Inovação para acelerar a agenda ESG

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15 de agosto de 2025

Inovação para acelerar a agenda ESG

Práticas lineares não respondem à urgência das mudanças climáticas, à complexidade da inclusão social nem à necessidade de transparência

No ecossistema corporativo contemporâneo, o ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser um diferencial reputacional para se consolidar como imperativo estratégico. Pressões regulatórias, mudanças climáticas e expectativas crescentes de stakeholders redefiniram o conceito de criação de valor. Empresas que tratam ESG como obrigação regulatória ou ação cosmética correm sério risco de perder competitividade, acesso a capital e, em última instância, a licença para operar (Eccles & Klimenko, 2019).

Essa transformação é refletida nas cartas anuais de Larry Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, ao afirmar: “A transição para uma economia sustentável é a maior oportunidade de investimento da nossa geração” (BlackRock, 2022). Não se trata de discurso: fundos orientados por critérios ESG cresceram de forma exponencial, enquanto investidores institucionais demandam métricas robustas e auditáveis. ESG não é opcional — é condição para a sobrevivência de longo prazo.

Mas como traduzir esse imperativo em vantagem competitiva? A resposta está na inovação. A verdade é que práticas lineares não respondem à urgência das mudanças climáticas, à complexidade da inclusão social nem à necessidade de transparência radical. A inovação sim, quando integrada como estratégia, entrega o que o ESG exige: velocidade, mensuração e escala. O ESG estabelece o que deve ser alcançado e por que isso importa; inovação é o como. Mais do que tecnologia, trata-se de redesenhar processos, cadeias de valor, modelos de negócio e cultura organizacional para criar impacto positivo de forma sustentável e economicamente viável.

A literatura reforça essa convergência. Porter e Kramer (2011), com o conceito de “Valor Compartilhado”, já afirmavam que competitividade e impacto social são interdependentes. O Fórum Econômico Mundial (2022) ressalta que integrar ESG e inovação fortalece a competitividade e a capacidade de adaptação das empresas diante de transformações de mercado. A McKinsey (2025) complementa afirmando que companhias que incorporam prioridades ESG à estratégia e superam nos fundamentos financeiros têm mais que o dobro de probabilidade de apresentar crescimento de receitas acima de 10%, além de ampliar sua resiliência frente a riscos e pressões regulatórias.

Na prática, inovar para acelerar o ESG significa agir de forma estratégica nos três eixos que estruturam a agenda:

No Ambiental (E), ir além do compliance, incorporando soluções que reduzam emissões, ampliem a eficiência no uso de recursos e promovam economia circular. Práticas incluem adoção de energias renováveis, projetos regenerativos, cadeias produtivas com rastreabilidade e modelos de negócio de baixo carbono. Empresas líderes transformam resíduos em insumos e reposicionam produtos sob princípios de ecodesign.

No Social (S), inovar é reduzir assimetrias. Programas de capacitação digital, inclusão produtiva e diversidade se tornam elementos centrais da estratégia. Neste eixo a união entre tecnologia e educação pode ampliar a empregabilidade em setores de alta demanda. A adoção de plataformas de mensuração de impacto social corporativo, alinhadas aos ODS, conferem rigor, materialidade e credibilidade às ações.

Na Governança (G), inovação significa transparência ampliada e accountability. Ferramentas digitais, auditorias baseadas em blockchain, smart contracts e dashboards em tempo real fortalecem a confiança dos stakeholders. Adoção de frameworks globais de monitoramento, gestão e impacto deixa de ser diferencial para se tornar requisito. Conselhos diversos e metas ESG vinculadas à remuneração executiva reforçam a governança adaptativa.

Esse alinhamento é reforçado por normas internacionais, como a ISO 56002, que define diretrizes para gestão da inovação, e a ISO 37122, que integra indicadores de cidades inteligentes e práticas sustentáveis. Juntas, elas legitimam a inovação como um processo sistêmico, não eventual, capaz de acelerar entregas dos eixos ESG com consistência.

Ao investir em ESG com inovação, as organizações não apenas atendem às exigências do mercado e dos investidores, como também pavimentam o caminho para certificações internacionais, como a B Corp. Esse selo, concedido pela organização sem fins lucrativos B Lab, reconhece empresas que equilibram lucro e propósito, mensurando impactos positivos em dimensões sociais, ambientais e de governança. Ser uma empresa B não é apenas um atributo reputacional, mas um diferencial competitivo em mercados onde a transparência e a geração de valor compartilhado são imperativos estratégicos (B Lab, 2023).

Negligenciar a força da integração da inovação ao ESG não significa apenas perder reputação, significa perder relevância estratégica. O mercado não penaliza apenas quem falha, mas recompensa quem inova com impacto mensurável. Fundos globais como os da BlackRock priorizam empresas capazes de provar resultados concretos em transição energética, diversidade e ética corporativa.

O futuro corporativo não será escrito por organizações que apenas reduzem danos, mas por aquelas que criam valor compartilhado com velocidade e escala. ESG é a bússola; a inovação é o motor. A pergunta não é se sua empresa deve integrar essas agendas, mas como fará isso antes que investidores, mercado, regulações e sociedade exijam.

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Pedro Chamochumbi

É gestor de inovação, agente de desenvolvimento, ESG, cidades inteligentes e governo digital. É cofundador da AiX - Agência de Inovação, consultor associado ao Instituto Pecege, membro do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Piracicaba, professor, palestrante e mentor de negócios inovadores.

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Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

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Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

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Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

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Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

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Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

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Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

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Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

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A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

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Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

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Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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