28 de abril de 2026
Otimização do fornecimento de rastreadores solares via caminho crítico
Hudson Kachak Fonseca; Amanda Leal da Silva Teodoro
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
A crescente adoção de fontes renováveis de energia tem impulsionado o desenvolvimento de usinas fotovoltaicas em diversas regiões do mundo, um movimento que se encontra diretamente relacionado às políticas de incentivo e à busca incessante por fontes sustentáveis de eletricidade (Martins; Laurindo, 2020). Entre os avanços tecnológicos implementados nesse setor, os rastreadores solares, também conhecidos como trackers, desempenham um papel fundamental na maximização da captação de energia solar. Esses dispositivos permitem que os painéis fotovoltaicos sigam a trajetória do sol ao longo do dia, garantindo que a radiação incida de forma perpendicular às células. De acordo com dados técnicos consolidados, esse sistema apresenta uma capacidade de geração de energia elétrica cerca de 20% superior à das estruturas fixas convencionais (Duffie; Beckman, 2020). No entanto, a eficiência no início operacional dessas usinas depende diretamente das entregas pontuais dos componentes necessários para sua montagem e operação. Falhas na logística de suprimentos podem comprometer severamente o cronograma dos projetos e impactar a viabilidade financeira das usinas, tornando os atrasos logísticos um desafio recorrente na indústria (Chopra; Meindl, 2021). A gestão eficiente da cadeia de suprimentos é, portanto, essencial para minimizar incertezas e garantir a previsibilidade das entregas em um mercado cada vez mais competitivo (Christopher, 2016). No caso específico dos rastreadores solares, a complexidade do fornecimento envolve múltiplos fornecedores e longas cadeias logísticas, o que pode gerar gargalos significativos. A resiliência dessa cadeia depende de um planejamento robusto e da adoção de metodologias de gerenciamento de projetos que possibilitem maior controle sobre os fluxos de materiais e informações. A previsibilidade nas entregas é um fator essencial para a competitividade das empresas fornecedoras, que precisam evitar penalizações contratuais e custos adicionais decorrentes de atrasos, mitigando impactos negativos nas margens de lucro dos projetos (Slack; Brandon-Jones; Johnston, 2020). O setor de energia solar é altamente sensível aos cronogramas, uma vez que atrasos na instalação de rastreadores podem comprometer a geração de energia e, consequentemente, os retornos financeiros esperados pelos investidores. Diante da necessidade de aprimorar a gestão de fornecimento, a aplicação de ferramentas como o Método do Caminho Crítico permite identificar as atividades que impactam diretamente o prazo final de entrega (Kerzner, 2017).
A investigação dos atrasos na entrega de componentes de rastreadores solares e suas implicações na cadeia produtiva fundamenta-se nas diretrizes do Guia PMBOK, utilizando o mapeamento e a otimização do fluxo de fornecimento (PMI, 2017). O estudo de caso único, com abordagem qualitativa e quantitativa, foi aplicado a uma empresa do setor de energia solar localizada no estado de São Paulo, especializada na fabricação e fornecimento desses dispositivos para usinas fotovoltaicas. O funcionamento diário de um rastreador solar envolve o posicionamento dos módulos de forma que a radiação solar incida a um ângulo de 90 graus durante todo o dia. Usinas de menor porte costumam contar com cerca de 100 rastreadores, enquanto grandes parques solares podem ultrapassar 5000 unidades. O movimento inicia-se ao nascer do sol, no leste, e termina ao final da tarde, no oeste, maximizando a captação energética. Tecnicamente, os rastreadores são formados por estacas cravadas no solo, com fundações que variam conforme as condições geotécnicas locais. No topo dessas estacas, um mecanismo de apoio permite o giro de um eixo longitudinal que sustenta os painéis, fixados por parafusos e conexões metálicas. Esse movimento é controlado por motores elétricos e sistemas automatizados que ajustam a inclinação em tempo real, ocorrendo em média entre 6h10 e 6h30. Muitas usinas utilizam algoritmos inteligentes que identificam e ajustam os padrões solares, funcionando de forma semelhante a sistemas de aprendizado de máquina. Apesar da eficiência técnica, os processos logísticos enfrentam prazos reduzidos, pois as empresas construtoras precisam atender à data limite de conexão à rede elétrica estabelecida em contrato com a concessionária. Essa limitação decorre dos cronogramas vinculados aos leilões de energia elétrica, que impõem marcos rígidos para o início da operação comercial. O processo de montagem das usinas inicia-se pela execução das fundações, com a cravação das estacas e, se necessário, aplicação de concreto usinado. Segue-se a montagem mecânica, com a instalação das estruturas metálicas e fixação dos módulos. A montagem elétrica abrange o cabeamento, sistemas de comunicação, inversores e transformadores. Por fim, o comissionamento compreende os testes finais para assegurar a operação segura.
