02 de outubro de 2026
A percepção do público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro e o consumo de conteúdo paralímpico digital
A Percepção do Público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro e o Consumo de Conteúdo Paralímpico Digital
Evelyn Silva Sousa; Leonardo Carlim
DOI: 10.22167/2675-6528-202602874
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O marketing esportivo digital consolidou-se como ferramenta essencial para a promoção de instituições e modalidades, mas a visibilidade midiática do esporte paralímpico ainda representa um desafio, apesar do crescimento do movimento. A busca por maior alcance visa impactar a sociedade na mudança de percepção sobre a deficiência, incentivando a representatividade e a participação. O estudo objetivou identificar a percepção do público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o consumo de conteúdo paralímpico no ambiente digital. Para isso, realizou-se uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, com 30 respondentes. A coleta de dados ocorreu entre 28 de janeiro e 8 de fevereiro de 2026, por meio de um questionário estruturado aplicado on-line. Os resultados revelaram um alto reconhecimento institucional do CPB entre os respondentes, mas uma percepção de baixa visibilidade dos Jogos Paralímpicos. Constatou-se que as redes sociais são o principal meio de consumo de conteúdo, com maior interesse entre o público masculino e os mais jovens. Discutiu-se a necessidade de ferramentas para fortalecer a presença institucional do CPB e ampliar o acesso do público às informações. Concluiu-se que a compreensão desse contexto é fundamental para o debate sobre a construção de visibilidade, reconhecimento e engajamento do público com o movimento paralímpico, sugerindo investimento em estratégias de comunicação digital contínua e valorização das narrativas dos atletas.
Palavras-chave: Ambiente digital; Branding; Esporte paralímpico; Marketing esportivo; Movimento paralímpico.
1. Introdução
O marketing, em sua essência, desempenha um papel fundamental na dinâmica das organizações e está intrinsecamente presente em diversas atividades cotidianas, manifestando-se tanto de forma planejada quanto espontânea. A expansão das mídias sociais digitais tem intensificado essa presença, tornando o posicionamento de marcas e produtos nesse ambiente cada vez mais relevante. A prática do marketing é indispensável para o sucesso de qualquer iniciativa, embora o conceito de um “bom marketing” seja dinâmico, adaptando-se continuamente às transformações do mercado e ao comportamento dos consumidores (Kotler e Keller, 2012).
Para que as estratégias de marketing sejam assertivas, é crucial que o processo seja cuidadosamente planejado e executado, utilizando ferramentas e técnicas específicas. A criatividade deve ser aliada à ciência das métricas, metodologias e técnicas para alcançar resultados significativos. Nesse sentido, a compreensão aprofundada do comportamento do consumidor é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes, permitindo identificar necessidades e oferecer valor, construir relacionamentos duradouros e fortalecer a presença no mercado (Kotler e Keller, 2012).
O branding emerge como um dos pilares centrais do marketing contemporâneo. Por meio da gestão estratégica da marca, as organizações constroem significado, diferenciação e valor simbólico perante o público (Aaker, 1998). O branding está diretamente ligado à criação de associações positivas na mente do consumidor, contribuindo para a fidelização e o fortalecimento da imagem institucional. Analisar a percepção do público é, portanto, relevante para que as mensagens transmitidas, seja em mídias sociais digitais ou impressas, reforcem a identidade da marca e consolidem seu posicionamento no mercado (Keller, 2013). A comunicação de marketing, por sua vez, deve ser uma extensão da estratégia de branding, garantindo o alinhamento de todas as ações aos valores e propósitos da organização (Kapferer, 2012).
O marketing contemporâneo tem sido impulsionado pelas tecnologias digitais e pela crescente integração de dados, inteligência artificial e experiência do consumidor (Kotler et al., 2021). O ambiente digital ampliou as possibilidades de interação entre organizações e consumidores, viabilizando estratégias de comunicação mais segmentadas, interativas e baseadas em dados (Kingsnorth, 2022). No contexto esportivo, o marketing assume um papel estratégico na construção de relacionamento entre organizações, atletas e torcedores, fortalecendo a marca e ampliando o engajamento do público (Shank e Lyberger, 2022). O fortalecimento da marca é central para a criação de valor e diferenciação competitiva, especialmente em ambientes digitais, onde a construção de significado e relacionamento com o consumidor é ainda mais relevante (Keller e Swaminathan, 2020).
O Movimento Paralímpico tem demonstrado um crescimento significativo em alcance midiático, audiência e engajamento digital. Os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, por exemplo, registraram uma audiência global cumulativa de aproximadamente 4,25 bilhões de telespectadores (International Paralympic Committee, 2021). Os Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022 alcançaram 2,1 bilhões de telespectadores, e os canais de mídias sociais do Comitê Paralímpico Internacional ultrapassaram 1 bilhão de visualizações de vídeos em 2022 (International Paralympic Committee, 2023). Apesar desse avanço notável, estudos sobre a cobertura jornalística do esporte paralímpico no Brasil revelam limitações no volume e na distribuição da exposição midiática (Souza et al., 2023), o que evidencia a necessidade de estratégias de comunicação e marketing mais eficazes para ampliar sua visibilidade e fortalecer a conexão com o público.
No Brasil, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) é o principal representante do movimento, uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1995, responsável por dirigir e coordenar o segmento esportivo paralímpico nacional (Comitê Paralímpico Brasileiro, 2025b). O país alcançou sua melhor campanha na história dos Jogos Paralímpicos em Paris 2024, ficando em quinto lugar no ranking geral de medalhas (Comitê Paralímpico Brasileiro, 2024a). Diante desse cenário de crescimento e desafios, torna-se relevante investigar o nível de conhecimento da instituição pela comunidade e pelo público geral. A busca por aumentar o alcance do esporte paralímpico impacta a sociedade ao mudar a percepção sobre a deficiência, incentivar a inclusão e promover o alto rendimento. Compreender a percepção do público sobre o movimento paralímpico é, portanto, fundamental para identificar tendências, comportamentos e fatores que podem influenciar sua visibilidade e fortalecimento no contexto brasileiro, contribuindo para o debate sobre a construção de visibilidade, reconhecimento institucional e engajamento do público com o movimento paralímpico. Portanto, o objetivo deste trabalho foi identificar a percepção do público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro, bem como o consumo de conteúdo paralímpico no ambiente digital.
2. Material e Métodos
O presente trabalho adotou uma abordagem de pesquisa descritiva, de natureza quantitativa, como fundamento metodológico para investigar a percepção e o nível de conhecimento do público em relação ao Comitê Paralímpico Brasileiro. A coleta de dados foi realizada por meio de uma pesquisa de campo do tipo
survey
, utilizando um questionário estruturado. Este instrumento foi aplicado em ambiente digital, através da plataforma Google Forms, no período de 28 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026.
A pesquisa descritiva foi empregada com a finalidade de apresentar e caracterizar aspectos de uma determinada população ou fenômeno, permitindo identificar percepções, comportamentos e possíveis relações entre as variáveis investigadas (Gil, 2008). Essa abordagem foi considerada adequada para o objetivo de compreender a percepção do público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro e o consumo de conteúdo paralímpico no ambiente digital.
O método
survey
, amplamente utilizado em estudos de marketing e comportamento do consumidor, possibilitou a coleta sistemática de dados diretamente junto aos participantes. Este instrumento é relevante para compreender como diferentes públicos percebem marcas, instituições e conteúdos no ambiente social e midiático (Malhotra, 2019). A utilização de questionários estruturados garantiu a padronização das respostas, facilitando a organização e a análise dos dados obtidos (Souza et al., 2021).
A amostra foi composta por 30 respondentes e caracterizou-se como não probabilística por conveniência. Os participantes foram selecionados com base na acessibilidade e disponibilidade para responder ao questionário. Foram considerados indivíduos ligados ou não ao universo do esporte, com o objetivo de captar percepções gerais, nível de conhecimento e expectativas relacionadas ao Comitê Paralímpico Brasileiro e ao movimento paralímpico.
Para a construção do questionário, baseou-se em três eixos teóricos principais: segmentação de público e comportamento do consumidor (Kotler e Keller, 2018), percepção e imagem de marca (Aaker, 1998) e marketing esportivo (Mullin et al., 2014). Esses referenciais orientaram a elaboração das perguntas, abrangendo o perfil dos respondentes, o consumo de mídia, a percepção institucional do Comitê Paralímpico Brasileiro e o nível de engajamento com o esporte paralímpico.
No que tange aos cuidados éticos, garantiu-se o anonimato dos participantes, de modo que nenhuma informação individual pudesse identificá-los. Os dados coletados foram utilizados exclusivamente para fins acadêmicos, assegurando a proteção contra qualquer tipo de exposição ou risco, seja moral, profissional ou institucional. Este procedimento visou preservar a privacidade e a integridade dos envolvidos na pesquisa.
Após a coleta, os dados obtidos foram organizados e submetidos à análise. O processo de análise buscou compreender aspectos relacionados ao reconhecimento institucional do Comitê Paralímpico Brasileiro, ao consumo de conteúdos paralímpicos e à percepção de visibilidade do esporte paralímpico. A partir da amostra, elaborou-se uma análise da percepção do público para identificar tendências e oportunidades.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados coletados permitiu identificar padrões e percepções relevantes sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o consumo de conteúdo paralímpico no ambiente digital, conforme proposto pelo objetivo do estudo. Inicialmente, observou-se que o movimento paralímpico, que teve sua origem na década de 1940 com as iniciativas do médico Ludwig Guttmann para a reabilitação de soldados, evoluiu de práticas terapêuticas para um fenômeno esportivo global (Mello e Winckler, 2012; International Paralympic Committee, 2024). Essa trajetória histórica é fundamental para compreender a relevância social e cultural que o esporte paralímpico adquiriu, desconstruindo estigmas e promovendo narrativas de superação e cidadania, conforme apontado por DePauw e Gavron (2005).
O Comitê Paralímpico Brasileiro, fundado em 1995, emerge como a principal instituição responsável por dirigir e coordenar o esporte paralímpico no país. Sua atuação vai além da gestão esportiva, englobando a promoção da inclusão e o desenvolvimento de atletas de alto rendimento. O Brasil alcançou resultados históricos, como o 5º lugar no ranking geral de medalhas nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 e o 1º lugar no Mundial de Atletismo em Nova Déli em 2025 (Comitê Paralímpico Brasileiro, 2024a; Comitê Paralímpico Brasileiro, 2025c). Esses marcos competitivos reforçam o papel do CPB como um agente de transformação social e um pilar para a excelência esportiva, evidenciando a importância de sua imagem institucional.
A pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, revelou que a amostra foi composta majoritariamente por indivíduos do gênero feminino, representando 63,3% dos respondentes, com uma faixa etária predominante entre 28 e 42 anos (53,3%). Em termos de escolaridade, a maioria possuía pós-graduação (36,7%) ou ensino superior completo (26,7%). É relevante notar que 83,3% dos participantes declararam não ter deficiência e 76,7% não possuíam vínculo direto com o movimento paralímpico. Esse perfil da amostra sugere que o estudo conseguiu captar a percepção de um público externo ao nicho direto do esporte paralímpico, o que é crucial para avaliar a visibilidade e o reconhecimento da instituição em um contexto mais amplo da sociedade.
Ao analisar o interesse no esporte paralímpico em relação ao gênero, observou-se uma diferença notável. Entre as respondentes do gênero feminino, a maior concentração (30%) indicou baixo interesse, enquanto 23,3% demonstraram alto interesse e 10% interesse moderado. Por outro lado, entre os respondentes do gênero masculino, predominou o alto interesse, com 26,7%, e 10% indicaram baixo interesse, sem registro de interesse moderado. Esses dados sugerem que o público masculino na amostra apresentou um nível de engajamento mais elevado com o conteúdo paralímpico, mas a presença significativa de mulheres com interesse demonstra um potencial considerável para a ampliação do engajamento feminino através de estratégias de comunicação e marketing esportivo mais direcionadas, conforme discutido por Mullin et al. (2014) sobre a influência da exposição midiática.
Em relação aos tipos de conteúdo paralímpico considerados mais interessantes pelos respondentes, 33,3% indicaram preferência por resultados e competições. Em seguida, com 23,3% cada, destacaram-se as histórias de atletas e os conteúdos educativos sobre inclusão e esporte paralímpico. Os bastidores das competições atraíram 16,7% dos respondentes, e outros tipos de conteúdo somaram 3,3%. Essa distribuição de interesse reforça a importância de estratégias de comunicação que valorizem tanto o aspecto competitivo e de alto rendimento quanto as narrativas humanas e o potencial educativo do esporte paralímpico. A valorização das trajetórias dos atletas e dos bastidores das competições pode fortalecer o vínculo do público, como sugerem Shank e Lyberger (2022) ao abordar a construção de relacionamento no marketing esportivo.
O reconhecimento institucional do CPB mostrou-se elevado entre os respondentes, independentemente do nível educacional. Verificou-se que 100% dos participantes com ensino médio completo, ensino superior incompleto e ensino fundamental completo afirmaram já ter ouvido falar sobre a instituição. Entre aqueles com ensino superior completo, 87,5% conheciam o CPB, enquanto 12,5% não. Para os respondentes com pós-graduação, aproximadamente 90,9% afirmaram conhecer o CPB, e 9,1% indicaram desconhecimento. Esses resultados indicam que, embora o CPB possua um reconhecimento significativo, ainda há espaço para ampliar a disseminação de informações institucionais e aprofundar a compreensão sobre seu papel e ações, o que é fundamental para o fortalecimento da marca, conforme os princípios de branding de Aaker (1998) e Keller (2013).
A análise do cruzamento entre idade e consumo de conteúdo paralímpico revelou que os participantes mais jovens da amostra demonstram maior proximidade com esse tipo de conteúdo. Esse achado pode ser atribuído à maior familiaridade das gerações mais novas com o ambiente digital, que, segundo Kotler et al. (2021), possibilita interações mais diretas e frequentes entre organizações e consumidores. Essa tendência sublinha a relevância de estratégias de comunicação digital segmentadas para públicos mais jovens, visando ampliar o alcance e o engajamento com o esporte paralímpico, utilizando as plataformas onde esses grupos estão mais presentes.
A frequência de utilização de mídias sociais digitais pelos respondentes foi expressiva, com 83,3% afirmando utilizá-las todos os dias ou várias vezes ao dia, e 10% uma vez ao dia. Esse comportamento indica que o público analisado está inserido em um ambiente digitalizado, onde a comunicação institucional depende fortemente de estratégias de presença e relevância nas plataformas digitais. Essa constatação está alinhada à transição para o marketing digital centrado no consumidor conectado, no qual as mídias sociais desempenham um papel central na construção de relacionamento, conforme descrito por Kotler et al. (2017). A alta conectividade do público reforça a necessidade de o CPB investir continuamente em sua presença digital.
As redes sociais foram identificadas como o meio principal de consumo de conteúdo relacionado ao esporte, com 70% dos respondentes indicando-as como sua fonte mais utilizada. Sites de notícias foram mencionados por 30%, televisão por 26,7% e jornal por 6,7%. Esse dado ressalta a centralidade das mídias sociais como canal estratégico para a disseminação de informações e engajamento com o esporte paralímpico. A predominância das redes sociais como fonte de conteúdo esportivo sublinha a necessidade de o CPB concentrar seus esforços de comunicação nessas plataformas, adaptando-se aos hábitos de consumo do público.
Entre as mídias sociais mais utilizadas pelos respondentes, o Instagram se destacou com 86,7%, seguido pelo YouTube (56,7%), X (Twitter) com 43,3%, TikTok com 36,7%, Facebook com 20% e Bluesky com 3,3%. O predomínio do Instagram pode ser associado às suas características visuais e dinâmicas, que facilitam o compartilhamento de conteúdo, enquanto o YouTube se consolida para vídeos e conteúdos mais aprofundados. Esses dados são cruciais para o CPB direcionar suas estratégias de comunicação digital, priorizando as plataformas onde seu público-alvo está mais ativo e engajado, maximizando o impacto de suas campanhas, conforme sugerem Kaplan e Haenlein (2010) sobre o papel ativo dos usuários nas mídias sociais.
O cruzamento entre o uso de redes sociais e o reconhecimento do CPB evidenciou que os respondentes que utilizam essas plataformas apresentaram maior familiaridade com a instituição. Esse resultado reforça o papel das mídias sociais digitais como canais eficazes para a divulgação e o fortalecimento da marca institucional no contexto do esporte paralímpico. A consistência e relevância do conteúdo publicado nessas plataformas são fatores determinantes para o engajamento, como apontam Tuten e Solomon (2017). A presença digital robusta do CPB, portanto, é um vetor para ampliar sua visibilidade e conexão com o público, aproveitando o alto acesso à internet nos domicílios brasileiros (IBGE, 2023).
Apesar do alto reconhecimento do CPB, a percepção sobre a visibilidade dos Jogos Paralímpicos no Brasil é baixa. Apenas 6,7% dos respondentes concordaram que o evento recebe a visibilidade necessária. Essa percepção encontra respaldo em estudos sobre a cobertura jornalística do esporte paralímpico no Brasil, que apontam limitações no volume e distribuição da exposição midiática (Souza et al., 2023). A cobertura dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 na TV aberta brasileira foi limitada, com maior destaque para a TV fechada, o que reforça a diferença de projeção em comparação com os Jogos Olímpicos (Comitê Paralímpico Brasileiro, 2025a). Essa disparidade na visibilidade midiática impacta diretamente o potencial de engajamento e a popularização do movimento paralímpico.
Observou-se uma associação descritiva entre a percepção de visibilidade do esporte paralímpico e o interesse do público em acompanhá-lo. Quanto maior a percepção de visibilidade, maior o interesse. Além disso, 70% dos respondentes afirmaram que, para aumentar o interesse e o engajamento nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, são importantes as transmissões ao vivo em plataformas acessíveis ao público. Essa demanda por acessibilidade e maior cobertura reforça a necessidade de o CPB investir em estratégias que garantam a disponibilidade do conteúdo em canais de amplo alcance, superando as limitações da televisão aberta e aproximando o público da instituição, conforme a relevância da televisão como meio de acesso à informação no Brasil (IBGE, 2023).
Um elemento estratégico positivo identificado na pesquisa foi o reconhecimento do Brasil como uma potência paralímpica, associado diretamente ao desempenho competitivo de seus atletas. Esse fator demonstra que o esporte, seus resultados e as conquistas dos atletas constituem um ativo relevante, capaz de gerar interesse e motivação para o acompanhamento de conteúdos relacionados ao movimento paralímpico. A valorização das trajetórias dos atletas, dos bastidores das competições e a produção de conteúdos narrativos podem contribuir significativamente para ampliar o interesse e fortalecer o vínculo do público com o esporte paralímpico, conforme a perspectiva de Mullin et al. (2014) sobre a construção de narrativas envolventes e a identificação com atletas.
Com base nos resultados e nas percepções identificadas, o estudo sugere um conjunto de recomendações estratégicas para o Comitê Paralímpico Brasileiro. Para o fortalecimento da presença digital, recomenda-se a ampliação da produção e divulgação de conteúdos sobre o esporte paralímpico nas redes sociais, incluindo bastidores de treinos, histórias de atletas e conteúdos educativos sobre as modalidades. O uso de atletas como influenciadores, valorizando sua imagem como embaixadores da marca e do movimento, por meio de séries de vídeos e campanhas que compartilhem suas trajetórias e conquistas, é uma estratégia promissora.
A produção de conteúdo educativo sobre o movimento paralímpico, com posts explicativos, vídeos curtos ou infográficos sobre modalidades e curiosidades, pode aprofundar o conhecimento do público. O engajamento do público nas redes sociais deve ser incentivado por meio de interações digitais, como enquetes, quizzes ou desafios relacionados ao esporte paralímpico. O aproveitamento de grandes eventos esportivos, com intensificação da comunicação durante períodos de maior visibilidade, como os Jogos Paralímpicos, através de cobertura em tempo real e campanhas de engajamento, é fundamental para reforçar a marca.
Por fim, a formação de parcerias com criadores de conteúdo esportivo e veículos digitais pode ampliar o alcance da comunicação, com a produção de conteúdos colaborativos que abordem esporte ou inclusão. Essas estratégias, em conjunto, visam transformar o reconhecimento institucional do CPB em maior visibilidade, engajamento contínuo e aprofundamento do vínculo com a instituição, especialmente no ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. A compreensão desse contexto é fundamental para o debate sobre a construção de visibilidade, reconhecimento e engajamento do público com o movimento paralímpico, sugerindo investimento em estratégias de comunicação digital contínua e valorização das narrativas dos atletas, respondendo diretamente ao objetivo de identificar a percepção do público e o consumo de conteúdo no ambiente digital.
4. Conclusão
O presente estudo objetivou identificar a percepção do público sobre o Comitê Paralímpico Brasileiro e o consumo de conteúdo paralímpico no ambiente digital. Verificou-se um alto reconhecimento institucional do CPB entre os respondentes, indicando uma familiaridade considerável com a organização. Contudo, observou-se uma percepção de baixa visibilidade dos Jogos Paralímpicos no Brasil, o que sugere um desafio persistente na ampliação do alcance midiático do movimento. As redes sociais emergiram como o principal meio de consumo de conteúdo esportivo, com destaque para Instagram e YouTube, e constatou-se um maior interesse pelo esporte paralímpico entre o público masculino e os mais jovens. Os respondentes demonstraram preferência por conteúdos relacionados a resultados e competições, bem como histórias de atletas e materiais educativos sobre inclusão. A principal contribuição do estudo reside na compreensão desse cenário, que é fundamental para o debate sobre a construção de visibilidade, reconhecimento e engajamento do público com o movimento paralímpico, oferecendo subsídios para o aprimoramento das estratégias de comunicação e marketing do CPB.
Apesar dos achados relevantes, o estudo apresentou limitações decorrentes da amostra relativamente reduzida e da coleta de dados por questionário online, o que pode restringir a generalização dos resultados. Com base nas percepções identificadas, recomenda-se ao Comitê Paralímpico Brasileiro investir em estratégias de comunicação digital contínua, valorizando as narrativas dos atletas e a produção de conteúdos educativos e de bastidores. Sugere-se também o aproveitamento de grandes eventos esportivos e a formação de parcerias com criadores de conteúdo para ampliar o alcance. Para estudos futuros, indica-se a ampliação do tamanho da amostra e a exploração de metodologias complementares, como entrevistas e grupos focais, a fim de aprofundar a compreensão da percepção do público e a eficácia das estratégias de comunicação do CPB.
Referências Bibliográficas
Aaker, D.A. 1998. Construindo marcas fortes. Porto Alegre: Bookman.
International Paralympic Committee. 2021. Tokyo 2020 Paralympics set to break all broadcast viewing records. Disponível em: https://www.paralympic.org/news/tokyo-2020-paralympics-set-break
Kapferer, J.-N. 2012. The new strategic brand management: advanced insights and strategic thinking. 5.ed. London: Kogan Page.
Keller, K.L. 2013. Strategic brand management: building, measuring, and managing brand equity. 4.ed. Harlow: Pearson Education.
Keller, K.L.; Swaminathan, V. 2020. Strategic brand management. 5.ed. Harlow: Pearson.
Kingsnorth, S. 2022. Digital marketing strategy. 3.ed. London: Kogan Page.
Kotler, P.; Kartajaya, H.; Setiawan, I. 2021. Marketing 5.0: technology for humanity. Hoboken: Wiley.
Kotler, P.; Keller, K.L. 2012. Administração de marketing. 14.ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil.
Shank, M.D.; Lyberger, M.R. 2022. Sport marketing: a strategic perspective. 6.ed. New York: Routledge.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq
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