Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

Percepção Parental sobre a Influência de Narrativas Literárias Morais no Comportamento Infantil

Expedito Arantes; Marilda Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202602212

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A formação moral na infância representa um desafio contemporâneo, dada a saturação de estímulos digitais e a necessidade de resiliência socioemocional. Nesse contexto, a literatura infantil assume um papel crucial na modulação das intuições morais básicas durante a intensa plasticidade cerebral. O estudo investigou a percepção de pais e responsáveis sobre o impacto da leitura de narrativas com fundo moral no desenvolvimento ético e comportamental de crianças entre 4 e 12 anos. Fundamentada em perspectivas da neurociência cognitiva, a pesquisa analisou como a literatura atua como um sofisticado simulador social na construção do senso moral infantil. A metodologia consistiu na aplicação de um questionário estruturado eletrônico, respondido por 197 participantes de diferentes perfis socioculturais, em uma abordagem quanti-qualitativa. Os resultados indicaram que a frequência predominante de leitura nas famílias ocorreu de uma a duas vezes por semana, revelando elevada intencionalidade pedagógica, com a lição moral como critério decisivo na escolha das obras. Observou-se, ainda, que a mediação ativa estimulou significativamente a empatia, a formulação espontânea de perguntas críticas sobre dilemas éticos e a transposição de virtudes para o cotidiano. Concluiu-se que as narrativas literárias morais constituem ferramentas eficazes para a regulação emocional e para o fortalecimento de redes neurais vinculadas à valoração social, servindo a prática literária mediada como andaime essencial para a internalização de normas sociais de forma lúdica e reflexiva.

Palavras-chave: Comportamento; Desenvolvimento moral; Empatia; Literatura infantil; Neurociência.

1. Introdução

A formação moral na infância representa um desafio contemporâneo, especialmente diante da crescente saturação de estímulos digitais e da urgência em promover a resiliência socioemocional. Nesse contexto, a literatura infantil, reconhecida como um recurso social milenar, desempenha um papel crucial na modulação das intuições morais básicas durante um período de intensa plasticidade cerebral. A moral e a moralidade são compreendidas como a dimensão qualitativa do agir humano, intrinsecamente ligadas a princípios éticos e ao conjunto de valores e práticas que orientam os indivíduos na distinção entre o correto e o incorreto, o justo e o injusto, servindo como parâmetro para a concretização de virtudes e a orientação das condutas éticas.

A estruturação da moralidade é um eixo central da maturação humana na infância, envolvendo a internalização de convenções sociais, o cultivo da empatia e a capacidade de discernir a natureza ética das ações. Historicamente, a mente infantil foi associada ao conceito de tábula rasa, conforme Locke (1689), sugerindo que o conhecimento e o senso ético seriam construídos integralmente pela experiência externa. Contudo, pesquisas recentes, como as de Bloom (2013) e Haidt (2013), indicam a existência de uma bússola moral inata, com predisposições biológicas para a cooperação e o cuidado. Nesse sentido, teóricos como Piaget (1994) descreveram a evolução do senso moral em estágios distintos, desde a obediência heterônoma até a moralidade autônoma, pautada na reciprocidade e na compreensão mútua das intenções.

Estudos de Bloom (2013) e Haidt (2013) reforçam que bebês demonstram um senso rudimentar de justiça e empatia antes mesmo do desenvolvimento da linguagem, manifestando preferências por personagens que agem de forma prestativa. Sob a ótica da neurociência social, a interação entre o leitor e o ouvinte, especialmente na leitura mediada, cria um fenômeno de acoplamento neural. Hasson et al. (2010) e Piazza et al. (2020) demonstraram que as respostas cerebrais do ouvinte espelham as do falante durante uma narrativa bem-sucedida, o que fortalece o vínculo afetivo e a transmissão de valores. Immordino-Yang et al. (2009) observaram que emoções sociais complexas, como admiração e compaixão, ativam áreas corticais e subcorticais profundas, evidenciando a modulação biológica da valoração moral pela literatura.

A contribuição de Haidt (2013) sugere que a cultura e a educação, representadas pela literatura moral, modelam e consolidam as expressões morais a partir de módulos cognitivos inatos. A arquitetura cerebral, conforme a analogia de Marcus (2004) e Haidt (2013), assemelha-se a um rascunho literário inicial, com linhas mestras delineadas geneticamente, que são preenchidas e amadurecidas ao longo da infância. A literatura infantil, nesse processo, atua como uma ferramenta cognitiva de valor inestimável. O cérebro, embora não nasça para ler, possui plasticidade para criar novos circuitos de leitura (Wolf, 2024), conectando áreas visuais, linguísticas e afetivas, e reciclando a arquitetura neuronal para acomodar a alfabetização (Dehaene, 2012), potencializando o processamento de informações complexas e abstratas. Narrativas com fundo moral, segundo Bloom (2013) e Tomasello (2009), são instrumentos culturais que permitem às crianças explorar conceitos de justiça, empatia e cooperação, inserindo-se em um processo de socialização que promove comportamentos pró-sociais. A ficção literária, em particular, funciona como um sofisticado simulador de mundos sociais, ativando redes neurais semelhantes às de experiências reais e permitindo que a criança explore dilemas éticos, compreenda motivações e exercite a Teoria da Mente, promovendo empatia e resolução de conflitos (Mar e Oatley, 2008; Oatley, 2016).

Contudo, o impacto dessas narrativas é intrinsecamente dependente da mediação parental e do contexto em que a leitura ocorre. Os pais são os principais observadores da transposição dessas lições literárias para o cotidiano. Apesar da relevância do tema, existe uma lacuna na compreensão de como os responsáveis percebem essa influência prática no comportamento e na regulação emocional dos filhos, especialmente em um mundo saturado por estímulos digitais. Diante desse cenário, o presente estudo justifica-se pela necessidade de investigar a eficácia das narrativas morais como instrumentos de apoio ao desenvolvimento socioemocional e teve como objetivo principal analisar a percepção parental sobre a influência dessas histórias na bússola moral das crianças, verificando como a leitura compartilhada contribui para a internalização de virtudes e para a formação de uma conduta ética e empática.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva, com abordagem quanti-qualitativa (Creswell e Clark, 2013). O estudo concentrou-se na investigação da percepção de pais e responsáveis sobre a influência de narrativas literárias com fundo moral no comportamento e na cognição infantil.

A amostragem foi não probabilística por conveniência (Gil, 2022). Os participantes foram acessados por meio de convites digitais em redes sociais e grupos de interesse em educação e parentalidade. Ao final do período de coleta, obteve-se uma amostra de 197 respondentes, composta por pais ou responsáveis residentes em diversas cidades e estados do Brasil. A participação foi voluntária e o anonimato foi rigorosamente preservado, não sendo coletados dados que permitissem a identificação nominal dos sujeitos ou de instituições específicas, conforme as diretrizes de ética em pesquisa.

Para a obtenção dos dados, utilizou-se um questionário semiestruturado, elaborado na plataforma Google Forms. O instrumento foi composto por 14 questões planejadas em uma sequência lógica, divididas em blocos temáticos: (i) perfil demográfico e idade da criança; (ii) hábitos de leitura e frequência de mediação; (iii) percepção de impacto comportamental após a leitura; e (iv) relatos de transposição de valores para situações cotidianas. As questões de natureza quantitativa foram fundamentadas na escala de Likert (1932), enquanto as questões qualitativas, de caráter aberto, foram inseridas para possibilitar a coleta de narrativas e exemplos concretos de aplicação das lições literárias. O questionário indagou sobre: idade das crianças para quem o adulto lê; frequência das leituras; hábitos de leituras com foco moral; influência do fundo moral na escolha de aquisição de livros para leitura; percepção do impacto da leitura no comportamento infantil; reações da criança durante e após a leitura; e percepção parental dos benefícios das leituras de textos de fundo moral para o desenvolvimento infantil.

A coleta de dados ocorreu de forma inteiramente remota durante os meses de outubro de 2025 a janeiro de 2026, abrangendo centros urbanos de diferentes regiões. O procedimento foi conduzido de modo impessoal, garantindo que o ambiente de resposta fosse o domicílio do participante, sem a interferência direta do pesquisador, visando minimizar o viés de desejabilidade social (Sampieri; Collado; Lucio, 2013).

