Imagem Otimização do tempo como estratégia para produtividade e bem-estar corporativo

10 de fevereiro de 2026

Otimização do tempo como estratégia para produtividade e bem-estar corporativo

Samuel Aparecido Moraes de Santana; Bruno Gomes Pereira

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Este estudo objetivou verificar como a gestão do tempo em ambientes corporativos pode contribuir para a eficiência organizacional e para a criação de condições de trabalho mais saudáveis. A pesquisa buscou identificar as principais dificuldades dos colaboradores na gestão do tempo, avaliar os impactos na produtividade e no bem-estar, e propor melhorias que favoreçam a eficiência operacional sem comprometer a saúde mental. A investigação parte do pressuposto de que a habilidade de gerenciar o tempo é um pilar estratégico para a sustentabilidade das organizações. A análise não dissocia desempenho e qualidade de vida, tratando-os como dimensões interdependentes para a construção de um ambiente de trabalho resiliente.

A gestão do tempo é um dos desafios mais proeminentes nos ambientes de trabalho contemporâneos; a aceleração dos processos intensificou as demandas. A evolução tecnológica, embora ofereça ferramentas de otimização, também contribui para uma cultura de imediatismo e conectividade constante, tornando o tempo um recurso escasso (Oliveira & Gomide Júnior, 2020). Nesse contexto, a capacidade de uma organização administrar a distribuição temporal de suas atividades representa uma condição fundamental para sua sobrevivência. A ausência de práticas estruturadas de gestão do tempo pode levar a um ciclo de sobrecarga, ineficiência e queda na qualidade das entregas, comprometendo a performance da empresa.

A má administração do tempo impacta negativamente o capital humano. Como apontam Silva et al. (2022), a sobrecarga de tarefas, os prazos irrealistas e a falta de clareza nas prioridades contribuem para o aumento do estresse crônico, da insatisfação e do desenvolvimento de quadros de adoecimento como a síndrome de burnout. Em contrapartida, a implementação de políticas que promovem o equilíbrio entre as exigências profissionais e o bem-estar dos colaboradores favorece um clima organizacional mais saudável e engajado. O bem-estar no trabalho, entendido como a percepção positiva do indivíduo sobre suas condições laborais (Pereira & Trevelin, 2020), emerge como um indicador-chave da saúde organizacional.

Muitas empresas, no entanto, ainda operam sob paradigmas que valorizam a presença física prolongada como sinônimo de produtividade, uma visão ineficaz. Essa cultura do “presenteísmo” não apenas falha em reconhecer a diferença entre estar ocupado e ser produtivo, mas também cria ambientes de trabalho tóxicos que minam a motivação e a criatividade (Araujo et al., 2024). A superação desse modelo exige uma mudança na qual a produtividade seja medida pela qualidade e eficiência dos resultados, e não pelo número de horas trabalhadas. A promoção de um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal é uma estratégia para a retenção de talentos e a otimização do desempenho.

A problemática central desta pesquisa é: de que forma a gestão do tempo pode ser aplicada para aprimorar a produtividade organizacional sem comprometer o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores? A análise considera que a produtividade não pode ser alcançada às custas do esgotamento humano, sendo fruto de um sistema que integra desempenho e bem-estar. O estudo adota uma concepção de produtividade que engloba a eficiência no uso dos recursos, a qualidade dos resultados e a capacidade de inovação (Oliveira & Gomide Júnior, 2020), buscando demonstrar que investir no bem-estar dos colaboradores é investir na própria eficiência da organização.

Para alcançar os objetivos, a pesquisa foi caracterizada como aplicada, com natureza descritiva e abordagem quantitativa. A pesquisa aplicada gera conhecimentos com aplicação prática para a solução de problemas (Gil, 2019), enquanto a natureza descritiva permite descrever características de um fenômeno e estabelecer relações entre variáveis. A abordagem quantitativa foi escolhida por sua capacidade de mensurar informações, testar hipóteses e identificar padrões por meio de análise estatística, conferindo objetividade aos resultados (Sampieri, Collado & Lucio, 2013). Essa combinação metodológica permitiu diagnosticar a situação da empresa e fornecer uma base empírica para a proposição de intervenções.

O método de pesquisa foi o survey descritivo, adequado para levantar percepções e atitudes de um grupo de forma sistemática (Marconi & Lakatos, 2021). O instrumento de coleta foi um questionário estruturado com 13 questões fechadas, elaborado com base na literatura sobre gestão do tempo, produtividade e bem-estar (Fabiano, Santos & Viviani, 2023; Silva et al., 2022). As perguntas abordaram organização da rotina, percepção de sobrecarga, impacto de interrupções, equilíbrio vida-trabalho e níveis de esgotamento. O questionário foi implementado na plataforma Google Forms, facilitando o acesso e a tabulação das respostas (Creswell, 2014).

O estudo foi realizado em uma empresa de médio porte do setor de serviços contábeis em Ribeirão Preto, São Paulo, com mais de duas décadas de atuação. O campo empírico é relevante, pois o trabalho envolve atividades de alta precisão e atendimento ao cliente, exigindo eficaz gestão do tempo. A amostra foi composta por 40 colaboradores, representando 72,7% do quadro funcional de 55 pessoas, taxa de participação considerada satisfatória para análises confiáveis (Hair et al., 2014). O perfil dos participantes era heterogêneo em tempo de serviço e formação, enriquecendo a análise.

A coleta de dados ocorreu online entre 10 e 17 de junho de 2025. O link para o questionário foi distribuído por canais de comunicação oficiais da empresa (Mattar, 2014). Os critérios de inclusão foram: possuir vínculo empregatício ativo, ter no mínimo três meses de atuação e disponibilidade para responder integralmente. Foram excluídos estagiários com menos de três meses, colaboradores afastados e terceirizados, para garantir a consistência do contexto investigado (Flick, 2013). Antes do preenchimento, os participantes acessaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que assegurava anonimato, confidencialidade e liberdade de desistência.

A análise dos resultados revela uma percepção complexa sobre a gestão do tempo. Questionados sobre a organização da rotina, 52,5% dos participantes a consideram “frequentemente” bem-organizada, e 17,5% “sempre” organizada. Esses dados sugerem que a maioria (70%) tem uma percepção positiva sobre sua capacidade de estruturar as atividades. No entanto, 30% admitem que sua rotina é organizada apenas “ocasionalmente” ou “raramente”, sinalizando dificuldades para uma parte da equipe. Essa percepção inicial é desafiada por outros indicadores que apontam para gargalos estruturais.

O principal gargalo identificado é a sobrecarga de trabalho. Os dados mostram que 90% dos colaboradores sentem que há tarefas demais para o tempo disponível. Desse total, 40% vivenciam essa situação “ocasionalmente”, 35% “frequentemente” e 15% “sempre”. Apenas 10% raramente ou nunca enfrentam essa dificuldade. O descompasso entre a percepção de rotina organizada e a sensação de sobrecarga indica que a organização individual é insuficiente para lidar com o volume de demandas. O excesso de tarefas é um fator de risco para estresse e burnout (Araujo et al., 2024), comprometendo a produtividade e o bem-estar.

Outro fator que impacta a eficiência é a frequência de interrupções. A pesquisa revela que 82,5% dos colaboradores reconhecem que sua produtividade é afetada por interrupções, como demandas emergenciais e reuniões não planejadas. Dentre estes, 22,5% sentem esse impacto “sempre” e 27,5% de forma “moderada”. Este achado reforça que a gestão do tempo depende de uma cultura organizacional que promova o foco. Ambientes com fluxos de trabalho claros e comunicação eficiente reduzem o desgaste provocado por interrupções, permitindo maior concentração (Oliveira, Gomide Júnior & Poli, 2020).

As consequências dessa pressão transbordam para a vida pessoal. Questionados sobre o impacto do tempo de trabalho na vida pessoal, 40% dos respondentes afirmaram sentir um impacto “moderado” a “muito”, e 5% sentem esse impacto “sempre”. Embora 60% relatem um impacto “pouco” ou “nenhum”, a existência de um grupo expressivo que percebe prejuízos é um sinal de alerta. O desequilíbrio entre as esferas profissional e pessoal é um dos principais detratores da qualidade de vida e da saúde mental (Pereira & Trevelin, 2020; Gonçalves, Silva & Oliveira, 2021).

O resultado direto desse cenário é um nível preocupante de esgotamento mental. Um total de 45% dos participantes relatou sentir-se mentalmente esgotado “frequentemente” (25%) ou “sempre” (20%) ao final do dia. Esse dado é um dos mais críticos, pois o esgotamento crônico é um precursor da síndrome de burnout e afeta negativamente a motivação e a capacidade cognitiva (Silva et al., 2022). A promoção do bem-estar mental não é um benefício acessório, mas uma condição essencial para uma força de trabalho produtiva (Magalhães e Montimór, 2024).

A percepção sobre o equilíbrio entre produtividade e bem-estar na empresa reflete essa tensão. Apenas 40% dos colaboradores afirmaram que esse equilíbrio existe de forma consistente. A maioria, 45%, declarou que ele ocorre “às vezes”, enquanto 12,5% não o percebem. Esse resultado sugere que a pressão por resultados frequentemente se sobrepõe ao cuidado com a saúde dos profissionais. Embora a classificação do nível de bem-estar seja majoritariamente positiva (47,5% “bom” e 12,5% “muito bom”), os 40% que o classificam como “regular” ou “ruim” indicam espaço para melhorias.

Apesar dos desafios, os colaboradores demonstram uma visão clara sobre as soluções. A maioria (87,5%) acredita que investir no bem-estar e na otimização do tempo pode melhorar “totalmente” ou “muito” os resultados organizacionais. Essa percepção alinha-se com a literatura que defende a integração entre saúde e gestão eficiente como estratégia para ganhos de produtividade (Ocasal, Martínez & Santos, 2024). Além disso, 77,5% dos funcionários mostraram interesse em participar de ações voltadas à melhoria da gestão do tempo e do bem-estar, sinalizando abertura para programas de desenvolvimento.

Questionados sobre as ações mais viáveis, as respostas convergiram para a necessidade de maior flexibilidade e autonomia. A flexibilização dos dias de trabalho foi a opção mais citada (37,5%), seguida pela flexibilização da carga horária (27,5%) e pela implementação de dias de teletrabalho (17,5%). Essas preferências indicam um desejo por modelos de trabalho que permitam melhor conciliação entre demandas profissionais e pessoais. A adoção de políticas de flexibilidade é apontada como uma ferramenta eficaz para reduzir o estresse e aumentar o engajamento (Quintela, Souza & Frazão, 2024; Fabiano, Santos & Viviani, 2023).

Em síntese, a pesquisa evidenciou que a organização do tempo é um fator estratégico para a produtividade e a saúde mental. Os resultados confirmaram que, apesar de uma percepção superficial de organização, existem gargalos como sobrecarga de trabalho, interrupções e desequilíbrio vida-trabalho, que culminam em esgotamento mental. O problema de pesquisa foi respondido ao demonstrar que é possível otimizar o tempo de trabalho sem comprometer a saúde, por meio de medidas de autonomia, flexibilidade e suporte. As limitações do estudo incluem sua aplicação em uma única organização, o que restringe a generalização, e o uso de dados autodeclarados. Recomenda-se que futuras pesquisas ampliem o escopo e combinem métodos quantitativos com análises qualitativas.

Conclui-se que organizações proativas na gestão do tempo e promoção do bem-estar demonstram maior capacidade de enfrentar os desafios de produtividade e retenção de talentos. Investir em iniciativas que promovam autonomia, uso inteligente de tecnologias e políticas laborais flexíveis não é um custo, mas um diferencial competitivo. Trata-se de um caminho estratégico para empresas que almejam alto desempenho de forma sustentável, consolidando uma cultura saudável e pautada na valorização de seu capital humano. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a implementação de estratégias organizacionais focadas na gestão do tempo, como flexibilização e suporte institucional, contribui diretamente para a eficiência produtiva e para a criação de um ambiente de trabalho mais saudável.

Referências:
Araujo, A. C.; Custódio, G. F.; Mariano, J. E. L.; Durães, V. O. A.; Souza, A. J. L.; Rocha, F. M. 2024. A importância da gestão de tempo para a redução do burnout nas organizações EPP’s.
Creswell, J. W. 2014. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 4ed. SAGE, Thousand Oaks, CA, USA.
Fabiano, A. C. S.; Santos, L. A. R.; Viviani, L. D. 2023. A importância da priorização da qualidade de vida no trabalho e seu impacto na produtividade do colaborador.
Flick, U. 2013. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes. Penso, Porto Alegre, RS, Brasil.
Gil, A. C. 2019. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Gonçalves, B. H.; Silva, F. A. L.; Oliveira, J. P. L. 2021. Qualidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional: um estudo de caso sobre o ambiente organizacional moderno. Brazilian Journal of Development 7(10): 96032-96047.
Hair, J. F.; Babin, B.; Money, A. H.; Samouel, P. 2014. Fundamentos de métodos de pesquisa em administração. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.
Magalhães, F. M.; Montimór, T. H. S. 2024. Como a fomentação da gestão emocional dos colaboradores pode proporcionar maior produtividade. BIUS – Boletim Informativo Unimotrisaúde em Sociogerontologia 49(43): 1-28.
Marconi, M. A.; Lakatos, E. M. 2021. Fundamentos de metodologia científica. 9ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Mattar, F. N. 2014. Pesquisa de marketing. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Ocasal, D. L. M.; Martínez, M. A. G.; Santos, N. Q. 2024. Bem-estar subjetivo e produtividade no trabalho: uma perspectiva global e organizacional. Revista de Administração de Empresas 64: e2023-0367.
Oliveira, a. F.; Gomide Júnior, S.; Poli, B. V. S. 2020. Antecedentes de bem-estar no trabalho: confiança e políticas de gestão de pessoas. Revista de Administração Mackenzie 21: eRAMD200105.
Pereira, M. N.; Trevelin, A. T. C. 2020. Qualidade de vida no trabalho: a importância das pessoas nas organizações. Revista Interface Tecnológica 17(1): 219-231.
Quintela, M. P. A.; Souza, S. K. C.; Frazão, P. V. 2024. Conectando profissionalismo e bem-estar: uma análise bibliográfica sobre a influência do home office na qualidade de vida do trabalhador. Cadernos de InterPesquisas 2: 17-42.
Sampieri, R. H.; Collado, C. F.; Lucio, M. P. B. 2013. Metodologia de pesquisa. 6ed. Penso, Porto Alegre, RS, Brasil.
Silva, B. V.; Moro, E. M.; Fabiano, A. C. S. 2022. Gestão de pessoas: saúde psicológica no trabalho. Gestão de Pessoas: Saúde Psicológica no Trabalho.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Quem editou este artigo

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade