Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Gestão de Pessoas e os desafios da liderança escolar em tempos de apagão profissional

Gestão de Pessoas e os Desafios da Liderança Escolar em Tempos de Apagão Profissional

Dirlei Barbosa de Lima; Marilda Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202602828

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A crescente escassez de profissionais qualificados na educação configura-se como um desafio central para as instituições escolares contemporâneas, impactando a organização pedagógica e a sustentabilidade das equipes. Analisou-se como gestores escolares conduziram a gestão de pessoas frente ao apagão profissional, buscando identificar práticas de liderança que promovessem o engajamento, a motivação e a permanência dos profissionais. Realizou-se uma pesquisa aplicada, exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, que utilizou pesquisa bibliográfica e documental, além de um questionário semiestruturado aplicado à equipe pedagógica de uma instituição privada de ensino via Google Forms. Os resultados indicaram que a maioria dos gestores reconheceu o apagão profissional, com impactos na dificuldade de contratação, sobrecarga das equipes e desafios na manutenção do engajamento e motivação. Identificaram-se iniciativas institucionais pontuais de valorização profissional, como formação continuada, reorganização de rotinas e fortalecimento das relações interpessoais. Concluiu-se que a liderança escolar desempenhou um papel fundamental na mediação desses desafios, ressaltando a necessidade de estratégias mais sistematizadas para ambientes de trabalho colaborativos e sustentáveis.

Palavras-chave: Apagão profissional; Clima organizacional; Engajamento docente; Gestão de pessoas; Liderança.

1. Introdução

A gestão escolar contemporânea configura-se como um campo complexo e dinâmico, profundamente influenciado por transformações sociais, culturais, tecnológicas e econômicas. Nesse cenário, a escola transcende a mera transmissão de conhecimentos, sendo reconhecida como uma organização essencialmente humana, onde as relações interpessoais, a cooperação e o comprometimento coletivo são cruciais para a qualidade do processo educativo. A eficácia da escola está diretamente relacionada à forma como as pessoas são organizadas, valorizadas e mobilizadas em torno de um projeto educativo comum, conforme aponta Libâneo (2012).

Entre as múltiplas dimensões da gestão escolar, a gestão de pessoas emerge como um dos maiores desafios enfrentados pelos gestores, especialmente em um contexto de escassez de profissionais qualificados. Esse fenômeno, conhecido como apagão profissional, refere-se à dificuldade de atrair, desenvolver, motivar e reter talentos nas organizações (Chiavenato, 2014), impactando significativamente o campo educacional. No ambiente escolar, essa escassez manifesta-se na dificuldade de atrair e reter professores e demais profissionais preparados para as exigências contemporâneas da educação, que demandam competências pedagógicas, socioemocionais, tecnológicas e relacionais.

O apagão profissional na educação, também denominado apagão docente, caracteriza-se pela crescente escassez de professores qualificados para atuar na Educação Básica. Este cenário é agravado pela perda de atratividade da carreira, condições de trabalho desfavoráveis, desvalorização profissional e redução do interesse pelos cursos de licenciatura (Silva e Lima, 2022). Tal fenômeno compromete a reposição de docentes, intensifica a falta de profissionais em diversas áreas do conhecimento e representa um desafio significativo para a qualidade da educação e a sustentabilidade dos sistemas de ensino.

Diante desse contexto, a liderança escolar assume centralidade no debate sobre a qualidade da educação e a sustentabilidade das instituições de ensino. Lück (2009) destaca que o gestor escolar, enquanto líder, exerce função fundamental na articulação das dimensões pedagógica, administrativa e humana da escola, sendo responsável por criar condições favoráveis ao desenvolvimento profissional, ao engajamento das equipes e à construção de um clima organizacional positivo. Liderar em tempos de apagão profissional exige do gestor competências que vão além da administração tradicional, demandando sensibilidade, capacidade de diálogo, escuta ativa e estratégias de valorização das pessoas.

Autores como Senge (1999) e Paro (2015) reforçam a importância de uma liderança pautada em princípios colaborativos e democráticos, na qual o desenvolvimento humano seja compreendido como eixo estruturante da organização. Senge (1999) argumenta que organizações que aprendem são capazes de mobilizar o potencial coletivo de seus membros, favorecendo a contínua produção de saberes e o compartilhamento de responsabilidades. Paro (2015), por sua vez, enfatiza que a gestão democrática pressupõe a valorização dos sujeitos e o fortalecimento das relações humanas, aspectos essenciais para enfrentar contextos de instabilidade e escassez de profissionais.

