Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Práticas Inclusivas da Avaliação para Alunos com Tea na Educação Básica: um Estudo do Conhecimento

Marina de Freitas Fortes; Adriessa Santos

DOI: 10.22167/2675-6528-202602277

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A avaliação educacional é um pilar fundamental para superar defasagens e promover a aprendizagem, reconhecida por diretrizes nacionais e internacionais, sendo crucial para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este estudo objetivou mapear a produção científica nacional sobre práticas inclusivas de avaliação para alunos com TEA na Educação Básica, visando subsidiar a elaboração de Planos Educacionais Individualizados. Realizou-se uma pesquisa quali-quantitativa, de caráter exploratório, por meio de revisão sistemática de literatura. A busca concentrou-se em teses e dissertações publicadas nos últimos cinco anos (a partir de 2025) na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), utilizando descritores como “transtorno do espectro autista” e “avaliação educacional”, “avaliação contínua” ou “avaliação das aprendizagens”. Os resultados indicaram que a produção científica não acompanhou o aumento de matrículas de estudantes com TEA, e não se observou correlação entre o volume de matrículas e a produção acadêmica por região. Identificaram-se lacunas na pesquisa sobre o Ensino Médio e componentes curriculares além de Língua Portuguesa e Matemática. As pesquisas analisadas enfatizaram a importância de considerar aspectos sociais e emocionais, além dos cognitivos, no processo avaliativo. O estudo forneceu indícios para futuras investigações, visando aprimorar as respostas às necessidades de estudantes com TEA em avaliações.

Palavras-chave: Avaliação educacional; Educação básica; Estratégias avaliativas; Inclusão; Transtorno do espectro autista.

1. Introdução

A avaliação educacional é um pilar fundamental para a superação de defasagens de aprendizagem, sendo reconhecida por importantes diretrizes nacionais e internacionais. Iniciativas como o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, do Ministério da Educação (MEC, 2024), e o Quadro RAPID (Framework for Learning Recovery and Acceleration), proposto pela Unesco, Unicef e Banco Mundial (Sanchéz, 2023), enfatizam a centralidade da avaliação. Neste contexto, a avaliação é compreendida em sua função diagnóstica, visando identificar lacunas e subsidiar intervenções pedagógicas, e não meramente classificatória (Luckesi, 2011).

No Brasil, o direito à educação é assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996, que estabelece a verificação do rendimento escolar de forma contínua e cumulativa, com predomínio dos aspectos qualitativos (Brasil, 1996). Para estudantes da Educação Especial, a LDB prevê currículos, métodos, técnicas, recursos e organizações específicas. Adicionalmente, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e a LDB amparam o desenvolvimento do Plano Educacional Individualizado (PEI), uma ferramenta essencial para garantir equidade e promover o desenvolvimento e a aprendizagem de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências, considerando suas necessidades individuais.

Apesar do arcabouço legal, a implementação de práticas avaliativas inclusivas para estudantes com TEA na Educação Básica enfrenta desafios significativos. Dados do Censo Escolar 2024 (INEP, 2024) revelam um aumento expressivo no número de matrículas de alunos com TEA, passando de 636.202 em 2023 para 1.918.877 em 2024, representando um crescimento de 44%. Este contingente de estudantes com TEA corresponde a quatro por cento do total de matrículas na educação brasileira e noventa e um por cento das matrículas na Educação Especial.

Contudo, não existe no Brasil uma normativa clara que indique como esses estudantes devem ser avaliados, e as adaptações presentes em sistemas como o Saeb não têm como objetivo principal a inclusão de alunos com TEA. A ausência de diretrizes claras para a elaboração de PEIs resulta em uma construção heterogênea, com disparidades na qualidade e efetividade dos planos. Essa lacuna normativa dificulta a identificação precisa das defasagens educacionais, podendo levar a diagnósticos imprecisos, repetência e evasão escolar, inviabilizando a democratização do ensino (Luckesi, 2011).

A produção acadêmica nacional sobre o tema também apresenta lacunas notáveis. Observa-se uma desproporção entre o aumento das matrículas de estudantes com TEA e a produção científica que aborda suas práticas avaliativas. Há uma carência de estudos focados no Ensino Médio, uma etapa crucial da trajetória escolar onde as taxas de reprovação e abandono para estudantes da Educação Especial são preocupantes, e onde a distorção idade-série atinge 34,5% para alunos com deficiência (INEP, 2024). Além disso, a maioria das pesquisas se concentra em Língua Portuguesa e Matemática, negligenciando outros componentes curriculares previstos pela Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018).

Considerando a importância da avaliação para a recomposição das aprendizagens e a democratização do ensino, e a necessidade de desenvolver práticas que promovam a autopercepção de capacidade e altas expectativas para todos os estudantes (Brookhart, 2017; OCDE, 2016), este estudo se justifica pela urgência em preencher essas lacunas de conhecimento. Este estudo objetiva levantar publicações científicas nacionais que apoiem um processo de avaliação contínua para estudantes com Transtorno do Espectro Autista, analisando essas produções para identificar tendências, lacunas e implicações para as práticas avaliativas e a construção de Planos Educacionais Individualizados.

2. Material e Métodos

Esta pesquisa teve cunho exploratório, quali-quantitativo, e foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica e revisão sistemática de literatura em banco de dados acadêmicos. A pesquisa bibliográfica foi escolhida por permitir uma análise ampla do panorama nacional da produção científica (Gil, 2002), buscando identificar padrões, tendências e lacunas sobre práticas inclusivas de avaliação para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Básica.