O tratamento dos dados foi realizado em duas etapas complementares. Os dados quantitativos foram submetidos à estatística descritiva, com o uso de frequências absolutas e relativas, organizadas em planilhas para a identificação de padrões e tendências predominantes na amostra de 197 participantes. Os dados qualitativos, advindos das respostas abertas, foram submetidos à técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2016). Este método permitiu a sistematização das informações por meio de três fases: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados com inferência e interpretação. As unidades de registro foram categorizadas em temas como desenvolvimento de empatia, honestidade, regulação emocional e colaboração, permitindo correlacionar os relatos dos pais com os fundamentos da neurociência social e da aprendizagem discutidos na fundamentação teórica.

3. Resultados e Discussão

Haidt (2013) propõe que a moralidade se fundamenta em módulos intuitivos inatos, como Cuidado/Dano e Justiça/Engano, que são subsequentemente moldados pela cultura e pela educação. Essa perspectiva desloca a moralidade do raciocínio lógico para o campo das intuições rápidas e automáticas, conceituando uma “bússola moral” inata. De acordo com Marcus (2004) e Haidt (2013), a arquitetura cerebral assemelha-se a um rascunho literário inicial, com contornos estruturais que aguardam preenchimento e maturação, refutando a ideia de um cérebro como “tábula rasa” (Locke, 1689). Nesse processo de moldagem cultural, a literatura infantil atua como uma ferramenta tecnológica e cognitiva de valor, visto que o cérebro possui plasticidade para criar novos circuitos de leitura, conectando áreas visuais, linguísticas e afetivas (Wolf, 2024; Dehaene, 2012).

A leitura de narrativas com fundo moral, conforme Bloom (2013), constitui um instrumento cultural que permite às crianças explorar conceitos de justiça, empatia e cooperação por meio da experiência simbólica. Essas histórias, segundo Tomasello (2009), inserem-se em um processo de socialização que promove comportamentos pró-sociais e a compreensão dos objetivos alheios. Narrativas morais operam nos domínios cognitivo e emocional, facilitando a empatia, o julgamento moral e a aprendizagem social (Haidt, 2001). A ficção literária, em particular, funciona como um simulador de mundos sociais, ativando redes neurais semelhantes às utilizadas em experiências reais, permitindo que a criança explore dilemas éticos e exercite a Teoria da Mente (Mar e Oatley, 2008; Oatley, 2016).

Coleta e análise dos dados sobre as percepções parentais

A análise dos dados coletados junto aos 197 participantes revelou padrões significativos na interação entre a leitura mediada e o desenvolvimento do senso moral infantil. Os resultados confirmaram que a literatura de aspecto moral atua como um potente simulador de realidades sociais, modulando circuitos neurais específicos ligados à empatia e à tomada de decisão ética.

Um dado fundamental foi a frequência de leitura: a maioria das famílias (n=81) relatou uma frequência de uma a duas vezes por semana, seguida por três a cinco vezes (n=65) e diariamente (n=47). Essa distribuição sugere que a consolidação de valores morais não depende apenas da exposição diária, mas da qualidade da mediação e da intensidade da experiência estética, permitindo o processamento profundo dos dilemas morais e a integração ao “rascunho moral” da criança (Wolf, 2024; Haidt, 2013).

A Figura 1 apresenta a distribuição da idade das crianças para quem os pais ou responsáveis leem. A maior concentração de respostas se agrupou na faixa de 5 a 6 anos (43,7%), seguida pelas crianças de 7 a 8 anos (29,4%) e de 3 a 4 anos (21,3%). Os grupos de 9 a 10 anos e 11 a 12 anos e outros representaram 5,6%. A predominância de crianças entre 3 e 8 anos (94,4% da amostra) abrange fases críticas de transição da moralidade, do estágio de obediência heterônoma para o início da cooperação (Piaget, 1994). Esse dado reforça a relevância da literatura como estímulo oportuno em janelas de intensa plasticidade cerebral (Wolf, 2024), atuando como agente revisor do “primeiro rascunho moral” (Haidt, 2013) e calibrando intuições inatas de cuidado e justiça pela simulação social (Oatley, 2016).

Figura 1. Idade informada da criança pelos pais ou responsáveis respondentes

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 2 detalha a frequência de leitura. A maior parcela da amostra (41,1%) mantém o hábito de uma a duas vezes por semana, seguida por 33% que o fazem de três a cinco vezes e 23,9% que realizam a leitura diariamente. Apenas 2% relataram frequências raras ou nulas. Esses índices indicam que a prática literária é recorrente na maioria das famílias, e a predominância de frequências semanais sugere espaço para o processamento profundo dos dilemas morais, permitindo que a criança rumine as situações e as integre ao seu senso moral de forma orgânica e reflexiva.

