Resumo Executivo

Imagem Estratégias digitais no seguro fiança para criação de valor ao cliente

10 de fevereiro de 2026

Estratégias digitais no seguro fiança para criação de valor ao cliente

Sandra Hiromi Osada; Rafael Toassi Crispim

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Esta pesquisa realiza um estudo comparativo entre as jornadas convencional e digital na contratação do seguro fiança locatícia, analisando a eficiência e os custos de cada modelo. A investigação mensura o desempenho de ambos os canais por meio de indicadores quantitativos, como o Custo de Aquisição de Cliente (CAC) e o volume de vendas, e qualitativos, pela percepção de gestores e especialistas. O estudo busca evidenciar as vantagens, desvantagens e o potencial estratégico da digitalização para uma empresa líder no mercado de seguros, contribuindo com reflexões sobre a otimização da jornada do cliente em um setor em transformação. A análise explora as nuances operacionais e culturais que definem o sucesso de uma iniciativa de transformação digital no mercado imobiliário brasileiro.

O mercado imobiliário nacional passa por uma digitalização que reconfigura processos tradicionalmente burocráticos (Souza, 2020). A busca por imóveis, a negociação de contratos e a gestão de garantias são cada vez mais mediadas por plataformas tecnológicas. Nesse ecossistema com múltiplos agentes como locatários, locadores e imobiliárias (Castro, 2020), a eficiência na contratação de garantias é um diferencial competitivo. O seguro fiança, uma das modalidades previstas pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), representa 11,2% do mercado de locação, segundo dados do Creci (2024), e tem sido um campo para inovação, garantindo ao proprietário o recebimento de aluguéis e encargos em caso de inadimplência (Silva, 2004).

A pressão por inovação força as seguradoras a modernizar seus processos para se manterem relevantes. A adoção de tecnologias como algoritmos de inteligência artificial, sistemas de gestão integrados (ERPs) e plataformas digitais tornou-se uma necessidade para entregar valor aos clientes (Bontorim, 2024). A pandemia de COVID-19 acelerou essa transição, impulsionando o surgimento de insurtechs que oferecem produtos com contratação simplificada e preços competitivos (Escobar, 2025). Essa mudança de paradigma exige uma transformação cultural focada na experiência do cliente e na agilidade operacional (Cunha & Urdan, 2023).

A transformação digital redefine o papel de intermediários como os corretores de seguros, que são incentivados a adotar uma postura mais consultiva (Neto, 2024). A digitalização dos processos de compra e venda, facilitada por estratégias de marketing digital, abrange desde a atração de clientes até a análise de desempenho por meio de dados (Almeida, 2019). Empresas que não se adaptam correm o risco de obsolescência (Brady, 2018). Diante desse cenário, a empresa líder de mercado em seguro fiança desenvolveu um portal digital como um canal alternativo ao modelo convencional, buscando maior eficiência operacional. Este estudo analisa a eficácia dessa iniciativa, comparando o desempenho do canal digital com o consolidado canal convencional, avaliando como a digitalização impacta os custos de aquisição, o volume de negócios e a experiência dos parceiros.

A metodologia adotada foi o estudo de caso qualitativo, permitindo uma análise aprofundada e contextualizada de um fenômeno em um ambiente real (Gil, 2017). O objeto de estudo foi uma seguradora de grande porte, localizada em São Paulo, que implementou um portal digital para a comercialização de seguro fiança, operando em paralelo ao seu canal de vendas convencional. A seleção do caso foi intencional, pois a empresa é líder de mercado em seguro fiança, detendo uma participação de 59,64% em 2024, conforme dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep, 2024). A empresa, ativa desde 1945, possui mais de 13 mil funcionários, 35 mil corretores parceiros e 15,8 milhões de clientes. O estudo focou no produto de seguro fiança, comercializado há mais de 35 anos pelo canal “convencional” e agora também pelo novo “portal digital”.

