Resumo Executivo

22 de abril de 2026

Efetividade das atas de reuniões na gestão da comunicação em projetos

Eric Pelogia Pieri; Ely Severiano Junior

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

As grandes conquistas da humanidade, desde a engenharia monumental das pirâmides do Egito até os avanços científicos contemporâneos e a exploração espacial, fundamentam-se na execução de projetos estruturados. De acordo com Larson (2016), essa presença onipresente dos projetos em diferentes eras exigiu o desenvolvimento contínuo de metodologias e práticas de gestão que permitissem maior controle e eficiência na utilização de recursos. Nesse cenário, a abordagem moderna da gestão de projetos, conforme descrita por Kerzner (2015), foca no atingimento de objetivos estratégicos por meio de processos sistemáticos. Entre as diversas áreas que compõem esse corpo de conhecimento, a gestão da comunicação assume um papel de conectividade essencial, provendo as ligações necessárias entre as pessoas e as informações fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento (Cavalcanti, 2016). A relevância dessa área é reforçada pelo Project Management Institute (2017) no Guia PMBOK, que a define como um conjunto de processos voltados à coleta, distribuição, armazenamento e destinação final das informações de maneira eficaz.

Essa perspectiva técnica da comunicação dialoga diretamente com conceitos sociológicos e corporativos mais amplos. Harbemas (2022) destaca a importância da ação comunicativa como a base para o entendimento mútuo e a integração social, o que, transposto para o ambiente organizacional, reflete a necessidade de alinhamento entre os diversos envolvidos. Complementarmente, Cornelissen (2023) compreende a comunicação corporativa como um elemento estratégico complexo, essencial para a legitimação institucional e para a coordenação de informações entre diferentes grupos de stakeholders. Com a evolução das práticas de mercado, o Project Management Institute (2021) passou a adotar uma abordagem baseada em domínios de desempenho, enfatizando que a comunicação deve agregar valor real às partes interessadas, indo além da simples produção de documentos e focando na efetividade da mensagem transmitida.

Dentro do ciclo de vida de um projeto, o gerenciamento das comunicações manifesta-se em fases de planejamento, execução e monitoramento e controle (Molinari, 2010). É na fase de execução que surgem as atas de reunião, artefatos destinados a registrar as principais questões discutidas, documentar decisões, atribuir responsabilidades e obter o comprometimento dos participantes. No entanto, observa-se uma lacuna significativa entre a teoria e a prática. Carvalho (2024) aponta que existem falhas aparentes nas metodologias sugeridas para a gestão de projetos quando confrontadas com a realidade operacional das empresas. Frequentemente, a ata de reunião é percebida como um material inerte, um mero registro oficial que perde a conexão com o avanço real do projeto por carecer de um fluxo de ações definido. Mesmo com a disponibilidade de tecnologias de escritórios virtuais (Larson, 2016), problemas como a falta de histórico estruturado e a dificuldade no controle de pendências persistem em projetos de grande porte e complexidade.

A investigação sobre a efetividade das atas de reunião como instrumentos ativos de gestão exige uma análise detalhada dos métodos empregados no cotidiano profissional. Para compreender esse fenômeno, adotou-se uma abordagem exploratória e mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos para fortalecer a validade dos achados. A triangulação metodológica, conforme sugerido por Jick (1979), permitiu compensar as fraquezas individuais de cada técnica de coleta, resultando em uma compreensão abrangente das barreiras que dificultam a implementação de uma comunicação eficiente. O processo de pesquisa fundamentou-se inicialmente em uma revisão bibliográfica exaustiva, utilizando materiais produzidos pelo Project Management Institute e literatura especializada em teoria organizacional, visando estabelecer a base teórica necessária para o desenvolvimento do estudo de campo.

O levantamento de campo foi conduzido de forma não presencial, utilizando formulários eletrônicos estruturados para coletar dados de 63 profissionais atuantes em gerenciamento de projetos. A amostra foi selecionada por meio de técnica não probabilística, por conveniência e julgamento, focando em indivíduos com experiência prática em diferentes segmentos, especialmente na construção civil e implantação de empreendimentos. Embora Stratton (2023) alerte para as limitações de generalização estatística em amostras não probabilísticas, os dados obtidos servem como indicativos exploratórios valiosos para identificar tendências e práticas de mercado. A população pesquisada foi dividida em dois grupos: um grupo principal composto por profissionais de mercado e alunos de pós-graduação, e um grupo de controle formado por profissionais que já utilizam metodologias estruturadas de gestão da comunicação com suporte de softwares específicos.

