30 de setembro de 2026
Alinhamento entre competências técnicas e demandas de trabalho em projetos elétricos
Alinhamento entre Competências Técnicas e Demandas de Trabalho em Projetos Elétricos
Andrelice Cristina Rosa Pereira; Marcos Antonio Maia Lavio de Oliveira
DOI: 10.22167/2675-6528-202602656
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O estudo abordou a importância da gestão de competências no contexto de projetos elétricos, considerando seu papel no desempenho das equipes e nos resultados organizacionais. O objetivo consistiu em avaliar a relação entre a representatividade dos pacotes de trabalho e o nível de competência técnica da equipe da disciplina de elétrica em uma empresa do setor industrial localizada no estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, com abordagem exploratória e descritiva, utilizando análise de cronogramas de projetos, consolidação da carga horária por escopo e aplicação de questionário estruturado baseado em matriz de competências técnicas. Os resultados evidenciaram que os escopos de maior representatividade, como Iluminação e Alimentação Elétrica, apresentaram níveis elevados de domínio técnico, indicando um alinhamento entre a demanda e a capacidade da equipe. Por outro lado, foram identificadas lacunas em escopos como SPDA e, principalmente, Estudos Elétricos, que exibiu o menor nível de domínio técnico. A análise conjunta entre carga de trabalho e competências permitiu identificar prioridades de capacitação e apoiar decisões relacionadas à alocação de recursos. Concluiu-se que o método aplicado mostrou-se eficaz como ferramenta de apoio à gestão de projetos, contribuindo para o alinhamento entre as demandas técnicas e a qualificação da equipe.
Palavras-chave: Alocação de recursos; Desempenho das equipes; Gestão de competências; Pacotes de trabalho; Prioridades de capacitação.
1. Introdução
As pessoas representam o maior patrimônio das organizações, sendo o capital humano considerado um dos principais diferenciais competitivos no contexto atual. Em um cenário globalizado e dinâmico, o sucesso organizacional depende da capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos (Chiavenato, 2014).
A gestão de pessoas tem assumido papel cada vez mais estratégico nas organizações contemporâneas, especialmente diante das constantes mudanças no ambiente competitivo. Nesse contexto, torna-se fundamental compreender não apenas a realidade atual das organizações, mas também os desafios futuros relacionados ao desenvolvimento e à gestão de competências (Dutra et al., 2017).
Segundo Fleury e Fleury (2001), competência pode ser compreendida como o “saber agir responsável e reconhecido”, que integra conhecimentos, habilidades e atitudes voltadas à geração de resultados. Nessa perspectiva, o desenvolvimento de competências torna-se uma estratégia essencial para o fortalecimento da vantagem competitiva organizacional. O sucesso de um projeto depende diretamente da competência técnica e da adequada composição da equipe. A definição dos recursos humanos deve considerar, desde o planejamento inicial, a combinação de habilidades e experiências necessárias para assegurar o alcance dos objetivos do projeto (Szwarc et al., 2021).
O gerenciamento de recursos do projeto abrange processos relacionados ao planejamento, à aquisição, ao desenvolvimento e ao gerenciamento da equipe, com o objetivo de garantir que os recursos humanos possuam as competências necessárias para atender às demandas do projeto de forma eficaz. Nesse contexto, a identificação adequada das habilidades requeridas e o desenvolvimento contínuo da equipe são fatores essenciais para o desempenho do projeto e para o alcance dos resultados esperados (PMBOK, 2017).
Um dos métodos para o levantamento das necessidades de treinamento consiste na análise das competências organizacionais requeridas, a qual envolve a avaliação das competências essenciais ao negócio, associada ao diagnóstico das capacidades já existentes na organização, com o objetivo de identificar lacunas a serem supridas por meio do desenvolvimento interno ou da aquisição externa de competências (Chiavenato, 2014). Para que as métricas de desempenho sejam eficazes, recomenda-se que atendam aos critérios SMART — específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais — conforme proposto por Maximiano (2018). Essa abordagem fortalece análises comparativas entre carga de trabalho e capacidade técnica, permitindo que os resultados sejam aplicáveis e sirvam de base para decisões gerenciais (PMBOK, 2017).