A coleta de dados foi realizada por meio de duas fontes principais. Primeiramente, foram levantados dados internos da empresa, extraídos de relatórios gerenciais, para a medição objetiva dos resultados de cada canal. Foram observados dois indicadores-chave: o Custo de Aquisição de Cliente (CAC), calculado pela metodologia de custeio ABC, e o volume de Vendas, analisado em valor monetário (R$) e em quantidade de apólices. Em segundo lugar, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis profissionais envolvidos na gestão e operação do portal digital, incluindo gestores, especialistas e coordenadores. As entrevistas, guiadas por um roteiro com 11 perguntas, buscaram capturar o contexto e as percepções sobre a eficiência operacional e a experiência do usuário em ambas as jornadas. A análise dos dados integrou as informações quantitativas e qualitativas. Os dados internos foram organizados para uma comparação sistemática do desempenho, enquanto os dados qualitativos foram analisados para identificar temas recorrentes e a visão estratégica dos gestores. A triangulação dessas fontes permitiu uma compreensão sistêmica do processo.

A jornada convencional, por ser o canal historicamente consolidado, representa a principal fonte de negócios e serve como base de comparação. Este canal opera com todas as modalidades de seguro fiança (residencial e comercial), múltiplos tipos de emissão e diversas formas de pagamento. A análise dos dados de vendas de novos negócios residenciais revela um desempenho robusto. No primeiro semestre de 2024, as vendas atingiram R$ 423,6 milhões, um crescimento de 38% em relação ao mesmo período de 2023. Em 2025, o crescimento foi de 7%, alcançando R$ 453,4 milhões no semestre. Em volume de apólices, o canal convencional cresceu 15% entre os primeiros semestres de 2023 e 2024, passando de 53.895 para 61.869 itens. No entanto, no mesmo período de 2025, houve uma queda de 3%, totalizando 59.747 itens. O Custo de Aquisição de Cliente (CAC) para este canal foi apurado em R$ 29,57 por cliente. A base de parceiros mostrou-se estável, indicando a maturidade do modelo.

Em contrapartida, a jornada digital foi implementada através de um portal desenvolvido a partir de 2021, com o objetivo de conferir maior celeridade e autonomia às imobiliárias e corretores. A plataforma simplifica a contratação do seguro fiança e oferece produtos agregados como seguro incêndio e assinatura eletrônica. Sua operação é mais restrita que a do canal convencional, focando apenas em novos negócios para aluguéis residenciais. Apesar das limitações, os resultados indicam um crescimento exponencial. As vendas em valor monetário saltaram de R$ 7,7 milhões no primeiro semestre de 2023 para R$ 15,6 milhões no mesmo período de 2025, com uma taxa de crescimento de 49% apenas no último ano. O desempenho em volume de apólices também demonstra forte expansão, crescendo 24% entre os primeiros semestres de 2023 e 2024, e mais 23% no ano seguinte, alcançando 2.433 apólices no primeiro semestre de 2025. O CAC foi calculado em R$ 23,23, valor 21% inferior ao do canal convencional, redução atribuída à menor necessidade de esforço da estrutura comercial. O engajamento dos parceiros também cresceu, com o número de imobiliárias ativas no portal aumentando 66% entre junho de 2024 e junho de 2025.

A análise comparativa direta revela que, embora o canal digital ainda possua uma representatividade modesta no volume total de negócios (2,67% do faturamento e 3,91% dos itens em 2025), sua performance em crescimento e eficiência é substancialmente superior. Enquanto o canal convencional registrou um crescimento de 7% no faturamento em 2025, o digital expandiu 49%. A economia gerada pelo CAC 21% menor, quando projetada sobre o volume de negócios do portal, totalizou R$ 38.103 no período analisado. Além da eficiência quantitativa, a jornada digital oferece diferenciais qualitativos, como o acesso direto da imobiliária à sua carteira de apólices e benefícios como o serviço de aluguel parcelado e a assessoria de cobrança.

As entrevistas com os gestores aprofundaram a compreensão sobre os desafios da implementação do portal. Foi relatada uma resistência inicial por parte de parceiros menos familiarizados com o ambiente digital. Um ponto crítico foi o reconhecimento de que o desenvolvimento inicial, focado excessivamente em funcionalidades técnicas, negligenciou a experiência do usuário (UX), o que exigiu uma reestruturação da equipe para incluir especialistas em design. A adoção de metodologias ágeis, com a organização em “squads” (modelo “Build and Run”), e o uso de Inteligência Artificial para otimizar o desenvolvimento foram cruciais para superar desafios técnicos como instabilidades sistêmicas. A visão dos entrevistados converge para a ideia de que a transformação digital exige uma mudança de mindset. O sucesso do portal depende da capacidade da empresa em capacitar seus parceiros e promover uma cultura de inovação. Ferramentas como o Glassbox foram implementadas para monitorar a jornada do cliente em tempo real e corrigir pontos de atrito. A visão de futuro para a plataforma inclui a expansão para outros produtos, a criação de APIs para integração com sistemas de imobiliárias e a consolidação de um ecossistema de soluções para moradia.