O levantamento bibliográfico utilizou a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), mantida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciências e Tecnologia (IBICT), devido à sua abrangência e confiabilidade na integração de pesquisas de mestrado e doutorado brasileiras. Outros repositórios, como SciELO e Portal de Periódicos da CAPES, foram excluídos para evitar sobreposição de fontes, priorizando documentos de pesquisa mais robustos (teses e dissertações) e evitando duplicidade.

Para priorizar pesquisas atualizadas, o recorte temporal definido foi dos últimos 5 anos, a contar de 2025. Os descritores utilizados na busca foram: “transtorno do espectro autista” e “avaliação educacional”, “transtorno do espectro autista” e “avaliação contínua” ou “transtorno do espectro autista” e “avaliação das aprendizagens”.

A busca inicial resultou em 94 documentos para a combinação “Transtorno do espectro autista” e “Avaliação educacional”, 87 para “Transtorno do espectro autista” e “Avaliação contínua” e 8 para “Transtorno do espectro autista” e “Avaliação das aprendizagens”. Foram eliminadas 43 pesquisas produzidas antes de 2020 e, em seguida, as sobreposições, restando 114 produções.

Durante o processo de filtragem, a leitura dos resumos das teses e dissertações selecionadas permitiu a identificação dos assuntos centrais de cada pesquisa, descritos por tags como “Avaliação”, “Formação docente”, “Políticas Públicas Inclusivas” e “PEIs”. Foram considerados pertinentes para a segunda etapa de filtragem as pesquisas cujas tags fossem “Avaliação”, “Formação docente”, “Políticas Públicas Inclusivas”, “PEIs” e “Outros”, e foram excetuados aqueles que abordassem exclusivamente aspectos da área da saúde ou questões associadas ao diagnóstico do transtorno, eliminando-se 79 pesquisas. Uma segunda leitura, focada na introdução e em aspectos específicos das 35 teses e dissertações restantes, eliminou mais 20 documentos, dos quais 8 eram por indisponibilidade de arquivos para consulta. O corpus final de análise foi composto por 15 trabalhos.

A análise do corpus buscou identificar tendências e mapeá-las, realizando cruzamentos de dados como tipo e período de produção da pesquisa, número de matrículas de estudantes com TEA na Educação Básica e na mesma região, tipo de estratégia de adaptação adotada, recorte de aplicação e efetividade da estratégia.

Os procedimentos metodológicos para levantamento do corpus são sintetizados na Tabela 1.

Tabela 1. Procedimentos metodológicos para levantamento do corpus

EtapaMovimentoProcedimento
Etapa ILevantamento dos trabalhos publicados no BDTD nos últimos 5 anosBusca por descritores; leitura de título e palavras-chave
Etapa IIPré-análise do corpus, para verificar pertinência em relação à hipótese de leituraLeitura dos resumos de dissertações e teses
Etapa IIISegunda etapa de pré- análise do corpus, mais aprofundada, para desambiguar questões sobre a pertinência em relação à hipótese de leituraLeitura da introdução e de capítulos específicos das teses e dissertações
Etapa IVAnálise das dissertações e teses selecionados; tabulação dos dados; busca por tendênciasLeitura completa do corpus e identificação de tendências, mapeadas em gráficos
Etapa VAnálise detalhada e resultadosLeitura completa do corpus, conclusão e escrita do artigo

Fonte: Dados originais da pesquisa

A limitação do projeto a um único banco de dados e ao recorte temporal de cinco anos constituiu-se como uma limitação metodológica, que propiciou um número reduzido de estudos analisados.

3. Resultados e Discussão

As etapas iniciais de busca e filtragem de teses e dissertações na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) indicaram que 30% das pesquisas eram potencialmente pertinentes à avaliação escolar, mas apenas 6% a abordavam como tema primordial. Esse achado contraria a expectativa de uma ampla discussão sobre a avaliação, dada sua relevância nacional e internacional para a superação de defasagens educacionais.

Entre as produções eliminadas, observou-se a prevalência de estudos focados em práticas de sala de aula ou ensino específico (23%), saúde (8%) e aspectos diagnósticos do transtorno (7%). Temáticas menos recorrentes incluíram Educação Superior, gestão escolar, relação familiar, plataformas educacionais e aspectos socioemocionais. A segunda etapa de filtragem revelou que, dos 27 trabalhos que abordavam formação docente, políticas públicas, Planos Educacionais Individualizados (PEIs) e temas inconclusivos, apenas nove tratavam a avaliação escolar de forma satisfatória.

A busca pelo termo “avaliação”, excluindo seu sentido médico, mostrou que apenas 21% dos trabalhos se referiam à avaliação escolar. Isso sugere um descompasso entre a produção acadêmica e a importância atribuída à avaliação por políticas públicas e pelo mercado educacional. A menor atenção à temática pode ser explicada pela combinação do conceito de avaliação com o foco em estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), indicando a carência de direcionamentos específicos para a avaliação desse público. A limitação da base de pesquisa ao BDTD, embora justificada para este estudo, também pode ter influenciado a abrangência dos resultados.

O corpus final analisado foi composto por 15 trabalhos. A tabulação dos dados revelou uma prevalência de produções de mestrado (80%) em comparação com o doutorado (20%). As três teses de doutorado foram defendidas em 2022, 2023 e 2025, enquanto as dissertações se distribuíram em 2020 (1), 2021 (1), 2023 (4), 2024 (4) e 2025 (2).

Ao analisar a associação entre a produção científica na Educação Superior e o número de matrículas de alunos com TEA na Educação Básica, observou-se que o aumento no número de matrículas de estudantes de Educação Especial, levantado de 2016 a 2024, não se refletiu de forma proporcional na produção acadêmica. Entre 2020 e 2021, o aumento de matrículas foi de 3,21%, o menor percentual. Contudo, entre 2021 e 2022, houve um aumento significativo de 13,09%, o maior até então. A queda na produção de dissertações em 2025, apesar do crescimento contínuo de matrículas a partir de 2022, enfraquece a hipótese de associação direta, sugerindo que o público produtor de pesquisas pode não ser o mesmo público docente impactado pelo ingresso desses estudantes.

A Tabela 2 apresenta a organização das pesquisas por ano, título, tipo, autor e instituição, detalhando o corpus analisado.

Tabela 2. Organização das pesquisas por ano, título, tipo, autor e instituição

AnoTítuloTipoAutoresInstituições
2023Roteiro de avaliação pedagógica para escolares com Transtorno do Espectro AutistaDissertaçãoSilva, Michele Joia daUniversidade Federal Fluminense (UFF)
2024O feedback da avaliação no processo de inclusão, ensino e aprendizagem da matemática de estudantes com transtorno do espectro autistaDissertaçãoCruz, Francerly Cardoso daUniversidade de Brasília (UnB)
2025Programa de formação continuada para o atendimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista em aulas de Educação FísicaDissertaçãoGiovanella, Adriana HisterUniversidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)
2022Estudantes com Transtorno do Espectro Autista no contexto da rede estadual de ensino do ParanáTeseSantos, Shirley Aparecida dosUniversidade Federal do Paraná (UFPR)
2020Transtorno do Espectro Autista: Atuação do Professor de Apoio Pedagógico no Ensino FundamentalDissertaçãoPrause, Vanessa FernandezUniversidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)
2024Importância da formação continuada e educação inclusiva: uma abordagem teórico-prática do processo educacional em Monteiro/PBDissertaçãoBezerra, Elijane da RochaUniversidade Estadual da Paraíba (UEPB)
2023Avaliação da aprendizagem e a inclusão escolar de alunos com transtorno do espectro autista (TEA): as percepções, a prática pedagógica e as barreiras encontradas pelos professores de Ciências.DissertaçãoBregue, Sthefani BorgesUniversidade Federal de Pelotas (UFPEL)
2025Políticas públicas e educação inclusiva em Fortaleza: uma avaliação sobre a formação docente e as práticas pedagógicas adotadas com crianças autistasDissertaçãoGirão, Suelen AguiarUniversidade Federal do Ceará (UFC)
2023Alunos com Transtorno do Espectro Autista: procedimentos pedagógicos e metodológicosDissertaçãoCastro, Felipe CarvalhoCentro Universitário Univates (UNIVATES)
2025Análise de planos de desenvolvimento individualizados para alunos com transtorno do espectro autistaTeseMello, Graziele Perpétua FernandesUniversidade Estadual Paulista (UNESP)
2023Plano Educacional Individualizado e tecnologia: contribuições na práxis educacional para a inclusão de alunos com autismoTeseCosta, Daniel da SilvaUniversidade Federal de Pelotas (UFPEL)
2023Protocolo de Avaliação sócio-Acadêmica para Atendimento Escolar de Alunos Autistas em Sala de Aula: avaliando aspectos comportamentais, cognitivo-verbais e adaptativosDissertaçãoTorres, Amanda da Silva PereiraUniversidade Federal Fluminense (UFF)
2024Atendimento educacional especializado: avaliação pedagógica em estudantes com deficiência intelectualDissertaçãoBotelho, Thays de FatimaUniversidade Estadual Paulista (UNESP)
2024Avaliação da aprendizagem em contexto de pós-ensino remoto: práticas acolhedoras do TEA na sala de aula inclusivaDissertaçãoLadeira, Thacio AzevedoUniversidade Estadual Paulista (UNESP)
2021Descrição da aprendizagem escolar da criança com transtorno do espectro autista nas áreas de matemática, leitura e escritaDissertaçãoThomazini, Hélida Lucia PauliniUniversidade Estadual Paulista (UNESP)

Fonte: Dados originais da pesquisa

A Figura 1 ilustra a evolução das matrículas na educação especial na educação básica no Brasil entre 2020 e 2024, mostrando um crescimento constante.

Figura 1. Evolução de matrícula por rede de ensino – educação especial – educação básica – Brasil – 2020 – 2024.

Fonte: Censo Escolar. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrljoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhliwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9. Acesso em: janeiro, 2026.

Em termos geográficos, a concentração de matrículas de Educação Especial, conforme dados do Censo 2024, é maior nos estados da Região Norte. No entanto, nenhum desses estados figura entre aqueles com maior concentração de produção científica, o que reforça a hipótese de desassociação entre o volume de matrículas e a pesquisa acadêmica.

A Tabela 3 detalha a distribuição de matrículas na Educação Básica por estado, incluindo o percentual de alunos na Educação Especial.

Tabela 3. Distribuição de matrículas na Educação Básica

EstadoNúmero de matrículasMatrículas na Educação EspecialPercentual de alunos de Educação Especial
Rondônia248.34020.0978,09%
Acre2.498.963149.8236,00%
Amazonas869.37951.1315,88%
Roraima2.227.679129.5435,82%
Pará213.71212.3735,79%
Amapá2.132.934123.3675,78%
Tocantins3.416.549181.7345,32%
Maranhão949.12547.9695,05%
Piauí383.84919.0214,96%
Ceará1.550.14975.5014,87%
Rio Grande do Norte829.54940.3784,87%
Paraíba385.30718.7474,87%
Pernambuco1.768.87481.9414,63%
Alagoas783.19036.1424,61%
Sergipe4.294.157194.8524,54%
Bahia863.73238.4154,45%
Minas Gerais679.59629.4104,33%
Espírito Santo2.121.95489.0074,19%
Rio de Janeiro526.78622.0924,19%
São Paulo898.48235.5073,95%
Paraná2.206.87186.7373,93%
Santa Catarina629.59324.6973,92%
Rio Grande do Sul3.421.235130.8753,83%
Mato Grosso do Sul1.850.98470.6203,82%
Mato Grosso185.6576.7563,64%
Goiás9.998.443324.9063,25%
Distrito Federal1.153.83335.1843,05%

Fonte: Sinopse estatística da Educação Básica, 2024.

A Figura 2 mostra a distribuição estadual da produção científica levantada, com São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul apresentando as maiores concentrações de estudos.

Figura 2. Distribuição estadual da produção científica levantada

Fonte: Dados originais da pesquisa

Observou-se uma consonância entre a concentração de produção científica em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná e o ranking geral de inovação dos estados (CNI, 2025), onde esses estados ocupam as primeiras posições. A ausência do Rio de Janeiro, segundo colocado no ranking, pode ser atribuída à indisponibilidade de consulta de materiais de uma universidade federal específica.

As temáticas abordadas nas produções analisadas convergem na perspectiva de que a avaliação é um pilar fundamental no processo de ensino-aprendizagem, alinhando-se ao conceito de avaliação diagnóstica (Luckesi, 2011). Contudo, os recortes de aplicação e as estratégias de adaptação propostas variam.

Em relação ao recorte de faixa etária, a maioria das pesquisas (seis) abordou todo o Ensino Fundamental, enquanto três focaram na Educação Infantil e Anos Iniciais, um apenas nos Anos Iniciais, e dois nos Anos Finais. Três estudos não especificaram faixa etária. Notou-se uma desprivilegiação do Ensino Médio, apesar de ser uma etapa com características distintas. O Censo 2024 indica que o número de estudantes de Educação Especial no Ensino Médio é menor (262.234) em comparação com o Ensino Fundamental (1.285.775) e a Educação Infantil (375.383).

A negligência com o Ensino Médio pode agravar a repetência e evasão escolar. No Censo 2024, a taxa de reprovação para alunos de Educação Especial no Ensino Médio foi de 4,6%, e a de abandono escolar, de 2,5%, totalizando mais de 7% de estudantes com impactos na trajetória escolar. A reprovação está diretamente ligada ao cenário avaliativo, muitas vezes influenciada por baixo rendimento escolar e falta de apoio. Além disso, a taxa de distorção idade-série para estudantes de Educação Especial no Ensino Médio é de 34,5%, indicando que cursam a etapa com dois ou mais anos de atraso, o que pode afetar a autopercepção. A Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Decreto N° 12.686) enfatiza a necessidade de adaptações razoáveis e a redução da distorção idade-série.

Quanto ao componente curricular, apenas cinco estudos se concentraram em áreas específicas: Educação Física (1), Ciências (1), Matemática (3) e Língua Portuguesa (2). A predominância em Língua Portuguesa e Matemática reflete a centralidade desses componentes na vida prática e em políticas nacionais, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e o Compromisso Nacional Toda Matemática, além de avaliações como o Saeb, que historicamente priorizam essas áreas.

As abordagens temáticas das pesquisas foram divididas em duas categorias: 1. Proposição de estratégias específicas de avaliação (quatro trabalhos) e 2. Avaliação sob uma perspectiva teórica e generalizada (onze trabalhos). Os estudos da primeira categoria incluem “Roteiro de avaliação pedagógica para escolares com Transtorno do Espectro Autista”, “O feedback da avaliação no processo de inclusão, ensino e aprendizagem da matemática de estudantes com transtorno do espectro autista”, “Protocolo de Avaliação sócio-Acadêmica para Atendimento Escolar de Alunos Autistas em Sala de Aula: avaliando aspectos comportamentais, cognitivo-verbais e adaptativos” e “Descrição da aprendizagem escolar da criança com transtorno do espectro autista nas áreas de matemática, leitura e escrita”. Os demais trabalhos, incluindo uma pesquisa realizada em Monteiro, abordaram a inclusão de estudantes com TEA de forma mais ampla, tangenciando a avaliação para destacar a necessidade de flexibilizações e adaptações.

A análise de “Análise de Planos de Desenvolvimento Individualizados para Estudantes com Transtorno do Espectro Autista”, pertencente ao segundo grupo, revelou que, embora as dificuldades dos estudantes fossem relatadas nos planos, nem todos promoviam a elaboração de objetivos específicos para essas dificuldades. Os objetivos eram frequentemente amplos, dificultando a mensuração, e não havia dimensão temporal de avaliação prevista. Esses achados evidenciam a falta de diretrizes claras para a elaboração de PEIs, o que pode comprometer sua efetividade e a utilização da avaliação como estratégia para o planejamento de percursos de ensino e aprendizagem.

Entre as pesquisas que propõem estratégias específicas de avaliação, o “Roteiro de avaliação pedagógica para escolares com Transtorno do Espectro Autista” sugere um roteiro de nivelamento para triagem pedagógica, visando a adaptação curricular e de materiais. Esse roteiro, baseado em práticas da Análise do Comportamento (ABA), organiza-se em quatro níveis de nivelamento (aspectos motores, assimilação de objetos, escrita e letramento), com tarefas pontuadas de 0 a 3. A ABA é reconhecida por seus benefícios em terapias não biológicas para TEA, como DTT, EIBI, VBI e PRI, focando na redução de comportamentos desadaptativos e no reforço de habilidades desejáveis (Medavarapu, 2019).

Em “O feedback da avaliação no processo de inclusão, ensino e aprendizagem da matemática de estudantes com transtorno do espectro autista”, a autora defende o feedback como ferramenta essencial para a valorização do conhecimento prévio do estudante e o estímulo à autopercepção. Um feedback adequado deve abordar fatores cognitivos e emocionais, promovendo a autoestima e a motivação. O “Protocolo de Avaliação sócio-Acadêmica para Atendimento Escolar de Alunos Autistas em Sala de Aula: avaliando aspectos comportamentais, cognitivo-verbais e adaptativos” propõe intervenções educacionais e comportamentais, com um protocolo dividido em 13 dimensões (Comportamento, Área de Interesse, Compreensão, Colaboração, Comunicação, Atividades de autocuidado, Atividades funcionais, Linguagem Oral, Raciocínio Lógico Matemático, Habilidades motoras, Linguagem Escrita, Habilidades Sociais e Adaptativas, Características Sensoriais) e 105 itens, pontuados de acordo com o prejuízo. Sua aplicação visa delinear metas para o Plano Educacional Individualizado (PEI).

A pesquisa “Descrição da aprendizagem escolar da criança com transtorno do espectro autista nas áreas de matemática, leitura e escrita” destacou a importância da ampliação do tempo padrão para aplicação de testes, resultando em dados mais fidedignos ao considerar momentos de atenção, dispersão e alternância com propostas lúdicas. Essas pesquisas reforçam a necessidade de avaliação para intervenção e alertam para os impactos negativos de uma avaliação inadequada no desenvolvimento de crenças limitantes, enfatizando que cada estudante com TEA deve se perceber capaz de aprender.

A discussão sobre feedback eficaz (Brookhart, 2017) ressalta sua importância para a compreensão de erros e construção de novos conhecimentos, devendo ser claro, detalhado e abordar aspectos cognitivos e motivacionais. Feedbacks externos e internos moldam a aprendizagem e as crenças dos estudantes (Butler e Winne, 1995, apud Brookhart, 2017). A cultura de altas expectativas, onde se acredita no potencial de desenvolvimento de cada estudante, é crucial, pois baixas expectativas podem levar a uma “profecia autorrealizadora” e piores desempenhos (OCDE, 2016).

Em relação à efetividade das propostas, três estudos apresentaram resultados. As propostas foram implementadas em grupos pequenos, limitando a amostragem. Para Silva, o roteiro de avaliação pedagógica não encontrou resistência e foi valorizado pelo corpo docente. Em Cruz, professores se engajaram no feedback, mas com foco mais motivacional do que cognitivo. Torres indicou que 100% dos docentes reconheceram a validade do protocolo de avaliação, embora 90% tenham relatado dificuldades no uso e 50% atribuíram essa dificuldade à forma de pontuação. Todas as pesquisas evidenciaram a necessidade de formação docente para a implementação das estratégias, alinhando-se às competências da BNC-Formação (MEC, 2019) que enfatizam o conhecimento dos estudantes e suas aprendizagens.

Em síntese, o estudo mapeou a produção nacional sobre práticas inclusivas de avaliação para estudantes com TEA na Educação Básica. Observou-se que o aumento das matrículas de estudantes com TEA não foi acompanhado por um crescimento proporcional na produção científica, especialmente no Ensino Médio. Há uma tendência de focar em Língua Portuguesa e Matemática, sugerindo lacunas em outras áreas curriculares. Embora poucas pesquisas proponham estratégias específicas, há um consenso sobre a importância de avaliações que considerem aspectos cognitivos, sociais e emocionais, evitando a formação de crenças limitantes. As pesquisas analisadas, apesar de suas amostragens limitadas, indicam a necessidade de replicação dos procedimentos e o investimento contínuo na formação docente para aprimorar as práticas avaliativas e garantir a inclusão efetiva de estudantes com TEA.

4. Conclusão

O presente estudo buscou mapear a produção científica nacional sobre práticas inclusivas de avaliação para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Básica, com o intuito de subsidiar a elaboração de Planos Educacionais Individualizados. Verificou-se que o volume de produção científica não acompanhou o crescimento expressivo das matrículas de estudantes com TEA nos últimos cinco anos, e não se observou uma correlação entre o número de matrículas e a pesquisa acadêmica por região. Identificaram-se lacunas significativas na pesquisa, especialmente em relação ao Ensino Médio e a componentes curriculares além de Língua Portuguesa e Matemática. Os achados indicaram que, embora poucas pesquisas propusessem estratégias avaliativas específicas, há um consenso sobre a necessidade de considerar aspectos sociais e emocionais, além dos cognitivos, no processo avaliativo, visando evitar a formação de crenças limitantes e promover a autopercepção de capacidade. A principal contribuição reside na identificação de tendências e lacunas que podem orientar o desenvolvimento de diretrizes mais claras para a construção de PEIs eficazes.

A limitação metodológica deste estudo residiu na restrição da base de pesquisa à Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e ao recorte temporal dos últimos cinco anos, o que resultou em um corpus analisado reduzido. Essa delimitação pode ter influenciado a abrangência dos resultados. As pesquisas que apresentaram propostas de estratégias de avaliação o fizeram com amostragens limitadas, sugerindo a necessidade de replicação desses procedimentos em contextos diversos para ampliar a confiança em sua efetividade. Sugere-se que estudos futuros explorem a produção científica em outras bases de dados e ampliem o recorte temporal, além de investigar as lacunas identificadas no Ensino Médio e em outros componentes curriculares, e aprofundar a formação docente como pilar para a implementação de práticas avaliativas inclusivas e aprimoramento dos PEIs.

Referências Bibliográficas

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BROOKHART, S. M. How to Give Effective Feedback to Your Students. Alexandria: ASCD, 2017.

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GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. – 4. ed. – São Paulo: Atlas, 2002.

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LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2011.

MEDAVARAPU, S.; MARELLA, I.I.; SANGEM, A.; KAIRAM, R. Where is the Evidence? A Narrative Literature Review of the Treatment Modalities for Autism Spectrum Disorders. 2019 16;11(1):e3901. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6424545/. Acesso em: abril, 2026.

OECD (2016), Low-Performing Students: Why They Fall Behind and How To Help Them Succeed, PISA, OECD Publishing, Paris. Disponível em: https://doi.org/10.1787/9789264250246-en. Acesso em: março, 2026

SÁNCHEZ, A. et al. Learning Recovery to Acceleration: A Global Update on Country Efforts to Improve Learning and Reduce Inequalities (English). Washington, D.C.: World Bank Group, 2023. Disponível em: https://documents.worldbank.org/en/publication/documents-reports/documentdetail/099071223174514721/%20p179960038bed500a08dfc0489b6fa2254a. Acesso em: setembro, 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Neurociência E Aprendizagem Na Educação

17 de setembro de 2026

Adaptação de Material Didático de Ciências para Alunos com Tea no Ensino Fundamental II

A neurociência tem impulsionado o desenvolvimento de métodos educacionais, especialmente para alunos com necessidades específicas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um estudo buscou elaborar um material didático adaptado de Ciências para estudantes com TEA no Ensino Fundamental II, focado em uma habilidade específica da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, configurou-se como um estudo de caso com relato de experiência de um professor de Ciências em uma escola particular. Com base nos princípios da neurociência e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), desenvolveu-se um programa de ensino para a habilidade EF06CI14, que incluiu sua operacionalização e quatro atividades adaptadas. A estruturação sequencial das atividades, juntamente com o emprego de recursos visuais, materiais concretos e estratégias lúdicas, promoveu a progressão da aprendizagem, o desenvolvimento das funções executivas, o engajamento, a atenção e a compreensão dos alunos. Observou-se também a redução da sobrecarga cognitiva e o favorecimento da autonomia dos estudantes. Concluiu-se que a adaptação de materiais didáticos, integrada aos princípios da ABA e aos fundamentos da neurociência, representa uma estratégia eficaz para fomentar uma educação mais inclusiva e significativa, contribuindo para um ensino equitativo e de qualidade.

Palavras-chave: Atividade adaptada; Educação básica; Inclusão; Neurociência na educação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Neurociência, DUA e Inclusão no Currículo da Cidade de Matemática da Prefeitura de São Paulo

A demanda por sistemas de ensino flexíveis e adaptados à diversidade dos estudantes impulsionou a investigação das bases teóricas que sustentam os documentos curriculares oficiais. Analisou-se o Currículo da Cidade de Matemática da Prefeitura de São Paulo para identificar se suas proposições contemplaram os fundamentos da Neurociência Educacional, do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e as premissas da Educação Inclusiva. A metodologia empregou uma pesquisa aplicada, documental e descritiva, com abordagem mista e utilização da técnica de Análise de Conteúdo temática. Os resultados revelaram um robusto alinhamento teórico do documento com os eixos analisados, com destaque para o estímulo às funções executivas e à flexibilidade curricular. Contudo, a triangulação com dados secundários evidenciou disparidades persistentes, como elevados índices de ausência de estudantes com necessidades educacionais especiais (NEE) em avaliações oficiais e carência de acessibilidade física e de suporte especializado em parte das unidades escolares. Constatou-se que, embora o currículo possua elevado potencial técnico e inovador, sua efetivação na prática foi limitada por barreiras estruturais e pela oferta incompleta de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Concluiu-se que a inclusão plena no ensino de matemática exigiu a articulação entre as inovações pedagógicas do plano teórico e as condições reais de infraestrutura e apoio docente. A teoria, isoladamente, não garantiu a reversão das desigualdades de desempenho na rede municipal.

Palavras-chave: Desenho Universal para Aprendizagem; Educação Inclusiva; Ensino de Matemática; Neurociência Educacional; Rede Municipal.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Currículos de Pedagogia e Neurociência:contribuições para uma Formação Docente Contemporânea

A pesquisa abordou a relevância da neurociência na formação de professores para atuarem com grupos cada vez mais heterogêneos e diversos. O estudo objetivou identificar a incorporação de estudos de neurociência em cursos de pedagogia, analisar sua oferta nas matrizes curriculares e compreender a relação dessa incorporação com a aprendizagem e o desenvolvimento cerebral, investigando as implicações de sua inserção na grade curricular. A metodologia empregada foi documental, exploratória e descritiva. Coletaram-se dados das matrizes curriculares de 20 instituições de ensino superior da capital de São Paulo, selecionadas por critérios de avaliação do MEC e RUF 2025, e realizaram-se buscas no Portal de Periódicos da CAPES para identificar produções acadêmicas. Os resultados revelaram baixa adesão de componentes curriculares de neurociência na formação inicial de educadores, com apenas 7 das 20 instituições analisadas oferecendo a disciplina. Observou-se também uma escassa produção acadêmica sobre o tema e uma maior concentração da neurociência em cursos de pós-graduação lato sensu, indicando uma inserção pontual e secundarizada na graduação. Concluiu-se que a baixa integração da neurociência nos currículos de graduação em Pedagogia limita a formação docente e a compreensão dos processos de aprendizagem. A pesquisa ressaltou a urgência de uma revisão curricular para incorporar a neurociência como eixo estruturante, visando uma formação mais crítica, fundamentada e alinhada às demandas educacionais contemporâneas.

Palavras-chave: Currículos de pedagogia; Educação; Formação de professores; Neurociência; Processo de Aprendizagem.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Dupla Excepcionalidade e Inclusão: Desafios e Estratégias Pedagógicas para o Desenvolvimento Integral do Aluno

A dupla excepcionalidade, caracterizada pela coexistência de altas habilidades/superdotação (AH/SD) com deficiências, transtornos ou síndromes, representa um desafio complexo para a inclusão escolar. A identificação e o atendimento a esses estudantes permanecem limitados, resultando em práticas pedagógicas insuficientes para o desenvolvimento de suas potencialidades. O estudo objetivou examinar a percepção de pais e responsáveis sobre o suporte educacional oferecido, identificando desafios e oportunidades de aprimoramento na gestão escolar. A metodologia adotou natureza exploratória e descritiva, utilizando levantamento de campo (survey) e pesquisa documental. Os dados foram coletados via questionário on-line e submetidos à análise quantitativa e de conteúdo. Os resultados revelaram que as escolas, em sua maioria, não participaram ativamente da identificação da dupla excepcionalidade, aceitando diagnósticos apresentados pelas famílias. Constatou-se que a comunicação entre família e escola foi frequentemente insuficiente, dificultando a construção de estratégias pedagógicas adequadas e a implementação de planos educacionais individualizados eficazes. Os achados contribuem para a compreensão da efetividade das políticas de inclusão sob a ótica familiar, apontando caminhos para práticas que assegurem tanto a valorização do potencial quanto o suporte às necessidades específicas dos alunos duplamente excepcionais.

Palavras-chave: Altas habilidades; Apoio familiar; Mascaramento; Práticas pedagógicas; Transtornos de aprendizagem.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Celular na Escola e o Desenvolvimento de Funções Executivas

A pesquisa analisou os prejuízos do uso de telas no desenvolvimento cognitivo infantil, com foco nas funções executivas, como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. O estudo objetivou analisar as leis brasileiras nº 15.100/2025 e nº 15.211/2025 e sua relação com o desenvolvimento das funções executivas, comparando-as com políticas regulatórias da França (Lei nº 2018-698) e Bangladesh (Ordem Administrativa de 2017). Realizou-se uma pesquisa descritiva, com estudo de casos comparativo e análise documental das legislações mencionadas, além de uma revisão bibliográfica sobre o impacto do uso de telas nas funções executivas. Os resultados indicaram prejuízos do uso de telas no controle inibitório e na memória de trabalho na primeira infância, enquanto a flexibilidade cognitiva não apresentou danos evidentes e pode ser aprimorada por jogos digitais. A comparação das legislações revelou que Brasil e França apresentaram restrições mais semelhantes e menos restritivas, com justificativas ligadas ao desenvolvimento cognitivo infantil. No entanto, a legislação francesa limitou-se a escolas públicas, e a brasileira não especificou consequências para o descumprimento. Concluiu-se que a eficácia das políticas regulatórias depende da educação das comunidades escolares e da sociedade para o uso consciente e responsável da tecnologia, exigindo um equilíbrio entre restrição e uso pedagógico.

Palavras-chave: Brasil; Desenvolvimento cognitivo infantil; Educação; Políticas regulatórias; Uso de telas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Minlo: Ecossistema de Sustentabilidade Atencional Estudantil com Polo de Letramento Neurocientífico e Educação Emocional Integral

O estudo estabeleceu a arquitetura do MinLO (Minimum Learning Object), um ecossistema para fortalecer a sustentabilidade atencional de estudantes, com foco em letramento neurocientífico e educação emocional integral para familiares e professores. A pesquisa, de natureza aplicada e qualitativa, investigou a crise de atenção e os baixos índices de proficiência no Ensino Fundamental II brasileiro. Fundamentou-se em indicadores do SAEB, PISA e PeNSE 2024, sob a ótica das neurociências aplicadas, e empregou a Engenharia Reversa de Requisitos para identificar lacunas cognitivas não atendidas pelo modelo pedagógico tradicional. O diagnóstico revelou que o insucesso escolar resultou de fatores como saturação da memória de trabalho por fadiga sináptica, hipossensibilidade dopaminérgica agravada pelo sedentarismo digital, bloqueio emocional, fratura de vínculo parental e falta de letramento neurocientífico, que geraram estigmas sobre o comportamento neurodivergente. Adotando o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) como parâmetro de vulnerabilidade máxima, estruturou-se o Motor de Transformação e Desbloqueio. Este motor é responsável pela atomização de conteúdos em ciclos curtos de aprendizagem e pela criação de polos de educação emocional e letramento neurocientífico em camadas de mediação interdependentes para estudantes, familiares e docentes. O artefato integrou requisitos do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e metas do novo PNE (2026-2036), visando a proteção biopsicossocial do menor e a escalabilidade da solução para a rede pública.

Palavras-chave: Adolescência; Ensino Fundamental; Microaprendizagem; Neurociências; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Percepções Docentes sobre Funções Executivas e Cognição Espacial na Aprendizagem Matemática: Implicações Pedagógicas para a Equidade

Este estudo investigou as percepções de docentes dos anos iniciais sobre o papel das funções executivas (FEs) e da cognição espacial na aprendizagem matemática, bem como suas implicações para a equidade de gênero no contexto educacional. Participaram 48 professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, que responderam a um questionário composto por itens em escala Likert e questões abertas. As análises incluíram estatística descritiva, estimativas de confiabilidade, testes não paramétricos e análise temática das respostas discursivas. Os resultados indicaram elevada concordância quanto à relevância das FEs (M=4,83) e da cognição espacial (M=4,85) para a aprendizagem matemática. Contudo, a integração sistemática dessas habilidades e a observação cotidiana de autorregulação apresentaram menor uniformidade na prática docente. As práticas pedagógicas foram frequentes, mas heterogêneas, especialmente nas intervenções para cognição espacial e FEs (M=4,25). Em relação ao gênero, observou-se incerteza sobre o interesse inicial equivalente entre meninos e meninas (M=3,35), mas forte concordância de que a escola pode reduzir desigualdades (M=4,75). Docentes que atribuíram maior importância às FEs e à cognição espacial relataram maior frequência de práticas pedagógicas associadas. Os achados evidenciaram a necessidade de fortalecer a tradução desses conhecimentos em práticas pedagógicas intencionais, oferecendo subsídios para a formação docente e a promoção da equidade na aprendizagem matemática desde os primeiros anos escolares.

Palavras-chave: Aprendizagem matemática; Cognição espacial; Equidade de gênero; Funções executivas; Práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Trabalhando a Diversidade Através de Atividades Lúdicas e Colaborativas

Um estudo analisou o impacto da “II Gincana Leonor: Gincana da Inclusão” como estratégia pedagógica para promover a empatia e combater o capacitismo em uma escola pública municipal de Campinas, envolvendo alunos do 6º ao 9º ano. A metodologia, de natureza aplicada, caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem qualitativa e quantitativa. A coleta de dados envolveu análise documental do guia de atividades da gincana, registros fotográficos das vivências e aplicação de questionários estruturados via Google Forms para a equipe gestora, docentes e funcionários da instituição. Os resultados revelaram alto engajamento e protagonismo estudantil, com mais de 80% de percepção positiva dos participantes sobre a eficácia das atividades lúdicas na sensibilização sobre a diversidade. Contudo, evidenciaram desafios na transposição do aprendizado para o cotidiano escolar, pois a maioria dos docentes relatou aplicação apenas parcial dos valores de inclusão nas atitudes diárias dos alunos. Concluiu-se que, embora a gincana tenha sido um catalisador eficaz para a empatia e o acolhimento, a consolidação de uma cultura anticapacitista exige a integração contínua dessas discussões ao currículo escolar, superando o caráter pontual das intervenções.

Palavras-chave: Capacitismo; Educação Inclusiva; Gincana Escolar; Metodologias Ativas; Protagonismo Estudantil.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Entendendo a Superdotação: o que a Escrita de Mulheres Superdotadas Diz sobre a Norma Linguística

Este estudo analisou textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, com o objetivo de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Uma abordagem qualitativa, descritiva e documental foi empregada, examinando dez textos de blogs pessoais, publicados entre 2018 e 2025, por mulheres que se autodeclararam superdotadas e que abordaram suas experiências. A análise evidenciou um manejo consistente da norma-padrão, mas também uma oscilação entre usos mais monitorados e formas mais flexíveis, com traços de oralidade e menor formalidade. Essa tensão linguística refletiu negociações identitárias em diferentes contextos discursivos. Observou-se que expectativas sociais de perfeição e adequação linguística incidem intensamente sobre meninas, influenciando suas práticas. Contudo, o ambiente dos blogs favoreceu maior liberdade expressiva, permitindo discursos íntimos e autobiográficos. Concluiu-se que a análise da escrita contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, destacando a importância de práticas educacionais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Blogs; Identidade; Masking; Norma-padrão.

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