A problemática do apagão profissional na educação tem sido evidenciada por estudos nacionais e regionais. Vasconcelos e Pereira (2024) apontam que a escassez de professores qualificados está associada a condições de trabalho inadequadas, baixos salários e desvalorização social. Machado (2023) destaca o impacto no bem-estar docente, contribuindo para o adoecimento e a evasão. Costa e Martins (2021) e Ferreira e Oliveira (2021) ressaltam a necessidade de novas estratégias organizacionais e práticas de liderança eficazes para a retenção de docentes. Embora haja uma lacuna de estudos específicos sobre o oeste de Santa Catarina, pesquisas como as de Santos (2024) e Rodrigues e Gomes (2022) indicam tendências semelhantes, como a competitividade no setor educacional e os desafios de retenção de profissionais qualificados, intensificados pela dinâmica socioeconômica regional que disputa talentos com outros setores.

Nesse sentido, torna-se relevante investigar como a gestão de pessoas e a liderança escolar têm sido conduzidas diante dos desafios impostos pelo apagão profissional. Compreender as práticas adotadas pelos gestores, bem como as estratégias utilizadas para promover a motivação, o engajamento e a permanência dos profissionais da educação, contribui não apenas para o fortalecimento da gestão escolar, mas também para a melhoria da qualidade do ensino e para a construção de ambientes educativos mais sustentáveis e inovadores. Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo investigar e analisar como os gestores escolares têm conduzido a gestão de pessoas diante do apagão profissional, identificando práticas de liderança capazes de promover o engajamento, a motivação e a permanência dos profissionais da educação e contribuir com os estudos sobre o tema.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada, com abordagem qualitativa, e teve caráter exploratório e descritivo. A natureza aplicada buscou coletar informações, analisar e refletir sobre problemas concretos relacionados à gestão de pessoas e à liderança no contexto escolar, com foco no fenômeno do apagão profissional na educação. A abordagem qualitativa foi adotada por ser a mais adequada à investigação de fenômenos educacionais e organizacionais complexos, privilegiando a compreensão dos significados, das percepções e das relações estabelecidas no ambiente estudado.

O estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, articulada a procedimentos de coleta e análise de dados empíricos. A pesquisa bibliográfica fundamentou-se em publicações acadêmicas e científicas que abordam temas como gestão escolar, liderança educacional, gestão de pessoas, engajamento docente, saúde mental no trabalho e o apagão profissional na educação. Priorizaram-se produções publicadas nos últimos dez anos, com base em critérios de relevância acadêmica, confiabilidade e atualidade, sem prejuízo da inclusão de obras clássicas pertinentes ao campo teórico investigado.

A pesquisa documental contemplou a análise de documentos institucionais, legislações, normativas educacionais, diretrizes de políticas públicas e relatórios oficiais. Esses documentos estavam relacionados à gestão educacional e à valorização dos profissionais da educação, com especial atenção aos materiais da rede privada de ensino em estudo. A análise documental contribuiu para a contextualização do fenômeno investigado e para a compreensão de suas implicações no cenário educacional contemporâneo.

A unidade de análise empírica foi composta pela equipe pedagógica de uma instituição privada de Educação Básica. Esta instituição está localizada no estado de Santa Catarina, em um município de médio porte, que apresenta relevante desenvolvimento econômico e forte presença de setores industriais e de serviços. A instituição autorizou formalmente a realização da investigação, garantindo o acesso necessário para a coleta de dados.

Os participantes da pesquisa foram 11 membros da equipe pedagógica da instituição. A seleção dos participantes ocorreu por conveniência, abrangendo os profissionais que atuavam diretamente na gestão e coordenação pedagógica. Não foram estabelecidos critérios de inclusão ou exclusão adicionais além da sua atuação na equipe pedagógica da instituição selecionada.

Para a coleta de dados empíricos, utilizou-se um questionário semiestruturado, desenvolvido especificamente para esta pesquisa. O instrumento foi elaborado com questões abertas e fechadas, buscando captar as percepções dos participantes sobre a gestão de pessoas e os desafios da liderança escolar. O questionário foi compartilhado com os participantes por meio da plataforma Google Forms, permitindo uma aplicação online e acessível.

Todos os procedimentos metodológicos foram conduzidos de forma impessoal e sistemática. Previamente à aplicação do questionário, obteve-se o consentimento livre e esclarecido de todos os participantes. Este cuidado ético assegurou que a participação fosse voluntária e que os indivíduos estivessem cientes dos objetivos do estudo e da forma como seus dados seriam utilizados.

Os dados coletados, tanto da pesquisa bibliográfica e documental quanto do questionário, foram submetidos a um processo de análise temática. Esta técnica consistiu na leitura sistemática do material selecionado, seguida de categorização e interpretação dos conteúdos. As informações foram organizadas em eixos analíticos previamente definidos, que incluíram a gestão de pessoas, os desafios da liderança escolar, as condições de trabalho docente e as estratégias de enfrentamento do apagão profissional.

A organização dos dados em eixos analíticos permitiu identificar padrões, convergências e lacunas na produção científica analisada, bem como estabelecer relações entre os referenciais teóricos e as práticas de gestão educacional. Este procedimento de análise possibilitou uma compreensão aprofundada do fenômeno estudado, subsidiando reflexões com potencial de aplicação no contexto da gestão escolar e contribuindo para o objetivo geral da pesquisa.

