
12 de fevereiro de 2026
Investimento tecnológico e PIB: evidências para Brasil e Coreia do Sul (2000–2020)
Vinicius Vono Peruzzi; Wagner dos Anjos Carvalho
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Este estudo analisou os impactos das exportações de dispositivos microeletrônicos e do investimento em tecnologia sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em nações emergentes, por meio de uma análise comparativa entre Brasil e Coreia do Sul de 2000 a 2020. Os objetivos foram quantificar o efeito das exportações de microeletrônicos no PIB, investigar o impacto do investimento em tecnologia nessas exportações, analisar as tendências das variáveis e investigar as relações de precedência temporal via Causalidade de Granger. A finalidade foi comparar os resultados para subsidiar políticas públicas e decisões estratégicas, partindo da premissa de que a interconexão entre exportações de alta tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e crescimento econômico é um vetor relevante para o desenvolvimento (IEDI, 2018).
A relevância do tema vem do papel central da indústria de microeletrônica na economia global, cujos componentes impulsionam a inovação em setores como automotivo, telecomunicações e saúde digital (Mendez, 2021). Compreender como a capacidade de uma nação em produzir e exportar esses bens se correlaciona com seu crescimento econômico e investimento em P&D é crucial para políticas de desenvolvimento sustentável. Para economias como a do Brasil, o fortalecimento neste mercado pode representar uma oportunidade de ascensão econômica (Camboim, 2015). A Coreia do Sul foi escolhida como contraponto por seu sucesso na transição para uma potência tecnológica, impulsionada por políticas de inovação bem-sucedidas (Zammataro, 2008).
A literatura econômica sugere uma relação positiva entre exportações de alta tecnologia e crescimento econômico, identificando o investimento em tecnologia como fator-chave (Silva, J. A., 2021). Contudo, a especificidade dessa relação em países emergentes carece de exploração detalhada. Enquanto estudos se concentram em economias desenvolvidas, permanece uma lacuna na investigação de como essa dinâmica se manifesta em economias com particularidades estruturais como o Brasil. Fatores como infraestrutura, capital humano e eficácia de políticas de incentivo exercem influência, mas sua interação não é completamente compreendida (Leutwiler, 2019). Esta pesquisa justifica-se pela necessidade de fornecer evidências empíricas que subsidiem políticas públicas no Brasil, contrastando sua trajetória com o modelo sul-coreano.
A questão central da pesquisa foi: qual a natureza e a força da correlação e da precedência temporal entre as exportações de dispositivos microeletrônicos, o crescimento do PIB e o investimento em tecnologia no Brasil e na Coreia do Sul? Para respondê-la, foram formuladas duas hipóteses: (H1) as exportações de dispositivos microeletrônicos exercem um efeito positivo e estatisticamente significativo sobre o crescimento do PIB; e (H2) o investimento em tecnologia tem um efeito positivo e significativo tanto sobre as exportações de dispositivos microeletrônicos quanto sobre o crescimento do PIB.
A pesquisa foi um estudo quantitativo, observacional e exploratório-descritivo, que empregou técnicas econométricas de análise de séries temporais. A abordagem permitiu uma análise objetiva com ferramentas como testes de estacionariedade, modelos de regressão e a análise de causalidade de Granger. Este último teste foi particularmente relevante por determinar a direção das relações de influência entre as variáveis (Coelho, 2021; Silva et al., 2025).
A amostra foi intencionalmente definida para incluir Brasil e Coreia do Sul. O período de análise foi de 2000 a 2020, um intervalo de 21 observações anuais, delimitado pela indisponibilidade de dados consistentes de P&D para o Brasil antes de 2000 (Augusto et al., 2013). Os dados secundários foram coletados da UN Comtrade Database e do World Bank Group (UN COMTRADE DATABASE, 2023; WORLD BANK GROUP, 2023). A variável dependente (Y) foi a taxa de crescimento anual do PIB. As variáveis independentes foram o Investimento em Tecnologia (X1), representado pelos gastos em P&D como percentual do PIB, e as Exportações de Microeletrônica (X2), usando como proxy o valor total das exportações anuais de Circuitos Integrados (código SH 8542).
O tratamento dos dados foi realizado em Python (Fávero e Belfiore, 2017), envolvendo consolidação e harmonização (Fávero, 2013). A variável de Exportações de Microeletrônica foi submetida a uma transformação logarítmica para estabilizar a variância (Wagner & Callegari-Jacques, 1998). A análise de estacionariedade com o Teste de Dickey-Fuller Aumentado (ADF) foi uma etapa crítica para evitar resultados espúrios (Silveira et al., 2022). A aplicação do teste ADF, com nível de significância de 5%, determinou as transformações necessárias (primeira ou segunda diferença) para garantir que todas as séries utilizadas na modelagem fossem estacionárias (I(0)).
A análise inferencial, aplicada às séries estacionárias, foi estruturada em dois métodos. Primeiro, foram estimados Modelos de Regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) para cada país, para quantificar a força e a direção da relação entre as variáveis e testar as hipóteses H1 e H2 (Silva, 2002). Segundo, foi aplicado o Teste de Causalidade de Granger, que avalia se os valores passados de uma variável (X) possuem capacidade preditiva sobre os valores futuros de outra (Y) (Diniz et al., 2009). O teste foi realizado de forma bivariada em ambos os sentidos (ex: P&D → PIB) para determinar a direção da influência; a rejeição da hipótese nula (p-valor ≤ 0,05) indica que X “causa” Y no sentido de Granger (Almeida, 2011; Neves, 2018).
A análise dos resultados revela disparidades estruturais entre as dinâmicas de inovação do Brasil e da Coreia do Sul. No período de 2000 a 2020, a Coreia do Sul demonstrou alta densidade de graduados em áreas STEM, enquanto o Brasil focou na expansão generalista do ensino superior. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) na Coreia do Sul foi focado na integração a cadeias de valor de alta tecnologia, enquanto no Brasil esteve voltado para commodities e mercado interno. A taxa de registro de patentes sul-coreana é uma das mais altas do mundo, refletindo uma conversão eficiente do investimento em P&D, indicador no qual o Brasil apresenta desempenho inferior. Este contexto é crucial para interpretar a assimetria encontrada nos testes.
A análise de estacionariedade (Teste ADF) foi a primeira etapa a revelar diferenças. Para o Brasil, as séries de Investimento em P&D e de Exportações de Microeletrônica (log) se mostraram estacionárias em nível (I(0)), enquanto o crescimento do PIB foi integrado de ordem um (I(1)), necessitando da primeira diferença. Em contraste, para a Coreia do Sul, tanto o PIB quanto o P&D foram I(1). A diferença mais notável foi na série de exportações de microeletrônica, que se mostrou integrada de ordem dois (I(2)). Esta alta ordem de integração indica que o desempenho das exportações sul-coreanas no setor é caracterizado por um processo com elevado grau de persistência e sujeito a choques estruturais, refletindo uma trajetória de crescimento acelerado não observada no Brasil. A evolução do investimento em P&D (% do PIB) já antecipava essa divergência, com o Brasil oscilando em torno de 1-1,4%, enquanto a Coreia do Sul saltou de 2,1% em 2000 para 4,8% em 2020.
O cerne da descoberta deste estudo reside nos resultados do Teste de Causalidade de Granger. Para o Brasil, os resultados indicaram uma causalidade unidirecional: o crescimento do PIB “causa”,
Conclui-se que o objetivo foi atingido, preservando-se os achados e a contribuição prática delineada.
Referências:
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Zammataro, Cynthia
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq
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