Artigo

26 de outubro de 2026

Priorização de fatores críticos na gestão da legalização de empreendimentos imobiliários

Pedro Teixeira da Silva Rocha; Beatriz Garcia Altafin

DOI: 10.22167/2675-6528-202601312

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O processo de legalização de empreendimentos imobiliários constitui uma etapa crítica do ciclo de incorporação, caracterizada por elevada complexidade regulatória e dependência de múltiplos stakeholders. O estudo identificou e priorizou os fatores críticos, internos e externos, que impactam o tempo de legalização, além de propor diretrizes de gestão para mitigação de atrasos. Conduziu-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa, por meio de um survey com 17 profissionais atuantes no setor imobiliário. Os dados foram analisados por estatística descriptiva e pelo Índice de Criticidade (IC), calculado a partir do produto entre impacto e frequência, com classificação baseada em quartis. Os resultados evidenciaram maior criticidade associada à morosidade dos órgãos públicos (IC = 67,47), à gestão de stakeholders externos (IC = 55,15) e à falta de padronização normativa (IC = 50,87), indicando a predominância de fatores externos como principais condicionantes do tempo de legalização. Fatores internos, como gestão de stakeholders internos (IC = 23,55) e qualidade técnica da documentação (IC = 23,21), apresentaram menor criticidade relativa, mas foram identificados como relevantes para a mitigação de atrasos. Concluiu-se que, embora os principais fatores críticos estejam associados ao ambiente institucional e apresentem baixa controlabilidade, a adoção de práticas estruturadas de gestão de riscos, governança e comunicação pode contribuir para reduzir a exposição aos atrasos e aumentar a previsibilidade dos empreendimentos. A integração entre gestão de riscos, stakeholders e governança emergiu como elemento central para a redução de atrasos e o aumento da eficiência no ciclo de desenvolvimento imobiliário.

Palavras-chave: Análise de criticidade; Gestão de riscos; Gestão de stakeholders; Governança; Incorporação imobiliária.

1. Introdução

O setor da construção civil e da incorporação imobiliária desempenha papel estratégico na economia brasileira, impulsionando a geração de emprego, renda e a dinamização de diversas cadeias produtivas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC, 2024) indicam que o setor contribui com aproximadamente seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega cerca de dez milhões de trabalhadores. No mercado imobiliário, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP, 2024) reporta crescimento expressivo, com aumento de vinte vírgula nove por cento nas vendas de apartamentos novos e de dezoito vírgula seis por cento nos lançamentos. O programa habitacional Minha Casa Minha Vida registrou avanço notável, com quarenta e três vírgula três por cento de incremento nas vendas e quarenta e quatro vírgula dois por cento nos lançamentos. Esses indicadores sublinham a relevância econômica e social do setor.

A incorporação imobiliária envolve projetos de longo prazo, elevado investimento e exposição a múltiplas incertezas. Flyvbjerg (2003) aponta que projetos complexos, inseridos em ambientes institucionais e regulatórios dinâmicos, frequentemente apresentam riscos e dificuldades de previsão. O sucesso desses empreendimentos está ligado à qualidade do planejamento, gestão de riscos e eficiência dos processos de aprovação. O processo de legalização, etapa crítica, compreende fases sequenciais e interdependentes, como análise de viabilidade urbanística, aprovação de projetos arquitetônicos, licenciamento ambiental, emissão de alvarás e registro da incorporação. Essas fases estão inseridas em arcabouço normativo complexo, com legislações federais, estaduais e municipais, cuja interpretação e aplicação variam entre órgãos e localidades (Brasil, 2001; Brasil, 2018). Tal heterogeneidade normativa amplifica a incerteza regulatória e a complexidade do processo.

Sob a ótica da gestão de projetos, ambientes com alta dependência de agentes externos e baixa controlabilidade são vulneráveis a riscos. Kerzner (2017) e o Project Management Institute (2021) destacam que fatores externos, como exigências regulatórias, interfaces institucionais e limitações de stakeholders, impactam substancialmente o desempenho dos projetos, especialmente em prazos. Morosidade administrativa, sobreposição de exigências e ausência de padronização normativa entre municípios contribuem para atrasos e retrabalhos. A imprevisibilidade da legalização gera impactos econômicos significativos, como aumento do custo de capital e redução de indicadores financeiros como VPL e TIR, comprometendo a viabilidade (Assaf Neto, 2012; Damodaran, 2012). O processo demanda interação com múltiplos stakeholders (órgãos públicos, concessionárias e reguladores). Freeman (1984) argumenta que a gestão eficaz das partes interessadas é crucial para o sucesso organizacional em contextos de interesses diversos. Falhas de comunicação, desalinhamento de expectativas e ausência de estratégias de engajamento podem ampliar riscos e atrasos.

Apesar da relevância desses desafios, a literatura acadêmica frequentemente aborda a gestão de riscos, governança e gestão de stakeholders de forma fragmentada, sem integrar esses elementos em modelos analíticos que priorizem os fatores impactantes no tempo de legalização. Observa-se uma lacuna na sistematização desses fatores críticos, especialmente na identificação e priorização estruturada, considerando a coexistência e interdependência de fatores internos (qualidade da documentação e eficiência dos processos) e externos (morosidade institucional e complexidade regulatória). Esses fatores não atuam isoladamente, mas interagem dinamicamente, podendo amplificar ou mitigar seus efeitos sobre o desempenho dos projetos (Kerzner, 2017; Project Management Institute, 2021). Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender quais fatores exercem maior influência sobre o tempo de legalização de empreendimentos imobiliários e em que medida práticas de gestão de projetos podem contribuir para a mitigação de atrasos e para o aumento da previsibilidade dos cronogramas. Portanto, este estudo teve como objetivo identificar e priorizar os fatores críticos, internos e externos, que impactam o tempo de legalização de empreendimentos imobiliários, além de propor diretrizes de gestão voltadas à mitigação desses atrasos.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como de natureza aplicada, buscando contribuir diretamente para a compreensão e mitigação de atrasos no processo de legalização de empreendimentos imobiliários. Adotou-se uma abordagem quantitativa, com caráter descritivo-exploratório, visando descrever os fatores associados aos atrasos e explorar padrões de percepção entre profissionais do setor. Para tanto, empregou-se o método de pesquisa do tipo survey, conforme preconizado por Gil (2019) e Malhotra (2012), que permite a coleta de dados diretamente de indivíduos para identificar padrões e relações entre variáveis.

O escopo do estudo delimitou-se ao ciclo de legalização de empreendimentos imobiliários, abrangendo desde a aquisição do terreno e os estudos técnicos preliminares até a obtenção do registro de incorporação imobiliária. A análise concentrou-se em empreendimentos residenciais multifamiliares, segmento predominante na amostra. A coleta de dados ocorreu no período de 26 de janeiro de 2026 a 28 de março de 2026. A unidade de análise consistiu na percepção de profissionais envolvidos em atividades de incorporação, aprovação de projetos, coordenação técnica, consultorias e gestão de interfaces institucionais, com concentração na região Sudeste do Brasil, especialmente nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A população-alvo foi composta por profissionais atuantes em processos de incorporação imobiliária, legalização, aprovações, gestão de projetos e atividades correlatas. A amostra foi definida como não probabilística por conveniência, obtida a partir da rede de contatos do pesquisador e da disponibilização do questionário em meio eletrônico. Foram convidados 30 profissionais com experiência direta no processo de legalização de empreendimentos, dos quais 17 respostas válidas foram obtidas. Essa estratégia é compatível com estudos exploratórios, que buscam identificar padrões de percepção em contextos específicos, sem pretensão de generalização estatística (Gil, 2019; Malhotra, 2012).

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário eletrônico estruturado, desenvolvido a partir de uma revisão da literatura sobre gestão de riscos, gestão de stakeholders e atrasos em projetos (Kerzner, 2017; PMI, 2021; Freeman, 1984). O questionário foi aplicado por meio da plataforma “Microsoft Forms” e enviado por e-mail para a rede de contatos do pesquisador. A definição dos fatores críticos analisados foi orientada por sua recorrência na literatura e aderência prática ao contexto do processo de legalização de empreendimentos imobiliários.

O questionário foi organizado em quatro blocos principais: consentimento, caracterização do respondente, avaliação dos fatores críticos e questões abertas. A avaliação dos fatores críticos solicitou a percepção dos respondentes em duas dimensões: impacto no prazo e frequência de ocorrência. Utilizou-se uma escala ordinal de quatro níveis para as respostas, variando de “baixo/raramente” a “muito alto/sempre”. Os seis fatores críticos selecionados contemplaram tanto aspectos externos, relacionados ao ambiente institucional, quanto internos, vinculados à capacidade de gestão das organizações, como morosidade dos órgãos públicos, falta de padronização normativa e qualidade técnica do projeto.

Após a coleta, os dados foram exportados da plataforma “Microsoft Forms” para uma planilha eletrônica em Excel, onde se realizou a consolidação e o tratamento inicial. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva, que incluiu o cálculo de medidas de tendência central, como média e mediana, e de dispersão, como o desvio-padrão. A mediana foi empregada como medida complementar, por ser mais adequada a dados oriundos de escala ordinal, enquanto o desvio-padrão avaliou o grau de concordância entre os respondentes (Creswell, 2014).

Em seguida, calculou-se o Índice de Criticidade (IC) para cada fator, definido como o produto entre a média do impacto e a média da frequência (IC = Ī × F). Essa abordagem permitiu o ranqueamento dos fatores conforme sua relevância relativa, alinhando-se às práticas de gestão de riscos que combinam probabilidade de ocorrência e impacto (Kerzner, 2017; PMI, 2021). Para a classificação dos fatores em níveis de criticidade, adotou-se um critério baseado na distribuição empírica dos dados, utilizando quartis da amostra, que resultou em quatro níveis: baixa criticidade (≤ p25), média criticidade (entre p25 e p50), alta criticidade (entre p50 e p75) e muito alta criticidade (> p75).

Adicionalmente, realizou-se uma leitura exploratória dos resultados por subgrupos de respondentes, considerando variáveis como perfil profissional, experiência e área de atuação. Essa análise teve caráter exclusivamente descritivo e não inferencial, sendo utilizada para identificar possíveis padrões diferenciados de percepção e complementar a interpretação dos resultados principais. As respostas abertas do questionário foram tratadas por meio de categorização temática, contribuindo para a interpretação qualitativa dos achados quantitativos e para a construção de diretrizes de gestão.

Quanto aos aspectos éticos, a pesquisa caracterizou-se como um estudo de opinião com risco mínimo, tendo sido assegurados o caráter voluntário da participação, a anuência por meio de termo de consentimento e a garantia de anonimato e confidencialidade das informações coletadas, utilizadas exclusivamente para fins acadêmicos. As limitações metodológicas do estudo incluem o tamanho reduzido da amostra, sua natureza não probabilística e a concentração regional dos respondentes, o que restringe a generalização dos resultados. A análise baseou-se em percepções, não incorporando dados históricos objetivos de prazo.

3. Resultados e Discussão

Os resultados obtidos neste estudo revelam padrões significativos na percepção dos profissionais do setor imobiliário acerca dos fatores críticos que influenciam o tempo de legalização de empreendimentos. Esta seção se dedica a uma interpretação aprofundada desses achados, confrontando-os com a literatura acadêmica consolidada em gestão de projetos, riscos e gestão de stakeholders, e delineando as implicações práticas decorrentes. A análise do perfil dos respondentes, a priorização dos fatores críticos e a proposição de diretrizes de gestão são elementos centrais para compreender a complexidade inerente ao processo de legalização.

A caracterização do perfil dos respondentes, conforme detalhado nas Figuras 1 a 5, é fundamental para contextualizar as percepções coletadas e delimitar o escopo interpretativo dos resultados. A Figura 1, que ilustra a distribuição dos participantes por área de atuação profissional, demonstra uma composição heterogênea da amostra. Profissionais de “Legalização / Aprovações” (6 respondentes) e “Gestão de Projetos” (5 respondentes) representam a maioria, seguidos por “Incorporação Imobiliária” (3), “Consultoria” (2) e “Construção / Obras” (1). Essa diversidade é crucial, pois, como postulado por Freeman (1984), diferentes stakeholders percebem riscos e oportunidades de maneira distinta, influenciados por seus interesses, níveis de influência e proximidade com as etapas do projeto. A participação de indivíduos em diversas fases do processo de legalização – desde áreas técnicas e de gestão de projetos até interfaces institucionais – enriquece a análise, permitindo captar uma gama mais ampla de perspectivas sobre os desafios. Por exemplo, aqueles diretamente envolvidos com órgãos públicos tendem a enfatizar entraves administrativos e regulatórios, enquanto profissionais de áreas internas podem destacar a importância da qualidade documental e da coordenação interdepartamental. Essa multiplicidade de visões, embora complexa, é essencial para uma compreensão holística dos fatores críticos, conforme Kerzner (2017) sugere para projetos complexos que são sistemas interdependentes. A implicação prática é que a gestão de projetos de legalização deve adotar uma abordagem multifacetada, considerando as diferentes lentes pelas quais os riscos são percebidos, e estruturar a comunicação para integrar essas perspectivas divergentes, evitando a fragmentação da percepção de criticidade.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 1. Área de atuação (n=17)

