Artigo

Digital Business

16 de setembro de 2026

Design Sprint em Contextos Reais: Adaptações, Fatores Contingenciais e Uso de IA

Maylana Spricigo; Pablo Henrique Paschoal Capucho

DOI: 10.22167/2675-6528-202602282

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A crescente adoção de metodologias ágeis no desenvolvimento de software impulsionou a relevância do Design Sprint, um método para validação rápida de ideias. Este estudo analisou como profissionais de design, produto e desenvolvimento de software adaptam o Design Sprint em contextos organizacionais, considerando fatores contingenciais e o uso de Inteligência Artificial (IA). A pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, utilizou questionários estruturados e entrevistas semiestruturadas com oito profissionais válidos, dos quais cinco foram entrevistados em profundidade. Os dados revelaram que o Design Sprint é aplicado como um conjunto flexível de princípios, com adaptações motivadas por restrições de tempo, orçamento, contexto do projeto, envolvimento de stakeholders e formato de trabalho. A adesão estrita ao modelo original de cinco dias mostrou-se uma exceção, predominando ajustes pragmáticos. A IA foi utilizada como apoio operacional e analítico, principalmente na organização de informações, geração de alternativas e prototipação, mas levantou preocupações sobre segurança de dados, ética e impactos na criatividade. O ambiente presencial favoreceu a colaboração, enquanto o remoto comprometeu a qualidade das discussões. Concluiu-se que o Design Sprint mantém sua relevância ao preservar a colaboração e adaptar-se ao contexto e às novas tecnologias, com o facilitador desempenhando um papel crucial. A IA deve ser incorporada como ferramenta complementar, exigindo uso crítico para mitigar riscos e manter a essência criativa do método.

Palavras-chave: Design centrado no usuário; Design de produtos digitais; Facilitação; Metodologias ágeis.

1. Introdução

As metodologias ágeis são amplamente adotadas no desenvolvimento de software, reconhecidas pelo potencial de reduzir riscos e acelerar os ciclos de entrega de produtos (Beck et al., 2001; Highsmith, 2002). Nesse contexto, a integração de práticas de design centrado no usuário torna-se fundamental para assegurar que a perspectiva dos usuários oriente tanto o levantamento de requisitos quanto o planejamento do projeto (Lowdermilk, 2013; Knapp et al., 2016).

Um exemplo proeminente dessa integração é o Design Sprint, uma metodologia desenvolvida na Google Ventures. Ela propõe a imersão de stakeholders por cinco dias consecutivos, visando validar ideias rapidamente antes de investir tempo significativo no desenvolvimento e lançamento de um projeto (Knapp et al., 2016). Este formato é valorizado por seu potencial de alinhamento estratégico e agilidade na tomada de decisão.

Contudo, na prática, o método original do Design Sprint frequentemente passa por adaptações. Fatores contingenciais, como restrições de tempo, orçamento, o contexto específico do projeto e as características culturais da organização, influenciam diretamente a forma como os processos de design são executados (Figueiredo, 2019). Essas modificações são comuns em processos de design centrado no usuário, levando ao surgimento de diversas versões, como o Design Sprint 2.0 (InVision, 2018) e o Design Sprint 3.0 (Vetan, 2018), embora a metodologia de Knapp et al. (2016) permaneça como referência base.

Mais recentemente, o avanço da Inteligência Artificial (IA) tem impulsionado novas adaptações no Design Sprint, com o objetivo de potencializar e acelerar suas etapas. A IA generativa, por exemplo, tem otimizado processos, conforme demonstrado por estudos de caso (Brecht et al., 2023; Idkhafif et al., 2025). No entanto, a participação e a avaliação dos stakeholders continuam sendo elementos cruciais para a integração eficaz dessas ferramentas no processo.

Essas evoluções levantam a necessidade de investigar como empresas e profissionais adaptam o Design Sprint em seus contextos específicos. A introdução da IA adiciona uma nova camada a esse debate, prometendo ganhos de produtividade e criatividade, mas também suscitando preocupações relacionadas à segurança de dados, ética e o papel da participação humana nos processos de design (Idkhafif et al., 2025; Nudelman, 2025). Existe uma tensão evidente entre a busca por velocidade e a manutenção da profundidade necessária para a qualidade do design.