A síntese dos resultados demonstra um claro contraste entre um canal maduro e estável e um canal emergente e dinâmico. O canal convencional mantém sua dominância em volume absoluto, mas o canal digital exibe uma eficiência superior, com um CAC 21% menor e taxas de crescimento de vendas significativamente mais altas (49% contra 7% em 2025). A jornada digital, embora mais restrita em escopo, oferece uma experiência mais autônoma e com serviços de valor agregado para as imobiliárias. As dificuldades enfrentadas ressaltam que a inovação é um processo iterativo que exige foco no cliente, capacitação dos parceiros e uma mudança cultural profunda, alinhada às tendências de um mercado cada vez mais digital (Pereira, 2023).

Este estudo comparativo revelou que a digitalização, materializada no portal da empresa, proporciona ganhos expressivos de eficiência operacional e de custos. Embora o canal digital ainda represente uma pequena fração do volume total de negócios, sua trajetória de crescimento acelerado, aliada a um Custo de Aquisição de Cliente 21% inferior, evidencia seu potencial estratégico. Os resultados quantitativos apontam para uma performance superior do modelo digital em termos de expansão de vendas. A pesquisa destacou que a transformação digital transcende a mera implementação de tecnologia, envolvendo desafios culturais, como a resistência à mudança, e a necessidade de um desenvolvimento focado na experiência do usuário. As implicações práticas deste trabalho são diretas: para a seguradora estudada, é recomendável intensificar os esforços para aumentar a adoção do portal digital, capitalizando sobre sua maior eficiência. A capacitação de corretores e imobiliárias e a contínua evolução da plataforma são ações cruciais para escalar os resultados. O trabalho possui limitações, como a carência de dados mais aprofundados sobre o valor do ciclo de vida do cliente (LTV) em cada canal, o que poderia enriquecer a análise de rentabilidade. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a jornada digital do seguro fiança, embora com baixa representatividade, apresenta maior eficiência operacional e de custos em comparação à jornada convencional.

Referências:
Almeida, S. 2019. Estratégias de Inbound Marketing em Uma Indústria 3.0, GEPROS. Gestão da Produção.
Bontorim, A. 2024. Barreiras e capacidades à adoção de serviços digitais no mercado imobiliário, Centro Universitário FEI.
Brady, D e Chambers, J. 2018, Connecting the Dots: Lessons for Leadership in a Startup World, Grand Central Publishing
Castro, L. 2020. Transformação digital no mercado de locação de imóveis, Ciudad del Saber, Panamá
Coelho, C. 2019. Locação Imobiliária e suas garantias, Centro Universitário FAMETRO Curso de pós graduação em direito Imobiliário.
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Cunha, J. C., & Urdan, A. T. (2023, out./dez.). Marketing e Transformação Digital. Revista Brasileira de Marketing – ReMarK, 22(Num. Esp.), 1332-1335. https://doi. org/10.5585/remark. v22i4.25710 .
Escobar, L. C, 2025. Transformações digitais no setor de seguros e o impacto na atuação dos corretores. LUMEN ET VIRTUS, [S. l.], v. 16, n. 48, p. 5213–5226, 2025. DOI: 10.56238/levv 16n48-052.
Gil, A. C. 2017. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
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Neto, E. W. 2024. Metódo ECO (Estratégia, Colaboração e Operação) para os Corretores de Seguros na Era Pós-Digital. Mestrado profissional em Administração do Desenvolvimento de Negócios. Universidade Presbiteriana Mackenzie
Pereira, K. M. 2023. A evolução digital no mercado imobiliário e seus reflexos nas empresas tradicionais. Trabalho de conclusão de curso. Pontifícia Universidade Católica
Silva, J. 2004. A escolha da seguradora para o seguro fiança locatícia na óptica dos corretores de seguros, Revista Brasileira de Gestão de Negócios – FECAP
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Susep. Painel de inteligência de Mercado de seguros. 2024. Disponível em: <https://www2. susep. gov. br/safe/menuestatistica/pims. html > Acesso em 01/03/25.
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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq

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