A Figura 2, que apresenta a experiência dos respondentes no setor imobiliário, revela um equilíbrio entre profissionais com diferentes níveis de senioridade: “Até 3 anos” (8 respondentes), “Acima de 12 anos” (5), “De 4 a 7 anos” (3) e “De 8 a 12 anos” (1). Essa distribuição é valiosa, pois a experiência é uma variável determinante na qualificação das percepções. A literatura, como a de Flyvbjerg (2003), sugere que profissionais mais experientes possuem uma capacidade aprimorada de identificar riscos sistêmicos e estruturais, dada sua vivência em múltiplos projetos e contextos. Eles tendem a ter uma visão mais estratégica dos gargalos, reconhecendo padrões de morosidade institucional ou falta de padronização normativa como problemas crônicos. Em contrapartida, profissionais com menos experiência podem estar mais focados em falhas operacionais imediatas e em desafios do dia a dia, como inconsistências documentais ou problemas de comunicação interna. Essa dualidade de percepções – estratégica versus operacional – é um ponto de tensão que, se não for gerenciado adequadamente, pode levar a priorizações desalinhadas. A integração dessas visões é fundamental para desenvolver estratégias de mitigação que abordem tanto as causas-raiz estruturais quanto as manifestações operacionais dos atrasos. A ausência de ponderação das respostas por nível de experiência, embora comum em estudos exploratórios, pode introduzir um viés, mas a diversidade da amostra ainda oferece um panorama rico para a priorização gerencial.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 2. Experiência no setor (n=17)

No que tange ao nível de atuação, a Figura 3 indica uma predominância de profissionais com “Atuação direta e frequente” (9 respondentes) nos processos de aprovação, seguida por “Atuação indireta” (4), e “Conhecimento teórico, sem atuação direta” e “Atuação direta e eventual” (2 cada). Essa concentração de envolvimento direto é um ponto forte do estudo, pois, conforme o Guia PMBOK (PMI, 2021), a identificação de riscos é mais precisa quando baseada em experiência prática. Profissionais que atuam diretamente no “front-end” dos processos de legalização são mais propensos a identificar os gargalos reais e as causas estruturais dos atrasos, o que confere maior confiabilidade aos dados coletados. Essa proximidade com a prática mitiga uma limitação comum em pesquisas de survey, que é a distância entre a percepção e a realidade operacional. Contudo, essa mesma proximidade pode gerar um viés de “proximidade operacional”, onde os respondentes tendem a superestimar a importância de entraves imediatos, como a morosidade dos órgãos públicos, em detrimento de fatores estruturais internos que podem ser menos visíveis, mas igualmente impactantes a longo prazo. A validade interna da pesquisa é reforçada por essa aderência da amostra ao objeto de estudo, permitindo uma análise mais focada nas dinâmicas reais do processo de legalização.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 3. Nível de atuação (n=17)

A Figura 4, que descreve o tipo de empreendimento com o qual os respondentes mais atuam, mostra uma clara predominância do segmento “Residencial – MCMV” (15 respondentes), em contraste com “Residencial – Médio/Alto padrão” (2). Esse recorte é particularmente relevante, pois o segmento residencial, especialmente o de maior escala como o Minha Casa Minha Vida, é altamente sensível a prazos. O prolongamento do tempo de legalização impacta diretamente a viabilidade econômica desses projetos, elevando o custo de capital e reduzindo indicadores financeiros cruciais como o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR), conforme amplamente discutido por Assaf Neto (2012) e Damodaran (2012). A concentração nesse segmento, embora limite a generalização dos resultados para outros tipos de empreendimentos imobiliários que podem ter dinâmicas de legalização distintas (como comerciais ou industriais), permite uma análise aprofundada de um contexto de alta repetitividade de processos. Isso possibilita a identificação de padrões estruturais de risco que são replicáveis em contextos semelhantes, oferecendo uma contribuição valiosa para a gestão de projetos nesse nicho específico. A figura, portanto, contextualiza os resultados, indicando que os fatores críticos identificados refletem, em grande medida, as características operacionais e econômicas desse segmento predominante do mercado imobiliário.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 4. Tipo de empreendimento (n=17)

Por fim, a distribuição geográfica dos respondentes, apresentada na Figura 5, revela uma forte concentração na região Sudeste (15 respondentes), com participações minoritárias do Sul (1) e Centro-Oeste (1). Essa concentração regional é um reflexo da realidade do ambiente regulatório brasileiro, que se caracteriza por uma heterogeneidade significativa entre municípios e estados, como apontado por Brasil (2001; 2018). Essa diversidade normativa influencia diretamente o processo de legalização e, consequentemente, a percepção dos profissionais, que baseiam suas avaliações em experiências locais específicas. Esse achado corrobora a literatura de gestão de projetos, que destaca o ambiente externo como um determinante crítico em projetos regulados (PMI, 2021). O estudo, no entanto, avança ao demonstrar que essa influência não é meramente contextual, mas estrutural, ou seja, transcende o projeto individual e está enraizada na forma como os sistemas institucionais operam. Isso significa que os fatores críticos identificados não estão associados apenas a aspectos organizacionais internos, mas também às condições externas do ambiente regulatório, reforçando a importância de considerar o contexto territorial na análise e na proposição de estratégias de mitigação. A figura, portanto, sublinha a necessidade de abordagens adaptadas às especificidades regionais e regulatórias.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 5. Região de atuação (n=17)

A análise dos fatores críticos, ranqueados pelo Índice de Criticidade (IC) e detalhada na Figura 6 e Tabela 1, constitui o cerne dos resultados quantitativos da pesquisa. Observa-se uma clara predominância de fatores externos como os principais condicionantes do tempo de legalização. Esse padrão está em consonância com a literatura de gestão de projetos, que reconhece os riscos externos como elementos de alta relevância e, frequentemente, de baixa controlabilidade para a organização (PMI, 2021; Kerzner, 2017). Isso reforça a ideia de que o processo de legalização é profundamente influenciado pelo ambiente institucional, caracterizado por baixa previsibilidade e elevada dependência de agentes externos.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 6. Índice de Criticidade (IC) por fator

Tabela 1. Estatística descritiva e Índice de Criticidade (IC) por fator, com mediana, desvio-padrão e cluster por quartis

Fator

Impacto médio

Frequência média

IC

Mediana

Desvio-padrão

Nível

Ranking IC

Fator 1 – Morosidade na análise pelos órgãos públicos

8.82

7.65

67.47

75.00

19.45

Muito alta

1

Fator 3 – Gestão de stakeholders externos

7.50

7.35

55.15

56.25

31.09

Muito alta

2

Fator 2 – Falta de padronização nas exigências legais

7.06

7.21

50.87

56.25

26.44

Alta

3

Fator 5 – Capacidade técnica dos órgãos licenciadores

6.03

5.44

32.81

25.00

21.44

Média

4

Fator 4 – Gestão de stakeholders internos

4.85

4.85

23.55

25.00

24.01

Baixa

5

Fator 6 – Qualidade técnica do projeto/documentação

5.44

4.26

23.21

25.00

13.62

Baixa

6

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O “Fator 1 – Morosidade na análise dos projetos pelos órgãos públicos” (IC = 67,47) emerge como o principal fator crítico, posicionando-se de forma isolada no topo do ranking. Este achado não apenas indica uma alta percepção de impacto, mas também uma elevada frequência de ocorrência, caracterizando-o como um risco estrutural e sistêmico, com baixa governabilidade direta pelas organizações. A morosidade reflete a dependência crítica do ambiente institucional e a limitação inerente à gestão de projetos em contextos burocráticos. Essa lentidão nos trâmites administrativos, frequentemente associada à capacidade limitada dos órgãos públicos e à ausência de metas de desempenho claras, impacta diretamente o cronograma dos empreendimentos, elevando custos e comprometendo a viabilidade econômica, conforme discutido por Assaf Neto (2012) e Damodaran (2012) sobre o custo de capital e a redução de indicadores financeiros. Flyvbjerg (2003) já alertava que projetos complexos inseridos em ambientes institucionais dinâmicos tendem a apresentar riscos elevados e dificuldades de previsão. A implicação prática é que, embora a organização não possa controlar diretamente a velocidade dos órgãos, pode adotar estratégias proativas de engajamento, como a estruturação de um plano de comunicação com os órgãos, a definição de checkpoints formais e a designação de um responsável único para o acompanhamento de pendências. Tais ações visam transformar interações reativas em processos estruturados, aumentando a previsibilidade e permitindo a antecipação de gargalos, além de fomentar a construção de um relacionamento institucional sólido, essencial em ambientes regulatórios complexos.

Em segundo lugar, o “Fator 3 – Gestão de stakeholders externos envolvidos no processo” (IC = 55,15) também apresenta um nível de criticidade muito alto. No entanto, o desvio-padrão mais elevado (31,09) sugere uma heterogeneidade nas percepções dos respondentes, indicando que a criticidade desse fator pode variar conforme o grau de maturidade organizacional, a experiência dos profissionais e o contexto municipal. Isso revela que, embora crítico, este é um fator parcialmente mitigável por práticas gerenciais mais estruturadas. A gestão de stakeholders, conforme Freeman (1984), é fundamental para o sucesso organizacional, especialmente em contextos com interesses diversos e interdependentes. O Guia PMBOK (PMI, 2021) enfatiza a identificação, análise e engajamento dos atores que podem influenciar ou ser impactados pelo projeto, incluindo órgãos públicos, concessionárias e empresas terceirizadas. Falhas na comunicação, desalinhamento de expectativas e ausência de estratégias estruturadas de engajamento podem amplificar riscos e atrasos. As implicações práticas envolvem a elaboração de uma matriz de stakeholders com análise de poder e interesse, a definição de cadência de contato, o registro sistemático das interações e o desenvolvimento de estratégias de resposta a exigências recorrentes. Essa abordagem permite priorizar esforços de relacionamento, reduzir ruídos de comunicação, aumentar a assertividade nas respostas e contribuir para a aprendizagem organizacional, diminuindo incertezas futuras.

O “Fator 2 – Falta de padronização nas exigências legais entre municípios” (IC = 50,87) reforça a ideia de incerteza regulatória como um elemento central nos atrasos. Esse resultado sugere que a complexidade regulatória, aliada à ineficiência operacional dos órgãos públicos, exerce um impacto direto sobre os prazos. A ausência de padronização normativa é um risco sistêmico, associado à ambiguidade de requisitos e à variabilidade interpretativa das normas entre diferentes municípios, o que eleva a probabilidade de retrabalho e dificulta o planejamento do processo de legalização. Embora a literatura já discuta a complexidade regulatória (PMI, 2021), o estudo destaca que esse fator atua de forma indireta, amplificando outros riscos, como falhas de comunicação e retrabalho, evidenciando que os riscos não operam isoladamente, mas de forma sistêmica. Para mitigar esse fator, as organizações devem investir na construção de um baseline de requisitos por município, monitorar continuamente as mudanças regulatórias e implementar um checklist técnico-jurídico rigoroso antes do protocolo. Essa sistematização dos requisitos reduz erros de interpretação, aumenta a qualidade dos protocolos e minimiza exigências posteriores, além de capacitar a organização a se adaptar proativamente a novas normativas.

A partir do quarto fator, observa-se uma queda significativa nos valores de IC, indicando uma ruptura clara entre fatores externos e internos. O “Fator 5 – Capacidade técnica e disponibilidade dos órgãos licenciadores” (IC = 32,81) apresenta criticidade média, mas com mediana inferior (25,00), sugerindo que sua percepção pode estar concentrada em situações específicas e não como um problema generalizado. Este fator, embora externo e não diretamente controlável pela organização, influencia a qualidade e a velocidade das análises técnicas, manifestando-se em interpretações inconsistentes, exigências adicionais e ciclos iterativos de revisão. Kerzner (2017) ressalta que a competência dos agentes externos é um risco de desempenho que impacta a previsibilidade do projeto. A ação proposta para este fator consiste na elaboração de protocolos mais completos e estruturados, acompanhados de um dossiê técnico objetivo e de um acompanhamento ativo do processo. Ao elevar a qualidade e a clareza das informações submetidas, reduz-se a dependência da interpretação individual do analista e, consequentemente, a probabilidade de retrabalho. O acompanhamento ativo permite identificar e resolver pendências rapidamente, acelerando a resolução e mitigando os impactos da capacidade técnica limitada.

Os fatores internos, como “Fator 4 – Gestão de stakeholders internos envolvidos no processo” (IC = 23,55) e “Fator 6 – Qualidade técnica do projeto/documentação” (IC = 23,21), apresentam baixa criticidade relativa. Esse resultado pode ser interpretado sob duas perspectivas críticas: (i) as organizações já possuem maior domínio sobre esses aspectos, o que reduz sua percepção de risco; ou (ii) pode haver uma subvalorização desses fatores internos como causas indiretas de atrasos, especialmente aqueles relacionados a retrabalho e ineficiência operacional, conforme apontado por Kerzner (2017). A literatura de gestão da qualidade (PMI, 2021) indica que falhas internas frequentemente se manifestam como atrasos externos, sugerindo que esses fatores podem estar sendo percebidos de forma fragmentada, sem a devida conexão com seus impactos externos. A gestão de stakeholders internos está associada à coordenação entre equipes multidisciplinares (técnicas, jurídicas, comerciais), sendo determinante para a fluidez do processo de legalização. Falhas de comunicação e desalinhamento entre stakeholders internos são fontes de risco que geram inconsistências e retrabalhos (PMI, 2021). A qualidade técnica do projeto e da documentação, por sua vez, relaciona-se à gestão de riscos internos, onde documentação incompleta ou inconsistente gera exigências adicionais e aumenta o tempo de análise. Para mitigar esses fatores, é crucial fortalecer a governança interna, com rituais periódicos, definição de matriz RACI e um canal único para gestão de decisões, riscos e interfaces. Além disso, a implementação de um “gate” interno de qualidade, com compatibilização técnica e revisão documental antes do protocolo, reduz significativamente a incidência de erros, melhora a qualidade das entregas e aumenta a eficiência do processo de aprovação, transformando os fatores internos em alavancas de mitigação dos riscos externos.

A Figura 7, a matriz preliminar de criticidade (Impacto x Frequência), oferece uma visão gráfica e mais detalhada da priorização dos fatores. Essa matriz é uma ferramenta essencial na gestão de riscos, pois permite diferenciar fatores com alta recorrência e grande impacto daqueles com ocorrência pontual, mas com impacto igualmente significativo (Kerzner, 2017; PMI, 2021). Ao posicionar os fatores em um quadrante de impacto e frequência, a matriz orienta a priorização de ações gerenciais. Os fatores localizados nas regiões de maior impacto e frequência devem ser prioritários, pois representam o maior risco ao cumprimento dos prazos. Por exemplo, a morosidade dos órgãos públicos (F1) e a gestão de stakeholders externos (F3) se situam no quadrante de alta criticidade, exigindo atenção imediata e estratégias robustas. Já fatores como a qualidade técnica do projeto (F6) e a gestão de stakeholders internos (F4), embora com menor criticidade no IC, podem ser alvos de melhorias internas que, a longo prazo, reduzem a exposição a riscos externos. A aplicabilidade prática dessa figura reside na capacidade de direcionar recursos e esforços para os riscos mais relevantes, otimizando as estratégias de mitigação e aumentando a previsibilidade dos cronogramas.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 7. Matriz preliminar de criticidade (Impacto x Frequência)

Complementando a análise quantitativa, a Figura 8 apresenta os principais temas identificados nas respostas abertas dos profissionais. Observa-se uma forte convergência entre os achados qualitativos e quantitativos, com destaque para a “Morosidade/capacidade dos órgãos” (9 menções), “Padronização/legislação/prazos” (9 menções) e “Planejamento/diagnóstico/qualidade técnica” (7 menções). Essa convergência reforça a consistência interna do estudo e valida a percepção dos respondentes sobre os principais entraves. Além disso, emergem temas como “Comunicação/governança/stakeholders” (5 menções) e “Digitalização/automação” (2 menções), que indicam oportunidades de melhoria no âmbito interno das organizações. A comunicação eficaz e a governança estruturada são, de fato, elementos cruciais para o sucesso de projetos complexos, como enfatizado por Freeman (1984) e PMI (2021). As respostas abertas permitiram identificar, em linguagem livre, não apenas os fatores mais relevantes para os atrasos, mas também as ações sugeridas para sua mitigação, como aprimoramento da qualidade documental, planejamento prévio e a necessidade de digitalização. Essa integração de percepções estruturadas e espontâneas contribui para uma compreensão mais abrangente do problema e para a construção de diretrizes de gestão mais alinhadas à realidade do setor.

Fonte: Dados originais da pesquisa

Figura 8. Temas mais citados nas respostas abertas

O plano preliminar de ações, detalhado na Tabela 2, traduz os achados deste estudo em práticas gerenciais concretas, alinhadas às diretrizes do Guia PMBOK (PMI, 2021) e contextualizadas ao setor imobiliário. Para o fator “Morosidade na análise pelos órgãos públicos”, a ação prioritária é a criação de um plano de engajamento com órgãos públicos, incluindo a definição de checkpoints formais, a centralização da comunicação em um responsável único e mecanismos de escalonamento para itens críticos. Essa estratégia, com entregáveis como um mapa de stakeholders, plano de comunicação e cronograma de checkpoints, visa transformar interações reativas em processos estruturados, aumentando a previsibilidade e permitindo a antecipação de gargalos. A responsabilidade sugerida para esta ação é da área de Incorporação/Legalização, com apoio do PMO, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada e proativa.

Tabela 2. Plano preliminar de ações (mitigação de riscos + comunicação)

Fator/tema prioritário

Tipo

Ação (gestão de projetos)

Saída (entregável)

Responsável sugerido

Morosidade na análise pelos órgãos públicos

Externo

Plano de engajamento com órgãos públicos, agenda de checkpoints, responsável único por pendências e escalonamento de itens críticos.

Mapa de stakeholders + plano de comunicação + cronograma de checkpoints

Incorporação / Legalização + PMO

Gestão de stakeholders externos

Externo

Matriz de stakeholders com poder/interesse, cadência de contato, registro de tratativas e estratégia de resposta para exigências recorrentes.

Matriz de stakeholders + registro de decisões + plano de respostas

Legalização + PMO

Padronização normativa e prazos indefinidos

Externo

Baseline de requisitos por município, monitoramento regulatório contínuo e checklist técnico-jurídico antes do protocolo.

Checklist de protocolo + matriz de requisitos + lições aprendidas

Jurídico / Legalização + Projetos

Capacidade técnica dos órgãos licenciadores

Externo

Protocolos mais completos, dossiê objetivo para análise e acompanhamento ativo para reduzir idas e vindas e retrabalho institucional.

Dossiê padrão de protocolo + painel de pendências

Legalização + Projetos

Planejamento prévio e qualidade documental

Interno

Gate de qualidade, compatibilização técnica e revisão documental antes do envio aos órgãos públicos.

Checklist de qualidade + gate de aprovação interna

Projetos + Compatibilização

Comunicação e governança internas

Interno

Ritual de governança quinzenal, definição de RACI e canal único para gestão de decisões, riscos e interfaces críticas.

RACI + risk register + ata de decisões

PMO + liderança do empreendimento

Fonte: Resultados originais da pesquisa

No que diz respeito à “Gestão de stakeholders externos”, a ação proposta é a elaboração de uma matriz de stakeholders com análise de poder e interesse, a definição de cadência de contato, o registro sistemático das interações e o desenvolvimento de estratégias de resposta para exigências recorrentes. Os entregáveis incluem a matriz de stakeholders, o registro de decisões e um plano de respostas, com responsabilidade da Legalização e do PMO. Essa prática, fundamentada no domínio de stakeholder management do Guia PMBOK (PMI, 2021), permite priorizar esforços de relacionamento, reduzir ruídos de comunicação e aumentar a assertividade nas respostas a exigências técnicas e institucionais, contribuindo para a aprendizagem organizacional e a redução de incertezas futuras.

Para o fator “Falta de padronização normativa e prazos indefinidos”, a ação consiste na construção de um baseline de requisitos por município, aliado ao monitoramento contínuo de mudanças regulatórias e à implementação de um checklist técnico-jurídico antes do protocolo. O checklist de protocolo, a matriz de requisitos e as lições aprendidas são os entregáveis, com responsabilidade do Jurídico/Legalização e Projetos. Essa abordagem, alinhada às práticas de gestão de riscos do Guia PMBOK (PMI, 2021), visa reduzir a incerteza por meio de planejamento e padronização, minimizando erros de interpretação e exigências posteriores.

A “Capacidade técnica dos órgãos licenciadores” é abordada pela proposta de elaboração de protocolos mais completos e estruturados, acompanhados de um dossiê técnico objetivo e de um acompanhamento ativo do processo para reduzir idas e vindas e retrabalho institucional. O dossiê padrão de protocolo e o painel de pendências são os entregáveis, com responsabilidade da Legalização e Projetos. Essa estratégia, alinhada ao conceito de mitigação de riscos por redução de impacto (PMI, 2021), eleva a qualidade e clareza das informações submetidas, reduzindo a dependência da interpretação do analista e a probabilidade de retrabalho.

Internamente, para o “Planejamento prévio e qualidade documental”, a ação sugerida é a implementação de um gate de qualidade, incluindo compatibilização técnica e revisão documental antes do protocolo. O checklist de qualidade e o gate de aprovação interna são os entregáveis, com responsabilidade dos Projetos e da área de Compatibilização. Essa prática, diretamente relacionada ao gerenciamento da qualidade e à prevenção de riscos (PMI, 2021), reduz significativamente a incidência de erros e aumenta a eficiência do processo de aprovação.

Por fim, para a “Comunicação e governança internas”, propõe-se a implementação de rituais de governança periódicos, a definição de matriz RACI e a criação de um canal único para gestão de decisões, riscos e interfaces. Os entregáveis incluem a matriz RACI, o registro de riscos e as atas de decisões, com responsabilidade do PMO e da liderança do empreendimento. Essa abordagem, fortemente alinhada às práticas de governança e integração de projetos do Guia PMBOK (PMI, 2021), promove maior alinhamento organizacional, reduz conflitos de responsabilidade e aumenta a velocidade na tomada de decisão em contextos complexos e multidisciplinares.

Em suma, a presente pesquisa alcançou seu objetivo de identificar e priorizar os fatores críticos que impactam o tempo de legalização de empreendimentos imobiliários, utilizando uma abordagem estruturada baseada na percepção de profissionais do setor. Os resultados evidenciaram a predominância de fatores externos, como a morosidade dos órgãos públicos, a gestão de stakeholders externos e a falta de padronização normativa, como os principais condicionantes do *lead time* dos processos de aprovação. A metodologia empregada, combinando média, mediana, desvio-padrão, Índice de Criticidade (IC) e classificação por quartis, conferiu robustez analítica, permitindo não apenas ranquear os fatores, mas também compreender o grau de consenso entre os respondentes e reduzir a arbitrariedade na definição de níveis de criticidade.

Os achados reforçam a literatura de gerenciamento de projetos ao demonstrar que, em ambientes caracterizados por elevada dependência institucional, os principais riscos estão associados a fatores externos de baixa controlabilidade. Nesse contexto, o processo de legalização configura-se como um sistema complexo, fortemente influenciado por variáveis regulatórias, institucionais e relacionais, o que exige uma abordagem integrada de gestão de riscos e stakeholders. Por outro lado, embora os fatores internos, como a qualidade técnica do projeto, o planejamento prévio e a governança, tenham apresentado menor criticidade relativa, evidenciou-se que estes desempenham um papel fundamental como mecanismos de mitigação. Em outras palavras, ainda que as organizações não possam eliminar os riscos externos, podem reduzir significativamente sua exposição por meio do aprimoramento de processos internos, da padronização de entregas e do fortalecimento da comunicação e da governança. Do ponto de vista prático, o estudo contribui ao propor um conjunto estruturado de ações gerenciais, traduzidas em entregáveis concretos, como planos de comunicação, matrizes de stakeholders, checklists técnicos e mecanismos de governança. Tais instrumentos permitem transformar um ambiente predominantemente reativo em um processo mais previsível e controlado, aumentando a eficiência e reduzindo retrabalhos. As limitações do estudo incluem o tamanho reduzido da amostra, sua natureza não probabilística e a concentração regional dos respondentes, o que restringe a generalização dos resultados. Além disso, a análise baseou-se em percepções, não incorporando dados históricos objetivos de prazo.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, identificando e priorizando os fatores críticos, internos e externos, que impactam o tempo de legalização de empreendimentos imobiliários, e propondo diretrizes de gestão para mitigar atrasos. Os resultados evidenciaram a predominância de fatores externos, como a morosidade dos órgãos públicos, a gestão de stakeholders externos e a falta de padronização normativa, como os principais condicionantes do *lead time*. Embora os fatores internos, como qualidade técnica do projeto, planejamento prévio e governança, tenham apresentado menor criticidade relativa, eles se mostraram cruciais como mecanismos de mitigação. O estudo contribui com um conjunto estruturado de ações gerenciais, como planos de comunicação e checklists técnicos, que visam transformar um ambiente reativo em um processo mais previsível e controlado, aumentando a eficiência e reduzindo retrabalhos.

As limitações do estudo incluem o tamanho reduzido da amostra, sua natureza não probabilística e a concentração regional dos respondentes, o que restringe a generalização dos resultados. Além disso, a análise baseou-se em percepções, não incorporando dados históricos objetivos de prazo. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da amostra e do escopo geográfico, a inclusão de dados quantitativos de prazos reais e a realização de estudos comparativos entre diferentes tipologias de empreendimentos. Seria valioso também investigar a efetividade das diretrizes de gestão propostas em cenários práticos, por meio de estudos de caso ou pesquisas longitudinais.

Referências Bibliográficas

ABECIP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS ENTIDADES DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO E POUPANÇA. Relatório do mercado imobiliário 2024. São Paulo: ABECIP, 2024.

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CBIC – CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO. Dados econômicos da construção civil. Brasília: CBIC, 2024.

CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 4. ed. Porto Alegre: Penso, 2014.

DAMODARAN, Aswath. Investment valuation: tools and techniques for determining the value of any asset. 3. ed. New York: Wiley, 2012.

FLYVBJERG, Bent; BRUZELIUS, Nils; ROTHENGATTER, Werner. Megaprojects and risk: an anatomy of ambition. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

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GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Contas nacionais trimestrais e indicadores econômicos. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.

KERZNER, Harold. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 12. ed. Hoboken: Wiley, 2017.

MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.

PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 7. ed. Pensilvânia: PMI, 2021.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de outubro de 2026

Gerenciamento de Riscos na Logística de Sequenciamento de Containers para a Instalação de uma Planta Industrial

Em um cenário de crescente complexidade das operações logísticas internacionais e intensificação da concorrência, investigou-se a implementação da gestão de riscos na logística de sequenciamento de contêineres para a instalação de uma planta industrial no setor automotivo. O estudo objetivou identificar, analisar e desenvolver estratégias para minimizar os riscos associados ao transporte de equipamentos desde a origem internacional até a fábrica em Sorocaba-SP. Adotou-se uma pesquisa aplicada, com abordagem quali-quantitativa, por meio de um estudo de caso com observação participativa. Utilizaram-se as diretrizes do PMBOK e o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) como fundamentação para estruturar o processo de gestão de riscos. Os resultados revelaram que a aplicação consistente das ferramentas permitiu a identificação de riscos críticos, sua priorização por meio de uma matriz de probabilidade e impacto, e a implementação de ações corretivas e preventivas eficazes. O transporte terrestre destacou-se como o principal fator de risco, responsável pela maioria dos atrasos. A utilização de indicadores e ferramentas estatísticas, como o gráfico de Pareto, mostrou-se essencial para direcionar as ações de mitigação. Concluiu-se que uma gestão de riscos bem estruturada eleva a previsibilidade logística, aprimora a tomada de decisões e contribui significativamente para o êxito de projetos industriais complexos.

Palavras-chave: Cadeia de suprimentos; Estudo de caso; PDCA; PMBOK; Setor automotivo.

26 de outubro de 2026

Guia móvel de lazer urbano em São Paulo: elicitação de requisitos e desenvolvimento de MVP

Um protótipo funcional de guia móvel para lazer urbano em São Paulo foi desenvolvido para mitigar a fragmentação de informações e a recorrência de dados desatualizados, que dificultam a tomada de decisão dos usuários sobre opções de lazer. O objetivo central foi projetar e implementar um aplicativo que centralizasse informações essenciais, como preço, distância e horários de funcionamento, viabilizando uma consulta georreferenciada. Para isso, conduziu-se uma etapa inicial de engenharia de requisitos, aplicando um questionário online a 56 respondentes para caracterizar o público-alvo, validar o problema e priorizar funcionalidades. Com base nesse levantamento, implementou-se o LazerSP, um aplicativo móvel em React Native 0.81.5 com Expo SDK 54, compatível com Android e iOS, e um backend em Node.js 20 com Express.js e persistência em SQLite. Após a implementação, avaliou-se a usabilidade do artefato com 15 participantes, utilizando a escala SUS. Os resultados demonstraram alta percepção de utilidade e forte intenção de uso, com localização por proximidade, horário de funcionamento e filtro gratuito/pago sendo os requisitos mais valorizados. A avaliação de usabilidade obteve 87,5 pontos, classificando o aplicativo como “Excelente” e confirmando que atendeu a padrões elevados de usabilidade percebida. Concluiu-se que os objetivos foram alcançados, e o LazerSP representa uma base estruturada para futuras iterações, orientadas pelas necessidades reais dos usuários.

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26 de outubro de 2026

Empregabilidade e Recolocação Profissional: a percepção dos trabalhadores sobre as práticas de Gestão de Pessoas

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26 de outubro de 2026

Inteligência emocional e produtividade no segmento farmacêutico magistral

O cenário competitivo do mercado de vendas exige que os profissionais desenvolvam habilidades emocionais refinadas para lidar com a pressão e a complexidade. Este estudo objetivou analisar a influência da inteligência emocional (IE) na produtividade de equipes de vendas no segmento farmacêutico magistral. Para tanto, empregou-se uma abordagem metodológica mista, que consistiu em entrevistas qualitativas com quatro gestores para aprofundar a compreensão de suas percepções sobre a IE e um questionário quantitativo aplicado a 28 profissionais de vendas para mensurar suas experiências. Os resultados evidenciaram uma elevada consciência teórica da importância da IE entre os participantes, com índices de concordância superiores a 90% sobre seu impacto no desempenho. Contudo, foram identificados gargalos significativos na aplicação prática da regulação emocional em períodos de baixa performance, sugerindo que a maturidade emocional não é um estado estático, mas uma competência que demanda reforço contínuo. A pesquisa também destacou o papel crucial da gestão na regulação do clima emocional e na mitigação do “contágio emocional” entre a equipe. Concluiu-se que a inteligência emocional atua como um diferencial competitivo e um pré-requisito essencial para a sustentabilidade dos resultados comerciais, capacitando os vendedores a transformar a ansiedade em frieza analítica e o desespero em persistência estratégica. A relevância das *soft skills* no mercado magistral foi reforçada, mostrando-se tão ou mais importante que o conhecimento técnico dos produtos para o sucesso a longo prazo.

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26 de outubro de 2026

O Fenômeno da Alta Rotatividade nas Empresas de Base Florestal do Mato Grosso do Sul

A alta rotatividade de colaboradores constitui um desafio persistente na gestão de pessoas, com impactos significativos na estabilidade e produtividade organizacional, especialmente no setor florestal do Mato Grosso do Sul. Identificou-se os principais fatores que influenciam a permanência e a saída de profissionais em empresas de base florestal na região da Costa Leste do Mato Grosso do Sul. Realizou-se um estudo descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, por meio da aplicação de um questionário eletrônico na plataforma Google Forms. O instrumento foi divulgado via WhatsApp a profissionais do setor, resultando em 127 respondentes válidos. Os dados coletados foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo temática. Os resultados revelaram que, embora remuneração e benefícios fossem relevantes, a permanência esteve fortemente associada a oportunidades de crescimento, reconhecimento, qualidade da gestão, suporte organizacional e clima de trabalho. A saída, por sua vez, intensificou-se diante de fragilidades na liderança, ausência de perspectivas de carreira, desvalorização percebida, sobrecarga e desalinhamento entre cobrança e condições de trabalho. Concluiu-se que a decisão de permanecer ou sair é multifatorial, englobando dimensões econômicas, relacionais e simbólicas. Sugere-se que as empresas invistam em trilhas de carreira claras, capacitação de lideranças em gestão de pessoas, feedback estruturado e reconhecimento, além de alinhar metas e recursos para reduzir a intenção de desligamento.

Palavras-chave: Clima organizacional; Gestão de pessoas; Retenção de talentos; Suporte organizacional.

26 de outubro de 2026

Gestão da qualidade na construção civil: o papel do controle tecnológico

A gestão da qualidade na construção civil tem se destacado como fator estratégico, dada a complexidade técnica dos empreendimentos e a necessidade de garantir segurança, durabilidade e desempenho das edificações. Observou-se, contudo, que a aplicação prática do controle tecnológico, embora reconhecida como essencial, nem sempre ocorre de forma estruturada e integrada aos processos de gestão de projetos. Nesse contexto, um estudo teve como objetivo estruturar e avaliar a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de construção civil, identificando as práticas adotadas no mercado, as lacunas entre a teoria e a execução em obra, e propondo recomendações gerenciais aplicáveis. A metodologia adotada foi descritiva, de natureza aplicada e abordagem quantitativa, realizada por meio de um levantamento tipo survey com cento e setenta e oito profissionais do setor. Os dados foram coletados por questionário estruturado com questões fechadas e analisados com estatística descritiva. Para aprofundar a análise, aplicaram-se ferramentas de gestão de projetos, como Diagrama de Ishikawa, Matriz SWOT e 5W2H, que permitiram identificar causas-raiz, estruturar o diagnóstico e orientar as propostas de melhoria de forma sistemática. Os resultados revelaram uma elevada percepção da importância e dos benefícios do controle tecnológico, sobretudo nas etapas estruturais e iniciais da obra, mas também apontaram desafios significativos ligados à cultura organizacional e à padronização de práticas. Concluiu-se que o controle tecnológico possui potencial estratégico para aprimorar a tomada de decisão, prevenir não conformidades e elevar o desempenho técnico e organizacional dos projetos, desde que sistematicamente integrado ao planejamento e controle das obras.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Desempenho técnico; Governança do projeto; Melhoria contínua; Não conformidades.

26 de outubro de 2026

Crédito rural no Brasil: acesso e impactos na produção agrícola familiar e empresarial

O crédito rural configurou-se como um dos principais instrumentos de política pública para o desenvolvimento da atividade agropecuária no Brasil, contribuindo para o financiamento, modernização e sustentabilidade das propriedades rurais, ao ampliar o acesso a recursos financeiros e fortalecer a competitividade do setor. O estudo objetivou analisar as modalidades de crédito rural disponíveis no país, avaliando o acesso, a aplicação dos recursos e os impactos na produção agrícola de agricultores familiares e produtores empresariais. A pesquisa foi conduzida com abordagem descritiva e exploratória, empregando métodos quantitativos e qualitativos, fundamentados em pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Dados primários foram coletados por meio de questionários estruturados aplicados a produtores rurais e entrevistas semiestruturadas com profissionais de instituições financeiras, enquanto dados secundários foram obtidos de relatórios e publicações oficiais. Essa abordagem possibilitou uma compreensão abrangente do fenômeno investigado. Os resultados indicaram que o crédito rural contribuiu para a continuidade da produção, o planejamento e a produtividade, mas evidenciaram desigualdades no acesso entre agricultores familiares e produtores empresariais. As principais barreiras identificadas foram a burocracia documental, as exigências de garantias e a regularização fundiária. Observou-se que agricultores familiares priorizaram o custeio da produção, enquanto produtores empresariais direcionaram recursos para investimentos estruturais. Concluiu-se que, embora essencial para o desenvolvimento do setor, o crédito rural requer aprimoramentos institucionais para ampliar sua efetividade e promover maior equidade no meio rural.

Palavras-chave: Desigualdades; Desenvolvimento rural; Financiamento agropecuário; Política agrícola; Sustentabilidade econômica.

26 de outubro de 2026

Gestão de riscos sociais no descomissionamento de minas

A paralisação de atividades minerárias pode gerar impactos significativos em territórios economicamente dependentes, especialmente no que se refere aos riscos sociais associados à interrupção de cadeias produtivas, empregos e dinâmicas econômicas locais. O estudo objetivou identificar, analisar e propor estratégias de mitigação para os riscos sociais decorrentes da interrupção de operações minerárias. A pesquisa desenvolveu-se a partir de uma investigação de campo realizada no município de Anchieta-ES, Espírito Santo, concentrando-se em comunidades situadas no entorno de uma unidade de beneficiamento de minério de ferro cujas atividades foram temporariamente suspensas após o rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. A coleta de dados realizou-se por meio da aplicação de entrevistas com dez atores locais, abrangendo representantes do poder público municipal, empresários atuantes e moradores das comunidades afetadas. Os riscos sociais foram identificados e sistematizados com base nas percepções dos entrevistados, complementadas pela literatura especializada e experiências prévias, sendo avaliados conforme as diretrizes da ABNT NBR ISO 31010 e do Guia PMBOK, classificando-os quanto à probabilidade de ocorrência e ao impacto potencial. Os resultados evidenciaram a recorrência de riscos de alta criticidade, como desemprego estrutural, retração da atividade econômica local, redução da arrecadação municipal, fragilidade institucional e incertezas quanto ao futuro territorial. A partir dessa análise, propôs-se estratégias de mitigação voltadas ao fortalecimento da governança territorial e à redução das vulnerabilidades socioeconômicas associadas à interrupção das atividades minerárias, reforçando a necessidade de planejamento antecipado e engajamento multissetorial.

Palavras-chave: Dependência econômica; Desemprego estrutural; Governança territorial; Planejamento de transição; Vulnerabilidade socioeconômica.

26 de outubro de 2026

Desenvolvimento de um software rastreador de coleta de água de hemodiálise com scheduler automático

A gestão de coletas e análises de água em clínicas de hemodiálise representa um processo crítico para assegurar a conformidade com normas sanitárias e a segurança dos pacientes, exigindo controle rigoroso de prazos e uma distribuição eficiente das atividades. Objetivou-se desenvolver um sistema web inovador para o rastreamento e planejamento automático dessas coletas, incorporando um algoritmo de agendamento capaz de gerar cronogramas otimizados. A metodologia adotada consistiu na construção de um sistema completo, que incluiu um *backend*, um *frontend*, um simulador de dados e um algoritmo de *scheduling* baseado em programação por restrições (CP-SAT). Para a avaliação do desempenho, definiram-se indicadores relacionados à homogeneidade da distribuição das coletas, ao atraso e ao adiantamento, e realizou-se uma análise experimental detalhada com variação dos pesos da função objetivo para avaliar a qualidade das soluções geradas. Os resultados demonstraram que o modelo foi capaz de produzir cronogramas totalmente aderentes às restrições temporais, eliminando atrasos e adiantamentos em diversas configurações. Evidenciou-se que a principal diferenciação entre as soluções residiu na distribuição das coletas ao longo do tempo. Adicionalmente, o sistema desenvolvido apresentou uma arquitetura modular e robusta, adequada ao problema, permitindo integração eficiente entre as camadas e proporcionando uma boa experiência de uso. Concluiu-se que a abordagem proposta é viável para apoiar significativamente a gestão de coletas em ambientes de engenharia clínica, contribuindo para maior eficiência operacional e conformidade regulatória.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Engenharia clínica; Otimização; Programação por restrições; Sistemas web.

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