Diante desse cenário, este estudo busca analisar como profissionais de design, produto e desenvolvimento de software, atuando em diferentes organizações, adaptam o processo do Design Sprint diante de fatores contingenciais e do uso de ferramentas de Inteligência Artificial. Para tanto, a pesquisa visa identificar os principais fatores contingenciais que levam às adaptações metodológicas do Design Sprint; compreender como profissionais estão utilizando a IA no Design Sprint; e apontar oportunidades de melhoria que possam contribuir para a aplicação mais eficaz do Design Sprint.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa é de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo, buscando compreender as percepções e práticas de profissionais que aplicam o método Design Sprint no desenvolvimento de produtos digitais (Gil, 2019; Harbs et al., 2024).

A coleta de dados envolveu um questionário direcionado a profissionais com experiência em Design Sprint, seguido de entrevistas semiestruturadas com participantes selecionados a partir do questionário. O questionário foi divulgado em grupos de negócios e design no WhatsApp e LinkedIn, sendo estruturado em cinco seções: Experiência com Design Sprint, Adaptações no Design Sprint, Uso de IA, Perfil Profissional e Encerramento. Algumas perguntas eram condicionais, servindo como filtro para garantir que os respondentes tivessem experiência com Design Sprint e para otimizar a dinâmica do questionário.

As perguntas do questionário estão detalhadas na Tabela 1.

Tabela 1. Perguntas do questionário

SeçãoIDPerguntas
ExperiênciaQ1Quantos Design Sprints você já participou?
ExperiênciaQ2Há quanto tempo você tem contato com Design Sprints?
ExperiênciaQ3Atualmente, com que frequência você participa de Design Sprints?
ExperiênciaQ4Em quais formatos você já participou de Design Sprints?
ExperiênciaQ5Você já atuou como facilitador(a) de um Design Sprint?
AdaptaçõesQ6Os Design Sprints que você participou seguiram o modelo original (Google Ventures) ou utilizaram adaptações?
AdaptaçõesQ7Na sua opinião, quais fatores mais influenciaram as adaptações?
Uso de IAQ8Você já utilizou ferramentas de IA em alguma etapa de um Design Sprint?
Uso de IAQ9Em quais etapas do Design Sprint você costuma utilizar ferramentas de IA?
Uso de IAQ10Qual o papel principal da IA nesses casos?
Perfil profissionalQ11Qual é sua função atual?
Perfil profissionalQ12Em que tipo de organização você atua?
EncerramentoQ13Você estaria disposto(a) a participar de uma entrevista de aproximadamente 45 minutos para aprofundar sua experiência com Design Sprints?
EncerramentoQ14Você conhece outros profissionais que atuam com Design Sprints e que poderiam se interessar em participar desta pesquisa?

Fonte: Dados originais da pesquisa

Para a etapa de entrevistas, buscou-se selecionar respondentes por amostragem por intencionalidade (Gil, 2019), com base nas respostas do questionário sobre experiência e envolvimento com Design Sprints. Seis participantes aceitaram colaborar e foram entrevistados, sendo dois indicados por outros participantes em uma lógica de bola de neve (Gil, 2019; Harbs et al., 2024). As entrevistas foram semiestruturadas (Gil, 2019), com roteiro semelhante ao questionário, mas com aprofundamento reflexivo sobre a organização e experiências com Design Sprint, modificações do processo conforme fatores contingenciais, uso de ferramentas de inteligência artificial e perspectivas futuras.

O roteiro de entrevista está apresentado na Tabela 2.

Tabela 2. Roteiro de entrevista

SeçãoIDPerguntas
ExperiênciaP1Recapitular respostas do questionário sobre experiência
ExperiênciaP2Tipos de projetos e clientes em que aplica Design Sprints
ExperiênciaP3Planejamento do Design Sprint
ExperiênciaP4Fatores que considera importante antes de começar
AdaptaçõesP5Tipo de adaptação recorrentes
AdaptaçõesP6Maiores influências para adaptações
AdaptaçõesP7Uso de frameworks complementares
AdaptaçõesP8Diferenças na dinâmica da equipe em presencial, híbrido ou remoto
Uso de IAP9Ferramentas de IA usadas
Uso de IAP10Benefícios da IA
Uso de IAP11Limitações ou riscos da IA
Uso de IAP12IA como gatilho de adaptação
PercepçõesP13Relevância do Design Sprint
EncerramentoP14Espaço para outras observações

Fonte: Dados originais da pesquisa

Os dados obtidos nas entrevistas foram organizados e analisados sistematicamente em três etapas: codificação das respostas, tabulação dos dados e análise interpretativa. Esta análise visou estabelecer conexões entre as percepções dos entrevistados e os conceitos teóricos ou evidências empíricas sobre metodologias ágeis, Design Sprint e desenvolvimento de produtos digitais (Harbs et al., 2024).

3. Resultados e Discussão

Caracterização da Amostra e Contexto Profissional

A pesquisa iniciou com um questionário exploratório, que resultou em 14 respostas de profissionais. Destas, nove indicaram experiência prévia em Design Sprint, e oito foram consideradas válidas. Essa amostra demonstrou diversidade em maturidade e tempo de contato com a metodologia, oferecendo uma visão abrangente sobre o uso do método em diferentes estágios de carreira. A Figura 1 ilustra a relação entre o tempo de experiência e a quantidade de Design Sprints participados, com a cor de cada círculo indicando a frequência de uso da metodologia.

Figura 1. Nível de experiência entre os participantes

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Dois participantes estão representados de forma conjugada na Figura 1, pois ambos participaram de um a dois Design Sprints em um período de três a cinco anos. No entanto, eles se diferenciam na frequência de uso atual: um indicou uso raro, enquanto o outro não participa mais.

Os participantes concentram-se principalmente em cargos de gestão e design de produto (62,5%), sendo estes os únicos perfis que relataram experiência na facilitação de Design Sprint, conforme a Figura 2. O facilitador é um agente central na condução e adaptação do método, responsável por gerenciar o tempo, as conversas e o processo (Knapp et al., 2016). Embora houvesse um facilitador de processos na amostra, este apenas participou de Design Sprints, sem atuar como facilitador.

Figura 2. Atuação como facilitador de Design Sprint por perfil profissional

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A maioria dos participantes atua em consultoria, agência ou fábricas de software, como mostra a Figura 3. Isso reflete a predominância do Design Sprint em contextos de prestação de serviço e desenvolvimento de produtos digitais, embora seu potencial de aplicação se estenda a diversas soluções.

Figura 3. Perfil profissional, por tipo de empresa

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Durante a análise qualitativa, verificou-se que a experiência de uma das participantes estava, na verdade, relacionada a sprints do framework Scrum. Essa confusão de termos, já apontada por Knapp et al. (2016), sugere que, no contexto organizacional, os métodos ágeis podem ser misturados ou usados de forma genérica, o que compromete a compreensão e aplicação adequada de cada metodologia. Esse achado indicou um conhecimento limitado sobre o Design Sprint. Diante disso, os dados do questionário e da entrevista dessa participante (Entrevista #2) foram desconsiderados para a análise das adaptações do Design Sprint e do uso de IA.

A Figura 4 representa visualmente a amostra válida, consolidando o perfil profissional e a experiência dos participantes, além de identificar quem foi entrevistado.

Figura 4. Representação dos participantes

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Análise das Adaptações frente aos Fatores Contingenciais

Um achado central da pesquisa foi que a adesão estrita ao modelo original de Knapp et al. (2016) é a exceção. Apenas um dos participantes que atuaram como facilitadores indicou seguir o roteiro clássico de cinco dias. A maioria relatou a necessidade de adaptações, com quatro menções para adaptações significativas e três para adaptações pontuais, conforme a Figura 5. Esse resultado corrobora as proposições de Figueiredo (2019), que indicam a influência de fatores contingenciais, como características organizacionais, restrições de tempo e orçamento, na execução dos processos de design.

Figura 5. Adaptações utilizadas nos Design Sprints

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Um participante inicialmente afirmou usar o modelo original, mas a entrevista revelou adaptações deliberadas em sua prática, evidenciando um conhecimento limitado sobre a estrutura do Design Sprint. Isso sugere uma apropriação informal do método, mais guiada pela experiência do que por um entendimento teórico da estrutura proposta por Google Ventures (Knapp et al., 2016).

A diversidade de formatos de participação também se mostrou relevante, com equilíbrio entre experiências presenciais e remotas, demonstrando a adaptação do método a ambientes digitais (Figura 6). Embora o formato remoto amplie o acesso e reduza a logística, as entrevistas indicaram limitações importantes, como a dificuldade de manter o engajamento e a atenção da equipe em períodos prolongados.

Figura 6. Formatos de Design Sprints

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os relatos indicam que o ambiente presencial favorece o Design Sprint, com percepções positivas de engajamento, colaboração e criatividade. O formato remoto, por sua vez, apresenta predominantemente aspectos negativos, como dispersão, desalinhamento e baixa qualidade das entregas. A Figura 7 consolida essas percepções dos entrevistados. Isso confirma que a presença física sustenta elementos centrais do método, como foco e decisões coletivas, enquanto o remoto fragiliza a qualidade das discussões e resultados.

Figura 7. Percepções sobre formatos presencial e remoto

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Esse achado dialoga com a formulação original de Knapp et al. (2016), que concebe o método como uma dinâmica intensiva, colaborativa e baseada em decisões rápidas. A presença física não é apenas um detalhe operacional, mas parte da estrutura que sustenta o engajamento, o foco e a qualidade das discussões. O ambiente remoto tende a fragilizar esses elementos, impactando a qualidade das entregas e a profundidade das discussões.

Além da adaptação para o formato digital, os participantes relataram principalmente a redução do tempo de imersão, a adaptação de ferramentas e o ajuste de etapas. Os fatores que mais influenciaram essas adaptações incluem tempo disponível, contexto do projeto, engajamento da equipe, habilidades do facilitador, integração com próximos passos e orçamento. Esses achados se alinham às categorias de fatores contingenciais de Figueiredo (2019), conforme apresentado na Figura 8.

Figura 8. Fatores contingenciais com mais influência

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Embora as características da organização tenham sido mencionadas no questionário, esse fator não se destacou nas entrevistas, sugerindo uma percepção mais abstrata do que operacional. Os participantes focaram em elementos mais condicionantes à execução do Design Sprint, como contexto do projeto, tempo disponível, envolvimento de stakeholders e o papel do facilitador, reforçando a dimensão pragmática das adaptações.

A redução do tempo de execução do Design Sprint está diretamente associada ao tempo disponível para sua realização. Esse tempo é influenciado por fatores organizacionais mais amplos, como restrições de orçamento, negociações internas sobre alocação da equipe e dificuldade de engajamento contínuo de stakeholders. A redução temporal reflete uma lógica empresarial em que o custo de manter profissionais dedicados à imersão influencia a configuração do processo.

Contudo, a compressão temporal pode gerar efeitos adversos quando não há planejamento adequado e facilitação robusta. Em alguns casos, o processo demandou mais tempo do que o previsto, com sobrecarga de atividades fora do período formal de imersão. Isso sugere que a redução do tempo, por si só, não otimiza o processo e, sem estruturação prévia, pode comprometer a fluidez e ampliar a carga operacional.

Além da dimensão temporal, o contexto do projeto influencia diretamente as adaptações, levando à substituição ou customização de ferramentas e ao ajuste de etapas. Os participantes indicaram que o objetivo central de cada fase do Design Sprint é preservado, mesmo com as adaptações.

No entanto, quando as adaptações ocorrem sem planejamento prévio e sem orientação estruturada da facilitação, a qualidade das entregas tende a ser comprometida. A compreensão superficial do método original favorece adaptações específicas de cada equipe, dificultando a padronização e a comparação de resultados entre projetos. Isso pode gerar frustração, quando o problema reside na implementação incompleta ou equivocada, e não no método em si. Habilidades de gestão do tempo, alinhamento de expectativas e condução do grupo foram mencionadas como cruciais, indicando que a qualidade da mediação influencia diretamente a efetividade do método.

Esse achado reforça a importância das etapas iniciais de alinhamento, como o “Set the Stage” (Knapp et al., 2016). Na prática, essa fase é frequentemente subestimada, possivelmente por não estar explicitamente representada no diagrama mais difundido do processo. A clareza de objetivos e a organização prévia são condições essenciais para o bom desempenho do processo. A ausência de menções a abordagens mais recentes, como o Problem Framing (Vetan, 2018) ou The Foundation Sprint (Vetan, 2025), pode indicar que a adaptação do Design Sprint, embora motivada por fatores contingenciais, ocorre de forma pragmática e pouco estruturada, com uso de ferramentas e ajustes pontuais definidos conforme o andamento do processo. Isso pode refletir limitações de tempo ou um repertório metodológico restrito, levando a adaptações mais intuitivas do que planejadas.

A única adaptação com abordagem mais estruturada foi a inclusão da engenharia de requisitos no Design Sprint, motivada pela falta de integração com o processo de desenvolvimento. Mesmo quando o Design Sprint é comercializado como um serviço independente, os clientes costumam esperar que um dos entregáveis seja o orçamento completo do projeto, incluindo desenvolvimento e implementação, ainda que esse resultado não esteja previsto originalmente no método. Esse aspecto evidencia a necessidade de articular o caráter exploratório do Design Sprint com etapas mais técnicas, garantindo continuidade entre as soluções concebidas e sua efetiva materialização.

O Uso da Inteligência Artificial no Processo de Design

A introdução da IA no Design Sprint foi verificada em cinco dos oito respondentes válidos do questionário. O uso concentrou-se principalmente na etapa de prototipagem (Figura 9), desempenhando tanto funções operacionais quanto de apoio à análise e co-criação.

Figura 9. Etapas do Design Sprint onde se utiliza ferramentas de IA

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Embora apenas três dos cinco entrevistados tenham indicado utilizar IA diretamente no processo de Design Sprint, todos se mostraram favoráveis à sua adoção. Os principais motivos foram a otimização de tempo, o aumento de produtividade e o apoio à geração de ideias, conforme representado na Figura 10.

Figura 10. Papel da IA nas etapas de Design Sprint

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 11 apresenta as principais palavras-chave associadas aos benefícios da adoção de ferramentas de IA mencionadas nas entrevistas: redução de tempo, apoio à geração de ideias e produtividade. O conceito de produtividade, nesse contexto, não se limita à eficiência temporal, mas também à capacidade de aumentar o volume de entregas, o que nem sempre implica melhoria na qualidade do trabalho. A geração de ideias está diretamente associada à co-criação ativa, onde a IA é utilizada para explorar hipóteses e cenários de forma rápida e iterativa. Esses achados sugerem que os profissionais estão abertos à incorporação da tecnologia, reconhecendo seu potencial para apoiar práticas alinhadas às metodologias ágeis (Beck et al., 2001; Highsmith, 2002), especialmente ao reduzir o esforço em tarefas repetitivas e permitir maior foco em atividades estratégicas (Idkhafif et al., 2025).

Figura 11. Benefícios do uso de IA no Design Sprint

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Contudo, emergiram também limitações éticas e operacionais relevantes. Apesar dos ganhos de eficiência, os relatos indicam que a IA não substitui a capacidade humana necessária para a tomada de decisão coletiva e para a compreensão aprofundada do problema, elementos centrais do Design Sprint. Assim como ressaltado por Idkhafif et al. (2025), os entrevistados alertam para riscos como erros factuais, vieses inerentes aos dados de treinamento da IA, dependência excessiva e redução da criatividade (Figura 12), o que pode comprometer a qualidade e relevância das soluções desenvolvidas.

Figura 12. Riscos do uso de IA no Design Sprint

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Apesar desses desafios, os dados indicam que a IA deve ser incorporada ao Design Sprint como ferramenta complementar, não substituta. Embora já esteja sendo utilizada para acelerar etapas, automatizar atividades operacionais e gerar protótipos, sua integração exige uso crítico para mitigar riscos e preservar a essência colaborativa e criativa do método.

Percepções para o Futuro

Na visão dos participantes, o Design Sprint tende a permanecer relevante, especialmente por seu papel na promoção da colaboração, da criatividade e da redução de riscos no desenvolvimento de produtos. Um dos entrevistados destacou que “a ferramenta nunca vai ser capaz de sentir a complexidade individual humana”, evidenciando o valor intrínseco do método para dinâmicas de grupo.

No entanto, sua continuidade está condicionada à capacidade de adaptação às novas tecnologias, como a IA generativa, que já influencia adaptações no processo. Os participantes reconhecem que a IA pode acelerar etapas operacionais, mas alertam para a necessidade de manter o foco na interação humana. Foi apontado o risco de perda de relevância em contextos onde o valor do Design Sprint não é plenamente compreendido, especialmente frente a abordagens automatizadas ou mais rápidas. Essa percepção reforça a necessidade de evolução contínua do processo, equilibrando sua essência colaborativa com inovações que ampliem sua aplicabilidade e eficiência.

Os resultados desta pesquisa indicam que o Design Sprint é utilizado como um conjunto flexível de princípios, com adaptações motivadas principalmente por restrições de tempo, orçamento e contexto de cada projeto. A adesão estrita ao modelo original de cinco dias é a exceção, predominando ajustes pragmáticos. Nesse contexto, o facilitador é essencial para orientar a estrutura e preservar as etapas centrais, contribuindo diretamente para o sucesso do Design Sprint na prática. O ambiente presencial favorece a colaboração essencial ao método, enquanto o ambiente remoto compromete a qualidade das discussões e entregas. A redução temporal reflete uma lógica empresarial de custo-benefício, mas exige estruturação prévia para evitar sobrecargas operacionais. No que se refere à Inteligência Artificial, sua incorporação ocorre de forma complementar, acelerando tarefas operacionais e prototipagem, mas exige supervisão crítica para mitigar riscos éticos, vieses e perda de criatividade. Os profissionais reconhecem seu potencial, desde que preservada a essência colaborativa do Design Sprint.

4. Conclusão

O presente estudo analisou como profissionais de design, produto e desenvolvimento de software adaptam o processo do Design Sprint diante de fatores contingenciais e do uso de ferramentas de Inteligência Artificial. Verificou-se que o Design Sprint é empregado como um conjunto flexível de princípios, com a adesão estrita ao modelo original de cinco dias sendo uma exceção. As adaptações foram motivadas principalmente por restrições de tempo, orçamento, contexto do projeto, envolvimento de stakeholders e formato de trabalho. Observou-se que o ambiente presencial favorece a colaboração e a qualidade das discussões, enquanto o remoto tende a comprometer esses aspectos. A redução temporal, embora comum por razões de custo-benefício, exige planejamento prévio e facilitação robusta para evitar sobrecargas operacionais. No que tange à Inteligência Artificial, identificou-se sua incorporação complementar, sobretudo nas etapas de prototipagem, organização de informações e geração de alternativas, contribuindo para a otimização de tempo e aumento da produtividade. Contudo, emergiram preocupações com segurança de dados, ética, vieses e a potencial redução da criatividade, reforçando que a IA não substitui a capacidade humana de tomada de decisão e compreensão aprofundada do problema. A principal contribuição do estudo reside em evidenciar a natureza pragmática das adaptações do Design Sprint em contextos organizacionais reais e em fornecer um panorama inicial da integração da IA, sublinhando a necessidade de um uso crítico para preservar a essência colaborativa e criativa do método.

As limitações deste estudo incluem o número reduzido de participantes, com oito respondentes válidos no questionário e cinco entrevistas em profundidade, o que restringe a generalização dos achados. Além disso, foram notadas lacunas no conhecimento conceitual do Design Sprint entre os participantes, evidenciadas pelas inconsistências entre as respostas do questionário e das entrevistas. A amostra concentrou-se majoritariamente em profissionais de consultorias, agências e fábricas de software, limitando a representatividade de outros setores. Para pesquisas futuras, sugere-se ampliar a diversidade e o tamanho da amostra, incorporando diferentes contextos organizacionais para aumentar a robustez dos resultados. Recomenda-se também a realização de estudos longitudinais para acompanhar a efetividade das adaptações do Design Sprint ao longo do tempo, considerando os avanços da Inteligência Artificial. Por fim, destaca-se a importância de investigar o nível de conhecimento e apropriação do Design Sprint no contexto brasileiro, dada a predominância de referências internacionais e as inconsistências conceituais observadas.

Referências Bibliográficas

Beck, K.; Beedle, M.; van Bennekum, A.; Coockburn, A.; Fowler, M.; Grenning, J.; Highsmith, J.; Hunt, A.; Jeffries, R.; Kern, J.; Marick, B.; Martin, R.C.; Mellor, S.; Schwaber, K. Sutherland, J.; Thomas, D. 2001. Principles behind the Agile Manifesto. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2025.

Brecht, P.; Keller, S.; Niever, M.; Hahn, C.; Pfaff, F.; Albers, A. 2023. Product Digital-Platform-Business Co-Design: A Systematic Sprint Approach. Procedia CIRP 119(2023): 495-500. Disponível em: . Acesso em: 09 fev. 2026.

Figueiredo, L.B. 2019. Up-front design no desenvolvimento ágil de software centrado no usuário. Dissertação em Mestrado Engenharia de Produção. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Gil, A.C. 2019. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7ed. Editora Atlas Ltda, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Disponível em: . Acesso em: 22 out. 25.

Harbs, R.; Flores, D.; Bigaton, A. 2024. Metodologias de pesquisa para trabalhos de conclusão de curso. Editora PECEGE, Piracicaba, SP, Brasil.

Highsmith, J.A. 2002. Agile Software Development Ecosystems. Addison-Wesley, Boston, MA, United States of America.

Idkhafif, H.H.; Lauer, J.; Brecht, P.; Hahn, C.H. 2025. Unleashing the power of generative Al-tools ins SPDS – Smart Plataform Design Sprint. In: ISPIM Innovation Symposium, 2025, Bergen, Norway. Anais… p. 1-17. Disponível em: . Acesso em: 02 out. 2025.

InVision. 2018. The Design Sprint 2.0. Inside Design. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2025

Knapp, J.; Zeratsky, J.; Kowitz, B. 2016. Sprint: How to Solve Big Problems and New Ideas in Just Five Days. Simon and Schuster, New York, NY, United States of America.

Lowdermilk, T. 2013. Design Centrado no Usuário: Um guia para o desenvolvimento de aplicativos amigáveis. Novatec Editora, São Paulo, SP, Brasil.

Vetan, J. 2018. Design Sprint 3.0. Disponível em: . Acesso em: 2 out. 2025.

Vetan, J. 2025. What is the Foundation Sprint?. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2026.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Plataformas Digitais como Indutoras do Reengajamento Presencial em Clubes Esportivos

A redução do comparecimento presencial de associados em clubes esportivos sem fins lucrativos configura um desafio recorrente. Investigou-se como plataformas digitais podem induzir o reengajamento presencial, analisando o papel do planejamento e da comunicação digital, a influência da sociabilidade e do pertencimento, a contribuição da memória afetiva mediada digitalmente e o efeito de mecanismos de reconhecimento simbólico, como a gamificação. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, que incluiu entrevistas qualitativas apoiadas por um Produto Mínimo Viável (MVP) para elicitação discursiva, e um questionário quantitativo para triangulação dos dados. A análise de conteúdo identificou quatro dimensões centrais: planejamento e conveniência, sociabilidade e pertencimento, memória afetiva e reconhecimento simbólico. Os resultados sugeriram que a mediação digital pode favorecer o comparecimento presencial, embora seus efeitos dependam de fatores contextuais e não se apresentem de forma linear. Concluiu-se que o reengajamento presencial é um processo multidimensional mediado por dinâmicas funcionais, relacionais e simbólicas que se reforçam mutuamente. Contribuiu-se com um modelo interpretativo e a discussão da ambivalência da mediação digital, indicando que ela não substitui a interação presencial e é influenciada por condições contextuais e individuais.

Palavras-chave: Análise de conteúdo; Clubes esportivos; Engajamento digital; Plataformas digitais; Reengajamento presencial.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Percepção do Usuário na Amazon: a Evolução da Jornada de Compra nos Últimos Cinco Anos

A jornada de compra do consumidor digital na plataforma Amazon passou por uma transformação significativa entre 2019 e 2024, influenciada pela pandemia de COVID-19 e pela evolução do comportamento do usuário. O estudo teve como objetivo analisar a percepção dos usuários sobre essa evolução e identificar os fatores que influenciaram a experiência e a fidelização. Para isso, empregou-se uma abordagem quali-quantitativa, que incluiu revisão bibliográfica e a aplicação de um questionário estruturado online a 107 usuários ativos da Amazon, com histórico de compras no período analisado. Os resultados revelaram uma percepção majoritariamente positiva da evolução da jornada, com 59,8% dos respondentes indicando melhorias na experiência. Atributos como segurança, variedade de produtos, facilidade de navegação e o uso de recursos tecnológicos, como Amazon Prime e recomendações personalizadas, foram cruciais para essa percepção. Contudo, foram identificados pontos de fricção, como o custo do frete e a percepção de preços elevados. Concluiu-se que a evolução da jornada de compra na Amazon está intrinsecamente ligada à integração de conveniência, tecnologia e eficiência operacional, embora a experiência ainda apresente tensões relacionadas a fatores econômicos e a um consumidor cada vez mais comparativo.

Palavras-chave: Comportamento do consumidor; COVID-19; E-commerce; Experiência do usuário; Fidelização digital.

Digital Business

16 de setembro de 2026

Inteligência Artificial como Alavanca da Resiliência Cibernética em Organizações de Médio e Grande Porte

A digitalização das operações empresariais ampliou a exposição das organizações a riscos cibernéticos, intensificados por ataques automatizados baseados em Inteligência Artificial. Nesse contexto, a cibersegurança tornou-se crítica para a continuidade dos negócios, demandando defesas adaptativas e eficientes. O estudo analisou como a Inteligência Artificial aplicada à defesa cibernética contribuiu para a resiliência operacional de organizações de médio e grande porte, especialmente nos processos de resposta a incidentes e continuidade dos serviços, frente ao aumento de ataques automatizados baseados em IA. Adotou-se uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, baseada em entrevistas semiestruturadas com profissionais de cibersegurança de empresas especializadas. Os dados coletados foram analisados por meio de análise de conteúdo temática. Identificaram-se padrões relacionados ao uso da IA na detecção de ameaças, automação da resposta a incidentes e redução do tempo de recuperação operacional. Os resultados indicaram que a Inteligência Artificial foi percebida como um elemento relevante para aumentar a agilidade e a eficácia das defesas cibernéticas, embora desafios persistam quanto à maturidade das soluções, integração com processos existentes e confiança nos modelos automatizados. Observou-se que a aplicação da IA pode fortalecer a resiliência operacional das organizações, desde que acompanhada de governança adequada e capacitação técnica.

Palavras-chave: cibersegurança; continuidade dos serviços; inteligência artificial; resiliência operacional; resposta a incidentes.

Digital Business

15 de setembro de 2026

Liderança, Comunicação e Tecnologias Digitais na Gestão de Mudanças Organizacionais

A comunicação da liderança em e-commerces brasileiros de beleza foi investigada em face de mudanças externas, como a inteligência artificial generativa e o aumento da competitividade, e de uma transição estratégica focada na rentabilidade. O estudo objetivou analisar como a comunicação da liderança é estruturada e mobilizada para promover o engajamento dos colaboradores em processos de mudança orientados por fatores externos, viabilizando ciclos de experimentação, aprendizagem e ajuste contínuo. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza aplicada, por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco líderes da organização. Os dados foram tratados por análise de conteúdo temática. Os resultados preliminares evidenciaram práticas comunicacionais estruturadas, como agilidade, transparência narrativa, formalização e documentação em Slack, e governança quinzenal, que favoreceram o engajamento ao tornar decisões, prioridades e aprendizados visíveis. Também emergiram barreiras recorrentes e a relevância do patrocínio sênior para sustentar a cadência da mudança. Ciclos experimentais, incluindo uma solução interna voltada à criatividade, indicaram ganhos iniciais e reforçaram a dinâmica de aprendizagem e ajuste. Concluiu-se que a comunicação da liderança é determinante para converter a incerteza gerada por fatores externos em engajamento operacional.

Palavras-chave: E-commerce de beleza; Engajamento de colaboradores; Inteligência artificial; Rituais organizacionais; Transformação digital.

Digital Business

09 de setembro de 2026

Entre o Físico e o Digital: o Papel da Agência Bancária como Hub de Confiança na Adoção de Serviços Digitais por Clientes Idosos

A digitalização dos serviços bancários tem transformado a interação entre clientes e instituições financeiras, revelando desafios para a inclusão digital de públicos vulneráveis, como os clientes idosos. Analisou-se a relação entre a literacia digital e a confiança nos serviços bancários digitais, e sua influência na adoção desses serviços, considerando a agência bancária física como hub de confiança digital. A pesquisa caracterizou-se como exploratória e descritiva, com abordagem quantitativa. Aplicaram-se questionários estruturados presencialmente a 91 clientes com 50 anos ou mais, em um município do interior do Ceará. Os resultados evidenciaram níveis moderados a baixos de literacia digital, contrastando com elevada confiança e significativa adoção dos serviços digitais. Verificou-se que a confiança atuou como elemento central para o uso dos canais digitais, mesmo com limitações operacionais. Constatou-se que a agência bancária física apresentou o maior nível de relevância percebida, destacando-se como espaço de apoio, orientação e segurança. Concluiu-se que a digitalização bancária ocorre de forma integrada, sustentada pela interação entre canais físicos e digitais, com a agência exercendo papel estratégico na mediação da experiência digital.

Palavras-chave: Adoção de tecnologia; Confiança; Literacia digital; Omnicanalidade; Serviços bancários digitais.

Digital Business

09 de setembro de 2026

Influência da Experiência Digital na Retenção de Clientes Pessoa Jurídica Numa Instituição Financeira

A transformação digital no setor financeiro redefiniu as expectativas dos clientes corporativos, tornando a experiência do usuário nas plataformas digitais um fator estratégico para a retenção, especialmente no segmento Pessoa Jurídica. O estudo analisou a influência da experiência do usuário nas plataformas digitais de uma instituição financeira e sua relação com a permanência bancária nesse segmento. Para isso, aplicou-se uma metodologia mista, combinando abordagens qualitativa e quantitativa, por meio de questionários estruturados a 63 clientes Pessoa Jurídica de uma carteira do segmento Alto Varejo. Os resultados revelaram alta frequência de uso diário das plataformas, com concentração em operações transacionais básicas e baixa adesão a serviços de maior valor agregado. Identificou-se o suporte digital como o ponto mais crítico, com apenas 30,2% dos usuários recebendo assistência útil de forma consistente em situações de erro. A experiência digital influenciou direta ou moderadamente a decisão de permanência de mais de 90% dos respondentes, com uma nota média de 4,28 e NPS de 33,32 pontos. Concluiu-se que a jornada do cliente é altamente sensível à qualidade da experiência digital, e que a autonomia operacional e a qualidade do suporte são determinantes da lealdade no contexto B2B bancário. Propôs-se o redesenho de fluxos de atrito, o fortalecimento do suporte contextual e uma estratégia de educação digital.

Palavras-chave: Experiência do usuário; Fidelização; Jornada do cliente; Retenção; Transformação digital.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade