October 27, 2026
Dissonância Institucional e Barreiras de Privacidade na Adoção do DREX no Brasil
Tabajara dos Reis Moura; Juliana L. de Oliveira Bergamini
DOI: 10.22167/2675-6528-202601456
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A percepção de diferentes partes interessadas sobre a implementação do DREX (Real Digital) no sistema financeiro brasileiro foi analisada, com foco nos impactos esperados em segurança, privacidade e adoção. O estudo objetivou investigar as percepções de grupos distintos sobre os riscos e oportunidades do DREX, oferecendo subsídios para a tomada de decisão de instituições financeiras e reguladores. Para isso, aplicaram-se três questionários a 415 participantes, divididos entre profissionais do setor financeiro e tecnologia (81), investidores em criptoativos (149) e público geral (185). Os dados coletados foram tabulados e submetidos à análise descritiva quantitativa, complementada por uma análise comparativa entre os grupos. Identificou-se uma dissonância institucional consistente, onde a confiança técnica no Banco Central superou a confiança política no Governo Federal. Entre investidores em criptoativos, verificou-se uma rejeição ideológica ao DREX, impulsionada por preocupações com rastreabilidade e controle governamental, com uma relação inversa entre conhecimento técnico e intenção de adoção. O público geral demonstrou disposição pragmática, condicionada à ausência de percepção explícita de vigilância financeira, um padrão denominado “Lacuna Pix-Privacidade”. A privacidade financeira emergiu como o principal obstáculo transversal à adoção em todos os grupos, e um incentivo de cashback de 1% mostrou-se insuficiente para superar essa resistência. Concluiu-se que a adoção voluntária do DREX tende a ser fragmentada e condicional, dependendo de iniciativas estruturadas de comunicação, educação financeira digital e arquiteturas de privacidade auditáveis que reforcem a credibilidade e independência do Banco Central perante a sociedade.
Palavras-chave: CBDC; Confiança institucional; Percepção de risco; Rastreabilidade; Sistema financeiro.
1. Introdução
O cenário financeiro global tem sido profundamente remodelado pelo advento das tecnologias de registro distribuído (DLT) e dos criptoativos. A introdução do Bitcoin por Satoshi Nakamoto (Nakamoto, 2008) inaugurou inovações financeiras descentralizadas. A tecnologia blockchain, subjacente a muitos criptoativos, demonstrou potencial para otimizar processos e aumentar a transparência (Tapscott e Tapscott, 2018). Em resposta a essa digitalização, bancos centrais globalmente exploram a emissão de suas próprias moedas digitais (CBDCs), buscando harmonizar a inovação com a estabilidade monetária. Atualmente, 137 países e uniões monetárias, representando cerca de 98% do Produto Interno Bruto (PIB) global, estão em diversas fases de pesquisa ou implementação de CBDCs, sublinhando a importância estratégica e a complexidade dessas iniciativas (Atlantic Council, 2025; Bank for International Settlements [BIS], 2022; Fundo Monetário Internacional [FMI], 2023).
No Brasil, o sistema financeiro se destaca por sua avançada digitalização, evidenciada pelo sucesso do PIX, um sistema de pagamentos instantâneos que alcançou adesão quase universal (Banco Central do Brasil [BCB], 2023). Neste ambiente de inovação, o Banco Central do Brasil desenvolveu o DREX (Real Digital), uma moeda digital que transcende um simples meio de pagamento. Concebido como infraestrutura para a economia tokenizada brasileira, o DREX possibilita a liquidação atômica de ativos e a execução de contratos inteligentes, reduzindo riscos operacionais e otimizando a transferência de ativos reais (BCB, 2023). Embora o BCB tenha optado por uma arquitetura centralizada, sem blockchain pública, para garantir privacidade e segurança entre instituições financeiras, a rastreabilidade das transações permanece um atributo central. Esta característica é vista como instrumento para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, alinhando-se à Agenda BC# (BCB, 2023). A percepção pública do DREX, contudo, é crucial e precisa ser associada à credibilidade técnica do órgão regulador, dissociando-o de motivações políticas para sua ampla aceitação.
A implementação de uma CBDC como o DREX evoca debates teóricos e empíricos cruciais sobre a percepção e a aceitação pública. A confiança institucional é um pilar fundamental, referindo-se à crença dos cidadãos na competência e integridade das entidades que gerenciam o sistema financeiro. A literatura enfatiza que a credibilidade das autoridades monetárias e sua independência política são determinantes para a confiança do mercado (BIS, 2022; FMI, 2023). Paralelamente, a privacidade financeira, que denota o controle individual sobre as informações monetárias, emerge como preocupação central. A rastreabilidade das transações, embora benéfica para a segurança do sistema e combate a ilícitos, pode gerar resistência se percebida como vigilância excessiva (Böhme et al., 2015). A percepção de risco, que engloba a avaliação subjetiva de ameaças e incertezas, também influencia a disposição de adoção. Diferentes grupos podem ponderar de forma distinta os riscos de segurança, autonomia financeira e controle governamental, moldando suas atitudes em relação ao DREX. A complexidade dessas interações exige uma análise aprofundada de como esses fatores se manifestam em diversos segmentos da sociedade.
