Resumo Executivo

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24 de março de 2026

Gestão de Cronograma no Licenciamento contra a Pobreza Energética

Amrita Kaur Khalsa Colognesi Lopes; Thaís Helena Zero de Oliveira Pereira

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A eletricidade é considerada uma condição mínima à dignidade humana, servindo como base fundamental para o gozo de diversos outros direitos essenciais à sobrevivência (Hachem et al., 2022). A ausência desse recurso impacta diretamente a segurança alimentar, uma vez que a conservação de alimentos depende do funcionamento ininterrupto de aparelhos refrigeradores. No campo da saúde, a falta de energia compromete o funcionamento de dispositivos médicos vitais e a preservação de medicamentos e vacinas que exigem refrigeração rigorosa. Na educação, a carência energética impede a utilização de recursos tecnológicos básicos em sala de aula, limitando o desenvolvimento pedagógico (Castro Soto, 2007). Apesar de o acesso à energia ser um requisito para o desenvolvimento humano, dados do Censo de 2000 indicaram que 2,5 milhões de domicílios brasileiros não possuíam acesso a esse serviço, sendo que 80% desses casos estavam concentrados em áreas rurais. Para enfrentar essa realidade, o Governo Federal instituiu o Programa Luz para Todos em 2003, que beneficiou 16,8 milhões de pessoas logo em seu primeiro ano (Ferreira e Silva, 2021). Entretanto, em 2021, estimativas apontaram que na Amazônia Legal cerca de 990 mil pessoas permaneciam sem eletricidade, evidenciando a persistência da pobreza energética em territórios indígenas, quilombolas e assentamentos rurais (Ferreira e Silva, 2021).

O cenário atual mantém o Programa Luz para Todos vigente, reforçado pelo Decreto 11.628/2023, que estabelece diretrizes para que solicitantes busquem junto às concessionárias a instalação de redes de distribuição (Brasil, 2023). Esse processo de expansão da infraestrutura elétrica deve obrigatoriamente observar os preceitos da Política Nacional do Meio Ambiente (Brasil, 1981). No Mato Grosso, estado integrante da Amazônia Legal, a demanda por licenciamento ambiental de Redes de Distribuição Rurais é elevada, exigindo uma gestão técnica rigorosa para conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação ambiental (Fonseca et al., 2016). A aplicação de práticas de gerenciamento de projetos, fundamentadas nos guias do Project Management Institute, surge como uma solução para profissionalizar e padronizar esses processos (PMI, 2017; 2021). O uso de referenciais estruturados permite a adaptação das práticas às características específicas de cada empreendimento, promovendo a eficiência em escala global (Kerzner, 2017). Dentro desse contexto, o gerenciamento do cronograma destaca-se como uma ferramenta vital para otimizar fluxos de trabalho, gerenciar riscos e garantir entregas assertivas (PMI, 2021). Estudos de caso anteriores demonstram que a implementação dessas técnicas resulta em cronogramas mais precisos e reduz a morosidade causada pela fragmentação de etapas em projetos multidisciplinares (Cruz e Belem, 2024).

A complexidade do licenciamento ambiental para redes elétricas rurais envolve desafios técnicos e burocráticos que impactam diretamente os prazos de entrega e a viabilidade financeira dos contratos. A necessidade de estudos multidisciplinares e a interação com diversos órgãos intervenientes podem gerar atrasos significativos. Portanto, a aplicação de ferramentas de gerenciamento de cronograma visa não apenas a otimização operacional, mas também a ampliação dos benefícios sociais ao acelerar o combate à pobreza energética. O foco reside em conceber um modelo de entrega de produtos que minimize riscos e maximize a eficiência financeira e social a partir de um projeto real de licenciamento ambiental de redes de distribuição com tensão de até 69 kV no estado do Mato Grosso.

