Artigo

29 de setembro de 2026

Aplicação da FMEA na gestão de riscos da silvicultura do eucalipto

Aplicação da Fmea na Gestão de Riscos da Silvicultura do Eucalipto

Amanda Castanho Albuquerque; Decio Henrique Franco

DOI: 10.22167/2675-6528-202602633

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A silvicultura do eucalipto envolve um conjunto de atividades que demandam planejamento e controle, em função dos riscos associados ao desenvolvimento da cultura e à execução das operações. O estudo objetivou analisar os principais riscos presentes no processo de silvicultura do eucalipto, utilizando a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) como suporte à identificação, avaliação e priorização de falhas potenciais. A pesquisa desenvolveu-se a partir do mapeamento das etapas do processo produtivo, seguido da identificação dos modos de falha e seus respectivos efeitos. Com base na atribuição dos índices de severidade, ocorrência e detecção, calculou-se o Risk Priority Number (RPN), permitindo classificar os riscos conforme seu grau de criticidade e identificar os pontos mais vulneráveis do sistema. Os resultados possibilitaram uma análise estruturada dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. A partir dessa análise, propuseram-se ações de mitigação voltadas à redução dos riscos identificados e ao aprimoramento dos processos e planos de ações para cada grupo de risco. Concluiu-se que a aplicação da FMEA constitui uma ferramenta eficaz para a gestão de riscos na silvicultura do eucalipto, contribuindo para a tomada de decisão e para o aumento da eficiência das operações florestais.

Palavras-chave: FMEA; Operações florestais; Prioridade de risco; Silvicultura do eucalipto.

1. Introdução

O setor florestal brasileiro possui notável relevância econômica e estratégica, sendo um pilar fundamental para a produção de matéria-prima destinada à indústria de papel e celulose (Tomé, 2021). Este segmento tem demonstrado um crescimento consistente nos últimos anos, com a área de florestas plantadas para fins industriais atingindo 10,52 milhões de hectares em 2024, um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior. Tal expansão é impulsionada pela crescente capacidade produtiva do setor e pela implantação de novas unidades industriais (IBÁ, 2024).

Nesse cenário de expansão, a gestão eficiente de projetos torna-se crucial para planejar, executar e controlar as diversas etapas envolvidas na silvicultura, desde a implantação florestal até a operacionalização industrial. A aplicação de boas práticas, como as propostas pelo Project Management Institute (PMI, 2021), contribui para a previsibilidade, a redução de riscos e a otimização de recursos. Contudo, os projetos florestais estão expostos a incertezas significativas, oriundas de fatores ambientais, operacionais e logísticos, que podem afetar diretamente o desempenho e a produtividade ao longo do ciclo de cultivo. Por isso, a adoção de práticas de manejo florestal planejadas, aliadas a avanços genéticos e aproveitamento de condições climáticas favoráveis, é essencial para mitigar riscos e potencializar resultados (Barbosa, 2023).

Observa-se que, em muitos contextos organizacionais, a gestão de riscos não é conduzida de maneira estruturada, o que resulta em decisões predominantemente reativas e em baixa previsibilidade dos resultados. Questões logísticas relacionadas à garantia do fluxo operacional, como o preparo de solo nas áreas destinadas ao plantio e a realização de colheitas antecipadas, podem comprometer o desempenho das atividades. A qualidade do plantio, por sua vez, exerce influência direta no desenvolvimento da floresta de eucalipto. Adicionalmente, fatores climáticos, como o déficit hídrico durante períodos mais secos, podem intensificar a ocorrência de pragas e doenças, impactando o crescimento e a produtividade das plantas (Borges, 2025; Pereira, 2024). Identifica-se, portanto, uma lacuna na aplicação de métodos sistemáticos para identificar, analisar e priorizar falhas nos processos de plantio, o que limita a capacidade de antecipar problemas e tomar decisões assertivas. A ausência de ferramentas estruturadas de gestão de riscos pode comprometer o controle de variáveis críticas, afetando negativamente a produtividade, os custos e a sustentabilidade do empreendimento florestal (Buschinelli, 2020).

Para preencher essa lacuna, a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) destaca-se como uma metodologia sistemática amplamente utilizada para a identificação, análise e priorização de falhas potenciais em processos. A FMEA permite reconhecer, analisar e mitigar falhas antes que ocorram, contribuindo significativamente para a melhoria da confiabilidade e do desempenho operacional (Oliveira, 2025).

