
24 de fevereiro de 2026
Monitoramento Preditivo do Nginx com Análise de Dados para Alta Disponibilidade
Jhonatan Alessandro Bosso; Renata Maria Marè Gogliano
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Esta pesquisa investigou e validou a aplicação de análise de dados e aprendizado de máquina para o monitoramento proativo do desempenho de servidores Nginx em ambientes de alta disponibilidade. O objetivo foi desenvolver um modelo preditivo de degradações de performance e falhas, permitindo ações preventivas em vez de reativas. A finalidade foi otimizar a alocação de recursos, mitigar o tempo de inatividade e aprimorar a experiência do usuário em aplicações críticas, transformando o monitoramento de um processo passivo para uma ferramenta estratégica de gestão de confiabilidade.
A relevância da pesquisa reside na importância da disponibilidade e desempenho de aplicações web para o sucesso organizacional. Falhas de disponibilidade ou lentidão podem causar perdas financeiras e danos à reputação (Forouzan, 2010). A alta disponibilidade é um requisito fundamental, alinhado aos princípios de Engenharia de Confiabilidade de Sites (SRE), que utiliza práticas como clusters, balanceamento de carga e automação para construir sistemas resilientes e operacionais de forma ininterrupta (Beyer et al., 2016).
O servidor Nginx é central em arquiteturas de alta disponibilidade, atuando como balanceador de carga, proxy reverso e servidor web para distribuir tráfego e eliminar pontos únicos de falha (Soni, 2016). Contudo, sua simples implementação não garante resiliência. Sem um monitoramento inteligente, falhas de desempenho, gargalos de recursos e anomalias de tráfego podem passar despercebidos até a interrupção do serviço, pois o monitoramento tradicional, baseado em limiares estáticos, é insuficiente para a complexidade dos sistemas modernos.
Este estudo propõe uma mudança de paradigma, aplicando ciência de dados ao monitoramento do Nginx. A abordagem se baseia na coleta contínua de métricas como tráfego HTTP, utilização de CPU e memória, conexões TCP ativas e a distribuição de códigos de resposta HTTP. A análise temporal desses dados permite identificar padrões complexos que precedem a degradação do desempenho. A aplicação de modelos de aprendizado de máquina sobre esses dados históricos possibilita a construção de um sistema preditivo para antecipar falhas, alinhado com práticas de empresas que utilizam análise de dados para otimizar operações (Marr, 2016).
A hipótese central é que a integração de modelos preditivos ao monitoramento do Nginx permite a detecção precoce de anomalias e a automação de respostas, resultando em um aumento mensurável da disponibilidade do serviço. Ao prever picos de demanda ou esgotamento de recursos, as equipes de operações ganham tempo para escalar a infraestrutura ou ajustar configurações, mitigando o impacto de incidentes. A pesquisa detalha a construção de um ambiente de laboratório, a metodologia de coleta e tratamento de dados, o treinamento de um modelo preditivo e a avaliação de seus resultados, fornecendo um roteiro para a implementação de monitoramento inteligente.
A metodologia foi exploratória, aplicada e quantitativa, seguindo um desenho de estudo de caso (Gil, 2007). A estrutura da investigação seguiu o processo sequencial de sete etapas de Quivy e Campenhoudt (1995): definição do tema e hipótese (Etapa 1), exploração teórica e prática (Etapa 2), definição da problemática (Etapa 3), construção do modelo de análise (Etapa 4), coleta de dados (Etapa 5), análise dos dados (Etapa 6) e exposição dos resultados (Etapa 7). Essa estrutura garantiu o rigor metodológico.
O ambiente experimental foi virtualizado para controle e repetibilidade. A infraestrutura foi montada em um notebook Lenovo com processador Intel Core i5 de 12ª geração, 16 GB de RAM e SSD de 474 GB, utilizando VMware Workstation. A topologia consistia em cinco máquinas virtuais com Ubuntu Server 22.04 LTS. Quatro instâncias foram configuradas como servidores Nginx (2 vCPUs, 2 GB de RAM, disco de 20 GB cada). A quinta instância (4 vCPUs, 4 GB de RAM, disco de 50 GB) foi dedicada ao ecossistema de monitoramento com Prometheus e Grafana. A comunicação foi estabelecida por um switch virtual vSphere Standard com banda de 100 MB/s Full Duplex e MTU de 1500, simulando uma rede local isolada.
A geração de carga e coleta de dados foi planejada para simular um cenário realista. Foi utilizada a aplicação web AdminLTE (Almsaeed, 2017), e um script Python gerou requisições HTTP simulando múltiplos usuários. A coleta de métricas foi feita pelo Prometheus, com o node-exporter para dados de sistema (CPU, memória, I/O, rede) e o nginx-prometheus-exporter para métricas da aplicação (requisições por segundo, latência, códigos de status). Os dados foram armazenados no Prometheus e visualizados no Grafana (Grafana Labs, 2025). A metodologia de benchmarking seguiu a RFC1242, que recomenda no mínimo 20 repetições para validade estatística (Bradner, 1991).
A análise e modelagem dos dados foram centrais. Dados brutos, coletados por 15 dias a cada hora, foram exportados do Prometheus para CSV. O tratamento em Python com a biblioteca Pandas seguiu as práticas de ciência de dados (Kelleher e Mac Carthy, 2015), incluindo consolidação de arquivos, conversão de timestamp, remoção de duplicatas e tratamento de valores ausentes. As métricas foram normalizadas com uma escala Min-Max para permitir a comparação entre variáveis de magnitudes distintas. Foi utilizado um modelo de regressão supervisionada da biblioteca Scikit-learn, com o conjunto de dados dividido em 80% para treinamento e 20% para teste.
A análise exploratória dos dados revelou padrões cíclicos de uso, correspondentes aos testes de estresse. Gráficos de séries temporais mostraram picos de utilização de CPU e memória coincidindo com o aumento de requisições por segundo (RPS), confirmando a relação entre carga e consumo de recursos. Essa análise validou a qualidade dos dados e identificou os períodos de maior estresse para o treinamento do modelo.
Para entender as interdependências entre variáveis, foi realizada uma análise de correlação de Pearson, visualizada em um mapa de calor. Os resultados demonstraram forte correlação positiva entre requisições por segundo (RPS) e utilização de CPU, e entre utilização de CPU e consumo de memória. A análise também revelou uma correlação positiva significativa entre o aumento desses indicadores e o aumento da latência da aplicação. Este achado validou a premissa de que o esgotamento de recursos de hardware precede a degradação da experiência do usuário, fornecendo a base para o modelo preditivo.
O desempenho do modelo foi avaliado comparando suas previsões com os valores reais do conjunto de teste para requisições por segundo (RPS), latência da aplicação e erros HTTP 500. Para RPS, o modelo demonstrou alta fidelidade, acompanhando os valores reais e capturando os picos de tráfego. Na previsão de latência, o modelo conseguiu prever a tendência geral de aumento em resposta à carga, antecipando momentos de degradação do tempo de resposta. O resultado mais significativo foi a capacidade de prever a ocorrência de erros HTTP 500. O modelo aprendeu a identificar as combinações de métricas (alta utilização de CPU, picos de memória, RPS elevado) que precediam falhas, prevendo picos de erros antes de sua ocorrência e funcionando como um sistema de alerta precoce para falhas críticas.
A validação final utilizou um mecanismo de detecção de degradação automática com limiares operacionais definidos: RPS acima de 4.500, latência superior a 120 ms ou mais de 300 erros HTTP 500 por intervalo. A abordagem preditiva demonstrou sua eficácia ao gerar alertas que sinalizavam a alta probabilidade de violação desses limiares com uma antecedência de aproximadamente cinco minutos. Essa janela de tempo é valiosa para a execução de ações automatizadas ou manuais, como provisionamento de recursos, antes que a degradação se torne uma interrupção do serviço.
A discussão dos resultados reforça o valor da ciência de dados para a otimização de operações de TI (Provost e Fawcett, 2013). A capacidade do modelo de antecipar falhas valida a hipótese central do estudo, representando um avanço sobre o monitoramento reativo. O estudo exemplifica como empresas podem usar big data e machine learning para aprimorar a confiabilidade de sistemas (Marr, 2016). O sucesso do modelo também destaca a importância da qualidade e preparação dos dados, pois a limpeza e normalização das métricas foram essenciais para a precisão das previsões (Kelleher e Mac Carthy, 2015).
O estudo reconhece suas limitações: a coleta de dados por 15 dias pode não capturar padrões sazonais, os limiares de alerta foram definidos manualmente e o ambiente de laboratório não considerou falhas de hardware físico ou complexidades de rede reais (Oppenheimer, 2004). Pesquisas futuras poderiam explorar modelos de séries temporais mais avançados como LSTMs, implementar algoritmos para definir limiares dinâmicos e integrar o sistema de alerta com ferramentas de orquestração como Kubernetes ou Ansible para uma resposta automatizada.
Esta pesquisa demonstrou o projeto, implementação e validação de um framework de monitoramento preditivo para servidores Nginx. A combinação de ferramentas de código aberto como Prometheus (Turnbull, 2018) e Grafana com aprendizado de máquina em Python oferece uma solução eficaz para aumentar a resiliência de sistemas críticos. O principal achado é a confirmação de que é possível antecipar a degradação do desempenho e falhas do servidor, permitindo a transição de uma postura operacional reativa para uma proativa.
As recomendações práticas incluem a adoção de uma cultura de monitoramento orientada a dados e a implementação de modelos preditivos para transformar a gestão da disponibilidade. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a aplicação de técnicas de análise de dados e aprendizado de máquina é uma abordagem viável e eficaz para o monitoramento preditivo do Nginx, resultando em melhorias tangíveis na disponibilidade do serviço e na experiência do usuário.
Referências:
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BEYER, Betsy; JONES, Chris; SETOFF, Jennifer; MURPHY, Niall Richard. Engenharia de confiabilidade do Google: como o Google administra seus sistemas de produção. São Paulo: O’Reilly, 2016.
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FOROUZAN, Behrouz A. TCP/IP Protocol Suite. 4. ed. New York, NY: McGraw-Hill Education, 2010.
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MARR, Bernard. Big Data in Practice: How 45 Successful Companies Used Big Data Analytics to Deliver Extraordinary Results. Chichester: Wiley, 2016.
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PROVOST, Foster; FAWCETT, Tom. Data Science for Business: What You Need to Know about Data Mining and Data-Analytic Thinking. Sebastopol, CA: O’Reilly Media, 2013.
QUIVY, R.; CAMPENHOUDT, L. Van. Manual
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq
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