Neurociência E Aprendizagem Na Educação
17 de setembro de 2026
Adaptação de Material Didático de Ciências para Alunos com Tea no Ensino Fundamental II
Joel Torrealba Julião; Carolina Matteussi Lino
DOI: 10.22167/2675-6528-202602534
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A neurociência tem impulsionado o desenvolvimento de métodos educacionais, especialmente para alunos com necessidades específicas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um estudo buscou elaborar um material didático adaptado de Ciências para estudantes com TEA no Ensino Fundamental II, focado em uma habilidade específica da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, configurou-se como um estudo de caso com relato de experiência de um professor de Ciências em uma escola particular. Com base nos princípios da neurociência e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), desenvolveu-se um programa de ensino para a habilidade EF06CI14, que incluiu sua operacionalização e quatro atividades adaptadas. A estruturação sequencial das atividades, juntamente com o emprego de recursos visuais, materiais concretos e estratégias lúdicas, promoveu a progressão da aprendizagem, o desenvolvimento das funções executivas, o engajamento, a atenção e a compreensão dos alunos. Observou-se também a redução da sobrecarga cognitiva e o favorecimento da autonomia dos estudantes. Concluiu-se que a adaptação de materiais didáticos, integrada aos princípios da ABA e aos fundamentos da neurociência, representa uma estratégia eficaz para fomentar uma educação mais inclusiva e significativa, contribuindo para um ensino equitativo e de qualidade.
Palavras-chave: Atividade adaptada; Educação básica; Inclusão; Neurociência na educação.
1. Introdução
A neurociência tem ganhado notoriedade e sua aplicação estende-se a diversos campos do conhecimento. Na educação, esses conhecimentos são empregados para compreender o processo de ensino e aprendizagem, bem como para desenvolver métodos que facilitem a aquisição de saberes pelos alunos, especialmente aqueles com necessidades educacionais específicas. A compreensão de como o cérebro controla o comportamento e a mente humana tem sido um esforço conjunto de diferentes profissionais, resultando no conceito de Neurociência como uma área interdisciplinar que estuda o sistema nervoso (Amaral e Guerra, 2020).
Os avanços nessa área revelaram a complexidade do cérebro e os mecanismos neurais envolvidos na aprendizagem, destacando a capacidade de modificar sua estrutura e funcionamento. A Neurociência Educacional, nesse sentido, ilumina como o cérebro aprende de forma mais eficiente, oferecendo subsídios para que profissionais da educação desenvolvam estratégias que tornem o processo de ensino e aprendizagem mais ativo, profundo e significativo. Isso permite que a prática pedagógica seja revista e que objetivos, estratégias didáticas e avaliações sejam ressignificados (Amaral e Guerra, 2020; Costa, 2023).
A compreensão das contribuições da neurociência na educação é particularmente relevante para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem de alunos com Necessidades Educacionais Específicas (NEE), como os que possuem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa perspectiva alinha-se ao percurso histórico da educação inclusiva no Brasil, que é marcado por avanços normativos e pela consolidação da educação especial e inclusiva como um direito, conforme documentos como a Declaração de Salamanca de 1994, a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e o Decreto nº7.611 de 2011 (Rogalski, 2010; Bezerra e Antero, 2020).
Os transtornos do neurodesenvolvimento manifestam-se precocemente, geralmente antes da entrada da criança na escola, e são caracterizados por déficits que afetam o funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional. Entre esses transtornos, o TEA destaca-se por déficits persistentes na comunicação, interação e reciprocidade social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades (American Psychiatric Association, 2014).
No contexto escolar, essas características podem interferir diretamente no aprendizado. Apesar dos avanços na educação inclusiva, o ensino regular ainda apresenta, em muitos contextos, características tradicionais, com práticas frequentemente mecanizadas e padronizadas. O uso predominante de materiais didáticos, como livros e apostilas, muitas vezes não adaptados, pode dificultar a atenção, motivação e aprendizagem, especialmente para estudantes com NEE. Tais recursos podem se tornar excludentes, pois não consideram as particularidades dos alunos nem promovem a individualização do processo de ensino e aprendizagem (Ferreira et al., 2012; Simplício, 2024).