O procedimento metodológico adotado baseou-se em um estudo de caso com delineamento de pesquisa-ação, permitindo o diagnóstico e a proposição de soluções para problemas reais (Tripp, 2005). A natureza da pesquisa foi mista, combinando dados qualitativos e quantitativos para fundamentar análises numéricas e diagnósticas (Galvão et al., 2017). A coleta de dados ocorreu por meio de observação direta, análise documental e aplicação de questionários anônimos a especialistas diretamente envolvidos na execução do projeto. A instituição estudada é uma consultoria ambiental, denominada ficticiamente como Empresa Ambiental, que gerencia processos de licenciamento envolvendo cinco setores distintos: comercial, georreferenciamento, botânica, licenciamento e financeiro. O fluxo de trabalho desses setores é interdependente e sequencial, o que exige uma coordenação precisa para evitar gargalos operacionais.

O escopo do licenciamento ambiental em questão é norteado pelo Decreto Estadual 1299/2022, que dispensa o rito completo para essas redes, exigindo prioritariamente a autorização para supressão de vegetação e intervenção em áreas de preservação permanente (Mato Grosso, 2022). O processo é complementado pela Resolução CTF 9/2017 e por legislações que tratam de unidades de conservação e terras indígenas, como a Lei Complementar 140/2011 e o Código Florestal (Brasil, 2012). A definição dos estudos ambientais necessários, como o Formulário de Caracterização da Atividade, o Plano de Exploração Florestal e o diagnóstico para o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais, depende diretamente do volume de supressão vegetal e da localização da rede em relação a áreas protegidas. Para organizar essas informações, utilizou-se um fluxograma de decisão que direciona a elaboração de cada estudo conforme as características da área e as exigências dos órgãos ambientais, como a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

A primeira etapa da gestão do cronograma consistiu na definição das atividades por meio da Estrutura Analítica do Projeto, organizada em três níveis hierárquicos. O nível 1 representou o projeto completo, o nível 2 as principais fases e o nível 3 os pacotes de trabalho (PMI, 2017). A decomposição desses pacotes resultou em uma lista de atividades detalhada, respeitando a ordem natural de execução e o nível de detalhe necessário para o planejamento (Vargas, 2018). Para o sequenciamento, aplicou-se o Método do Diagrama de Precedência, que permitiu analisar as dependências lógicas entre as tarefas. As atividades foram conectadas em forma de nós, expressando relações de término para início, que é o modelo mais comum em projetos dessa natureza (PMI, 2017). A elaboração dos diagramas de rede foi realizada com o auxílio de softwares de diagramação, permitindo a visualização clara do fluxo de trabalho tanto na situação atual quanto na pretendida.

A estimativa de duração das atividades foi obtida por meio de opinião especializada, coletada via formulários eletrônicos anônimos. A escolha pelo anonimato visou garantir respostas mais críticas e sinceras, reduzindo vieses organizacionais (Reisen, 2020). Os especialistas, com experiência mínima de 12 meses no projeto, atribuíram durações em dias úteis para cada tarefa, considerando um cenário médio de 14 obras por ordem de serviço. Com base nessas estimativas, aplicou-se o Método do Caminho Crítico para determinar a duração mínima do projeto e a folga total de cada atividade (PMI, 2017). O cálculo envolveu a determinação das datas de início e término mais cedo e mais tarde, permitindo identificar o caminho que não admite atrasos sem comprometer o prazo final. O indicador de duração total, conhecido como makespan, foi utilizado para comparar numericamente os cenários e validar a eficiência das otimizações propostas (Kallantzis et al., 2013).

A análise da situação atual revelou um cronograma composto por 18 atividades, com uma duração total de 59 dias. Observou-se uma fragmentação excessiva entre os setores, especialmente no início do fluxo, onde o departamento comercial atuava como intermediário na organização e lançamento das demandas. Essa estrutura gerava uma dependência linear do tipo término para início em quase todas as etapas, aumentando o risco de atrasos acumulados. A multidisciplinaridade do projeto, embora necessária, criava interfaces complexas que elevavam o tempo de atravessamento das informações. A literatura indica que projetos com muitas etapas distribuídas entre diferentes unidades correm maior risco de retrabalho e aumento da duração total (Tyagi et al., 2015). Simplificar o fluxo e reduzir o número de interfaces é uma estratégia eficaz para diminuir o tempo de espera e os riscos de prazo (Aziz e Hafez, 2013).

Para a concepção do modelo otimizado, foram implementadas cinco alterações estratégicas. A primeira consistiu na eliminação da atuação do setor comercial no fluxo operacional, transferindo as atividades de organização e lançamento da demanda diretamente para o setor de botânica, que é o núcleo principal do projeto. Essa mudança reduziu o número de departamentos envolvidos para quatro e permitiu que a equipe técnica tomasse conhecimento das demandas de forma imediata. A segunda otimização envolveu a unificação das tarefas de organização no servidor e verificação da demanda, possibilitando execuções síncronas e reduzindo o número de etapas no diagrama. Sugeriu-se o uso de ferramentas de comunicação instantânea e planilhas compartilhadas para que todos os setores tivessem ciência simultânea da chegada de novas ordens de serviço.

A terceira alteração focou na implementação de paralelismo entre as atividades de verificação de georreferenciamento e licenciamento. Isso permitiu que produtos que dispensam etapas de campo fossem executados antecipadamente, agilizando a entrega ao cliente e aumentando o faturamento mensal. A quarta modificação propôs a reordenação da solicitação de documentos, colocando-a logo após a verificação inicial da demanda, o que possibilita adiantar protocolos burocráticos. Por fim, a quinta otimização sugeriu a automatização da coleta de dados de campo por meio de formulários online, integrando as atividades de execução, divulgação de informações e identificação do rito de licenciamento em um único fluxo contínuo. A análise do paralelismo e a reconfiguração da arquitetura do processo são práticas essenciais para reduzir acoplamentos desnecessários e otimizar prazos sem comprometer a qualidade técnica (Browning e Eppinger, 2002).

Os resultados numéricos após as otimizações demonstraram uma redução significativa na complexidade gerencial. O modelo pretendido passou a contar com 14 atividades, representando uma diminuição em relação às 18 originais. Essa redução favorece o acompanhamento do projeto e a tomada de decisão (Vargas, 2018). O cálculo do caminho crítico para a situação pretendida resultou em uma duração total de 52 dias, o que representa uma economia de sete dias em comparação ao modelo atual. Em termos percentuais, a redução no tempo total de execução foi de aproximadamente 12%. Além disso, o número de atividades pertencentes ao caminho crítico, ou seja, aquelas com folga zero, foi reduzido de 16 para 10, conferindo maior flexibilidade ao cronograma e diminuindo os pontos de potencial atraso (Griffin e Hauser, 1996).

A discussão sobre a duração média das atividades evidenciou que a centralização de tarefas no setor de botânica reduziu o tempo de planejamento de sete para seis dias. A paralelização das etapas iniciais permitiu que a verificação da demanda em georreferenciamento e licenciamento fosse concluída em apenas um dia em ambos os setores, contra os dois dias anteriormente praticados. A automatização dos dados de campo e a unificação de tarefas correlatas reduziram o tempo desse bloco de 32,5 dias para 28 dias. No entanto, observou-se que a antecipação da solicitação de documentos, quando realizada antes da confirmação do rito de licenciamento em campo, poderia aumentar a duração dessa tarefa específica de dois para três dias devido ao risco de solicitações desnecessárias. Essa evidência, apontada pelos especialistas nos questionários, sugere que certas etapas devem manter sua sequência lógica para evitar desperdício de esforço.

Do ponto de vista financeiro, a otimização do cronograma possui implicações diretas no fluxo de caixa do contrato. Uma vez que os serviços são medidos a cada 30 dias e o faturamento depende da finalização e protocolo dos produtos, a redução de sete dias no ciclo total permite que um volume maior de obras seja faturado em cada período de medição. Projetos de licenciamento ambiental frequentemente enfrentam custos elevados de mobilização de equipes de campo, e a demora na conclusão dos processos pode gerar desequilíbrios financeiros. Portanto, um cronograma mais ágil contribui para a saúde financeira da empresa e garante a continuidade das operações. A utilização do makespan como métrica primária confirmou que o modelo proposto é superior ao atual, oferecendo uma alternativa comprovadamente mais eficiente para a gestão de projetos de infraestrutura rural (Kallantzis et al., 2013; Olivieri et al., 2019).

A relevância social da antecipação dos prazos é notável, pois cada dia reduzido no processo de licenciamento representa um avanço no cronograma de eletrificação das comunidades rurais. A pobreza energética não é apenas uma carência técnica, mas uma barreira ao exercício pleno da cidadania. Ao otimizar os processos de gestão, as empresas consultoras desempenham um papel fundamental na aceleração do acesso à energia, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida em regiões remotas. A integração de ferramentas como EAP, diagramas de rede e método do caminho crítico provou ser essencial para identificar gargalos e propor melhorias estruturais que vão além da simples aceleração de tarefas, focando na inteligência do fluxo de trabalho.

As limitações deste estudo incluem o recorte temporal e a aplicação em um caso específico, o que sugere a necessidade de pesquisas futuras que explorem diferentes contextos regionais e incorporem indicadores de custo e qualidade. A complexidade burocrática e os entraves nos órgãos ambientais continuam sendo variáveis externas de alto impacto, mas a adoção de uma gestão interna robusta minimiza os riscos controláveis pela organização. A padronização do gerenciamento de cronogramas, conforme preconizado pelas melhores práticas internacionais, consolida-se como um diferencial competitivo e uma ferramenta de impacto socioambiental positivo.

Conclui-se que o objetivo foi atingido ao demonstrar que a aplicação sistemática de ferramentas de gerenciamento de cronograma, fundamentadas no PMBOK, permitiu a criação de um modelo otimizado para o licenciamento ambiental de redes de distribuição rurais. A redução de 18 para 14 atividades e a diminuição da duração total do projeto de 59 para 52 dias evidenciam ganhos significativos de eficiência operacional e agilidade gerencial. A eliminação de etapas redundantes, a implementação de paralelismo e a centralização de informações em setores estratégicos mostraram-se medidas eficazes para mitigar riscos e otimizar o fluxo de trabalho. Além dos benefícios técnicos e financeiros para a instituição executora, a otimização dos prazos contribui diretamente para o combate à pobreza energética, acelerando o acesso à eletricidade em áreas rurais e promovendo o desenvolvimento social e a dignidade humana.

Referências Bibliográficas:

Brasil. 1981. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 set. 1981. Seção 1, p. 16505.

Brasil. 2023. Decreto nº 11.628, de 4 de agosto de 2023. Dispõe sobre o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica – Luz para Todos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 ago. 2023.

Castro-Soto, G. 2007. Agua y energía: por el reconhecimento del agua y de la luz como derechos humanos. EcoPortal. Disponível em: http://www.ecoportal.net/Temas-Especiales/Derechos-Humanos/AGUA_Y_ENERGIA_Por_el_Reconocimiento_del_Agua_y_de_la_Luz_como_Derechos_Humanos. Acesso em: 22/03/2025.

Cruz, C. M. S.; Belém, M. J. X. 2024. Gerenciamento de cronograma de projetos em auditorias internas e certificação: um estudo de caso. Trabalho de Conclusão de Curso – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, USP, Piracicaba, 2024.

Ferreira, A. L.; Silva, F. B. 2021. Universalização do acesso ao serviço público de energia elétrica no Brasil: evolução recente e desafios para a Amazônia Legal. Revista Brasileira de Energia, v. 27, n. 3, edição especial. Disponível em: https://energiaeambiente.org.br/produto/universalizacao-do-acesso-ao-servico-publico-de-energia-eletrica-no-brasil-evolucao-recente-e-desafios-para-a-amazonia-legal. Acesso em: 21/03/2025.

Fonseca, A.; Farina, M. P.; Monteiro, R. V. A. 2016. Proposta de um modelo de gerenciamento de projetos para projetos de redes de distribuição rurais

Galvão et al [Referência completa não encontrada no documento original]

Hachem et al., 2022 [Referência completa não encontrada no documento original]

Kerzner, 2017 [Referência completa não encontrada no documento original]

PMI, 2017 [Referência completa não encontrada no documento original]

PMI, 2021 [Referência completa não encontrada no documento original]

Tripp, 2005 [Referência completa não encontrada no documento original]

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de MBA em Gestão de Projetos

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