Apesar da relevância amplamente reconhecida da gestão de competências no âmbito dos projetos, verifica-se, na prática, a existência de desafios no alinhamento entre o nível de qualificação técnica das equipes e as demandas específicas dos diferentes pacotes de trabalho. Esse desalinhamento pode comprometer a eficiência operacional, a qualidade das entregas e o cumprimento de prazos, evidenciando a necessidade de aprofundamento na análise dessa relação, com vistas a subsidiar decisões mais assertivas no planejamento e na alocação de recursos.
A experiência em projetos anteriores evidenciou que a disponibilidade de recursos, por si só, não assegura o atendimento adequado às demandas de um projeto, sendo necessário considerar também o domínio técnico requerido para cada atividade. Situações em que determinadas competências não estavam suficientemente desenvolvidas na equipe resultaram em dificuldades na execução de escopos específicos, evidenciando a importância de conhecer previamente as capacidades disponíveis. Como lição aprendida, identificou-se a necessidade de incorporar a análise das competências técnicas ao planejamento dos recursos, permitindo antecipar lacunas de conhecimento e direcionar ações de capacitação, alocação ou contratação antes que essas necessidades impactem o desenvolvimento dos projetos.
Diante da importância da integração entre desempenho técnico e gestão de competências, a presente pesquisa propõe a aplicação de um método de mapeamento entre pacotes de trabalho e competências técnicas na disciplina de elétrica. Assim, o estudo tem como objetivo realizar uma análise comparativa entre a representatividade dos pacotes de trabalho e a qualificação da equipe, visando mapear o nível de competência técnica dos recursos, identificar necessidades de treinamento e subsidiar a definição do perfil para futuras contratações.
2. Material e Métodos
A pesquisa foi de natureza aplicada e foi conduzida na disciplina de elétrica de uma empresa do setor industrial, localizada no estado do Rio Grande do Sul. O estudo foi desenvolvido em um contexto profissional real, utilizando dados operacionais e contando com a participação direta da equipe técnica da referida disciplina. Essa abordagem permitiu investigar a relação entre a representatividade dos pacotes de trabalho e o nível de competência técnica da equipe.
Quanto aos objetivos, a pesquisa caracterizou-se como exploratória e descritiva. A etapa exploratória teve como finalidade identificar, delimitar e estruturar os pacotes de trabalho da disciplina de elétrica, bem como levantar sua representatividade em termos de horas planejadas. A etapa descritiva, por sua vez, visou analisar as competências técnicas associadas aos pacotes de trabalho identificados, com base na percepção da equipe técnica, relacionando-as à representatividade de cada pacote.
A natureza dos dados coletados foi quantitativa, empregando-se dados numéricos e técnicas de análise estatística descritiva, incluindo o cálculo de médias e percentuais. O delineamento da pesquisa configurou-se como um levantamento de campo (survey), realizado por meio da aplicação de um questionário estruturado junto à equipe técnica, conforme descrito em etapas subsequentes.
A etapa exploratória iniciou-se com a definição dos pacotes de trabalho da disciplina de elétrica. Para isso, analisaram-se os principais escopos e entregáveis recorrentes em projetos elétricos industriais. Os critérios de inclusão para essa definição foram escopos diretamente relacionados às atividades técnicas da disciplina de elétrica, excluindo-se atividades de natureza administrativa, gerencial ou pertencentes a outras disciplinas.
Os pacotes de trabalho estabelecidos corresponderam aos principais escopos da disciplina, a saber: Alimentação Elétrica (Força), Iluminação, SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), Malha de Aterramento, Estudos Elétricos, Especificação Técnica de Transformador de Potência e Especificação Técnica de Painéis. Esses pacotes foram definidos por representarem entregáveis técnicos distintos, associados a competências específicas, o que possibilitou a posterior análise comparativa.
Após a definição dos pacotes de trabalho, realizou-se o levantamento e a análise dos cronogramas dos projetos em andamento da disciplina de elétrica. Considerou-se um horizonte de 120 dias, correspondente a quatro ciclos futuros de planejamento corporativo. Esse período foi adotado por refletir o planejamento usual da organização, assegurando a representatividade dos dados analisados para a carga de trabalho.
Todas as atividades previstas nos cronogramas foram identificadas e analisadas quanto ao escopo técnico. Em seguida, foram classificadas e alocadas em um dos pacotes de trabalho previamente definidos. As atividades que não apresentaram aderência técnica direta a esses pacotes foram revisadas e, quando aplicável, enquadradas por similaridade de escopo, garantindo a cobertura integral das atividades técnicas da disciplina de elétrica.
Esse procedimento possibilitou a consolidação da carga horária planejada por pacote de trabalho, viabilizando a análise de sua representatividade relativa. A quantificação da carga horária por escopo foi fundamental para estabelecer a demanda técnica e, posteriormente, correlacioná-la com o nível de competência da equipe.
A fase descritiva teve início com a elaboração de uma matriz de competências técnicas, que serviu como base para a construção do instrumento de coleta de dados. A definição das competências fundamentou-se na análise dos requisitos recorrentes identificados nos pacotes de trabalho, considerando exclusivamente competências diretamente relacionadas à execução, verificação e integração de projetos elétricos.
A matriz foi estruturada conforme o conceito de competências técnicas proposto por Leme (2012), que as caracteriza como o conjunto de conhecimentos e habilidades necessários à execução eficaz de uma função. A matriz foi organizada em seis dimensões: conhecimento normativo; ferramentas de análise; ferramentas gráficas; integração e compatibilidade multidisciplinar; projetos em áreas classificadas; e verificação técnica do projeto. Essa estrutura permitiu a avaliação sistemática do nível de domínio técnico da equipe.
Com base na matriz de competências definida, elaborou-se um questionário estruturado como instrumento de coleta de dados. O questionário foi aplicado de maneira online por meio da plataforma Google Forms. As perguntas eram de múltipla escolha, organizadas em uma escala Likert de 1 a 5, com o objetivo de classificar os participantes quanto ao cargo e ao nível de domínio das competências técnicas estabelecidas na matriz.
Previamente à aplicação definitiva, o instrumento foi submetido a uma fase de pré-teste com um grupo inicial de participantes. O objetivo foi avaliar a clareza das questões, a coerência das escalas adotadas e o tempo médio de resposta. A partir dos feedbacks obtidos, o questionário foi revisado e ajustado, resultando em sua versão final para a coleta de dados.
A população da pesquisa foi composta por todos os integrantes ativos da equipe técnica da disciplina de elétrica no período do estudo. O questionário foi encaminhado a toda a equipe de forma eletrônica. A participação ocorreu de maneira voluntária, com garantia de anonimato e sigilo das informações fornecidas, assegurando os cuidados éticos da pesquisa.
As respostas obtidas por meio do Google Forms foram consolidadas em uma única base de dados. Essa organização possibilitou a análise descritiva dos dados e a posterior correlação entre o nível de competência técnica informado pelos participantes e a representatividade dos pacotes de trabalho, conforme o objetivo do estudo.
Os dados coletados foram organizados e analisados com o auxílio do software Microsoft Excel. A análise foi conduzida de forma descritiva e comparativa, visando avaliar a representatividade dos pacotes de trabalho em termos de carga horária planejada e relacioná-la ao nível de competência técnica declarado pela equipe. Esse procedimento possibilitou a identificação de possíveis desalinhamentos entre a demanda técnica e a capacidade da equipe.
3. Resultados e Discussão
A apresentação dos resultados inicia-se com a caracterização dos participantes da pesquisa, composta pelos integrantes ativos da equipe técnica da disciplina de elétrica que contribuíram voluntariamente para o estudo. A análise dos dados coletados revelou que a maioria dos respondentes é composta por engenheiros, os quais representam 50% do total da amostra. Em seguida, os projetistas técnicos constituem 44% dos participantes, enquanto os estagiários correspondem a 6%. Essa distribuição reflete a composição hierárquica e funcional da equipe, com predominância de profissionais com formação superior e experiência em projetos, o que confere robustez às percepções sobre as competências técnicas avaliadas.
Após a caracterização da equipe, procedeu-se à consolidação da carga horária planejada dos projetos em andamento, visando quantificar a representatividade de cada pacote de trabalho no horizonte de 120 dias analisado. Os dados revelaram que os escopos de Iluminação e Alimentação Elétrica (Força) são os mais representativos, respondendo por 34% e 32% do total de horas planejadas, respectivamente. Em seguida, o Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e a Especificação Técnica de Painéis representam 15% e 11% da carga de trabalho, respectivamente, indicando sua relevância no volume de atividades da disciplina.
Os escopos com menor representatividade no volume total de horas planejadas incluem Malha de Aterramento, com 5%, Estudos Elétricos, com 2%, e Especificação Técnica de Transformador, com apenas 1%. Essa distribuição da carga de trabalho é crucial para compreender a demanda técnica imposta à equipe e para contextualizar a análise das competências. A identificação desses pesos relativos permite direcionar o foco da análise para os pacotes de trabalho que mais impactam o planejamento e a execução dos projetos, conforme a abordagem de mapeamento e avaliação de competências proposta por Leme (2012).
A avaliação das competências técnicas da equipe foi realizada com base em uma matriz estruturada em seis dimensões: conhecimento normativo; ferramentas de análise; ferramentas gráficas; integração e compatibilização multidisciplinar; projetos em áreas classificadas; e verificação técnica do projeto. Os níveis de domínio foram classificados em uma escala Likert de 1 a 5, variando de “nenhum domínio” a “domínio excelente”, permitindo a quantificação e comparação sistemática das percepções da equipe. Essa metodologia, alinhada com Gil (2008), facilita a análise descritiva e comparativa das competências em relação aos diferentes pacotes de trabalho.
No escopo de Iluminação, a equipe demonstrou um elevado nível de domínio técnico na maioria das competências avaliadas. Destacaram-se a integração e compatibilização multidisciplinar, com média de 4,3125, e as ferramentas gráficas, com média de 4,25, indicando uma forte capacidade de interface com outras disciplinas e proficiência na elaboração de documentação técnica. O conhecimento normativo, com média de 4,125, e a verificação técnica do projeto, com 4,0625, também apresentaram médias elevadas, refletindo maturidade nos processos de revisão e validação, o que é fundamental para a qualidade das entregas.
Contudo, as competências relacionadas às ferramentas de análise, com média de 3,75, e aos projetos em áreas classificadas, com 3,8125, apresentaram médias ligeiramente inferiores às demais no escopo de Iluminação. Embora ainda em um patamar considerado bom, esses resultados sugerem oportunidades de aprimoramento técnico. Essa observação é particularmente relevante, considerando a alta representatividade desse escopo no conjunto dos projetos analisados, o que reforça a importância de um domínio técnico abrangente para garantir a eficiência e a qualidade das entregas, conforme a perspectiva de Fleury e Fleury (2001) sobre a aplicação prática das competências.
Para o escopo de Alimentação Elétrica (Força), que também possui alta representatividade na carga de trabalho, a equipe exibiu um bom nível de domínio técnico. As maiores médias foram observadas na integração e compatibilização multidisciplinar, com 4,25, e nas ferramentas gráficas, com 4,125, evidenciando uma articulação eficaz com outras disciplinas e uma capacidade consistente na elaboração de documentação técnica. A verificação técnica do projeto também se destacou, com média de 4,0, indicando solidez nos processos de validação e controle de qualidade.
Apesar do bom desempenho geral no escopo de Alimentação Elétrica, foram identificadas áreas com médias inferiores, como o conhecimento normativo (3,75), as ferramentas de análise (3,375) e os projetos em áreas classificadas (3,75). Esses resultados apontam para a necessidade de atenção e aprofundamento técnico nessas competências, especialmente em função da elevada demanda associada a esse escopo. O aprimoramento nessas áreas pode contribuir para mitigar riscos e otimizar a execução dos projetos, garantindo que a equipe esteja plenamente capacitada para lidar com as complexidades técnicas envolvidas.
No que tange ao Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), os resultados indicaram um nível de domínio técnico predominantemente intermediário, com variações notáveis entre as competências. A integração e compatibilização multidisciplinar apresentou a maior média, 3,8125, sugerindo uma capacidade satisfatória de interface com outras disciplinas. As ferramentas gráficas, com 3,6875, e o conhecimento normativo, com 3,625, também se situaram em patamar intermediário, indicando um domínio funcional, mas com margem para aprimoramento.
Em contraste, as competências associadas às ferramentas de análise, com média de 2,5, aos projetos em áreas classificadas, com 3,125, e à verificação técnica do projeto, com 3,3125, evidenciaram fragilidades técnicas mais significativas no escopo de SPDA. Essas lacunas indicam a necessidade de ações específicas de capacitação, especialmente considerando a criticidade desse escopo para a segurança das instalações. O fortalecimento dessas competências é essencial para garantir a conformidade e a eficácia dos sistemas de proteção, minimizando riscos e assegurando a integridade dos projetos.
Para o escopo de Especificação Técnica de Painéis, a equipe apresentou um nível de domínio técnico intermediário nas competências avaliadas. O conhecimento normativo e a integração e compatibilização multidisciplinar exibiram médias equivalentes de 3,5625, indicando um domínio funcional dos requisitos técnicos e uma capacidade adequada de interface com outras disciplinas durante a elaboração das especificações. A verificação técnica do projeto, com média de 3,4375, também se manteve em patamar intermediário, sugerindo processos de revisão satisfatórios, embora passíveis de aprimoramento.
De forma geral, os resultados para o escopo de Especificação Técnica de Painéis indicam um nível de maturidade técnica consistente, porém inferior aos escopos com maior recorrência operacional. Essa constatação aponta para oportunidades de desenvolvimento técnico, especialmente no aprofundamento normativo e no fortalecimento das rotinas de verificação. A evolução contínua das competências é crucial, particularmente em atividades menos recorrentes, que tendem a apresentar menor maturidade organizacional e, portanto, demandam atenção para evitar impactos negativos na qualidade e eficiência dos projetos.
Na análise do escopo de Malha de Aterramento, os resultados indicaram um nível de domínio técnico intermediário, com variações entre as competências avaliadas. As maiores médias foram observadas nas ferramentas gráficas, com 3,5625, e na integração e compatibilização multidisciplinar, com 3,5, sugerindo um desempenho adequado na elaboração da documentação e na interface com outras disciplinas. Essas competências são importantes para a representação e coordenação dos sistemas de aterramento em projetos complexos.
No entanto, a competência relacionada às ferramentas de análise apresentou a média mais baixa, 2,25, evidenciando uma fragilidade significativa no uso de métodos e softwares específicos para o dimensionamento e verificação de malhas de aterramento. As demais competências situaram-se em patamar intermediário, indicando a necessidade de ações pontuais de capacitação para fortalecer o domínio técnico nesse escopo. A presença de fragilidades nas ferramentas de análise é crítica, pois essas competências são essenciais para as análises iniciais que determinam a natureza e o detalhamento do projeto, impactando diretamente a segurança e a funcionalidade das instalações.
O escopo de Estudos Elétricos apresentou o menor nível de domínio técnico entre todos os escopos avaliados, configurando o GAP mais crítico identificado no estudo. A competência relacionada às ferramentas de análise destacou-se negativamente, com a menor média de 2,0, indicando uma fragilidade significativa no uso de softwares e métodos analíticos essenciais para a elaboração desses estudos. Essa deficiência pode comprometer a precisão e a confiabilidade das análises de sistemas elétricos, que são fundamentais para o planejamento e a segurança dos projetos.
As competências de conhecimento normativo, com média de 2,5625, integração e compatibilização multidisciplinar, com 2,4375, e verificação técnica do projeto, com 2,4375, também apresentaram médias baixas no escopo de Estudos Elétricos. Esses resultados sugerem um domínio limitado dos requisitos técnicos e dos processos de validação, demandando prioridade em ações de capacitação especializada e um possível reforço do perfil técnico da equipe. Embora a representatividade desse escopo seja menor, sua natureza analítica e criticidade técnica reforçam a urgência de intervenções para mitigar os riscos associados a essa lacuna de competência.
Por fim, no escopo de Especificação Técnica de Transformador, a equipe demonstrou um nível de domínio técnico intermediário nas competências avaliadas. A integração e compatibilização multidisciplinar apresentou a maior média, 3,375, refletindo uma capacidade razoável de interface com outras disciplinas durante o processo de especificação. As competências de conhecimento normativo, com 3,1875, e verificação técnica do projeto, com 3,125, também se situaram em patamar intermediário, sugerindo um domínio funcional, mas com margem para aprimoramento.
Os resultados para Especificação Técnica de Transformador indicam a necessidade de ações pontuais de desenvolvimento, especialmente no aprofundamento normativo e no fortalecimento das rotinas de verificação técnica. Apesar da baixa representatividade desse escopo na carga de trabalho total, a precisão e a conformidade das especificações de transformadores são cruciais para a segurança e o desempenho dos sistemas elétricos. Portanto, mesmo em atividades menos frequentes, a manutenção de um alto nível de competência é indispensável para evitar falhas e garantir a qualidade dos projetos.
A análise comparativa entre o nível de domínio da equipe e a representatividade dos pacotes de trabalho consolidou os achados, permitindo identificar desalinhamentos entre a demanda técnica e a qualificação da equipe. Os escopos de Iluminação e Alimentação Elétrica (Força), que concentram a maior parcela da carga de trabalho, com 34% e 32% respectivamente, apresentaram médias de competência técnica elevadas, 4,0521 e 3,875, indicando um adequado equilíbrio entre demanda e capacidade técnica. Esse alinhamento é um fator positivo para a eficiência e a qualidade dos projetos nessas áreas de alta demanda.
Em contrapartida, o escopo de SPDA, que representa 15% da carga total, apresentou uma média de competência técnica inferior, 3,3438, caracterizando um desalinhamento moderado entre a demanda técnica e o nível de domínio da equipe. Situação semelhante foi observada no escopo de Especificação Técnica de Painéis, que, embora represente 11% da carga de trabalho, apresentou média intermediária de 3,5208. Esses achados indicam a necessidade de atenção quanto ao fortalecimento das competências técnicas associadas a esses escopos, visando aprimorar a capacidade da equipe em áreas de média a alta demanda.
Identificaram-se lacunas mais relevantes em escopos de menor representatividade, evidenciando desalinhamentos mais acentuados entre demanda e qualificação. Os escopos de Malha de Aterramento, com 5% da carga e média de 3,1354, e Estudos Elétricos, com 2% da carga e média de 2,3594, apresentaram as médias de competência técnica mais baixas. O escopo de Estudos Elétricos foi o GAP mais crítico, com a menor média, reforçando a necessidade de ações prioritárias de capacitação, dada a natureza analítica e a criticidade técnica dessas atividades, conforme o PMBOK (2017) que enfatiza o desenvolvimento contínuo da equipe.
Apesar de sua baixa representatividade, o escopo de Especificação Técnica de Transformador, com 1% da carga e média de 3,2292, também indica a necessidade de ações pontuais de desenvolvimento técnico. Os resultados, embora contribuam para a análise do alinhamento entre a demanda técnica e as competências da equipe, apresentam algumas limitações. A avaliação baseou-se na percepção dos participantes, o que pode introduzir certa subjetividade. Adicionalmente, a análise foi realizada em uma única organização e em um período específico, limitando a generalização dos resultados e não considerando a evolução das competências ao longo do tempo.
Em síntese, o estudo permitiu analisar a relação entre a representatividade dos pacotes de trabalho e o nível de competência técnica da equipe na disciplina de elétrica, evidenciando que os escopos com maior demanda geralmente apresentam níveis de competência compatíveis. No entanto, foram identificados pontos de desalinhamento e lacunas específicas de qualificação em escopos como SPDA, Malha de Aterramento e, principalmente, Estudos Elétricos, que demandam ações direcionadas de desenvolvimento técnico. A análise conjunta entre carga de trabalho e nível de competência mostrou-se uma ferramenta eficaz para identificar prioridades de capacitação e apoiar decisões de alocação de recursos, contribuindo para o aprimoramento da gestão de competências e o alinhamento entre as demandas técnicas e a qualificação da equipe.
4. Conclusão
O presente estudo analisou a relação entre a representatividade dos pacotes de trabalho e o nível de competência técnica da equipe da disciplina de elétrica em uma empresa do setor industrial. Verificou-se que os escopos de Iluminação e Alimentação Elétrica, que concentraram a maior parcela da carga de trabalho, apresentaram níveis elevados de domínio técnico, indicando um alinhamento adequado entre a demanda e a capacidade da equipe. Contudo, foram identificadas lacunas de qualificação em escopos como Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e Malha de Aterramento. O escopo de Estudos Elétricos, apesar de sua menor representatividade, exibiu o menor nível de domínio técnico, configurando o ponto mais crítico de desalinhamento e demandando ações prioritárias de capacitação.
A análise conjunta da carga de trabalho e do nível de competência técnica mostrou-se uma ferramenta eficaz para identificar prioridades de capacitação e subsidiar decisões de alocação de recursos, contribuindo para o aprimoramento da gestão de projetos e o alinhamento entre as demandas técnicas e a qualificação da equipe. Apesar da contribuição para a compreensão do alinhamento entre demanda técnica e competências, o estudo apresentou algumas limitações, como a avaliação baseada na percepção dos participantes, o que pode introduzir subjetividade, e a realização em uma única organização e período específico, limitando a generalização dos resultados e não considerando a evolução das competências ao longo do tempo. Sugere-se a continuidade da aplicação dessa abordagem como apoio ao desenvolvimento da equipe e ao planejamento de recursos, bem como a realização de estudos futuros que explorem a evolução das competências em um horizonte temporal mais amplo e em diferentes contextos organizacionais.
Referências Bibliográficas
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. Ed. Barueri, SP: Manole, 2014.
DUTRA, Joel Souza; DUTRA, Tatiana Almendra; DUTRA, Gabriela Almendra. Gestão de pessoas: realidade atual e desafios futuros. São Paulo: Atlas, 2017.
FLEURY, Afonso; FLEURY, Maria Tereza Leme. Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. esp., p. 183-196, 2001.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 1989.
LEME, Rogério. Aplicação Prática de Gestão de Pessoas por Competências: Mapeamento, Treinamento, Seleção, Avaliação e Mensuração de Resultados de Treinamento. 2. Ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Administração de Projetos: transformando ideias em resultados. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2018.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE (PMI). Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 6. Ed. Newtown Square, PA: Project Management Institute, 2017.
SZWARC, Krzysztof; KALINOWSKI, Tomasz; NOWAK, Piotr. Competence-oriented project team planning: university case study. Procedia Computer Science, v. 192, p. 1392-1401, 2021.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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