Imagem A Relação entre Fatores Motivacionais e Bem-Estar Psicológico no Ambiente Corporativo

26 de fevereiro de 2026

A Relação entre Fatores Motivacionais e Bem-Estar Psicológico no Ambiente Corporativo

Juliana Baratela; Cristiana Correa Dias Lopes

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Esta pesquisa analisa a influência do ambiente de trabalho na saúde mental e bem-estar, investigando como fatores motivacionais e condições laborais impactam o equilíbrio psicológico dos profissionais. A investigação parte do pressuposto de que motivação e saúde mental são interdependentes, determinando produtividade, engajamento e qualidade de vida. Compreender essa dinâmica é fundamental para desenvolver estratégias organizacionais que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis e humanizados, alinhados às demandas por bem-estar no mundo corporativo.

A interação entre saúde emocional e desempenho profissional é essencial para um ambiente de trabalho saudável. Conforme aponta Wronski (2023), a capacidade de um indivíduo gerenciar suas emoções impacta diretamente a eficiência. Desafios emocionais como estresse crônico e ansiedade comprometem a concentração, a tomada de decisões e as interações interpessoais, resultando em queda de produtividade. A motivação se manifesta de forma intrínseca, impulsionada por fatores internos como satisfação pessoal, e extrínseca, dependente de estímulos externos como recompensas e reconhecimento (Miguel, 2023). É na intersecção dessas forças com os desafios diários que a saúde mental é posta à prova.

O ambiente corporativo moderno, com alta pressão por resultados e falta de reconhecimento, pode catalisar a desmotivação e o desenvolvimento de transtornos mentais como ansiedade e depressão (Leandro, 2023). Diante disso, as organizações devem priorizar a saúde mental, criando um ambiente psicologicamente seguro. Tal preocupação é um investimento estratégico que resulta em equipes mais produtivas, engajadas e satisfeitas (Duarte, 2023). O conceito de ambiente de trabalho é multifacetado, englobando o espaço físico, a cultura organizacional, as dinâmicas sociais e as condições macroeconômicas (Walger et al., 2014).

Saúde mental não é apenas a ausência de transtornos. Envolve a capacidade de enfrentar desafios cotidianos, lidar com emoções de forma construtiva e manter relacionamentos saudáveis. A abordagem das organizações deve ser proativa, focando na promoção da resiliência e do bem-estar, não apenas na prevenção e tratamento (Duarte, 2023). O bem-estar possui duas perspectivas complementares: a subjetiva, referente à percepção pessoal de satisfação, e a objetiva, que abrange condições externas como saúde e renda (Fable, 2024). Ambos os aspectos são cruciais.

Para um futuro equilibrado, é essencial adotar estratégias de bem-estar. Práticas como mindfulness e meditação são ferramentas para a redução do estresse e aprimoramento da regulação emocional (Delfino, 2024). O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, o estabelecimento de limites e o autocuidado são indispensáveis para prevenir o burnout. A motivação atua como uma emoção catalisadora para alcançar melhores resultados, podendo ser fomentada individualmente ou pelo suporte coletivo, frequentemente estimulada por recompensas que agregam valor aos objetivos pessoais e profissionais (Jones, 2021).

A pesquisa utilizou um método descritivo com abordagem mista (quantitativa e qualitativa). O delineamento foi fundamentado em uma revisão bibliográfica aprofundada, que serviu de base teórica para analisar a relação entre fatores motivacionais e bem-estar psicológico no contexto organizacional. Essa abordagem permitiu contextualizar os dados empíricos coletados, conferindo maior profundidade à análise. A combinação de métodos enriqueceu o estudo, permitindo não apenas a mensuração de percepções, mas também a compreensão das nuances subjacentes às respostas.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado no Google Forms com 30 perguntas. Cinco questões foram dedicadas a dados sociodemográficos. Vinte e duas questões em formato de múltipla escolha, com escala Likert de cinco pontos, mediram o grau de concordância sobre motivação e bem-estar. Adicionalmente, uma questão de múltipla escolha e duas de seleção limitada a até três opções aprofundaram a investigação sobre os fatores percebidos como positivos e negativos no ambiente de trabalho.

A coleta de dados foi realizada online, por meio da divulgação de um link em redes sociais e aplicativos de mensagens, com foco em grupos profissionais e de estudos, utilizando amostragem por conveniência. A participação foi voluntária e anônima, assegurando o cumprimento das diretrizes éticas. Os participantes foram informados sobre os objetivos e manifestaram consentimento via Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com garantia do direito de desistir a qualquer momento. A coleta anônima seguiu as regras de dispensa de avaliação do Comitê de Ética, conforme a resolução CNS nº 510 de 2016.

A análise dos dados foi conduzida por uma abordagem quantitativo-qualitativa, aplicando técnicas de estatística descritiva para resumir e apresentar os dados. As frequências absolutas e relativas foram calculadas para todas as variáveis, permitindo uma visualização panorâmica das percepções. Essa análise foi complementada pela aplicação de técnicas de correlação, com o objetivo de identificar possíveis relações entre os fatores investigados, como a relação entre clima organizacional e níveis de estresse ou a conexão entre políticas de reconhecimento e satisfação no trabalho.

Os resultados, obtidos a partir de 56 respondentes, revelam uma complexa teia de fatores que influenciam a motivação e o bem-estar. O perfil sociodemográfico da amostra indica predominância do gênero feminino (62,50%) e concentração nas faixas etárias de 30 a 39 anos (35,71%) e 40 a 49 anos (33,92%). A maioria atua na região Sudeste (83,89%), nos segmentos de Serviços (23,18%) e Indústria (19,60%). Prevalece o regime presencial (58,98%), seguido pelo híbrido (26,76%) e remoto (14,26%). Embora o modelo híbrido ofereça equilíbrio (Alves, 2022), a realidade da maioria ainda está no formato tradicional.

A análise dos fatores positivos evidencia a conexão entre estado emocional e desempenho profissional. Um dado contundente revela que 94,64% dos respondentes afirmaram desempenhar melhor suas atividades quando estão emocionalmente bem, o que corrobora que a produtividade está associada à satisfação no trabalho (Chiavenato, 2014). Contudo, os dados apontam áreas críticas: embora 51,79% dos participantes concordem que seu ambiente de trabalho promove a motivação, 25,00% discordam e 23,21% se mantêm neutros. Este resultado sugere que a motivação, sendo um estado interno (Cortella, 2016), não está sendo adequadamente estimulada em muitas organizações.

Um dos achados mais preocupantes é a falta de suporte emocional no ambiente de trabalho. A maioria (51,79%) discordou da afirmação de que recebe esse tipo de apoio, um dado alarmante, pois o acolhimento é fundamental para o desempenho (Regina, 2022). Em contrapartida, 60,72% dos respondentes sentem que seu trabalho tem um impacto positivo em seu bem-estar psicológico, e 91,07% reconhecem a importância do suporte de amigos e familiares para superar a desmotivação. O respeito no ambiente organizacional destacou-se como ponto positivo, com 64,29% dos participantes afirmando se sentirem respeitados, um elemento chave para a qualidade de vida no trabalho (Regina, 2022).

A satisfação com os treinamentos e o feedback oferecidos apresentou resultados divididos. Apenas 37,50% dos respondentes se mostraram satisfeitos com os treinamentos, e 44,64% com o feedback recebido. Investir em Treinamento e Desenvolvimento (T&D) é uma estratégia essencial para aprimorar o desempenho e reter talentos (Silva, 2022). Da mesma forma, a prática constante do feedback é crucial para o desenvolvimento de habilidades, devendo ser uma ferramenta de reconhecimento e orientação, não apenas de crítica (Duarte, 2019). A ambiguidade nos resultados sugere que as práticas atuais de T&D e feedback não atendem plenamente às expectativas.

A análise dos fatores negativos revela um quadro de desgaste emocional significativo. Quase metade dos respondentes (46,43%) afirmou sentir-se excessivamente estressada, e 50,00% relataram sentir-se excessivamente ansiosos. O estresse e a ansiedade no ambiente laboral podem ser potencializados por exigências desmedidas e insegurança (Wronski, 2023; Leandro, 2023). Esses sentimentos têm impacto direto no desempenho, com 67,86% dos colaboradores concordando que eles interferem em suas atividades. O cansaço ao final da jornada é uma realidade para 69,64% dos participantes, e 58,92% relataram sinais de desgaste emocional, que podem ser mitigados por conexões sociais positivas (Queiroz, 2020).

A insatisfação profissional se manifesta na intenção de rotatividade: 69,64% dos participantes revelaram já ter considerado mudar de trabalho por se sentirem desmotivados. Este dado reforça que a insatisfação pode levar a um aumento da rotatividade e das ausências, impactando a organização (Chiavenato, 2014). Questionados sobre os fatores que mais afetam negativamente a saúde mental, o clima organizacional negativo (ambiente hostil ou tóxico) foi o mais apontado, com 33,33% das respostas. Outros fatores relevantes incluíram a exigência de disponibilidade constante (13,82%), a ausência de oportunidades de crescimento (13,01%) e a pressão por resultados (10,57%). Os resultados indicam que os problemas estão mais atrelados à cultura e ao clima organizacional.

Para promover um ambiente mais saudável, os participantes sugeriram ações focadas na valorização humana. A implementação de políticas de reconhecimento e valorização foi a ação mais citada (31,65%), seguida pela melhoria da comunicação interna para que seja clara e empática (24,46%) e pela oferta de benefícios relacionados ao bem-estar, como apoio psicológico (19,43%). A qualidade da comunicação é determinante para a satisfação e o engajamento (Chiavenato, 2014). No entanto, a percepção sobre a abertura das organizações para implementar tais mudanças é dividida: 41,07% acreditam que suas empresas estão abertas a mudanças, enquanto 37,50% discordam, evidenciando ceticismo.

A distinção entre clima e cultura organizacional é crucial para interpretar esses achados. Enquanto a cultura representa o conjunto de valores e normas, o clima reflete a percepção dos colaboradores sobre o ambiente (Souza, 2017). Os resultados sugerem que os principais fatores de desmotivação estão enraizados no clima organizacional, que é uma manifestação da cultura. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que a partir de 2025 exigirá que as empresas brasileiras avaliem os riscos psicossociais, representa um marco regulatório importante. Essa mudança obriga os empregadores a identificar e mitigar riscos como estresse e assédio, formalizando a necessidade de criar ambientes de trabalho mais saudáveis.

Esta pesquisa demonstrou a relação intrínseca entre fatores motivacionais e bem-estar psicológico, evidenciando que a motivação é fundamental tanto para o desempenho profissional quanto para a qualidade de vida. Os resultados mostraram que reconhecimento, um ambiente de trabalho positivo e suporte emocional são essenciais para a manutenção da saúde mental e do engajamento. Observou-se que a desmotivação está frequentemente associada a fatores sistêmicos, como excesso de cobranças, falta de oportunidades de crescimento e ausência de suporte organizacional. Sentimentos negativos como estresse e ansiedade impactam diretamente o desempenho, reforçando a importância de práticas que promovam o equilíbrio emocional.

As organizações precisam adotar estratégias proativas e humanizadas, voltadas à valorização de seus funcionários, a fim de cultivar um ambiente mais saudável e motivador. A implementação de políticas de reconhecimento, a oferta de suporte psicológico e a promoção de uma comunicação eficaz podem contribuir para a melhoria da satisfação e da produtividade. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se a profunda interconexão entre os fatores motivacionais do ambiente de trabalho e o bem-estar psicológico dos profissionais, com o clima organizacional emergindo como um fator crítico para a saúde mental e o engajamento. Investir na valorização humana e no suporte emocional não apenas beneficia os colaboradores, mas também fortalece o crescimento sustentável das empresas.

Referências:
Alves, T. 2022. Nem home nem office. Editora Gente, São Paulo, SP, Brasil.
Chiavenato, I. 2014. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Manole, Barueri, SP, Brasil.
Cortella, M. S. 2016. Por que fazemos o que fazemos?: aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização. 1. ed. Planeta, São Paulo, SP, Brasil.
Delfino, M. A. 2024. Superando a Auto Sabotagem : Estratégias Psicológicas e Neurocientíficas para o Sucesso e Bem-Estar (Saúde Emocional). Independente. Edição do Kindle, Brasil.
Duarte, D. 2023. Saúde Mental no Ambiente Corporativo: Desafios e Soluções para o Dia a Dia. Edição do Kindle, Brasil.
Duarte, N. 2019. A arte de dar feedback [recurso eletrônico]/ Heidi Grant Halvorson… [et al.]; [Harvard Business Review]; tradução de Marcelo Schild. Sextante, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Fable, N. 2024. Estratégias Abrangentes Para Uma Vida Plena e Satisfatória. Uma Abordagem Holística e Prática Para Cultivar o Bem-Estar Emocional, Mental e Físico. Edição do Kindle, Brasil.
Gomes, L. 2024. Saúde Mental no Trabalho Práticas para um Ambiente mais saudável: Como Promover o Bem-Estar Psicológico e Aumentar a Produtividade nas Organizações. Edição do Kindle, Brasil.
Jones, R. 2021. Segredos Da Motivação: Guia Definitivo Para Como Se Motivar No Trabalho, Nos Estudos Todos Os Dias e Ter Mais Resultados Em Sua Vida. Edição do Kindle, Brasil.
Junior, D. R. R; Pilatti L. A.; Pedroso, B. 2011. Qualidade de vida no trabalho: construção e validação do questionário QWLQ-78. Revista Brasileira de Qualidade de Vida, Ponta Grossa, v.3, n.2, p. 1-12.
Leandro, D. 2023. Como Lidar Com a Ansiedade No Trabalho?: 6 Estratégias Para Lidar Com a Ansiedade No Trabalho. Edição do Kindle. Brasil.
Miguel, M. 2023. Motivação: Coleção “Desenvolva-se” – Livro 5. Edição do Kindle, Brasil.
Ministério do Trabalho em Emprego [MTE]. 2024. Empresas brasileiras terão que avaliar riscos psicossociais a partir de 2025. Disponível em: < https://www. gov. br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Novembro/empresas-brasileiras-terao-que-avaliar-riscos-psicossociais-a-partir-de-2025. > Acesso em: 08 abr. 2025
Queiroz, S. 2020. Gestão das emoções no ambiente corporativo [recurso eletrônico]. Literare Books International, São Paulo, SP, Brasil.
Regina, G. 2022. Inteligência emocional. Editora Viseu, Curitiba, PR, Brasil.
Silva, L. Q. D. 2022. DESENVOLVER: Treinamento e Desenvolvimento. Editora Liberdade do Saber. Porto Alegre, RS, Brasil.
Souza, F. L. P. 2017. Clima e Cultura Organizacional: Entender, manter e mudar. Createspace Independent Publishing Platform, Brasil.
Walger, C.; Viapiana, L.; Barboza, M. M. 2014. Motivação e Satisfação no Trabalho: em Busca do Bem-Estar de Indivíduos e Organizações. 1ed. Intersaberes, Curitiba, PR, Brasil.
Wronski, K. 2023. Saúde Emocional no Ambiente de Trabalho: Cultivando o Bem-Estar para uma Carreira Sustentável. Edição do Kindle, Brasil.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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