A caracterização da amostra revelou um perfil diversificado e qualificado, com 90,48% dos respondentes afirmando que suas atividades profissionais estão diretamente vinculadas ao desenvolvimento de projetos. No que tange ao nível hierárquico, a pesquisa alcançou um equilíbrio relevante: 17,46% ocupam cargos de diretoria, 33,33% são gerentes ou gestores e 49,21% atuam como colaboradores técnicos. Essa distribuição permitiu captar percepções de diferentes camadas organizacionais, desde a visão estratégica da alta gestão até a visão operacional das equipes de execução. Além disso, 57,89% dos participantes atuam como gestores de projetos, enquanto 38,60% participam como contratados e uma pequena parcela de 3,51% representa a visão do cliente. Essa pluralidade de perspectivas é fundamental para analisar como a comunicação flui entre as diferentes partes interessadas de um contrato.

O processo de análise qualitativa dos dados textuais contou com o suporte do software MAXQDA, que permitiu a codificação temática e a identificação de padrões nas respostas abertas. O procedimento envolveu a leitura interpretativa dos textos, a marcação de trechos específicos sobre dificuldades e sugestões, e a construção de categorias que agregaram códigos semelhantes sob temas centrais. Essa análise rigorosa visou minimizar vieses de interpretação e garantir que as propostas de melhoria estivessem fundamentadas na realidade expressa pelos respondentes. Boyd et al. (2023) observam que a transparência na comunicação das limitações da amostra e dos métodos de análise é essencial para a integridade da pesquisa científica, motivo pelo qual o estudo reconhece a dependência do autorrelato e o foco específico no artefato da ata de reunião como delimitações necessárias para a profundidade da investigação.

Os resultados obtidos demonstram que, embora a ata de reunião seja um instrumento conhecido, sua aplicação prática é heterogênea. Constatou-se que 68,18% dos profissionais utilizam atas em suas atividades, mas um grupo significativo de 31,82% não faz uso desse artefato. A predominância de outras ferramentas de comunicação é evidente, com o e-mail sendo utilizado por 86,36% dos respondentes. Esse dado corrobora a visão de Chiocchio (2007) sobre a prevalência do e-mail como um mecanismo econômico, porém limitado, por não ser um meio de comunicação coletiva e apresentar riscos de distribuição seletiva de informações. Além do e-mail, aplicativos de mensagem instantânea também são amplamente utilizados por 68,18% das empresas, o que indica uma busca por agilidade que nem sempre é acompanhada pela formalização necessária para a governança do projeto.

A análise da estrutura documental das atas revelou uma fragilidade metodológica considerável. Em 46,67% dos casos, não existe um padrão na estrutura ou na metodologia de registro, ficando a cargo do responsável pelo preenchimento definir a forma do documento. Essa falta de padronização impacta diretamente a qualidade da informação e a rastreabilidade dos dados. Além disso, 80,65% dos entrevistados geram suas atas por meio de softwares de uso geral, como processadores de texto e planilhas eletrônicas. O uso dessas ferramentas dificulta a gestão ativa das questões de projeto, pois os documentos tendem a se tornar arquivos estáticos e isolados, desconectados de um fluxo contínuo de acompanhamento de pendências. Betta e Boronina (2018) afirmam que a formalização dos processos de interação é o que garante a acessibilidade e a transparência necessárias para a gestão com as partes interessadas.

A percepção sobre a finalidade das atas também varia conforme o nível de maturidade metodológica da organização. No grupo principal, apenas 36,36% dos respondentes enxergam a ata como algo além de um registro formal, enquanto no grupo de controle esse percentual sobe para 63,16%. Essa diferença evidencia que a existência de metodologias institucionais aumenta a valorização do artefato como ferramenta de gestão. Mintzberg (2017) aponta que a padronização dos processos de trabalho é um mecanismo crítico para a coordenação de interdependências em fluxos complexos. Sem essa padronização, a ata falha em cumprir seu papel de orientar as ações futuras e as tomadas de decisão, limitando-se a ser um repositório de fatos passados sem implicação prática no cronograma ou na resolução de problemas.

Um ponto de contradição identificado na pesquisa refere-se ao gerenciamento das questões decorrentes das reuniões. Embora 63,33% dos respondentes afirmem que existe um gerenciamento adequado das pendências, apenas 26,67% utilizam mecanismos eletrônicos integrados que permitem o acompanhamento efetivo de responsabilidades e prazos. Isso sugere que o controle é feito de forma paralela e fragmentada, muitas vezes dependendo da memória individual ou de controles informais. Chiocchio (2007) ressalta que equipes que utilizam ferramentas de discussão e coordenação de tarefas de maneira assertiva obtêm desempenho superior. A ausência de integração entre o registro da reunião e a ferramenta de gestão de tarefas cria um hiato operacional que compromete a eficiência da equipe e a velocidade de resposta aos desafios do projeto.