Considerando a complexidade da implementação do DREX e a multiplicidade de expectativas e preocupações, torna-se essencial investigar as percepções de diferentes grupos de partes interessadas. O sucesso do PIX demonstra a capacidade brasileira de rápida adoção de tecnologias financeiras, mas a natureza do DREX, com suas implicações para privacidade e controle, apresenta desafios distintos. A potencial dissonância entre a confiança técnica no Banco Central e a confiança política no Governo Federal, somada às preocupações com a privacidade e a rastreabilidade, sugere que a adoção voluntária do DREX será um processo fragmentado e condicional. Compreender essas nuances é vital para estratégias de comunicação, educação financeira digital e arquiteturas de privacidade que reforcem a credibilidade e independência do Banco Central. Assim, este estudo objetiva investigar as percepções de grupos distintos – profissionais do setor financeiro e tecnologia, investidores em criptoativos e o público geral – sobre os riscos e oportunidades do DREX no sistema financeiro brasileiro, com foco nos impactos esperados em segurança, privacidade e adoção, oferecendo subsídios para a tomada de decisão de instituições financeiras e reguladores.
2. Material e Métodos
A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa e descritiva, complementada por uma interpretação analítico-qualitativa dos dados, conforme preconizado por Gil (2017). O estudo teve um objetivo descritivo e uma metodologia predominantemente quantitativa. Caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, utilizando o delineamento de levantamento de campo. Esta técnica envolveu a interrogação direta de indivíduos para compreender suas percepções, com conclusões derivadas da análise quantitativa dos dados coletados (Gil, 2017; Malhotra, 2019). Essa abordagem permitiu explorar as percepções sobre o DREX de forma estruturada e sistemática.
O estudo foi conduzido no contexto do sistema financeiro brasileiro, com foco nas percepções sobre a implementação do DREX (Real Digital). A coleta de dados ocorreu entre janeiro e março de 2026. A unidade de análise consistiu nas percepções individuais de diferentes grupos de partes interessadas, abrangendo suas expectativas e preocupações em relação à moeda digital do Banco Central. Embora a coleta tenha sido predominantemente digital, o escopo da pesquisa se concentrou nas atitudes e opiniões dos participantes brasileiros sobre o tema. Não houve um local físico específico para a execução da coleta, que se deu de forma distribuída.
A população-alvo foi segmentada em três grupos distintos, cada um com critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. O Grupo 1 (Q1) compreendeu profissionais do setor financeiro ou de tecnologia com no mínimo três anos de experiência em bancos, fintechs, corretoras, exchanges de criptoativos, consultorias financeiras ou órgãos de regulação. O Grupo 2 (Q2) abrangeu investidores com experiência prévia documentada em ativos digitais. O Grupo 3 (Q3) foi constituído pela população brasileira adulta em geral, com idade igual ou superior a 18 anos, sem exigência de conhecimento técnico prévio sobre o tema. Menores de idade foram excluídos.
A técnica de amostragem empregada foi não probabilística por conveniência, incorporando elementos de amostragem bola de neve (Malhotra, 2019). Os links para os questionários foram disseminados em plataformas como WhatsApp e Telegram, buscando profissionais do mercado financeiro, investidores em criptoativos e o público geral. Os respondentes iniciais foram incentivados a compartilhar os links com indivíduos de perfis semelhantes. O levantamento obteve 415 respostas válidas, distribuídas em 81 respondentes no Q1, 149 no Q2 e 185 no Q3. Essa escolha metodológica justificou-se pela dificuldade de acesso a um arcabouço amostral completo das populações de interesse.
Os instrumentos de coleta de dados consistiram em três questionários estruturados, elaborados na plataforma Google Forms e compostos exclusivamente por perguntas fechadas de múltipla escolha. O Questionário 1 (Q1) continha 30 questões, abordando perfil profissional, conhecimento técnico sobre blockchain e contratos inteligentes, percepção da decisão do Banco Central sobre o DREX, impactos esperados em segurança e transparência, e prontidão institucional para a nova moeda. O Questionário 2 (Q2) era composto por 25 questões, focando em perfil do investidor, alocação de portfólio, comportamento, fontes de informação, preferências de custódia, preocupações com privacidade e intenção de uso do DREX em coexistência com criptoativos.