Diante da complexidade e dos desafios inerentes à silvicultura do eucalipto, e da necessidade de uma gestão de riscos mais estruturada e proativa, este estudo justifica-se pela busca por maior eficiência e sustentabilidade no setor. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar e priorizar os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação do FMEA, de modo a identificar os principais modos de falha, suas causas e seus potenciais efeitos ao longo do processo produtivo.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, com o propósito de resolver um problema prático em um contexto organizacional específico. Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, que integrou a análise interpretativa dos processos com a mensuração e a priorização dos riscos. O método empregado foi o estudo de caso, permitindo uma investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos dentro de seu contexto real (Yin, 2015; Guerra, 2024).

A pesquisa foi conduzida em uma empresa do setor florestal, de médio a grande porte, especializada na produção de florestas plantadas para fins industriais. A organização opera com o cultivo de espécies do gênero Eucalyptus, destinadas ao abastecimento de cadeias produtivas. O foco da análise metodológica concentrou-se no processo de silvicultura do eucalipto.

Os dados foram coletados a partir de fontes internas e confidenciais da empresa analisada. Incluíram-se registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e informações complementares obtidas por meio de entrevistas com profissionais envolvidos no processo de silvicultura. A coleta de dados ocorreu no período de janeiro a dezembro de 2025, abrangendo um ciclo anual completo.

A metodologia central do estudo consistiu na aplicação da Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) ao processo de silvicultura. A FMEA foi utilizada como uma ferramenta sistemática para identificar, analisar e priorizar riscos operacionais, permitindo o reconhecimento e a mitigação de falhas potenciais antes de sua ocorrência, visando à melhoria da confiabilidade e do desempenho (Oliveira, 2025).

A aplicação da FMEA seguiu etapas estruturadas. Primeiramente, definiu-se o escopo do processo analisado, delimitando a silvicultura do eucalipto e suas principais etapas operacionais. Em seguida, identificaram-se os modos de falha, levantando riscos potenciais como pragas, doenças, déficit hídrico, formigas, matocompetição, qualidade do plantio, preparo de solo, logística, incêndio, vento e colheita.

Posteriormente, analisaram-se os efeitos das falhas, avaliando as consequências de cada risco sobre o desenvolvimento do povoamento e a produtividade. Concomitantemente, identificaram-se as causas potenciais, determinando os fatores que poderiam originar ou agravar cada falha, considerando aspectos climáticos, operacionais, fitossanitários e de manejo (Buschinelli, 2020).

A atribuição dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D) foi realizada com base em escalas padronizadas de 1 a 10. Esses critérios foram adaptados da literatura e ajustados à realidade do processo de silvicultura, conforme diretrizes do Project Management Institute (PMI, 2021).

Os critérios de avaliação dos índices foram definidos para refletir as particularidades das operações florestais. A Severidade (S) mensurou o grau de impacto de uma falha no sistema produtivo. A Ocorrência (O) estimou a probabilidade de a falha acontecer, e a Detecção (D) representou a capacidade de identificar a falha antes de seus efeitos se manifestarem (Stamatis, 2019).

O Número de Prioridade de Risco (RPN) foi calculado pela multiplicação dos índices de Severidade, Ocorrência e Detecção (RPN = S × O × D). Este cálculo permitiu a mensuração da criticidade de cada modo de falha, fornecendo uma base quantitativa para a priorização dos riscos.

Os riscos foram classificados com base nos valores de RPN, permitindo a hierarquização dos modos de falha conforme sua criticidade. Estabeleceu-se uma categorização em três níveis: riscos baixos (RPN ≤ 100), riscos moderados (101 200), considerados críticos e demandando intervenção imediata (Stamatis, 2019).

Após a priorização, definiram-se ações de mitigação, que consistiram na proposição de medidas preventivas e corretivas. Essas ações visaram à redução da ocorrência, à melhora da detecção e à minimização dos impactos dos riscos identificados. Por fim, realizou-se a reavaliação dos riscos, estimando a redução da criticidade após a implementação das ações recomendadas, quando aplicável.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados, coletados entre janeiro e dezembro de 2025, permitiu uma compreensão aprofundada dos riscos na silvicultura do eucalipto, abrangendo um ciclo anual completo e minimizando distorções sazonais. As informações foram obtidas de fontes internas e confidenciais da empresa, incluindo registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e entrevistas com profissionais do setor. Esse processo sistemático forneceu a base para a identificação dos modos de falha, seus efeitos e causas potenciais, bem como os controles existentes, fundamentando a aplicação da metodologia FMEA e a posterior mensuração dos índices de severidade, ocorrência e detecção, que culminaram no cálculo do Número de Prioridade de Risco (RPN).

Os resultados evidenciaram a identificação de diversos modos de falha associados às atividades silviculturais, organizados em categorias que refletem a complexidade do processo. Entre os riscos ambientais, destacou-se o déficit hídrico, com a ocorrência de estiagem prolongada resultando em redução do crescimento e aumento da mortalidade das plantas. Este achado está em consonância com a literatura, que aponta a disponibilidade hídrica como um fator determinante para a produtividade do eucalipto (Gonçalves, 2013), e reforça a compreensão das consequências dessas limitações no sistema produtivo (Estrada, 2023).

No que tange aos riscos bióticos, foram identificadas falhas como pragas, doenças e formigas. A infestação por insetos, por exemplo, causa desfolha, perda de vigor e redução da produtividade, enquanto a incidência de patógenos fúngicos compromete o desenvolvimento das mudas e gera perdas de produtividade. O ataque de formigas durante o período crítico de implantação pode levar à mortalidade das mudas e prejuízos ao estabelecimento do povoamento. Esses resultados sublinham a importância da sanidade florestal em sistemas intensivos de produção, onde plantios homogêneos podem aumentar a vulnerabilidade a patógenos (Gonçalves, 2013; Guégan, 2023).

Os riscos operacionais também se mostraram relevantes, incluindo falhas na qualidade do plantio, logística e preparo do solo. A execução inadequada do plantio resulta em baixa uniformidade, redução do crescimento e da produtividade. Atrasos operacionais na logística podem causar perda da janela de execução e desorganização do cronograma. O preparo inadequado da área para o plantio pode levar à erosão, assoreamento e limitação do desenvolvimento inicial das mudas. A matocompetição, por sua vez, foi identificada como um modo de falha significativo, onde a competição com plantas daninhas reduz o crescimento e atrasa o desenvolvimento, impactando negativamente a produtividade (Borges, 2025).

Outros riscos identificados, embora com menor frequência ou maior capacidade de detecção, incluem incêndios, vento e colheita. A ocorrência de fogo pode resultar em perda total ou parcial da área plantada, enquanto o tombamento por vento compromete a estabilidade estrutural das árvores, causando perda de madeira e danos ao povoamento. A colheita antecipada, por sua vez, leva à redução do volume obtido e a prejuízos econômicos. A abordagem sistêmica na identificação desses riscos, integrando fatores ambientais, bióticos e operacionais, alinha-se às diretrizes contemporâneas de gestão de riscos (ISO, 2021), reforçando a aderência da análise à realidade do setor florestal.

A aplicação da FMEA permitiu a priorização dos riscos por meio do cálculo do Risk Priority Number (RPN), obtido pela multiplicação dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D). Essa classificação hierarquizou as falhas conforme seu potencial de impacto, direcionando a atenção para os riscos mais críticos. Os resultados revelaram que pragas e logística apresentaram os maiores RPNs, ambos com 240, classificando-os como riscos altos. Doenças fúngicas também se destacaram com um RPN de 210, igualmente categorizado como alto, indicando que fatores biológicos e operacionais exercem influência significativa no desempenho do sistema produtivo, um comportamento alinhado ao panorama do setor florestal (IBÁ, 2024).

A análise dos índices de severidade, ocorrência e detecção demonstrou coerência na atribuição dos valores, refletindo a dinâmica dos riscos na silvicultura. Riscos que combinam impacto elevado com frequência moderada e capacidade intermediária de detecção tendem a apresentar maior criticidade, conforme esperado em aplicações práticas da FMEA (Stamatis, 2020; ISO, 2021). A relevância atribuída às doenças, por exemplo, reforça a importância do manejo fitossanitário, visto que a sanidade florestal é um dos principais fatores limitantes da produtividade, especialmente em sistemas intensivos (Gonçalves, 2013).