A resistência ao uso sistemático das atas de reunião manifesta-se de forma mais aguda nos níveis hierárquicos superiores. A análise cruzada dos dados indicou que a percepção de que a ata atrapalha por gerar trabalho extra é atribuída exclusivamente a profissionais em cargos de direção. Essa visão pode ser um reflexo de uma cultura organizacional que prioriza a agilidade informal em detrimento da formalização estruturada. No entanto, essa postura ignora que a burocracia, quando bem aplicada como processo de coordenação, é o que permite a eficiência em larga escala. DiMaggio e Powell (1983) discutiram como os processos organizacionais podem se tornar rituais sem necessariamente gerar eficiência se não houver uma institucionalização real dos valores por trás das práticas. No caso das atas, a falta de valorização pela alta gestão impede que o documento se torne um instrumento estratégico.

A comunicação formal é frequentemente vista como lenta, enquanto a informal é percebida como rápida, porém imprecisa (Turner e Müller, 2004). Em ambientes de projetos complexos, como os da construção civil, que possuem estruturas divisionadas, a coordenação exige saídas de processos padronizadas para garantir que as tarefas sejam executadas conforme o planejado. A ausência de atas estruturadas leva os gestores a agirem com base em preferências pessoais ou informações incompletas, o que aumenta o risco de conflitos e retrabalho. A superação dessa barreira exige uma mudança cultural liderada pelo topo da organização, transformando a percepção da ata de uma obrigação administrativa para um ativo de inteligência do projeto. Morris e Geraldi (2011) destacam que a maturidade organizacional é alcançada quando a capacidade de gerenciamento é ampliada por meio de processos consistentes e integrados.

As propostas de melhoria elencadas pelos participantes da pesquisa refletem uma demanda clara por digitalização e integração tecnológica. Entre as principais sugestões destacam-se a integração das ferramentas de geração de atas com aplicativos de gestão de projetos como Trello e Monday, o uso de inteligência artificial para condensar os assuntos tratados e a adoção de plataformas de assinatura eletrônica. Atualmente, 52,94% das formalizações ainda ocorrem de maneira manual ou impressa, o que atrasa o fluxo de informações. Marnewick e Marnewick (2022) observam que a gestão de projetos ainda não é plenamente digitalizada, sendo as tecnologias muitas vezes usadas apenas para otimizar tarefas isoladas em vez de transformar o ecossistema de gestão. A inserção das atas em um fluxo automatizado de disparo de lembretes e delegação de tarefas é vista como o caminho para tornar o artefato verdadeiramente funcional.

A validade jurídica das atas de reunião também não deve ser desprezada, uma vez que servem como prova de acordos e decisões em processos de resolução de conflitos. No entanto, para que tenham esse valor, precisam ser formalizadas adequadamente. A pesquisa mostrou que apenas 17,65% utilizam assinaturas eletrônicas com padrões de segurança elevados, como o controle por hash. A modernização desses processos não apenas aumenta a segurança jurídica, mas também acelera a distribuição do documento final para todas as partes interessadas, garantindo que todos estejam alinhados com as deliberações mais recentes. A eficiência da equipe está diretamente ligada à sua inserção em ecossistemas tecnológicos que facilitem a colaboração e reduzam o esforço administrativo repetitivo.

A análise final dos dados sugere que a efetividade da gestão da comunicação em projetos depende da transição de documentos passivos para instrumentos ativos de controle. Isso implica que a ata de reunião deve ser concebida como parte integrante do plano de comunicações, com estrutura definida e fluxos de informação que alimentem diretamente o sistema de gestão de pendências. A resistência observada na alta gestão deve ser combatida com a demonstração de que a formalização estruturada reduz riscos e provê dados para melhores tomadas de decisão. O aprendizado contínuo e a adaptação das metodologias às novas tecnologias são fundamentais para que as organizações acompanhem a velocidade das transformações do mercado e garantam o sucesso de seus empreendimentos em ambientes cada vez mais competitivos e multidisciplinares.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a investigação confirmou que as atas de reunião ainda são majoritariamente tratadas como documentos passivos e desconectados do fluxo real de gestão na maioria dos projetos analisados. A pesquisa mapeou os principais artefatos de comunicação utilizados, evidenciando a prevalência do e-mail e a falta de padronização estrutural nas atas, o que compromete sua efetividade gerencial. Identificou-se que a resistência ao uso do artefato é mais acentuada na alta gestão, onde a percepção de burocracia se sobrepõe ao valor da formalização. Por fim, o estudo propôs melhorias operacionais focadas na integração tecnológica, como o uso de inteligência artificial e plataformas de gestão de tarefas, fundamentais para transformar a ata de reunião em um instrumento estratégico e ativo dentro do plano de comunicações do projeto.

Referências Bibliográficas:

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Turner, J. R.; Müller, R. 2004. Communication and co-operation on projects between the project owner as principal and the project manager as agent. European Management Journal 22(3): 327-336


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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