Figura 2. Frequência de leitura

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Ao investigar os hábitos de leitura com foco moral, a Figura 3 evidenciou forte presença de narrativas com fundo moral. A maioria dos respondentes (50,8%) relatou que as histórias lidas frequentemente possuíam um fundo moral claro. Em seguida, 38,1% afirmaram que isso ocorria ocasionalmente, e 8,6% adotavam essas narrativas quase sempre como foco principal. Apenas 2,5% indicaram que isso acontecia raramente.

Figura 3. Frequência de leitura com fundo moral

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Em relação ao mediador da leitura, os dados da Figura 4 revelaram que o compartilhamento é o cenário mais comum, com 47,2% dos respondentes indicando que ambos os pais assumem o papel de principal leitor. A mediação materna destacou-se significativamente (40,6%), em contraste com a paterna (10,2%). A participação de terceiros (avós, outros parentes, babás ou professores) compôs uma parcela marginal de aproximadamente 2%.

Figura 4. Responsável(eis) pela leitura

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os critérios de seleção das obras literárias, conforme a Figura 5, atestaram elevada intencionalidade. A maioria (61,4%) indicou que a lição moral influenciava bastante a decisão de compra ou leitura, e 31,5% classificaram a presença de fundo moral como muitíssimo influente. Apenas 7,1% afirmaram que essa característica influenciava pouco, priorizando o enredo e a diversão.

Figura 5. Decisão de compra

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A percepção do impacto comportamental pós-leitura, conforme a Figura 6, revelou que o engajamento reflexivo das crianças ocorria de forma expressiva. Mais da metade (55,3%) indicou que às vezes a criança fazia perguntas sobre a lição da história. Uma parcela significativa de 32% relatou que esse comportamento inquisitivo era frequente, e 10,7% atestaram que os questionamentos morais aconteciam sempre após as leituras. Apenas uma minoria (aproximadamente 2%) apontou que a criança raramente elaborava perguntas.

Figura 6. Percepção de impacto sobre o comportamento e perguntas sobre a história

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 7 investigou a expressão verbal de empatia das crianças em relação aos personagens. Os dados revelaram que essa demonstração empática ocorreu de forma consistente: 47,7% indicaram que às vezes manifestavam esse comportamento, 32,5% frequentemente, e 18,8% sempre. Apenas 1% apontou que a verbalização empática ocorreu raramente. Esses resultados corroboram a tese de Oatley (2016) de que a literatura infantil atua como um simulador para a vida social e moral. Sob a ótica neurobiológica, a verbalização da empatia ativou redes neurais ligadas ao processamento emocional e à empatia, como a ínsula anterior e o córtex cingulado anterior, além do sistema de neurônios-espelho (Wolf, 2024). O fato de 99% da amostra ter relatado a presença desse comportamento atestou que as narrativas promoveram imersão afetiva profunda, exercitando a habilidade de se colocar no lugar do outro.

Figura 7. Demonstração de empatia por personagens

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 8 avaliou se a criança tentava imitar as atitudes positivas do herói da história. A maioria (57,4%) indicou que as crianças buscavam às vezes imitar o protagonista, 28,4% frequentemente, e 10,7% sempre. Apenas 3,5% apontaram que a imitação das virtudes ocorria raramente. Esses dados corroboram a importância da modelação comportamental e da figura do herói na primeira infância. A tentativa de imitar atitudes do protagonista não foi um simples jogo lúdico, mas um ensaio neurocognitivo da virtude, ativando áreas motoras e esquemas éticos recém-formados, em consonância com a Teoria da Aprendizagem Social de Bandura (1977) e os estudos sobre neurônios-espelho de Rizzolatti e Craighero (2004). Mais de 96% das famílias observaram esse comportamento de imitação.