A metodologia empregada buscou assegurar a coerência entre os objetivos propostos, o referencial teórico adotado e a análise dos resultados. A escolha por uma abordagem qualitativa e a combinação de diferentes estratégias de pesquisa visaram proporcionar uma visão abrangente sobre a gestão de pessoas e a liderança escolar em tempos de apagão profissional, conforme o contexto específico da instituição investigada.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, que investigou a percepção de gestores escolares sobre o apagão profissional e as estratégias de liderança adotadas para mitigar seus impactos. Os resultados revelam um reconhecimento generalizado do fenômeno e suas consequências na gestão de pessoas, bem como a implementação de iniciativas institucionais, embora muitas vezes pontuais. A análise aprofunda a compreensão de como a liderança escolar atua na mediação desses desafios, buscando promover o engajamento, a motivação e a permanência dos profissionais da educação em um cenário de crescente escassez.

A Gestão Escolar e o fenômeno do apagão profissional

A gestão escolar contemporânea, conforme destacado por Libâneo (2012), exige uma organização intencional dos processos educativos, articulando dimensões pedagógicas, administrativas e relacionais. Nesse contexto, a gestão de pessoas assume um papel central, pois a escola é, em sua essência, uma organização humana, onde as interações e motivações dos indivíduos influenciam diretamente os resultados educacionais. A pesquisa evidenciou que os gestores escolares reconhecem a complexidade desse cenário, percebendo o apagão profissional como uma realidade presente e impactante no cotidiano institucional.

A maioria dos gestores, especificamente nove dos respondentes, afirmou perceber o fenômeno do apagão profissional de forma clara no contexto educacional, enquanto dois o reconheceram parcialmente. Este dado sublinha a relevância da problemática como um desafio concreto para a gestão escolar, que se manifesta na dificuldade de atrair e reter profissionais qualificados. A percepção dos gestores alinha-se à literatura que descreve o apagão profissional como a escassez de talentos que afeta a sustentabilidade das organizações, conforme abordado por Chiavenato (2014).

Quando questionados sobre o impacto do apagão profissional na gestão escolar, sete gestores classificaram-no como alto, e quatro como médio. Isso demonstra que a escassez de profissionais não é apenas uma preocupação teórica, mas uma realidade que afeta diretamente a organização institucional, a distribuição de tarefas e a tomada de decisões. A intensificação das demandas e a fragilização das condições de trabalho são consequências diretas desse cenário, exigindo dos gestores uma atuação mais estratégica e sensível às necessidades humanas e profissionais dos colaboradores.

As principais dificuldades enfrentadas pelos gestores em decorrência do apagão profissional foram predominantemente a dificuldade de contratação de novos profissionais, a permanência dos docentes e a sobrecarga de trabalho das equipes existentes. Esses achados corroboram as observações de Silva e Lima (2022), que descrevem o apagão como um cenário de alta rotatividade e desgaste emocional, impactando a qualidade dos serviços prestados. A sobrecarga, em particular, gera um ciclo negativo que compromete o bem-estar e a retenção de talentos.

Em relação à existência de estratégias institucionais voltadas à retenção de profissionais, cinco gestores afirmaram que a instituição possui tais estratégias, quatro indicaram que elas existem de forma parcial e dois relataram não haver ações estruturadas nesse sentido. Este resultado sugere que, embora haja um reconhecimento da necessidade de retenção, as iniciativas ainda carecem de maior sistematização e consolidação no âmbito da gestão escolar, o que pode limitar sua eficácia em longo prazo.

Percepções sobre o apagão profissional: análise dos dados coletados

A instituição de ensino investigada é uma escola privada de Educação Básica, localizada no oeste de Santa Catarina, um município de médio porte com forte desenvolvimento econômico. A escola atende 1.781 alunos, desde a Educação Infantil ao Ensino Médio, com um perfil sociodemográfico de famílias de classe média e média-alta. Essa característica demanda uma equipe qualificada e alinhada às expectativas das famílias, o que intensifica a pressão sobre a gestão de pessoas em um contexto de escassez profissional.

A equipe escolar é composta por 255 funcionários, incluindo 149 professores, sendo 104 docentes titulares e 44 assistentes. Observou-se que 74 profissionais possuem vínculo consolidado com a instituição, com 43 atuando há mais de cinco anos e nove com mais de duas décadas de permanência. Este núcleo docente estável é um ponto forte, contribuindo para a continuidade dos processos pedagógicos e a cultura organizacional, conforme a importância do capital humano e social discutida por Hargreaves e Fullan (2012).

Contudo, a estabilidade observada no corpo docente geral contrasta com um cenário de alta rotatividade em áreas específicas, notadamente na educação especializada (Atendimento Educacional Especializado – AEE). Nesse segmento, a média de permanência dos profissionais situa-se entre seis e oito meses, com o profissional de maior tempo de atuação tendo aproximadamente três anos de vínculo. Essa instabilidade compromete a continuidade do atendimento educacional especializado e impõe desafios adicionais à gestão escolar.

