Digital Business
02 de outubro de 2026
Barreiras na adoção de iniciativas de marketing digital por pequenos negócios na cidade de São Paulo/SP
Barreiras na Adoção de Iniciativas de Marketing Digital por Pequenos Negócios na Cidade de São Paulo/sp
Fabiana Rizzi; Gisela Consolmagno Pelegrini
DOI: 10.22167/2675-6528-202602884
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Pequenos negócios na cidade de São Paulo enfrentam desafios estratégicos e de marketing que contribuem para sua alta taxa de mortalidade, apesar do ambiente digital democratizar o acesso a ferramentas de marketing. Este estudo objetivou identificar as barreiras percebidas na adoção de iniciativas de marketing digital por esses negócios. Realizou-se uma pesquisa quantitativa exploratória, do tipo survey, com 52 gestores de pequenos negócios em São Paulo, por meio de questionário online estruturado. Os resultados revelaram que, embora 96% dos gestores reconhecessem a importância do marketing digital, uma parcela significativa (36%) expressou dúvidas ou dificuldades na sua efetiva adoção, evidenciando barreiras operacionais e técnicas. Observou-se a predominância da autogestão das iniciativas digitais e uma dificuldade em estabelecer a relação de causa e efeito entre as ações de marketing digital e os resultados obtidos. A falta de tempo foi a principal razão para a não utilização do marketing digital entre os respondentes que ainda não o adotaram. Concluiu-se que existe uma divergência entre o reconhecimento da importância do marketing digital e sua implementação prática, apontando para a necessidade de desenvolver serviços digitais mais alinhados à realidade dos pequenos negócios, com foco em capacitação, suporte contínuo e soluções simplificadas para otimizar a jornada de consumo.
Palavras-chave: Barreiras digitais; Jornada digital; Marketing digital; Negócios digitais; Pequenos negócios.
1. Introdução
A cidade de São Paulo, um dos maiores centros econômicos do Brasil, abriga mais de dois milhões de micro e pequenas empresas ativas, representando mais de 95% do total de negócios estabelecidos na região. Apesar de sua relevância para a geração de emprego e renda, uma parcela considerável desses empreendimentos não consegue prosperar, com uma taxa de mortalidade acumulada de aproximadamente 62% em cinco anos no estado de São Paulo (MDIC, 2024; IBGE, 2024).
Os fatores que mais contribuem para a mortalidade precoce desses pequenos negócios são predominantemente de natureza estratégica, com ênfase nos desafios comerciais e de marketing. A dificuldade em adquirir e manter uma carteira de clientes, a adoção de estratégias competitivas inadequadas e a limitada capacidade de diferenciação são apontadas como razões cruciais para essa realidade (Ferreira et al., 2012; SEBRAE, 2014).
Nesse contexto, o ambiente digital emergiu como um elemento transformador, democratizando o acesso a ferramentas de marketing e consolidando-se como um dos principais instrumentos para a aquisição de novos clientes. O marketing digital permite segmentações de público-alvo mais refinadas e oferece alta mensurabilidade, capacitando pequenos empreendedores a posicionar suas marcas em nichos de mercado específicos (Ryan, 2016). A interação direta do consumidor com empresas e marcas por meio de múltiplos canais digitais amplia as oportunidades de engajamento e reduz a dependência de investimentos substanciais em mídia tradicional (Kotler et al., 2017).
No entanto, apesar do amplo arsenal de ferramentas digitais disponíveis, que democratizam o uso da tecnologia e permitem que pequenas empresas acessem recursos antes restritos a grandes corporações, a adoção efetiva e o pleno aproveitamento dessas possibilidades representam um desafio significativo para os gestores. O marketing em pequenos negócios é frequentemente caracterizado pela informalidade, simplicidade e desorganização, resultantes do porte reduzido da empresa, da forte influência do empreendedor e da ausência de estruturas organizacionais formais (Jones e Rowley, 2011).
A resistência dos gestores de pequenos negócios ao planejamento estruturado de marketing, que tende a valorizar o improviso em detrimento de uma abordagem estratégica integrada, revela uma barreira de natureza cultural e educacional (Rodrigues, 2025). Essa predominância da gestão baseada na experiência prática e direta com o cliente, embora comum, pode limitar o crescimento e a consolidação dos negócios a longo prazo, restringindo o aprendizado a experiências pontuais e não replicáveis (Rodrigues, 2025). Adicionalmente, a dificuldade na compreensão da mensuração de resultados e a percepção de risco financeiro são entraves importantes para a adoção consistente de estratégias digitais (Alford e Page, 2015; SEBRAE, 2014).
Apesar das dificuldades inerentes, a literatura acadêmica ressalta que a adoção de estratégias de marketing digital pode representar um diferencial competitivo essencial para o crescimento e a sustentabilidade de pequenos empreendimentos em um ambiente de negócios cada vez mais digital e dinâmico (Kotler et al., 2017). Diante dessa problemática, este estudo tem o objetivo de identificar as barreiras percebidas na adoção de iniciativas de marketing digital por pequenos negócios na cidade de São Paulo, e, a partir dessa compreensão, trazer algumas recomendações para concepção de futuros serviços digitais voltados a esse público.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa quantitativa de natureza exploratória, delineada como um estudo de campo do tipo survey. Essa abordagem foi selecionada para investigar as barreiras percebidas na adoção de iniciativas de marketing digital por pequenos negócios na cidade de São Paulo, conforme o objetivo geral estabelecido. A metodologia empregada buscou coletar dados de forma estruturada, permitindo uma compreensão abrangente das percepções dos gestores.
Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário online estruturado, desenvolvido especificamente para esta pesquisa. O instrumento foi elaborado com base nas diretrizes metodológicas de Gil (2017) e na vivência prévia do autor na área. O questionário abordou variáveis como o grau de importância do marketing digital, a percepção de sua eficácia, o conhecimento técnico dos gestores, a compreensão de métricas, o orçamento disponível, o tempo dedicado e as iniciativas preferidas.
O questionário era composto por nove perguntas fechadas. A última questão permitia a seleção de até três alternativas de resposta, enquanto as demais eram de resposta única. Para otimizar a relevância das informações coletadas, empregou-se uma lógica condicional que direcionava os respondentes a diferentes blocos de perguntas, dependendo de suas respostas anteriores, garantindo a pertinência das questões apresentadas.
A aplicação do questionário ocorreu de forma anônima, por meio da plataforma Google Forms. O Termo de Livre Consentimento Esclarecido (TCLE) foi apresentado aos participantes na primeira pergunta do formulário, e seu aceite foi condição para prosseguir com a pesquisa. Essa medida assegurou a voluntariedade e a ética na participação dos gestores.
A população-alvo do estudo consistiu em gestores de pequenos negócios ativos na cidade de São Paulo, atuantes em diversos setores, incluindo prestação de serviços, comércio e varejo, alimentação e bebidas, produção e manufatura, além de profissionais liberais e autônomos. A seleção desses participantes foi realizada por amostragem não probabilística, do tipo por julgamento.
A amostragem por julgamento foi adotada devido à dificuldade de listar a população completa e à necessidade de selecionar respondentes que se enquadrassem nos critérios específicos definidos para o estudo. Buscou-se um N-alvo mínimo de cinquenta respondentes, visando a praticidade e a adequação aos objetivos da pesquisa, concentrando-se em gestores com experiência relevante no tema.
O recrutamento dos participantes foi conduzido por meio de contatos e redes de relacionamento do autor do estudo. O link para acesso ao questionário online foi divulgado diretamente aos potenciais respondentes via WhatsApp, assegurando que os convidados correspondessem ao perfil desejado. Aproximadamente setenta convites foram enviados para participação na pesquisa.
A coleta de dados foi realizada durante os meses de novembro e dezembro de 2025. Ao final do período de coleta, obteve-se um total de cinquenta e duas respostas válidas. A ausência de controle de duplicidade de respostas, inerente ao caráter anônimo do questionário e à não coleta de dados pessoais, foi reconhecida como uma limitação do procedimento de coleta.
Não foi realizado pré-teste do questionário antes de sua aplicação. Essa decisão foi tomada em função do caráter exploratório da pesquisa e da formulação direta das questões, alinhadas aos objetivos propostos. Contudo, a ausência de pré-teste foi identificada como uma limitação metodológica, pois poderia ter auxiliado na identificação de possíveis ambiguidades ou dificuldades de compreensão.
A análise dos dados coletados foi essencialmente descritiva. Os resultados foram organizados para apresentar as percepções dos gestores sobre as barreiras na adoção do marketing digital, sem aprofundar em análises estatísticas inferenciais. A amostragem por julgamento implicou que a generalização dos resultados fosse tratada com cautela, restringindo as conclusões ao conjunto estudado.
Em relação aos aspectos éticos, o estudo foi conduzido de forma a preservar a privacidade e o anonimato dos participantes. O trabalho foi dispensado de registro no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), considerando seu caráter público e a natureza anônima da coleta de dados, que não envolveu informações sensíveis ou identificáveis dos respondentes.
3. Resultados e Discussão
A pesquisa revelou uma percepção generalizada da importância do marketing digital entre os gestores de pequenos negócios na cidade de São Paulo, embora essa conscientização nem sempre se traduza em adoção efetiva. Dos 52 respondentes, 96% reconheceram o potencial do marketing digital para impulsionar seus negócios. Especificamente, 31 gestores consideraram-no vital para o crescimento, enquanto 14 o julgaram importante, mas com dúvidas sobre sua efetividade, e 5 o consideraram importante, mas com dificuldades na implementação. Apenas 2 gestores não acreditam que o marketing digital possa contribuir, preferindo outros meios de divulgação. Esse cenário sugere um desalinhamento entre a percepção da importância e a capacidade de implementação, um ponto central que a pesquisa buscou explorar.
A divergência entre o reconhecimento da importância e a efetiva adoção é um achado crucial. Embora a maioria dos gestores tenha uma visão positiva do marketing digital, 36% expressaram dúvidas ou dificuldades em sua implementação prática. Esse fenômeno é amplamente discutido na literatura, que aponta a aplicação prática limitada do marketing em pequenas empresas, especialmente devido a restrições de recursos e baixa formalização estratégica (Pompeu e Carvalho, 2020). Os dados reforçam que o desafio não reside na falta de reconhecimento do valor do marketing digital, mas sim na dificuldade de incorporar práticas estratégicas consistentes e contínuas no cotidiano desses negócios.
Em relação ao uso de iniciativas de marketing digital, mais de 80% dos 52 respondentes afirmaram que já fazem ou fizeram uso dessas ferramentas, enquanto 19% declararam não as utilizar. Esse dado corrobora a ampla conscientização sobre a relevância do marketing digital e a disposição da maioria em explorá-lo. Contudo, a parcela de aproximadamente 20% que ainda não adotou essas iniciativas sugere a existência de obstáculos significativos que impedem a transformação da percepção positiva em ação concreta, mesmo diante da vasta difusão de ferramentas digitais e do discurso predominante sobre sua importância.
A forma como o marketing digital é gerenciado nos pequenos negócios é predominantemente autônoma. Entre os 42 participantes que utilizam ou já utilizaram marketing digital, 15 gestores (35,7%) cuidam ou cuidaram pessoalmente das iniciativas, aprendendo por meio de tutoriais ou cursos. Outros 12 (28,6%) contrataram agências de marketing, 11 (26,2%) recorreram a freelancers, e apenas 4 (9,5%) contam com um funcionário dedicado. Essa centralização das funções estratégicas na figura do próprio gestor é um padrão característico dos pequenos negócios, conforme apontado por Valença (2021), que destaca a forte dependência do proprietário na gestão.
A predominância da autogestão, embora demonstre iniciativa e interesse, nem sempre garante o domínio técnico necessário para a execução e mensuração eficazes das ações de marketing digital. Esse cenário pode limitar a efetividade das estratégias e levar a percepções incorretas sobre os resultados obtidos. A literatura, como o artigo de Rodrigues (2025), evidencia que a gestão baseada na experiência prática e direta com o cliente, comum entre pequenos empreendedores, tende a restringir o aprendizado a experiências pontuais e não escaláveis, comprometendo a consolidação de práticas mais consistentes.
A contratação de agências e freelancers, que somadas representam uma parcela significativa das respostas (54,8%), indica o reconhecimento da necessidade de apoio especializado. No entanto, a diferença entre esses formatos é notável: agências oferecem uma visão estratégica mais ampla e integrada, enquanto freelancers podem ser soluções mais acessíveis, mas pontuais. O baixo número de empresas com profissional interno dedicado sugere que o marketing digital ainda não é amplamente percebido como uma função estratégica permanente dentro da estrutura organizacional, sendo frequentemente tratado de forma pontual ou experimental.
A análise dos resultados obtidos com as iniciativas de marketing digital revelou uma dificuldade significativa em estabelecer a relação de causa e efeito. Dos 42 gestores que utilizam ou já utilizaram marketing digital, 23 (54,8%) afirmaram que surgiram novos clientes, mas não souberam dizer se foi diretamente por conta do marketing digital. Em contraste, 12 gestores (28,6%) relataram resultados positivos claros, com crescimento no número de clientes. Outros 6 (14,3%) não perceberam aumento de clientes, mas reconheceram possíveis falhas na estratégia, e 1 gestor (2,4%) não obteve resultados positivos.
Essa dificuldade em vincular as ações de marketing digital aos resultados obtidos compromete a percepção de efetividade e dificulta decisões de continuidade ou ajuste das estratégias. A ausência de métricas claras, como número de acessos, cliques, custo de aquisição de clientes ou taxa de conversão, transforma a avaliação de retorno sobre o investimento em uma percepção subjetiva, em vez de uma análise objetiva. Estudos como o de Freitas et al. (2025) corroboram que, apesar do marketing digital oferecer alta capacidade de mensuração, sua efetividade depende do domínio técnico para análise de indicadores, uma limitação comum em pequenas empresas.
Para o grupo de 10 respondentes que ainda não utilizam marketing digital, a principal barreira identificada foi a falta de tempo, apontada por 7 gestores (70%). Outros 2 (20%) preferem outras formas de divulgação, como a indicação de clientes, e 1 (10%) tem receio de investir sem conseguir medir resultados. A predominância da falta de tempo como justificativa evidencia uma limitação estrutural típica dos pequenos negócios, onde o gestor acumula múltiplas funções operacionais, administrativas e comerciais (Valença, 2021). Nesse contexto, o marketing digital é frequentemente percebido como uma atividade adicional que compete com demandas mais urgentes.
A valorização de canais tradicionais de aquisição, como o boca a boca, por parte de alguns gestores que não utilizam marketing digital, sugere a manutenção de modelos de negócio sustentados por redes de relacionamento, especialmente em mercados locais. Esse comportamento, embora eficaz em nichos específicos, pode limitar o potencial de expansão da base de clientes. A percepção de risco financeiro, associada ao receio de investir sem retorno mensurável, também se manifesta como um entrave, um obstáculo já evidenciado em estudos anteriores do SEBRAE (2014) sobre o sucesso e fracasso de empresas nos primeiros cinco anos.
Questionados sobre o que os faria repensar e adotar serviços de marketing digital, 9 dos 10 gestores que não o utilizam demonstraram abertura, desde que certas condições fossem atendidas. Três gestores (30%) contratariam uma agência ou freelancer se tivessem dinheiro. Dois (20%) utilizariam se existisse um serviço simples, rápido, barato e eficiente. Outros dois (20%) aprenderiam e fariam por conta própria se tivessem tempo, e dois (20%) contratariam um funcionário especializado se tivessem recursos. Apenas 1 gestor (10%) afirmou que não utilizaria esse tipo de serviço em nenhuma hipótese, preferindo a indicação de clientes.
Esses resultados reforçam que a resistência à adoção não é ideológica, mas sim condicionada a fatores práticos como apoio especializado, simplificação de serviços e redução da percepção de risco. A demanda por serviços simples e acessíveis aponta para uma lacuna entre a oferta tradicional de marketing digital, muitas vezes percebida como complexa ou cara, e as necessidades práticas dos pequenos negócios. A baixa alfabetização digital e a ausência de planejamento estratégico e capacitação são obstáculos importantes, conforme destacado por Freitas et al. (2025), que impedem o uso pleno das ferramentas digitais.
Em uma visão geral sobre serviços de marketing digital, 25 gestores (48,1%) percebem crescimento e veem o marketing digital como apoio relevante. Doze (23,1%) têm dificuldades para atrair clientes e consideram contratar serviços. Oito (15,4%) acham os serviços caros, 4 (7,7%) afirmam não ter tempo para se dedicar ao tema, e 3 (5,8%) preferem estudar para aplicar por conta própria. A predominância de respostas positivas e a abertura para soluções digitais reforçam a importância percebida, mas a sensibilidade ao fator preço e a dificuldade de mensurar o retorno continuam sendo barreiras significativas, ampliando a sensação de risco do investimento.
Ao indicar os tipos de serviços de marketing digital mais importantes para seus negócios, os gestores priorizaram a criação de perfil e postagem em redes sociais (71,2%, 37 respostas), presença no Google Meu Negócio (51,9%, 27 respostas) e serviço de tráfego pago (42,3%, 22 respostas). Anúncios no Google (34,6%, 18 respostas) e site ou e-commerce (32,7%, 17 respostas) apareceram em seguida. Ferramentas de análise e métricas (11,5%, 6 respostas) e disparos de e-mail marketing ou WhatsApp (11,5%, 6 respostas) foram as menos citadas. Isso indica uma prioridade para serviços associados à visibilidade e atração imediata de clientes.
A preferência por redes sociais e Google Meu Negócio sinaliza a percepção de que esses canais são acessíveis, de baixo custo e oferecem alcance orgânico, sendo centrais para divulgação e relacionamento, especialmente para negócios locais. O tráfego pago, embora reconhecido como acelerador de crescimento, aparece atrás de canais orgânicos, sugerindo um comportamento cauteloso em relação ao investimento, possivelmente devido a restrições orçamentárias ou incertezas quanto aos resultados. Serviços que exigem implantação digital de médio e longo prazo, como site ou e-commerce, ocupam uma posição intermediária, sendo reconhecidos como importantes, mas não priorizados em relação a iniciativas mais imediatas.
A baixa incidência de escolhas para análise e métricas e disparos de e-mail marketing ou ofertas por WhatsApp reforça a dificuldade na mensuração, já identificada em análises anteriores. A menção à inteligência artificial para atendimento (21,2%, 11 respostas) sugere uma abertura à automação e um reconhecimento do potencial da IA para ganho de eficiência, o que pode reduzir a sobrecarga do gestor. Os resultados, em geral, mostram uma orientação para o topo do funil de marketing, com foco na visibilidade, indicando a necessidade de conteúdos educativos que ampliem o entendimento do marketing digital como uma estratégia mais abrangente e integrada, capaz de atuar em diferentes momentos da jornada de consumo, e não apenas como um conjunto de ferramentas pontuais de divulgação.
A partir das barreiras identificadas, foram elaboradas recomendações para o desenvolvimento de serviços digitais mais alinhados à realidade dos pequenos negócios. Para a autogestão e dependência do proprietário, sugere-se desenvolver serviços com conteúdos educativos sobre a importância estratégica do marketing digital e como ele pode ser inserido na estrutura organizacional. É fundamental demonstrar, por meio de cases e resultados, a eficácia de iniciativas digitais executadas por especialistas ou agências, e estruturar modelos de serviço que incluam orientação prática, suporte contínuo e execução assistida, reduzindo a dependência do gestor.
Em relação à falta de tempo do gestor, as recomendações incluem o desenvolvimento de serviços que operem com mínima demanda de tempo, utilizando inteligência artificial para otimização de atividades como geração automatizada de conteúdo, apoio no atendimento ao cliente, segmentação de clientes e análise de resultados. Priorizar pacotes de serviços com rotinas previsíveis e planejadas é crucial para reduzir a necessidade de decisões frequentes por parte do gestor, liberando tempo para outras funções essenciais do negócio.
Para a falta de conhecimento técnico e baixa compreensão da jornada digital de consumo, propõe-se incorporar uma jornada educacional estruturada nos serviços, com conteúdos simplificados, tutoriais práticos e um processo de onboarding guiado. É vital ensinar sobre a definição de objetivos e indicadores de sucesso, como visitas ao site, alcance, taxa de engajamento, volume de novos usuários, taxa de cliques, taxa de conversão, receita e retorno sobre investimento em divulgação (ROAS). O conteúdo educacional deve também abordar a multiplicidade de pontos de contato digitais e a natureza dinâmica da jornada de consumo, integrando diferentes canais de forma coerente e orientada à presença contínua do negócio, oferecendo suporte técnico contínuo para esclarecimento de dúvidas.
As dificuldades na mensuração de resultados podem ser mitigadas com a oferta de ferramentas de mensuração simplificadas e dashboards altamente intuitivos, facilmente plugáveis ao site ou perfil de rede social do negócio. Esses dashboards devem apresentar indicadores claros e relatórios objetivos que evidenciem a relação entre ações e resultados. Além disso, devem contemplar insights contínuos gerados por IA sobre ações a serem tomadas quando os indicadores demonstrarem baixa eficácia, promovendo um aprendizado gradual e a ampliação da capacidade do gestor em incorporar ferramentas digitais.
A percepção de serviços caros e a aversão ao risco de investir sem retorno podem ser abordadas demonstrando a eficiência das ações de marketing digital, relacionando investimento e retorno por meio do conteúdo educacional. É importante considerar a oferta de serviços de entrada com baixo custo, opções de testes iniciais e gratuitos, permitindo a validação e evolução gradual antes de investimentos mais robustos. Essa abordagem visa reduzir a barreira financeira e a sensação de risco, incentivando a experimentação e a adoção progressiva do marketing digital pelos pequenos negócios.
Em síntese, os resultados da pesquisa evidenciam que, embora os gestores de pequenos negócios em São Paulo reconheçam a importância do marketing digital, a sua adoção plena é dificultada por barreiras operacionais, técnicas e financeiras, como a falta de tempo, a dificuldade em mensurar resultados e a percepção de custo. A predominância da autogestão e a priorização de canais de visibilidade imediata revelam a necessidade de soluções que ofereçam capacitação, suporte contínuo, simplificação de processos e modelos de serviço flexíveis e acessíveis, que integrem a compreensão da jornada de consumo e o uso estratégico da inteligência artificial para otimizar a presença digital e o crescimento desses empreendimentos.
4. Conclusão
Este estudo objetivou identificar as barreiras percebidas na adoção de iniciativas de marketing digital por pequenos negócios na cidade de São Paulo, buscando, a partir dessa compreensão, oferecer recomendações para a concepção de futuros serviços digitais. Verificou-se que, embora a maioria dos gestores reconhecesse a importância do marketing digital para o crescimento de seus negócios, uma parcela significativa expressou dúvidas ou dificuldades na sua implementação prática, revelando barreiras operacionais e técnicas. Observou-se a predominância da autogestão das iniciativas digitais e uma notável dificuldade em estabelecer a relação de causa e efeito entre as ações de marketing digital e os resultados obtidos. A falta de tempo foi identificada como a principal razão para a não utilização do marketing digital entre os gestores que ainda não o haviam adotado. Esses achados evidenciam uma lacuna entre a percepção do valor e a capacidade de execução, apontando para a necessidade de soluções que simplifiquem a gestão e a mensuração. A principal contribuição do estudo reside na elaboração de um conjunto de recomendações práticas para o desenvolvimento de serviços digitais mais alinhados à realidade desses empreendimentos, focando em capacitação, suporte contínuo e otimização da jornada de consumo.
As recomendações propostas incluem o desenvolvimento de serviços que operem com mínima demanda de tempo do gestor, utilizando inteligência artificial para otimização de atividades, e a incorporação de uma jornada educacional estruturada que ensine sobre objetivos e indicadores de sucesso. Sugere-se a oferta de ferramentas de mensuração simplificadas e dashboards intuitivos, capazes de evidenciar a relação entre ações e resultados, além de insights gerados por IA. Para mitigar a percepção de serviços caros e a aversão ao risco, propõe-se a oferta de serviços de entrada com baixo custo e opções de testes iniciais. Contudo, o estudo possui limitações, como a amostra restrita a 52 respondentes na cidade de São Paulo e a dependência da percepção dos gestores, o que pode restringir a generalização dos resultados. Para estudos futuros, sugere-se ampliar a amostra, explorar comparações entre diferentes regiões ou setores e investigar a relação entre a adoção de marketing digital e o desempenho real dos negócios, bem como avaliar a efetividade das recomendações apresentadas.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq
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