A metodologia de análise envolveu o levantamento de dados primários e secundários por meio de análise documental de ordens de compra, registros de prazos e históricos de entregas. A observação direta acompanhou as etapas desde a emissão da lista de materiais, conhecida como Bill of Materials, até a entrega final. Entrevistas estruturadas foram realizadas com profissionais das áreas de vendas, engenharia, planejamento de vendas e operações, compras e logística. A equipe de logística atua de forma estruturada, com rotas definidas para minimizar atrasos, embora o foco da análise resida nos processos internos que precedem o transporte. O mapeamento do fluxo de fornecimento identificou as etapas desde a definição dos componentes até a entrega, enquanto a aplicação do gráfico de PERT e do Método do Caminho Crítico permitiu organizar visualmente as atividades em uma rede lógica (Kerzner, 2022). O objetivo central foi identificar o conjunto de atividades cuja duração total determina o prazo mínimo para a conclusão do projeto, uma vez que qualquer atraso em atividades críticas resulta no atraso global. Na modelagem analítica, assumiram-se premissas de inexistência de itens em estoque e não participação da engenharia de pré-venda para isolar as variáveis que definem o tempo total. O estudo de caso permitiu uma investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos dentro de seu contexto real, onde os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidos (Yin, 2015).
A análise do gráfico de PERT revelou uma margem de atraso de 12 dias úteis no caminho crítico. Enquanto o contrato de venda previa 30 dias finais, correspondentes a seis semanas corridas, o tempo efetivo de execução das atividades internas atingia, em média, 42 dias úteis, ou aproximadamente oito semanas e meia. Essa lacuna evidenciava falhas nos processos internos que comprometiam o prazo acordado no momento da assinatura. Mesmo ciente das limitações operacionais, o setor de vendas mantinha a prática de fechar contratos com prazos desafiadores devido à pressão do mercado e ao risco de perda de oportunidades comerciais. Essa conjuntura sistêmica exigia que a cadeia operasse sob uma lógica de agilidade extrema, demandando alta adaptabilidade e integração. A primeira problemática identificada foi a ausência de um setor estruturado para gerenciamento de projetos e pós-venda. Até o final de 2023, a empresa realizava o acompanhamento de maneira informal, com atribuições diluídas entre engenharia, comercial e logística. Essa falta de centralização criava lacunas na condução dos fluxos de entrega e no suporte técnico. Projetos eram esquecidos e prazos deixavam de ser monitorados, pois nenhuma área assumia responsabilidade plena após a negociação comercial. O crescimento acelerado da organização, originada como startup, priorizou a inovação técnica em detrimento da consolidação de processos internos. Com baixa maturidade organizacional, não havia metodologias de controle nem designação formal de responsáveis. Informações críticas ficavam restritas a correios eletrônicos antigos ou planilhas individuais desatualizadas, dificultando a comunicação entre as equipes. A ausência de comitês de acompanhamento e critérios de reporte impedia a alta direção de ter visibilidade sobre o portfólio, tornando as decisões reativas. Em 2023, sete usinas fotovoltaicas ficaram sem suporte técnico adequado, prejudicando a reputação da empresa.
Para solucionar essa fragilidade, estruturou-se um escritório de gerenciamento de projetos, o Project Management Office, alinhado às práticas de institucionalização de termos de abertura e gerenciamento do conhecimento (PMI, 2017). A criação desse núcleo formalizou a elaboração de documentos que definem autoridade, objetivos e premissas, assegurando um marco inicial comum para cada empreendimento. O estabelecimento de um repositório de lições aprendidas e documentação padrão garantiu a rastreabilidade e transparência, servindo como base para evitar a repetição de erros passados. Estrategicamente, o setor passou a atuar como núcleo de governança, fornecendo métricas de desempenho e relatórios para direcionar o portfólio de forma alinhada aos objetivos de negócio. O setor foi composto por um coordenador e quatro gerentes de projeto, responsáveis por toda a gestão desde a assinatura do contrato até a conclusão dos entregáveis. Essa mudança permitiu que cada projeto tivesse um responsável direto pela comunicação com o cliente e monitoramento do cronograma. A adoção dessa estrutura trouxe ganhos imediatos na satisfação do cliente e na organização interna, reabilitando a confiança no mercado. A nova reputação de excelência operacional tornou-se um diferencial competitivo, transformando clientes em promotores da marca e habilitando a área comercial a utilizar a eficiência na gestão como argumento de venda.