A alta rotatividade na educação especializada é atribuída a múltiplos fatores, com destaque para a questão salarial, frequentemente considerada insuficiente frente às exigências da função, que demanda formação específica e elevado nível de responsabilidade. Além disso, a presença de profissionais mais jovens, em início de carreira, com maior mobilidade no mercado de trabalho, contribui para a busca por melhores oportunidades de remuneração e desenvolvimento profissional, intensificando a instabilidade das equipes nesse setor.

Os desafios da liderança escolar, conforme as respostas iniciais, estão intrinsecamente relacionados à manutenção do engajamento e da motivação da equipe, bem como à mediação de conflitos decorrentes do acúmulo de funções e da escassez de recursos humanos. Os gestores buscam conciliar as demandas administrativas com práticas de liderança mais participativas, mas relatam limitações institucionais e estruturais para a implementação de ações sistemáticas de valorização profissional, o que ressalta a necessidade de um suporte mais robusto.

Entre as estratégias adotadas para o engajamento e a permanência dos profissionais, identificaram-se procedimentos voltados ao fortalecimento das relações interpessoais, à escuta ativa e ao reconhecimento do trabalho. Iniciativas como formação continuada, plano de saúde, plano de carreira, reorganização de rotinas e promoção de espaços de diálogo foram mencionadas. No entanto, os dados indicam que essas práticas ainda ocorrem de forma pontual, carecendo de maior sistematização e alinhamento a uma política institucional de gestão de pessoas mais abrangente.

Liderança escolar, bem-estar docente e sustentabilidade das equipes educacionais

A escassez de profissionais qualificados na educação transcende a mera dificuldade de contratação, abrangendo questões estruturais ligadas às condições de trabalho, reconhecimento profissional e a capacidade das organizações em promover ambientes de desenvolvimento humano. Nesse contexto, a liderança escolar assume um papel estratégico, pois a forma como as equipes são conduzidas e valorizadas influencia diretamente a permanência, o engajamento e a satisfação dos profissionais, conforme apontado por Fullan (2014).

A valorização do trabalho docente é central para a sustentabilidade das equipes escolares. Hargreaves e Fullan (2012) enfatizam o conceito de capital profissional, que combina capital humano (competências individuais), capital social (colaboração e confiança) e capital decisório (autonomia e participação). Quando esses elementos são incentivados, cria-se um ambiente propício ao desenvolvimento profissional e à permanência dos docentes, o que é crucial para enfrentar o apagão profissional.

A atuação da liderança escolar é essencial para construir culturas institucionais baseadas na cooperação e no reconhecimento profissional. Day e Sammons (2016) argumentam que líderes que investem em formação contínua, acompanhamento pedagógico e valorização do trabalho docente fortalecem o compromisso profissional e o desempenho institucional. A liderança, nesse sentido, é um processo relacional, mediando dinâmicas organizacionais e incentivando o trabalho coletivo para o desenvolvimento das potencialidades dos profissionais.

As condições emocionais e psicológicas do trabalho docente também são um elemento relevante. Estudos de Maslach e Leiter (2016) demonstram que ambientes com excesso de demandas, falta de reconhecimento e baixo apoio institucional podem levar ao esgotamento profissional (burnout). No contexto educacional, onde as responsabilidades e exigências são crescentes, a liderança escolar desempenha um papel fundamental na criação de estratégias que promovam o equilíbrio entre as demandas de trabalho e o bem-estar dos profissionais.

A promoção de ambientes organizacionais saudáveis requer o reconhecimento das necessidades humanas nas relações de trabalho. A Teoria da Autodeterminação, de Deci e Ryan (2000), sugere que a motivação e o engajamento profissional estão ligados à satisfação de necessidades de autonomia, competência e pertencimento. Isso implica que profissionais se envolvem mais quando participam das decisões institucionais, sentem-se capazes de desenvolver suas competências e percebem-se como parte de uma comunidade que valoriza suas contribuições.

Nesse sentido, a liderança escolar deve buscar estratégias que fortaleçam a participação e o protagonismo dos profissionais, criando espaços de diálogo, valorizando suas experiências e incentivando a colaboração. Tais iniciativas contribuem para um clima organizacional positivo e para o desenvolvimento de uma cultura de aprendizagem coletiva, onde o conhecimento é compartilhado e construído de forma colaborativa, conforme a visão de Senge (1999) sobre organizações que aprendem.

O reconhecimento social e institucional da profissão docente é outro aspecto crucial. Nóvoa (2019) destaca que a valorização do professor não se restringe apenas a salários, mas envolve o fortalecimento da identidade profissional e o reconhecimento da complexidade do trabalho pedagógico. A construção de comunidades profissionais de aprendizagem, onde os educadores compartilham experiências e refletem sobre suas práticas, é um caminho promissor para fortalecer o trabalho docente e a permanência nas instituições.

A sustentabilidade das equipes educacionais depende da capacidade das instituições de desenvolver políticas estruturadas de gestão de pessoas. Tais políticas devem contemplar formação continuada, valorização profissional, promoção do bem-estar e construção de relações institucionais baseadas no respeito e na confiança. Quando essas dimensões são integradas às práticas de liderança escolar, é possível construir ambientes organizacionais mais equilibrados e capazes de enfrentar os desafios da escassez de profissionais.

Assim, a gestão de pessoas no contexto escolar exige uma abordagem ampla e integrada, que articule liderança, desenvolvimento profissional e cuidado com o bem-estar dos colaboradores. A liderança escolar é um processo relacional e formativo, capaz de mobilizar pessoas, fortalecer vínculos institucionais e promover o desenvolvimento coletivo. Os gestores escolares precisam desenvolver práticas de liderança voltadas à valorização das pessoas, ao fortalecimento das relações de trabalho e à construção de ambientes educacionais sustentáveis, conforme Morais e Silva (2021).

Em síntese, os resultados da pesquisa confirmam que o apagão profissional é uma realidade reconhecida pelos gestores escolares, impactando a contratação, retenção e sobrecarga das equipes. Embora existam iniciativas de valorização e engajamento, elas são frequentemente pontuais, indicando a necessidade de estratégias mais sistematizadas. A liderança escolar emerge como um fator crítico na mediação desses desafios, sendo fundamental para construir ambientes de trabalho colaborativos e sustentáveis, alinhados às necessidades dos profissionais e à qualidade da educação.

4. Conclusão

O presente estudo buscou investigar como os gestores escolares têm conduzido a gestão de pessoas diante do fenômeno do apagão profissional, identificando práticas de liderança que promovessem o engajamento, a motivação e a permanência dos profissionais da educação. Verificou-se que a maioria dos gestores reconheceu o apagão profissional como uma realidade impactante no contexto educacional, manifestando-se principalmente na dificuldade de contratação, na permanência dos docentes e na sobrecarga de trabalho das equipes. Observou-se que, embora existam iniciativas institucionais de valorização profissional, como formação continuada e reorganização de rotinas, estas ainda ocorrem de forma pontual e carecem de maior sistematização. A liderança escolar, nesse cenário, desempenhou um papel fundamental na mediação desses desafios, buscando conciliar as demandas administrativas com práticas mais participativas para o bem-estar dos colaboradores.

A principal contribuição deste trabalho reside em aprofundar a compreensão das percepções dos gestores sobre o apagão profissional e os desafios da liderança, oferecendo subsídios para o fortalecimento da gestão de pessoas no ambiente escolar. Como limitações, ressalta-se o recorte da pesquisa em uma única instituição e o caráter preliminar dos dados analisados. Sugere-se, para estudos futuros, a ampliação do número de participantes e a exploração de diferentes contextos educacionais, a fim de obter uma visão mais abrangente do fenômeno e das estratégias de liderança eficazes. Os resultados apresentados reforçam a necessidade de políticas institucionais mais robustas e de uma liderança estratégica para construir ambientes de trabalho colaborativos e sustentáveis na educação.

Referências Bibliográficas

Chiavenato, I. 2014. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Elsevier, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Costa, L. F.; Martins, P. R. 2021. Gestão de equipes docentes em contextos de escassez de profissionais qualificados. Revista de Gestão Escolar, v. 18, n. 2, p. 45-61.

Day e Sammons, 2016 [Referência completa não encontrada no documento original]

Deci e Ryan, 2000 [Referência completa não encontrada no documento original]

Ferreira, A. S.; Oliveira, T. M. 2021. Motivação e engajamento de professores: práticas de liderança eficazes. Educação em Revista, v. 37, n2.

Fullan, 2014 [Referência completa não encontrada no documento original]

Hargreaves e Fullan, 2012 [Referência completa não encontrada no documento original]

Libâneo, J. C. 2012. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 12. ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Lück, H. 2009. Gestão escolar: teoria e prática. 5. ed. Artmed, Porto Alegre, RS, Brasil.

Machado, L. R. 2023. Gestão de pessoas e bem-estar docente em tempos de escassez profissional. Revista Educação & Mudança, v. 45, n. 1, p. 122–140.

Maslach, C. e Leiter, M.P. 2016. Burnout. In: Stress: Concepts, Cognition, Emotion, and Behavior, Academic Press, Cambridge, Inglaterra.

Morais, S. L.; Silva, C. R. 2021. O papel da liderança escolar na promoção de ambientes colaborativos. In: Tardif, M.; Lessard, C. (org.). Trabalho docente e liderança educacional. Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil.

Nóvoa, 2019 [Referência completa não encontrada no documento original]

Paro, V. H. 2015. Gestão da escola pública. 10. ed. Editora Moderna, São Paulo, SP, Brasil.

Rodrigues, F. e Gomes, E. 2022. Formação continuada e valorização profissional como estratégia de liderança escolar. Cadernos de Pesquisa, v. 52, n. 183, p. 202-219.

Santos, P. A. 2024. Engajamento docente e práticas de valorização profissional no contexto escolar brasileiro. Revista de Estudos em Educação, v. 40, n. 3, p. 201-220.

Senge, P. M. 1999. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Best Seller, São Paulo, SP, Brasil.

Silva, D. P.; Lima, J. C. 2022. O apagão profissional na educação: impactos na gestão escolar e estratégias de retenção de docentes. Revista de Administração Educacional, v. 12, n. 1, p. 99-115.

Vasconcelos, D. P. e Pereira, F. C. 2024. A escassez de profissionais da educação e os desafios da liderança escolar. Revista Ibero-Americana de Educação, v. 88, n. 2, p. 98–117.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Saberes docentes sobre neuroplasticidade e aprendizagem

A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência mostrou-se relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configurou-se como elemento central para a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica. O estudo objetivou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e caráter descritivo, desenvolvida por meio de levantamento de campo do tipo survey. A coleta de dados ocorreu com 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo, por meio de questionário on-line estruturado em eixos temáticos. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora a maioria dos docentes reconheça a relevância da neuroplasticidade para a aprendizagem, predominaram níveis básicos e intermediários de conhecimento, além de lacunas na formação inicial e continuada. Evidenciou-se a importância de considerar ações formativas para os profissionais da educação.

Palavras-chave: Formação docente; neurociência; neuroeducação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurobiologia da dupla excepcionalidade: integração neuropsicofarmacológica e desafios em adultos com TEA, TDAH e AH/SD

Os transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), impactam a funcionalidade clínica e acadêmica. O estudo objetivou analisar a intersecção entre a modulação neuropsicofarmacológica e as estratégias de suporte educacional no Córtex Pré-Frontal em adultos com diagnóstico tardio de dupla excepcionalidade. Conduziu-se um estudo de caso qualitativo, por meio de observação participante de uma discente de 22 anos, com diagnóstico clínico de TEA, TDAH e AH/SD, durante o estágio supervisionado de Graduação em Enfermagem em ambiente hospitalar. Os resultados evidenciaram que, embora a intervenção medicamentosa proporcionasse estabilização neuroquímica, o ambiente hospitalar desestabilizou a cognição devido à poluição sonora e ao excesso de estímulos. Mapearam-se correlações neuropsicofisiológicas, incluindo hiperacusia, alterações do sono e rigidez de pensamento. Contudo, a implementação de pausas estratégicas para autorregulação e o fracionamento de tarefas possibilitaram o retorno do foco atencional e a execução precisa de procedimentos técnicos. Concluiu-se que a consolidação das Funções Executivas e a funcionalidade adaptativa exigem abordagens multimodais, onde o ajuste psicofarmacológico é um facilitador biológico indispensável, mas a eficácia terapêutica depende do acolhimento pedagógico e de adaptações ambientais para a inclusão efetiva do indivíduo neurodivergente.

Palavras-chave: Córtex Pré-Frontal; Funções Executivas; Neurobiologia; Psicofarmacologia.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Bem-estar percebido no contexto escolar e suas relações com aprendizagem e desenvolvimento

A percepção de bem-estar no contexto escolar e suas relações com a aprendizagem e o desenvolvimento constitui um campo de estudo relevante, especialmente à luz da neurociência. Investigou-se a percepção de bem-estar de jovens universitários em relação às suas experiências escolares no ensino médio, articulando dados quantitativos e qualitativos com os fundamentos da neurociência da aprendizagem. A pesquisa, de abordagem mista, foi conduzida por meio de questionário estruturado aplicado a 60 estudantes de Administração de Empresas (18-21 anos) de uma instituição de ensino superior privada em São Paulo. O instrumento contemplou cinco eixos temáticos, e os dados foram analisados por estatística descritiva, cálculo de GAP e correlação de Pearson, além de análise de conteúdo para as respostas qualitativas. Os resultados revelaram que 68,7% dos participantes avaliaram positivamente o bem-estar escolar, enquanto 78,1% consideraram os elementos avaliados importantes, evidenciando um GAP sistemático entre importância percebida e bem-estar experimentado em todos os eixos. O eixo de ensino, metodologia e avaliações apresentou o maior GAP (+1,1), a menor média de bem-estar (3,07) e o maior desvio padrão (1,09), configurando-se como a dimensão mais crítica. O eixo de relações humanas registrou os melhores indicadores (média 4,35; 86,7% positivo), confirmando o vínculo interpessoal como principal fator de proteção. A análise qualitativa identificou lacunas em preparação para a vida adulta e carreira, desenvolvimento de competências socioemocionais e autonomia, promoção de convivência e pertencimento, e educação financeira. Os achados convergiram com a literatura neurocientífica, oferecendo subsídios empíricos para a reflexão sobre práticas educacionais que promovam o desenvolvimento integral dos estudantes.

Palavras-chave: Bem-estar escolar; Ensino médio; Funções executivas; Neurociência da aprendizagem; Percepção de estudantes.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

A Neurociência e as rotinas de atividades de alfabetização no 1º Ciclo Escolar

A alfabetização, processo fundamental no desenvolvimento educacional, baseia-se em diagnóstico, planejamento e metodologia, com a neurociência oferecendo contribuições significativas para a eficácia das práticas pedagógicas. Analisou-se a experiência em alfabetização de uma escola municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de identificar e compreender as práticas desenvolvidas e sua inserção na rotina da classe. Realizou-se um estudo teórico-reflexivo de caráter descritivo e qualitativo, configurado como estudo de caso. Observaram-se as rotinas de alfabetização do 1º ao 3º ano do ensino fundamental durante três anos (triênio 2022-2024), por meio de acompanhamento das atividades docentes e discussões pedagógicas com a coordenação. Constatou-se que uma rotina pedagógica planejada e implementada, alinhada aos pressupostos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências, favoreceu o êxito na alfabetização. As práticas observadas incluíram o trabalho sistemático com consciência fonêmica, texto escrito, produção textual e o uso de tecnologias. Concluiu-se que a integração cognitiva promovida por essas rotinas desenvolveu a capacidade cerebral para a leitura e escrita, evidenciando a importância de estratégias contínuas e interligadas para uma aprendizagem eficaz e duradoura nos anos iniciais do ensino fundamental.

Palavras-chave: Alfabetização; Formação; Neurociência; Planejamento; Rotina Pedagógica.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurociência e formação docente: representações sociais de professores universitários

A pesquisa identificou e descreveu as representações sociais sobre a neurociência construídas por professores universitários da área da psicologia educacional, considerando suas percepções acerca das contribuições, limites e implicações desse campo para a compreensão dos processos de aprendizagem. Realizou-se um estudo de abordagem qualitativa, fundamentado na Teoria das Representações Sociais, por meio da aplicação de um questionário misto, que incluiu questões fechadas de escala atitudinal e perguntas abertas. Os resultados indicaram que a neurociência foi majoritariamente representada como um campo de apoio relevante para a compreensão da aprendizagem, especialmente nos processos de atenção, memória, emoção e motivação. Observou-se uma valorização de seu potencial explicativo e formativo, sobretudo quando articulada interdisciplinarmente com a psicologia educacional. Contudo, emergiram representações marcadas por cautela, com preocupações sobre o risco de biologização dos fenômenos educativos, a simplificação excessiva da complexidade pedagógica e a circulação de neuromitos. As análises interpretativas apontaram para a coexistência de dimensões positivo/funcional e crítico/reflexiva, sugerindo uma representação social em construção, com tensões entre a legitimidade científica e os usos pedagógicos. Os achados reforçaram a necessidade de aprofundar o debate sobre a inserção crítica e epistemologicamente situada da neurociência na formação inicial e continuada de professores.

Palavras-chave: Formação de professores; Neurociência e educação; Psicologia educacional; Representações sociais.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Comunicação digital, autoridade pedagógica e trabalho docente em grupos de WhatsApp de pais

A crescente incorporação de tecnologias de comunicação digital, especialmente do WhatsApp, reconfigurou as relações entre escola e família no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, impactando a organização institucional e o trabalho docente. O estudo analisou as repercussões do uso de grupos de WhatsApp de pais na dinâmica escolar, à luz da Neurociência da Aprendizagem e da mediação institucional, buscando compreender suas implicações para o trabalho docente, a autoridade pedagógica e o clima relacional. A investigação caracterizou-se como qualitativa, de natureza aplicada e descritivo-exploratória, fundamentada na sistematização reflexiva da prática profissional, articulada a dados secundários nacionais e revisão documental. Identificou-se que a ausência de delimitação institucional clara esteve associada à intensificação das demandas comunicacionais, à exposição pública de conflitos e à ampliação de interações reativas, com repercussões sobre a autoridade pedagógica e o clima relacional. Sob a perspectiva da Neurociência da Aprendizagem, tais ambientes comunicacionais podem impactar processos de autorregulação, estabilidade emocional e condições atencionais. A mediação institucional emergiu como categoria central, deslocando o debate da dimensão tecnológica para a organizacional e pedagógica. Como desdobramento aplicado, elaborou-se um Guia de Mediação Institucional para o Uso de Grupos de WhatsApp de pais, estruturado em protocolos comunicacionais, estratégias de mediação e orientações de ética digital. Concluiu-se que a organização institucional da comunicação digital é relevante para a preservação da autoridade pedagógica, da estabilidade relacional e das condições favoráveis ao ensino e à aprendizagem.

Palavras-chave: conectividade; ética digital; gestão escolar; mediação pedagógica; neuroeducação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Equidade na Avaliação: Estratégias para Alunos com TDAH e Dislexia nos Anos Finais

O estudo analisou as características de avaliações de Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental, com foco na organização dos instrumentos avaliativos e em sua relação com a acessibilidade e a equidade. O objetivo consistiu em analisar de que modo avaliações regulares e adaptadas incorporaram elementos relacionados à clareza linguística, à organização visual e à distribuição das demandas cognitivas. Para isso, realizou-se uma pesquisa qualitativa de natureza documental, que analisou 24 avaliações de 6º e 7º anos, incluindo versões regulares e adaptadas, aplicadas ao longo dos três trimestres de 2025, e uma ata de reunião pedagógica institucional. A análise foi conduzida pela técnica de Análise de Conteúdo, considerando as categorias linguagem dos comandos, organização visual e demandas cognitivas. Os resultados evidenciaram um movimento progressivo de transformação nas avaliações adaptadas ao longo do período analisado, com modificações inicialmente pontuais e, posteriormente, mais consistentes, especialmente na clareza dos comandos, na segmentação das tarefas e na redução da sobrecarga cognitiva. Apesar dos avanços, persistiram variações entre os instrumentos, indicando a necessidade de maior sistematização dos critérios de adaptação. Concluiu-se que a organização linguística, visual e cognitiva das avaliações é central para promover condições mais equitativas de acesso às tarefas propostas.

Palavras-chave: Acessibilidade; Aprendizagem; Inclusão; Linguagem; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Cultivo dos ritmos e do fazer manual no jardim de infância Waldorf, contribuições da neurociência.

Uma lacuna no diálogo entre as práticas de cultivo dos ritmos e do fazer manual na Educação Infantil Waldorf e as evidências contemporâneas da neurociência da aprendizagem na primeira infância foi identificada. O estudo objetivou descrever práticas pedagógicas em um Jardim de Infância Waldorf e analisá-las, à luz da literatura neurocientífica, considerando suas possíveis contribuições para o desenvolvimento de crianças de 3 a 6 anos. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso qualitativo, exploratório-descritivo, realizado em uma instituição Waldorf no interior de São Paulo. Utilizaram-se documentos institucionais não identificáveis e um diário reflexivo profissional como fontes de dados. A análise fundamentou-se na triangulação teórica entre a Pedagogia Waldorf, a neurociência da aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Os resultados indicaram que as práticas pedagógicas investigadas estiveram relacionadas à manifestação de comportamentos compatíveis com processos de autorregulação emocional, atenção sustentada, coordenação motora e aspectos iniciais das funções executivas. Observou-se que a organização previsível dos ritmos e a repetição das atividades contribuíram para a segurança emocional e a adaptação das crianças, enquanto as atividades manuais foram associadas à ação intencional, persistência na tarefa e envolvimento positivo. Concluiu-se que o cultivo dos ritmos e do fazer manual constituiu um eixo pedagógico com convergências em evidências contemporâneas sobre o desenvolvimento infantil, especialmente quanto à previsibilidade, repetição, experiências sensoriais e motoras, participação ativa, relações sociais e vínculo. A pesquisa contribuiu para ampliar o diálogo entre a Pedagogia Waldorf e a neurociência da aprendizagem, evidenciando a relevância de práticas cotidianas para uma compreensão integrada do desenvolvimento na primeira infância.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação Infantil; Primeira infância; Rudolf Steiner; Trabalho manual.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

As conexões neurais no processo da alfabetização: contribuições da neurociência no 1º ano do Ensino Fundamental

O processo de alfabetização no 1º ano do Ensino Fundamental foi investigado, buscando compreender as conexões neurais envolvidas. O estudo analisou esse processo a partir do diálogo entre a Psicogênese da Língua Escrita e a Neurociência da Aprendizagem. O objetivo foi compreender a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento e a aprendizagem da leitura e escrita como resultado de processos cognitivos, pedagógicos e neurobiológicos interdependentes. Para isso, adotou-se uma abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada em autores como Ferreiro, Teberosky, Lent, Dehaene e Wolf. A pesquisa articulou essa base teórica à análise de produções escritas de alunos, interpretadas como manifestações de hipóteses em construção, e não como erros. Evidenciou-se o papel crucial da mediação docente, da consciência fonológica, da neuroplasticidade e das práticas multissensoriais no desenvolvimento da alfabetização. O trabalho sustentou que a alfabetização eficaz exige a integração entre o ensino sistemático do código alfabético e experiências significativas de leitura e escrita, contribuindo para a superação de modelos reducionistas e para a formação de leitores competentes e socialmente inseridos.

Palavras-chave: Alfabetização; Ensino Fundamental I; Neurociência; Práticas pedagógicas; Psicogênese da escrita.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade