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October 26, 2026

Gestão da qualidade na construção civil: o papel do controle tecnológico

Perene Luiz Matias Filho; Fabiano José Stocco De Campos

DOI: 10.22167/2675-6528-202601317

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão da qualidade na construção civil tem se destacado como fator estratégico, dada a complexidade técnica dos empreendimentos e a necessidade de garantir segurança, durabilidade e desempenho das edificações. Observou-se, contudo, que a aplicação prática do controle tecnológico, embora reconhecida como essencial, nem sempre ocorre de forma estruturada e integrada aos processos de gestão de projetos. Nesse contexto, um estudo teve como objetivo estruturar e avaliar a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de construção civil, identificando as práticas adotadas no mercado, as lacunas entre a teoria e a execução em obra, e propondo recomendações gerenciais aplicáveis. A metodologia adotada foi descritiva, de natureza aplicada e abordagem quantitativa, realizada por meio de um levantamento tipo survey com cento e setenta e oito profissionais do setor. Os dados foram coletados por questionário estruturado com questões fechadas e analisados com estatística descritiva. Para aprofundar a análise, aplicaram-se ferramentas de gestão de projetos, como Diagrama de Ishikawa, Matriz SWOT e 5W2H, que permitiram identificar causas-raiz, estruturar o diagnóstico e orientar as propostas de melhoria de forma sistemática. Os resultados revelaram uma elevada percepção da importância e dos benefícios do controle tecnológico, sobretudo nas etapas estruturais e iniciais da obra, mas também apontaram desafios significativos ligados à cultura organizacional e à padronização de práticas. Concluiu-se que o controle tecnológico possui potencial estratégico para aprimorar a tomada de decisão, prevenir não conformidades e elevar o desempenho técnico e organizacional dos projetos, desde que sistematicamente integrado ao planejamento e controle das obras.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Desempenho técnico; Governança do projeto; Melhoria contínua; Não conformidades.

1. Introdução

A construção civil, um pilar fundamental da economia global, caracteriza-se pela sua intrínseca complexidade técnica e pela multiplicidade de partes interessadas envolvidas em cada empreendimento. A gestão de projetos neste setor é particularmente desafiadora, influenciada por variáveis como condições climáticas, logística de materiais e singularidade de cada obra, o que eleva a qualidade a um patamar estratégico para o desempenho global (Kerzner, 2022). Historicamente, a percepção de qualidade evoluiu de uma mera conformidade com especificações para um conceito abrangente que permeia todo o ciclo de vida do projeto, impactando diretamente a segurança, a durabilidade e o desempenho das edificações. O “Project Management Institute” (PMI, 2021) enfatiza que a qualidade é indissociável das decisões de planejamento, execução e controle, sendo um fator determinante para a previsibilidade de cronogramas e a estabilidade de custos.

A abordagem contemporânea da gestão da qualidade, conforme Juran e Godfrey (2020), transcende a inspeção final, postulando que a qualidade deve ser planejada, controlada e aprimorada continuamente. Falhas detectadas tardiamente, por exemplo, podem gerar custos exponencialmente maiores e comprometer os objetivos estratégicos do projeto. Nesse cenário, o controle tecnológico emerge como um instrumento vital. Ele compreende um conjunto sistemático de ensaios, inspeções, verificações e registros técnicos realizados sobre materiais, processos e serviços, visando assegurar a conformidade com projetos, normas técnicas e especificações contratuais (Helene; Terzian, 2019). A ausência ou fragilidade desse controle tem sido historicamente associada a uma série de problemas na construção civil, como a recorrência de patologias construtivas, retrabalhos onerosos e não conformidades que afetam não apenas a qualidade final, mas também a produtividade e a segurança em canteiros de obras (Melhado, 2021). Dados setoriais indicam que a incidência de falhas estruturais, por exemplo, pode resultar em perdas financeiras significativas e atrasos substanciais, reforçando a necessidade de mecanismos de controle robustos.

Sob a ótica da gestão de projetos, o controle tecnológico atua como um elemento de prevenção, e não apenas de detecção de falhas. Paladini (2020) argumenta que sistemas eficazes de controle devem estar intrinsecamente integrados ao planejamento da qualidade, promovendo o aprendizado organizacional e a redução contínua das causas de não conformidade, em consonância com os princípios da melhoria contínua. A integração do controle tecnológico com sistemas formais de gestão, como os preconizados pela “International Organization for Standardization” (ISO, 2015) e o PMBOK (PMI, 2021), amplia a capacidade das organizações de padronizar processos, documentar evidências e promover a rastreabilidade técnica. Essa sinergia fortalece a governança do projeto, aumenta a confiabilidade das entregas e minimiza a dependência de ações corretivas emergenciais (Carpinetti, 2021). A relevância do controle tecnológico é ainda mais acentuada quando se considera que informações confiáveis, oriundas de ensaios e verificações, são cruciais para a tomada de decisões gerenciais, permitindo antecipar riscos, corrigir desvios e ajustar estratégias de execução de forma integrada com os controles de prazo e custo (Slack e Brandon-Jones, 2023).

Apesar do reconhecimento teórico e dos benefícios potenciais, a aplicação prática do controle tecnológico na construção civil nem sempre se concretiza de forma estruturada e integrada aos processos de gestão de projetos. Observa-se frequentemente uma lacuna entre a teoria e a execução em obra, o que se manifesta em desafios relacionados à cultura organizacional, à padronização de práticas e à capacitação profissional. Essa desarticulação pode comprometer a efetividade da gestão da qualidade e o desempenho geral dos empreendimentos. Diante desse cenário, este trabalho busca estruturar e avaliar a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de construção civil, identificando as práticas adotadas no mercado, as lacunas existentes entre a teoria e a execução em obra, e propondo recomendações gerenciais aplicáveis, capazes de fortalecer a tomada de decisão, prevenir não conformidades e elevar o desempenho técnico, econômico e organizacional dos projetos de edificações.

2. Material e Métodos

Para o alcance dos objetivos propostos neste trabalho, realizou-se uma pesquisa de natureza aplicada, caracterizada como descritiva, com abordagem quantitativa, conduzida por meio de levantamento do tipo “survey”. Essa estratégia metodológica mostrou-se adequada ao propósito do estudo, que consistiu em analisar a percepção de profissionais da construção civil acerca da aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de edificações. A pesquisa descritiva foi adotada por permitir a identificação, registro e análise de características relacionadas a determinado fenômeno sem intervenção do pesquisador (Gil, 2019).

A abordagem quantitativa foi escolhida por possibilitar a mensuração das percepções dos participantes por meio de dados estruturados e comparáveis, favorecendo a objetividade e a replicabilidade dos resultados (Creswell e Creswell, 2018). O estudo concentrou-se no setor da construção civil, tendo como unidade de análise a percepção de profissionais atuantes nesse segmento. Embora não delimitado a um local ou período específico de execução, a coleta de dados ocorreu antes de 2026, abrangendo profissionais de diversas regiões do Brasil, com predominância da região Sudeste.

A população-alvo da pesquisa foi composta por profissionais atuantes no setor da construção civil. A amostra foi constituída por cento e setenta e oito respostas válidas, obtidas a partir de cento e setenta e nove submissões iniciais. Os participantes foram selecionados por conveniência, sendo engenheiros, arquitetos, técnicos, mestres de obras, gestores e demais profissionais envolvidos direta ou indiretamente em projetos de edificações. A participação foi voluntária, anônima e destinada exclusivamente a fins acadêmicos, garantindo a diversidade de perspectivas.

Para assegurar a conformidade ética da coleta de dados, foi estabelecida como condição obrigatória a aceitação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes do prosseguimento do preenchimento do questionário. Esse procedimento garantiu que todos os participantes estivessem cientes dos objetivos da pesquisa, do caráter voluntário da participação, do anonimato das respostas e da utilização exclusiva dos dados para fins acadêmicos, reforçando a transparência do processo de pesquisa.

A coleta de dados foi realizada exclusivamente por meio da aplicação de um formulário estruturado, elaborado na plataforma Google Forms®. O questionário foi encaminhado a profissionais atuantes no setor da construção civil, permitindo a padronização das respostas e a obtenção de dados comparáveis. Conforme Gil (2017), esse instrumento é amplamente empregado em pesquisas descritivas por possibilitar a coleta sistemática de informações junto a um número expressivo de respondentes, com menor interferência do pesquisador.

O instrumento de pesquisa foi composto por questões fechadas, organizadas em blocos temáticos abrangentes. Esses blocos contemplaram a caracterização do perfil profissional e do porte da empresa, a percepção quanto à importância do controle tecnológico, a identificação das etapas da obra consideradas mais críticas, a existência de procedimentos formais, os materiais com maior risco técnico, os benefícios percebidos, a ocorrência de problemas por ausência de controle, a avaliação de custo-benefício, as ferramentas utilizadas, os principais desafios para implementação e as contribuições atribuídas ao controle tecnológico.

Parte das questões foi estruturada em escala do tipo Likert de cinco pontos, permitindo mensurar o grau de concordância dos respondentes em relação às afirmações apresentadas. Conforme Lakatos e Marconi (2017), o uso de escalas padronizadas contribui para a consistência, confiabilidade e comparabilidade dos dados em pesquisas sociais aplicadas. Após o encerramento da coleta, os dados foram exportados para ambiente eletrônico de análise, onde se realizou a codificação das variáveis e a conversão das respostas em valores numéricos.

A tabulação das frequências absolutas e relativas foi realizada para organizar as informações coletadas, permitindo visualizar a distribuição das percepções dos respondentes. A análise foi conduzida por meio de estatística descritiva, concentrando-se na identificação de padrões, tendências e recorrências nas respostas, sem aplicação de testes estatísticos inferenciais. Esse procedimento favoreceu a padronização dos dados e a posterior identificação de padrões e tendências nas respostas dos participantes, fornecendo uma base sólida para as análises subsequentes.

Para aprofundar a análise e estruturar o diagnóstico, foram aplicadas ferramentas clássicas de gestão de projetos. Inicialmente, utilizou-se o Diagrama de Ishikawa para analisar as causas dos principais problemas relacionados à fragilidade do controle tecnológico. Essa ferramenta permitiu identificar fatores predominantes ligados à cultura organizacional, à ausência de padronização de processos, à insuficiência na capacitação técnica e às falhas na definição de responsabilidades, contribuindo para uma compreensão sistêmica das origens das não conformidades.

Em complemento, a Matriz SWOT foi aplicada para avaliar o contexto organizacional, identificando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas ao controle tecnológico. As forças incluíram o alto reconhecimento da importância e benefícios do controle tecnológico, bem como o uso consistente de ensaios e inspeções. As fraquezas abrangeram a baixa padronização e a variabilidade na aplicação dos controles. Oportunidades foram identificadas na ampliação do uso de softwares e na capacitação, enquanto ameaças envolveram a cultura organizacional resistente e a percepção de custo como barreira.

A ferramenta 5W2H foi utilizada para desdobrar, de forma operacional, as oportunidades de melhoria identificadas a partir dos dados da pesquisa. Essa aplicação permitiu transformar os achados analíticos em um plano de ação estruturado, detalhando o que deveria ser feito, por que a ação era necessária, onde seria aplicada, em que momento deveria ocorrer, quem seriam os responsáveis, como seria implementada e qual o esforço estimado para sua execução. O 5W2H contribuiu para aumentar a clareza, a objetividade e a viabilidade prática das recomendações gerenciais propostas.

As limitações metodológicas do estudo incluíram a dependência de respostas perceptivas dos participantes, o que pode introduzir vieses subjetivos. Houve também acesso restrito a dados técnicos internos das organizações, impedindo uma análise mais aprofundada de registros e indicadores reais de desempenho. Adicionalmente, a concentração regional da amostra, majoritariamente do Sudeste, pode limitar a generalização dos achados para outras regiões do Brasil. Não se realizou análise documental de obras específicas nem mensuração objetiva de indicadores de desempenho.

3. Resultados e Discussão

A seção de Resultados e Discussão deste estudo foi delineada para apresentar e interpretar os achados da pesquisa de campo, estabelecendo um diálogo crítico com a literatura especializada em gestão da qualidade e gestão de projetos na construção civil. A primeira etapa consistiu na tabulação e organização sistemática dos dados coletados por meio do formulário estruturado, aplicado a profissionais do setor. Este processo envolveu a exportação das respostas da plataforma Google Forms® para um ambiente eletrônico de análise, garantindo a integridade e a padronização das informações. A verificação da consistência dos dados foi um passo crucial, visando identificar e tratar respostas incompletas, inconsistentes ou duplicadas, o que assegurou a confiabilidade do conjunto de dados analisado. A codificação das variáveis e a conversão das respostas em valores numéricos, especialmente aquelas estruturadas em escala Likert de cinco pontos, foram essenciais para a análise quantitativa subsequente, permitindo a mensuração objetiva das percepções dos participantes.

A análise descritiva, focada na consolidação das frequências absolutas e relativas, possibilitou a visualização clara da distribuição das percepções dos respondentes. Esse método, conforme preconizado por Gil (2019) e Creswell e Creswell (2018), é fundamental para pesquisas descritivas e quantitativas, pois permite identificar padrões, tendências e recorrências nas respostas sem a necessidade de testes estatísticos inferenciais complexos. A organização dos dados em tabelas e gráficos, conforme descrito no método, facilitou a interpretação e o cruzamento de informações, servindo como base empírica para a discussão à luz do referencial teórico. A etapa de tabulação foi conduzida com uma perspectiva dupla, considerando tanto a gestão da qualidade quanto a gestão de projetos, o que permitiu identificar pontos de aderência ou distanciamento entre as práticas relatadas pelos profissionais e as recomendações teóricas e normativas.

Um aspecto fundamental da coleta de dados foi a conformidade ética, assegurada pela aceitação obrigatória do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este procedimento garantiu que todos os participantes estivessem plenamente cientes dos objetivos da pesquisa, do caráter voluntário e anônimo de sua participação, e da utilização exclusiva dos dados para fins acadêmicos. Tal rigor ético, conforme enfatizado por Lakatos e Marconi (2017), é indispensável em pesquisas sociais aplicadas, conferindo maior legitimidade e transparência ao processo.

A caracterização do perfil profissional dos respondentes, abordada na primeira pergunta do formulário, revelou uma amostra diversificada de cargos no setor da construção civil.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 1. Distribuição dos respondentes por cargo na construção civil

Conforme apresentado na Figura 1, a distribuição dos respondentes indicou que 36% eram engenheiros e/ou arquitetos, 27% técnicos de edificações, 16% mestres de obras, 12% gerentes, 7% diretores e 4% ocupavam outras funções. Essa diversidade de perfis é um ponto de força do estudo, pois permite uma análise multifacetada da percepção sobre o controle tecnológico, abrangendo desde o nível operacional (mestres de obras, técnicos) até o estratégico (diretores, gerentes, engenheiros/arquitetos). A literatura em gestão de projetos, como o PMBOK (PMI, 2021), ressalta a importância de considerar as perspectivas de diferentes stakeholders para uma compreensão abrangente da qualidade e do desempenho do projeto. A participação de profissionais de diversas hierarquias enriquece a discussão, pois cada cargo possui uma visão distinta sobre os desafios e a aplicação prática do controle tecnológico, desde a execução no canteiro até a tomada de decisões estratégicas. Por exemplo, enquanto mestres de obras podem focar na aplicabilidade e nos desafios diários, diretores e gerentes tendem a ter uma visão mais ampla sobre o custo-benefício e a integração com a governança corporativa. Essa amplitude de perspectivas é crucial para identificar lacunas entre a teoria e a prática, bem como para propor recomendações gerenciais que sejam aplicáveis em diferentes níveis organizacionais.

A segunda pergunta do formulário buscou caracterizar o porte das empresas dos respondentes, com base na quantidade de funcionários. A análise dos resultados evidenciou uma distribuição heterogênea, com maior concentração de respondentes atuando em empresas com 1.001 a 5.000 funcionários (27,4%), seguida por organizações com 501 a 1.000 colaboradores (23,5%) e empresas com até 50 funcionários (21,8%). Empresas com 101 a 500 funcionários representaram 18,4%, e aquelas com 51 a 100 colaboradores corresponderam a 8,9%. Essa diversidade de portes reforçou a abrangência do estudo, permitindo analisar o controle tecnológico em diferentes realidades organizacionais e níveis de maturidade em gestão de projetos. Empresas de grande porte, por exemplo, tendem a possuir estruturas mais formalizadas e recursos dedicados à gestão da qualidade e ao controle tecnológico, muitas vezes com certificações ISO 9001 (Carpinetti, 2021). Em contraste, empresas de menor porte podem enfrentar maiores desafios em termos de investimento em tecnologia e capacitação, dependendo mais de controles informais ou da experiência individual dos profissionais. A presença significativa de ambos os extremos na amostra permitiu uma análise mais rica sobre como o porte organizacional influencia a adoção e a efetividade do controle tecnológico, fornecendo insights para recomendações que possam ser adaptadas a diferentes contextos empresariais.

A terceira pergunta do formulário teve como objetivo identificar a localização geográfica das empresas. Os resultados evidenciaram forte concentração de respondentes na região Sudeste, representando 68,7% da amostra, seguida pelo Centro-Oeste (10,6%) e Sul (9,5%). As regiões Nordeste, Norte e a opção “Fora do Brasil” apresentaram participação mais reduzida. Embora a concentração no Sudeste possa ser vista como uma limitação para a generalização irrestrita dos achados para todo o território nacional, ela reflete a elevada atividade e a maior presença de estruturas formais de gestão na construção civil dessa região. Kerzner (2022) destaca que fatores contextuais, incluindo a localização geográfica e as características do mercado local, podem influenciar significativamente as práticas de gestão de projetos. A predominância do Sudeste na amostra sugere que as práticas analisadas refletem majoritariamente esse contexto regional, que é um dos mais desenvolvidos e exigentes em termos de qualidade e conformidade normativa no Brasil. No entanto, a inclusão de outras regiões, mesmo que em menor proporção, contribuiu para uma visão mais ampla, ainda que não exaustiva, das realidades regionais, permitindo inferir que, apesar das particularidades, os desafios e benefícios do controle tecnológico podem ter elementos comuns em diferentes contextos.

A quarta pergunta do formulário, considerada central para o estudo, avaliou a percepção dos profissionais quanto à importância do controle tecnológico para garantir a qualidade das obras de edificações.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 2. Percepção dos respondentes sobre a importância do controle tecnológico para a qualidade das obras

Conforme ilustrado na Figura 2, a análise dos resultados revelou um elevado grau de consenso: 93,3% dos respondentes (166 participantes) atribuíram a nota máxima (5), indicando que o controle tecnológico é percebido como “Muito importante”. As respostas intermediárias foram mínimas (4,5% com nota 4 e 1,7% com nota 3), e as avaliações negativas foram praticamente inexistentes (0,6% com nota 1). Esse achado é de grande relevância, pois demonstra uma internalização conceitual da importância do controle tecnológico no mercado da construção civil. A literatura de gestão da qualidade, como Juran e Godfrey (2020) e o PMBOK (PMI, 2021), enfatiza que a qualidade deve ser planejada, controlada e melhorada continuamente, e que o controle tecnológico é um pilar para a prevenção de não conformidades e a garantia de desempenho. O alto nível de concordância entre profissionais de diferentes cargos, portes de empresa e regiões geográficas reforça que o controle tecnológico é amplamente reconhecido não apenas como uma exigência normativa, mas como um instrumento estratégico de gestão da qualidade. Essa percepção positiva é um ponto de partida favorável para a implementação de melhorias, pois indica que a conscientização sobre o valor do controle já está estabelecida, restando o desafio de traduzir essa percepção em práticas mais consistentes e integradas.

A quinta pergunta do formulário buscou identificar a etapa da obra que, na percepção dos profissionais, demanda maior rigor no controle tecnológico. A análise dos resultados indicou que a etapa de estruturas foi apontada pela maioria dos respondentes como a mais crítica, concentrando 62,0% das respostas. Em seguida, destacou-se a preparação do solo, com 37,4%. As etapas de revestimentos, acabamentos, instalações e esquadrias apresentaram participação residual. Esse resultado está em total consonância com a literatura técnica e de gestão de projetos. Falhas nas fases iniciais e estruturais de uma edificação, como a preparação do solo e a execução da estrutura, possuem um impacto desproporcionalmente maior sobre o custo, o prazo e a segurança do projeto, sendo de difícil e onerosa correção em etapas posteriores (Melhado, 2021; Helene & Terzian, 2019). Meredith et al. (2017) ressaltam que decisões tomadas nas fases iniciais do projeto têm o maior potencial de influenciar o resultado final. A percepção dos profissionais reflete essa realidade, indicando que o controle tecnológico deve ser priorizado nessas fases para mitigar riscos de alta criticidade e garantir a estabilidade e durabilidade da edificação. As implicações práticas desse achado incluem a necessidade de alocar recursos mais qualificados, estabelecer pontos de controle mais rigorosos e investir em ensaios e inspeções mais frequentes e detalhados durante a preparação do solo e a execução das estruturas, garantindo que a base do projeto seja sólida e conforme as especificações.

A sexta pergunta do formulário teve como objetivo avaliar se as empresas nas quais os respondentes atuavam adotavam procedimentos formais de controle tecnológico nas obras. A análise dos resultados indicou que a maioria dos respondentes atuava em empresas que adotavam procedimentos formais de controle tecnológico, com 77,5% atribuindo a nota máxima à afirmação apresentada. As respostas de concordância parcial também foram expressivas, enquanto avaliações intermediárias ou negativas representaram parcela reduzida da amostra. Este achado sugere um nível razoável de maturidade organizacional em relação à gestão da qualidade, onde a formalização de processos é reconhecida como um pilar para a padronização, rastreabilidade e apoio à tomada de decisão (ISO 9001, Carpinetti, 2021). No entanto, a existência de respostas não máximas (22,5%) evidenciou que a adoção dessas práticas não ocorre de forma totalmente homogênea entre as organizações, sugerindo variações no nível de padronização e rigor aplicado. Slack e Brandon-Jones (2018) argumentam que a efetividade dos sistemas de controle depende não apenas da existência de procedimentos, mas também da sua aderência e disciplina na execução. A lacuna entre a alta percepção de importância (Q4) e a adoção formal (Q6) pode indicar que, embora as empresas reconheçam a necessidade, a implementação prática ainda enfrenta desafios, como a resistência cultural ou a falta de recursos para institucionalizar plenamente esses procedimentos.

A sétima pergunta do formulário buscou identificar, na percepção dos profissionais, quais materiais apresentam maior risco quando não há controle tecnológico adequado.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 3. Materiais que apresentam maior risco na ausência de controle tecnológico adequado

Conforme a Figura 3, 49,7% dos respondentes apontaram a alternativa “todas as opções acima”, evidenciando uma percepção sistêmica de que a ausência de controle tecnológico gera riscos abrangentes, afetando diferentes materiais e sistemas construtivos. Em seguida, 35,2% destacaram concreto e/ou aço como os materiais mais críticos, e 12,8% indicaram solo e/ou asfalto. Essa distribuição de respostas é reveladora. A escolha majoritária por “todas as opções acima” demonstra que os profissionais compreendem a interdependência dos materiais e a natureza sistêmica dos riscos na construção civil. Uma falha em um componente, mesmo que não estrutural, pode comprometer a integridade de outros ou a funcionalidade global da edificação. A alta porcentagem para concreto e/ou aço é justificada pela sua função estrutural vital; falhas nesses materiais podem levar a colapsos e comprometer a segurança da vida humana, além de gerar custos de reparo proibitivos (Helene & Terzian, 2019). O reconhecimento do risco associado ao solo e/ou asfalto reforça a importância das fases iniciais da obra, onde a fundação e a infraestrutura são estabelecidas. Sob a ótica da gestão de projetos, esses resultados evidenciam a necessidade de uma abordagem integrada de mitigação de riscos, com protocolos de controle tecnológico abrangentes que considerem a criticidade de cada material e a interconexão entre eles, garantindo a confiabilidade das entregas em todas as fases do projeto.

A oitava pergunta do formulário teve como objetivo avaliar a percepção dos profissionais quanto aos benefícios proporcionados pelo controle tecnológico, especificamente no que se refere à redução de patologias construtivas, otimização de custos e prazos, aumento da durabilidade das edificações e conformidade normativa.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 4. Percepção dos benefícios do controle tecnológico em projetos de edificações

A análise dos resultados, apresentada na Figura 4, revelou um elevado nível de concordância, com 88,8% dos respondentes atribuindo a nota máxima (5) à afirmação, indicando que o controle tecnológico é “Muito importante” para gerar esses benefícios. As respostas de concordância parcial foram expressivas, e as avaliações intermediárias ou negativas representaram uma parcela mínima da amostra. Esse consenso reforça a compreensão de que o controle tecnológico não é apenas um custo, mas um investimento estratégico que agrega valor ao projeto em múltiplas dimensões. A literatura de gestão de projetos corrobora essa visão, destacando que a qualidade impacta diretamente a previsibilidade do cronograma, a estabilidade dos custos e a percepção de valor pelo cliente (PMI, 2021; Kerzner, 2022). A redução de patologias, por exemplo, evita retrabalhos e custos adicionais, enquanto a conformidade normativa minimiza riscos legais e melhora a reputação da empresa. A otimização de custos e prazos, por sua vez, é um benefício direto da prevenção de falhas e da tomada de decisões baseadas em dados confiáveis. A durabilidade das edificações, um atributo de longo prazo, é fundamental para a satisfação do cliente e a sustentabilidade do empreendimento. Assim, a forte percepção desses benefícios pelos profissionais demonstra um alinhamento com as melhores práticas de gestão da qualidade, que veem o controle tecnológico como um instrumento essencial para aprimorar o desempenho técnico, econômico e organizacional dos projetos.

A nona pergunta do formulário buscou verificar se as empresas já haviam enfrentado problemas técnicos em obras em decorrência da ausência ou de falhas no controle tecnológico.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 5. Ocorrência de problemas técnicos decorrentes da ausência ou falha no controle tecnológico

Conforme a Figura 5, a análise dos resultados evidenciou que 65,9% dos respondentes afirmaram que suas empresas já enfrentaram problemas técnicos em obras devido à ausência ou falha no controle tecnológico. Este é um achado crítico, pois estabelece uma conexão direta e empírica entre a fragilidade do controle tecnológico e a ocorrência de impactos negativos concretos nos projetos. Melhado (2021) destaca que a recorrência de patologias construtivas e retrabalhos evidencia fragilidades nos sistemas de controle. A alta proporção de respostas afirmativas sublinha que a problemática investigada não é meramente teórica, mas uma realidade vivenciada pela maioria dos profissionais, resultando em desvios técnicos, atrasos, aumento de custos e comprometimento da segurança.

Por outro lado, 34,1% dos participantes informaram não ter vivenciado esse tipo de problema. Esse subgrupo pode representar empresas com maior maturidade em gestão da qualidade, que adotam procedimentos formais e consistentes de controle tecnológico, conforme discutido em questões anteriores. A existência dessa lacuna entre a percepção de importância e benefícios (Q4 e Q8) e a ocorrência real de problemas (Q9) é um dos pontos mais relevantes para a discussão. Ela indica que, embora o valor do controle tecnológico seja amplamente reconhecido, sua aplicação efetiva e sistemática ainda enfrenta barreiras significativas no mercado. Sob a ótica da gestão de projetos, a ausência de controle tecnológico é um fator de risco que se materializa em não conformidades, impactando diretamente os objetivos de escopo, prazo, custo e qualidade. Este resultado reforça a necessidade de propostas gerenciais que não apenas reforcem a conscientização, mas que também abordem as causas-raiz da falha na implementação, transformando a percepção em ação concreta e integrada à governança do projeto.

A décima pergunta do formulário teve como objetivo avaliar a percepção dos profissionais quanto à viabilidade financeira da implementação do controle tecnológico, especificamente sob a ótica do custo-benefício.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 6. Percepção sobre o custo-benefício da implementação do controle tecnológico

A análise dos resultados, apresentada na Figura 6, indicou que a maioria dos respondentes percebeu a implementação do controle tecnológico como financeiramente vantajosa. Observou-se que 72,9% dos participantes (129 respondentes) atribuíram a nota máxima (5) à afirmação, demonstrando concordância plena quanto à positividade da relação custo-benefício. As respostas de concordância parcial também foram expressivas, com 19,2% atribuindo nota 4, reforçando a percepção predominante de que os benefícios superam os custos. Avaliações negativas foram mínimas (1,1% com nota 2 e 0,6% com nota 1). Este achado é crucial, pois desmistifica a visão de que o controle tecnológico é meramente um custo adicional. Pelo contrário, a maioria dos profissionais o percebe como um investimento estratégico. Juran e Godfrey (2020) e o PMI (2021) reiteram que o custo da não qualidade (rework, falhas, retrabalhos) é exponencialmente maior do que o custo da prevenção e do controle. A percepção favorável quanto ao custo-benefício reforça a relevância do controle tecnológico como ferramenta de apoio à tomada de decisão gerencial, mitigação de riscos e melhoria da previsibilidade dos resultados. Ao ser compreendido como investimento, o controle tecnológico tende a ser incorporado de forma mais consistente ao planejamento da qualidade, fortalecendo a previsibilidade financeira, a eficiência operacional e o desempenho global dos projetos de construção civil.

A décima primeira pergunta do formulário buscou identificar as principais ferramentas e metodologias utilizadas pelas empresas para a aplicação do controle tecnológico nas obras. A análise dos resultados indicou que os ensaios laboratoriais foram a ferramenta mais utilizada, apontados por 84,3% dos respondentes (150 participantes). Os ensaios em campo e as inspeções técnicas também apresentaram elevada frequência de utilização, ambos com 77,5% das respostas (138 participantes). Por outro lado, a utilização de “softwares” de gestão da qualidade foi indicada por 56,7% dos respondentes (101 participantes), revelando um nível de adoção inferior em comparação às práticas tradicionais de controle. Este resultado sugere que, embora ferramentas digitais estejam presentes em parte das organizações, ainda há espaço para avanço na digitalização e integração das informações relacionadas ao controle tecnológico e à gestão da qualidade nos projetos. Carpinetti (2021) destaca que a integração entre controle tecnológico e sistemas formais de gestão, como os baseados na ISO 9001, amplia a capacidade das organizações de padronizar processos, documentar evidências e promover rastreabilidade técnica. A menor adoção de softwares específicos pode indicar desafios relacionados à maturidade organizacional, à padronização de processos ou à integração entre controle técnico e sistemas gerenciais. A efetividade do controle tecnológico, portanto, depende da combinação entre diferentes instrumentos, integrando ensaios, inspeções e ferramentas de gestão para ampliar a rastreabilidade das informações, apoiar a tomada de decisão e fortalecer a gestão da qualidade.

A décima segunda pergunta do formulário teve como objetivo identificar qual foi o maior desafio percebido para implementar o controle tecnológico em obras. A análise dos resultados evidenciou que a cultura organizacional foi apontada como o principal desafio, concentrando 44% das respostas. Em seguida, a falta de mão de obra qualificada representou 27% das respostas, e o custo foi indicado por 23%. A fiscalização foi apontada por apenas 6% dos participantes.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 7. Ferramentas e metodologias utilizadas no controle tecnológico das obras

Conforme a Figura 7, a predominância da cultura organizacional como principal barreira (44%) é um achado significativo, alinhando-se à literatura que enfatiza o papel dos fatores humanos e comportamentais na gestão da qualidade (Slack & Brandon-Jones, 2018). Aspectos como resistência à mudança, falta de comprometimento da liderança e das equipes, e baixa aderência a procedimentos podem minar a efetividade de qualquer sistema de controle, independentemente de sua sofisticação técnica. A falta de mão de obra qualificada (27%) também é um desafio recorrente na construção civil, impactando a capacidade de executar, interpretar e registrar ensaios e inspeções de forma consistente (Marconi & Lakatos, 2017). Isso pode levar a inconsistências operacionais e reduzir a confiabilidade dos dados de controle. Embora o controle tecnológico tenha sido percebido como vantajoso em termos de custo-benefício (Q10), o custo inicial de implementação (23%) ainda é visto como uma barreira por uma parcela significativa dos respondentes, indicando a necessidade de demonstrar o retorno sobre o investimento de forma mais clara. A baixa percepção da fiscalização como principal desafio (6%) reforça que a implementação do controle tecnológico é vista como uma responsabilidade interna de gestão, mais ligada à maturidade organizacional do que a exigências externas. Sob a ótica da gestão de projetos, esses resultados sugerem que o principal desafio para consolidar o controle tecnológico está menos associado a limitações técnicas e mais relacionado à governança do projeto e ao gerenciamento de mudanças, especialmente no que se refere à criação de rotinas, definição de papéis, integração entre áreas e institucionalização de práticas de qualidade no canteiro.

A décima terceira pergunta do formulário teve como objetivo avaliar, de forma sintética, quais resultados os profissionais associam diretamente à aplicação do controle tecnológico nos projetos de construção civil.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 8. Contribuições do controle tecnológico para os projetos de construção civil

A análise dos resultados, conforme a Figura 8, evidenciou que 78,7% dos respondentes selecionaram a alternativa “todas as opções acima”, indicando um consenso majoritário de que o controle tecnológico contribui de forma abrangente e integrada para a melhoria do desempenho dos projetos. Entre as alternativas individuais, 9,6% apontaram a garantia de conformidade com normas técnicas e 8,4% a redução de falhas construtivas como principais contribuições. As opções relacionadas à otimização de custos e prazos e ao aumento da durabilidade apresentaram percentuais residuais. A predominância da escolha “todas as opções acima” reforça a percepção sistêmica dos profissionais, que reconhecem os múltiplos impactos do controle tecnológico na qualidade, custo, prazo, durabilidade e conformidade normativa. Essa visão está alinhada com a abordagem integrada da gestão de projetos, onde qualidade, custo, prazo e risco são dimensões interdependentes (Larson & Gray, 2021). O controle tecnológico, portanto, é percebido como um instrumento estratégico capaz de apoiar simultaneamente o atendimento aos requisitos técnicos, o controle de riscos, a previsibilidade de custos e prazos e a conformidade regulatória. Esse consenso final consolida a relevância do tema e fornece uma base empírica robusta para a proposição de recomendações gerenciais.

Com base nas lacunas identificadas na análise dos dados, foram aplicadas ferramentas clássicas de gestão de projetos para estruturar o diagnóstico, identificar causas raiz e propor direcionamentos gerenciais. O Diagrama de Ishikawa, ou diagrama de causa e efeito, foi utilizado para analisar as causas dos principais problemas relacionados à fragilidade do controle tecnológico, sendo identificadas categorias de causas predominantes.

Tabela 1. Análise das causas da fragilidade no controle tecnológico por meio do Diagrama de Ishikawa

Categoria (Causa Principal)

Causas Identificadas

Impactos no Projeto

Cultura Organizacional

Falta de comprometimento com a qualidade; Baixa aderência a normas e procedimentos; Resistência à padronização

Execução inconsistente dos controles; Falhas recorrentes; Baixa confiabilidade das entregas

Processos

Ausência de padronização; Falta de registros adequados; Procedimentos não formalizados

Dificuldade de rastreabilidade; Perda de informações críticas; Decisões baseadas em dados incompletos

Mão de Obra (Capacitação)

Insuficiência na capacitação técnica; Falta de treinamentos específicos; Dificuldade na interpretação de ensaios

Erros na execução e controle; Redução da qualidade técnica; Aumento de retrabalho

Responsabilidades (Governança)

Falhas na definição de responsabilidades; Ausência de governança clara; Falta de alinhamento entre áreas

Conflitos operacionais; Falhas de comunicação; Baixa efetividade na execução dos controles

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Conforme a Tabela 1, a categoria “Cultura Organizacional” foi identificada como uma causa principal, com fatores como falta de comprometimento com a qualidade, baixa aderência a normas e procedimentos, e resistência à padronização. Esses fatores resultam em impactos como execução inconsistente dos controles, falhas recorrentes e baixa confiabilidade das entregas. Este achado corrobora a literatura que aponta a cultura como um dos maiores entraves à gestão da qualidade (Slack & Brandon-Jones, 2018), onde a qualidade deve ser um valor intrínseco e não apenas um procedimento técnico. A ausência de uma cultura de qualidade pode levar à negligência de procedimentos, mesmo quando formalmente estabelecidos, comprometendo a efetividade do controle tecnológico.

A categoria “Processos” revelou causas como ausência de padronização, falta de registros adequados e procedimentos não formalizados. Os impactos incluem dificuldade de rastreabilidade, perda de informações críticas e decisões baseadas em dados incompletos. A padronização de processos é um pilar da gestão da qualidade, conforme a ISO 9001 (International Organization for Standardization, 2015), que visa garantir a consistência e a repetibilidade das atividades. A falta de padronização no controle tecnológico impede a comparação de resultados, dificulta a identificação de desvios e compromete a melhoria contínua. A ausência de registros adequados, por sua vez, inviabiliza a rastreabilidade e a auditoria dos processos, elementos essenciais para a garantia da qualidade e a conformidade normativa.

A “Mão de Obra (Capacitação)” foi outra categoria crítica, com causas como insuficiência na capacitação técnica, falta de treinamentos específicos e dificuldade na interpretação de ensaios. Os impactos incluem erros na execução e controle, redução da qualidade técnica e aumento de retrabalho. A literatura enfatiza a importância da capacitação contínua para o sucesso da implementação de práticas de qualidade (Marconi & Lakatos, 2017). Profissionais sem o treinamento adequado podem não apenas executar os controles de forma incorreta, mas também falhar na interpretação dos resultados, levando a decisões equivocadas que comprometem a qualidade e a segurança do projeto. A dificuldade na interpretação de laudos e ensaios, por exemplo, pode resultar na aceitação de materiais não conformes ou na rejeição indevida de materiais adequados, gerando desperdícios e atrasos.

Por fim, a categoria “Responsabilidades (Governança)” identificou causas como falhas na definição de responsabilidades, ausência de governança clara e falta de alinhamento entre áreas. Os impactos resultam em conflitos operacionais, falhas de comunicação e baixa efetividade na execução dos controles. A governança do projeto, conforme o PMBOK (PMI, 2021), é fundamental para estabelecer a estrutura de responsabilidades, autoridades e processos que garantem o alinhamento do projeto com os objetivos organizacionais. A falta de clareza nas responsabilidades do controle tecnológico pode levar a lacunas na execução, onde ninguém assume a propriedade dos processos, resultando em controles inconsistentes ou inexistentes. O desalinhamento entre as áreas (engenharia, produção, qualidade) também pode gerar conflitos e ineficiências, comprometendo a integração do controle tecnológico no fluxo de trabalho do projeto.

Em complemento à análise das causas raiz, a Matriz SWOT foi aplicada para avaliar o contexto organizacional, identificando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas ao controle tecnológico.

Tabela 2. Análise SWOT aplicada ao controle tecnológico em projetos de construção civil

Forças

Fraquezas

Oportunidades

Ameaças

Alto reconhecimento da importância do controle tecnológico (93,3% concordância máxima)

Falta de padronização na aplicação dos controles

Ampliação do uso de “softwares” de gestão da qualidade

Cultura organizacional resistente à padronização (44%)

Percepção consolidada de benefícios (qualidade, custo, prazo e conformidade)

Variação na maturidade entre empresas

Capacitação técnica das equipes

Falta de mão de obra qualificada (27%)

Uso consistente de ensaios laboratoriais, de campo e inspeções técnicas

Baixa adoção de ferramentas digitais de gestão da qualidade

Integração do controle tecnológico à gestão de projetos (PMBOK)

Percepção de custo como barreira (23%)

Presença de procedimentos formais em grande parte das empresas

Dependência de práticas operacionais não estruturadas

Fortalecimento da governança e rastreabilidade

Ocorrência recorrente de problemas técnicos (65,9%)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Conforme a Tabela 2, as “Forças” incluíram o alto reconhecimento da importância do controle tecnológico (93,3% de concordância máxima) e a percepção consolidada de seus benefícios (qualidade, custo, prazo e conformidade). O uso consistente de ensaios laboratoriais, de campo e inspeções técnicas, bem como a presença de procedimentos formais em grande parte das empresas, também foram identificados como forças. Essas forças indicam que o mercado possui uma base sólida de conscientização e uma predisposição para a adoção de boas práticas, o que é um ponto de partida favorável para iniciativas de melhoria. A percepção de que o controle tecnológico é um investimento, e não um custo, é uma força que pode ser alavancada para justificar novos investimentos e aprimoramentos.

As “Fraquezas” abrangeram a falta de padronização na aplicação dos controles, a variação na maturidade entre empresas, a baixa adoção de ferramentas digitais de gestão da qualidade e a dependência de práticas operacionais não estruturadas. Essas fraquezas revelam a lacuna entre a percepção positiva e a efetividade prática do controle tecnológico. A falta de padronização, por exemplo, leva à inconsistência e à dificuldade de comparar resultados entre diferentes projetos ou equipes. A baixa adoção de ferramentas digitais, por sua vez, limita a rastreabilidade, a agilidade na tomada de decisão e a integração de informações, aspectos cruciais na era da digitalização da construção civil (Carpinetti, 2021).

As “Oportunidades” foram identificadas na ampliação do uso de “softwares” de gestão da qualidade, na capacitação técnica das equipes, na integração do controle tecnológico à gestão de projetos (PMBOK) e no fortalecimento da governança e rastreabilidade. Essas oportunidades representam caminhos estratégicos para mitigar as fraquezas e fortalecer a aplicação do controle tecnológico. A digitalização, por exemplo, pode resolver problemas de rastreabilidade e padronização, enquanto a capacitação técnica pode endereçar a falta de mão de obra qualificada. A integração com o PMBOK (PMI, 2021) pode institucionalizar o controle tecnológico como parte integrante do ciclo de vida do projeto.

As “Ameaças” envolveram a cultura organizacional resistente à padronização (44%), a falta de mão de obra qualificada (27%), a percepção de custo como barreira (23%) e a ocorrência recorrente de problemas técnicos (65,9%). Essas ameaças são desafios externos ou internos que podem comprometer a implementação e a efetividade do controle tecnológico. A cultura organizacional resistente, conforme já discutido, é um obstáculo significativo que exige programas de mudança e comprometimento da liderança. A recorrência de problemas técnicos, por sua vez, valida a necessidade urgente de aprimorar o controle tecnológico, pois as falhas geram custos, atrasos e comprometem a reputação das empresas.

Em complemento à Análise SWOT, a ferramenta 5W2H foi utilizada para desdobrar, de forma operacional, as oportunidades de melhoria identificadas a partir dos dados da pesquisa. Essa aplicação permitiu transformar os achados analíticos em um plano de ação estruturado, detalhando o que deveria ser feito (What), por que a ação era necessária (Why), onde seria aplicada (Where), em que momento deveria ocorrer (When), quem seriam os responsáveis (Who), como seria implementada (How) e qual o esforço estimado para sua execução (How Much). O 5W2H contribuiu para aumentar a clareza, a objetividade e a viabilidade prática das recomendações gerenciais propostas, favorecendo sua aplicação em projetos de construção civil e reforçando a integração entre diagnóstico, planejamento e melhoria contínua.

As recomendações gerenciais propostas, baseadas nos resultados da pesquisa e nas análises do Ishikawa e SWOT, visam fortalecer a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade. A primeira recomendação é a formalização do controle tecnológico como parte explícita do planejamento da qualidade do projeto, com definição clara de critérios de aceitação, responsabilidades, registros mínimos e evidências exigidas por etapa. Isso busca reduzir variações entre obras e fortalecer a previsibilidade, alinhando o controle tecnológico à governança do projeto, conforme o PMBOK (PMI, 2021).

A segunda recomendação é a priorização de fases críticas por meio de pontos de controle. Considerando que estruturas e preparação do solo foram percebidas como etapas que demandam maior rigor, futuras aplicações devem priorizar essas fases com pontos de verificação (“gates”) e critérios mínimos de liberação, vinculando ensaios, inspeções e registros ao avanço do cronograma. Essa medida visa prevenir falhas de alto impacto e reduzir retrabalho, alinhando-se à literatura que enfatiza a importância de investir em qualidade nas fases iniciais do projeto (Meredith et al., 2017).

A terceira recomendação é o reforço da governança e a definição de papéis para enfrentar barreiras culturais. Diante da cultura organizacional como principal desafio, sugere-se a adoção de mecanismos de governança que reforcem disciplina e padronização, como matriz de responsabilidades (ex.: RACI), rotinas de acompanhamento e alinhamentos periódicos entre qualidade, produção e engenharia. Essa recomendação busca minimizar a dependência de iniciativas individuais e aumentar a consistência na execução, conforme defendido por Slack e Brandon-Jones (2018).

A quarta recomendação é a capacitação direcionada por função e padronização de competências. Considerando a falta de mão de obra qualificada como barreira relevante, é fundamental que as organizações desenvolvam trilhas de capacitação por função (engenharia, técnicos, mestres e liderança), com foco em critérios de aceitação, leitura de laudos, rastreabilidade, tratamento de não conformidades e tomada de decisão baseada em dados. Essa medida visa reduzir inconsistências operacionais e fortalecer a aplicação prática do controle tecnológico, em linha com Marconi e Lakatos (2017).

A quinta recomendação é a ampliação da rastreabilidade e integração de registros por meio da digitalização gradual. Como ferramentas digitais de gestão da qualidade apresentaram adoção inferior às práticas tradicionais, sugere-se a ampliação gradual da rastreabilidade por meio de repositório único de registros (sistema ou planilhas padronizadas), vinculando ensaios e inspeções às atividades do cronograma. Essa recomendação busca reduzir perdas de informação e apoiar decisões gerenciais em tempo oportuno, conforme Carpinetti (2021).

A sexta recomendação é o estabelecimento de critérios para gestão de fornecedores e laboratórios. Dada a elevada utilização de ensaios laboratoriais e em campo, é crucial estabelecer critérios objetivos para seleção e acompanhamento de fornecedores (laboratórios, equipes de campo), incluindo prazos de entrega de laudos, padrões mínimos de relatório, calibração e rastreabilidade. Essa medida visa reduzir riscos associados a dependências externas e melhorar a confiabilidade das evidências técnicas.

A sétima recomendação é o tratamento sistemático de não conformidades e lições aprendidas. Considerando a incidência de problemas técnicos reportada, sugere-se a formalização de um fluxo de registro e tratamento de não conformidades, com classificação por criticidade, responsáveis, prazos e verificação de eficácia, além da consolidação de lições aprendidas por fase. Essa recomendação busca apoiar a melhoria contínua e reduzir a recorrência de falhas em novos projetos, conforme Paladini (2020).

Por fim, a oitava recomendação é a alocação de esforço de controle com base em risco. Como materiais estruturais e fases iniciais foram percebidos como críticos, recomenda-se que a intensidade do controle tecnológico seja planejada com base em risco, priorizando atividades e materiais com maior impacto em segurança, durabilidade e custo de correção. Essa recomendação visa aumentar a eficiência do controle e direcionar recursos para pontos de maior criticidade do projeto, alinhando-se aos princípios de gerenciamento de riscos do PMBOK (PMI, 2021).

Os resultados obtidos evidenciaram um elevado consenso quanto à importância do controle tecnológico para a qualidade das obras, bem como uma percepção amplamente favorável quanto aos benefícios associados à sua aplicação. Esse achado encontra respaldo na literatura de gestão da qualidade, que reconhece o controle sistemático de processos como elemento central para prevenção de não conformidades e redução de retrabalhos (PMI, 2021; Kerzner, 2022). A predominância de respostas com grau máximo de concordância reforça a internalização conceitual da qualidade como requisito estratégico nos projetos de construção civil. A identificação das etapas estruturais e de preparação do solo como fases que demandam maior rigor de controle tecnológico também se alinha ao entendimento de que decisões tomadas nas fases iniciais do projeto possuem maior impacto sobre custo e desempenho ao longo do ciclo de vida do empreendimento (Meredith et al., 2017). A literatura enfatiza que falhas em elementos estruturais tendem a gerar consequências de elevada criticidade e difícil reversibilidade, o que justifica a percepção dos profissionais quanto à necessidade de maior rigor nessas etapas.

Entretanto, a ocorrência significativa de problemas técnicos decorrentes da ausência ou falhas no controle tecnológico revelou uma lacuna entre reconhecimento conceitual e prática efetiva. Tal resultado dialoga com Kerzner (2022), ao afirmar que a maturidade em gestão de projetos não depende apenas do conhecimento técnico, mas da institucionalização de processos e da disciplina organizacional. Ainda que o controle tecnológico seja amplamente reconhecido como importante, sua aplicação pode sofrer variações em função da cultura organizacional e da governança interna. A cultura organizacional, apontada como principal desafio para implementação, reforça a literatura sobre gestão da qualidade total, segundo a qual a qualidade deve ser incorporada como valor organizacional e não apenas como procedimento técnico (Slack; Brandon-Jones, 2018). A resistência a padronizações, falhas de registro e ausência de disciplina operacional podem comprometer a efetividade de controles formais, mesmo quando há estrutura técnica disponível.

A falta de mão de obra qualificada, segundo maior desafio identificado, também encontra respaldo na literatura, que destaca a necessidade de capacitação contínua como fator crítico para o sucesso da implementação de práticas de qualidade (Marconi; Lakatos, 2017). A ausência de competências técnicas adequadas tende a reduzir a confiabilidade dos ensaios, registros e interpretações de resultados, impactando diretamente a tomada de decisão nos projetos. No que se refere à percepção positiva quanto ao custo-benefício do controle tecnológico, os resultados corroboram o entendimento de que investimentos em prevenção apresentam maior retorno econômico do que ações corretivas posteriores (PMI, 2021). A literatura de gerenciamento de riscos reforça que o custo de falhas tende a superar o custo de prevenção, especialmente em projetos de construção civil, caracterizados por elevada complexidade técnica e interdependência de atividades. Por fim, a predominância da alternativa “todas as opções acima” na pergunta sobre contribuições do controle tecnológico indica percepção sistêmica por parte dos profissionais, alinhada à visão integrada da gestão de projetos, na qual qualidade, custo, prazo e risco são dimensões interdependentes (Larson; Gray, 2021). Esse resultado sugere que o mercado reconhece o controle tecnológico como instrumento estratégico, ainda que sua implementação enfrente desafios estruturais e culturais. De forma geral, os resultados mostraram aderência significativa aos referenciais teóricos, ao mesmo tempo em que evidenciaram lacunas práticas relacionadas à maturidade organizacional e à institucionalização de processos. Essa convergência entre percepção positiva e desafios operacionais reforça a relevância de propostas gerenciais voltadas ao fortalecimento da governança, capacitação e integração do controle tecnológico à gestão da qualidade nos projetos de construção civil.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido ao estruturar e avaliar a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de construção civil. A pesquisa identificou as práticas de mercado, as lacunas entre a teoria e a execução, e propôs recomendações gerenciais para fortalecer a tomada de decisão, prevenir não conformidades e elevar o desempenho técnico, econômico e organizacional. Os resultados confirmaram o elevado reconhecimento da importância do controle tecnológico e seus benefícios, como a redução de patologias e a otimização de custos e prazos. Contudo, evidenciou-se uma lacuna entre a percepção e a prática efetiva, com a cultura organizacional e a falta de mão de obra qualificada sendo os principais desafios para sua implementação consistente.

Apesar do sucesso em alcançar o objetivo, este estudo apresentou algumas limitações. Destacam-se a dependência de respostas perceptivas, o acesso restrito a dados técnicos internos das organizações e a concentração regional da amostra, majoritariamente no Sudeste. Não foram realizadas análises documentais de obras específicas nem mensurações objetivas de indicadores de desempenho real. Para estudos futuros, sugere-se a aplicação prática das recomendações propostas, a realização de análises comparativas entre diferentes regiões e portes organizacionais, e a investigação quantitativa com indicadores objetivos de desempenho técnico e financeiro. Adicionalmente, a avaliação do impacto da maturidade em gestão de projetos sobre a efetividade do controle tecnológico em obras seria um valioso complemento.

Referências Bibliográficas

Carpinetti, L. C. R. (2021). Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 4ed

Helene, P.; Terzian, P. (2019). Manual de controle tecnológico do concreto. 2ed. São Paulo, São Paulo, Brasil: PINI.

International Organization for Standardization [ISO]. (2015). ISO 9001:2015 – Sistemas de gestão da qualidade: requisitos. Geneva, Switzerland: ISO.

Juran, J. M.; Godfrey, A. B. (2020). Juran’s quality handbook: the complete guide to performance excellence. 7ed. New York, New York, United States: McGraw-Hill Education.

Kerzner, H. (2022). Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 13ed. Hoboken, New Jersey, United States: Wiley.

Melhado, S. B. (2021). Qualidade, produtividade e inovação na construção civil. 1ed. São Paulo, São Paulo, Brasil: Oficina de Textos.

Paladini, E. P. (2020). Gestão da qualidade: teoria e prática. 3ed. São Paulo, São Paulo, Brasil: Atlas.

Project Management Institute [PMI]. (2021). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® Guide). 7ed. Newtown Square, Pennsylvania, United States: PMI.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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October 26, 2026

Priorização de fatores críticos na gestão da legalização de empreendimentos imobiliários

O processo de legalização de empreendimentos imobiliários constitui uma etapa crítica do ciclo de incorporação, caracterizada por elevada complexidade regulatória e dependência de múltiplos stakeholders. O estudo identificou e priorizou os fatores críticos, internos e externos, que impactam o tempo de legalização, além de propor diretrizes de gestão para mitigação de atrasos. Conduziu-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa, por meio de um survey com 17 profissionais atuantes no setor imobiliário. Os dados foram analisados por estatística descriptiva e pelo Índice de Criticidade (IC), calculado a partir do produto entre impacto e frequência, com classificação baseada em quartis. Os resultados evidenciaram maior criticidade associada à morosidade dos órgãos públicos (IC = 67,47), à gestão de stakeholders externos (IC = 55,15) e à falta de padronização normativa (IC = 50,87), indicando a predominância de fatores externos como principais condicionantes do tempo de legalização. Fatores internos, como gestão de stakeholders internos (IC = 23,55) e qualidade técnica da documentação (IC = 23,21), apresentaram menor criticidade relativa, mas foram identificados como relevantes para a mitigação de atrasos. Concluiu-se que, embora os principais fatores críticos estejam associados ao ambiente institucional e apresentem baixa controlabilidade, a adoção de práticas estruturadas de gestão de riscos, governança e comunicação pode contribuir para reduzir a exposição aos atrasos e aumentar a previsibilidade dos empreendimentos. A integração entre gestão de riscos, stakeholders e governança emergiu como elemento central para a redução de atrasos e o aumento da eficiência no ciclo de desenvolvimento imobiliário.

Palavras-chave: Análise de criticidade; Gestão de riscos; Gestão de stakeholders; Governança; Incorporação imobiliária.