Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

A Neurociência e as rotinas de atividades de alfabetização no 1º Ciclo Escolar

A Neurociência e as Rotinas de Atividades de Alfabetização no 1º Ciclo Escolar

Carla Maria Rodarte Santana; Mariana Domitila Padovani Martins

DOI: 10.22167/2675-6528-202602800

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A alfabetização, processo fundamental no desenvolvimento educacional, baseia-se em diagnóstico, planejamento e metodologia, com a neurociência oferecendo contribuições significativas para a eficácia das práticas pedagógicas. Analisou-se a experiência em alfabetização de uma escola municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de identificar e compreender as práticas desenvolvidas e sua inserção na rotina da classe. Realizou-se um estudo teórico-reflexivo de caráter descritivo e qualitativo, configurado como estudo de caso. Observaram-se as rotinas de alfabetização do 1º ao 3º ano do ensino fundamental durante três anos (triênio 2022-2024), por meio de acompanhamento das atividades docentes e discussões pedagógicas com a coordenação. Constatou-se que uma rotina pedagógica planejada e implementada, alinhada aos pressupostos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências, favoreceu o êxito na alfabetização. As práticas observadas incluíram o trabalho sistemático com consciência fonêmica, texto escrito, produção textual e o uso de tecnologias. Concluiu-se que a integração cognitiva promovida por essas rotinas desenvolveu a capacidade cerebral para a leitura e escrita, evidenciando a importância de estratégias contínuas e interligadas para uma aprendizagem eficaz e duradoura nos anos iniciais do ensino fundamental.

Palavras-chave: Alfabetização; Formação; Neurociência; Planejamento; Rotina Pedagógica.

1. Introdução

A alfabetização representa o cerne do trabalho nas classes iniciais do Ensino Fundamental, sendo um pilar essencial para o desenvolvimento educacional das crianças. Ao longo das décadas, o conceito de alfabetização tem passado por transformações significativas, refletindo a evolução das compreensões sobre o processo de aquisição da leitura e da escrita.

Inicialmente, a alfabetização era compreendida como o simples ato de “ensinar a ler e escrever”. Contudo, essa visão mostrou-se insuficiente, especialmente em sociedades grafofônicas, impulsionando pesquisas e estudos que buscaram aprofundar a natureza desses processos e a forma como a criança constrói o conhecimento sobre a língua escrita.

Com o avanço dos estudos, como os da Psicogênese da Língua Escrita, tornou-se evidente que o sucesso da alfabetização exige do professor uma gama de conhecimentos e estratégias mais complexas. As práticas e metodologias pedagógicas são caracterizadas por Frade (2014) como um conjunto de decisões intencionais que o educador toma em relação a métodos, materiais, procedimentos de ensino, avaliação e os objetivos de aprendizagem.

Essa perspectiva ampliada demanda que o professor esteja atento às hipóteses do aprendiz sobre a escrita e a leitura, criando situações que permitam ao aluno compreender a função social da escrita. O planejamento de atividades é crucial para conciliar a aquisição do sistema alfabético com o uso competente da leitura e escrita em contextos sociais de interação e comunicação, conforme destacado por Soares (2014).

Nesse cenário, a neurociência emerge como um campo de contribuição fundamental para a alfabetização, ao fundamentar o aprendizado em modificações cerebrais. A neuroplasticidade cerebral, definida por Cosenza e Guerra (2011) como a capacidade do sistema nervoso de reestruturar suas funções e anatomia em resposta a estímulos e experiências, é a base de todo ato de aprender, explorando os mecanismos de processamento de informações no cérebro.

A compreensão dos mecanismos neurobiológicos que sustentam o processo de alfabetização instrumentaliza os educadores para desenvolver estratégias pedagógicas mais eficazes. Essa abordagem, alinhada à alfabetização baseada em evidências, reconhece a complexidade de aprender a ler e escrever, não como uma estratégia simplista, mas como um conjunto de conhecimentos científicos sobre as práticas mais eficazes, como aponta Filho (2023).

No contexto educacional, a rotina em uma classe de alfabetização é de importância imprescindível, atuando como organizadora e condutora das atividades. Souza e Souto (2014) caracterizam a rotina como uma sequência de ações que proporcionam organização e referência aos sujeitos, devido ao seu caráter sistemático. Para que seja eficaz, a rotina de atividades requer um planejamento docente intencional, que defina um caminho para desenvolver habilidades e conhecimentos com continuidade e integração, configurando uma organização articulada de atividades para o desenvolvimento da leitura e escrita, segundo Soares (2021).

Apesar da crescente compreensão sobre a complexidade da alfabetização e a relevância da neurociência, ainda se faz necessário investigar como as rotinas pedagógicas podem ser estruturadas para integrar esses conhecimentos de forma eficaz. A identificação de práticas que alinham os pressupostos da neurociência com as demandas da alfabetização é crucial para promover uma aprendizagem mais significativa e duradoura. Diante dessa necessidade, este trabalho justifica-se pela busca em contribuir para o aprimoramento das práticas pedagógicas, visando um processo eficaz de apropriação da leitura e da escrita. Assim, o objetivo deste estudo consiste em conhecer e apontar as atividades e estratégias de ensino inseridas numa rotina de alfabetização, nas classes de 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que de acordo com os pressupostos da neurociência, contribuem para um processo eficaz de apropriação da leitura e escrita.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi delineado como uma pesquisa de caráter descritivo e abordagem qualitativa, configurando-se como um estudo de caso. Teve como objetivo conhecer e apontar as atividades e estratégias de ensino inseridas em rotinas de alfabetização, nas classes de 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que, alinhadas aos pressupostos da neurociência, contribuem para um processo eficaz de apropriação da leitura e escrita, conforme estabelecido na introdução.

A natureza descritiva da pesquisa permitiu caracterizar o fenômeno em questão, focando na compreensão das práticas pedagógicas sem a intenção de estabelecer relações de causa e efeito ou generalizações. A abordagem qualitativa, por sua vez, foi empregada para explorar a profundidade e a complexidade das rotinas de alfabetização, buscando uma compreensão contextualizada das estratégias adotadas.

O foco empírico do estudo recaiu sobre as turmas do 1º Ciclo do Ensino Fundamental, abrangendo os 1º, 2º e 3º anos, de uma escola pública municipal localizada na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. A unidade de análise consistiu nas rotinas de alfabetização implementadas nessas classes, incluindo também a classe de reforço escolar da mesma instituição.

Para a obtenção das informações e dados, utilizou-se a observação e o acompanhamento contínuo das atividades desenvolvidas pelos docentes. Este procedimento foi realizado pela pesquisadora em seu papel de coordenação pedagógica, o que proporcionou uma imersão direta e prolongada no ambiente educacional.

As técnicas e instrumentos de coleta de dados consistiram na observação pessoal do contexto pesquisado e em conversas instrutivas, orientadoras e discussões pedagógicas que ocorreram entre a coordenação pedagógica e os professores. É importante ressaltar que o estudo não envolveu a seleção de amostra, nem a aplicação de questionários, entrevistas ou testes padronizados.

As práticas pedagógicas analisadas foram observadas ao longo de um período de três anos, correspondente ao triênio de 2022 a 2024. As observações ocorreram no contexto regular de sala de aula, integradas ao planejamento curricular da escola, sem que as atividades tivessem caráter experimental.

A análise dos dados coletados foi de caráter teórico-reflexivo e analítico-interpretativo. Organizou-se a partir de eixos temáticos de análise, os quais foram construídos por meio da articulação entre a prática docente observada e a literatura especializada sobre alfabetização e neurociência. A proposta metodológica consistiu na sistematização e análise pedagógica das estratégias de ensino adotadas.

Em relação aos aspectos éticos, o presente trabalho não foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa. Esta decisão fundamentou-se no fato de o estudo caracterizar-se como um aprofundamento teórico-reflexivo de situações emergentes da prática profissional docente, sem identificação de participantes, sem coleta sistemática de dados e sem utilização de instrumentos de pesquisa, em conformidade com a Resolução CNS n° 510/2016.

A metodologia empregada buscou, portanto, descrever e compreender as práticas pedagógicas de alfabetização em seu contexto natural, sem intervenções experimentais ou a produção de dados empíricos sobre o desempenho individual dos estudantes. O foco permaneceu na análise das estratégias didáticas e sua inserção na rotina escolar, visando contribuir para a reflexão e o aprimoramento das práticas docentes.