O Questionário 3 (Q3) reuniu 20 questões, que contemplavam o perfil sociodemográfico dos participantes, o nível de letramento digital, os hábitos bancários e as percepções sobre privacidade versus conveniência, incluindo a disposição para aceitar o monitoramento financeiro em troca de benefícios. A elaboração de questionários distintos para cada grupo visou adequar o nível de complexidade e os eixos temáticos ao conhecimento esperado de cada público-alvo. Essa segmentação permitiu direcionar as perguntas de modo a garantir maior consistência interna das respostas e a validade dos dados coletados para cada segmento específico.
A definição dos questionários foi precedida por um processo de pré-teste, conforme as recomendações de Gil (2017) e Malhotra (2019). Inicialmente, elaborou-se um questionário único que abrangia dimensões de conhecimento técnico, percepção sobre criptoativos, blockchain e DREX. A análise das respostas dessa versão piloto revelou que a mistura de temas e níveis de complexidade comprometia a consistência das respostas. Diante desse diagnóstico, o instrumento único foi descartado e substituído por três questionários segmentados por perfil de respondente. Essa estratégia garantiu maior consistência interna e validade dos dados.
Após a coleta, os dados foram exportados em formato CSV e tabulados em uma planilha eletrônica para organização e processamento. A análise dos dados empregou estatística descritiva, que permitiu sumarizar e apresentar as características principais das percepções dos grupos investigados. Adicionalmente, realizou-se uma análise comparativa entre os três grupos de respondentes. O objetivo dessa comparação foi identificar dissonâncias e convergências nas percepções sobre o sistema financeiro nacional e o DREX. É importante ressaltar que não foram aplicados testes estatísticos inferenciais, e as relações observadas entre as variáveis foram tratadas como indicações descritivas, sem interpretação de correlações significativas.
Em relação aos aspectos éticos, o projeto foi submetido ao Formulário de Dispensa Ética (FDE) em 09 de outubro de 2025, sob o identificador nº 56032117496. Obteve-se dispensa de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), fundamentada em características específicas do estudo. A coleta de dados foi realizada exclusivamente em ambientes virtuais, utilizando questionários autoaplicáveis digitais, sem registro de dados pessoais identificáveis. Não houve interação direta entre pesquisador e participantes que pudesse permitir identificação posterior, garantindo o anonimato e a privacidade dos envolvidos. Os participantes eram adultos saudáveis, legalmente capazes e sem impedimentos ao exercício da livre expressão de sua vontade.
As limitações metodológicas do estudo incluíram a amostragem por conveniência, que introduziu um viés de autosseleção, uma vez que apenas indivíduos que optaram voluntariamente por responder participaram. A concentração geográfica dos respondentes do Grupo 3 (público geral) na região Sudeste, representando 84,9% da amostra, restringiu a representatividade regional dos resultados para o Brasil como um todo. A coleta exclusivamente digital e por indicação pode ter excluído parcelas da população com menor acesso à internet ou familiaridade com plataformas digitais, impactando a abrangência da amostra.
Adicionalmente, o recorte temporal da pesquisa, realizado antes do lançamento efetivo do DREX, implicou que as percepções registradas refletiam expectativas e não experiências de uso real da moeda digital. Essa característica impede a análise de como a familiarização com o DREX ou episódios concretos de uso poderiam alterar os padrões de resistência ou aceitação identificados. Tais limitações devem ser consideradas na interpretação dos achados, restringindo a generalização dos resultados para além da amostra estudada e para um cenário pós-implementação, e não permitindo inferências sobre a evolução das percepções ao longo do tempo.
3. Resultados e Discussão
Os dados tabulados das respostas dos questionários aplicados aos três grupos de respondentes – profissionais do setor financeiro e tecnologia (Q1), investidores em criptoativos (Q2) e público geral (Q3) – revelaram um panorama complexo e multifacetado sobre as percepções em relação à implementação do DREX no Brasil. A análise descritiva quantitativa, complementada por uma interpretação analítico-qualitativa, permitiu identificar padrões de dissonância institucional, barreiras de privacidade e fatores que influenciam a potencial adoção da moeda digital do Banco Central (CBDC).
Um achado transversal e de grande relevância foi a coexistência de uma baixa confiança institucional generalizada com uma notável alta adoção tecnológica. O PIX, por exemplo, foi universalmente adotado pelo público geral, conforme os dados do Questionário 3 (Q3), indicando uma predisposição à aceitação de inovações financeiras digitais quando estas oferecem praticidade e benefícios claros. Contudo, essa mesma amostra demonstrou uma rejeição majoritária ao DREX nos termos apresentados, com preocupações predominantemente centradas na privacidade e no controle governamental. Essa aparente contradição sugere que a aceitação de uma nova tecnologia financeira não é meramente uma questão de funcionalidade ou conveniência, mas está profundamente enraizada em percepções de confiança e autonomia. A literatura corrobora que a confiança na instituição emissora é um pilar fundamental para a aceitação de moedas digitais, especialmente quando se trata de CBDCs (BIS, 2022; FMI, 2023). A ausência de uma percepção clara de benefício líquido que compense a potencial perda de privacidade, ou a percepção de um controle excessivo, pode ser um fator decisivo para a resistência.