Figura 8. Imitação de atitudes da história

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 9 investigou o estado emocional e cognitivo da criança após a leitura, questionando se os pais a notavam mais reflexiva ou calma. A maior parte (60,4%) indicou que às vezes percebia a criança mais reflexiva ou calma, 26,9% frequentemente, e 8,6% sempre. Apenas 4,1% apontaram que a criança raramente demonstrava esse estado. Esses achados corroboram a hipótese de que a leitura mediada de narrativas morais atua como ferramenta de regulação emocional, modulando a reatividade límbica e engajando o córtex pré-frontal. O silêncio reflexivo pós-leitura ativa a Rede de Modo Padrão (Default Mode Network), essencial para o processamento interno e a consolidação da memória autobiográfica e social (Wolf, 2019). Quase 96% das crianças apresentaram esse rebaixamento de agitação em prol da reflexão.

Figura 9. Percepção de reflexão da criança

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 10 explorou a transferência do aprendizado literário para situações concretas. A evocação espontânea de lições ou personagens ocorreu de forma predominante: 65% dos respondentes indicaram que a criança mencionava esses elementos às vezes para explicar situações do dia a dia, e 22,8% relatou que essa transposição acontecia frequentemente. Por outro lado, 12,2% das famílias afirmaram que esse comportamento se manifestava raramente. Sob a perspectiva neurocognitiva, a evocação espontânea evidenciou a consolidação da memória de longo prazo e a transferência de aprendizagem. As narrativas moralmente engajadoras ancoraram-se em redes neurais afetivas, facilitando seu resgate espontâneo em dilemas reais (Immordino-Yang, 2015). O fato de 87,8% da amostra relatar essa evocação ativa atestou que a literatura de virtudes funcionou como um arcabouço heurístico.

Figura 10. Menção espontânea de lições da literatura fora do contexto da leitura

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 11 avaliou a frequência com que os pais utilizaram as narrativas como ferramenta de mediação disciplinar ou reforço moral. A maior parcela (45,2%) indicou que às vezes usou histórias como exemplo, 40,6% frequentemente, e 12,2% sempre. Apenas 2% apontaram que utilizaram esse recurso raramente. Esses resultados evidenciaram a eficácia da narrativa como mecanismo de integração cerebral durante a correção comportamental. Ao invocar o exemplo de um personagem literário, os pais contornaram a reatividade límbica e redirecionaram o processamento da criança para o córtex pré-frontal, facilitando a assimilação executiva e consciente da norma ética (Siegel e Bryson, 2015). O fato de 98% da amostra ter utilizado essa mediação demonstrou que as famílias ancoraram a instrução moral em um terreno imaginativo comum e seguro.

Figura 11. Uso de elementos da história para reforçar correção

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 12 explorou a frequência com que as famílias inseriam leituras ligadas a questões étnico-raciais. A maioria (53,3%) indicou que às vezes abordava essas temáticas, 29,4% frequentemente, 10,7% raramente, e 6,6% sempre. A inclusão dessa variável transversal revelou-se um importante vetor para analisar a amplitude da empatia infantil. Embora o foco primário fosse a formação de virtudes clássicas, a adesão a narrativas sobre diversidade (mais de 80% das famílias que as liam às vezes ou frequentemente) demonstrou uma busca implícita pela expansão do “círculo moral” da criança. Ao expor a criança a personagens de diferentes origens, as narrativas mitigaram a segregação cognitiva, exercitando a empatia por um protagonista de contexto distinto e aplicando as redes de Teoria da Mente de forma mais expansiva (Eagleman, 2015).

Figura 12. Leituras com temáticas étnico-raciais.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

As questões abertas 13 e 14 permitiram uma análise qualitativa das percepções parentais sobre a aplicação prática e os benefícios da leitura. O discurso das famílias evidenciou alinhamento com a educação moral, com termos como caráter, empatia, virtude, paciência, verdade e bondade emergindo. Ao descreverem situações cotidianas, os respondentes relataram a transposição direta do imaginário literário para a ação concreta, como crianças dividindo brinquedos ou usando a figura do “pastorzinho mentiroso” para balizar a verdade. Destacou-se o relato de uma criança que, inspirada por Bilbo Bolseiro em O Hobbit, auxiliou nas tarefas domésticas. Mesmo entre as famílias sem eventos pontuais, houve o relato recorrente de percepção de mudanças sutis e comportamento mais calmo.

Quanto aos benefícios percebidos, as respostas apontaram para a literatura como uma extensão da parentalidade, reforçando o que é ensinado em casa e atuando na formação do caráter. O momento do conto foi atrelado ao fortalecimento do vínculo familiar e à construção da “imaginação moral”. Sob a perspectiva da psicologia do desenvolvimento e da neurobiologia, esses relatos ilustraram a consolidação prática da aprendizagem, fornecendo à criança não apenas o saber o que é certo, mas o sentir e o agir (Lickona, 1991). O vocabulário moral empregado pelos pais demonstrou que as histórias modularam os circuitos de recompensa e as funções executivas, permitindo que a criança acessasse seu banco de dados narrativo para guiar condutas éticas.

Em síntese, a pesquisa revelou que a literatura de textos literários infantis com fundo moral tem potencial para o desenvolvimento do cérebro leitor. A qualidade da interação e a escolha criteriosa do conteúdo superam a necessidade de exposição diária massiva, sugerindo que a intensividade da experiência estética e o diálogo subsequente à leitura são os principais disparadores da plasticidade neural voltada para a moralidade. O ato de ler para um filho estabelece o que Piazza et al. (2020) denominam de acoplamento neural, transformando um momento de lazer em uma poderosa transferência de modelos mentais e valores éticos. As narrativas literárias funcionam como um sofisticado simulador social, permitindo à criança ensaiar virtudes como colaboração, coragem e honestidade sem os riscos inerentes ao erro social, facilitando a transição da moralidade heterônoma para a autonomia (Piaget, 1994). A recorrência de fábulas clássicas como âncoras para a verdade e a justiça demonstra que as metáforas literárias reduzem a resistência defensiva da criança, ativando o córtex pré-frontal para o julgamento moral em detrimento de respostas emocionais impulsivas, mediadas pela amígdala. Assim, a leitura compartilhada não apenas informa, mas regula o sistema nervoso da criança, promovendo estados de calma e reflexividade essenciais para o aprendizado e a convivência social. Os pais, ao atuarem como curadores dessas histórias, fornecem os estímulos necessários para que as intuições morais inatas sejam moldadas e transformadas em condutas sociais sólidas.

4. Conclusão

O presente estudo investigou a percepção parental sobre a influência de narrativas literárias de fundo moral no desenvolvimento ético e comportamental infantil. Verificou-se que a leitura mediada, mesmo quando realizada de uma a duas vezes por semana, com elevada intencionalidade pedagógica na escolha das obras, estimulou significativamente a empatia e a formulação espontânea de perguntas críticas sobre dilemas éticos. Observou-se, ainda, a transposição de virtudes para o cotidiano, com relatos de crianças que imitavam atitudes positivas de personagens e evocavam lições literárias para explicar situações do dia a dia. Esses achados indicaram que as narrativas literárias morais funcionam como um sofisticado simulador social, modulando circuitos neurais específicos ligados à empatia e à tomada de decisão ética, e atuam como ferramentas eficazes para a regulação emocional e o fortalecimento de redes neurais vinculadas à valoração social.

A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar que a prática literária mediada serve como um andaime essencial para a internalização de normas sociais de forma lúdica e reflexiva, facilitando a transição da moralidade heterônoma para a autônoma. A qualidade da interação e a escolha criteriosa do conteúdo mostraram-se mais relevantes do que a frequência diária massiva, promovendo o acoplamento neural entre pais e filhos e a construção da imaginação moral. Contudo, a pesquisa utilizou uma amostragem não probabilística por conveniência, o que limita a generalização dos resultados. Sugere-se, para estudos futuros, a ampliação das investigações sobre o impacto longitudinal dessas práticas no desempenho acadêmico e na saúde mental de adolescentes que vivenciaram este tipo de mediação na primeira infância, a fim de compreender a sustentabilidade desses benefícios ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Palavras-chave: Desenvolvimento infantil; Funções executivas; Habilidades socioemocionais; Mediação da aprendizagem; Neurociência aplicada.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Projeto Político Pedagógico: investigando concepções e propondo caminhos para desenvolver as competências socioemocionais

O desenvolvimento das competências socioemocionais representa uma demanda crescente no cenário educacional contemporâneo, impulsionada por estudos da neurociência que ressaltam sua importância para o desenvolvimento integral. Investigou-se como as escolas brasileiras incorporam essa demanda em seus Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs). Realizou-se uma pesquisa bibliográfica abrangente sobre competências socioemocionais e documentos educacionais orientadores. Analisaram-se cinco PPPs de escolas brasileiras, incluindo instituições públicas e privadas de diferentes estados, publicados entre 2016 e 2025, buscando a presença e a concepção de propostas para o desenvolvimento socioemocional. Os PPPs analisados evidenciaram uma preocupação com o desenvolvimento integral dos alunos, contemplando as dimensões cognitiva, afetiva e social. Contudo, não apresentaram explicitamente os conceitos de desenvolvimento socioemocional ou competências socioafetivas em seus termos exatos, tangenciando a temática por meio de objetivos educacionais gerais. A alfabetização afetiva não foi encontrada como proposta explícita em nenhum dos documentos. Concluiu-se que as escolas caminham para a efetivação da formação integral, mas necessitam de aprofundamento acadêmico para expandir e criar novas oportunidades de aprendizagem socioafetiva. A pesquisa contribuiu com a elaboração de um percurso para a construção de PPPs e uma proposta de sequência didática para a alfabetização socioafetiva.

Palavras-chave: Alfabetização socioafetiva; Competências socioemocionais; Desenvolvimento integral; Neurociências; Projeto Político Pedagógico.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Guia neuroeducativo para inclusão escolar baseado na análise do PPP de uma escola montessoriana

A inclusão escolar de estudantes com deficiência constitui um princípio orientador da Educação Básica. Analisou-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola privada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com o objetivo de identificar convergências, lacunas e implicações para o trabalho docente relacionadas à inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nos Anos Finais do Ensino Fundamental. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter exploratório, com delineamento em estudo de caso, utilizando a análise documental do PPP, confrontado com a Base Nacional Comum Curricular, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Os resultados indicaram alinhamento conceitual e normativo entre o PPP e as normativas oficiais quanto à inclusão escolar e valorização da diversidade. Contudo, identificaram-se lacunas na operacionalização da adaptação curricular, organização da aprendizagem e sistematização de orientações para o trabalho docente. Verificou-se que o documento não explicitou instrumentos sistematizados para apoiar a implementação das diretrizes. Esses achados fundamentaram a proposição de um guia neuroeducativo, destinado ao apoio formativo e prático dos docentes da instituição, com potencial de adaptação a outros contextos, visando fortalecer as práticas pedagógicas inclusivas.

Palavras-chave: Educação Especial; Educação inclusiva; Neuroeducação; Prática docente.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Multiletramentos, Cultura Digital e Neurociência: percepções docentes e implicações na prática pedagógica escolar

A presente pesquisa analisou como professores do 9º ano do Ensino Fundamental II percebem e integram multiletramentos, cultura digital, letramento crítico e competências digitais em suas práticas pedagógicas, considerando as diretrizes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (2018) e do Currículo Paulista (2019), além da relevância das funções executivas no ensino-aprendizagem. Adotou-se uma abordagem exploratória e descritiva, com metodologia mista predominantemente qualitativa. Coletaram-se dados por meio de um questionário anônimo aplicado a quatro professores de escolas privadas de São Paulo. Os resultados indicaram que os docentes demonstraram conhecimento conceitual consistente sobre os temas, mas a integração desses conceitos às práticas pedagógicas ocorreu de forma parcial e não sistêmica. Observou-se que a formação continuada dos professores para o uso de tecnologias digitais era insuficiente, levando à busca autônoma por capacitação. Além disso, identificaram-se fragilidades nas funções executivas dos alunos, como planejamento, foco e autorregulação, impactando o letramento crítico. Concluiu-se que a integração efetiva da cultura digital e dos multiletramentos exige trabalho intencional do professor, formação adequada, planejamento pedagógico consistente e atenção às habilidades cognitivas dos estudantes, com a neurociência oferecendo suporte para práticas mais conscientes.

Palavras-chave: Cultura digital; Formação docente; Funções executivas; Letramento crítico; Multiletramentos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Ação teatral como metodologia ativa para aprendizagem: convergência entre neurociência e educação

A presente pesquisa propôs a utilização da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem para estudantes do ensino fundamental II, fundamentada em neurociência, teatro e pedagogia. O estudo investigou o potencial da prática teatral como estratégia pedagógica para potencializar a compreensão e retenção de conteúdos teóricos. O objetivo foi estruturar e propor uma intervenção pedagógica baseada na criação coletiva de cenas teatrais enquanto aprendizagem ativa, comparando-a com práticas tradicionais de ensino expositivo. Realizou-se uma pesquisa experimental, com abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo quatorze estudantes do 7º ano. Os participantes foram submetidos a pré-testes objetivos e dissertativos sobre lobos cerebrais, hipocampo e amígdala. O grupo controle (7 estudantes) participou de aula expositiva, enquanto o grupo experimental (7 estudantes) criou cenas teatrais colaborativas. Dados de desempenho e observação foram analisados. Ao final da investigação, o grupo experimental demonstrou melhor retenção de conceitos e funções em comparação ao grupo controle. Concluiu-se que o teatro possui grande potencial como metodologia ativa para o desenvolvimento estudantil no contexto escolar, podendo ser aplicado em diferentes disciplinas por mobilizar engajamento, emoção, razão e resolução de problemas, além de auxiliar professores na elaboração de planos de aula.

Palavras-chave: aprendizagem ativa; engajamento estudantil; metodologia pedagógica; neurociência educacional; teatro educativo.

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13 de outubro de 2026

Educação não formal digital e juventude: condições de acesso, uso e aprendizagem significativa no Brasil.

A expansão das tecnologias digitais transformou os processos de aprendizagem nas últimas décadas, mas desigualdades persistentes no acesso condicionam as possibilidades educativas da juventude brasileira. O estudo investigou como as condições de acesso digital podem favorecer ou limitar a aprendizagem significativa (Ausubel, 1963; Moreira, 2012) em contextos não formais. Para isso, a pesquisa, de natureza quali-quantitativa e abordagem descritivo-analítica, analisou dados secundários da pesquisa TIC Domicílios (Cetic.br, 2025) e documentos institucionais (A4AI, 2020; UNESCO, 2024). Os resultados revelaram que, embora a maioria dos jovens brasileiros acesse a internet, uma parcela significativa o fez exclusivamente por smartphone, especialmente nas classes socioeconômicas mais baixas. A precariedade técnica decorrente dessa condição impôs uma carga cognitiva extrínseca, que consumiu recursos da memória de trabalho e comprometeu a disposição para aprender e a ancoragem de novos conhecimentos, conforme a teoria da Carga Cognitiva (Sweller, 1994). Concluiu-se que a métrica binária da conectividade é insuficiente. A ausência de Conectividade Significativa (A4AI, 2020) operou como uma barreira neurocognitiva à aprendizagem, aprofundando as desigualdades educacionais e desafiando o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 4 e 10 no Brasil (ONU, 2015).

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Conectividade significativa; Desigualdade digital; Educação não formal; Juventude.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

A inclusão da pessoa com deficiência visual nas escolas regulares: desafios e possibilidades

A inclusão escolar de estudantes com deficiência visual representa um desafio persistente nas instituições de ensino brasileiras, apesar dos avanços legislativos. Barreiras pedagógicas, atitudinais, estruturais e formativas ainda comprometem o acesso pleno desses alunos à educação regular, especialmente em escolas particulares, onde há resistência à matrícula e ao acolhimento. O estudo teve por objetivo analisar como ocorre a inclusão de estudantes com deficiência visual em uma escola regular, identificando desafios, recursos disponíveis e práticas bem-sucedidas. Para isso, observou-se o cotidiano de uma escola particular em Fortaleza [CE], que atende da educação infantil ao ensino fundamental I. A pesquisa contemplou visitas sistemáticas à instituição ao longo de três meses, visando compreender a atuação dos profissionais, a infraestrutura escolar, as estratégias pedagógicas e o uso de recursos tecnológicos e assistivos, destacando possibilidades e caminhos para uma inclusão efetiva. Identificaram-se os principais entraves enfrentados por docentes e gestão escolar, bem como práticas que favoreceram o desenvolvimento, a autonomia e o pertencimento dos alunos com deficiência visual. Concluiu-se que a inclusão, quando planejada e contextualizada, beneficia não apenas o aluno com deficiência, mas toda a comunidade escolar, promovendo uma educação mais humana, equitativa e colaborativa.

Palavras-chave: acessibilidade; deficiência visual; educação inclusiva; inclusão escolar; práticas pedagógicas.

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