Resumo Executivo

24 de abril de 2026

Viabilidade do reparo na China versus substituição de equipamentos

Filipe Fernandes de Barros; Fernanda Lopes Johnston

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A indústria de telecomunicações da China, que em períodos anteriores era percebida com certo distanciamento tecnológico em relação aos líderes globais, demonstrou uma recuperação e ascensão notáveis nas últimas décadas. O país consolidou-se como um polo de inovação e aceitação nesse setor, com organizações de grande porte desempenhando um papel crucial nesse avanço sistêmico. A ZTE, especificamente, tem se esforçado para manter uma posição de destaque no mercado global, apresentando um crescimento acelerado e significativo que reflete a robustez do modelo de negócio chinês (Kang, 2015). Esse modelo é frequentemente descrito como estatal e gerido de forma privada, o que permite à empresa focar em melhorias contínuas tanto em processos operacionais quanto na qualidade final dos produtos, visando passos cada vez mais largos na economia global (Harwit, 2007). No cenário brasileiro, especificamente na operação situada no interior de São Paulo, surge a necessidade crítica de avaliar a viabilidade de custos em dois cenários logísticos distintos para a gestão de ativos defeituosos: o envio de equipamentos para reparo na sede da empresa na China, envolvendo processos complexos de exportação e reimportação, ou a realização do descarte local com a subsequente importação de itens novos. Uma análise sistemática de custos não visa apenas a redução de despesas imediatas, mas também a melhoria da qualidade e a redução do tempo total do processo, fatores fundamentais para a manutenção da competitividade (Rowe, 2009). O contexto atual de 2024 e 2025 revela que a prática padrão tem sido o envio desses materiais ao exterior para tentativa de conserto, porém, essa estratégia exige um contraponto analítico que considere as taxas de sucesso de reparo, os custos alfandegários envolvidos e o tempo de inatividade dos ativos. A compreensão da maneira mais vantajosa de realizar trocas em garantia para clientes com contratos firmados é essencial para a saúde financeira da organização. A alta competitividade no mercado de telecomunicações exige que as empresas aprimorem constantemente o processo de manutenção, buscando reduzir o tempo de ciclo e melhorar a qualidade do equipamento retornado ao cliente final. O método mais ágil de entrega, aliado à qualidade percebida, constitui um dos critérios mais importantes de decisão para os clientes, impactando diretamente o sucesso institucional (Marcorin e Lima, 2025). Sob a influência desses fatores, torna-se imperativo que os fornecedores implementem processos contínuos de atendimento, com enfoque especial na redução dos prazos de entrega de mercadorias (Guzenko, 2022). A substituição de equipamentos está no cerne das decisões estratégicas e das resoluções obrigatórias ao longo da vida das empresas, pois a compra de novos ativos envolve custos elevados que afetam a competitividade setorial (Panegossi e Silva, 2019). Portanto, o objetivo central desta análise consiste em avaliar a viabilidade logística e financeira da estratégia de envio de equipamentos danificados, como baterias de lítio, placas de rede, unidades de ventilação e servidores, para reparo na sede asiática em comparação ao descarte e reposição integral.

A abordagem metodológica adotada para esta investigação fundamenta-se no estudo de caso, o que permite uma análise detalhada e contextualizada de uma situação específica dentro da operação da ZTE Brasil. O foco reside na comparação entre a exportação para reparo na China e o descarte local com importação de novos itens, possibilitando uma investigação aprofundada de variáveis como transporte internacional, taxas alfandegárias, tempos operacionais e custos de substituição. O escopo da análise abrange quatro categorias principais de equipamentos retornados por clientes conforme contratos vigentes: placas de linha (Board – 16 Ports Line Card OLT), unidades de ventilação (Fanbox – C600 19 Inches), baterias de íon-lítio (FB100C2) e servidores (Server 6120H-S). A coleta de dados foi realizada entre janeiro de 2024 e junho de 2025, contando com o suporte direto dos departamentos de Logística, Comércio Exterior, Finanças e Compliance. O processo de levantamento de informações foi conduzido de forma abrangente, acessando sistemas corporativos e registros históricos para garantir a precisão dos resultados. Não foram aplicados questionários ou entrevistas com colaboradores, priorizando-se os dados contábeis e financeiros reais. Entre as informações essenciais coletadas, destacam-se os custos de aquisição de equipamentos novos, que representam o valor de compra dos substitutos, e o detalhamento das despesas de importação, incluindo o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de taxas portuárias e aeroportuárias. O frete internacional aéreo foi considerado tanto para a exportação quanto para a importação. Os custos de descarte ambientalmente adequado no Brasil também foram integrados, englobando taxas de licenciamento ambiental e transporte para empresas especializadas em resíduos eletrônicos. Um dado relevante inserido na análise foi o valor de reembolso ou crédito por sucata, obtido por meio da reciclagem dos itens descartados, o que atua como um redutor do custo total na alternativa de substituição. No que tange ao processo de reparo na China, foram levantados os custos de mão de obra especializada, uso de bancadas de teste e peças de reposição. A taxa de sucesso de reparo, definida como o percentual de equipamentos que efetivamente retornam à operação após a intervenção na matriz, foi um fator determinante, pois índices baixos podem invalidar a estratégia de manutenção internacional. O tempo médio de reparo e transporte foi mensurado desde a abertura do ticket de reparo e triagem no armazém de Hortolândia, em São Paulo, até a reativação do item no Brasil. Para a alternativa de descarte, o tempo considerado foi apenas o de importação do novo equipamento, visto que a entrega ao cliente pode ocorrer imediatamente após o desembaraço aduaneiro. A validação dos dados pelo departamento de Compliance assegurou que todas as etapas estivessem em conformidade com as diretrizes corporativas e as normas de segurança da informação.