A segunda problemática identificada relacionava-se à ausência de documentação inicial por parte do cliente e seus impactos no cronograma. Identificou-se que o atraso no envio de informações essenciais logo após o fechamento do contrato comprometia a programação da engenharia e logística. A falta de dados técnicos e documentação fiscal inviabilizava o início imediato do desenvolvimento, criando períodos ociosos. Esse processo falho de coleta de requisitos ocorria porque a captura de informações era tratada como atividade exclusivamente comercial, sem foco na execução. Requisitos técnicos necessários para o dimensionamento estrutural e elétrico, como o modelo dos módulos, localização geográfica e estudo geotécnico, não eram formalmente validados. Sem esses insumos, o planejamento tornava-se impreciso, dificultando o cumprimento dos prazos. A solução adotada envolveu a implementação de cláusulas contratuais de responsabilidade e um roteiro padronizado de documentos obrigatórios. O gerenciamento das partes interessadas passou a identificar, ainda na fase de vendas, os responsáveis pelo fornecimento de cada informação no lado do cliente (PMI, 2017). O roteiro de documentos tornou-se a ferramenta que formaliza os requisitos de entrada, sendo apresentado e validado durante as tratativas finais. A cláusula contratual proposta oficializou que o fornecimento completo da documentação é um marco de início e uma condição precedente obrigatória, protegendo a empresa juridicamente e definindo limites claros de escopo. Essa medida não foi percebida como punitiva, mas como um protocolo necessário para o sucesso compartilhado, garantindo que a engenharia iniciasse os trabalhos com dados confiáveis.
A terceira problemática residia na concentração de tarefas pós-venda e na falta de padronização na engenharia. O mapeamento evidenciou que muitas atividades acumulavam-se logo após a assinatura do contrato, representando um ponto crítico. Os processos de vendas e engenharia operavam de forma desintegrada, tratando cada projeto como único, mesmo quando compartilhavam características semelhantes. Essa falta de padronização forçava a equipe a repetir esforços em atividades de baixo valor agregado, impactando o gerenciamento do tempo e da qualidade. Sem modelos predefinidos, as saídas da engenharia, como cálculos estruturais e listas de materiais, variavam conforme o profissional responsável, introduzindo riscos de erros e retrabalho. O processo de cotação envolvia duas abordagens: com ou sem envolvimento da engenharia. Quando o cliente exigia valores precisos, a engenharia realizava a modelagem do bloco estrutural, cálculos de dimensionamento baseados na velocidade do vento local e determinação de equipamentos elétricos. Para mitigar esse gargalo, implementou-se a padronização dos processos por meio da criação de pacotes ou modelos padrão, estabelecendo uma estrutura analítica do projeto para a maioria das propostas. Essa iniciativa eliminou a necessidade de redimensionamento completo para configurações recorrentes, sendo sustentada por uma análise de dados históricos. A padronização garantiu que as saídas atendessem a requisitos de consistência e precisão, funcionando como uma ferramenta de qualidade que previne defeitos. O impacto positivo estendeu-se ao gerenciamento das partes interessadas, pois o setor comercial ganhou autonomia para gerar propostas complexas com agilidade, reduzindo a dependência da engenharia para casos rotineiros. A equipe técnica foi liberada para focar em projetos customizados e inovação, agregando mais valor ao negócio. A redução drástica no tempo de resposta das cotações transformou-se em vantagem competitiva, aumentando a captação de oportunidades e otimizando a alocação de recursos.
A quarta problemática envolveu desafios no planejamento de compras e no relacionamento com fornecedores. O modelo de estoque dinâmico funcionava como um pulmão para demandas emergenciais, mas era limitado a componentes de maior demanda. O restante dos itens era adquirido apenas após a emissão da lista de materiais, revelando falhas no gerenciamento das aquisições. A empresa não possuía um plano de aquisições definido, tratando a compra de recursos essenciais como atividade administrativa genérica, sujeita a trâmites burocráticos que não consideravam o impacto no caminho crítico. A gestão reativa dos riscos do fornecedor, com apenas dois fornecedores por item e sem planos de contingência, criava vulnerabilidade a eventos disruptivos como altas cambiais ou problemas de produção. A falta de competitividade reduzia o poder de negociação, tornando a empresa refém de um mercado restrito. A solução implementada transformou a cadeia de suprimentos em um pilar de apoio, estabelecendo um plano de aquisições formal com critérios claros de categorização. A distinção entre compras padronizadas e excepcionais permitiu fluxos ágeis com aprovações pré-autorizadas, eliminando burocracias desnecessárias. Essa viabilidade foi habilitada pela padronização prévia da engenharia, que resultou em modelos de listas de materiais uniformes. Para enfrentar a volatilidade, adotaram-se acordos comerciais com preços fixos revisados semanalmente, reduzindo o tempo de cotação de sete dias para quase zero em itens padronizados. A aplicação proativa do gerenciamento de riscos incluiu a homologação de no mínimo quatro fornecedores por item, gerando competitividade saudável e melhores prazos. A análise de dados históricos permitiu criar curvas de consumo e planejar compras em lotes maiores, favorecendo o fluxo de caixa e a previsibilidade das demandas futuras.
A implementação das soluções resultou em uma transformação significativa do desempenho operacional. A comparação entre o cenário inicial e o fluxo otimizado revelou que a duração total do caminho crítico foi reduzida de 42 para 21 dias úteis, representando uma contração de 50% no tempo de execução das atividades internas. Esse ganho de eficiência provocou uma reversão estratégica em relação ao prazo contratual. Anteriormente, o processo operava com um déficit médio de 12 dias úteis em relação ao prazo de entrega de seis semanas. Com as melhorias, a empresa passou a operar com uma folga média de 11 dias úteis, proporcionando um colchão de segurança robusto para gerenciar imprevistos sem comprometer o compromisso final com o cliente. A eficácia das metodologias é comprovada por casos onde o ciclo completo, da emissão da ordem à disponibilidade para entrega, foi concluído em apenas 18 dias úteis. Esses resultados validam o potencial de ganho contínuo e demonstram que o novo processo possui capacidade de performance superior à média calculada. A integração entre o poder analítico do método do caminho crítico e as melhores práticas de gestão transformou operações deficitárias em vantagens competitivas sustentáveis. O diagnóstico preciso dos gargalos permitiu a implementação de soluções direcionadas que encurtaram o caminho crítico e asseguraram a excelência operacional. A aplicação do método atuou como um elemento unificador que orientou toda a intervenção, revelando o impacto temporal de cada fragilidade. As soluções adotadas, ancoradas no gerenciamento de aquisições, escopo, riscos e partes interessadas, consolidaram um novo padrão de condução de projetos.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que o replanejamento do cronograma de tarefas internas, fundamentado no método do caminho crítico e nas diretrizes do guia PMBOK, permitiu a redução da duração das atividades críticas de 42 para 21 dias úteis. A estruturação do escritório de gerenciamento de projetos, a padronização dos processos de engenharia, a implementação de cláusulas contratuais condicionantes e a gestão estratégica de fornecedores eliminaram o déficit crônico de 12 dias em relação aos prazos contratuais, estabelecendo uma folga operacional média de 11 dias úteis. Tais medidas aumentaram a previsibilidade das entregas, mitigaram riscos de penalidades e fortaleceram a competitividade da empresa no setor de rastreadores solares, demonstrando que a integração entre ferramentas analíticas e governança de projetos é essencial para a eficiência em cadeias de suprimentos complexas.
Referências Bibliográficas:
Chopra, S.; Meindl, P. 2021. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operação. 7. ed. Pearson, São Paulo, Brasil.
Christopher, M. 2016. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 5. ed. Cengage Learning, São Paulo, Brasil.
Duffie, J. A.; Beckman, W. A. 2020. Solar engineering of thermal processes. 5. ed. Wiley, New York, Estados Unidos.
Kerzner, H. 2022. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 13. ed. Wiley, New Jersey, Estados Unidos.
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Martins, R. A.; Laurindo, F. J. B. 2020. Gestão de projetos em energia renovável. Atlas, São Paulo, Brasil.
PMI – Project Management Institute. 2017. Guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (PMBOK Guide). 6. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, Estados Unidos.
Slack, N.; Brandon-Jones, A.; Johnston, R. 2020. Administração da produção. 9. ed. Pearson, São Paulo, Brasil.
Yin, R. K. 2015. Case study research: design and methods. 5. ed. SAGE Publications, Thousand Oaks, Estados Unidos.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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