Artigo

29 de setembro de 2026

Aplicação da FMEA na gestão de riscos da silvicultura do eucalipto

Aplicação da Fmea na Gestão de Riscos da Silvicultura do Eucalipto

Amanda Castanho Albuquerque; Decio Henrique Franco

DOI: 10.22167/2675-6528-202602633

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A silvicultura do eucalipto envolve um conjunto de atividades que demandam planejamento e controle, em função dos riscos associados ao desenvolvimento da cultura e à execução das operações. O estudo objetivou analisar os principais riscos presentes no processo de silvicultura do eucalipto, utilizando a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) como suporte à identificação, avaliação e priorização de falhas potenciais. A pesquisa desenvolveu-se a partir do mapeamento das etapas do processo produtivo, seguido da identificação dos modos de falha e seus respectivos efeitos. Com base na atribuição dos índices de severidade, ocorrência e detecção, calculou-se o Risk Priority Number (RPN), permitindo classificar os riscos conforme seu grau de criticidade e identificar os pontos mais vulneráveis do sistema. Os resultados possibilitaram uma análise estruturada dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. A partir dessa análise, propuseram-se ações de mitigação voltadas à redução dos riscos identificados e ao aprimoramento dos processos e planos de ações para cada grupo de risco. Concluiu-se que a aplicação da FMEA constitui uma ferramenta eficaz para a gestão de riscos na silvicultura do eucalipto, contribuindo para a tomada de decisão e para o aumento da eficiência das operações florestais.

Palavras-chave: FMEA; Operações florestais; Prioridade de risco; Silvicultura do eucalipto.

1. Introdução

O setor florestal brasileiro possui notável relevância econômica e estratégica, sendo um pilar fundamental para a produção de matéria-prima destinada à indústria de papel e celulose (Tomé, 2021). Este segmento tem demonstrado um crescimento consistente nos últimos anos, com a área de florestas plantadas para fins industriais atingindo 10,52 milhões de hectares em 2024, um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior. Tal expansão é impulsionada pela crescente capacidade produtiva do setor e pela implantação de novas unidades industriais (IBÁ, 2024).

Nesse cenário de expansão, a gestão eficiente de projetos torna-se crucial para planejar, executar e controlar as diversas etapas envolvidas na silvicultura, desde a implantação florestal até a operacionalização industrial. A aplicação de boas práticas, como as propostas pelo Project Management Institute (PMI, 2021), contribui para a previsibilidade, a redução de riscos e a otimização de recursos. Contudo, os projetos florestais estão expostos a incertezas significativas, oriundas de fatores ambientais, operacionais e logísticos, que podem afetar diretamente o desempenho e a produtividade ao longo do ciclo de cultivo. Por isso, a adoção de práticas de manejo florestal planejadas, aliadas a avanços genéticos e aproveitamento de condições climáticas favoráveis, é essencial para mitigar riscos e potencializar resultados (Barbosa, 2023).

Observa-se que, em muitos contextos organizacionais, a gestão de riscos não é conduzida de maneira estruturada, o que resulta em decisões predominantemente reativas e em baixa previsibilidade dos resultados. Questões logísticas relacionadas à garantia do fluxo operacional, como o preparo de solo nas áreas destinadas ao plantio e a realização de colheitas antecipadas, podem comprometer o desempenho das atividades. A qualidade do plantio, por sua vez, exerce influência direta no desenvolvimento da floresta de eucalipto. Adicionalmente, fatores climáticos, como o déficit hídrico durante períodos mais secos, podem intensificar a ocorrência de pragas e doenças, impactando o crescimento e a produtividade das plantas (Borges, 2025; Pereira, 2024). Identifica-se, portanto, uma lacuna na aplicação de métodos sistemáticos para identificar, analisar e priorizar falhas nos processos de plantio, o que limita a capacidade de antecipar problemas e tomar decisões assertivas. A ausência de ferramentas estruturadas de gestão de riscos pode comprometer o controle de variáveis críticas, afetando negativamente a produtividade, os custos e a sustentabilidade do empreendimento florestal (Buschinelli, 2020).

Para preencher essa lacuna, a ferramenta Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) destaca-se como uma metodologia sistemática amplamente utilizada para a identificação, análise e priorização de falhas potenciais em processos. A FMEA permite reconhecer, analisar e mitigar falhas antes que ocorram, contribuindo significativamente para a melhoria da confiabilidade e do desempenho operacional (Oliveira, 2025).

Diante da complexidade e dos desafios inerentes à silvicultura do eucalipto, e da necessidade de uma gestão de riscos mais estruturada e proativa, este estudo justifica-se pela busca por maior eficiência e sustentabilidade no setor. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar e priorizar os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação do FMEA, de modo a identificar os principais modos de falha, suas causas e seus potenciais efeitos ao longo do processo produtivo.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, com o propósito de resolver um problema prático em um contexto organizacional específico. Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, que integrou a análise interpretativa dos processos com a mensuração e a priorização dos riscos. O método empregado foi o estudo de caso, permitindo uma investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos dentro de seu contexto real (Yin, 2015; Guerra, 2024).

A pesquisa foi conduzida em uma empresa do setor florestal, de médio a grande porte, especializada na produção de florestas plantadas para fins industriais. A organização opera com o cultivo de espécies do gênero Eucalyptus, destinadas ao abastecimento de cadeias produtivas. O foco da análise metodológica concentrou-se no processo de silvicultura do eucalipto.

Os dados foram coletados a partir de fontes internas e confidenciais da empresa analisada. Incluíram-se registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e informações complementares obtidas por meio de entrevistas com profissionais envolvidos no processo de silvicultura. A coleta de dados ocorreu no período de janeiro a dezembro de 2025, abrangendo um ciclo anual completo.

A metodologia central do estudo consistiu na aplicação da Failure Mode and Effects Analysis (FMEA) ao processo de silvicultura. A FMEA foi utilizada como uma ferramenta sistemática para identificar, analisar e priorizar riscos operacionais, permitindo o reconhecimento e a mitigação de falhas potenciais antes de sua ocorrência, visando à melhoria da confiabilidade e do desempenho (Oliveira, 2025).

A aplicação da FMEA seguiu etapas estruturadas. Primeiramente, definiu-se o escopo do processo analisado, delimitando a silvicultura do eucalipto e suas principais etapas operacionais. Em seguida, identificaram-se os modos de falha, levantando riscos potenciais como pragas, doenças, déficit hídrico, formigas, matocompetição, qualidade do plantio, preparo de solo, logística, incêndio, vento e colheita.

Posteriormente, analisaram-se os efeitos das falhas, avaliando as consequências de cada risco sobre o desenvolvimento do povoamento e a produtividade. Concomitantemente, identificaram-se as causas potenciais, determinando os fatores que poderiam originar ou agravar cada falha, considerando aspectos climáticos, operacionais, fitossanitários e de manejo (Buschinelli, 2020).

A atribuição dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D) foi realizada com base em escalas padronizadas de 1 a 10. Esses critérios foram adaptados da literatura e ajustados à realidade do processo de silvicultura, conforme diretrizes do Project Management Institute (PMI, 2021).

Os critérios de avaliação dos índices foram definidos para refletir as particularidades das operações florestais. A Severidade (S) mensurou o grau de impacto de uma falha no sistema produtivo. A Ocorrência (O) estimou a probabilidade de a falha acontecer, e a Detecção (D) representou a capacidade de identificar a falha antes de seus efeitos se manifestarem (Stamatis, 2019).

O Número de Prioridade de Risco (RPN) foi calculado pela multiplicação dos índices de Severidade, Ocorrência e Detecção (RPN = S × O × D). Este cálculo permitiu a mensuração da criticidade de cada modo de falha, fornecendo uma base quantitativa para a priorização dos riscos.

Os riscos foram classificados com base nos valores de RPN, permitindo a hierarquização dos modos de falha conforme sua criticidade. Estabeleceu-se uma categorização em três níveis: riscos baixos (RPN ≤ 100), riscos moderados (101 200), considerados críticos e demandando intervenção imediata (Stamatis, 2019).

Após a priorização, definiram-se ações de mitigação, que consistiram na proposição de medidas preventivas e corretivas. Essas ações visaram à redução da ocorrência, à melhora da detecção e à minimização dos impactos dos riscos identificados. Por fim, realizou-se a reavaliação dos riscos, estimando a redução da criticidade após a implementação das ações recomendadas, quando aplicável.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados, coletados entre janeiro e dezembro de 2025, permitiu uma compreensão aprofundada dos riscos na silvicultura do eucalipto, abrangendo um ciclo anual completo e minimizando distorções sazonais. As informações foram obtidas de fontes internas e confidenciais da empresa, incluindo registros históricos, documentos técnicos, relatórios operacionais e entrevistas com profissionais do setor. Esse processo sistemático forneceu a base para a identificação dos modos de falha, seus efeitos e causas potenciais, bem como os controles existentes, fundamentando a aplicação da metodologia FMEA e a posterior mensuração dos índices de severidade, ocorrência e detecção, que culminaram no cálculo do Número de Prioridade de Risco (RPN).

Os resultados evidenciaram a identificação de diversos modos de falha associados às atividades silviculturais, organizados em categorias que refletem a complexidade do processo. Entre os riscos ambientais, destacou-se o déficit hídrico, com a ocorrência de estiagem prolongada resultando em redução do crescimento e aumento da mortalidade das plantas. Este achado está em consonância com a literatura, que aponta a disponibilidade hídrica como um fator determinante para a produtividade do eucalipto (Gonçalves, 2013), e reforça a compreensão das consequências dessas limitações no sistema produtivo (Estrada, 2023).

No que tange aos riscos bióticos, foram identificadas falhas como pragas, doenças e formigas. A infestação por insetos, por exemplo, causa desfolha, perda de vigor e redução da produtividade, enquanto a incidência de patógenos fúngicos compromete o desenvolvimento das mudas e gera perdas de produtividade. O ataque de formigas durante o período crítico de implantação pode levar à mortalidade das mudas e prejuízos ao estabelecimento do povoamento. Esses resultados sublinham a importância da sanidade florestal em sistemas intensivos de produção, onde plantios homogêneos podem aumentar a vulnerabilidade a patógenos (Gonçalves, 2013; Guégan, 2023).

Os riscos operacionais também se mostraram relevantes, incluindo falhas na qualidade do plantio, logística e preparo do solo. A execução inadequada do plantio resulta em baixa uniformidade, redução do crescimento e da produtividade. Atrasos operacionais na logística podem causar perda da janela de execução e desorganização do cronograma. O preparo inadequado da área para o plantio pode levar à erosão, assoreamento e limitação do desenvolvimento inicial das mudas. A matocompetição, por sua vez, foi identificada como um modo de falha significativo, onde a competição com plantas daninhas reduz o crescimento e atrasa o desenvolvimento, impactando negativamente a produtividade (Borges, 2025).

Outros riscos identificados, embora com menor frequência ou maior capacidade de detecção, incluem incêndios, vento e colheita. A ocorrência de fogo pode resultar em perda total ou parcial da área plantada, enquanto o tombamento por vento compromete a estabilidade estrutural das árvores, causando perda de madeira e danos ao povoamento. A colheita antecipada, por sua vez, leva à redução do volume obtido e a prejuízos econômicos. A abordagem sistêmica na identificação desses riscos, integrando fatores ambientais, bióticos e operacionais, alinha-se às diretrizes contemporâneas de gestão de riscos (ISO, 2021), reforçando a aderência da análise à realidade do setor florestal.

A aplicação da FMEA permitiu a priorização dos riscos por meio do cálculo do Risk Priority Number (RPN), obtido pela multiplicação dos índices de Severidade (S), Ocorrência (O) e Detecção (D). Essa classificação hierarquizou as falhas conforme seu potencial de impacto, direcionando a atenção para os riscos mais críticos. Os resultados revelaram que pragas e logística apresentaram os maiores RPNs, ambos com 240, classificando-os como riscos altos. Doenças fúngicas também se destacaram com um RPN de 210, igualmente categorizado como alto, indicando que fatores biológicos e operacionais exercem influência significativa no desempenho do sistema produtivo, um comportamento alinhado ao panorama do setor florestal (IBÁ, 2024).

A análise dos índices de severidade, ocorrência e detecção demonstrou coerência na atribuição dos valores, refletindo a dinâmica dos riscos na silvicultura. Riscos que combinam impacto elevado com frequência moderada e capacidade intermediária de detecção tendem a apresentar maior criticidade, conforme esperado em aplicações práticas da FMEA (Stamatis, 2020; ISO, 2021). A relevância atribuída às doenças, por exemplo, reforça a importância do manejo fitossanitário, visto que a sanidade florestal é um dos principais fatores limitantes da produtividade, especialmente em sistemas intensivos (Gonçalves, 2013).

Entre os riscos classificados como médios, com RPNs entre 101 e 200, encontram-se o déficit hídrico (175), formigas (168), matocompetição (144), qualidade do plantio (126) e preparo de solo (108). Embora apresentem valores expressivos de severidade e ocorrência, a maior previsibilidade ou controle desses fatores influencia sua priorização. A disponibilidade hídrica é amplamente reconhecida como determinante para o crescimento do eucalipto (Gonçalves, 2013), e a matocompetição interfere no estabelecimento inicial da cultura, reduzindo o desempenho das mudas se não for adequadamente manejada (Borges, 2025).

Os menores valores de RPN, classificando os riscos como baixos (RPN ≤ 100), foram observados para colheita antecipada (98), incêndio (80) e vento (64). Apesar de alguns desses fatores apresentarem elevada severidade potencial, sua menor frequência e maior capacidade de detecção contribuem para sua priorização inferior. Contudo, estudos recentes indicam que a ocorrência de incêndios florestais pode variar significativamente em função de condições climáticas e antrópicas, exigindo monitoramento contínuo (Arruda, 2024). A distribuição dos índices, de forma geral, evidencia consistência interna e aderência à realidade operacional da silvicultura, permitindo a identificação clara das prioridades de intervenção.

Com base na priorização dos riscos, foram propostas ações de mitigação para reduzir a criticidade dos modos de falha identificados. Para pragas, a ação recomendada é intensificar o controle biológico e/ou químico, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo contínuo. Para doenças, sugere-se desenvolver estratégias de melhoramento genético, também sob responsabilidade da pesquisa e monitoramento, com prazo contínuo. Essas medidas de caráter contínuo e estruturante estão alinhadas com práticas consolidadas no manejo florestal, visando a redução da vulnerabilidade dos plantios (Stape, 2020; Gonçalves, 2013).

No âmbito operacional, para o risco de logística, aprimorar o sistema logístico é a ação recomendada, com responsabilidade da logística e prazo de curto prazo. Para a qualidade do plantio, propõe-se implementar padronização e auditoria das operações, sob responsabilidade da silvicultura e prazo de curto prazo. O preparo de solo requer a realização de levantamento topográfico prévio, com responsabilidade da área de preparo de solo e prazo de curto prazo. Essas medidas focam na padronização e aprimoramento dos processos, fundamentais para a produtividade em sistemas florestais (IBÁ, 2024).

Para os riscos ambientais, como déficit hídrico, a recomendação é adotar clones mais resistentes e ajustar o plantio conforme zonas climáticas, sob responsabilidade do meio ambiente e prazo contínuo. Para o vento, sugere-se utilizar clones mais resistentes às condições ambientais e planejar o plantio, com responsabilidade da pesquisa e monitoramento, e prazo de planejamento. Essas estratégias adaptativas, baseadas na escolha de materiais genéticos e planejamento do plantio, são reconhecidas como determinantes para o desempenho produtivo em cenários de variabilidade ambiental (Stape, 2020).

Riscos como formigas e incêndio demandam ações imediatas. Para formigas, a intensificação do monitoramento e controle das ocorrências é recomendada, com responsabilidade da silvicultura. Para incêndio, propõe-se ampliar o monitoramento remoto das áreas, sob responsabilidade das operações. A definição de prazos para execução das ações, com medidas imediatas para riscos de resposta rápida e ações estruturais para horizontes de curto e médio prazo, alinha-se aos princípios da gestão de riscos, que consideram a criticidade e a urgência das intervenções (ISO, 2018).

A integração entre planejamento e execução é crucial para riscos operacionais e logísticos, como qualidade do plantio, colheita e logística. Falhas de coordenação entre etapas operacionais aumentam a probabilidade de atrasos e perdas de eficiência, reforçando a necessidade de planejamento integrado e controle de processos (PMI, 2021). A incorporação do monitoramento contínuo, especialmente para riscos como incêndios e pragas, reforça a importância da detecção precoce e da resposta rápida na redução de impactos, contribuindo para maior controle operacional e segurança do sistema produtivo.

A proposta de aprimoramento da gestão de riscos, baseada nos resultados, foca na evolução da abordagem aplicada, integrando análise, priorização e acompanhamento contínuo. Os fatores bióticos (pragas, doenças e formigas) demandam a implantação de manejo integrado de pragas (MIP), monitoramento fitossanitário contínuo, uso de mudas resistentes e controle preventivo de formigas. O cenário projetado inclui redução significativa de danos bióticos, maior sobrevivência inicial e maior uniformidade do povoamento. Essa abordagem reforça a transição de um modelo corretivo para preventivo, essencial para a eficácia da FMEA (Stamatis, 2019).

Para os fatores climáticos (déficit hídrico e vento), as ações recomendadas são o ajuste do calendário de plantio, a seleção de materiais genéticos mais resistentes e o planejamento de áreas menos expostas. O cenário esperado é de maior resiliência climática, redução da mortalidade e maior estabilidade do plantio. Essa estratégia está alinhada à gestão de riscos do PMI (2021), que diferencia riscos internos e externos, indicando que riscos ambientais devem ser tratados por adaptação e redução de impacto, e não pela eliminação da causa.

No manejo de vegetação e solo (matocompetição e preparo de solo), as ações propostas incluem controle integrado de plantas daninhas (químico e mecânico), correção e preparo adequado do solo. O cenário projetado é de melhor desenvolvimento inicial, maior enraizamento e redução da competição inicial. A literatura científica demonstra que a presença de plantas competidoras e falhas no manejo inicial do solo impactam diretamente o crescimento e o desempenho das plantações de eucalipto (Tiburcio, 2023).

Para as operações silviculturais (qualidade do plantio e colheita), a padronização das operações, o treinamento de equipes e o uso de equipamentos adequados são as ações recomendadas, visando maior uniformidade do plantio, redução de perdas e menor impacto operacional. A gestão operacional e logística (logística) requer planejamento logístico integrado, cronogramas operacionais e controle de recursos, resultando em maior eficiência operacional, redução de atrasos e melhor sincronização das atividades. Essas medidas são cruciais para o desempenho do sistema florestal, que não depende de fatores isolados, mas da interação entre variáveis operacionais e ambientais.

O risco de incêndio, classificado como estrutural, exige a implantação de aceiros, monitoramento contínuo e um plano de prevenção e combate a incêndios. O cenário projetado é de redução expressiva do risco de incêndios e maior proteção das áreas produtivas. Incêndios em plantações de eucalipto representam eventos de alto impacto, exigindo estratégias permanentes de prevenção, monitoramento e resposta rápida, pois sua eliminação não é possível, apenas a mitigação e controle contínuo (Galiza, 2021).

Em síntese, a aplicação da FMEA na silvicultura do eucalipto permitiu uma análise estruturada e a priorização dos riscos, evidenciando a predominância de fatores bióticos e operacionais entre os mais críticos. As ações de mitigação propostas, alinhadas à literatura e aos princípios de gestão de riscos, demonstram um direcionamento estratégico consistente para a redução da vulnerabilidade do sistema produtivo e o aprimoramento contínuo das operações florestais, reforçando a importância de uma gestão proativa e integrada para a sustentabilidade do setor.

4. Conclusão

O presente estudo analisou e priorizou os riscos associados ao plantio de eucalipto por meio da aplicação da metodologia Failure Mode and Effects Analysis (FMEA). Verificou-se a identificação de diversos modos de falha, abrangendo fatores bióticos como pragas, doenças e formigas, operacionais como logística, qualidade do plantio e preparo de solo, e ambientais como o déficit hídrico. Esses riscos foram hierarquizados pelo Número de Prioridade de Risco (RPN), revelando que pragas e logística, ambos com RPN de 240, e doenças fúngicas, com RPN de 210, apresentaram a maior criticidade no processo produtivo. Essa análise estruturada permitiu a proposição de ações de mitigação específicas, alinhadas à natureza de cada risco, visando aprimorar os controles existentes e reduzir a vulnerabilidade do sistema.

A aplicação da FMEA demonstrou ser uma ferramenta eficaz para a gestão proativa de riscos na silvicultura do eucalipto, promovendo uma transição de um modelo corretivo para preventivo. Essa abordagem contribui significativamente para a tomada de decisão estratégica, o aumento da eficiência operacional e a resiliência do sistema produtivo. Contudo, observou-se que riscos de natureza climática, como o déficit hídrico e o vento, e o risco de incêndio possuem caráter estrutural, não sendo passíveis de eliminação, mas exigindo estratégias contínuas de mitigação e adaptação. Para estudos futuros, recomenda-se aprofundar a quantificação dos impactos das ações de mitigação no desempenho produtivo e explorar a interação entre as variáveis de risco, fortalecendo a FMEA como um instrumento de gestão contínua e integrada para a sustentabilidade do setor florestal.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

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