Os resultados obtidos para a placa de linha (Board – 16 Ports Line Card OLT) revelam nuances importantes na gestão de ativos de alto valor unitário. Para um lote de 50 unidades, com peso individual de 1,5 kg, a alternativa de reparo na China apresentou um custo total de 65.254,52 reais. Esse valor engloba 4.500 reais para a exportação do material, 15.000 reais relativos ao serviço de reparo na matriz e 55.289,93 reais para a aquisição de novos itens destinados a substituir as peças que não puderam ser consertadas, considerando uma taxa de sucesso de reparo de apenas 16%. Adicionalmente, os custos de importação para todo o lote somaram 1.500 reais. Em contrapartida, a estratégia de descarte local e importação de 50 unidades novas resultou em um custo final de 73.221,35 reais, já subtraindo o reembolso de 600 reais obtido pelo descarte do material e incluindo 8.000 reais de custos de importação e 65.821,35 reais em valor de compra. Financeiramente, a opção pelo reparo na China gerou uma economia de 7.966,83 reais. Entretanto, a análise de tempo mostra uma disparidade crítica: enquanto o processo de reparo e retorno levou 112 dias, a importação direta de novos itens foi concluída em apenas 22 dias. Essa diferença de 90 dias de inatividade do equipamento deve ser ponderada em relação à economia financeira, especialmente em setores onde a disponibilidade de rede é vital. A análise de custos diretos e indiretos é fundamental para determinar a viabilidade da manutenção (Luciano, 2022). No caso das placas, o alto valor de aquisição justifica a tentativa de reparo, mesmo com uma taxa de sucesso moderada, desde que o estoque de segurança suporte o tempo de trânsito internacional.

Para as unidades de ventilação (Fanbox – C600 19 Inches), os dados financeiros indicam uma inversão na vantagem estratégica. Analisando um lote de 50 unidades com peso de 5 kg cada, o custo total para o reparo na China foi de 74.387,86 reais. Esse montante foi composto por 15.000 reais de exportação, 17.500 reais de custo de reparo e 49.450,48 reais para a compra de novos itens para suprir a taxa de insucesso, que permitiu o conserto de apenas 10 unidades do lote original. O valor salvo no reparo foi de 12.362,62 reais, mas os custos logísticos e de reposição elevaram o gasto final. Já a alternativa de descarte e importação de novos equipamentos apresentou um custo significativamente menor, totalizando 62.563,10 reais. Nessa opção, o valor de aquisição das 50 unidades novas foi de 61.813,10 reais, com custos de importação de 1.000 reais e um crédito de descarte de 250 reais. A economia gerada pela substituição integral foi de 11.824,76 reais. Além da vantagem financeira, o tempo de processo para a importação de novos itens foi de apenas 22 dias, contra 107 dias exigidos pela logística de reparo internacional. A agilidade na reposição de componentes de infraestrutura básica, como as unidades de ventilação, é essencial para evitar o superaquecimento de sistemas críticos e garantir a continuidade do serviço. A decisão por descartar e importar novos itens mostra-se, portanto, a mais racional tanto sob a ótica financeira quanto operacional para este tipo de equipamento.

A análise das baterias de íon-lítio (FB100C2) apresentou a maior disparidade entre as duas estratégias estudadas, evidenciando limitações técnicas e logísticas severas. Para um lote de 50 baterias, pesando 40 kg cada, o custo de exportação para a China atingiu 120.000 reais, devido ao peso elevado e às exigências de transporte de materiais perigosos. O serviço de reparo foi orçado em 20.000 reais, porém a taxa de sucesso foi extremamente baixa, de apenas 5%, resultando em apenas 2,5 unidades recuperadas em média. Isso obrigou a empresa a gastar 127.101,45 reais na compra de novos itens para cumprir as obrigações contratuais, além de 80.000 reais em custos de importação. O valor final gasto na alternativa de reparo foi de 336.421,90 reais. Em oposição, a estratégia de descarte local e importação de baterias novas totalizou 133.791,00 reais, considerando 133.791,00 reais em aquisição, 4.200 reais em importação e um reembolso de 4.200 reais pelo descarte correto do chumbo e lítio. A diferença financeira a favor do descarte e importação nova foi de 202.630,90 reais. O tempo de processo também favoreceu a substituição, com 22 dias contra 107 dias do ciclo de reparo. A baixa taxa de sucesso de reparo para baterias indica que, uma vez atingido o fim da vida útil ou apresentando defeito, a recuperação química e física desses componentes na matriz não é viável. A gestão de ativos em telecomunicações deve considerar esses indicadores de manutenção para evitar desperdícios em processos ineficientes (Oliveira e Viana, 2024).

No caso dos servidores (Server 6120H-S), os resultados financeiros foram os mais equilibrados entre as duas opções, exigindo uma análise baseada primordialmente na eficiência temporal. Para um lote de 30 unidades, com peso de 7 kg cada, o custo de reparo na China foi de 203.848,29 reais. Esse valor incluiu 12.600 reais de exportação, 30.000 reais de reparo e 177.410,19 reais para a compra de novos servidores para substituir os itens não reparados, visto que a taxa de sucesso foi de 12%. O custo de importação foi de 8.400 reais e o valor salvo no reparo foi de 24.192,30 reais. Por outro lado, a alternativa de descarte e importação de novos servidores totalizou 203.582,49 reais, composta por 201.602,49 reais em aquisição, 2.400 reais em importação e um crédito de descarte de 420 reais. A diferença financeira foi de apenas 265,80 reais a favor da substituição por itens novos. No entanto, o fator tempo foi novamente decisivo: 22 dias para a importação de novos equipamentos contra 108 dias para o ciclo de reparo internacional. Dada a paridade de custos, a escolha pela importação de equipamentos novos é a recomendação lógica, pois garante ao cliente um hardware sem uso prévio e reduz drasticamente o tempo de indisponibilidade do servidor na rede. A análise sistemática de custos e tempos de processo fornece uma base quantitativa robusta para a tomada de decisão estratégica, permitindo que a empresa otimize seus processos logísticos e de gestão de ativos (Branco, 2021). Ao identificar a alternativa mais vantajosa para cada tipo de equipamento, garante-se não apenas a redução de despesas operacionais, mas também um impacto positivo na satisfação do cliente, reforçando a qualidade percebida dos serviços prestados. A gestão eficiente de ativos é fundamental em mercados competitivos, onde a melhoria da qualidade do processo reflete diretamente na imagem institucional (Pereira, 2016). A observação de oportunidades futuras para ampliação deste modelo de análise para outros componentes, como unidades de estado sólido e modems, indica que o padrão de avaliação financeira e logística pode ser replicado para todo o portfólio de produtos da organização, consolidando uma cultura de eficiência e conformidade.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a comparação financeira e logística entre as estratégias de reparo internacional e substituição local permitiu identificar a conduta mais eficiente para cada categoria de equipamento na ZTE Brasil. A análise demonstrou que a exportação para reparo na China é financeiramente vantajosa apenas para as placas de linha, devido ao seu alto valor agregado e à economia de 7.966,83 reais, apesar do longo tempo de espera de 112 dias. Para todos os demais itens analisados, a estratégia de descarte local seguida da importação de equipamentos novos mostrou-se superior. No caso das unidades de ventilação, a economia foi de 11.824,76 reais; para os servidores, embora a diferença financeira tenha sido marginal, de 265,80 reais, a redução do tempo de processo de 108 para 22 dias justificou a substituição. O caso mais emblemático foi o das baterias, onde a baixa taxa de sucesso de reparo e os altos custos de transporte resultaram em um prejuízo potencial de 202.630,90 reais caso a empresa optasse pelo conserto na matriz. Portanto, a substituição por itens novos não apenas otimiza os recursos financeiros e reduz o tempo de inatividade dos ativos em 80%, como também melhora a qualidade percebida pelo cliente ao entregar um produto novo em vez de um reparado.

Referências Bibliográficas:

BRANCO, T. P. (2021). Análise e mitigação do risco associado às infraestruturas de telecomunicações críticas de suporte à rede nacional de distribuição de eletricidade. Instituto Politécnico de Coimbra.

Guzenko, A., & Guzenko, N. (2022). Process optimization for last mile logistics. Transportation Research Procedia, 64, 172-179. Recuperado de https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352146522004392

Harwit, E. (2007). Building China’s telecommunication network: Industrial policy and the role of Chinese state-owned, foreign, and private domestic enterprises. Cambridge University Press.

Kang, B. (2015). The innovation process of Huawei and ZTE: Patent data analysis. China Economic Review, 36, 378–393. https://doi.org/10.1016/j.chieco.2015.09.004

Luciano, B. (2022). O que é custo direto, indireto e induzido para calcular custos de manutenção?. Abecom.

Marcorin, W. R.; Lima, C. R. C. (2025). Análise dos custos de manutenção e de não-manutenção de equipamentos produtivos. Universidade Metodista de Piracicaba.

Oliveira, J. A.; Viana, H. R. G. (2024). Indicadores de manutenção: uma investigação na literature. Revista Foco.

Panegossi, A. C. G.; Silva, E. C. C. (2019). Substituição de Equipamentos: estudo de caso em uma indústria do setor metal mecânico do interior do Estado de São Paulo. IX Congresso Brasileiro de Engenharia de Produção.

Pereira, L. M. P. (2016). Gestão de ativos: Estudo de Caso em Empresa de Telecomunicações. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Rowe, W. B. (2009). Principles of modern grinding technology. Elsevier Inc.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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