Neurociência E Aprendizagem Na Educação
30 de setembro de 2026
Saberes docentes sobre neuroplasticidade e aprendizagem
Saberes Docentes sobre Neuroplasticidade e Aprendizagem
Conceição Roberta da Silva Moraes; Juliana Cristina Da Silva
DOI: 10.22167/2675-6528-202602794
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência mostrou-se relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configurou-se como elemento central para a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica. O estudo objetivou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e caráter descritivo, desenvolvida por meio de levantamento de campo do tipo survey. A coleta de dados ocorreu com 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo, por meio de questionário on-line estruturado em eixos temáticos. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora a maioria dos docentes reconheça a relevância da neuroplasticidade para a aprendizagem, predominaram níveis básicos e intermediários de conhecimento, além de lacunas na formação inicial e continuada. Evidenciou-se a importância de considerar ações formativas para os profissionais da educação.
Palavras-chave: Formação docente; neurociência; neuroeducação.
1. Introdução
A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência tem se mostrado relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, entendida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configura-se como elemento central para refletir sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica.
A Neurociência, por sua natureza multidisciplinar, dedica-se ao estudo do sistema nervoso, com especial atenção ao cérebro humano. Esse campo científico permite compreender os mecanismos cerebrais envolvidos no processo de aprendizagem, oferecendo subsídios para tornar o ensino mais eficaz e potencializar o desenvolvimento cognitivo (Chaves, 2023). A referida ciência concentra-se na análise do Sistema Nervoso Central, tendo como principal objetivo promover reflexões e debates sobre seu funcionamento e implicações para o comportamento humano (Abreu, 2012).
Professores que compreendem o funcionamento do sistema nervoso estão mais preparados para aprimorar sua prática pedagógica, impactando positivamente o desenvolvimento dos estudantes. Esse conhecimento permite intervenções mais eficazes nos processos de ensino e aprendizagem, especialmente no apoio aos alunos que enfrentam dificuldades, mesmo quando têm garantido o direito a adaptações curriculares (Consenza e Guerra, 2011).
Sob a perspectiva neurobiológica, o conceito de aprendizagem está intimamente ligado à ideia de plasticidade, mais especificamente, à neuroplasticidade. Esta se refere à capacidade do cérebro de reorganizar seus circuitos neuronais diante de novas experiências. De forma geral, a neuroplasticidade representa a habilidade do sistema nervoso de modificar sua estrutura e funcionamento em resposta a diferentes estímulos, como o desenvolvimento natural do organismo, a aquisição de novas habilidades, ou ainda a reorganização cognitiva após lesões no sistema nervoso central ou em situações de privação sensorial (Bavelier e Neville, 2002).
Reitera-se que o conhecimento em neurociência contribui para uma compreensão mais profunda sobre como ocorre a aprendizagem. Ao entender como o cérebro aprende, é possível aplicar esse saber ao contexto educacional, buscando estratégias e articulações mais eficazes para que os estudantes aprendam com mais qualidade e eficiência (Queiroz, et al., 2020).
Considerando que a compreensão dos processos de aprendizagem relacionados à capacidade do cérebro de se modificar pode influenciar as estratégias de ensino adotadas, investigar esse conhecimento permite identificar potencialidades e lacunas na formação docente. Chaves (2025) indica que, apesar dos avanços teóricos na área de estudos em neurociência e neuroplasticidade, a formação inicial docente apresenta lacunas substanciais no que se refere à integração entre Neurociência e Educação. A falta de conhecimento sobre como o cérebro funciona em relação à aprendizagem pode comprometer a capacidade do docente de compreender o processo de aprendizagem como fenômeno complexo e multifacetado.
Dessa forma, justifica-se este estudo pela necessidade de compreender o nível de conhecimento dos professores sobre o conceito de neuroplasticidade e como esse saber é percebido e incorporado em sua prática pedagógica, a fim de contribuir para o aprimoramento dessas práticas e para o direcionamento de ações de formação continuada mais alinhadas às demandas do contexto educacional. Com base nessa premissa, esta pesquisa tem como objetivo identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional.
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada, com abordagem metodológica quantitativa e objetivos descritivos. O propósito central foi identificar o nível de conhecimento e a percepção dos professores sobre a neuroplasticidade e sua relação com o processo de aprendizagem, alinhando-se ao objetivo de identificar lacunas na formação docente. A pesquisa descritiva buscou observar, coletar e registrar características de uma população específica (Gil, 2010; Campos, 2008).
O delineamento adotado foi o levantamento de campo, do tipo survey, que permitiu a coleta de dados sobre a percepção e compreensão dos educadores a respeito da neuroplasticidade. A escolha da abordagem quantitativa fundamentou-se na intenção de mensurar as informações coletadas, organizando-as e interpretando-as com base em valores numéricos (Turrioni e Mello, 2012; Godoy, 1995). Essa abordagem foi essencial para quantificar os saberes docentes.
A população-alvo do estudo foi composta por 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo. Essa unidade é responsável por 82 escolas que abrangem os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio regular e técnico, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A pesquisadora, atuando como formadora de professores na referida unidade, facilitou o acesso e a relevância do contato com os profissionais da educação.
O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário on-line, elaborado na plataforma Google Forms. Antes da aplicação final, realizou-se um pré-teste para verificar a clareza das perguntas e estimar o tempo de resposta. As sugestões de melhoria, indicadas pelos profissionais que participaram dessa etapa, foram integralmente incorporadas à versão definitiva do questionário, garantindo sua adequação e compreensibilidade.
O questionário foi estruturado em cinco eixos temáticos principais. Estes eixos incluíram: a) perfil profissional dos participantes; b) percepção sobre o conceito de neuroplasticidade; c) grau de conhecimento acerca da neuroplasticidade; d) implicações do conhecimento sobre neuroplasticidade para a prática pedagógica; e e) formação e necessidades formativas dos docentes. Essa organização permitiu uma coleta abrangente de informações relevantes para o estudo.
A coleta de dados ocorreu durante um período de quinze dias, entre 23 de janeiro de 2026 e 07 de fevereiro de 2026. O link de acesso ao questionário foi amplamente divulgado aos professores por meio de e-mails institucionais e grupos de comunicação via WhatsApp. Esse método de distribuição on-line facilitou o alcance dos participantes e a agilidade no processo de coleta das respostas.
Para a análise dos dados coletados, empregou-se a estatística descritiva. Essa técnica foi utilizada com o objetivo de estruturar, sintetizar e apresentar os aspectos relevantes das características observadas no conjunto de respostas dos participantes (Reis e Reis, 2002). A estatística descritiva permitiu organizar as informações de forma clara e objetiva, sem inferências ou generalizações.
Os cuidados éticos foram rigorosamente observados. A pesquisa, baseada em questionário anônimo e de preenchimento voluntário, não coletou informações pessoais sensíveis ou identificáveis, dispensando a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Garantiu-se a confidencialidade, o sigilo e o uso exclusivo dos dados para fins acadêmicos.
Previamente ao preenchimento do questionário, os participantes tiveram acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A concordância com a participação na pesquisa foi registrada eletronicamente, mediante a seleção da opção “Sim” para uma declaração obrigatória. Adicionalmente, a inteligência artificial Gemini foi utilizada para auxiliar no desenvolvimento do instrumento e na revisão linguística do texto, com a validação e edição final realizadas pela autora.
3. Resultados e Discussão
A pesquisa envolveu a participação de 101 professores da educação básica, e os resultados foram organizados em categorias temáticas para facilitar a interpretação dos dados. Essas categorias incluíram o perfil profissional dos participantes, suas percepções sobre a neuroplasticidade, o grau de conhecimento que possuíam sobre o tema, as implicações desse conhecimento para a prática pedagógica e as necessidades formativas identificadas. A análise descritiva dos dados permitiu traçar um panorama detalhado do nível de familiaridade e aplicação dos conceitos de neuroplasticidade entre os docentes, alinhando-se ao objetivo de identificar lacunas na formação.
A amostra de docentes revelou uma predominância de professores atuantes no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, que juntos representam a maior parte dos participantes. Observou-se também uma variação significativa no tempo de atuação na docência, com uma parcela considerável de profissionais possuindo onze anos ou mais de experiência. Um dado relevante para o contexto do estudo foi que aproximadamente 55,2% dos participantes indicaram não ter participado de formações relacionadas à neurociência ou à neuroeducação, o que já aponta para uma lacuna na exposição a esses conhecimentos.
Perfil profissional
No que concerne ao nível de ensino em que os professores atuam, verificou-se que 40,6% dos participantes são docentes do Ensino Fundamental II, e 39,6% atuam no Ensino Médio. As demais etapas, como Educação Infantil, Ensino Fundamental I e Educação de Jovens e Adultos (EJA), representaram parcelas menores da amostra. Em relação ao tempo de atuação na docência, a pesquisa indicou que 40,6% dos professores possuíam mais de 20 anos de experiência, enquanto 26% tinham entre 11 e 20 anos. Esses dados evidenciam uma amostra com experiência consolidada na carreira.
A análise sobre a participação em formações relacionadas à neurociência ou neuroeducação revelou que 55,2% dos professores nunca participaram de tais atividades. Este achado é crucial para o objetivo do estudo, pois sugere uma base limitada de conhecimento formal sobre o tema entre a maioria dos docentes. A ausência de formação específica pode impactar a capacidade dos educadores de integrar conceitos neurocientíficos em suas práticas pedagógicas, conforme discutido por Chaves (2025) sobre as lacunas na formação inicial docente.
Percepção sobre a neuroplasticidade
Em relação à percepção sobre a neuroplasticidade, a pesquisa revelou que 78,4% dos professores afirmaram já ter ouvido falar sobre o tema, indicando uma familiaridade inicial com o conceito. Além disso, 75,3% consideraram a neuroplasticidade como muito relevante para a educação, e 8,2% a avaliaram como parcialmente relevante. Apenas 16,5% dos docentes não souberam responder sobre a relevância, o que sugere um reconhecimento generalizado da importância do tema, mesmo que o aprofundamento conceitual ainda seja limitado.
Quanto ao impacto da neuroplasticidade na aprendizagem, 69,1% dos professores acreditam que esse impacto é muito significativo, enquanto 13,4% o consideram moderado. Apenas 17,5% não souberam responder. Esses resultados demonstram que a maioria dos docentes percebe uma conexão direta e relevante entre a capacidade de modificação cerebral e os processos de ensino e aprendizagem. Essa percepção positiva é um ponto de partida importante para futuras ações formativas, pois indica uma abertura para a incorporação de conhecimentos neurocientíficos na prática pedagógica.
Grau de conhecimento sobre neuroplasticidade
A autoavaliação do nível de conhecimento sobre neuroplasticidade apresentou um panorama que reforça a necessidade de formação. Apenas 1% dos professores classificou seu conhecimento como avançado, enquanto 25,8% o consideraram intermediário. A maior parte dos participantes, 49,5%, avaliou seu conhecimento como básico, e 23,7% admitiram não possuir nenhum conhecimento sobre o tema. Esses dados indicam que, apesar da percepção de relevância, o domínio conceitual da neuroplasticidade ainda é superficial para a maioria dos docentes.
Ao cruzar o grau de conhecimento autoidentificado com o tempo de atuação na carreira, observou-se que o nível de conhecimento intermediário se distribui de forma relativamente equilibrada entre as diferentes faixas de tempo, com um ligeiro aumento nas faixas de atuação mais avançadas. Contudo, o conhecimento avançado mostrou-se muito restrito, concentrando-se especificamente na faixa de 11 a 20 anos de atuação. Isso sugere que, para a amostra estudada, a experiência docente não se traduz automaticamente em um aprofundamento significativo do conhecimento sobre neuroplasticidade, indicando que o acesso a esse saber não é sistemático ao longo da carreira.
A análise da relação entre tempo de atuação e nível de conhecimento corrobora a perspectiva de Huberman (1992) sobre o ciclo de vida profissional docente. A maioria dos professores que se autoavaliaram com níveis básico e intermediário de conhecimento situa-se na fase de diversificação ou questionamento da carreira, correspondente ao período entre 7 e 25 anos de exercício profissional. Essa fase é caracterizada pela busca por novos estímulos e engajamento em projetos significativos, o que pode explicar a percepção de relevância da neuroplasticidade, apesar do conhecimento ainda incipiente.
Implicações para a prática pedagógica
No que diz respeito às implicações para a prática pedagógica, 71,1% dos professores acreditam que a compreensão da neuroplasticidade pode influenciar de forma significativa sua prática docente. Outros 16,5% consideram essa influência parcial, e 12,4% não souberam responder. Essa alta porcentagem de reconhecimento da influência demonstra que os docentes percebem o potencial transformador do conhecimento neurocientífico, o que é um fator motivador para a busca por formação e aprimoramento das estratégias de ensino.
Quando questionados sobre as estratégias de ensino mais relacionadas à neuroplasticidade, os docentes apontaram a “Aprendizagem ativa”, como projetos e resolução de problemas, com 75,5% das menções, e os “Estímulos diversificados”, incluindo visuais, auditivos e motores, com 86,7% das respostas. Outras estratégias como “Feedback frequente” (44,9%), “Ensino personalizado” (38,8%) e “Repetição espaçada” (18,4%) também foram consideradas relevantes. Esses achados indicam que os professores associam a neuroplasticidade a abordagens pedagógicas que promovem o engajamento e a estimulação multissensorial dos alunos.
A valorização da aprendizagem ativa e dos estímulos diversificados pelos docentes está em consonância com a literatura que aborda as funções executivas e o desenvolvimento cognitivo. Oliveira (2014) e Eslinger (2000) destacam que aprendizagens que envolvem tomada de decisão, planejamento e execução de ações fortalecem funções mentais complexas. Assim, a percepção dos professores sobre essas estratégias reflete uma intuição pedagógica alinhada aos princípios neurocientíficos, mesmo que o conhecimento formal sobre neuroplasticidade ainda seja limitado.
A necessidade de os professores elaborarem atividades pedagógicas intencionalmente planejadas, que considerem as características individuais dos estudantes e promovam condições eficazes para o desenvolvimento e a aprendizagem, é um ponto crucial. Queiroz et al. (2020) enfatizam essa perspectiva, reforçando que o conhecimento em neurociência pode subsidiar a criação de estratégias mais eficazes. A identificação dessas estratégias pelos docentes, mesmo com lacunas no conhecimento aprofundado, sugere um terreno fértil para o desenvolvimento de formações que conectem a teoria neurocientífica à prática pedagógica existente.
Formação e necessidades formativas
Sobre o contato prévio com o conceito de neuroplasticidade, a maioria dos participantes indicou ter tido contato por meio de “leituras ou pesquisas individuais” (45,4%) e “palestras, oficinas ou formações continuadas” (32%). A “formação inicial (graduação)” foi mencionada por apenas 16,5% dos docentes como fonte de contato, e 18,6% afirmaram não ter tido contato algum com o tema. Esses dados corroboram a análise de Chaves (2025), que aponta para lacunas substanciais na formação inicial docente no que tange à integração entre Neurociência e Educação, evidenciando que o contato com a neuroplasticidade ocorre, em muitos casos, de forma pontual e por iniciativa individual.
A demanda por aprofundamento dos conhecimentos sobre neuroplasticidade aplicada à educação é expressiva, com 56,7% dos professores sentindo “muita necessidade” e 39,2% sentindo “alguma necessidade”. Isso totaliza 95,9% dos participantes que reconhecem a importância de aprofundar seus saberes. Essa alta demanda por formação é um indicativo claro de que os docentes estão abertos a adquirir novos conhecimentos que possam qualificar suas práticas pedagógicas e, consequentemente, o processo de aprendizagem dos estudantes.
Em relação aos formatos de formação considerados mais adequados, os professores apontaram as “oficinas práticas” (45,4%) e os “cursos teóricos (presenciais/online)” (44,3%) como as opções preferenciais. Materiais de leitura e estudo individual, bem como grupos de estudos com colegas, também foram mencionados, mas com menor frequência. A preferência por formatos que combinam teoria e prática, especialmente as oficinas, reflete a necessidade dos docentes de não apenas compreenderem os conceitos, mas também de aprenderem a aplicá-los de forma concreta em sala de aula.
As dificuldades identificadas para aplicar conceitos de neurociência na prática pedagógica incluem a “falta de formação adequada” (45,4%) e a “dificuldade de relacionar teoria e prática” (36,1%). Outras barreiras mencionadas foram a falta de tempo para estudo e aplicação, e a falta de recursos na escola. Esses desafios reforçam a necessidade de ações formativas que sejam bem estruturadas, que ofereçam suporte prático e que considerem a realidade e as limitações do cotidiano escolar dos professores, promovendo uma ponte efetiva entre o conhecimento neurocientífico e a ação pedagógica.
Em síntese, os resultados da pesquisa evidenciam que, embora a maioria dos professores reconheça a relevância da neuroplasticidade para a educação e perceba seu impacto positivo nos processos de aprendizagem, ainda persistem lacunas significativas no aprofundamento conceitual e na apropriação sistematizada desse conhecimento na prática pedagógica. A autoavaliação do nível de conhecimento, predominantemente básico e intermediário, e a baixa incidência de formação específica na área, indicam que o contato com a temática ocorre de forma pontual, fragmentada ou por iniciativas individuais, reforçando a necessidade de investimentos consistentes em formação continuada para os profissionais da educação. Os achados demonstram que a experiência docente não se traduz automaticamente em maior aprofundamento do conhecimento sobre neuroplasticidade, e que há uma clara demanda por formações práticas e teóricas que ajudem a superar as dificuldades de articulação entre teoria e prática, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de ensino.
4. Conclusão
O presente estudo buscou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Verificou-se que a maioria dos professores reconhece a relevância da neuroplasticidade para a educação e percebe seu impacto significativo nos processos de aprendizagem. Contudo, predominou um nível de conhecimento básico e intermediário sobre o tema, com uma parcela considerável de docentes indicando não ter participado de formações específicas na área. Observou-se que a formação inicial contribuiu minimamente para o contato com o conceito, e que a experiência docente não se traduziu em aprofundamento sistemático do conhecimento. Apesar disso, os professores associam a neuroplasticidade a estratégias pedagógicas como a aprendizagem ativa e os estímulos diversificados, demonstrando uma intuição alinhada aos princípios neurocientíficos. A principal contribuição deste trabalho reside no diagnóstico detalhado dessas lacunas, evidenciando a necessidade premente de ações formativas estruturadas.
A pesquisa, de caráter descritivo e realizada por meio de levantamento de campo, limitou-se a uma amostra específica de professores de uma Unidade Regional de Ensino, o que restringe a generalização dos resultados para outros contextos. Além disso, a autoavaliação do nível de conhecimento pode apresentar vieses. No entanto, os achados sustentam a recomendação de que sejam desenvolvidas e implementadas ações de formação continuada que promovam a articulação entre os conhecimentos neurocientíficos e a prática pedagógica. Sugere-se que essas formações priorizem formatos que combinem teoria e oficinas práticas, visando superar as dificuldades identificadas pelos docentes em relacionar a teoria à aplicação em sala de aula. Estudos futuros poderiam explorar a eficácia de programas de formação específicos e seu impacto direto nas práticas pedagógicas e no desempenho dos estudantes.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação
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