04 de maio de 2026
Diagnóstico e Plano de Ação para o Crescimento de uma Produtora Audiovisual
Jonathan Martins; Isabela Romanha de Alcantara
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O objetivo deste trabalho é analisar o contexto mercadológico de uma produtora audiovisual em transição e propor um plano de ação para solucionar os aspectos negativos identificados. A pesquisa busca fornecer um diagnóstico da situação atual da empresa e oferecer um roteiro estratégico para guiar suas ações, visando reduzir a dependência de seu ecossistema de origem e consolidar um crescimento autônomo no mercado audiovisual brasileiro. A investigação parte da premissa de que a ausência de um planejamento estratégico formalizado representa o principal gargalo para a expansão da organização. O estudo propõe traduzir os desafios e oportunidades em um conjunto de ações concretas, mensuráveis e executáveis, que abordem desde a governança interna até a prospecção de novos mercados.
O cenário audiovisual no Brasil passa por transformações impulsionadas pela tecnologia e por mudanças nos hábitos de consumo. A digitalização e a ascensão de plataformas de streaming alteraram os modelos de distribuição, criando um ambiente de negócios dinâmico e competitivo. Conforme aponta Alves (2016), a expansão do mercado audiovisual nacional reflete a diversificação de plataformas, que incluem televisão por assinatura, cinema, internet e games, gerando uma demanda crescente por produções originais. Este crescimento fomenta o surgimento de novas produtoras e exige que as empresas estabelecidas adotem estratégias inovadoras para se manterem relevantes. A capacidade de adaptação tornou-se um fator crítico de sucesso.
Neste contexto, a gestão estratégica é central. A necessidade de atualização constante para responder a um público exigente e fragmentado é um desafio permanente. Brasileiro e Morandi (2014) reforçam que a sobrevivência no setor depende da criação de estratégias que permitam ampliar ou manter vantagens competitivas. Um exemplo é a Netflix, que, segundo Joonas et al. (2023), consolidou sua liderança ao usar análise de dados para personalizar produções e otimizar a experiência do usuário. A pandemia de COVID-19 acelerou essa transformação, consolidando a demanda por conteúdo digital, o que, para Rodrigues et al. (2020), representou uma oportunidade para empresas repensarem suas práticas e explorarem novas tecnologias de comunicação.
A produtora objeto deste estudo nasceu dentro de um ecossistema de educação e experimentou uma expansão acelerada no pós-pandemia, ampliando sua equipe para mais de 70 colaboradores e desenvolvendo uma infraestrutura com estúdios em Piracicaba e São Paulo. Seu portfólio, antes focado em demandas internas, passou a incluir clientes externos, demonstrando capacidade técnica multidisciplinar. A produção audiovisual, como destaca Pinheiro (2011), é uma ferramenta de comunicação eficaz, e a produtora busca se posicionar nesse campo. No entanto, o processo criativo de narrativas audiovisuais é complexo, envolvendo a colaboração de múltiplos especialistas, como aponta Anaz (2018), e a gestão dessa complexidade é um desafio.
O problema central da pesquisa emergiu do documentário “Traços do Amanhã”. Embora o projeto tenha sido um marco para a visibilidade da produtora, sua condução gerou insatisfações, pois a maioria dos colaboradores só soube da iniciativa em sua fase final. Este episódio revelou gargalos estruturais de comunicação, alocação de equipes e falta de governança para projetos externos. A questão fundamental do estudo é: como a produtora pode reduzir sua dependência do ecossistema de educação e estruturar um modelo de governança e prospecção que sustente seu crescimento autônomo nos próximos 12 a 24 meses?
Para alcançar os objetivos, o trabalho adotou uma metodologia qualitativa, com delineamento descritivo e exploratório. A abordagem, alinhada a Gil (1991), permitiu mapear o estado atual da produtora e investigar as causas de seus desafios. O procedimento técnico foi o estudo de caso, que, segundo Gil (1991), permite um conhecimento amplo e detalhado do objeto. A pesquisa teve caráter participante, pois o pesquisador ocupa uma posição na organização, o que proporcionou acesso privilegiado a dados, exigindo atenção para manter a objetividade. As fontes de dados foram primárias, coletadas por observação sistemática e entrevistas estruturadas com o gestor e membros-chave da equipe, incluindo um roteirista, uma cenógrafa e a líder de planejamento.
A análise dos dados foi estruturada em duas etapas. Primeiro, utilizou-se a análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, and Threats), ferramenta que, segundo Gurel e Tat (2017), permite uma análise sistemática dos fatores internos e externos que influenciam a organização. Na segunda etapa, para traduzir o diagnóstico em um plano prático, foi empregada a técnica 5W2H (What, Why, Where, When, Who, How, How much). Este método, como aponta Luo (2024), oferece uma estrutura clara para o desenvolvimento de planos de ação, melhorando a clareza do planejamento estratégico.
As entrevistas revelaram uma organização em estágio crucial de desenvolvimento, buscando autonomia enquanto ainda opera sob a influência de seu ecossistema de origem. A produtora surgiu durante a pandemia de COVID-19 como uma evolução da estrutura audiovisual que atendia exclusivamente ao grupo educacional. Este período de crise representou uma fase de expansão, um fenômeno de resiliência que Costa (2024) observa como característico de produtores culturais. A escolha do nome e da identidade visual foi um passo deliberado para o posicionamento da marca, cuja importância é reforçada por Soukup Filho (2015).
Atualmente, a produtora dispõe de uma estrutura física e humana que é um de seus maiores diferenciais. Com mais de 70 colaboradores, estúdios em Piracicaba e São Paulo, e equipamentos de ponta, a empresa possui uma capacidade de produção robusta. O know-how multidisciplinar da equipe, que cobre todas as etapas do processo produtivo, é um ativo de grande valor. A capacidade de oferecer um serviço completo, entregando projetos “fim a fim” com qualidade e atendimento personalizado, foi destacada como um trunfo. Esta abordagem, como aponta Fonseca (2013), pode ser um diferencial decisivo, enquanto a criação de um produto com características únicas é uma estratégia eficaz, conforme defendido por Brasileiro e Morandi (2014).
A busca por um “efeito Uau” nos clientes, mencionada pelo roteirista, reflete uma estratégia de superar as expectativas, alinhada aos princípios de Isquierdo (2023). Projetos como os minidocumentários “Sua História é a Nossa História” e o longa-metragem “Traços do Amanhã” são exemplos dessa busca por impacto e diferenciação. A combinação de uma equipe com altas habilidades de comunicação e empatia, como ressalta Costa (2024), tende a gerar maior engajamento e desempenho.
Apesar das forças, a produtora enfrenta desafios estruturais. O principal obstáculo é a ausência de uma equipe dedicada exclusivamente à produtora, desvinculada das demandas do ecossistema de educação. A falta de uma liderança com dedicação integral e de um setor comercial exclusivo compromete a prospecção de clientes externos e a formulação de uma visão de longo prazo. Vitkauskaitė (2017) define o planejamento estratégico como um processo que se torna inviável quando a gestão está imersa em tarefas operacionais.
Essa limitação impacta o engajamento da equipe. A distribuição de projetos baseada em disponibilidade foi citada como fonte de desmotivação. O caso do documentário “Traços do Amanhã” foi emblemático dessa falha. A falta de transparência nas decisões estratégicas foi um ponto sensível. Adicionalmente, a produtora enfrenta gargalos operacionais, como o registro na Ancine ainda pendente, o que impede o acesso a fomento, e a inexistência de um banco de projetos estruturado. Soukup Filho (2015) destaca que uma visão clara do planejamento é crucial desde a fundação de uma produtora, indicando uma lacuna a ser preenchida.
A visão de futuro compartilhada é otimista, mas condicionada à superação desses desafios. Há um consenso de que o futuro da produtora reside na consolidação no mercado externo. Para isso, como reforçam Brasileiro e Morandi (2014), a empresa deve investir em diversas áreas para transformar os desejos do mercado em produtos com diferenciais. O potencial de atuação com agências de publicidade, produção de conteúdo para marcas e treinamentos corporativos, além da expansão para festivais e produções autorais, são vistos como caminhos promissores.
A análise SWOT cruzada delineou estratégias refinadas. No quadrante Forças-Oportunidades (S-O), a estratégia ofensiva é utilizar a equipe e a infraestrutura para capitalizar a demanda por conteúdo audiovisual. No quadrante Fraquezas-Oportunidades (W-O), a estratégia de reorientação foca em diminuir a dependência do ecossistema através da estruturação de uma equipe de prospecção e da finalização do registro na ANCINE. No quadrante Forças-Ameaças (S-T), a estratégia defensiva sugere usar a qualidade como diferencial competitivo e desenvolver projetos autorais para motivar a equipe. No quadrante Fraquezas-Ameaças (W-T), a estratégia de sobrevivência aponta para a necessidade de diversificar as fontes de receita e implementar processos de gestão mais transparentes para reter talentos.
Com base no diagnóstico, foi elaborado um plano de ação 5W2H com cinco iniciativas concretas. A primeira é a finalização do registro da empresa na ANCINE até o final do semestre atual. A segunda é a estruturação da prospecção ativa de novos clientes, com planejamento neste semestre e operacionalização no próximo ano. A terceira é a criação de um banco de projetos estratégico, de desenvolvimento contínuo. A quarta, a ser implementada a partir do próximo trimestre, é o estabelecimento de um sistema transparente para alocação de equipes. A quinta ação é o desenvolvimento de um projeto autoral por ano para inscrição em festivais, visando fortalecer a reputação criativa e motivar a equipe.
Este estudo analisou o contexto de uma produtora audiovisual e elaborou um plano de ação para seus desafios. A pesquisa revela que, apesar de forças como equipe qualificada e infraestrutura, a empresa opera sob as fragilidades de um crescimento não estruturado. A dependência de um cliente principal e a falta de processos internos transparentes criam um gargalo que limita a autonomia e gera insatisfação na equipe. O diagnóstico e as soluções propostas no plano de ação 5W2H oferecem um roteiro para a profissionalização e expansão, guiando a gestão de um modelo reativo para uma estratégia planejada. O estudo pode ser útil para outras empresas de economia criativa com desafios similares.
As limitações deste estudo incluem seu foco em um caso único, o que impede a generalização dos resultados. No entanto, a análise oferece insights sobre a transição de um modelo de serviços interno para uma atuação de mercado mais ampla. Sugere-se como pesquisa futura o acompanhamento longitudinal da implementação das propostas para avaliar sua eficácia. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a implementação de um planejamento estratégico formal, detalhado no plano de ação, é a via fundamental para mitigar as fraquezas identificadas e capitalizar as oportunidades de mercado, garantindo o crescimento sustentável da produtora.
Referências:
Alves, Elder P. Maia. 2016. A Expansão do Mercado de Conteúdos Audiovisuais: Revista Caderno CRH, Salvador. v. 29, n. 78, p. 477-494.
Anaz, S. A. L. 2018. Processo criativo na indústria do audiovisual: do roteiro ao imaginário: Revista Galaxia, São Paulo. p. 98-113.
Brasileiro, Alessandra F; Morandi, Thiago A. 2014. As forças e estratégias de Michael Porter no Ramo Audiovisual: Estudo de caso de uma produtora de São João Del-Rei (MG). Revista Iniciacom – Vol. 6, Nº 1.
Costa, Gabriel V. S. C. 2024. A Produção Cultural e Audiovisual como Estratégia Transformadora: Gestão, Resiliência e Inovação em Ambientes Criativos. Revista Científica Multidisciplinar O Saber, Ano IV, v.1, n.2.
Filho, Vaclav. S; Mello, Renato. D. C; Pinho, Maria. L. C. A; Pinho, Celso. R. A. 2015 O fenômeno da internacionalização na economia criativa brasileira: um estudo de casos no setor audiovisual. XXXIX Encontro da ANPAD, Belo Horizonte.
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Gil, Antônio Carlos. 1991. Como Elaborar Projetos de Pesquisas. 3ed. Editora Atlas S. A, São Paulo, SP, Brasil.
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Isquierdo, U. 2023. O Método Efeito UAU: Como criar uma experiência que transforma clientes em fãs. Editora Gente.
Joonas, Kishwar; Mahfouz, Ahmed Y; Hayes, R. 2023. Strategy for Growth and Market Leadership: The Netflix Case: AIMS International Journal of Management. p. 89-100.
Júnior, Alexandre P. F; Moura, Shirley; Barbosa, Ana. K. 2022 Os Reels como Ferramenta estatégica do audiovisual na divulgação de eventos sociais: Uma análise sobre o instagram da empresa. Revista de Comunicação e Cultura na Amazônia. p 157.
Luo, Lei; Hong, Qingyu; Zhong, Ming. 2024. The Application of 5W2H Management Model in the Construction of Enterprise Economic and Strategic Management System. Applied Mathematics and Nonlinear Sciences: p. 1-20.
Pinheiro, Maria Marly. 2011. A Produção Audiovisual como Ferramenta de Aprendizagem. Faculdade de ciências sociais aplicadas – Fasa curso de comunicação social habilitação em propaganda e publicidade. UniCEUB, Brasília.
Rodrigues, Leôncio Gonçalves; Leandro, Cícero dos Santos; Barros, Francisco Bernardo; Braga, Ian Henrique Teles; Figueiredo, José Evandro da Silva; Pinheiro, Adriana de Alencar Gomes. 2020. Educação à Distância, ensino remoto e as novas tecnologias de informação e comunicação educacionais em um cenário de pré e pós pandemia.
Vitkauskaité, Ieva. 2017. Strategic Management of Independent Film Production Companies. Chinese Business Review, June 2017, Vol. 16, No. 6, pp. 259–277.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq
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