Entre os riscos classificados como médios, com RPNs entre 101 e 200, encontram-se o déficit hídrico (175), formigas (168), matocompetição (144), qualidade do plantio (126) e preparo de solo (108). Embora apresentem valores expressivos de severidade e ocorrência, a maior previsibilidade ou controle desses fatores influencia sua priorização. A disponibilidade hídrica é amplamente reconhecida como determinante para o crescimento do eucalipto (Gonçalves, 2013), e a matocompetição interfere no estabelecimento inicial da cultura, reduzindo o desempenho das mudas se não for adequadamente manejada (Borges, 2025).

Os menores valores de RPN, classificando os riscos como baixos (RPN ≤ 100), foram observados para colheita antecipada (98), incêndio (80) e vento (64). Apesar de alguns desses fatores apresentarem elevada severidade potencial, sua menor frequência e maior capacidade de detecção contribuem para sua priorização inferior. Contudo, estudos recentes indicam que a ocorrência de incêndios florestais pode variar significativamente em função de condições climáticas e antrópicas, exigindo monitoramento contínuo (Arruda, 2024). A distribuição dos índices, de forma geral, evidencia consistência interna e aderência à realidade operacional da silvicultura, permitindo a identificação clara das prioridades de intervenção.

Com base na priorização dos riscos, foram propostas ações de mitigação para reduzir a criticidade dos modos de falha identificados. Para pragas, a ação recomendada é intensificar o controle biológico e/ou químico, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo contínuo. Para doenças, sugere-se desenvolver estratégias de melhoramento genético, também sob responsabilidade da pesquisa e monitoramento, com prazo contínuo. Essas medidas de caráter contínuo e estruturante estão alinhadas com práticas consolidadas no manejo florestal, visando a redução da vulnerabilidade dos plantios (Stape, 2020; Gonçalves, 2013).

No âmbito operacional, para o risco de logística, aprimorar o sistema logístico é a ação recomendada, com responsabilidade da logística e prazo de curto prazo. Para a qualidade do plantio, propõe-se implementar padronização e auditoria das operações, sob responsabilidade da silvicultura e prazo de curto prazo. O preparo de solo requer a realização de levantamento topográfico prévio, com responsabilidade da área de preparo de solo e prazo de curto prazo. Essas medidas focam na padronização e aprimoramento dos processos, fundamentais para a produtividade em sistemas florestais (IBÁ, 2024).

Para os riscos ambientais, como déficit hídrico, a recomendação é adotar clones mais resistentes e ajustar o plantio conforme zonas climáticas, sob responsabilidade do meio ambiente e prazo contínuo. Para o vento, sugere-se utilizar clones mais resistentes às condições ambientais e planejar o plantio, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo de planejamento. Essas estratégias adaptativas, baseadas na escolha de materiais genéticos e planejamento do plantio, são reconhecidas como determinantes para o desempenho produtivo em cenários de variabilidade ambiental (Stape, 2020).

Riscos como formigas e incêndio demandam ações imediatas. Para formigas, a intensificação do monitoramento e controle das ocorrências é recomendada, com responsabilidade da silvicultura. Para incêndio, propõe-se ampliar o monitoramento remoto das áreas, sob responsabilidade das operações. A definição de prazos para execução das ações, com medidas imediatas para riscos de resposta rápida e ações estruturais para horizontes de curto e médio prazo, alinha-se aos princípios da gestão de riscos, que consideram a criticidade e a urgência das intervenções (ISO, 2018).

A integração entre planejamento e execução é crucial para riscos operacionais e logísticos, como qualidade do plantio, colheita e logística. Falhas de coordenação entre etapas operacionais aumentam a probabilidade de atrasos e perdas de eficiência, reforçando a necessidade de planejamento integrado e controle de processos (PMI, 2021). A incorporação do monitoramento contínuo, especialmente para riscos como incêndios e pragas, reforça a importância da detecção precoce e da resposta rápida na redução de impactos, contribuindo para maior controle operacional e segurança do sistema produtivo.

A proposta de aprimoramento da gestão de riscos, baseada nos resultados, foca na evolução da abordagem aplicada, integrando análise, priorização e acompanhamento contínuo. Os fatores bióticos (pragas, doenças e formigas) demandam a implantação de manejo integrado de pragas (MIP), monitoramento fitossanitário contínuo, uso de mudas resistentes e controle preventivo de formigas. O cenário projetado inclui redução significativa de danos bióticos, maior sobrevivência inicial e maior uniformidade do povoamento. Essa abordagem reforça a transição de um modelo corretivo para preventivo, essencial para a eficácia da FMEA (Stamatis, 2019).

Para os fatores climáticos (déficit hídrico e vento), as ações recomendadas são o ajuste do calendário de plantio, a seleção de materiais genéticos mais resistentes e o planejamento de áreas menos expostas. O cenário esperado é de maior resiliência climática, redução da mortalidade e maior estabilidade do plantio. Essa estratégia está alinhada à gestão de riscos do PMI (2021), que diferencia riscos internos e externos, indicando que riscos ambientais devem ser tratados por adaptação e redução de impacto, e não pela eliminação da causa.

No manejo de vegetação e solo (matocompetição e preparo de solo), as ações propostas incluem controle integrado de plantas daninhas (químico e mecânico), correção e preparo adequado do solo. O cenário projetado é de melhor desenvolvimento inicial, maior enraizamento e redução da competição inicial. A literatura científica demonstra que a presença de plantas competidoras e falhas no manejo inicial do solo impactam diretamente o crescimento e o desempenho das plantações de eucalipto (Tiburcio, 2023).

Para as operações silviculturais (qualidade do plantio e colheita), a padronização das operações, o treinamento de equipes e o uso de equipamentos adequados são as ações recomendadas, visando maior uniformidade do plantio, redução de perdas e menor impacto operacional. A gestão operacional e logística (logística) requer planejamento logístico integrado, cronogramas operacionais e controle de recursos, resultando em maior eficiência operacional, redução de atrasos e melhor sincronização das atividades. Essas medidas são cruciais para o desempenho do sistema florestal, que não depende de fatores isolados, mas da interação entre variáveis operacionais e ambientais.

O risco de incêndio, classificado como estrutural, exige a implantação de aceiros, monitoramento contínuo e um plano de prevenção e combate a incêndios. O cenário projetado é de redução expressiva do risco de incêndios e maior proteção das áreas produtivas. Incêndios em plantações de eucalipto representam eventos de alto impacto, exigindo estratégias permanentes de prevenção, monitoramento e resposta rápida, pois sua eliminação não é possível, apenas a mitigação e controle contínuo (Galiza, 2021).

Em síntese, a aplicação da FMEA na silvicultura do eucalipto permitiu uma análise estruturada e a priorização dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. As ações de mitigação propostas, alinhadas à literatura e aos princípios de gestão de riscos, demonstram um direcionamento estratégico consistente para a redução da vulnerabilidade do sistema produtivo e o aprimoramento contínuo das operações florestais, reforçando a importância de uma gestão proativa e integrada para a sustentabilidade do setor.

4. Conclusão

O presente estudo analisou e priorizou os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação da metodologia Failure Mode and Effects Analysis (FMEA). Verificou-se a identificação de diversos modos de falha, abrangendo fatores bióticos como pragas, doenças e formigas, operacionais como logística, qualidade do plantio e preparo de solo, e ambientais como o déficit hídrico. Esses riscos foram hierarquizados pelo Número de Prioridade de Risco (RPN), revelando que pragas e logística, ambos com RPN de 240, e doenças fúngicas, com RPN de 210, apresentaram a maior criticidade no processo produtivo. Essa análise estruturada permitiu a proposição de ações de mitigação específicas, alinhadas à natureza de cada risco, visando aprimorar os controles existentes e reduzir a vulnerabilidade do sistema.

A aplicação da FMEA demonstrou ser uma ferramenta eficaz para a gestão proativa de riscos na silvicultura do eucalipto, promovendo uma transição de um modelo corretivo para preventivo. Essa abordagem contribui significativamente para a tomada de decisão estratégica, o aumento da eficiência operacional e a resiliência do sistema produtivo. Contudo, observou-se que riscos de natureza climática, como o déficit hídrico e o vento, e o risco de incêndio possuem caráter estrutural, não sendo passíveis de eliminação, mas exigindo estratégias contínuas de mitigação e adaptação. Para estudos futuros, recomenda-se aprofundar a quantificação dos impactos das ações de mitigação no desempenho produtivo e explorar a interação entre as variáveis de risco, fortalecendo a FMEA como um instrumento de gestão contínua e integrada para a sustentabilidade do setor florestal.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

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