Diante desse cenário, observa-se uma lacuna na adaptação de materiais didáticos, especialmente no ensino de Ciências, cujos conteúdos envolvem conceitos não diretamente observáveis e que exigem maior elaboração cognitiva. Essa realidade evidencia a necessidade de desenvolver estratégias pedagógicas que tornem o aprendizado mais acessível e significativo para alunos com TEA no Ensino Fundamental II. A adaptação de materiais didáticos, aliada aos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e aos fundamentos da neurociência, constitui uma estratégia eficaz para promover uma educação mais inclusiva e significativa, contribuindo para um ensino mais equitativo e de qualidade. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo confeccionar um material didático adaptado de Ciências para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), matriculados no 6º ano do Ensino Fundamental II, visando favorecer o processo de ensino e aprendizagem das competências e habilidades propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
2. Material e Métodos
Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, configurando-se como um estudo de caso com relato de experiência. O trabalho foi desenvolvido a partir da análise das vivências de um professor de Ciências da educação básica, no contexto do ensino regular. Buscou-se discutir a importância da adaptação de materiais didáticos para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) com comunicação verbal, culminando na confecção de um material didático adaptado de Ciências.
A unidade de análise consistiu nas vivências pedagógicas do professor, observadas em uma escola da rede privada, localizada no município de São Paulo/SP. O estudo focou no ensino fundamental II, especificamente nos conteúdos de Ciências do 6º ano. O contexto pedagógico da escola utilizava predominantemente o livro didático como recurso principal, associado a práticas pedagógicas tradicionais, o que evidenciou a necessidade de adaptação de materiais para atender às demandas dos alunos com TEA.
Inicialmente, realizou-se a seleção de uma habilidade da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Ciências do 6º ano a ser adaptada. Esta seleção ocorreu mediante a análise dos conteúdos a serem trabalhados ao longo do ano letivo, priorizando os temas do planejamento de aulas. A habilidade escolhida foi a EF06CI14. Para o desenvolvimento da sequência didática, utilizaram-se os princípios da psicopedagogia baseada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), sob a ótica da programação de ensino proposta por Cortegoso e Coser (2021).
A programação de ensino, conforme Cortegoso e Coser (2021), envolveu a elaboração de um objetivo terminal, objetivos intermediários, programação de contingências e avaliação contínua. O objetivo terminal do programa consistiu em fazer com que o aluno compreendesse o conceito de sombra e suas mudanças ao longo do dia e do ano, evidenciando os movimentos de rotação e translação da Terra. Esta abordagem visou facilitar o processo de ensino e aprendizagem da habilidade EF06CI14 para alunos com TEA.
A operacionalização da habilidade EF06CI14 envolveu a definição clara e detalhada dos comportamentos a serem desenvolvidos, facilitando a observação e avaliação em sala de aula. Foram considerados os antecedentes, incluindo instruções verbais, apoio gestual do professor, materiais didáticos e a organização do ambiente de aprendizagem. Os objetivos intermediários propostos foram: conceituar sombra; diferenciar objetos opacos, transparentes e translúcidos por meio de associação de imagens; compreender os movimentos do planeta Terra; e diferenciar rotação e translação por meio de um modelo representativo.
A programação de contingências compreendeu o desenvolvimento de quatro atividades adaptadas. A primeira atividade consistiu em relacionar figuras de objetos aos seus respectivos tipos de material (opaco, transparente, translúcido), com apoio verbal e gestual do professor. A segunda atividade utilizou “flashcards” para classificar imagens de objetos nas mesmas categorias, após instrução verbal. Ambas as atividades foram concebidas para a compreensão inicial do conceito de sombra e a relação entre materiais e sua formação.
A terceira atividade buscou diferenciar os movimentos de rotação e translação da Terra. Para tal, empregou-se um modelo representativo, confeccionado com um canudo, uma bola de natal azul e uma fonte de luz, como lanterna ou lâmpada. O aluno classificou oralmente e simulou os movimentos, com adaptações para estudantes não verbais. A quarta atividade incentivou o desenho da sombra projetada por um objeto em três momentos do dia (manhã, meio-dia e tarde), com simulação prática do professor usando um objeto e uma lanterna, e posterior verificação da compreensão.
O material didático produzido foi aplicado no contexto da sala de aula regular, sendo a sequência de atividades planejada para ser desenvolvida ao longo de três aulas, em conjunto com a dinâmica das aulas dos demais alunos. A análise dos dados ocorreu de forma qualitativa, a partir das observações registradas ao longo das aulas. Consideraram-se aspectos como o nível de compreensão dos conteúdos, a interação dos alunos com o material adaptado e os avanços ou dificuldades percebidos no processo de ensino e aprendizagem.
Para verificar a aprendizagem da habilidade por parte dos alunos, elaborou-se um modelo de folha de registro para cada atividade. Esses instrumentos permitiram acompanhar o progresso individual dos alunos, identificando acertos e dificuldades ao longo do processo. As folhas de registro continham colunas para “Tentativas” e “Resposta +(certo)/ – (errado)”, além de um “Critério” para determinar o número de acertos necessários para considerar o aprendizado do conceito. Tais registros foram utilizados para delimitar conceitos e planejar atividades complementares.
3. Resultados e Discussão
A análise dos resultados revelou que, em muitos contextos de ensino regular, ainda prevalece uma abordagem pedagógica padronizada e mecanizada, com o livro didático como principal recurso. Este cenário, conforme identificado na vivência do professor, representa um desafio significativo para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que frequentemente demonstram dificuldades em acompanhar conteúdos e realizar atividades que exigem maior elaboração cognitiva. A rigidez dessas práticas tradicionais pode comprometer a atenção, a motivação e a própria aprendizagem desses estudantes, tornando os materiais didáticos convencionais excludentes por não considerarem suas particularidades individuais.
Os alunos com TEA apresentam um espectro de dificuldades que abrangem dimensões comportamentais, como inflexibilidade e estereotipias, e desafios na comunicação, interação social e linguagem. No aspecto cognitivo, são notáveis as limitações na atenção, motivação e engajamento nas atividades propostas, conforme apontado por Ferreira et al. (2012). Essas características demandam adaptações pedagógicas individualizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem eficaz. A literatura, como Simplício (2024), reforça que atividades com apoio visual, comunicação clara e objetiva, recursos lúdicos e tecnológicos são particularmente benéficas para esse público, indicando a necessidade de adaptar não apenas as atividades, mas também os conteúdos dos materiais didáticos.
Com o objetivo de promover um ensino mais acessível e inclusivo, selecionou-se a habilidade EF06CI14 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que aborda a compreensão do conceito de sombra e suas variações ao longo do dia e do ano, relacionando-as aos movimentos de rotação e translação da Terra (Brasil, 2018). Após a seleção, a habilidade foi operacionalizada, definindo-se claramente os comportamentos esperados e os antecedentes necessários para facilitar o aprendizado. Os objetivos intermediários incluíram conceituar sombra, diferenciar objetos opacos, transparentes e translúcidos, compreender os movimentos da Terra e distinguir rotação de translação por meio de um modelo.
A programação de ensino, fundamentada nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e na neurociência, foi estruturada em quatro atividades adaptadas. A primeira atividade consistiu na associação de imagens de objetos com suas propriedades de opacidade, transparência ou translucidez. O professor utilizou instruções verbais e apoio gestual, questionando se o objeto permitia a passagem de luz ou formava sombra. Observou-se que esta abordagem contribuiu para a compreensão inicial do conceito de sombra, estabelecendo a relação entre as características do material e a formação de sombras, preparando o terreno para conceitos mais complexos.
Em seguida, a segunda atividade empregou “flashcards” para que os alunos classificassem diferentes imagens de objetos em categorias de opacos, transparentes ou translúcidos. Essa estratégia de apoio visual demonstrou ser eficaz para a organização das informações e a análise por parte dos estudantes. A utilização de imagens facilitou o debate sobre o conhecimento prévio dos alunos, promovendo interação e diálogo. O uso de recursos visuais, como os “flashcards”, é uma ferramenta valiosa, pois minimiza a sobrecarga sensorial e cognitiva, que pode prejudicar a atenção e a organização de informações em alunos com TEA, conforme destacado por Costa (2023), Simplício (2024) e Scamati et al. (2025).
A terceira atividade envolveu a utilização de um modelo representativo da Terra e do Sol, construído com um canudo, uma bola de natal azul e uma fonte de luz, para diferenciar os movimentos de rotação e translação. Os alunos foram solicitados a classificar oralmente os movimentos e, posteriormente, a simulá-los. Para estudantes não verbais, a atividade foi adaptada para permitir a indicação por gestos ou a simulação direta dos movimentos, garantindo a acessibilidade da proposta. Essa abordagem concreta e manipulável permitiu uma compreensão mais tangível dos fenômenos astronômicos, superando a abstração inerente ao tema.
A quarta e última atividade proposta incentivou os alunos a desenhar a sombra projetada por um objeto em três momentos distintos do dia: manhã, meio-dia e tarde. Para isso, foram utilizados lápis e uma folha sulfite dividida, e o professor simulou os diferentes períodos do dia com um objeto, como uma garrafa, e uma lanterna. Após a observação, os alunos desenharam as projeções das sombras. Esta atividade permitiu que os estudantes atuassem como protagonistas do próprio aprendizado, utilizando os sentidos para uma análise prática das sombras e suas projeções, culminando em discussões sobre a importância do Sol e a variação das projeções ao longo do dia.
A confecção deste programa de ensino, com atividades adaptadas baseadas nos princípios da ABA, evidenciou a importância da divisão do conteúdo em objetivos terminais e intermediários. Essa estratégia favorece a aprendizagem de alunos com TEA, transformando conceitos abstratos em experiências concretas. A progressão estruturada, com o objetivo terminal dividido em etapas menores representadas pelas quatro atividades, alinha-se às necessidades cognitivas dos estudantes, reduzindo a sobrecarga cognitiva no processamento de múltiplos estímulos e auxiliando no desenvolvimento das funções executivas, como previsibilidade, atenção seletiva e organização da informação (Cortegoso e Coser, 2021; Costa, 2023; Scamati et al., 2025).
A aplicação das atividades demonstrou que o uso de instruções claras, apoio gestual e mediação constante, juntamente com os “flashcards”, permitiu aos alunos filtrar estímulos, absorver informações relevantes e manter o engajamento. Essa abordagem promoveu uma aprendizagem significativa, acessível e sistematizada, em consonância com os preceitos da ABA e as evidências da neurociência (Cortegoso e Coser, 2021; Costa, 2023; Scamati et al., 2025). A neurociência, por sua vez, explica que o aprendizado é um processo de neuroplasticidade, onde o cérebro se modifica a partir do fortalecimento de conexões neurais em um ambiente com estímulos adequados, que são captados pelos órgãos sensoriais (Amaral e Guerra, 2020).
A atenção desempenha um papel crucial nesse processo, atuando como um filtro para estímulos relevantes e ativando regiões cerebrais específicas para a interpretação e atribuição de significado às informações, inclusive com valor afetivo. A interação entre atenção, emoção e estímulos sensoriais impulsiona o cérebro a criar, fortalecer ou eliminar sinapses, moldando-se às experiências. As atividades adaptadas permitiram ao educador planejar cognitivamente para superar as dificuldades de aprendizado de alunos com TEA, que frequentemente enfrentam baixa flexibilidade cognitiva e desafios no processamento de múltiplos estímulos (Ferreira et al., 2012; American Psychiatric Association, 2014; Simplício, 2024).
O planejamento e o uso de recursos alternativos, como materiais concretos e lúdicos, mostraram-se eficazes para minimizar os problemas enfrentados pelos alunos. Essas atividades também permitiram ao educador promover uma ação direta, engajando os estudantes em situações práticas de resolução de problemas e incentivando a participação ativa (Ferreira et al., 2012). A estimulação multissensorial, ativada por meio das atividades lúdicas adaptadas, que consideram os aspectos biológicos, cognitivos e sociais dos alunos com TEA, aumentou o engajamento, a atenção e gerou um impacto emocional positivo, tornando o aprendizado mais eficiente e consolidando o conhecimento, conforme corroborado por Amaral e Guerra (2020).
Para verificar a aprendizagem, foram elaboradas folhas de registro para cada atividade, contendo colunas para “Tentativas” e “Resposta +(certo)/ – (errado)”, além de um “Critério” de acertos necessários para considerar o conteúdo compreendido. Por exemplo, para a atividade de associação de objetos, o critério era de duas respostas corretas em três tentativas. Na atividade de classificação por flashcards, exigiam-se nove respostas corretas em dez tentativas. Para a atividade do modelo Terra e Sol, três respostas corretas em quatro tentativas eram necessárias, e para a atividade de desenho de sombras, duas respostas corretas em três tentativas.
Esses instrumentos de avaliação contínua foram fundamentais para acompanhar o progresso individual dos alunos, permitindo identificar os conceitos que não foram fixados adequadamente. Nesses casos, as folhas de registro possibilitaram delimitar as lacunas de aprendizado e planejar atividades complementares ou revisões, como novas dinâmicas, o uso de objetos concretos ou recursos audiovisuais. Por exemplo, se um aluno não conseguisse determinar as propriedades dos objetos por imagens, poderia ser proposto um vídeo ou a exploração do objeto real em sala de aula, com experimentação prática.
A aplicação dessas atividades adaptadas permitiu que os alunos assumissem um papel protagonista no processo de ensino e aprendizagem, participando ativamente e conscientemente. O professor atuou como mediador e facilitador, organizando situações que garantiram um aprendizado significativo. Essa perspectiva alinha-se à educação libertadora de Freire (1987) e às abordagens cognitivista e sociocultural de Mizukami (1986), que colocam o aluno no centro do processo de ensino e aprendizado, promovendo autonomia e engajamento.
Em síntese, a elaboração e aplicação de um material didático de Ciências adaptado para alunos com TEA, fundamentado nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada e nas evidências da neurociência, demonstrou ser uma estratégia altamente eficaz. A estruturação sequencial das atividades, o uso de recursos visuais e concretos, e as estratégias lúdicas contribuíram significativamente para a redução da sobrecarga cognitiva, a organização da informação e o engajamento dos alunos, promovendo uma aprendizagem mais acessível, significativa e alinhada às necessidades individuais, respondendo diretamente ao objetivo de favorecer o processo de ensino e aprendizagem das competências e habilidades da BNCC.
4. Conclusão
O presente estudo buscou confeccionar um material didático adaptado de Ciências para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no 6º ano do Ensino Fundamental II, visando favorecer o processo de ensino e aprendizagem das competências e habilidades propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Verificou-se que a elaboração de um programa de ensino para a habilidade EF06CI14, fundamentado nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e nos conhecimentos da neurociência, demonstrou ser uma estratégia eficaz. A estruturação sequencial das atividades, o emprego de recursos visuais como flashcards, materiais concretos e estratégias lúdicas, contribuiu significativamente para a progressão da aprendizagem, o desenvolvimento das funções executivas, o engajamento, a atenção e a compreensão dos alunos. Observou-se, ainda, a redução da sobrecarga cognitiva e o favorecimento da autonomia dos estudantes, que assumiram um papel protagonista no processo, mediado pelo professor.
A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração prática de como a integração dos princípios da ABA e dos fundamentos da neurociência pode transformar o ensino de Ciências para alunos com TEA, tornando-o mais acessível e significativo. Essa abordagem promove uma educação verdadeiramente inclusiva e de qualidade, ao considerar as particularidades cognitivas, comportamentais e sensoriais desses estudantes. Contudo, por se tratar de um estudo de caso com relato de experiência, os achados são contextuais e não se generalizam automaticamente a outras realidades educacionais. Recomenda-se, para estudos futuros, o investimento na formação docente e no desenvolvimento contínuo de materiais pedagógicos acessíveis, a fim de capacitar educadores a adaptar o ensino e atender às diversas necessidades educacionais dos alunos.
Referências Bibliográficas
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Cortegoso, A. L.; Coser, D. S. 2021. Elaboração de programas de ensino. Material autoinstrutivo. EdUFSCar, São Carlos, SP, Brasil.
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Ferreira, L. O.; Kubaski, C.; Schmidt, C. 2012. Dificuldades dos alunos com autismo na escola e estratégias de coping das educadoras. In: Congresso Brasileiro de Educação Especial, 2012, São Carlos, SP, Brasil. Anais… p. 10060-10071
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Mizukaml, M.G.N.1986. Ensino: as abordagens do processo: temas básicos de educação e ensino. EPU, São Paulo, SP, Brasil.
Rogalski, S.M. 2010. Histórico do surgimento da educação especial. Revista de Educação do Ideau (REI) 5(12): 1-13.
Scamati, V.; Cantorani, J. R. H.; Picinin, C. T, 2025. Os desafios na aprendizagem de indivíduos com transtorno de espectro autista (TEA): uma revisão. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação 33(126): 1-23.
Simplício, P. R. G. 2024. Estratégias de inclusão para crianças com transtorno do espectro autista (TEA) no contexto escolar: uma pesquisa exploratória. In: Congresso Internacional de Educação Inclusiva, 2024, Campina Grande, PB, Brasil. Anais… p. 99-116.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação
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