Franco
DOI: 10.22167/2675-6528-202602633
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A silvicultura do eucalipto envolve um conjunto de atividades que demandam planejamento e controle, em função dos riscos associados ao desenvolvimento da cultura e à execução das operações. O estudo objetivou analisar os principais riscos presentes no processo de silvicultura do eucalipto, utilizando a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) como suporte à identificação, avaliação e priorização de falhas potenciais. A pesquisa desenvolveu-se a partir do mapeamento das etapas do processo produtivo, seguido da identificação dos modos de falha e seus respectivos efeitos. Com base na atribuição dos índices de severidade, ocorrência e detecção, calculou-se o Risk Priority Number (RPN), permitindo classificar os riscos conforme seu grau de criticidade e identificar os pontos mais vulneráveis do sistema. Os resultados possibilitaram uma análise estruturada dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. A partir dessa análise, propuseram-se ações de mitigação voltadas à redução dos riscos identificados e ao aprimoramento dos processos e planos de ações para cada grupo de risco. Concluiu-se que a aplicação da FMEA constitui uma ferramenta eficaz para a gestão de riscos na silvicultura do eucalipto, contribuindo para a tomada de decisão e para o aumento da eficiência das operações florestais.
Palavras-chave: FMEA; Operações florestais; Prioridade de risco; Silvicultura do eucalipto.
1. Introdução
O setor florestal brasileiro possui notável relevância econômica e estratégica, sendo um pilar fundamental para a produção de matéria-prima destinada à indústria de papel e celulose (Tomé, 2021). Este segmento tem demonstrado um crescimento consistente nos últimos anos, com a área de florestas plantadas para fins industriais atingindo 10,52 milhões de hectares em 2024, um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior. Tal expansão é impulsionada pela crescente capacidade produtiva do setor e pela implantação de novas unidades industriais (IBÁ, 2024).
Nesse cenário de expansão, a gestão eficiente de projetos torna-se crucial para planejar, executar e controlar as diversas etapas envolvidas na silvicultura, desde a implantação florestal até a operacionalização industrial. A aplicação de boas práticas, como as propostas pelo Project Management Institute (PMI, 2021), contribui para a previsibilidade, a redução de riscos e a otimização de recursos. Contudo, os projetos florestais estão expostos a incertezas significativas, oriundas de fatores ambientais, operacionais e logísticos, que podem afetar diretamente o desempenho e a produtividade ao longo do ciclo de cultivo. Por isso, a adoção de práticas de manejo florestal planejadas, aliadas a avanços genéticos e aproveitamento de condições climáticas favoráveis, é essencial para mitigar riscos e potencializar resultados (Barbosa, 2023).
Observa-se que, em muitos contextos organizacionais, a gestão de riscos não é conduzida de maneira estruturada, o que resulta em decisões predominantemente reativas e em baixa previsibilidade dos resultados. Questões logísticas relacionadas à garantia do fluxo operacional, como o preparo de solo nas áreas destinadas ao plantio e a realização de colheitas antecipadas, podem comprometer o desempenho das atividades. A qualidade do plantio, por sua vez, exerce influência direta no desenvolvimento da floresta de eucalipto. Adicionalmente, fatores climáticos, como o déficit hídrico durante períodos mais secos, podem intensificar a ocorrência de pragas e doenças, impactando o crescimento e a produtividade das plantas (Borges, 2025; Pereira, 2024). Identifica-se, portanto, uma lacuna na aplicação de métodos sistemáticos para identificar, analisar e priorizar falhas nos processos de plantio, o que limita a capacidade de antecipar problemas e tomar decisões assertivas. A ausência de ferramentas estruturadas de gestão de riscos pode comprometer o controle de variáveis críticas, afetando negativamente a produtividade, os custos e a sustentabilidade do empreendimento florestal (Buschinelli, 2020).
Para preencher essa lacuna, a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) destaca-se como uma metodologia sistemática amplamente utilizada para a identificação, análise e priorização de falhas potenciais em processos. A FMEA permite reconhecer, analisar e mitigar falhas antes que ocorram, contribuindo significativamente para a melhoria da confiabilidade e do desempenho operacional (Oliveira, 2025).
Diante da complexidade e dos desafios inerentes à silvicultura do eucalipto, e da necessidade de uma gestão de riscos mais estruturada e proativa, este estudo justifica-se pela busca por maior eficiência e sustentabilidade no setor. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar e priorizar os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação do FMEA, de modo a identificar os principais modos de falha, suas causas e seus potenciais efeitos ao longo do processo produtivo.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, com o propósito de resolver um problema prático em um contexto organizacional específico. Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, que integrou a análise interpretativa dos processos com a mensuração e a priorização dos riscos. O método empregado foi o estudo de caso, permitindo uma investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos dentro de seu contexto real (Yin, 2015; Guerra, 2024).
A pesquisa foi conduzida em uma empresa do setor florestal, de médio a grande porte, especializada na produção de florestas plantadas para fins industriais. A organização opera com o cultivo de espécies do gênero Eucalyptus, destinadas ao abastecimento de cadeias produtivas. O foco da análise metodológica concentrou-se no processo de silvicultura do eucalipto.
Os dados foram coletados a partir de fontes internas e confidenciais da empresa analisada. Incluíram-se registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e informações complementares obtidas por meio de entrevistas com profissionais envolvidos no processo de silvicultura. A coleta de dados ocorreu no período de janeiro a dezembro de 2025, abrangendo um ciclo anual completo.
A metodologia central do estudo consistiu na aplicação da Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) ao processo de silvicultura. A FMEA foi utilizada como uma ferramenta sistemática para identificar, analisar e priorizar riscos operacionais, permitindo o reconhecimento e a mitigação de falhas potenciais antes de sua ocorrência, visando à melhoria da confiabilidade e do desempenho (Oliveira, 2025).
A aplicação da FMEA seguiu etapas estruturadas. Primeiramente, definiu-se o escopo do processo analisado, delimitando a silvicultura do eucalipto e suas principais etapas operacionais. Em seguida, identificaram-se os modos de falha, levantando riscos potenciais como pragas, doenças, déficit hídrico, formigas, matocompetição, qualidade do plantio, preparo de solo, logística, incêndio, vento e colheita.
Posteriormente, analisaram-se os efeitos das falhas, avaliando as consequências de cada risco sobre o desenvolvimento do povoamento e a produtividade. Concomitantemente, identificaram-se as causas potenciais, determinando os fatores que poderiam originar ou agravar cada falha, considerando aspectos climáticos, operacionais, fitossanitários e de manejo (Buschinelli, 2020).
A atribuição dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D) foi realizada com base em escalas padronizadas de 1 a 10. Esses critérios foram adaptados da literatura e ajustados à realidade do processo de silvicultura, conforme diretrizes do Project Management Institute (PMI, 2021).
Os critérios de avaliação dos índices foram definidos para refletir as particularidades das operações florestais. A Severidade (S) mensurou o grau de impacto de uma falha no sistema produtivo. A Ocorrência (O) estimou a probabilidade de a falha acontecer, e a Detecção (D) representou a capacidade de identificar a falha antes de seus efeitos se manifestarem (Stamatis, 2019).
O Número de Prioridade de Risco (RPN) foi calculado pela multiplicação dos índices de Severidade, Ocorrência e Detecção (RPN = S × O × D). Este cálculo permitiu a mensuração da criticidade de cada modo de falha, fornecendo uma base quantitativa para a priorização dos riscos.
Os riscos foram classificados com base nos valores de RPN, permitindo a hierarquização dos modos de falha conforme sua criticidade. Estabeleceu-se uma categorização em três níveis: riscos baixos (RPN ≤ 100), riscos moderados (101 200), considerados críticos e demandando intervenção imediata (Stamatis, 2019).
Após a priorização, definiram-se ações de mitigação, que consistiram na proposição de medidas preventivas e corretivas. Essas ações visaram à redução da ocorrência, à melhora da detecção e à minimização dos impactos dos riscos identificados. Por fim, realizou-se a reavaliação dos riscos, estimando a redução da criticidade após a implementação das ações recomendadas, quando aplicável.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados, coletados entre janeiro e dezembro de 2025, permitiu uma compreensão aprofundada dos riscos na silvicultura do eucalipto, abrangendo um ciclo anual completo e minimizando distorções sazonais. As informações foram obtidas de fontes internas e confidenciais da empresa, incluindo registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e entrevistas com profissionais do setor. Esse processo sistemático forneceu a base para a identificação dos modos de falha, seus efeitos e causas potenciais, bem como os controles existentes, fundamentando a aplicação da metodologia FMEA e a posterior mensuração dos índices de severidade, ocorrência e detecção, que culminaram no cálculo do Número de Prioridade de Risco (RPN).
Os resultados evidenciaram a identificação de diversos modos de falha associados às atividades silviculturais, organizados em categorias que refletem a complexidade do processo. Entre os riscos ambientais, destacou-se o déficit hídrico, com a ocorrência de estiagem prolongada resultando em redução do crescimento e aumento da mortalidade das plantas. Este achado está em consonância com a literatura, que aponta a disponibilidade hídrica como um fator determinante para a produtividade do eucalipto (Gonçalves, 2013), e reforça a compreensão das consequências dessas limitações no sistema produtivo (Estrada, 2023).
No que tange aos riscos bióticos, foram identificadas falhas como pragas, doenças e formigas. A infestação por insetos, por exemplo, causa desfolha, perda de vigor e redução da produtividade, enquanto a incidência de patógenos fúngicos compromete o desenvolvimento das mudas e gera perdas de produtividade. O ataque de formigas durante o período crítico de implantação pode levar à mortalidade das mudas e prejuízos ao estabelecimento do povoamento. Esses resultados sublinham a importância da sanidade florestal em sistemas intensivos de produção, onde plantios homogêneos podem aumentar a vulnerabilidade a patógenos (Gonçalves, 2013; Guégan, 2023).
Os riscos operacionais também se mostraram relevantes, incluindo falhas na qualidade do plantio, logística e preparo do solo. A execução inadequada do plantio resulta em baixa uniformidade, redução do crescimento e da produtividade. Atrasos operacionais na logística podem causar perda da janela de execução e desorganização do cronograma. O preparo inadequado da área para o plantio pode levar à erosão, assoreamento e limitação do desenvolvimento inicial das mudas. A matocompetição, por sua vez, foi identificada como um modo de falha significativo, onde a competição com plantas daninhas reduz o crescimento e atrasa o desenvolvimento, impactando negativamente a produtividade (Borges, 2025).
Outros riscos identificados, embora com menor frequência ou maior capacidade de detecção, incluem incêndios, vento e colheita. A ocorrência de fogo pode resultar em perda total ou parcial da área plantada, enquanto o tombamento por vento compromete a estabilidade estrutural das árvores, causando perda de madeira e danos ao povoamento. A colheita antecipada, por sua vez, leva à redução do volume obtido e a prejuízos econômicos. A abordagem sistêmica na identificação desses riscos, integrando fatores ambientais, bióticos e operacionais, alinha-se às diretrizes contemporâneas de gestão de riscos (ISO, 2021), reforçando a aderência da análise à realidade do setor florestal.
A aplicação da FMEA permitiu a priorização dos riscos por meio do cálculo do Risk Priority Number (RPN), obtido pela multiplicação dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D). Essa classificação hierarquizou as falhas conforme seu potencial de impacto, direcionando a atenção para os riscos mais críticos. Os resultados revelaram que pragas e logística apresentaram os maiores RPNs, ambos com 240, classificando-os como riscos altos. Doenças fúngicas também se destacaram com um RPN de 210, igualmente categorizado como alto, indicando que fatores biológicos e operacionais exercem influência significativa no desempenho do sistema produtivo, um comportamento alinhado ao panorama do setor florestal (IBÁ, 2024).
A análise dos índices de severidade, ocorrência e detecção demonstrou coerência na atribuição dos valores, refletindo a dinâmica dos riscos na silvicultura. Riscos que combinam impacto elevado com frequência moderada e capacidade intermediária de detecção tendem a apresentar maior criticidade, conforme esperado em aplicações práticas da FMEA (Stamatis, 2020; ISO, 2021). A relevância atribuída às doenças, por exemplo, reforça a importância do manejo fitossanitário, visto que a sanidade florestal é um dos principais fatores limitantes da produtividade, especialmente em sistemas intensivos (Gonçalves, 2013).
Entre os riscos classificados como médios, com RPNs entre 101 e 200, encontram-se o déficit hídrico (175), formigas (168), matocompetição (144), qualidade do plantio (126) e preparo de solo (108). Embora apresentem valores expressivos de severidade e ocorrência, a maior previsibilidade ou controle desses fatores influencia sua priorização. A disponibilidade hídrica é amplamente reconhecida como determinante para o crescimento do eucalipto (Gonçalves, 2013), e a matocompetição interfere no estabelecimento inicial da cultura, reduzindo o desempenho das mudas se não for adequadamente manejada (Borges, 2025).
Os menores valores de RPN, classificando os riscos como baixos (RPN ≤ 100), foram observados para colheita antecipada (98), incêndio (80) e vento (64). Apesar de alguns desses fatores apresentarem elevada severidade potencial, sua menor frequência e maior capacidade de detecção contribuem para sua priorização inferior. Contudo, estudos recentes indicam que a ocorrência de incêndios florestais pode variar significativamente em função de condições climáticas e antrópicas, exigindo monitoramento contínuo (Arruda, 2024). A distribuição dos índices, de forma geral, evidencia consistência interna e aderência à realidade operacional da silvicultura, permitindo a identificação clara das prioridades de intervenção.
Com base na priorização dos riscos, foram propostas ações de mitigação para reduzir a criticidade dos modos de falha identificados. Para pragas, a ação recomendada é intensificar o controle biológico e/ou químico, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo contínuo. Para doenças, sugere-se desenvolver estratégias de melhoramento genético, também sob responsabilidade da pesquisa e monitoramento, com prazo contínuo. Essas medidas de caráter contínuo e estruturante estão alinhadas com práticas consolidadas no manejo florestal, visando a redução da vulnerabilidade dos plantios (Stape, 2020; Gonçalves, 2013).
No âmbito operacional, para o risco de logística, aprimorar o sistema logístico é a ação recomendada, com responsabilidade da logística e prazo de curto prazo. Para a qualidade do plantio, propõe-se implementar padronização e auditoria das operações, sob responsabilidade da silvicultura e prazo de curto prazo. O preparo de solo requer a realização de levantamento topográfico prévio, com responsabilidade da área de preparo de solo e prazo de curto prazo. Essas medidas focam na padronização e aprimoramento dos processos, fundamentais para a produtividade em sistemas florestais (IBÁ, 2024).
Para os riscos ambientais, como déficit hídrico, a recomendação é adotar clones mais resistentes e ajustar o plantio conforme zonas climáticas, sob responsabilidade do meio ambiente e prazo contínuo. Para o vento, sugere-se utilizar clones mais resistentes às condições ambientais e planejar o plantio, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo de planejamento. Essas estratégias adaptativas, baseadas na escolha de materiais genéticos e planejamento do plantio, são reconhecidas como determinantes para o desempenho produtivo em cenários de variabilidade ambiental (Stape, 2020).
Riscos como formigas e incêndio demandam ações imediatas. Para formigas, a intensificação do monitoramento e controle das ocorrências é recomendada, com responsabilidade da silvicultura. Para incêndio, propõe-se ampliar o monitoramento remoto das áreas, sob responsabilidade das operações. A definição de prazos para execução das ações, com medidas imediatas para riscos de resposta rápida e ações estruturais para horizontes de curto e médio prazo, alinha-se aos princípios da gestão de riscos, que consideram a criticidade e a urgência das intervenções (ISO, 2018).
A integração entre planejamento e execução é crucial para riscos operacionais e logísticos, como qualidade do plantio, colheita e logística. Falhas de coordenação entre etapas operacionais aumentam a probabilidade de atrasos e perdas de eficiência, reforçando a necessidade de planejamento integrado e controle de processos (PMI, 2021). A incorporação do monitoramento contínuo, especialmente para riscos como incêndios e pragas, reforça a importância da detecção precoce e da resposta rápida na redução de impactos, contribuindo para maior controle operacional e segurança do sistema produtivo.
A proposta de aprimoramento da gestão de riscos, baseada nos resultados, foca na evolução da abordagem aplicada, integrando análise, priorização e acompanhamento contínuo. Os fatores bióticos (pragas, doenças e formigas) demandam a implantação de manejo integrado de pragas (MIP), monitoramento fitossanitário contínuo, uso de mudas resistentes e controle preventivo de formigas. O cenário projetado inclui redução significativa de danos bióticos, maior sobrevivência inicial e maior uniformidade do povoamento. Essa abordagem reforça a transição de um modelo corretivo para preventivo, essencial para a eficácia da FMEA (Stamatis, 2019).
Para os fatores climáticos (déficit hídrico e vento), as ações recomendadas são o ajuste do calendário de plantio, a seleção de materiais genéticos mais resistentes e o planejamento de áreas menos expostas. O cenário esperado é de maior resiliência climática, redução da mortalidade e maior estabilidade do plantio. Essa estratégia está alinhada à gestão de riscos do PMI (2021), que diferencia riscos internos e externos, indicando que riscos ambientais devem ser tratados por adaptação e redução de impacto, e não pela eliminação da causa.
No manejo de vegetação e solo (matocompetição e preparo de solo), as ações propostas incluem controle integrado de plantas daninhas (químico e mecânico), correção e preparo adequado do solo. O cenário projetado é de melhor desenvolvimento inicial, maior enraizamento e redução da competição inicial. A literatura científica demonstra que a presença de plantas competidoras e falhas no manejo inicial do solo impactam diretamente o crescimento e o desempenho das plantações de eucalipto (Tiburcio, 2023).
Para as operações silviculturais (qualidade do plantio e colheita), a padronização das operações, o treinamento de equipes e o uso de equipamentos adequados são as ações recomendadas, visando maior uniformidade do plantio, redução de perdas e menor impacto operacional. A gestão operacional e logística (logística) requer planejamento logístico integrado, cronogramas operacionais e controle de recursos, resultando em maior eficiência operacional, redução de atrasos e melhor sincronização das atividades. Essas medidas são cruciais para o desempenho do sistema florestal, que não depende de fatores isolados, mas da interação entre variáveis operacionais e ambientais.
O risco de incêndio, classificado como estrutural, exige a implantação de aceiros, monitoramento contínuo e um plano de prevenção e combate a incêndios. O cenário projetado é de redução expressiva do risco de incêndios e maior proteção das áreas produtivas. Incêndios em plantações de eucalipto representam eventos de alto impacto, exigindo estratégias permanentes de prevenção, monitoramento e resposta rápida, pois sua eliminação não é possível, apenas a mitigação e controle contínuo (Galiza, 2021).
Em síntese, a aplicação da FMEA na silvicultura do eucalipto permitiu uma análise estruturada e a priorização dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. As ações de mitigação propostas, alinhadas à literatura e aos princípios de gestão de riscos, demonstram um direcionamento estratégico consistente para a redução da vulnerabilidade do sistema produtivo e o aprimoramento contínuo das operações florestais, reforçando a importância de uma gestão proativa e integrada para a sustentabilidade do setor.
4. Conclusão
O presente estudo analisou e priorizou os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação da metodologia Failure Mode and Effects Analysis (FMEA). Verificou-se a identificação de diversos modos de falha, abrangendo fatores bióticos como pragas, doenças e formigas, operacionais como logística, qualidade do plantio e preparo de solo, e ambientais como o déficit hídrico. Esses riscos foram hierarquizados pelo Número de Prioridade de Risco (RPN), revelando que pragas e logística, ambos com RPN de 240, e doenças fúngicas, com RPN de 210, apresentaram a maior criticidade no processo produtivo. Essa análise estruturada permitiu a proposição de ações de mitigação específicas, alinhadas à natureza de cada risco, visando aprimorar os controles existentes e reduzir a vulnerabilidade do sistema.
A aplicação da FMEA demonstrou ser uma ferramenta eficaz para a gestão proativa de riscos na silvicultura do eucalipto, promovendo uma transição de um modelo corretivo para preventivo. Essa abordagem contribui significativamente para a tomada de decisão estratégica, o aumento da eficiência operacional e a resiliência do sistema produtivo. Contudo, observou-se que riscos de natureza climática, como o déficit hídrico e o vento, e o risco de incêndio possuem caráter estrutural, não sendo passíveis de eliminação, mas exigindo estratégias contínuas de mitigação e adaptação. Para estudos futuros, recomenda-se aprofundar a quantificação dos impactos das ações de mitigação no desempenho produtivo e explorar a interação entre as variáveis de risco, fortalecendo a FMEA como um instrumento de gestão contínua e integrada para a sustentabilidade do setor florestal.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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