Digital Business
30 de setembro de 2026
Plataformas de conteúdo adulto: validação de proposta de valor alternativa focada em segurança e descoberta
Plataformas de Conteúdo Adulto: Validação de Proposta de Valor Alternativa Focada em Segurança e Descoberta
Calebe do Rosario Moreira; Natan de Souza Marques
DOI: 10.22167/2675-6528-202602754
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O nicho de conteúdo adulto na economia de criadores enfrenta desafios de segurança, pirataria e dependência de algoritmos externos para descoberta de usuários. Validou-se a proposta de valor de uma plataforma alternativa, denominada Closr, que se concentra em mecanismos nativos de busca e proteção de dados. A metodologia empregada foi mista, combinando um levantamento quantitativo (survey) com 80 usuários e entrevistas em profundidade com três criadores de conteúdo no mercado brasileiro. Os resultados principais indicaram que o pagamento em moeda estrangeira (Média: 3,26/5) e o receio da exposição de dados (Média: 3,08/5) representam as maiores dificuldades para os usuários, com 54,2% da amostra admitindo o consumo de conteúdo pirata. A validação qualitativa confirmou que a descoberta orgânica interna é o diferencial mais atrativo para os criadores, mitigando o risco de perda de contas em redes sociais externas. Contudo, o custo de mudança e a necessidade de efeito de rede foram identificados como as principais barreiras para a migração de criadores consolidados. Concluiu-se que a proposta de valor do Closr é viável, pois alinha segurança por design com eficiência operacional e monetização simplificada, demonstrando alto potencial de adesão no segmento de criadores de médio porte.
Palavras-chave: Conteúdo adulto; Digital Business; Economia de criadores; Plataformas digitais; Segurança digital.
1. Introdução
A economia de criadores, ou creator economy, tem se consolidado como um fenômeno global de grande impacto. Em 2023, este setor movimentou aproximadamente 200 bilhões de dólares em todo o mundo, impulsionado pela dependência intrínseca de plataformas de mídias sociais como YouTube, Twitch, Instagram, Facebook, TikTok e X. Apesar de sua relevância econômica e social, a economia de criadores e suas implicações ainda são pouco estudadas, conforme apontado por Bleier et al. (2024).
Este mercado é composto por um ecossistema complexo que envolve criadores, que produzem e monetizam conteúdo, usuários, que consomem as publicações, e anunciantes, que utilizam as plataformas digitais. Os modelos de monetização são variados, abrangendo publicidade, patrocínios, visualizações e, crescentemente, transações diretas entre usuários e criadores, como assinaturas e vendas avulsas de conteúdo (Bleier et al., 2024).
O isolamento social imposto pela pandemia de COVID-19 acelerou a demanda por conteúdo erótico digital, favorecendo o crescimento de plataformas de assinatura como OnlyFans e Privacy. Embora essas plataformas tenham validado a existência de um mercado robusto, elas expõem os criadores a vulnerabilidades críticas. Entre elas, destacam-se a dependência de redes externas para a descoberta de novos usuários e os riscos significativos relacionados à segurança e privacidade dos dados (Alves e Santos, 2023).
A dependência estrutural de plataformas externas é uma problemática central. Plataformas como OnlyFans e Privacy funcionam mais como repositórios privados de conteúdo do que como redes sociais autônomas, uma vez que o conteúdo publicado pode violar as políticas de redes “tradicionais” (van der Nagel, 2021). Os mecanismos internos de descoberta de conteúdo nessas plataformas são limitados, o que força os criadores a depender de outras redes sociais para construir sua audiência e direcionar tráfego para suas páginas de monetização.
Em paralelo, os criadores enfrentam riscos substanciais de segurança e privacidade. O conteúdo adulto é legalmente classificado como “dado pessoal sensível”, e seu tratamento inadequado pode expor o titular a altos riscos de discriminação e danos morais (Antonelo e Webber, 2025). O caso da plataforma Ashley Madison, que resultou na exposição de e-mails de usuários e em danos reputacionais e pessoais em massa, ilustra a gravidade de uma violação de dados.
O vazamento não autorizado de fotos e vídeos de criadores não apenas viola seus direitos de privacidade e propriedade intelectual (Antonelo e Webber, 2025), mas também revela um controle fraco sobre a segurança do conteúdo por parte das plataformas (Silva e Borges, 2023). Essa vulnerabilidade acarreta impactos psicossociais severos, incluindo estigmatização, ansiedade e isolamento social (Alves e Santos, 2023). Além disso, criadores frequentemente sofrem penalidades como “strikes” e “shadowbans” em redes sociais externas, resultando em perdas de audiência e financeiras.
O cenário atual demonstra que o modelo de negócio predominante exige que os criadores aceitem um alto risco de violação de dados sensíveis e uma dependência contínua de promoção externa, o que gera custos adicionais para a monetização. Diante dessa lacuna de mercado, surge a oportunidade para uma plataforma que mitigue ativamente esses riscos, integrando ferramentas de descoberta social e uma interface otimizada para reduzir a dependência de redes externas. Assim, o objetivo deste estudo é validar a proposta de valor de uma plataforma alternativa, denominada Closr, focada em mecanismos nativos de busca e proteção de dados.
2. Material e Métodos
O presente estudo adotou uma abordagem metodológica mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos para aprofundar a compreensão do fenômeno investigado. Quanto à sua natureza, a pesquisa foi classificada como híbrida, com características exploratórias e descritivas. O delineamento geral da pesquisa configurou-se como um levantamento de campo, ou survey, permitindo a coleta de dados diretamente dos participantes envolvidos no ecossistema da economia de criadores de conteúdo adulto.
A escolha pela pesquisa mista justificou-se pela necessidade de uma validação estatística das hipóteses levantadas, complementada por um entendimento aprofundado das percepções e experiências dos usuários e criadores. Conforme Creswell e Creswell (2021), essa integração metodológica possibilita uma compreensão mais abrangente do objeto de estudo, mitigando as limitações inerentes a cada método individualmente e potencializando suas forças combinadas.
A etapa qualitativa, de caráter exploratório, consistiu na realização de entrevistas semiestruturadas em profundidade. Participaram desta fase três criadores de conteúdo atuantes no mercado brasileiro, selecionados por meio de uma amostra não-probabilística, utilizando a técnica de ‘Bola de Neve’ (Snowball Sampling). Este método de recrutamento visou garantir um ambiente seguro e de confiança para a coleta de dados junto a um público sensível. As entrevistas foram conduzidas entre os dias 27 de janeiro e 11 de fevereiro de 2026.
Durante as entrevistas qualitativas, utilizou-se como estímulo um protótipo de alta fidelidade da plataforma Closr. Este protótipo foi desenvolvido para simular a interface e as funcionalidades da solução proposta, permitindo aos criadores de conteúdo interagir com os mecanismos nativos de busca, descoberta por tags e o algoritmo de recomendação adaptativo. Adicionalmente, o protótipo apresentava funcionalidades de segurança, como bloqueio de captura e gravação de tela, inclusão de marca d’água do perfil visualizador e a modalidade de perfil restrito, que foram apresentadas para validação da proposta de valor e da experiência do usuário.
A fase quantitativa, de natureza descritiva, empregou um questionário estruturado online como instrumento de coleta de dados. O questionário foi aplicado a uma amostra de oitenta respondentes, composta por criadores e usuários de conteúdo adulto. Para a mensuração das variáveis relacionadas aos objetivos específicos, como a importância da segurança e a preferência por modelos de monetização, foram utilizadas escalas do tipo Likert. A coleta de dados ocorreu entre 13 e 20 de janeiro de 2026, com a distribuição do questionário realizada de forma orgânica em comunidades digitais e redes sociais frequentadas por criadores e usuários, mantendo o distanciamento ético e evitando abordagens invasivas.
A análise dos dados coletados seguiu uma abordagem integrada, conforme a metodologia mista. Para os dados quantitativos, empregou-se a estatística descritiva, essencial para organizar, resumir e caracterizar objetivamente o conjunto de dados, como preconizado por Malhotra (2019). Os dados qualitativos, provenientes das entrevistas, foram submetidos à análise de conteúdo, técnica que, segundo Gil (2017), permite interpretar os significados e as subjetividades presentes nas falas dos participantes, identificando padrões de comportamento e percepções que não seriam captados apenas por dados numéricos.
Em conformidade com as normas éticas de pesquisa, todos os participantes, tanto da etapa qualitativa quanto da quantitativa, receberam e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Garantiu-se a preservação da identidade dos participantes, que foram anonimizados no trabalho final, e assegurou-se o sigilo absoluto das informações coletadas, com os resultados sendo analisados de forma agregada e estatística para proteger a privacidade individual.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados coletados, por meio de um levantamento quantitativo com oitenta participantes e entrevistas em profundidade com três criadores de conteúdo (E1, E2 e E3), revelou um panorama detalhado das dificuldades enfrentadas por usuários e criadores no nicho de conteúdo adulto, ao mesmo tempo em que validou a proposta de valor da plataforma Closr. Os respondentes da pesquisa quantitativa eram predominantemente masculinos, representando 68,8% da amostra, com 30,0% femininos. A faixa etária majoritária situou-se entre 25 e 34 anos (50,0%) e 35 a 44 anos (32,5%), indicando um público maduro e economicamente ativo. Notou-se também uma representação significativa de homossexuais (46,2%) e bissexuais (11,2%), sugerindo um perfil de consumo relevante para a solução proposta.
A categorização das “dores” dos usuários, conforme o modelo de Osterwalder et al. (2014), destacou questões financeiras e de segurança como as mais prementes. O pagamento em moeda estrangeira apresentou uma média de 3,26 em uma escala de 5, indic indicando um alto nível de incômodo, enquanto a limitação dos métodos de pagamento obteve uma média de 2,95. O Entrevistado 3 (E3) corroborou essa percepção, mencionando que a demanda por uma plataforma que operasse em moeda local foi um fator decisivo para a criação de sua conta em uma plataforma concorrente, reforçando a viabilidade da proposta do Closr de priorizar a liquidação nativa em moeda local para reduzir a fricção financeira.
Em relação à segurança, o medo da exposição não autorizada de dados sensíveis foi uma preocupação significativa, com uma média de 3,08 em 5. Essa apreensão se estende à possibilidade de ter informações financeiras e o histórico de consumo expostos em sites de vazamento. A pesquisa quantitativa revelou um dado alarmante: 54,2% dos usuários admitiram já ter consumido conteúdo pirata, o que sublinha a fragilidade das plataformas existentes em proteger o material dos criadores. Essa vulnerabilidade não se restringe aos usuários, mas afeta diretamente os criadores, que frequentemente veem seu conteúdo distribuído ilegalmente.
Os criadores entrevistados, E1, E2 e E3, confirmaram as preocupações com a segurança e a dependência de redes sociais externas. Eles relataram perdas diretas de audiência devido a “strikes” e “shadowbans” em plataformas como Instagram e X/Twitter. O E3, por exemplo, teve sua conta temporariamente suspensa no X/Twitter, mesmo utilizando estratégias como “close friends” no Instagram para mitigar riscos, o que demonstra a instabilidade desses canais de divulgação para conteúdo adulto. A dependência de algoritmos de terceiros para captação de leads gera uma ansiedade constante, como expressou E1: “Eu tenho medo de cair. Igual quando o Twitter caiu, eu tava monetizando quando o Twitter caiu e foi uma das coisas que me desmotivaram e eventualmente eu parei”.
A rigidez das políticas de conteúdo em plataformas estrangeiras, como o OnlyFans, que impõem restrições a fluidos corporais, marcas e locais públicos, também foi um ponto de insatisfação para os criadores. E1 descreveu a situação como “muito chato”, exemplificando a dificuldade de aprovação de conteúdo que não atenda a critérios estritos. Essa falta de transparência na aprovação de publicações incentiva a migração para ferramentas mais flexíveis, muitas vezes nacionais, mas tecnicamente menos robustas. A fragilidade das plataformas atuais em proteger a propriedade intelectual dos criadores foi evidenciada pelos relatos de E2 e E3, que tiveram seus conteúdos divulgados e/ou monetizados indevidamente por terceiros, reforçando a necessidade de soluções com segurança e privacidade como pilares.
Além das questões de segurança e dependência, os criadores expressaram insatisfação com aspectos operacionais das plataformas de monetização. E3 relatou dificuldades técnicas significativas no processo de upload de vídeos, descrevendo-o como um “trabalho” que consumia horas para um único vídeo. Essa fricção funcional impacta diretamente a rotina do criador e aponta para uma oportunidade de o Closr oferecer ferramentas otimizadas de upload e armazenamento em lote, com foco em alta resolução, como um diferencial estratégico de eficiência operacional. A falta de transparência nas taxas de conversão cambial, mencionada por E3, também expôs uma vulnerabilidade na gestão financeira dos criadores, que muitas vezes desconhecem os custos reais das transações em moeda estrangeira.
A validação da proposta de valor do Closr, fundamentada nos pilares de busca/descoberta orgânica e camadas adicionais de segurança e privacidade, demonstrou alta aceitação. No levantamento quantitativo, 37,5% dos usuários indicaram que “com certeza utilizariam” ou “provavelmente utilizariam” uma nova plataforma social que incluísse perfil, feed, busca de usuários e tópicos de interesse, permitindo a publicação e consumo de conteúdo adulto, tanto gratuito quanto pago. Este resultado sugere uma demanda latente por uma solução integrada e social que se adapte às preferências dos usuários, oferecendo um ambiente mais seguro e intuitivo para a interação e monetização de conteúdo.
Na etapa qualitativa, os recursos de “Descoberta”, busca interna por tags e algoritmo de recomendação adaptativo foram validados como diferenciais decisivos. E1 destacou a funcionalidade de ser encontrado dentro do próprio Closr, sem depender de links externos, como “o melhor ponto de tudo”, pois “chama muito a atenção sim porque já tá tudo ali”. E3 complementou que as funcionalidades de busca interna corrigem a ineficiência das plataformas atuais, que favorecem apenas os perfis de maior faturamento, tornando a descoberta de novos criadores mais natural. E2, por sua vez, demonstrou grande interesse na ferramenta de Insights do Closr, que oferece gestão de dados e rastreabilidade do funil de vendas, resolvendo um gargalo de Digital Business ao permitir analisar engajamento, leads e origem dos assinantes.
As funcionalidades de bloqueio de captura e gravação de tela, a inclusão da marca d’água do perfil visualizador sobre os conteúdos e a modalidade de perfil restrito (assinatura e compra avulsa mediante aprovação do criador) foram unanimemente validadas pelos entrevistados como essenciais para garantir a segurança e privacidade. E1 afirmou: “Eu achei muito massa! Achei que dá pra ter um controle maior do que ta sendo publicado”, e considerou a marca d’água “uma ideia interessante”, pois “ela [o usuário] vai ficar com medo de se expor”. E3 concordou, vendo o recurso como uma “denúncia” que “serve como uma porta fechada pra não espalhar o conteúdo”, evidenciando o consenso de que a sobreposição de dados do visualizador nas mídias desincentiva tentativas de captura e gravação de tela por usuários mal-intencionados.
Em comparação com as principais plataformas de conteúdo adulto que operam no Brasil, o Closr se destaca por oferecer pagamento em moeda local (Real BRL), meios de pagamento variados (cartão de crédito, Pix, boleto e saldo em carteira), e uma descoberta orgânica nativa com feed, descoberta e busca interna. Enquanto outras plataformas dependem 100% de redes sociais externas para descoberta, o Closr propõe um modelo de impulsionamento nativo com “Closr Ads” e afiliados. Em termos de privacidade, o Closr implementa bloqueio de prints e gravação de tela, marca d’água do visualizador e perfil restrito, superando as soluções existentes que oferecem apenas geoblocking ou não informam sobre tais recursos. A plataforma também prevê data analytics avançado com rastreabilidade de funil e insights por IA, e oferece isenção de taxa por dois meses, com 20% após esse período, além de bônus por indicação.
Apesar da alta aceitação da proposta de valor, a pesquisa identificou o “custo de mudança” como a principal barreira para a migração de criadores. E2 observou que, embora o Closr tenha alto potencial para criadores iniciantes de pequeno e médio porte, criadores consolidados que já operam em múltiplas plataformas dificilmente migrariam devido ao esforço necessário para configurar um novo perfil, replicar o catálogo de conteúdo e divulgar novos links. E1 reforçou essa percepção, afirmando que, embora quisesse criar um perfil no Closr, ficaria “um pouco receoso por ter que começar tudo de novo do zero”.
Outra barreira significativa é a necessidade de efeito de rede, conforme apontado por E3, que questionou a viabilidade da ferramenta sem uma “aderência em massa”. Segundo Parker, Van Alstyne e Choudary (2016), o valor de uma plataforma depende diretamente da quantidade de usuários na rede, criando um paradoxo do “ovo e da galinha”. Sem uma massa crítica inicial de usuários, o custo de mudança torna-se injustificável para criadores estabelecidos, e funcionalidades como feed e descoberta, que dependem de alto volume de interações, não operariam plenamente. Para mitigar esse risco, os dados sugerem estratégias de go-to-market focadas em Growth e marketing de guerrilha, visando alta viralização e aquisição de usuários em larga escala.
E2 sugeriu modelos de incentivo para acelerar a adoção, como a isenção temporária de taxas (0% nos primeiros dois meses, com escalonamento posterior), bônus por indicação e programas de afiliados com pagamento nativo. Esses incentivos financeiros, combinados com a garantia de maior privacidade, poderiam levar 28,7% dos usuários a considerar se tornar criadores, caso a segurança fosse garantida. Isso indica que o Closr não apenas pode capturar market share de concorrentes, mas também expandir o mercado total, atraindo novos perfis de criadores que atualmente são temerosos com os riscos de exposição de dados. A proposta de valor do Closr, portanto, alinha segurança por design com eficiência operacional e monetização simplificada, demonstrando alto potencial de adesão no segmento de criadores de médio porte, ao mesmo tempo em que oferece um ambiente mais seguro e transparente para a economia de criadores.
4. Conclusão
O presente estudo buscou validar a proposta de valor de uma plataforma alternativa, denominada Closr, focada em mecanismos nativos de busca e proteção de dados no nicho de conteúdo adulto. Verificou-se que o pagamento em moeda estrangeira e o receio da exposição de dados sensíveis representam as maiores dificuldades para os usuários, com uma parcela significativa admitindo o consumo de conteúdo pirata. Identificou-se que criadores enfrentam a dependência de redes sociais externas para descoberta de audiência, sofrendo com penalidades como “strikes” e “shadowbans”, além de rigidez nas políticas de conteúdo e fricções operacionais, como o upload de vídeos e a falta de transparência cambial. A proposta de valor do Closr, com seus mecanismos nativos de busca orgânica, bloqueio de captura de tela, marca d’água do visualizador e perfil restrito, demonstrou alta aceitação, sendo percebida como um diferencial competitivo. Essa plataforma se posiciona como uma solução viável ao alinhar segurança por design com eficiência operacional e monetização simplificada, com potencial para atrair criadores de médio porte e expandir o mercado ao mitigar riscos de exposição de dados.
Contudo, observou-se que o custo de mudança e a necessidade de efeito de rede constituem as principais barreiras para a migração de criadores já consolidados. A amostra de conveniência, predominantemente masculina e LGBTQIA+, pode limitar a generalização dos resultados. Sugere-se para estudos futuros a análise da viabilidade de custos tecnológicos para proteção de mídia em larga escala e a investigação de modelos tributários nacionais para plataformas de intermediação de conteúdo. Em última análise, o Closr oferece um ecossistema de segurança e independência econômica, reduzindo a dependência de algoritmos externos e promovendo um ambiente mais transparente para a economia de criadores.
Referências Bibliográficas
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Antonelo, A.; Webber, D.M. (2025). O vazamento de dados pessoais sensíveis e a necessidade de comprovação do dano para fins de responsabilidade civil. Revista Brasileira de Direito Civil em Perspectiva, v. 10, n. 2, p. 88-111.
Bleier, A.; Fossen, B.L.; Shapira, M. (2024). On the role of social media platforms in the creator economy. International Journal of Research in Marketing, v. 41, p. 411-426.
Creswell, J. W.; Creswell, J. D. (2021). Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 5. ed. Porto Alegre: Penso.
Gil, A. C. (2017). Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas.
Malhotra, N. K. (2019). Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 7. ed. Porto Alegre: Bookman.
Osterwalder, A.; Pigneur, Y.; Bernarda, G.; Smith, A. (2014). Value Proposition Design: como criar produtos e serviços que os clientes desejam. São Paulo: HSM.
Parker, G. G.; van Alstyne, M. W.; Choudary, S. P. (2016). Platform Revolution: How Networked Markets Are Transforming the Economy and How to Make Them Work for You. New York: W. W. Norton & Company.
Silva, A.C.L.; Borges, L. (2023). Propriedade intelectual e tutela jurídica sob o direito autoral em plataforma de conteúdo para público majoritariamente adulto: um estudo de caso do OnlyFans. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 14, n. 1, p. 368-384.
van der Nagel, E. (2021). Interdependent Platforms: OnlyFans As NSFW Social Media Layer. In: Selected Papers of #AolR2021: The 22nd Annual Conference of the Association of Internet Researchers, Virtual. Anais… p. 1-3.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq
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