3. Resultados e Discussão

A experiência em alfabetização analisada em uma escola municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, revelou um conjunto de práticas pedagógicas que, alinhadas aos pressupostos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências, contribuíram significativamente para o êxito no processo de apropriação da leitura e escrita. O estudo, focado nas rotinas do 1º ao 3º ano do ensino fundamental durante o triênio 2022-2024, identificou uma organização intencional das atividades que promoveu a integração cognitiva e o desenvolvimento da capacidade cerebral para a leitura e escrita. Os achados demonstram que o planejamento e a implementação de metodologias adequadas são pilares essenciais para resultados satisfatórios na alfabetização, conforme já apontado por Frade (2014).

A análise inicial das dimensões da construção da língua escrita, que fundamentam o ensino e a aprendizagem, destacou a importância de três eixos interligados. A dimensão sociocultural enfatiza que a escrita adquire sentido e significado quando inserida em um contexto valorizado, permitindo a comunicação e o aprofundamento do indivíduo em práticas sociais de leitura e escrita. A dimensão cognitiva, por sua vez, direciona as práticas de sala de aula para o domínio efetivo do código escrito e das habilidades necessárias à sua utilização, bem como para a produção de significados a partir da apropriação da escrita e de seu uso social, o que transforma a condição do educando. Esta união do processo linear com o uso do conhecimento adquirido é crucial.

Complementarmente, a dimensão pedagógica ressalta a necessidade de integrar a cultura letrada na escola, ensinando a ler e escrever em um movimento contínuo entre pensamento, ação e significado. O objetivo é conciliar as múltiplas facetas da aquisição da língua. A observação dessas três dimensões é fundamental para a construção de uma proposta metodológica que organize e sistematize as atividades e práticas alfabetizadoras, atendendo às especificidades do processo de aquisição da leitura e da escrita. Essa premissa serve como fio condutor para a compreensão das rotinas implementadas na escola, reforçando a importância de um planejamento docente intencional, conforme defendido por Soares (2021).

De modo geral, as rotinas de alfabetização observadas na escola contemplaram atividades que visam à apropriação do sistema alfabético da escrita, ao desenvolvimento da ortografia e do letramento, à melhoria das habilidades de leitura e interpretação, e ao aprimoramento da produção textual e das convenções gráficas e ortográficas. Verificou-se que o conhecimento das letras e do alfabeto, a consciência fonológica e fonêmica, a escrita e leitura de palavras, a ortografia, e a leitura e interpretação de textos, bem como a produção textual, foram trabalhados de forma contínua e integrada ao longo do 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental. Essa abordagem sistemática é essencial para o desenvolvimento gradual e interligado das competências, evitando a fragmentação do aprendizado.

Um ponto de destaque na observação das dinâmicas e rotinas de alfabetização foi o trabalho sistemático com a consciência fonêmica e a apropriação do princípio alfabético. As atividades incluíam a contagem de letras e sílabas, o reconhecimento de sílabas e a formação de palavras, que são fundamentais para a decodificação do texto escrito em sons, conforme apontado por Silva (2014). Essas práticas, que envolvem a percepção das correspondências grafofonêmicas, são cruciais para que o aprendiz desenvolva a habilidade de transformar o que vê em sons e vice-versa, estabelecendo as bases para a leitura fluente e a escrita coerente.

Atividades de apropriação do sistema alfabético de escrita

As atividades voltadas para a apropriação do sistema alfabético da escrita foram projetadas para que o alfabetizando compreendesse como o sistema de escrita representa a fala. Observou-se que a criança percorre diferentes níveis de escrita, indicando que a alfabetização é um processo de construção de conhecimentos, e não uma mera repetição de informações. As atividades significativas, mediadas pelo docente e contextualizadas, permitiram que o educando avançasse de forma gradual e contínua em sua compreensão. Exemplos dessas atividades incluíram a comparação de palavras para identificar semelhanças e diferenças sonoras e gráficas, a escrita espontânea para revelar as hipóteses da criança sobre a escrita, e a leitura de textos reais como bilhetes, histórias e listas.

Além disso, foram implementados jogos fonológicos, como rimas e segmentação de sílabas, e a análise de correspondências entre letras e sons, que são essenciais para o desenvolvimento da consciência fonológica. A criança, desde cedo, está inserida em ambientes socioculturais onde a leitura e a escrita desempenham papéis comunicativos, o que a leva a perceber que escrever é representar a fala e ler é transformar essas marcas em fala, de acordo com Soares (2021). Sob a perspectiva da neurociência, o cérebro possui uma notável capacidade de se reorganizar a partir de novos aprendizados, constituindo um movimento constante de reordenamento de funções e organizações cognitivas, conforme Rotta (2018).

A prática de atividades de ortografia e das convenções gráficas

A abordagem da ortografia e das convenções gráficas na escola não se limitou a ensinar regras de forma aleatória, mas buscou promover a reflexão sobre o funcionamento da língua. Os “erros ortográficos” foram concebidos como concepções da criança sobre a escrita, o que possibilitou a intervenção pedagógica do professor para que os alunos comparassem, questionassem e avançassem em suas hipóteses de escrita. As atividades foram pautadas em práticas reais de leitura e produção de texto, garantindo que o aprendizado fosse contextualizado e significativo. O eixo estruturante desta prática observada consistiu em propor atividades de reflexão sobre a escrita, como a comparação de palavras e a análise de regularidades, além de jogos ortográficos.

O trabalho com textos reais, como listas, bilhetes e histórias, nos quais a ortografia tinha uma função social clara, foi fundamental. Explorou-se as regularidades da língua, como o uso de “m” antes de “p” e “b”, e discutiram-se as irregularidades. A revisão de textos foi valorizada, promovendo a autocorreção e a troca entre colegas, o que enriqueceu o processo de aprendizagem. É crucial que o desenvolvimento das convenções gráficas e ortográficas seja orientado por práticas pedagógicas intencionais, sistemáticas e contextualizadas, reconhecendo a criança como agente ativo na construção do seu conhecimento sobre o sistema de escrita. As práticas sistematizadas incluíram produção textual e revisão em grupo, jogos linguísticos como caça-palavras e bingo de palavras, reescrita consciente de textos conhecidos, comparação e reflexão sobre a escrita, construção de referenciais visuais como murais de palavras frequentes, e ditado com abordagem reflexiva para discussão da escrita correta.

Atividades para o desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação no ciclo de alfabetização e letramento

A Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018) estabelece que o ciclo de alfabetização deve focar duplamente na aquisição do sistema alfabético de escrita e no aprimoramento da competência leitora. Dessa forma, a escola trabalhou com uma diversidade de gêneros textuais desde o início, estimulando a compreensão, a capacidade de inferir e a reflexão crítica sobre o texto. A leitura e a interpretação foram vistas como um processo ininterrupto de construção de significado, que transcende a simples decodificação de palavras. Essa abordagem tem embasamento na linguística, psicologia cognitiva e pedagogia, alinhada aos documentos reguladores da educação brasileira.

A prática pedagógica da leitura e interpretação seguiu três pilares fundamentais. O primeiro é o Significado e Contextualização, onde a leitura precisou ser relevante para a criança, utilizando textos autênticos do cotidiano, como histórias, bilhetes e notícias. A interpretação foi estimulada ao convidar o aluno a refletir, antecipar, levantar hipóteses e conectar o conteúdo com suas vivências pessoais. O segundo pilar é a Mediação Intencional do Professor, cujo papel foi crucial na orientação da compreensão por meio de perguntas que promoviam a discussão, atividades de construção de sentido, como dramatizações e recontos, e debates em grupo. O terceiro pilar é o Ensino Explícito de Estratégias, que envolveu o ensino deliberado de habilidades como localizar dados explícitos, fazer inferências, identificar a ideia central e entender o contexto geral do texto, competências construídas por meio de instrução e não de forma espontânea.

No ciclo de alfabetização e letramento, a leitura e a interpretação são inseparáveis. O ensino da leitura foi além do reconhecimento de palavras, garantindo que o aluno compreendesse, interpretasse e utilizasse a leitura como instrumento de participação social. Assim, de acordo com Lima (2023), foram ensinadas estratégias de decodificação de fonemas, compreensão de palavras e textos desde o início do processo de alfabetização. Os momentos de contato com o texto escrito e a leitura, através de livros em sala, na biblioteca ou em contações de histórias pelas professoras, foram considerados primordiais para o desenvolvimento dessas habilidades, promovendo um ambiente rico em estímulos para a aquisição da linguagem escrita.

Atividades para o desenvolvimento das habilidades de produção de textos

As atividades de produção textual na escola não se restringiram ao mero exercício de letras ou sílabas, mas visaram a veicular ideias, sentimentos e informações em contextos autênticos de utilização. No ciclo de alfabetização, essas atividades foram baseadas em uma perspectiva interacionista de linguagem, entendendo a escrita como um ato social com sentido, finalidade clara e interlocutor definido. As contribuições teóricas de Emília Ferreiro e Ana Teberosky (2011) demonstram o processo gradual de construção de hipóteses sobre a escrita pela criança, e a introdução de atividades de produção textual desde as etapas iniciais da alfabetização foi crucial para incentivar o aluno a refletir sobre o sistema de escrita e a construir significados simultaneamente.

A escola explorou uma variedade de gêneros textuais, como bilhetes, listas, histórias, convites e relatos, o que enriqueceu o vocabulário e a capacidade linguística dos alunos, auxiliando-os a compreender que a escrita se adapta e se modifica conforme o contexto de uso. O trabalho desenvolvido contemplou as habilidades de produção textual, desafiando os alunos a reproduzir textos diversos, reescrever textos trabalhados e elaborar textos com ajuda do professor ou em duplas e grupos. Além disso, a escola utilizou tecnologias, como jogos na sala de informática uma vez por semana, para desenvolver e aprimorar habilidades de consciência fonêmica, leitura e interpretação de textos, ortografia e convenções gráficas, integrando o aprendizado de forma lúdica e eficaz.

Em síntese, as atividades inseridas na rotina de alfabetização no 1º ciclo escolar, conforme observado, estabeleceram a aquisição de conhecimentos sobre a leitura e escrita sob a ótica da neurociência, pautadas na aprendizagem significativa. A compreensão de como o cérebro humano funciona e processa informações, conforme Lima (2023), orientou a escolha de estratégias de ensino alinhadas aos processos cognitivos, promovendo uma aprendizagem duradoura. As práticas examinadas estão em consonância com a neurociência da aprendizagem, pois reconhecem que o processo de aprender é uma integração de dimensões cognitivas, emocionais e motivacionais, com ambientes pedagógicos que estimulam a participação ativa, a interação social e a mediação intencional do professor, fundamentados em um planejamento pedagógico robusto. O trabalho eficaz em alfabetização compreende um fio condutor que contempla o planejamento e a organização de estratégias metodológicas e atividades de forma contínua e integrada, superando a utilização de atividades descontextualizadas e avulsas, para o desenvolvimento das habilidades necessárias ao desenvolvimento da leitura e escrita.

4. Conclusão

O estudo buscou conhecer e apontar as atividades e estratégias de ensino inseridas numa rotina de alfabetização, nas classes de 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que de acordo com os pressupostos da neurociência, contribuem para um processo eficaz de apropriação da leitura e escrita. Verificou-se que uma rotina pedagógica planejada e implementada, alinhada aos pressupostos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências, favoreceu o êxito na alfabetização. As práticas observadas incluíram o trabalho sistemático com consciência fonêmica, texto escrito, produção textual e o uso de tecnologias. Essas atividades, que contemplaram as dimensões sociocultural, cognitiva e pedagógica da língua escrita, promoveram a integração cognitiva necessária para o desenvolvimento da capacidade cerebral para a leitura e escrita, evidenciando a importância de uma abordagem contínua e interligada das competências.

A principal contribuição deste estudo reside em oferecer subsídios para a reflexão pedagógica e o aprimoramento das práticas de ensino, ao demonstrar a eficácia de rotinas de alfabetização que integram conhecimentos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências. Contudo, é importante reconhecer que esta pesquisa se configurou como uma análise teórico-reflexiva da prática docente, sem a produção de dados empíricos sobre o desempenho dos estudantes ou a mensuração de resultados. Dessa forma, as considerações apresentadas não permitem generalizações, mas servem como um valioso ponto de partida para educadores que buscam desenvolver estratégias pedagógicas mais eficazes e duradouras, alinhadas aos processos cognitivos de aprendizagem.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/educacao-basica/bncc.

COSENZA, R. M; GUERRA, L.B; Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

Ferreiro e Teberosky, 2011 [Referência completa não encontrada no documento original]

FILHO,P.H.;FILHO,F.L.O; MARAVALHAS,A.L.G. (Orgs.) Neurociências e Educação: um caminho possível. São Paulo, Editora Brasileira de Publicação Científica Aluz, 2023.

FRADE, I.C. A; VAL, M.G.C; BREGUNCI, M.G.C. (Orgs.) Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte: UFMG, 2014.

Lima, 2023 [Referência completa não encontrada no documento original]

ROTTA, N. T; FILHO, C.A.B; BRIDI,F. R. S; ( Orgs.) Plasticidade Cerebral e Aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre, Artmed, 2018.

Silva, 2014 [Referência completa não encontrada no documento original]

SOARES,M.; Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e escrever. São Paulo: Contexto, 2021

Souza e Souto, 2014 [Referência completa não encontrada no documento original]

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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09 de outubro de 2026

Leitura fragmentada: o efeito das mídias sociais na leitura e compreensão textual

Os impactos das mídias sociais na prática da leitura e compreensão textual têm gerado preocupações entre professores, especialmente na área de linguagens, nos ambientes familiar e educacional. O estudo objetivou refletir sobre a prática leitora, com foco na leitura fragmentada, a partir das percepções de pais e responsáveis. A metodologia empregou uma abordagem qualitativa e descritiva, coletando dados por meio de questionário aplicado via Google Forms a responsáveis por alunos de uma escola de Educação Básica, da rede privada, em Camaçari, Bahia. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, apesar do avanço tecnológico e da facilidade de acesso a livros digitais, os responsáveis demonstraram preferência pelo livro físico. Além disso, constatou-se que o uso frequente das mídias sociais foi percebido como um fator que dificultou a concentração em textos longos e contribuiu para a leitura fragmentada. Concluiu-se que a leitura fragmentada representa um desafio crescente no ambiente escolar, e que as mídias sociais, embora influenciaram os hábitos de leitura, puderam ser utilizadas como suporte pedagógico, desde que acompanhadas de estratégias que estimulem a reflexão e a compreensão profunda dos textos.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação Básica; Ensino-aprendizagem; Leitura; Tecnologia digital.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Marco referencial de competências em IA e uma proposta para formação de professores

A articulação entre neurociência e educação para o desenvolvimento humano, aliada à relevância dos textos prescritivos na formação de professores no ensino superior brasileiro, motivou a investigação. O estudo objetivou investigar a potencialidade do documento Marco referencial de competências em IA para professores (MRCP-IA) da UNESCO para uma formação docente que priorize o desenvolvimento humano e, a partir dessa análise, apresentar uma proposta para sua implementação no contexto brasileiro, articulada aos princípios da neurociência. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, qualitativa e de análise documental. Para a análise do MRCP-IA, empregou-se o quadro teórico-metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo. A interpretação dos resultados fundamentou-se nas discussões das Ciências do Trabalho, do Interacionismo Sociodiscursivo, de Vygotsky e nos 12 princípios da neurociência elencados por Amaral e Guerra (2022). Os resultados indicaram que o MRCP-IA posiciona a Inteligência Artificial como protagonista, atribuindo ao professor a responsabilidade de lidar com ela de forma ética e crítica, mas sem detalhar a formação docente. Diante disso, formulou-se uma proposta de formação de professores para cursos de Pedagogia que considera os princípios da neurociência e a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, enfatizando a interação social e o engajamento integral do professor. Concluiu-se que uma formação continuada, que respeite a individualidade cerebral e promova a interação social com engajamento corporal e emocional do professor, pode efetivamente impulsionar o desenvolvimento humano.

Palavras-chave: Competências; IA; Neurociência; Pedagogia; Trabalho docente.

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