Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de setembro de 2026

A Prática do Mindfulness na Escola e os Benefícios para Alunos do Ensino Fundamental

Cibelle Tonelli Veiga Menezes; Juliana Cristina Da Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202602195

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A necessidade de repensar a educação no contexto pós-pandêmico, considerando os impactos observados no comportamento e na aprendizagem dos estudantes, como o aumento da ansiedade, a insegurança e as dificuldades de concentração, motivou a realização do presente estudo. O trabalho objetivou analisar a contribuição da prática de mindfulness para o comportamento, a aprendizagem e o desenvolvimento de competências socioemocionais de alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. A metodologia adotada caracterizou-se como um estudo de caso, de abordagem qualitativa, que se realizou por meio de observação participante e pesquisa de campo ao longo de um ano em uma escola particular. Os resultados indicaram que a prática de mindfulness no contexto do ensino fundamental favoreceu a redução da ansiedade, o aumento da concentração, a melhoria da regulação emocional e o maior engajamento dos alunos nas atividades escolares. Esses benefícios foram observados tanto entre estudantes sem diagnóstico de necessidades educacionais específicas quanto entre aqueles com necessidades educacionais especiais. Concluiu-se que a inserção do mindfulness no ambiente escolar constituiu uma estratégia eficaz para o desenvolvimento de competências socioemocionais e para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: Aprendizagem; Competências socioemocionais; Ensino fundamental; Mindfulness; Regulação emocional.

1. Introdução

As inovações são constantes no mundo e no ambiente escolar, o que provoca profundas mudanças na maneira de produzir conhecimento. A velocidade acelerada com que a comunicação chega aos indivíduos acarreta transformações na sociedade atual, influenciando o comportamento humano e a forma como se assimila e se produz o saber. Nesse contexto, o desenvolvimento de letramento digital por meio de atividades escolares mostra-se fundamental, uma vez que a internet ocupa um lugar de destaque social, seja como fonte de informação ou como meio para a construção de saberes (Braga, 2013).

A chegada da pandemia do vírus COVID-19 impossibilitou o funcionamento presencial das escolas por um período indeterminado, modificando a maneira de ensinar e impactando a aprendizagem e a saúde mental da comunidade escolar. Após a pandemia, observou-se que os alunos retornaram emocionalmente fragilizados, mais inseguros e dependentes dos pais e professores, apresentando elevados níveis de ansiedade, dificuldades de concentração e limitações na regulação emocional. Estudos indicam que grande parte dos alunos manifestou sintomas de ansiedade e depressão, além de prejuízos na atenção e na organização dos estudos, decorrentes das mudanças impostas pelo ensino remoto e pelo isolamento social (Instituto Ayrton Senna, 2022; Corrêa et al., 2022; Abed, 2020).

Nesse sentido, torna-se essencial que a instituição escolar promova o desenvolvimento de competências socioemocionais, contribuindo para que os alunos estabeleçam relações mais equilibradas consigo mesmos e com os outros. O trabalho escolar, de acordo com Libâneo et al. (2008), implica a criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação, possibilitando que a escola cumpra sua função social de assegurar a apropriação dos conhecimentos científicos e culturais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) destaca a importância do desenvolvimento de competências socioemocionais, que devem ser articuladas no processo de ensino e aprendizagem para que crianças e adolescentes sejam capazes de identificar seus pontos fortes e fragilidades, lidar com emoções e manter a saúde física e o equilíbrio emocional.

Entretanto, estudos recentes, como o realizado por Magnago et al. (2025), apontam que fragilidades no contexto educacional podem estar relacionadas à insuficiência de políticas públicas efetivas e ao distanciamento entre os conteúdos escolares e a realidade vivenciada pelos alunos. Em contrapartida, abordagens pedagógicas que priorizam o acolhimento, o fortalecimento das relações interpessoais e a utilização de metodologias ativas tendem a favorecer o engajamento dos estudantes e a reconstrução dos vínculos com a escola. Para o desenvolvimento dessas competências no contexto educacional, é fundamental a adoção de uma abordagem integrada, que envolva tanto políticas públicas eficazes quanto práticas pedagógicas inovadoras (Franco; Hargraves; 2020), atendendo às necessidades dos alunos nas esferas cognitiva e emocional.

É nesse cenário que se insere o mindfulness, uma prática com raízes na meditação budista, adaptada ao contexto ocidental como abordagem terapêutica e de desenvolvimento pessoal. Segundo Kabat-Zinn (2018), mindfulness, ou atenção plena, é a consciência cultivada por meio de um foco de atenção intencional no momento presente, livre de julgamentos. Trata-se de uma técnica de desenvolvimento pessoal que busca atingir um estado de presença e consciência do corpo e da mente. Giroto-Guedes et al. (2023) complementam que o mindfulness pode ser compreendido como um treinamento mental voltado ao desenvolvimento de habilidades psicológicas centrais, especialmente a autorregulação emocional e atencional, promovendo maior consciência das experiências internas (Kabat-Zinn, 1990; 2003).

A interface entre mindfulness e psicologia se justifica pelo objetivo comum de reduzir o sofrimento por meio do autoconhecimento (Shapiro & Weisbaum, 2020). Evidências apontam que a prática de mindfulness está associada à redução do estresse, da ruminação e da distração mental, além de contribuir para o bem-estar psicológico (Blanke et al., 2020; Giroto-Guedes et al., 2023). Estudos em neurociência indicam mudanças nos padrões cerebrais relacionados à regulação emocional em praticantes (Lutz et al., 2014), e a literatura científica reforça que essa prática envolve não apenas a autorregulação da atenção, mas também a adoção de uma postura de aceitação frente às experiências internas, contribuindo para o equilíbrio emocional (Demarzo et al., 2015; Menezes; Bizarro, 2015). Do ponto de vista científico, os efeitos do mindfulness podem ser compreendidos à luz do conceito de neuroplasticidade, que se refere à capacidade do cérebro de se modificar a partir de experiências repetidas (Scott et al., 2017; Herholtz; Zatorre, 2012 apud Gardini, 2023).

Diante desse contexto, torna-se relevante compreender de que forma a prática do mindfulness pode contribuir para a aprendizagem e o desenvolvimento das competências socioemocionais no ambiente escolar. Essa investigação, ao analisar a experiência de uma escola particular de São Paulo, busca oferecer subsídios práticos para a incorporação de estratégias de atenção plena no cotidiano educacional. Sendo assim, a presente pesquisa teve como objetivo descrever como a prática de mindfulness foi incorporada às rotinas pedagógicas da escola analisada, identificando, nos registros institucionais, evidências do seu impacto sobre a atenção, o comportamento e o engajamento dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, e analisar, por meio de um estudo de caso baseado na observação e análise documental das práticas pedagógicas, de que forma essas práticas contribuíram para o desenvolvimento de competências socioemocionais, como autorregulação e empatia, refletindo sobre os potenciais benefícios e desafios da implementação contínua do mindfulness no contexto escolar.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, com objetivos descritivos e analíticos (Prodanov; Freitas, 2013). O delineamento metodológico baseou-se na triangulação de fontes, utilizando pesquisa bibliográfica, análise documental e observação participante institucional.

A observação participante, conforme May (2001), envolve o estabelecimento de um relacionamento duradouro do investigador com o grupo em sua situação natural para desenvolver um entendimento científico.

O estudo foi conduzido em uma escola particular de São Paulo (referida como Escola A), com uma amostra de seis turmas dos anos finais (6º, 7º e 8º anos) do Ensino Fundamental, totalizando uma média de 20 alunos por classe. A seleção da instituição e das turmas foi por conveniência, devido à atuação da pesquisadora como docente de Língua Portuguesa na unidade.

Os dados foram construídos a partir de três fontes principais: registros em diário de campo elaborados pela pesquisadora durante e após as aulas; análise de documentos escolares (registros de comportamento, organização de atividades e desempenho acadêmico em nível coletivo); e relatos informais de alunos, responsáveis e professores.

Procedimentos de Coleta de Dados

Para a análise do impacto das práticas de mindfulness no cotidiano escolar, foram adotados os seguintes procedimentos:

1. Protocolo de Intervenção: Rotina de exercícios de atenção plena aplicada no início das aulas de Português, com detalhamento da frequência e duração das sessões.

2. Observação Participante: A pesquisadora acompanhou as rotinas das práticas, registrando em diário de campo reflexivo as percepções sobre o comportamento coletivo da turma, com foco em indicadores de engajamento, tempo de concentração, redução de ruído e clima emocional do grupo durante as atividades acadêmicas.

3. Análise Documental: Levantamento de dados em registros institucionais (planos de aula e relatórios de acompanhamento pedagógico) e análise das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) relacionadas às competências socioemocionais.

A análise dos dados seguiu a técnica de análise de conteúdo temática (Bardin, 2011). Os dados documentais de desempenho e comportamento foram tratados de forma agregada, convertendo informações individuais em indicadores de aproveitamento global da turma, para identificar categorias relacionadas à aprendizagem e ao bem-estar coletivo, sem exposição de dados sensíveis.

A pesquisa observou os princípios de confidencialidade e sigilo, alinhando-se às diretrizes do Manual de Instruções e Normas do programa. O estudo enquadra-se nas hipóteses de dispensa de registro e análise pelo sistema CEP/CONEP, conforme o parágrafo único do Art. 1º da Resolução CNS n° 510/2016, por investigar situações da prática profissional com observações descritivas e registros institucionais agregados, sem identificação individual. O anonimato dos estudantes e da instituição (Escola A) foi preservado integralmente, sem coleta de imagens, áudios ou nomes. A viabilidade ética foi ratificada pela obtenção do Termo de Anuência da direção escolar e pelo preenchimento do Formulário de Direcionamento Ético (FDE) no sistema institucional.

O trabalho utilizou a ferramenta de Inteligência Artificial (IA) ChatGPT para revisão gramatical e estruturação de tópicos, sendo o conteúdo gerado revisado e validado pela autora, que assume integral responsabilidade pela precisão, originalidade e integridade acadêmica das informações apresentadas.

3. Resultados e Discussão

Descrição da implementação do mindfulness no contexto estudado

Durante o ano letivo de 2025, uma intervenção pedagógica baseada na prática de mindfulness foi implementada com alunos do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental, nas turmas de Língua Portuguesa da pesquisadora. A prática ocorreu sistematicamente, com frequência média de uma vez por semana e duração de 5 a 10 minutos por sessão. A técnica principal empregada foi a respiração consciente, guiada pela professora com orientações verbais para a atenção ao momento presente. As intervenções foram realizadas em pontos estratégicos da rotina, como no início das aulas, após o intervalo, depois das aulas de Educação Física e antes de atividades avaliativas, especialmente na disciplina de Língua Portuguesa.

Observou-se um aumento nos níveis de ansiedade e nervosismo entre os estudantes durante as Atividades de Análise do Conhecimento (AAC), que correspondem a 35% da média final. Diante disso, a prática de mindfulness foi conduzida diariamente antes do início dessas avaliações nas turmas da pesquisadora. O processo começou na primeira semana letiva com rodas de conversa para apresentar o conceito de mindfulness, sendo as práticas incorporadas gradualmente à rotina.

Mindfulness e desenvolvimento de competências socioemocionais

Os registros de observação participante indicaram mudanças progressivas no comportamento dos alunos em relação à regulação emocional. Inicialmente, havia frequentes manifestações de ansiedade, agitação e dificuldade em lidar com erros. Com a continuidade da prática, observou-se maior capacidade de autorregulação, evidenciada por respostas mais equilibradas diante de frustrações e maior persistência nas tarefas.

Em relação à atenção e ao foco, os dados do diário de campo apontaram aumento no tempo de engajamento em atividades que exigiam concentração e redução de comportamentos de dispersão. A análise documental das produções acadêmicas reforçou essa percepção, indicando melhora na organização dos cadernos, maior completude das tarefas e maior clareza nas respostas escritas, aspectos associados ao desenvolvimento de funções executivas. O clima de sala de aula também melhorou, com diminuição de comportamentos disruptivos, como conversas paralelas e inquietação, especialmente nos dias de prática, dado corroborado por relatos de outros professores.

A análise de dados agregados de desempenho acadêmico, considerando as médias das turmas, indicou uma tendência de melhora no rendimento escolar. Contudo, não foi possível estabelecer uma relação de causalidade direta entre a prática de mindfulness e o desempenho acadêmico, devido à interferência de múltiplos fatores. Relatos de responsáveis, obtidos em reuniões escolares, indicaram percepções de mudanças no comportamento dos alunos no ambiente familiar, como maior tranquilidade e melhor organização para atividades escolares, sugerindo a ampliação dos efeitos da prática para além da escola.

Durante a prática, alguns alunos, mesmo sem Necessidades Educacionais Especiais (NEE), demonstraram dificuldade em manter a atenção, abrindo os olhos ou manuseando cadernos. No entanto, muitos relataram conseguir imaginar com clareza as orientações, sentindo-se mais focados e preparados para avaliações após a prática. Alguns alunos chegaram a adormecer durante a atividade. Muitos estudantes, com ou sem NEE, relataram maior percepção corporal após as aulas de Educação Física, com a prática de mindfulness promovendo uma sensação de equilíbrio e relaxamento.

Mindfulness e sua aplicação junto a estudantes com Necessidades Educacionais Especiais

A adesão à prática de mindfulness não foi homogênea entre todos os alunos. Um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) optou por não participar diretamente, mas se manteve envolvido em outras ações sem atrapalhar. Outro estudante com TEA, nível 1 de suporte e excelente nível intelectual, resistiu à participação, buscando chamar a atenção com comportamentos disruptivos, sendo levado à coordenação.

Em outro caso, uma aluna com TEA, nível de suporte 1 e excelente nível intelectual, inicialmente resistiu, alegando dificuldade de concentração. Contudo, ela gradualmente aderiu à prática, participando normalmente após algumas semanas, chegando a dormir profundamente em uma sessão. Por outro lado, um aluno com TEA, nível 2 de suporte e baixo nível intelectual, que frequentemente se desregulava com episódios de agressão física, sempre participou das práticas de mindfulness sem resistência. Observou-se que, após a prática, ele retornava à atividade mais calmo e regulado emocionalmente. Esses casos sugerem que a prática de mindfulness pode ser um recurso auxiliar para a autorregulação, reforçando a necessidade de estratégias pedagógicas inclusivas e considerando as singularidades dos estudantes.

Compartilhamento das práticas de Mindfulness com a equipe escolar

A pesquisadora compartilhou os benefícios e a técnica de mindfulness com outros docentes em reuniões pedagógicas, destacando a importância da respiração consciente e do uso de recursos relaxantes para aulas mais tranquilas. Apesar dos benefícios observados, houve resistência significativa por parte dos demais professores em adotar essas estratégias, permanecendo a prática restrita às aulas da pesquisadora. Os fatores limitantes incluíram falta de interesse, tempo e familiaridade com a técnica, indicando a necessidade de investimentos em formação continuada. Por demanda da equipe gestora, a pesquisadora conduziu formações com as auxiliares que atuam com alunos com NEE, instrumentalizando-as para usar estratégias de atenção plena no manejo emocional dos estudantes.

Articulação entre os resultados da pesquisa e o referencial científico sobre mindfulness

A prática de mindfulness, com raízes em tradições meditativas antigas (Wallace, 2011; Kalra et al., 2018), tem sido adaptada ao contexto ocidental, com foco na autorregulação e atenção plena (Cardoso et al., 2004; Wullstein, 2009). Giroto-Guedes et al. (2023) definem mindfulness como um treinamento mental para desenvolver habilidades psicológicas, especialmente a autorregulação emocional e atencional, prestando atenção intencional ao momento presente, sem julgamento (Kabat-Zinn, 1990; 2003).

A interface entre mindfulness e psicologia busca a redução do sofrimento por meio do autoconhecimento (Shapiro & Weisbaum, 2020). Estudos empíricos associam a prática à redução do estresse, ruminação e distração mental, além de contribuir para o bem-estar psicológico (Blanke et al., 2020; Giroto-Guedes et al., 2023). Pesquisas em neurociência indicam mudanças nos padrões cerebrais relacionados à regulação emocional (Lutz et al., 2014), e intervenções baseadas em mindfulness têm sido aplicadas para prevenção de recaídas em depressão (Farb et al., 2018), melhora da qualidade do sono (Garcia et al., 2018) e regulação do estresse em estudantes (Carpenter et al., 2019).

Os resultados da presente intervenção, que indicaram melhora na atenção e regulação emocional, alinham-se à literatura que descreve mindfulness como a capacidade de direcionar a atenção ao momento presente de forma intencional e sem julgamentos (Kabat-Zinn, 2003), favorecendo a consciência sobre pensamentos e emoções (Demarzo et al., 2015; Menezes; Bizarro, 2015). Os efeitos podem ser compreendidos pela neuroplasticidade, onde práticas sistemáticas promovem alterações cerebrais que influenciam processos cognitivos e emocionais (Scott et al., 2017; Herholtz; Zatorre, 2012 apud Gardini, 2023).

O programa Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR), desenvolvido por Kabat-Zinn, integra práticas meditativas com abordagens clínicas e psicológicas, demonstrando eficácia na redução do estresse e promoção da saúde mental (Kabat-Zinn, 1982; Praissman, 2008 apud Gardini, 2023). O MBSR, que inclui meditação e escaneamento corporal, contribui para o controle atencional e bem-estar psicológico (Goleman, 2012; Shapiro et al., 2005 apud Gardini, 2023). Treinamentos estruturados de mindfulness estão associados a melhorias na atenção, tomada de decisão e regulação emocional (Gautam; Mathur, 2021; Kral et al., 2017 apud Gardini, 2023), achados que oferecem subsídios para o contexto escolar.

No contexto educacional, práticas de mindfulness têm demonstrado impactos positivos na atenção, desempenho acadêmico e relações interpessoais, além de auxiliar no manejo de dificuldades como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (Broderick & Metz, 2009; Zylowska et al., 2008). Programas como os Mindfulness-Based Programs (MBPs) promovem o desenvolvimento de competências como atenção, autorregulação emocional e compaixão (Giroto-Guedes et al., 2023). Revisões de literatura reforçam a eficácia desses programas na redução de estresse e sofrimento psicológico, com benefícios duradouros (Mouzinho et al., 2018).

O modelo de regulação emocional de Gross (1998a; 1998b) indica que o mindfulness atua nos processos antecedentes, favorecendo a atenção ao momento presente e reduzindo a reatividade automática. Para alunos com NEE, especialmente TEA, a literatura aponta contribuições do mindfulness na regulação emocional e redução de comportamentos associados à ansiedade (Ridderinkhof et al., 2018). Pesquisas brasileiras, embora incipientes, indicam seu potencial como estratégia pedagógica complementar (Demarzo et al., 2015; Menezes; Bizarro, 2015), convergindo com os achados deste estudo ao sugerir que a prática pode apoiar o manejo emocional e a adaptação escolar.

Apesar dos resultados promissores, a literatura aponta desafios relacionados à definição conceitual e à padronização metodológica dos estudos em mindfulness (Giroto-Guedes et al., 2023), evidenciando a necessidade de investigações mais consistentes. Os resultados obtidos, analisados à luz dos procedimentos metodológicos, indicam que a prática de mindfulness contribuiu para melhorias na regulação emocional, na atenção e no clima de sala de aula, configurando-se como uma estratégia pedagógica relevante, embora seus efeitos devam ser compreendidos de forma contextualizada e não determinista. A ampliação de pesquisas, especialmente na educação básica, e o aprofundamento teórico são fundamentais para consolidar o campo e orientar práticas pedagógicas.

Os resultados do estudo indicaram que a prática de mindfulness contribuiu positivamente para a redução do estresse, o aprimoramento da atenção e o desenvolvimento da regulação emocional dos alunos, refletindo em maior engajamento nas atividades escolares. Esses benefícios foram observados tanto em estudantes sem diagnóstico de necessidades educacionais específicas quanto naqueles com NEE, evidenciando o caráter inclusivo da prática. A inserção do mindfulness no contexto escolar configura-se como uma estratégia pedagógica relevante, capaz de promover melhorias no comportamento e na aprendizagem dos alunos, fortalecendo o equilíbrio emocional e as relações interpessoais no ambiente escolar.

4. Conclusão

A presente investigação buscou descrever a incorporação da prática de mindfulness nas rotinas pedagógicas de uma escola particular, identificando seu impacto na atenção, comportamento e engajamento de alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, além de analisar sua contribuição para o desenvolvimento de competências socioemocionais. Verificou-se que a aplicação sistemática da respiração consciente, especialmente antes de avaliações, favoreceu a redução da ansiedade e da agitação entre os estudantes. Observou-se um aumento na capacidade de autorregulação emocional, maior persistência nas tarefas e melhora na organização das produções acadêmicas, indicando um aprimoramento das funções executivas. O clima de sala de aula também se beneficiou, com a diminuição de comportamentos disruptivos. Esses efeitos foram notados tanto em alunos sem necessidades educacionais específicas quanto naqueles com Transtorno do Espectro Autista, sugerindo o potencial inclusivo da prática. A principal contribuição do estudo reside em demonstrar que a inserção do mindfulness no ambiente escolar constitui uma estratégia pedagógica relevante para o desenvolvimento de competências socioemocionais e para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Contudo, a pesquisa identificou limitações, como a impossibilidade de estabelecer uma relação de causalidade direta entre a prática de mindfulness e o desempenho acadêmico, dada a influência de múltiplos fatores. Além disso, a adesão à prática não foi homogênea entre todos os alunos e houve resistência significativa por parte de outros docentes em adotar a técnica, motivada pela falta de interesse, tempo e familiaridade. Diante desses desafios, sugere-se a necessidade de investimentos em formação continuada para professores, visando ampliar a compreensão e a aplicação do mindfulness no contexto educacional. Recomenda-se, ainda, a ampliação de pesquisas, especialmente na educação básica, e o aprofundamento teórico sobre os mecanismos de atuação do mindfulness, a fim de consolidar o campo e orientar práticas pedagógicas mais fundamentadas e eficazes. A instrumentalização de auxiliares que atuam com alunos com necessidades educacionais especiais, conforme realizado neste estudo, aponta um caminho promissor para a disseminação da prática.

Referências Bibliográficas

Associação Brasileira de Educação a Distância [ABED]. 2020. Durante a pandemia, 67% dos alunos têm dificuldade para organizar estudos online. Disponível em: https://educacao.uol.com.br. Acesso em: 30 out. 2020.

Base Nacional Comum Curricular [BNCC]. 2017. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação, Brasília, DF, Brasil.

Blanke, E.S.; Riediger, M.; Brose, A. 2020. Pathways to mindfulness: a longitudinal study on predictors and outcomes. Journal of Personality, Hoboken, v.88, n.1, p.123-138.

Braga, D.B. 2013. Ambientes digitais: reflexões teóricas e práticas. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Corrêa, R.P.; Stephens, P.S. 2022. The perceptions of Brazilian postgraduate students about the impact of COVID-19 on their well-being and academic performance. International Journal of Educational Research Open.

Franco, C.M.; Hargraves, A.W. 2020. Competências socioemocionais e educação: desafios e perspectivas para a formação integral do indivíduo. Revista Brasileira de Educação 25(68): 499-518.

Giroto-Guedes, V.; Ribeiro, N.; Mograbi, D. 2023. Mindfulness, meditação e regulação emocional: perspectivas e achados empíricos. Clínica & Cultura, v.9, n.1, p.94–111.

Instituto Ayrton Senna. 2022. Relatório de competências socioemocionais no contexto da pandemia.

Kabat-Zinn, J. 2003. Mindfulness-based interventions in context: past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice, Oxford, v.10, n.2, p.144–156.

Kabat-Zinn, J. 2017. Atenção plena para iniciantes. Sextante, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Libâneo, J.C.; Oliveira, J.F.; Toschi, M.S. 2008. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 2ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Magnago, W.; Baiôcco, L.V.; Rossim, E.C.; Ssoprani, L.C.P.; Gomes, G.S. 2025. Os desafios da educação pós-pandemia: desinteresse estudantil e caminhos para superação. Revista JRG de Estudos Acadêmicos 8(18). Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2048. Acesso em: 1 nov. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de setembro de 2026

A Neurociência e a Formação Docente no Atendimento a Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação

A formação docente no atendimento a alunos com altas habilidades e superdotação foi abordada, considerando as contribuições da Neurociência para a compreensão dos processos de aprendizagem. O estudo objetivou analisar o nível de preparo dos professores para reconhecer e atender às demandas específicas desse público, tanto no aspecto pedagógico quanto emocional. Realizou-se uma pesquisa descritiva e exploratória com 25 professores de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo, por meio de um questionário estruturado com questões objetivas e dissertativas. Os resultados indicaram que, apesar da experiência profissional da maioria dos participantes, existiram lacunas significativas na formação inicial e continuada, evidenciadas pela ausência de preparo técnico e prático. Observou-se que poucos professores participaram de formações específicas na área, o que gerou insegurança na prática docente e a interpretação inadequada de comportamentos dos alunos. Concluiu-se pela necessidade de ampliação da formação docente, com ênfase em conhecimentos da Neurociência, para promover práticas pedagógicas mais eficazes, inclusivas e alinhadas às potencialidades desses alunos, e pela importância do apoio institucional e da articulação do Atendimento Educacional Especializado.

Palavras-chave: Altas habilidades; Engajamento escolar; Inclusão; Neurociência; Práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de setembro de 2026

Os Mecanismos de Cognição Numérica e os Problemas Matemáticos no Ensino Fundamental Anos Finais

Investigou-se a relação entre os mecanismos de cognição numérica e a resolução de problemas matemáticos nos anos finais do Ensino Fundamental, à luz do conceito de letramento matemático. Partiu-se da hipótese de uma relação bidirecional, na qual o desenvolvimento da cognição numérica influencia o desempenho em problemas matemáticos, ao mesmo tempo em que determinadas características dessas tarefas podem favorecer o fortalecimento desses mecanismos. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter aplicado, combinando revisão teórica da literatura em neurociência cognitiva com análise documental de livros didáticos utilizados em redes pública e privada. Foi elaborada uma matriz analítica composta por seis dimensões, contemplando aspectos cognitivos, semióticos e pedagógicos das tarefas. A análise de 123 questões evidenciou predominância de atividades centradas na manipulação simbólica e em níveis intermediários de exigência cognitiva, com baixa incidência de tarefas que mobilizam estimativa, aproximação ou múltiplas representações. Observou-se, ainda, uma redução significativa da mobilização de aspectos da cognição numérica em conteúdos algébricos. Os resultados indicaram uma possível desconexão entre o desenvolvimento da cognição numérica e as práticas didáticas analisadas, sugerindo a necessidade de maior integração entre construção de significados, diversidade de representações e exploração de magnitude. Concluiu-se que problemas matemáticos podem atuar como instrumentos de desenvolvimento cognitivo, desde que estruturados de modo a mobilizar diferentes dimensões do pensamento numérico.

Palavras-chave: Cognição numérica; Letramento matemático; Livros didáticos; Matemática.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Sequência Didática: Multiletramentos em Língua Inglesa nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Analisou-se uma sequência didática que integrou multiletramentos e o estímulo das funções executivas como estratégias para a produção de trabalhos em grupo na disciplina de Língua Inglesa, aplicada no 5º ano do Ensino Fundamental. O objetivo foi apresentar uma sequência didática pautada nos multiletramentos em língua inglesa para o 5º ano do Ensino Fundamental, visando o desenvolvimento integrado das funções executivas por meio do contato com diversos gêneros do discurso. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e aplicada, utilizando observação participante e análise das produções finais dos estudantes, que consistiram na criação colaborativa de blogs e vídeos sobre parques temáticos de Orlando. Os resultados indicaram que a abordagem dos multiletramentos favoreceu significativamente o engajamento, a autonomia e a mobilização de habilidades cognitivas essenciais, como planejamento, organização, flexibilidade cognitiva e memória de trabalho. Observou-se que o uso da língua inglesa ocorreu de forma parcial durante as interações em grupo, com o apoio estratégico da língua materna para a negociação de sentidos e a resolução de tarefas complexas. Concluiu-se que a articulação do ensino de um idioma estrangeiro às práticas multimodais e ao estímulo intencional das funções executivas proporciona uma formação mais integral e significativa. Essa dinâmica impulsiona o desenvolvimento linguístico, social e cognitivo dos alunos, preparando-os para interagir de forma autônoma, responsável e crítica frente às exigências sociais e tecnológicas contemporâneas.

Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa; Ensino de idiomas; Funções executivas; Tecnologias digitais; Translinguagem.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

20 de agosto de 2026

Bases Neurocientíficas do Desenvolvimento Socioemocional na Primeira Infância

Um estudo investigou o desenvolvimento socioemocional na primeira infância (0 a 3 anos) à luz das bases neurocientíficas do desenvolvimento infantil. O objetivo foi analisar as práticas parentais, as interações afetivas e os estímulos socioemocionais no cotidiano familiar, com foco nas bases neurocientíficas que sustentam o papel das interações responsivas na organização dos circuitos neurais envolvidos na regulação emocional, atenção e formação de vínculos. A pesquisa adotou uma abordagem mista, coletando dados de 14 pais ou cuidadores por meio de questionário online anônimo e entrevistas. Os resultados indicaram uma elevada frequência de práticas responsivas, como contato físico afetuoso, nomeação de emoções e presença do adulto em situações de estresse emocional da criança. Observou-se que práticas associadas à previsibilidade, à co-regulação e à disponibilidade emocional do cuidador estavam relacionadas a uma maior busca da criança pelo adulto em momentos de frustração e a uma maior facilidade para se acalmar com orientação verbal e presença afetiva. As respostas qualitativas também apontaram desafios recorrentes, como a autorregulação emocional do adulto, o uso de telas e a conciliação entre demandas da vida cotidiana e a disponibilidade emocional. Os achados foram consistentes com a literatura neurocientífica, que enfatiza o papel das interações responsivas na organização dos circuitos neurais envolvidos na regulação emocional, atenção e formação de vínculos, contribuindo para a compreensão do desenvolvimento socioemocional na primeira infância.

Palavras-chave: Autorregulação emocional; Co-regulação; Interação adulto-criança; Práticas parentais; Vínculo afetivo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

20 de agosto de 2026

A Construção de Práticas Pedagógicas na Perspectiva Pós- Crítica Identitária: Contribuições Curriculares

As práticas educacionais, documentadas nos Projetos Político-Pedagógicos (PPP), refletem concepções curriculares e orientam ações pedagógicas na formação de sujeitos em uma sociedade contemporânea. Currículos de abordagem pós-crítica e identitária promovem práticas que articulam reflexão, cognição e vivência, valorizando a integração interdisciplinar, inclusiva e contextualizada, alinhadas a estudos da neurociência sobre flexibilidade cognitiva e articulação de conhecimentos. O estudo objetivou elaborar um roteiro de sugestões para subsidiar gestores e professores no desenvolvimento de práticas pautadas na interdisciplinaridade, transversalidade, identidade e multiculturalismo. A pesquisa utilizou análise documental qualitativa de quatro PPPs de domínio público do município de Campinas, São Paulo, nos quais se analisaram aspectos como identidade local, práticas interdisciplinares e relações poder/saber. Os resultados revelaram como as escolas estruturam seus currículos, identificando práticas alinhadas às teorias pós-críticas, mas também suas limitações, superficialidades e recursos pedagógicos. Observou-se a necessidade de maior articulação entre teoria e prática e de sistematizações mais consistentes das ações pedagógicas. Concluiu-se que a sistematização de ações pedagógicas intencionais, baseada nas potencialidades e fragilidades identificadas, pode subsidiar a atuação de gestores e professores frente aos desafios da educação contemporânea.

Palavras-chave: Identidade; Projeto Político Pedagógico; Roteiro de ações; Sistematização; Teoria do currículo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

19 de agosto de 2026

A Aplicação do Método Fônico na Alfabetização: Impactos no Desenvolvimento das Habilidades Leitora e Escritora

A alfabetização representa uma etapa crucial no desenvolvimento educacional, impactando diretamente a trajetória escolar e a superação do fracasso escolar no Brasil. Este estudo teve como objetivo analisar comparativamente a eficácia dos métodos fônico e global na aprendizagem de crianças do 1º ano do Ensino Fundamental. Para tanto, adotou-se uma abordagem comparativa e descritiva, avaliando o desempenho de estudantes de duas turmas distintas, uma exposta ao método fônico e outra ao método global, ao longo do ano letivo. A coleta de dados envolveu sondagens diagnósticas e análise documental, focando no desenvolvimento das habilidades iniciais de leitura e escrita e na apropriação do princípio alfabético. Os resultados indicaram que os estudantes que receberam instrução pelo método fônico demonstraram desempenho superior na consolidação das habilidades de leitura e escrita. Eles evidenciaram maior domínio das relações grafema-fonema e maior consistência no processo de aprendizagem em comparação com aqueles expostos ao método global. Concluiu-se que o método fônico se mostrou uma abordagem mais eficaz para a alfabetização inicial, contribuindo significativamente para o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras dos alunos.

Palavras-chave: Consciência fonológica; Decodificação; Fracasso escolar; Instrução explícita; Princípio alfabético.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

19 de agosto de 2026

Desempenho Escolar Durante o Atraso de Fase da Adolescência

Considerando a mudança no padrão de sono dos adolescentes, conhecido como atraso de fase, e a relevância do descanso adequado para a memória e aprendizagem, este trabalho investigou a relação entre os horários escolares e o desempenho acadêmico. O objetivo foi analisar se o horário das aulas e das avaliações influenciava as notas de estudantes do Ensino Médio em diferentes áreas do conhecimento. Utilizaram-se dados anonimizados de 384 alunos de uma escola particular de São Paulo, referentes aos anos de 2022 a 2024. As 20 disciplinas cursadas foram agrupadas em quatro áreas: Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e Ciências Naturais. As análises incluíram estatísticas descritivas e testes inferenciais para identificar a significância das comparações. Os resultados indicaram que o horário das aulas influenciou significativamente o desempenho, com melhores notas associadas aos primeiros horários do dia em todas as áreas. O horário das provas também influenciou o desempenho de forma significativa, porém com padrões distintos: Ciências Humanas, Linguagens e Matemática apresentaram melhor desempenho em horários mais tardios, enquanto Ciências da Natureza obteve melhores notas em horários mais cedo. Concluiu-se que a variação do desempenho acadêmico pode estar associada às demandas cognitivas específicas de cada atividade e área do conhecimento. O impacto do horário não foi uniforme, sugerindo que aspectos biológicos, cognitivos e contextuais devem ser considerados na organização escolar para otimizar a aprendizagem dos estudantes.

Palavras-chave: Aprendizagem; Cronobiologia; Desempenho acadêmico; Estudantes; Sono.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade