
20 de fevereiro de 2026
Tecnologias na educação: desafios e oportunidades da gestão escolar
Manuella da Silva Lopes; Carolina Matteussi Lino
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O objetivo desta pesquisa foi analisar como a gestão escolar pode maximizar os benefícios das tecnologias educacionais, fortalecendo o papel do gestor como líder estratégico e mediador do processo de ensino-aprendizagem para garantir inclusão, equidade e qualidade. A investigação parte do pressuposto de que a integração tecnológica é um meio para potencializar práticas pedagógicas e otimizar processos administrativos, exigindo uma liderança capaz de navegar pelas complexidades dessa transformação. A análise busca identificar os desafios estruturais, pedagógicos e formativos, ao mesmo tempo que explora as oportunidades de inovação e eficiência que emergem do uso intencional e planejado dos recursos digitais.
A sociedade contemporânea vive uma imersão digital que redefine a comunicação e o acesso à informação, compelindo organizações de todos os setores a se adaptarem para se manterem relevantes (Stair e Reynolds, 1999). O setor educacional não é exceção, enfrentando o imperativo de se adaptar para não se tornar obsoleto. Moran (2013) adverte que escolas desconectadas do universo digital se tornam incompletas, pois privam alunos e educadores de vastas possibilidades pedagógicas e de acesso ao conhecimento globalizado, comprometendo a formação de cidadãos para os desafios do século XXI.
A pandemia de Covid-19 catalisou a digitalização da educação. No Brasil, dados do INEP (2020) revelam que 99,3% das escolas suspenderam as aulas presenciais e 98% adotaram estratégias de ensino remoto emergencial. Esse cenário forçou a adoção de plataformas digitais e a capacitação apressada de docentes, expondo as potencialidades e fragilidades do sistema. No pós-pandemia, consolidou-se uma nova cultura educacional, com o diálogo entre os mundos físico e digital se tornando constante. Moran (2022) descreve essa fase como uma reconfiguração da relação entre escola e sociedade; atividades e relacionamentos híbridos passaram a integrar o cotidiano, com impactos duradouros sobre o ensino e a aprendizagem.
O arcabouço legal brasileiro acompanha essa tendência. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece a cultura digital como competência geral obrigatória, determinando que as escolas devem capacitar os alunos a compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética (Brasil, 2017). Essa diretriz promove o letramento digital e o protagonismo em práticas sociais mediadas pela tecnologia (Brasil, 2022). Paralelamente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) define o gestor escolar como o principal articulador da proposta pedagógica e da relação escola-comunidade, tornando-o figura central na implementação dessas novas exigências (Brasil, 1996).
Diante desse panorama, a atuação do gestor escolar é determinante para o sucesso da transformação digital. Este estudo aprofunda a análise dos cenários de uso tecnológico na educação básica, contrastando políticas públicas com a realidade infraestrutural das escolas. A pesquisa investiga como o gestor pode atuar como facilitador, identificando desafios relacionados à formação docente, desigualdade de acesso e gestão de recursos, bem como as oportunidades para otimizar a administração e inovar nas práticas pedagógicas. O papel do gestor é analisado não apenas como administrador, mas como um líder visionário capaz de articular as mudanças necessárias.
A metodologia adotada foi uma pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa, fundamentada na análise de dados secundários do Censo Escolar da Educação Básica (INEP). Adicionalmente, realizou-se uma pesquisa documental, que utiliza fontes primárias sem tratamento analítico prévio (Gil, 2002), como documentos oficiais e relatórios. Essa combinação permitiu triangular informações quantitativas sobre infraestrutura com análises qualitativas de documentos normativos, proporcionando uma visão abrangente do fenômeno.
O recorte temporal da análise compreende o período de 2022 a 2024, justificado pelas mudanças na BNCC em fevereiro de 2022, que instituiu a norma sobre a inserção da Computação na Educação Básica. Essa alteração reflete o entendimento de que políticas de competências digitais poderiam ter mitigado as dificuldades da pandemia (Brasil, 2022). A análise do período permite observar as tendências e desafios na implementação dessa diretriz no contexto pós-pandêmico.
Para a análise de dados públicos, foram coletados microdados do INEP, focando em variáveis como dependência administrativa, existência de laboratórios de informática, disponibilidade de computadores para alunos e acesso à internet. Os dados foram organizados em planilhas e analisados por meio de estatística descritiva, com segmentação por região geográfica, e os resultados apresentados visualmente para facilitar a compreensão das disparidades. A análise documental complementou os dados com a investigação de fontes do Ministério da Educação, como a BNCC e a Matriz Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar, além de pesquisas do INEP e relatórios de organismos como a UNESCO e o Cetic. br. Os dados foram interpretados à luz da literatura acadêmica para compreender os desafios de formação, currículo e gestão.
O cenário do uso de tecnologias digitais na educação revela uma transformação impulsionada por recursos como bibliotecas digitais e inteligência artificial, que redefiniram o acesso ao conhecimento (UNESCO, 2023). Contudo, essa transição não é uniforme. A pandemia, embora tenha acelerado a adoção de tecnologias, aprofundou desigualdades. Países com menor infraestrutura sofreram interrupções mais longas na aprendizagem (Ciência para Educação, 2023). No Brasil, a falta de estrutura adequada contribuiu para o atraso na aprendizagem (Data Senado, 2022). Em 2023, apenas 77% das escolas públicas brasileiras possuíam acesso à internet de banda larga, um desafio estrutural persistente (INEP, 2023).
Dados do Censo Escolar entre 2022 e 2024 ilustram avanços e retrocessos na infraestrutura tecnológica. Observou-se uma redução no número de laboratórios de informática em todas as regiões após um pico em 2022. A disponibilidade de computadores de mesa para alunos oscilou, com quedas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul em 2023. Em contrapartida, a oferta de dispositivos portáteis, como notebooks, cresceu consistentemente, especialmente no Nordeste e Sudeste. Esses dados indicam uma possível mudança na estratégia de investimento para a mobilidade, mas também revelam instabilidade e falta de uma política de infraestrutura contínua e homogênea (INEP, 2022, 2023, 2024).
O acesso à internet, embora expandido, continua a ser um marcador de desigualdade regional. Dados de 2024 mostram que, enquanto o Sudeste se aproxima da universalização, estados do Norte como Acre (48,2%) e Amazonas (58,1%) apresentam conectividade drasticamente inferior (INEP, 2024). Essa disparidade impacta diretamente a capacidade das escolas de utilizarem a internet para fins pedagógicos. A educação de qualidade, como defende Moran (2013), é a base para o desenvolvimento de uma nação, e a persistência dessa exclusão digital compromete a redução de desigualdades.
Paralelamente aos desafios de infraestrutura, emergem questões sobre o uso dos dispositivos. O aumento do uso de celulares pessoais em sala de aula, embora uma solução paliativa, traz problemas de distração e saúde mental. Pesquisas indicam que 80% dos alunos afirmam que o celular diminui a concentração, e seu uso excessivo está associado a riscos de depressão e distúrbios de sono (Brasil, 2025). Em resposta, foi promulgada a Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares na educação básica. A tecnologia apresenta, assim, o duplo desafio de garantir o acesso e, ao mesmo tempo, promover um uso saudável e produtivo (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2024).
Nesse contexto, a figura do gestor escolar é central. Cabe a ele articular a implementação das tecnologias conforme a BNCC, considerando políticas públicas e desigualdades. A Matriz Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (Brasil, 2020) estabelece o gestor como principal responsável pelo sucesso da instituição, definindo metas e utilizando dados para a melhoria da aprendizagem. Contudo, existe uma lacuna na formação: dados de 2020 mostram que, embora a maioria dos diretores possua nível superior, apenas 10% detinham capacitação específica em gestão escolar, evidenciando a urgência de formação continuada (Gois, 2020; Todos Pela Educação, 2022).
A superação desses desafios exige uma gestão que transcenda o modelo administrativo. A gestão democrática e participativa, prevista na LDB (Brasil, 1996), é fundamental para engajar a comunidade escolar. Segundo Luck (2010), a liderança eficaz se legitima a partir do entendimento comum da missão institucional, promovendo a colegialidade. A introdução de novas tecnologias depende de um ambiente de confiança e diálogo para minimizar resistências e garantir que as inovações sejam co-construídas. A UNESCO (2022) reforça que a responsabilização das escolas deve evoluir de um modelo de conformidade para um processo orientado por metas compartilhadas.
O planejamento estratégico surge como uma ferramenta essencial para o gestor. Mintzberg (2003) o define como um conjunto de diretrizes que orientam a execução de metas. No contexto escolar, isso se traduz em diagnosticar a realidade da instituição, identificar riscos e oportunidades, e alinhar a implementação de tecnologias ao Projeto Político Pedagógico (PPP). Um bom planejamento deve incluir monitoramento e avaliação, permitindo que o gestor tome decisões baseadas em evidências (Luck, 2009). A administração de recursos, frequentemente limitados, depende de um plano claro que organize e aloque os investimentos para viabilizar as mudanças (Brian, 2003).
As tecnologias digitais, quando bem implementadas, oferecem oportunidades para a eficiência da gestão. Ferramentas de gestão otimizam processos administrativos, digitalizam documentos e monitoram dados educacionais, liberando o gestor para focar em questões pedagógicas (Todos pela Educação, 2024). Plataformas como a Mec Gestão Presente na Escola (GPE) centralizam dados e permitem o acompanhamento do desempenho da equipe (Brasil, 2023). As tecnologias também facilitam a comunicação com a comunidade e apoiam políticas de inclusão, quebrando barreiras geográficas e oferecendo acesso a conteúdos para estudantes menos favorecidos (UNESCO, 2023). O uso estratégico dessas ferramentas moderniza a administração e fortalece a missão educativa da escola.
A análise demonstrou que as tecnologias digitais são elementos centrais na transformação da educação contemporânea, atuando como catalisador de mudanças. A pesquisa evidenciou o impacto da pandemia de Covid-19 na aceleração do uso de recursos digitais, ao mesmo tempo que expôs as profundas desigualdades de infraestrutura e acesso que persistem no Brasil, especialmente nas escolas públicas de regiões menos desenvolvidas. Diante desse cenário, o papel do gestor escolar se revela crucial, exigindo competências de liderança estratégica, inovação e articulação de uma gestão democrática. A formação continuada desses profissionais é um pilar essencial para que possam conduzir suas escolas de maneira eficaz na era digital.
O estudo também destacou que a simples presença de tecnologia não garante a melhoria da qualidade educacional; seu impacto positivo depende de uma implementação planejada e alinhada ao projeto pedagógico da escola. O gestor deve atuar como um mediador, promovendo o uso ético e crítico das ferramentas, garantindo a proteção de dados dos estudantes e fomentando uma cultura de colaboração e inovação. As tecnologias, por sua vez, podem ser poderosas aliadas da gestão, otimizando processos, permitindo a tomada de decisão baseada em dados e fortalecendo a comunicação com a comunidade escolar. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a maximização dos benefícios das tecnologias educacionais pela gestão escolar depende de uma liderança estratégica que articule planejamento, formação continuada e gestão participativa para superar desafios de infraestrutura e garantir inclusão e qualidade.
Referências:
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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq
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