Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Bem-estar percebido no contexto escolar e suas relações com aprendizagem e desenvolvimento

Bem-estar Percebido no Contexto Escolar e Suas Relações com Aprendizagem e Desenvolvimento

Dani Michel Hamra; Juliana Cristina da Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202602802

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A percepção de bem-estar no contexto escolar e suas relações com a aprendizagem e o desenvolvimento constitui um campo de estudo relevante, especialmente à luz da neurociência. Investigou-se a percepção de bem-estar de jovens universitários em relação às suas experiências escolares no ensino médio, articulando dados quantitativos e qualitativos com os fundamentos da neurociência da aprendizagem. A pesquisa, de abordagem mista, foi conduzida por meio de questionário estruturado aplicado a 60 estudantes de Administração de Empresas (18-21 anos) de uma instituição de ensino superior privada em São Paulo. O instrumento contemplou cinco eixos temáticos, e os dados foram analisados por estatística descritiva, cálculo de GAP e correlação de Pearson, além de análise de conteúdo para as respostas qualitativas. Os resultados revelaram que 68,7% dos participantes avaliaram positivamente o bem-estar escolar, enquanto 78,1% consideraram os elementos avaliados importantes, evidenciando um GAP sistemático entre importância percebida e bem-estar experimentado em todos os eixos. O eixo de ensino, metodologia e avaliações apresentou o maior GAP (+1,1), a menor média de bem-estar (3,07) e o maior desvio padrão (1,09), configurando-se como a dimensão mais crítica. O eixo de relações humanas registrou os melhores indicadores (média 4,35; 86,7% positivo), confirmando o vínculo interpessoal como principal fator de proteção. A análise qualitativa identificou lacunas em preparação para a vida adulta e carreira, desenvolvimento de competências socioemocionais e autonomia, promoção de convivência e pertencimento, e educação financeira. Os achados convergiram com a literatura neurocientífica, oferecendo subsídios empíricos para a reflexão sobre práticas educacionais que promovam o desenvolvimento integral dos estudantes.

Palavras-chave: Bem-estar escolar; Ensino médio; Funções executivas; Neurociência da aprendizagem; Percepção de estudantes.

1. Introdução

O debate sobre a necessidade de transformação dos modelos educacionais tradicionais tem ganhado força nas últimas décadas, impulsionado pelas transformações cognitivas, tecnológicas e sociais do século XXI. A escola, enquanto espaço de formação integral do ser humano, enfrenta o desafio de alinhar suas práticas pedagógicas às descobertas científicas sobre o funcionamento do cérebro e os processos de aprendizagem. Nesse contexto, a neurociência da aprendizagem tem contribuído significativamente para a compreensão de como os ambientes educacionais podem favorecer ou dificultar o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos estudantes (Lent, 2010; Cosenza; Guerra, 2011).

Entre os avanços desse campo, destacam-se as funções executivas, um conjunto de habilidades cognitivas responsáveis pelo planejamento, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e autorregulação emocional (Miyake Et Al., 2000; Diamond, 2013). Essas funções, associadas às áreas pré-frontais do cérebro, são fundamentais para o desempenho acadêmico e para o desenvolvimento de competências sociais, como empatia e tomada de decisões (Damásio, 2011; Sousa 2017). Contudo, práticas pedagógicas centradas na memorização e na padronização de conteúdos mostram-se pouco eficazes para o desenvolvimento dessas capacidades, podendo inclusive prejudicá-las (Arnstén, 2009).

Adicionalmente, estudos sobre estresse tóxico evidenciam que experiências adversas na infância e na adolescência, incluindo ambientes escolares negativos, podem comprometer o funcionamento do córtex pré-frontal e do hipocampo, afetando memória, atenção e funções executivas (Burke Harris, 2018; Shonkoff; Garner, 2012). A ausência de vínculos seguros e suporte emocional adequado impede a regulação fisiológica do organismo, impactando não apenas o desempenho acadêmico, mas o desenvolvimento global. Nesse sentido, o bem-estar escolar assume papel central no processo de aprendizagem. A integração entre emoção e cognição constitui um dos pilares da neuroeducação contemporânea, atuando de forma interdependente na construção do conhecimento, sendo a dimensão afetiva constitutiva da aprendizagem (Cosenza; Guerra, 2011; Immordino-Yang; Damásio, 2007). Ambientes que promovem segurança, pertencimento e valorização favorecem o engajamento e a consolidação da memória, potencializando o desenvolvimento das funções executivas e da autorregulação (Jensen, 2008; Tokuhama-Espinosa, 2014; Diamond; Ling, 2016).

Nesse contexto, o bem-estar escolar tem sido apontado como um preditor relevante de motivação e desempenho acadêmico (Konu; Rimpela, 2002; Seligman, 2011, Seligman et al., 2009). O modelo PERMA (Seligman, 2011) propõe que o bem-estar é multidimensional, envolvendo emoções positivas, engajamento, relações, sentido e realização, dimensões que atravessam a experiência escolar. Essa perspectiva fundamenta abordagens de educação positiva aplicadas ao contexto educacional (Seligman et al., 2009). No Brasil, autores como Lent (2010) e Moraes (2015) reforçam a necessidade de uma educação que integre cognição e emoção, promovendo o prazer de aprender. Freire (1996), ao propor uma pedagogia da autonomia, já apontava para a importância da participação ativa do estudante, princípio alinhado à Teoria da Autodeterminação, que destaca autonomia, competência e pertencimento como bases da motivação intrínseca (Ryan; Deci, 2000).

Apesar do avanço das evidências científicas, sua incorporação às práticas pedagógicas ainda ocorre de forma lenta e fragmentada. Persiste uma lacuna entre o conhecimento produzido pela neurociência e sua aplicação no cotidiano escolar. Nesse cenário, torna-se fundamental investigar a percepção dos estudantes sobre suas experiências escolares, especialmente aqueles que já concluíram o ensino médio e possuem maior capacidade de reflexão crítica. A perspectiva retrospectiva de jovens universitários permite uma avaliação mais distanciada e analítica da experiência escolar, preservando, ao mesmo tempo, a relevância afetiva das vivências.

Assim, este trabalho tem como objetivo investigar a percepção de bem-estar de jovens universitários em relação às suas experiências escolares no ensino médio, articulando dados quantitativos e qualitativos sobre diferentes dimensões do contexto escolar e analisando-os à luz dos fundamentos da neurociência da aprendizagem. Busca-se, com isso, identificar fatores que favorecem ou prejudicam a aprendizagem e o desenvolvimento integral, contribuindo para a reflexão sobre práticas educacionais e oferecendo subsídios empíricos para educadores, gestores e formuladores de políticas educacionais.

2. Material e Métodos

A pesquisa adotou um delineamento de levantamento de campo, com abordagem metodológica mista, integrando elementos quantitativos e qualitativos. Essa combinação permitiu capturar padrões gerais de percepção e explorar a experiência subjetiva dos participantes, conferindo maior validade e profundidade interpretativa aos dados (Creswell; Creswell, 2018). Durante a preparação, utilizou-se inteligência artificial para aprimorar a gramática e o tom acadêmico do texto, com revisão e edição humana subsequente para garantir a total responsabilidade pelo conteúdo.

A amostra foi composta por 60 estudantes universitários (18-21 anos), regularmente matriculados nos primeiros quatro semestres de Administração de Empresas em uma instituição de ensino superior privada em São Paulo, SP. Todos cursaram o ensino médio em instituições brasileiras. A escolha desse perfil justificou-se pela proximidade temporal com a experiência do ensino médio e pela capacidade de reflexão crítica. A participação foi voluntária, com anonimato e confidencialidade das respostas, em conformidade com a Resolução n. 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2016).

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado online, organizado em cinco eixos temáticos principais, abrangendo 24 itens específicos do contexto escolar. Os eixos foram: (I) Organização e rotina escolar; (II) Ambiente físico e recursos; (III) Ensino, metodologia e avaliações; (IV) Relações humanas e clima social; e (V) Experiências ampliadas e formatos alternativos. Para cada eixo, os participantes avaliaram o bem-estar percebido em escala Likert de cinco pontos (1=”afetava muito negativamente” a 5=”afetava muito positivamente”), justificaram sua escolha e sugeriram melhorias.

Ao final do questionário, incluíram-se duas questões complementares: uma de caráter prospectivo, sobre o que os participantes gostariam de ter tido em sua experiência escolar, e outra de ranqueamento de importância. Nesta, os 24 itens dos cinco eixos foram avaliados em escala Likert de cinco pontos (1=”extremamente importante” a 5=”nada importante”). Para análise, essa escala foi recodificada, atribuindo-se 5 ao nível “extremamente importante” e 1 ao nível “nada importante”, para que valores maiores indicassem maior importância percebida.

A escolha do bem-estar como eixo central do instrumento fundamentou-se em evidências científicas que indicam a influência direta de condições emocionais e contextuais sobre processos cognitivos essenciais, como atenção, memória de trabalho, funções executivas e aprendizagem (Immordino-Yang; Damásio, 2007; Cosenza & Guerra, 2011; Shonkoff). A recodificação da escala de importância foi realizada para possibilitar o cálculo da correlação de Pearson e do indicador de GAP, garantindo a mesma direção interpretativa entre as escalas.

A coleta de dados foi realizada por meio do questionário online, com aplicação presencial assistida junto à instituição parceira. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), sendo informados sobre os objetivos da pesquisa, a voluntariedade da participação, a possibilidade de interrupção sem penalidade e a garantia de anonimato. Nenhum dado pessoal identificável foi coletado.

As respostas quantitativas foram submetidas à análise estatística descritiva, com cálculo de frequências relativas, porcentagens, médias ponderadas e desvios padrão para cada eixo temático e item. Adicionalmente, calculou-se um indicador de GAP, definido como a diferença entre a média de importância percebida e a média de bem-estar percebido para cada eixo, e a correlação de Pearson entre a importância e o bem-estar.

As respostas às questões abertas foram submetidas à análise de conteúdo, seguindo os procedimentos propostos por Laurence Bardin (2016). Esse processo compreendeu as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. As respostas foram organizadas em categorias temáticas, utilizando análise indutiva que considerou a recorrência, a relevância e o sentido atribuído pelos participantes.

Para sistematização e integração com a análise quantitativa, adotou-se um procedimento de codificação binária, registrando a presença de um tema como 1 e sua ausência como 0. Esse procedimento possibilitou a mensuração das frequências relativas das categorias identificadas, permitindo a identificação de padrões recorrentes. Tal estratégia fundamentou-se em uma abordagem quanti-qualitativa integrativa, buscando preservar a riqueza interpretativa das respostas e possibilitar sua análise sistemática e comparável.

3. Resultados e Discussão

A investigação da percepção de bem-estar de jovens universitários sobre suas experiências no ensino médio revelou um panorama complexo, marcado por avaliações predominantemente positivas, mas também por lacunas significativas entre o que foi vivenciado e o que é considerado importante. Verificou-se que 68,7% dos participantes avaliaram positivamente o bem-estar escolar, enquanto 17,7% indicaram uma percepção negativa e 13,7% se posicionaram de forma neutra. Contudo, essa avaliação positiva deve ser interpretada com cautela, considerando que a amostra é composta por estudantes de uma instituição de ensino superior privada, o que pode introduzir um viés socioeconômico nas respostas.

Em contraste com a percepção de bem-estar, a importância atribuída aos 24 itens avaliados nos cinco eixos temáticos foi ainda mais elevada, com 78,1% dos participantes considerando-os importantes ou extremamente importantes. Notavelmente, 43,9% das respostas concentraram-se no nível máximo de importância. O desvio padrão médio para a importância percebida foi de 0,53, significativamente menor do que o desvio padrão de 0,93 para o bem-estar, indicando um maior consenso entre os estudantes sobre o que é relevante para a experiência escolar, em comparação com a variabilidade das experiências vivenciadas. Essa assimetria, com uma diferença de 9,4 pontos percentuais entre a proporção de experiências positivas e a de itens considerados importantes, sugere uma lacuna entre o que os estudantes valorizam e o que efetivamente encontraram em suas trajetórias escolares.

A análise do indicador de GAP, que representa a diferença entre a importância percebida e o bem-estar experimentado, revelou um padrão sistemático de lacunas. Em quatro dos cinco eixos temáticos, o GAP foi positivo, variando de +0,05 a +1,1, o que significa que a importância superou o bem-estar percebido. Apenas no Eixo V, referente a experiências ampliadas e formatos alternativos, o GAP foi negativo (-0,23). Esse resultado indica que, de modo geral, as escolas não atenderam plenamente às expectativas dos estudantes em relação a diversos aspectos considerados cruciais para o bem-estar. Tal achado dialoga com o modelo PERMA de Seligman (2011), que concebe o bem-estar como uma construção multidimensional que abrange emoções positivas, engajamento, relacionamentos, sentido e realizações, dimensões diretamente aplicáveis ao contexto educacional.

Em uma análise mais detalhada por eixo temático, o Eixo III, que aborda ensino, metodologia e avaliações, configurou-se como a dimensão mais crítica da pesquisa. Apresentou o maior GAP (+1,1), a menor média de bem-estar (3,1) e o maior desvio padrão (1,16), indicando uma alta polarização nas percepções dos participantes, com 43,3% avaliando negativamente e 45% positivamente. As demandas de melhoria para este eixo concentraram-se na mudança de provas e metodologias (33% cada), redução da carga de conteúdo (23%), e mais projetos e exercícios práticos (18% e 17%, respectivamente). Esses resultados sugerem uma insatisfação generalizada com as abordagens pedagógicas tradicionais, que se mostram desalinhadas com as expectativas dos estudantes por uma aprendizagem mais ativa e contextualizada.

Do ponto de vista neurocientífico, sistemas avaliativos baseados em memorização e realizados sob pressão elevam os níveis de cortisol, o que inibe o funcionamento do córtex pré-frontal, essencial para as funções executivas e a aprendizagem profunda (Diamond, 2013; Mora, 2017). Em contrapartida, metodologias ativas, que promovem a participação e o engajamento, ativam os sistemas de recompensa dopaminérgicos, favorecendo a consolidação da memória e a motivação intrínseca (Bransford; Brown; Cocking, 2000). A meta-análise de Hattie (2009) também corrobora a eficácia de feedback formativo e estratégias metacognitivas. A baixa satisfação neste eixo, com apenas 10% dos participantes não desejando mudanças, reforça a urgência de uma transformação pedagógica que integre as descobertas da neurociência da aprendizagem.

Em contraste, o Eixo IV, referente a relações humanas e clima social, apresentou os melhores indicadores da pesquisa, com uma média de bem-estar de 4,4 e 86,7% de avaliações positivas. O GAP quase nulo (+0,05) e o fato de 51,7% dos respondentes terem um GAP negativo (bem-estar maior que importância) confirmam que o vínculo interpessoal é percebido como um fator protetivo e promotor do bem-estar escolar. Esse achado é consistente com a literatura neurocientífica, que destaca o caráter profundamente social do cérebro humano e a interdependência entre emoção e cognição nos processos de aprendizagem (Immordino-Yang; Damásio, 2007). A adolescência, em particular, é uma fase de intensa reorganização de circuitos relacionados à cognição social, tornando os jovens sensíveis ao pertencimento e à qualidade das interações (Blakemore; Choudhury, 2006).

Apesar dos indicadores positivos, a análise qualitativa revelou demandas por relações mais humanas (25%) e maior integração entre turmas (22%), sugerindo que, mesmo em contextos favoráveis, há espaço para aprimoramento das dimensões relacionais. A qualidade do corpo docente também foi apontada como heterogênea, com 13% dos participantes solicitando troca ou alinhamento de professores e mais apoio. Estudos como o de Pianta (1999) indicam que a qualidade do vínculo professor-aluno pode variar significativamente dentro da mesma escola. Ambientes escolares que promovem vínculos de apoio, respeito e reconhecimento estão associados a melhorias sustentadas no bem-estar, nas habilidades sociais e no desempenho acadêmico (Taylor et al., 2017), reforçando a importância de investir na formação relacional docente.

O Eixo V, que engloba experiências ampliadas e formatos alternativos, apresentou a correlação mais alta (0,37) entre bem-estar e importância, indicando que, quando essas experiências foram positivas, sua relevância foi mais consistentemente reconhecida. Contudo, este eixo também registrou a menor média de importância (3,6) e um alto percentual de respostas neutras (28,3%) para o bem-estar, sugerindo que muitos estudantes não tiveram acesso suficiente a essas vivências. As principais demandas concentraram-se em mais atividades e opções (65%) e rotina flexível com tempo (65%). Atividades físicas, artísticas e culturais são reconhecidas pela neurociência por promoverem neuroplasticidade, regulação emocional e bem-estar (Tokuhama-Espinosa, 2014; Diamond; Ling, 2016), e sua subutilização representa uma oportunidade perdida para o desenvolvimento integral.

A ambivalência em relação às aulas remotas, com 12% dos participantes desejando melhorias e 8% preferindo sua eliminação, reflete as experiências heterogêneas vivenciadas durante a pandemia de COVID-19. Para alguns, o formato remoto ofereceu flexibilidade e autonomia, enquanto para outros, resultou em isolamento social e dificuldades de engajamento. O pedido por maior autonomia na escolha de atividades (12%) reforça o princípio da motivação intrínseca da Teoria da Autodeterminação (Ryan; Deci, 2000), que destaca autonomia, competência e pertencimento como bases para o engajamento. A possibilidade de escolha ativa circuitos de recompensa dopaminérgicos, promovendo a motivação intrínseca e o bem-estar.

No Eixo I, referente à organização e rotina escolar, a média de bem-estar foi de 3,6 e a de importância de 4,0, resultando em um GAP de +0,4. A correlação entre as duas dimensões foi de 0,05, praticamente nula, indicando que a importância atribuída aos elementos estruturais e logísticos não se traduz diretamente na experiência de bem-estar. A demanda por alterações na carga horária foi mencionada por 53% dos participantes, e o início das aulas em horário mais tardio por 20%. Esses dados encontram respaldo na cronobiologia adolescente, que aponta para um deslocamento biológico do ritmo circadiano, tornando horários matutinos precoces prejudiciais ao sono, humor e desempenho cognitivo (Carskadon, 2011). Pausas ativas mais longas e frequentes também são neurocientificamente fundamentadas para a consolidação da memória e restauração da atenção (Jensen, 2008).

O Eixo II, que trata do ambiente físico e recursos, demonstrou o maior consenso de importância, com uma média de 4,3 e 87% das respostas nos níveis superiores. O bem-estar percebido foi de 4,0, com 78,4% de avaliações positivas. As principais demandas incluíram mais espaços de descanso e socialização (38%) e melhoria na alimentação (35%). A literatura científica confirma que características do ambiente físico, como iluminação, ventilação e organização espacial, influenciam o progresso da aprendizagem (Barrett et al., 2015). A nutrição adequada também está diretamente associada a funções cognitivas como atenção e memória de trabalho (Young et al., 2026). Embora 30% dos participantes estivessem satisfeitos com o ambiente físico, o pedido por menos barulho (12%) é crucial, pois o ruído excessivo compromete a compreensão da fala, a atenção e a memória de trabalho, além de aumentar o estresse cognitivo (Klatte, Bergström & Lachmann, 2013).

A análise qualitativa das questões abertas revelou quatro núcleos temáticos de lacunas percebidas pelos estudantes. O núcleo de maior frequência (23 participantes) apontou para o desenvolvimento insuficiente de competências práticas, socioemocionais e de autonomia. Os participantes identificaram a ausência de formação em habilidades como comunicação, oratória, trabalho em grupo, pensamento crítico, tomada de decisão, metacognição e educação financeira. Essas são precisamente as funções executivas e competências socioemocionais mediadas pelo córtex pré-frontal, que se desenvolvem criticamente durante a adolescência (Diamond, 2013; Siegel, 2016; Sousa, 2017), e cuja subutilização representa uma janela de oportunidade perdida para o desenvolvimento integral.

Outro núcleo temático (21 participantes) destacou a preparação insuficiente para a transição escola-vida adulta e carreira, incluindo a falta de orientação profissional, contato com profissões reais, aplicabilidade dos conteúdos e desenvolvimento de habilidades práticas. Essa percepção de desconexão entre o currículo escolar e a realidade do mundo adulto e do trabalho é um tema recorrente na literatura educacional. Heckman e Kautz (2012) demonstram que habilidades não cognitivas são tão ou mais preditivas de sucesso profissional e social quanto as habilidades acadêmicas tradicionais, mas raramente são cultivadas de forma explícita nas escolas, evidenciando uma lacuna curricular que precisa ser preenchida.

O terceiro núcleo (15 participantes) apontou para a promoção insuficiente de convivência, pertencimento e desenvolvimento socioemocional no ambiente escolar. Mesmo com o Eixo IV (Relações Humanas) apresentando os melhores indicadores de bem-estar, ainda há lacunas percebidas na falta de convivência estruturada, senso de comunidade e uma cultura escolar que valorize ativamente o pertencimento. O sentido de pertencimento escolar é um preditor robusto de engajamento, motivação e saúde mental em adolescentes (Goodenow, 1993; Baumeister; Leary, 1995), e sua promoção deliberada representa uma intervenção com alto potencial de impacto sobre o bem-estar e o desenvolvimento integral dos estudantes.

A educação financeira emergiu como uma demanda transversal, mencionada por oito participantes em múltiplos núcleos, sinalizando uma lacuna curricular específica percebida com clareza por essa geração de estudantes de Administração. Essa demanda, embora específica do grupo estudado, provavelmente reflete uma necessidade mais ampla da juventude brasileira, que busca uma formação mais alinhada às exigências da vida adulta. O quarto núcleo temático (sete participantes) reuniu aqueles que se declararam satisfeitos e não mudariam nada, um percentual consistente com os dados quantitativos de satisfação plena observados nos eixos anteriores.

As percepções qualitativas transversais revelaram eixos discursivos recorrentes que aprofundam a compreensão dos dados quantitativos. A desumanização percebida no ambiente escolar foi um tema central, com relatos de que a escola tratava os alunos como “números e não pessoas”, gerando ansiedade e “extremo julgamento”. Ambientes percebidos como ameaçadores ou indiferentes ativam cronicamente o sistema de resposta ao estresse, comprometendo a disponibilidade do córtex pré-frontal para as funções de aprendizagem (Burke Harris, 2018; Shonkoff; Garner, 2012). A demanda por um ambiente “mais humanizado” e por lideranças acessíveis e acolhedoras é, portanto, uma necessidade fundamental para o bem-estar e a aprendizagem.

A inadequação do ambiente físico também foi um eixo discursivo relevante, com relatos de salas superlotadas (até 50 alunos), ambientes fechados, ruído excessivo e mobiliário desconfortável. Essas condições não são apenas questões de conforto, mas limitam a capacidade do professor de oferecer atenção individualizada e feedback formativo, que são intervenções de alto impacto na aprendizagem (Hattie, 2009). O ruído excessivo, em particular, exige que o cérebro dedique mais recursos ao processamento auditivo, reduzindo a disponibilidade de recursos cognitivos para a aprendizagem (Klatte, Bergström & Lachmann, 2013).

A hegemonia avaliativa e seus efeitos sobre a relação com o conhecimento constituíram outro eixo discursivo. Múltiplos relatos convergiram para o diagnóstico de um sistema de provas semanais, sem alternativas avaliativas, que transformou a relação com o saber em uma dinâmica de “sobrevivência”. Muitos estudantes afirmaram que estudavam para passar, e não para aprender. Esse estresse avaliativo crônico compromete a aprendizagem profunda, direcionando os recursos cognitivos para a retenção temporária em detrimento da compreensão e elaboração (Diamond, 2013; Mora, 2017). As sugestões de avaliações trimestrais ou bimestrais, inclusão de projetos e apresentações, e simulados preparatórios indicam um desejo por abordagens mais formativas e menos punitivas.

A heterogeneidade da qualidade docente também foi um ponto de destaque, com um participante estimando que “75% eram muito bons profissionais; os outros 25% sinto que contribuíram negativamente para nossa experiência”. As sugestões apontam para a necessidade de treinamento, padronização de qualidade e maior critério na contratação. A competência relacional, ou seja, a capacidade de acolher, escutar e criar segurança psicológica, é percebida pelos estudantes como tão importante quanto o domínio do conteúdo (Jolles; Jolles, 2021). As demandas por mentoria e disciplinas eletivas, inspiradas na experiência universitária, revelam uma busca por uma relação pedagógica mais individualizada e de apoio.

A demanda por formação integral para além do acadêmico foi expressa por múltiplos participantes, que desejavam que a escola fosse “um espaço mais voltado a desenvolver grandes pessoas”, com trabalhos em grupo para o “lado social dos alunos”, atividades focadas em “soft skills e formação não só intelectual, mas humana”, e um ambiente que estimulasse o “autodesenpenho”. Heckman e Kautz (2012) demonstram que características como persistência, autocontrole e competência social são tão preditivas de resultados de vida quanto as habilidades acadêmicas tradicionais. O fato de estudantes de Administração articularem espontaneamente essa demanda revela uma consciência madura de que a escola os preparou tecnicamente, mas deixou lacunas no desenvolvimento das capacidades mediadas pelo córtex pré-frontal em maturação durante a adolescência (Diamond, 2013; Blakemore; Choudhury, 2006).

Por fim, o impacto da sobrecarga escolar sobre a saúde física e o papel das atividades extracurriculares emergiram como um eixo discursivo importante. Participantes relataram que a rotina pesada impedia a prática regular de atividades físicas, comprometendo o bem-estar. Em contrapartida, aqueles que tiveram acesso a atividades de qualidade as descreveram como transformadoras. A atividade física regular promove neurogênese hipocampal, aumento do BDNF e melhora das funções executivas (Diamond; Ling, 2016). Quando a estrutura escolar impede o exercício ao saturar o tempo do estudante, ela compromete paradoxalmente as condições neurobiológicas que sustentam a aprendizagem que pretende promover. A sugestão de um sistema de eletivas e a remoção da obrigatoriedade de esportes alinham-se ao princípio da motivação intrínseca (Ryan; Deci, 2000).

Um achado complementar relevante foi a maturidade retrospectiva demonstrada por vários participantes, que, com o distanciamento temporal e o desenvolvimento cognitivo próprio da transição para a vida adulta, foram capazes de reavaliar suas experiências escolares. Alguns reconheceram o valor formativo de elementos antes percebidos como negativos, o que confere credibilidade adicional às críticas formuladas. Essa capacidade de análise ponderada sugere que a experiência vivida pelos estudantes constitui uma fonte legítima e subutilizada de diagnóstico educacional, oferecendo insights valiosos para aprimorar as práticas pedagógicas.

Em síntese, os resultados desta pesquisa fornecem um diagnóstico coerente e multidimensional da experiência escolar, revelando que o bem-estar é reconhecido como uma dimensão central para o desenvolvimento dos estudantes. As relações humanas se destacam como o principal fator de proteção, enquanto o ensino, a metodologia e as avaliações representam o ponto mais crítico, com lacunas significativas entre a importância percebida e a experiência vivenciada. Há uma demanda expressiva por competências que a escola ainda não soube cultivar, como as socioemocionais e a preparação para a vida adulta. Esses achados convergem consistentemente com a literatura neurocientífica, reforçando a urgência de uma transformação educacional que promova o desenvolvimento integral dos estudantes, alinhando as práticas pedagógicas às evidências sobre como o cérebro aprende e se desenvolve.

4. Conclusão

A presente pesquisa investigou a percepção de bem-estar de jovens universitários em relação às suas experiências escolares no ensino médio, articulando dados quantitativos e qualitativos com os fundamentos da neurociência da aprendizagem. Verificou-se que, embora 68,7% dos participantes avaliassem positivamente o bem-estar escolar, uma proporção ainda maior, 78,1%, considerava os elementos avaliados importantes, evidenciando um GAP sistemático entre a importância percebida e o bem-estar efetivamente experimentado. O eixo de ensino, metodologia e avaliações configurou-se como a dimensão mais crítica, apresentando o maior GAP (+1,1), a menor média de bem-estar (3,07) e o maior desvio padrão (1,09), o que sugere uma insatisfação com abordagens pedagógicas tradicionais que se desalinham das evidências neurocientíficas sobre a aprendizagem ativa e o impacto do estresse avaliativo. Em contraste, o eixo de relações humanas e clima social registrou os melhores indicadores, com média de 4,35 e 86,7% de avaliações positivas, confirmando o vínculo interpessoal como principal fator de proteção e promotor do bem-estar, em consonância com o caráter social do cérebro humano. A análise qualitativa complementou esses achados, revelando lacunas na preparação para a vida adulta e carreira, no desenvolvimento de competências socioemocionais e autonomia, na promoção de convivência e pertencimento, e na educação financeira, dimensões cruciais para o desenvolvimento integral.

Os achados oferecem um diagnóstico empírico e multidimensional da experiência escolar, destacando a necessidade urgente de alinhar as práticas pedagógicas às descobertas da neurociência da aprendizagem para promover o desenvolvimento integral dos estudantes. Contudo, é fundamental reconhecer as limitações deste estudo, como a amostra restrita a 60 estudantes de uma única instituição privada de ensino superior em São Paulo, o que impede generalizações para o universo de jovens brasileiros e pode introduzir um viés socioeconômico. O caráter retrospectivo das avaliações também pode estar sujeito a vieses de memória, embora a maturidade analítica dos participantes confira credibilidade às críticas. Sugere-se, para estudos futuros, a replicação da pesquisa com amostras mais diversificadas, incluindo estudantes de instituições públicas e de diferentes regiões geográficas, a inclusão de variáveis demográficas e contextuais, e a realização de estudos longitudinais para capturar a dinâmica temporal das percepções de bem-estar escolar. A principal contribuição reside em fornecer subsídios concretos para educadores, gestores e formuladores de políticas educacionais repensarem a escola como um espaço que cultive não apenas o conhecimento acadêmico, mas também o bem-estar e as competências essenciais para a vida no século XXI.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Saberes docentes sobre neuroplasticidade e aprendizagem

A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência mostrou-se relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configurou-se como elemento central para a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica. O estudo objetivou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e caráter descritivo, desenvolvida por meio de levantamento de campo do tipo survey. A coleta de dados ocorreu com 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo, por meio de questionário on-line estruturado em eixos temáticos. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora a maioria dos docentes reconheça a relevância da neuroplasticidade para a aprendizagem, predominaram níveis básicos e intermediários de conhecimento, além de lacunas na formação inicial e continuada. Evidenciou-se a importância de considerar ações formativas para os profissionais da educação.

Palavras-chave: Formação docente; neurociência; neuroeducação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurobiologia da dupla excepcionalidade: integração neuropsicofarmacológica e desafios em adultos com TEA, TDAH e AH/SD

Os transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), impactam a funcionalidade clínica e acadêmica. O estudo objetivou analisar a intersecção entre a modulação neuropsicofarmacológica e as estratégias de suporte educacional no Córtex Pré-Frontal em adultos com diagnóstico tardio de dupla excepcionalidade. Conduziu-se um estudo de caso qualitativo, por meio de observação participante de uma discente de 22 anos, com diagnóstico clínico de TEA, TDAH e AH/SD, durante o estágio supervisionado de Graduação em Enfermagem em ambiente hospitalar. Os resultados evidenciaram que, embora a intervenção medicamentosa proporcionasse estabilização neuroquímica, o ambiente hospitalar desestabilizou a cognição devido à poluição sonora e ao excesso de estímulos. Mapearam-se correlações neuropsicofisiológicas, incluindo hiperacusia, alterações do sono e rigidez de pensamento. Contudo, a implementação de pausas estratégicas para autorregulação e o fracionamento de tarefas possibilitaram o retorno do foco atencional e a execução precisa de procedimentos técnicos. Concluiu-se que a consolidação das Funções Executivas e a funcionalidade adaptativa exigem abordagens multimodais, onde o ajuste psicofarmacológico é um facilitador biológico indispensável, mas a eficácia terapêutica depende do acolhimento pedagógico e de adaptações ambientais para a inclusão efetiva do indivíduo neurodivergente.

Palavras-chave: Córtex Pré-Frontal; Funções Executivas; Neurobiologia; Psicofarmacologia.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

A Neurociência e as rotinas de atividades de alfabetização no 1º Ciclo Escolar

A alfabetização, processo fundamental no desenvolvimento educacional, baseia-se em diagnóstico, planejamento e metodologia, com a neurociência oferecendo contribuições significativas para a eficácia das práticas pedagógicas. Analisou-se a experiência em alfabetização de uma escola municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de identificar e compreender as práticas desenvolvidas e sua inserção na rotina da classe. Realizou-se um estudo teórico-reflexivo de caráter descritivo e qualitativo, configurado como estudo de caso. Observaram-se as rotinas de alfabetização do 1º ao 3º ano do ensino fundamental durante três anos (triênio 2022-2024), por meio de acompanhamento das atividades docentes e discussões pedagógicas com a coordenação. Constatou-se que uma rotina pedagógica planejada e implementada, alinhada aos pressupostos da neurociência e da alfabetização baseada em evidências, favoreceu o êxito na alfabetização. As práticas observadas incluíram o trabalho sistemático com consciência fonêmica, texto escrito, produção textual e o uso de tecnologias. Concluiu-se que a integração cognitiva promovida por essas rotinas desenvolveu a capacidade cerebral para a leitura e escrita, evidenciando a importância de estratégias contínuas e interligadas para uma aprendizagem eficaz e duradoura nos anos iniciais do ensino fundamental.

Palavras-chave: Alfabetização; Formação; Neurociência; Planejamento; Rotina Pedagógica.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurociência e formação docente: representações sociais de professores universitários

A pesquisa identificou e descreveu as representações sociais sobre a neurociência construídas por professores universitários da área da psicologia educacional, considerando suas percepções acerca das contribuições, limites e implicações desse campo para a compreensão dos processos de aprendizagem. Realizou-se um estudo de abordagem qualitativa, fundamentado na Teoria das Representações Sociais, por meio da aplicação de um questionário misto, que incluiu questões fechadas de escala atitudinal e perguntas abertas. Os resultados indicaram que a neurociência foi majoritariamente representada como um campo de apoio relevante para a compreensão da aprendizagem, especialmente nos processos de atenção, memória, emoção e motivação. Observou-se uma valorização de seu potencial explicativo e formativo, sobretudo quando articulada interdisciplinarmente com a psicologia educacional. Contudo, emergiram representações marcadas por cautela, com preocupações sobre o risco de biologização dos fenômenos educativos, a simplificação excessiva da complexidade pedagógica e a circulação de neuromitos. As análises interpretativas apontaram para a coexistência de dimensões positivo/funcional e crítico/reflexiva, sugerindo uma representação social em construção, com tensões entre a legitimidade científica e os usos pedagógicos. Os achados reforçaram a necessidade de aprofundar o debate sobre a inserção crítica e epistemologicamente situada da neurociência na formação inicial e continuada de professores.

Palavras-chave: Formação de professores; Neurociência e educação; Psicologia educacional; Representações sociais.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Gestão de Pessoas e os desafios da liderança escolar em tempos de apagão profissional

A crescente escassez de profissionais qualificados na educação configura-se como um desafio central para as instituições escolares contemporâneas, impactando a organização pedagógica e a sustentabilidade das equipes. Analisou-se como gestores escolares conduziram a gestão de pessoas frente ao apagão profissional, buscando identificar práticas de liderança que promovessem o engajamento, a motivação e a permanência dos profissionais. Realizou-se uma pesquisa aplicada, exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, que utilizou pesquisa bibliográfica e documental, além de um questionário semiestruturado aplicado à equipe pedagógica de uma instituição privada de ensino via Google Forms. Os resultados indicaram que a maioria dos gestores reconheceu o apagão profissional, com impactos na dificuldade de contratação, sobrecarga das equipes e desafios na manutenção do engajamento e motivação. Identificaram-se iniciativas institucionais pontuais de valorização profissional, como formação continuada, reorganização de rotinas e fortalecimento das relações interpessoais. Concluiu-se que a liderança escolar desempenhou um papel fundamental na mediação desses desafios, ressaltando a necessidade de estratégias mais sistematizadas para ambientes de trabalho colaborativos e sustentáveis.

Palavras-chave: Apagão profissional; Clima organizacional; Engajamento docente; Gestão de pessoas; Liderança.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Comunicação digital, autoridade pedagógica e trabalho docente em grupos de WhatsApp de pais

A crescente incorporação de tecnologias de comunicação digital, especialmente do WhatsApp, reconfigurou as relações entre escola e família no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, impactando a organização institucional e o trabalho docente. O estudo analisou as repercussões do uso de grupos de WhatsApp de pais na dinâmica escolar, à luz da Neurociência da Aprendizagem e da mediação institucional, buscando compreender suas implicações para o trabalho docente, a autoridade pedagógica e o clima relacional. A investigação caracterizou-se como qualitativa, de natureza aplicada e descritivo-exploratória, fundamentada na sistematização reflexiva da prática profissional, articulada a dados secundários nacionais e revisão documental. Identificou-se que a ausência de delimitação institucional clara esteve associada à intensificação das demandas comunicacionais, à exposição pública de conflitos e à ampliação de interações reativas, com repercussões sobre a autoridade pedagógica e o clima relacional. Sob a perspectiva da Neurociência da Aprendizagem, tais ambientes comunicacionais podem impactar processos de autorregulação, estabilidade emocional e condições atencionais. A mediação institucional emergiu como categoria central, deslocando o debate da dimensão tecnológica para a organizacional e pedagógica. Como desdobramento aplicado, elaborou-se um Guia de Mediação Institucional para o Uso de Grupos de WhatsApp de pais, estruturado em protocolos comunicacionais, estratégias de mediação e orientações de ética digital. Concluiu-se que a organização institucional da comunicação digital é relevante para a preservação da autoridade pedagógica, da estabilidade relacional e das condições favoráveis ao ensino e à aprendizagem.

Palavras-chave: conectividade; ética digital; gestão escolar; mediação pedagógica; neuroeducação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Equidade na Avaliação: Estratégias para Alunos com TDAH e Dislexia nos Anos Finais

O estudo analisou as características de avaliações de Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental, com foco na organização dos instrumentos avaliativos e em sua relação com a acessibilidade e a equidade. O objetivo consistiu em analisar de que modo avaliações regulares e adaptadas incorporaram elementos relacionados à clareza linguística, à organização visual e à distribuição das demandas cognitivas. Para isso, realizou-se uma pesquisa qualitativa de natureza documental, que analisou 24 avaliações de 6º e 7º anos, incluindo versões regulares e adaptadas, aplicadas ao longo dos três trimestres de 2025, e uma ata de reunião pedagógica institucional. A análise foi conduzida pela técnica de Análise de Conteúdo, considerando as categorias linguagem dos comandos, organização visual e demandas cognitivas. Os resultados evidenciaram um movimento progressivo de transformação nas avaliações adaptadas ao longo do período analisado, com modificações inicialmente pontuais e, posteriormente, mais consistentes, especialmente na clareza dos comandos, na segmentação das tarefas e na redução da sobrecarga cognitiva. Apesar dos avanços, persistiram variações entre os instrumentos, indicando a necessidade de maior sistematização dos critérios de adaptação. Concluiu-se que a organização linguística, visual e cognitiva das avaliações é central para promover condições mais equitativas de acesso às tarefas propostas.

Palavras-chave: Acessibilidade; Aprendizagem; Inclusão; Linguagem; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Cultivo dos ritmos e do fazer manual no jardim de infância Waldorf, contribuições da neurociência.

Uma lacuna no diálogo entre as práticas de cultivo dos ritmos e do fazer manual na Educação Infantil Waldorf e as evidências contemporâneas da neurociência da aprendizagem na primeira infância foi identificada. O estudo objetivou descrever práticas pedagógicas em um Jardim de Infância Waldorf e analisá-las, à luz da literatura neurocientífica, considerando suas possíveis contribuições para o desenvolvimento de crianças de 3 a 6 anos. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso qualitativo, exploratório-descritivo, realizado em uma instituição Waldorf no interior de São Paulo. Utilizaram-se documentos institucionais não identificáveis e um diário reflexivo profissional como fontes de dados. A análise fundamentou-se na triangulação teórica entre a Pedagogia Waldorf, a neurociência da aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Os resultados indicaram que as práticas pedagógicas investigadas estiveram relacionadas à manifestação de comportamentos compatíveis com processos de autorregulação emocional, atenção sustentada, coordenação motora e aspectos iniciais das funções executivas. Observou-se que a organização previsível dos ritmos e a repetição das atividades contribuíram para a segurança emocional e a adaptação das crianças, enquanto as atividades manuais foram associadas à ação intencional, persistência na tarefa e envolvimento positivo. Concluiu-se que o cultivo dos ritmos e do fazer manual constituiu um eixo pedagógico com convergências em evidências contemporâneas sobre o desenvolvimento infantil, especialmente quanto à previsibilidade, repetição, experiências sensoriais e motoras, participação ativa, relações sociais e vínculo. A pesquisa contribuiu para ampliar o diálogo entre a Pedagogia Waldorf e a neurociência da aprendizagem, evidenciando a relevância de práticas cotidianas para uma compreensão integrada do desenvolvimento na primeira infância.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação Infantil; Primeira infância; Rudolf Steiner; Trabalho manual.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

As conexões neurais no processo da alfabetização: contribuições da neurociência no 1º ano do Ensino Fundamental

O processo de alfabetização no 1º ano do Ensino Fundamental foi investigado, buscando compreender as conexões neurais envolvidas. O estudo analisou esse processo a partir do diálogo entre a Psicogênese da Língua Escrita e a Neurociência da Aprendizagem. O objetivo foi compreender a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento e a aprendizagem da leitura e escrita como resultado de processos cognitivos, pedagógicos e neurobiológicos interdependentes. Para isso, adotou-se uma abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada em autores como Ferreiro, Teberosky, Lent, Dehaene e Wolf. A pesquisa articulou essa base teórica à análise de produções escritas de alunos, interpretadas como manifestações de hipóteses em construção, e não como erros. Evidenciou-se o papel crucial da mediação docente, da consciência fonológica, da neuroplasticidade e das práticas multissensoriais no desenvolvimento da alfabetização. O trabalho sustentou que a alfabetização eficaz exige a integração entre o ensino sistemático do código alfabético e experiências significativas de leitura e escrita, contribuindo para a superação de modelos reducionistas e para a formação de leitores competentes e socialmente inseridos.

Palavras-chave: Alfabetização; Ensino Fundamental I; Neurociência; Práticas pedagógicas; Psicogênese da escrita.

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