Q1 – Profissionais do Setor Financeiro ou Tecnologia
O perfil dos respondentes do Grupo 1 (Q1), conforme detalhado no Apêndice A, revelou-se predominantemente composto por analistas e especialistas atuantes em instituições financeiras privadas. A maioria possuía um conhecimento técnico de nível intermediário sobre blockchain e CBDCs, o que os qualifica para opinar sobre o tema, embora a ausência de experiência direta em desenvolvimento de blockchain na maioria dos casos possa limitar a profundidade de sua compreensão sobre os aspectos mais técnicos da arquitetura do DREX. Essa composição sugere que as percepções deste grupo são informadas por uma base teórica sólida, mas podem não estar totalmente alinhadas com os desafios práticos de implementação de sistemas descentralizados.
Tabela 1. Tabulação das respostas ao questionário 1 (Q1), voltado para profissionais do setor financeiro e tecnologia
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Resposta |
Quantidade |
Porcentagem |
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6 a 10 anos |
36 |
44.4% |
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3 a 5 anos |
16 |
19.8% |
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11 a 15 anos |
14 |
17.3% |
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Mais de 20 anos |
9 |
11.1% |
|
16 a 20 anos |
6 |
7.4% |
Fonte: Dados da pesquisa
A análise do conhecimento técnico sobre blockchain e CBDCs neste grupo (Q1 – questões 6, 7, 8, 9, 11, conforme Apêndice A) indicou uma base de conhecimento sólida, porém não homogênea. Uma minoria expressiva de respondentes, que admitiu ter tomado conhecimento do DREX por meio do questionário, também demonstrou lacunas técnicas gerais. Este achado é crucial, pois sugere uma correlação entre o desconhecimento inicial sobre o DREX e uma compreensão menos aprofundada de conceitos técnicos subjacentes. Para a adoção bem-sucedida de uma CBDC, é imperativo que os profissionais do setor, que atuarão como intermediários e promotores, possuam um entendimento técnico robusto e uniforme. A falta de homogeneidade pode levar a interpretações errôneas e a uma comunicação inconsistente com o público final, minando a confiança e a clareza sobre o produto. Iniciativas de educação e capacitação direcionadas a este público seriam fundamentais para mitigar essas lacunas, garantindo que a mensagem sobre o DREX seja tecnicamente precisa e coerente.
A decisão do Banco Central de não utilizar a tecnologia blockchain no DREX foi majoritariamente aceita pelos profissionais do Q1 como uma abordagem pragmática. No entanto, uma minoria significativa, aproximadamente 35% (Q1 – questões 16, 17, conforme Apêndice A), identificou um risco real de redução da transparência do sistema. Essa percepção diverge da justificativa oficial do Banco Central, que enfatizou os riscos associados a um modelo 100% descentralizado e as limitações técnicas de escalabilidade (Q1 – questão 15, conforme Apêndice A). A literatura, como Böhme et al. (2015), aponta que sistemas financeiros centralizados podem apresentar pontos únicos de falha e preocupações legítimas com a transparência e a manipulação. A persistência dessa preocupação entre uma parcela dos profissionais, mesmo diante da justificativa oficial, sublinha a necessidade de uma comunicação mais robusta e transparente por parte do Banco Central, que aborde explicitamente como a arquitetura centralizada do DREX garantirá a integridade e a auditabilidade, sem comprometer a confiança. A percepção de transparência é tão importante quanto a transparência real para a aceitação pública e profissional.
A prontidão institucional para o DREX, com uma projeção de início em 2026, revelou um otimismo considerável entre os respondentes do Q1. A maioria estimou que o DREX estaria operacional até 2028 (Q1 – questões 21, 22, 23, conforme Apêndice A), uma projeção que se alinha com o cronograma divulgado pelo Banco Central. Essa expectativa positiva pode ser um indicativo de que as instituições financeiras já estão se preparando para a integração da nova moeda, seja através de investimentos em infraestrutura ou de planejamento estratégico. Contudo, a prontidão não se limita apenas à infraestrutura técnica, mas também à adaptação cultural e organizacional. A percepção de que a implementação será relativamente rápida pode subestimar a complexidade de integrar um novo sistema monetário em um ecossistema financeiro já robusto e regulado, exigindo um planejamento detalhado e contínuo para evitar fricções e garantir uma transição suave.
A discrepância entre a confiança no governo (média de ~2,5 em uma escala de 1 a 5) e no Banco Central (média de ~4,0) foi um dos achados mais marcantes entre os profissionais do setor (Q1 – questões 25, 26, 27, conforme Apêndice A). Este resultado reforça a centralidade da reputação técnica e da independência do Banco Central para a aceitação do DREX. A literatura sobre credibilidade de autoridades monetárias, como o BIS (2022) e o FMI (2023), consistentemente aponta que a independência percebida das instituições reguladoras em relação ao poder político é um fator determinante para a confiança do mercado. Os dados sugerem que qualquer associação do DREX a motivações políticas poderia erodir sua aceitação, inclusive entre profissionais com mais de vinte anos de experiência de mercado. A estratégia de comunicação do DREX deve, portanto, focar em dissociar a moeda digital de qualquer conotação política, enfatizando a sua natureza técnica, a sua governança independente e o seu papel como ferramenta de modernização do sistema financeiro, sob a égide de uma instituição percebida como tecnicamente competente e apartidária.
Por fim, os profissionais do setor demonstraram uma maior tolerância ao rastreamento financeiro em comparação com o público geral (Q1 – questões 28, 30, conforme Apêndice A). Este resultado pode ser atribuído à familiaridade desses profissionais com os requisitos de transparência regulatória já vigentes nas instituições financeiras, como as normas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (AML/CFT). Para eles, o rastreamento é uma parte intrínseca do sistema financeiro moderno e uma ferramenta essencial para a integridade do mercado. Essa perspectiva contrasta com a visão do público geral, que pode não ter a mesma compreensão ou aceitação das implicações regulatórias do rastreamento. A implicação prática é que a comunicação sobre a privacidade do DREX para os profissionais pode focar nos benefícios da rastreabilidade para a segurança e conformidade do sistema, enquanto para o público geral, a ênfase deve ser na proteção dos dados individuais e na garantia de que o rastreamento não será utilizado para fins indevidos.
Q2 – Investidores em Criptoativos
O grupo de investidores em criptoativos (Q2) apresentou um perfil distinto, caracterizado por uma experiência significativa no mercado de ativos digitais. A maioria (~65%) investia há mais de dois anos, com acompanhamento diário ou semanal dos cenários de mercado, e aproximadamente 70% situava-se na faixa etária de 18 a 35 anos, com alto nível de escolaridade (cerca de 80% com ensino superior completo, conforme Apêndice B). Este perfil sugere um público engajado, tecnicamente informado e com uma visão mais crítica sobre as inovações financeiras, especialmente aquelas que envolvem controle governamental.
Tabela 2. Tabulação das respostas ao questionário 2 (Q2), voltado para investidores em criptoativos
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Resposta |
Quantidade |
Porcentagem |
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Menos de 5% |
49 |
32.9% |
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5% a 10% |
29 |
19.5% |
|
Mais de 50% |
27 |
18.1% |
|
25% a 50% |
24 |
16.1% |
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10% a 25% |
20 |
13.4% |
Fonte: Dados da pesquisa
Um dado relevante, conforme Apêndice B (Q2 – questão 9), foi que 22% dos investidores em criptoativos desconheciam que o DREX não utilizaria blockchain. Este achado é particularmente significativo, pois este grupo, teoricamente, seria o mais interessado nessa distinção técnica, dada a valorização da descentralização e da imutabilidade que a blockchain oferece (Nakamoto, 2008; Tapscott & Tapscott, 2018). Tal resultado aponta para uma falha na comunicação do Banco Central, mesmo entre o público mais engajado com o tema de moedas digitais. A falta de clareza sobre a arquitetura tecnológica do DREX pode gerar desconfiança e reforçar a percepção de que a CBDC é uma tentativa de controle, em vez de uma inovação alinhada aos princípios de liberdade financeira que muitos investidores em criptoativos valorizam. Uma comunicação mais transparente e detalhada sobre as escolhas tecnológicas e suas implicações seria essencial para este segmento.
A principal fonte de informação para este grupo foi a internet, com aproximadamente 65% dos respondentes recorrendo a redes sociais e sites especializados (Q2 – questão 10, conforme Apêndice B). Isso indica que as estratégias de comunicação do Banco Central precisam ir além dos canais tradicionais, alcançando plataformas digitais onde este público busca ativamente informações. Os perfis de investimento mostraram-se equilibrados entre diferentes estilos, com uma maioria de aproximadamente 55% orientada para especulação de curto prazo (Q2 – questão 13, conforme Apêndice B). Essa característica sugere que a busca por retornos rápidos e a gestão ativa de portfólio são motivadores importantes, mas não necessariamente os únicos.
Mais de um terço dos investidores em criptoativos declarou preferir a autocustódia como forma de guarda de recursos (Q2 – questão 14, conforme Apêndice B), uma postura que reflete o princípio “not your keys, not your coins”, fundamental na cultura cripto. Essa preferência denota uma profunda desconfiança institucional e um desejo de autonomia financeira, onde o controle sobre os próprios ativos é priorizado em detrimento da custódia por terceiros, sejam eles bancos tradicionais ou digitais. Essa ideologia de autonomia é um obstáculo substancial para a adoção de uma moeda digital centralizada como o DREX, que, por sua própria natureza, implica um grau de controle e intermediação.
A preocupação com a privacidade foi um fator preponderante, com aproximadamente 75% dos investidores em criptoativos situando-se nos níveis 4 ou 5 de preocupação (Q2 – questões 15, 16, 17, conforme Apêndice B). Isso os posiciona como o grupo com maior atrito potencial com a proposta do DREX. A rastreabilidade inerente a uma CBDC, mesmo que justificada por razões de segurança e combate a ilícitos, é vista por este grupo como uma ameaça à liberdade individual e à privacidade financeira. A resistência observada, de caráter predominantemente valorativo e fundamentada em princípios de autonomia financeira e descentralização, indicou baixa suscetibilidade à reversão por ajustes técnicos ou regulatórios isolados (Q2 – questão 25, conforme Apêndice B). Isso significa que incentivos financeiros, como o cashback de 1% oferecido no questionário, mostraram-se insuficientes para reverter essa resistência (Q2 – questão 23, conforme Apêndice B). A rejeição ao DREX por este grupo não decorre de desinformação, mas de uma postura ideológica arraigada, que vê os criptoativos como uma alternativa à moeda fiduciária e ao controle governamental.
Mais de 60% dos investidores em criptoativos declararam não confiar ou confiar muito pouco no governo para gerenciar o DREX (Q2 – questão 18, conforme Apêndice B). Essa desconfiança política, combinada com a preocupação com a privacidade, resultou em uma intenção negativa de adoção em aproximadamente 47% dos casos, com apenas 12% manifestando intenção positiva clara (Q2 – questão 20, conforme Apêndice B). A familiaridade com as implicações da rastreabilidade, que é uma característica intrínseca do DREX, esteve associada a uma menor disposição de uso. Para este grupo, os criptoativos como o Bitcoin são percebidos como uma reserva de valor e um meio de transação que oferece maior liberdade e proteção contra a intervenção estatal, em vez de um complemento ao sistema financeiro tradicional. A adoção do DREX por este segmento exigiria não apenas garantias técnicas de privacidade, mas também mudanças na arquitetura de governança do projeto, com mecanismos auditáveis e independentes de controle de acesso aos dados, para alinhar-se aos seus valores fundamentais.
Q3 – Público Geral
A amostra do público geral (Q3) foi predominantemente composta por respondentes da região Sudeste (84,9%), o que, conforme as limitações metodológicas, restringe a generalização dos resultados para o Brasil como um todo. A faixa etária predominante situou-se entre 36 e 65 anos, totalizando aproximadamente 60% dos participantes. Este perfil demográfico é importante para contextualizar as percepções, pois representa uma parcela da população que pode ter diferentes níveis de letramento digital e familiaridade com inovações financeiras.
Aproximadamente 60% do público geral declarou desconhecer ou não compreender o DREX (Q3 – questões 6, 7, 8, conforme Apêndice C), o que aponta a comunicação como um dos principais desafios para o Banco Central. Este dado sublinha a necessidade urgente de campanhas de conscientização e educação financeira digital que expliquem o que é o DREX, seus benefícios e como ele se diferencia de outras formas de pagamento digital. A falta de compreensão pode gerar desconfiança e resistência à adoção, mesmo que o produto ofereça vantagens significativas.
O PIX, por outro lado, apresentou-se como uma referência favorável nesse contexto, com uma taxa de adesão de 100% entre os respondentes (Q3 – questão 9, conforme Apêndice C). Este sucesso indica que, nesta amostra, o público brasileiro aderiu rapidamente a novas tecnologias de pagamento quando havia praticidade e benefício percebido claros, além de uma comunicação simples e intuitiva. O DREX poderia se beneficiar desse precedente, replicando a trajetória do PIX, desde que a questão da privacidade percebida fosse endereçada de forma estruturada antes do lançamento ao varejo. A lição do PIX é que a adoção em massa ocorre quando a tecnologia é percebida como uma extensão natural e conveniente dos serviços existentes, sem custos explícitos ou barreiras de entrada.
As preferências de guarda de recursos no mercado financeiro brasileiro (Q3 – questão 11, conforme Apêndice C) foram dominadas por bancos privados e investimentos tradicionais. A confiança no governo situou-se abaixo do ponto médio, com concentração nos níveis 2 e 3 (Q3 – questão 16, conforme Apêndice C), enquanto o sistema bancário gozou de confiança expressivamente superior (Q3 – questão 17, conforme Apêndice C). Este dado é estratégico para o posicionamento do DREX: a associação da marca ao Banco Central, e não diretamente ao governo, indicou um caminho potencialmente mais promissor de aceitação. A credibilidade técnica do Banco Central, já observada no grupo de profissionais, pode ser um ativo valioso para mitigar a desconfiança política e promover a aceitação do DREX.
Aproximadamente 88% do público geral declarou preocupação com a privacidade de seus dados financeiros (Q3 – questão 18, conforme Apêndice C), um dado central para a estratégia de comunicação do DREX. Mais da metade recusou o cashback de 1% quando explicitamente associado ao rastreamento total das transações (Q3 – questão 19, conforme Apêndice C), embora aproximadamente 30% tenha aceitado com ressalvas ou condicionantes. Este resultado aponta para uma “Lacuna Pix-Privacidade”, onde os consumidores tendem a subestimar a cessão de dados quando ela ocorre de forma implícita e integrada a serviços já utilizados, mas reagem de forma adversa quando a troca é tornada explícita e deliberada (BIS, 2022). A adoção do DREX no varejo dependeria, portanto, de sua percepção como extensão natural de serviços já consolidados, e não como uma nova ferramenta de monitoramento financeiro.
Parte da resistência ao DREX baseou-se na percepção equivocada de que a vigilância financeira seria uma novidade do projeto. Constatou-se que aproximadamente 35% dos respondentes desconhecia que os bancos já têm acesso ao histórico de compras (Q3 – questão 20, conforme Apêndice C). Este achado aponta para a viabilidade de uma estratégia de comunicação comparativa, evidenciando que o nível de rastreabilidade já existente no sistema atual não difere essencialmente do proposto pelo DREX. Educar o público sobre a natureza da privacidade no sistema financeiro atual pode ajudar a normalizar a ideia de rastreabilidade no contexto do DREX, desde que as garantias de uso e proteção dos dados sejam claras e auditáveis.
Análise Cruzada entre Q1, Q2 e Q3
A análise comparativa entre os três grupos revelou padrões comportamentais distintos que apontam para uma adoção do DREX, se voluntária, fragmentada e condicional. O projeto apresentou maior aceitação entre profissionais do setor financeiro e de tecnologia (Q1), resistência moderada a alta entre o público geral (Q3), e resistência muito alta entre investidores em criptoativos (Q2). As barreiras identificadas variaram por segmento: entre os profissionais (Q1), predominaram preocupações com integração a sistemas legados e complexidade regulatória; entre os investidores em criptoativos (Q2), o medo de rastreamento, controle governamental e confisco; e entre o público geral (Q3), o desconhecimento do produto e a desconfiança no governo.
Um padrão consistente em todos os segmentos foi a confiança significativamente maior no Banco Central em comparação com o governo. No grupo Q1, as médias foram de aproximadamente 4,0 para o Banco Central e 2,5 para o governo em uma escala de 1 a 5. Este resultado reforça a centralidade da reputação técnica do Banco Central para a aceitação do projeto, um achado que encontra respaldo na literatura sobre a credibilidade de autoridades monetárias (BIS, 2022; FMI, 2023). A percepção de independência das instituições reguladoras em relação ao poder político é um fator determinante para a confiança do mercado. Os dados sugeriram que a associação do DREX a motivações políticas poderia deteriorar sua aceitação, inclusive entre profissionais com mais de vinte anos de experiência de mercado, que demonstraram uma divisão quanto à decisão do BC de não utilizar blockchain pública, com parcela significativa avaliando que a ausência de descentralização reduziria a segurança e a transparência do sistema (Q1 – questões 16, 17, conforme Apêndice A). Este achado corrobora a observação de Böhme et al. (2015) de que os riscos de pontos únicos de falha em sistemas financeiros centralizados constituem preocupação técnica legítima no ambiente acadêmico e profissional.
No grupo de investidores em criptoativos (Q2), observou-se uma tendência inversa entre o nível de conhecimento técnico declarado e a disposição de uso do DREX. Os respondentes que se autoavaliaram com conhecimento avançado ou especialista (Q2 – questão 7, conforme Apêndice B) foram os que mais indicaram rejeição ao produto (Q2 – questão 20, conforme Apêndice B) e reportaram maior preocupação com privacidade (Q2 – questão 17, conforme Apêndice B). Os dados sugeriram que, no caso do DREX, a familiaridade com as implicações de rastreabilidade esteve associada a uma menor disposição de uso, possivelmente em razão das características do produto como dinheiro estatal programável com implicações sobre autonomia financeira. Nesse grupo, os respondentes tenderam a indicar preferência por criptoativos como Bitcoin na função de reserva de valor, e não como complemento ao sistema financeiro tradicional, refletindo uma postura ideológica de autonomia e descentralização.
O público geral (Q3) apresentou o comportamento denominado neste estudo de “Lacuna Pix-Privacidade”. A totalidade dos respondentes utilizava o PIX com frequência (Q3 – questão 9, conforme Apêndice C), demonstrando elevada confiança no sistema bancário (Q3 – questão 17, conforme Apêndice C), porém rejeitando a proposta de compartilhamento explícito de dados em troca de benefícios financeiros (Q3 – questão 19, conforme Apêndice C). Esse padrão sugere uma aparente contradição entre o comportamento declarado e o comportamento efetivo dos respondentes. Resultado semelhante foi descrito na literatura, que aponta que consumidores tendem a subestimar a cessão de dados quando ela ocorre de forma implícita e integrada a serviços já utilizados, mas reagem de forma adversa quando a troca é tornada explícita e deliberada (BIS, 2022). A adoção do DREX no varejo dependeria, portanto, de sua percepção como extensão natural de serviços já consolidados, e não como nova ferramenta de monitoramento financeiro.
A privacidade financeira configurou o principal obstáculo transversal à adoção nos três grupos. Entre os profissionais (Q1), cerca de 28% declarou que não utilizaria o DREX em hipótese alguma por questões de privacidade, embora aproximadamente 69% o utilizaria normalmente ou de forma condicional (Q1 – questão 30, conforme Apêndice A). Entre os investidores em criptoativos (Q2), 81% recusou o cashback de 1% em razão do rastreamento associado (Q2 – questão 23, conforme Apêndice B), e a privacidade foi a principal preocupação declarada pelo grupo (Q2 – questão 22, conforme Apêndice B). Entre o público geral (Q3), 88% expressou preocupação com privacidade (Q3 – questão 18, conforme Apêndice C) e 62% recusou o cashback de 1% (Q3 – questão 19, conforme Apêndice C). O incentivo monetário de 1% mostrou-se insuficiente para reverter a resistência em qualquer dos três segmentos, resultado coerente com estudos sobre barreiras de privacidade na adoção de tecnologias financeiras (BIS, 2022; FMI, 2023).
Registrou-se que a adoção do PIX por 100% dos respondentes do público geral, incluindo as faixas etárias mais altas (56–65 anos), sugeriu que, entre os respondentes desta pesquisa, houve adesão rápida a novas tecnologias de pagamento quando reunidas praticidade clara, ausência de custo explícito ao usuário e comunicação simples e intuitiva. O DREX poderia replicar essa trajetória, desde que a questão da privacidade percebida fosse endereçada de forma estruturada antes do lançamento ao varejo. Em síntese, os dados indicaram que, na percepção dos respondentes, a viabilidade técnica do DREX foi amplamente reconhecida, mas a disposição de adoção dependia da superação de barreiras relacionadas à confiança política e à privacidade percebida, barreiras que, nos limites desta amostra, não se mostraram reversíveis apenas por meio de ajustes técnicos ou incentivos financeiros isolados. A principal inferência que emerge dos dados não é sobre o produto em si, mas sobre o ambiente institucional em que ele será lançado. A credibilidade do DREX está estreitamente vinculada à credibilidade do Banco Central e à percepção de sua independência política. Uma eventual erosão dessa percepção, seja por interferência governamental declarada ou por falhas de comunicação, poderia intensificar a resistência observada, inclusive entre o público técnico mais familiarizado com o projeto.
4. Conclusão
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que este estudo investigou com sucesso as percepções de profissionais do setor financeiro e tecnologia, investidores em criptoativos e o público geral sobre os riscos e oportunidades do DREX no sistema financeiro brasileiro, com foco em segurança, privacidade e adoção. Os resultados revelaram uma complexa dissonância institucional, onde a confiança no Banco Central superou a confiança no governo, e barreiras significativas de privacidade transversalmente aos grupos. A adoção voluntária do DREX mostrou-se fragmentada e condicional, com maior aceitação entre profissionais, resistência moderada a alta no público geral e alta resistência entre investidores em criptoativos, que valorizam a autonomia financeira e a descentralização.
Contudo, é crucial reconhecer as limitações desta pesquisa, que incluem a amostragem por conveniência, o viés de autosseleção dos participantes e a concentração geográfica da amostra do público geral na região Sudeste, o que restringe a generalização dos achados. Além disso, o estudo foi realizado antes do lançamento efetivo do DREX, refletindo expectativas e não experiências reais de uso. Para aprofundar a compreensão, sugere-se a realização de estudos longitudinais após a operacionalização do DREX, a fim de verificar a evolução dos padrões de resistência e familiarização. Pesquisas qualitativas com grupos focais também seriam valiosas para explorar as motivações ideológicas dos investidores em criptoativos e as condições sob as quais o público geral revisaria suas percepções sobre privacidade financeira.
Referências Bibliográficas
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Böhme, R.; Christin, N.; Edelman, B.; Moore, T. 2015. Bitcoin: economics, technology, and governance. Journal of Economic Perspectives 29(2): 213-238. Disponível em: <https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/jep.29.2.213>. Acesso em: 10 mar. 2026.
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Tapscott, D.; Tapscott, A. 2018. Blockchain Revolution: how the technology behind bitcoin is changing money, business, and the world. Penguin, New York, NY, EUA.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq
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