Artigo

28 de julho de 2026

Gestão de riscos em consultorias ambientais no licenciamento e execução de projetos

Douglas Augusto Godoi; Gisele Rodrigues Atayde Margarido

DOI: 10.22167/2675-6528-202600730

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A complexidade regulatória, técnica e operacional dos projetos ambientais justifica a análise da gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental. O estudo objetivou analisar a gestão de riscos nessas consultorias, com foco na identificação, avaliação e tratamento de riscos associados a processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos ambientais. A pesquisa utilizou uma abordagem aplicada, combinando métodos quantitativos e qualitativos, incluindo um *survey* com escala Likert, Diagrama de Ishikawa e plano de ação 5W2H. Os resultados revelaram alta concordância na identificação de riscos ambientais, especialmente no licenciamento (87,0%) e aspectos regulatórios (87,0%), e elevada maturidade nas práticas de conformidade, com até 91,3% de concordância no controle de exigências legais. Contudo, apenas 43,5% dos respondentes indicaram o uso de ferramentas estruturadas para avaliação de riscos, evidenciando lacunas metodológicas. A análise qualitativa apontou predominância de riscos regulatórios (65%), técnicos (55%) e operacionais (40%), com causas relacionadas à padronização de processos, integração de equipes e qualidade dos dados. As ações propostas priorizaram padronização técnica, atualização normativa, melhoria da comunicação e estruturação de processos formais de gestão de riscos. Concluiu-se que a gestão de riscos em consultorias ambientais se concentra em aspectos regulatórios, com forte adesão às exigências legais, mas apresenta variabilidade na aplicação de práticas técnicas e operacionais.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Consultoria ambiental; Gestão ambiental; Impacto ambiental; Licenciamento ambiental.

1. Introdução

A gestão de riscos tem se consolidado como um elemento central na condução de projetos em ambientes complexos e dinâmicos. Em setores que envolvem elevada incerteza, múltiplos <i>stakeholders</i> e forte dependência de requisitos regulatórios, a identificação, análise e tratamento de riscos são processos fundamentais para apoiar a tomada de decisão e garantir o desempenho organizacional ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos (Ventura et al., 2025). Essa abordagem sistemática permite antecipar potenciais problemas, minimizando impactos negativos e otimizando a alocação de recursos.

No âmbito da engenharia ambiental, a complexidade é ainda mais acentuada, uma vez que os projetos estão diretamente relacionados à interação entre atividades humanas e o meio ambiente. Isso envolve aspectos técnicos, legais e socioeconômicos que demandam uma compreensão aprofundada das inter-relações (Zhu et al., 2025). A necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental impõe desafios adicionais à gestão, exigindo abordagens estruturadas para lidar com incertezas e impactos potenciais ao longo de todas as fases do projeto (Song et al., 2025).

Dentro desse contexto, os processos de licenciamento ambiental representam um dos principais pontos críticos. Eles são caracterizados por exigências legais rigorosas, múltiplas etapas e elevada dependência de estudos técnicos especializados. A elaboração de documentos como o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) demanda precisão metodológica e consistência de dados, sendo diretamente influenciada pela qualidade da gestão de riscos aplicada ao projeto (Jesus et al., 2021). Falhas nessas etapas podem comprometer a viabilidade de empreendimentos e gerar consequências significativas.

A literatura aponta que falhas na identificação e avaliação de riscos ambientais podem resultar em atrasos nos cronogramas, aumento de custos, necessidade de retrabalho e, em casos extremos, até a inviabilização de empreendimentos. Além disso, a complexidade normativa e a constante atualização das legislações ambientais ampliam o nível de incerteza, exigindo das organizações capacidade contínua de adaptação e monitoramento eficaz (Nguyen et al., 2022; Vega et al., 2025). Esse cenário ressalta a importância de uma gestão de riscos proativa e abrangente.

Nesse sentido, a conformidade legal emerge como um dos principais direcionadores da gestão de riscos em projetos ambientais. Sistemas de gestão ambiental baseados em normas como a ISO 14001 reforçam a importância da identificação de aspectos e impactos ambientais, do atendimento a requisitos legais e da melhoria contínua dos processos organizacionais (Arocena et al., 2023; Song et al., 2024). Tais sistemas fornecem uma estrutura para integrar a gestão de riscos às operações diárias, garantindo que as práticas estejam alinhadas com as expectativas regulatórias.

Entretanto, a literatura também evidencia que a gestão de riscos não deve se limitar ao atendimento de exigências regulatórias, mas deve ser integrada de forma estratégica aos processos organizacionais (Al-Marri et al., 2025). A abordagem proposta pelo PMI (2021) enfatiza que a gestão de riscos deve ser contínua, sistemática e integrada às demais áreas de conhecimento, contribuindo para a geração de valor e o aumento da previsibilidade dos projetos. A ausência de uma abordagem estratégica pode levar a uma gestão reativa, focada apenas na mitigação de problemas já existentes.

No contexto das consultorias de engenharia ambiental, esse cenário torna-se ainda mais desafiador. Essas organizações atuam como intermediárias entre os empreendedores e os órgãos reguladores, sendo responsáveis pela elaboração de estudos, interpretação de requisitos legais e suporte à tomada de decisão. Essa posição estratégica amplia a exposição a riscos técnicos, jurídicos e reputacionais (Huang et al., 2024). Estudos recentes indicam que erros em diagnósticos ambientais, inconsistência de dados e falhas na interpretação da legislação estão entre os principais fatores que comprometem a qualidade dos serviços prestados por consultorias ambientais (Ali et al., 2024; Zainuddin et al., 2023). Além disso, a dependência de informações externas, a variabilidade dos processos regulatórios e a atuação de múltiplos atores contribuem para aumentar a complexidade da gestão de riscos.

Apesar do reconhecimento da importância da gestão de riscos, ainda persistem lacunas na aplicação de metodologias estruturadas e na integração entre as equipes técnicas e de gestão de projetos, o que pode limitar a eficácia das ações de mitigação. Diante dessa problemática, este trabalho justifica-se pela necessidade de compreender como a gestão de riscos é conduzida em consultorias de engenharia ambiental, especialmente nos processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos, e tem como objetivo analisar a gestão de riscos nessas consultorias, com foco na identificação, avaliação e tratamento dos riscos associados aos processos de licenciamento, conformidade legal e gestão ambiental, visando propor melhorias na tomada de decisão e na segurança operacional.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como pesquisa aplicada, com abordagem metodológica mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos. Seu caráter descritivo-analítico visou descrever e analisar padrões (Bahia et al., 2023). A estratégia de pesquisa foi o levantamento <i>survey</i>, adequado para coletar dados de indivíduos via questionários padronizados (Mineiro, 2020). O ambiente de pesquisa foi virtual e não controlado, com coleta de dados por questionário eletrônico direcionado a profissionais da área ambiental.

O público-alvo da pesquisa foi composto por profissionais atuantes na área ambiental, como consultores, analistas, engenheiros e gestores experientes. A amostra, não probabilística por conveniência, foi selecionada com base na acessibilidade. Critérios de inclusão abrangeram atuação direta ou experiência comprovada na área ambiental, focada em gestão de riscos, licenciamento e conformidade. Respondentes sem experiência ou com respostas incompletas foram excluídos.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado de 21 questões, elaborado para captar percepções de profissionais da área ambiental sobre a gestão de riscos em consultorias. Foi organizado em três blocos principais. O primeiro bloco continha três questões de caracterização do perfil dos respondentes, abordando cargo, tempo de experiência e tipo de atuação da empresa, com perguntas fechadas de múltipla escolha.

O segundo bloco do questionário compreendeu 17 questões fechadas, estruturadas em escala Likert de cinco pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente). Essas questões foram distribuídas em cinco dimensões analíticas: identificação de riscos, avaliação e análise de riscos, conformidade e regulatório, gestão operacional e processos, e estratégia e tomada de decisão. O terceiro bloco incluiu uma questão aberta, destinada a identificar, de forma qualitativa, os principais riscos enfrentados e as possíveis estratégias de mitigação.

O instrumento foi elaborado com base em referenciais teóricos consolidados nas áreas de gestão de projetos, riscos e gestão ambiental, garantindo alinhamento conceitual e consistência metodológica. As dimensões do questionário foram estruturadas a partir dos domínios da gestão de riscos propostos pelo PMI (2021) e dos princípios de sistemas de gestão ambiental, com ênfase na ISO 14001 (Arocena et al., 2023).

O questionário foi disponibilizado em formato eletrônico, utilizando a plataforma Google Forms, e divulgado por meio de redes profissionais, incluindo grupos especializados e a plataforma LinkedIn. O período de coleta de dados ocorreu entre 01 de fevereiro e 30 de fevereiro de 2026. Aproximadamente 60 profissionais foram contatados, dos quais 46 respostas válidas foram obtidas, resultando em uma taxa de retorno de cerca de 76,7%.

Antes da participação, os respondentes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e os procedimentos envolvidos por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A participação foi voluntária e anônima, garantindo a confidencialidade das informações fornecidas. Os participantes tiveram a opção de imprimir ou gerar uma cópia em PDF do TCLE para seu registro pessoal.

O tratamento e a análise dos dados coletados foram realizados por estatística descritiva e análise qualitativa. As respostas das questões fechadas em escala Likert foram organizadas em planilha eletrônica para tabulação e cálculo de frequências absolutas e relativas. Para as respostas abertas, realizou-se análise de conteúdo, com categorização e agrupamento das informações em dimensões temáticas. Em seguida, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa, ferramenta para organizar causas de problemas (Kumah et al., 2024), construído com base nas respostas da questão aberta sobre riscos e mitigação.

As respostas foram organizadas e categorizadas em dimensões analíticas, como aspectos regulatórios, técnicos, operacionais, estratégicos e institucionais. Essa estruturação permitiu relacionar o fenômeno central às suas respectivas causas, sistematizando as informações qualitativas obtidas. Para a estruturação das ações propostas, utilizou-se a análise 5W2H, ferramenta gerencial que detalha atividades por sete elementos fundamentais (Ventura et al., 2020). Essa análise foi aplicada após a organização das causas identificadas, permitindo a estruturação sistemática e padronizada das ações, detalhando-as conforme os elementos da ferramenta e relacionando-as aos aspectos identificados.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa oferecem uma visão abrangente sobre a gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental, revelando padrões consistentes em algumas dimensões e lacunas em outras. A análise do perfil dos respondentes indicou uma predominância de profissionais diretamente envolvidos na execução técnica das atividades ambientais, como analistas e consultores ambientais, que representaram 43,5% e 28,3% da amostra, respectivamente. Essa composição da amostra, com 56,5% dos participantes atuando em consultoria ambiental, fortalece a relevância dos achados para o contexto prático do setor, pois reflete a percepção de quem lida diretamente com os desafios operacionais e regulatórios (Arocena et al., 2023).

A experiência profissional dos participantes também se mostrou diversificada, com 37,0% possuindo entre dois e cinco anos de atuação e 32,6% com mais de dez anos. Essa distribuição sugere que a pesquisa capturou tanto a perspectiva de profissionais em fase de consolidação quanto a de especialistas mais experientes, enriquecendo a análise sobre a maturidade e as práticas de gestão de riscos. A predominância de analistas e consultores indica que a percepção dos riscos tende a ser mais operacional e técnica, frequentemente identificando problemas antes que escalem para níveis estratégicos (Bin Hammad et al., 2024; Cavallito et al., 2026; Chalaris et al., 2023).

Identificação de Riscos Ambientais

No que tange à identificação de riscos ambientais, observou-se um elevado nível de concordância entre os respondentes, especialmente em relação ao licenciamento e aos aspectos regulatórios. A identificação prévia de riscos no licenciamento ambiental obteve 87,0% de concordância, com 63,0% dos participantes concordando totalmente. De maneira similar, o mapeamento de riscos legais e regulatórios também demonstrou alta maturidade percebida, com 87,0% de concordância e 60,9% de concordância total. Esses dados sublinham a forte conscientização e incorporação dos requisitos regulatórios como pilares da gestão de riscos ambientais nas organizações (Arocena et al., 2023).

A análise dos riscos associados ao uso de recursos hídricos, como a outorga, também revelou alta concordância, com 89,1% dos respondentes indicando que esses riscos são devidamente analisados. No entanto, a variável referente à existência de processos estruturados para identificação de riscos ambientais, embora tenha apresentado 78,3% de concordância, exibiu maior dispersão nas respostas, com 10,9% de neutralidade e 10,9% de discordância. Essa variabilidade sugere que, apesar do reconhecimento da importância, a formalização e padronização dos processos de identificação de riscos ainda não são uniformes em todas as consultorias (Arocena et al., 2023).

Avaliação e Análise de Riscos Ambientais

A avaliação e classificação de riscos ambientais demonstraram uma predominância de concordância, embora com maior heterogeneidade em comparação à identificação. A avaliação de riscos considerando impactos no solo, água e biodiversidade obteve 82,6% de concordância, sendo 67,4% de concordância total. Da mesma forma, a avaliação de impactos conforme estudos como o EIA/RIMA registrou 76,1% de concordância, com 54,3% de concordância total, indicando que práticas técnicas e normativas consolidadas são amplamente adotadas (Almeida et al., 2015).

Contudo, a utilização de critérios definidos para classificar riscos, como probabilidade e impacto, e o uso de ferramentas estruturadas, como matrizes de risco, apresentaram maior dispersão. Apenas 65,2% dos respondentes concordaram com a utilização de critérios estruturados, e somente 43,5% indicaram o uso de ferramentas como matriz de risco, enquanto 34,8% discordaram. Esse cenário aponta para uma fragilidade na aplicação de instrumentos formais de priorização e uma tendência a abordagens mais qualitativas e menos metodologicamente estruturadas na avaliação de riscos, o que pode limitar a consistência na tomada de decisão (PMI, 2021; Almeida et al., 2015).

Conformidade e Aspectos Regulatórios

No que diz respeito à conformidade e aos aspectos regulatórios, as consultorias ambientais demonstraram um elevado nível de maturidade. O controle atualizado das exigências legais ambientais obteve 91,3% de concordância, com 76,1% dos respondentes concordando totalmente. De maneira similar, o tratamento do não cumprimento de condicionantes ambientais como risco crítico também alcançou 91,3% de concordância, com 71,7% de concordância total. Esses resultados evidenciam uma forte adesão às exigências legais e um reconhecimento da criticidade dos riscos associados à não conformidade (Ali et al., 2024).

A existência de processos para garantir a conformidade com licenças ambientais e o acompanhamento contínuo das exigências dos órgãos ambientais também apresentaram alta concordância, com 84,8% para ambas as variáveis. Esses achados reforçam que a conformidade legal é um indutor primário das práticas organizacionais de gestão de riscos, impulsionando as empresas a manterem sistemas de controle atualizados e a monitorarem constantemente as mudanças regulatórias (Arocena et al., 2023; Song et al., 2024). A consistência nessas áreas é crucial para evitar sanções e impactos negativos.

Gestão Operacional e Processos

A gestão operacional e de processos revelou que os riscos são monitorados ao longo de todo o ciclo do projeto, com 78,3% de concordância. Além disso, a consideração dos riscos na fase de planejamento dos projetos ambientais também obteve 78,3% de concordância. Esses dados indicam que as etapas iniciais e de planejamento são bem consolidadas na gestão de riscos ambientais. No entanto, a existência de planos de ação para mitigação de riscos ambientais, embora com 71,7% de concordância, apresentou maior dispersão nas respostas, com 13,0% de neutralidade e 15,2% de discordância.

A integração entre equipes técnicas e de gestão de projetos na análise de riscos também mostrou variabilidade, com 63,0% de concordância, mas com 37,0% de respostas neutras e discordantes. Essa dispersão sugere que, apesar do reconhecimento da importância da gestão de riscos, a operacionalização e a articulação entre as diferentes áreas ainda enfrentam desafios. A literatura em gestão de projetos enfatiza que o monitoramento contínuo e a implementação de respostas a riscos são essenciais para o desempenho do projeto, exigindo comunicação eficaz e integração entre equipes (PMI, 2021; Gao et al., 2024).

Estratégia e Tomada de Decisão

Em relação à estratégia e tomada de decisão, a gestão de riscos demonstrou influenciar diretamente as decisões estratégicas da empresa, com 69,6% de concordância. Os riscos ambientais também são considerados na viabilidade de novos projetos, com 73,9% de concordância. A adoção de práticas alinhadas a sistemas de gestão ambiental, como a ISO 14001, obteve 60,9% de concordância, mas com 23,9% de neutralidade e 15,2% de discordância, indicando diferentes níveis de maturidade organizacional e formalização dos processos (Aven et al., 2007).

A variável que investiga se a empresa utiliza a gestão de riscos como diferencial competitivo no mercado apresentou o maior nível de dispersão, com apenas 47,8% de concordância e 52,2% de respostas neutras ou discordantes. Esse resultado sugere que, embora a gestão de riscos seja reconhecida como importante para a operação e conformidade, ela ainda não é amplamente percebida como um elemento estratégico de diferenciação no mercado. Isso aponta para uma abordagem mais reativa, focada na mitigação, em vez de uma proativa, orientada à geração de valor e vantagem competitiva (Balsarini et al., 2021; Buganová et al., 2019).

Principais Riscos Identificados e Suas Causas

A análise qualitativa das respostas abertas, complementada pelo Diagrama de Ishikawa, permitiu identificar os principais riscos percebidos pelas consultorias ambientais em cinco dimensões: regulatória/jurídica, técnica, operacional, estratégica/mercado e institucional/governamental. A dimensão regulatória/jurídica foi a mais recorrente, mencionada em 65% das respostas, destacando-se a complexidade e as mudanças frequentes na legislação, as dificuldades de interpretação, o risco de responsabilização técnica (ART) e a possibilidade de multas e responsabilidade solidária. Esse cenário reflete a elevada incerteza normativa no contexto brasileiro, que exige constante atualização e interpretação por parte das organizações.

A dimensão técnica apareceu em 55% das respostas, com causas relacionadas a falhas em estudos ambientais, inconsistência de dados, erros metodológicos e baixa qualidade das análises. Esses aspectos indicam que a robustez técnica dos produtos entregues é um fator crítico, pois erros nessa etapa podem comprometer o licenciamento, gerar retrabalho e aumentar a exposição a riscos legais e reputacionais. A dependência de dados atualizados, metodologias adequadas e equipes qualificadas é fundamental para a confiabilidade das decisões e a efetividade das medidas de mitigação (Jesus et al., 2021).

Os fatores operacionais foram mencionados em 40% das respostas, incluindo problemas na execução de atividades de campo, segurança das equipes, falhas na integração de processos e definição ineficiente de escopo. A ausência de alinhamento entre diferentes áreas e falhas na comunicação e coordenação das atividades podem potencializar riscos ao longo do ciclo do projeto, o que ressalta a importância da integração entre processos e equipes para o controle de riscos e o desempenho organizacional (PMI, 2021).

Os riscos estratégicos e de mercado foram citados em 35% das respostas, principalmente relacionados à concorrência por preço, baixa valorização dos serviços ambientais e ausência de padronização. Esses fatores indicam que o ambiente competitivo pode induzir à redução da qualidade técnica ou à adoção de práticas menos robustas, aumentando a exposição a riscos. A literatura aponta que organizações em mercados altamente competitivos podem comprometer a adoção de boas práticas quando não há mecanismos claros de diferenciação baseados em qualidade e conformidade.

Por fim, a dimensão institucional/governamental foi identificada em 30% das respostas, destacando falhas na fiscalização, inconsistências nos órgãos reguladores e lacunas na aplicação das normas. Esse cenário contribui para aumentar a incerteza nos processos de licenciamento e dificulta a padronização das práticas, impactando diretamente a previsibilidade dos projetos. A efetividade da gestão de riscos depende não apenas das práticas organizacionais, mas também da qualidade institucional e da estabilidade regulatória (Aven et al., 2007).

Propostas de Ação para Mitigação de Riscos (5W2H)

Com base nos riscos identificados, foram propostas cinco ações estratégicas, estruturadas pela ferramenta 5W2H, visando aprimorar a gestão de riscos nas consultorias ambientais. A primeira ação foca na padronização e atualização contínua dos requisitos legais ambientais, implementando um sistema de monitoramento para garantir a conformidade jurídica e reduzir a insegurança legal. Isso envolve a criação de checklists e a revisão interna periódica das normas aplicáveis, com um custo estimado entre R$ 3.000 e R$ 6.000 e prazo de curto a médio.

A segunda ação visa fortalecer a qualidade técnica dos estudos ambientais, propondo a adoção de checklists técnicos padronizados, revisões internas sistemáticas e capacitação contínua das equipes. Essa iniciativa busca minimizar falhas metodológicas e inconsistências de dados, garantindo maior robustez nas análises e confiabilidade nos resultados, com um custo estimado entre R$ 4.000 e R$ 8.000 e prazo de médio a longo. Essa medida contribui diretamente para a redução de retrabalho e a melhoria da qualidade das entregas.

A terceira ação está associada à melhoria da integração entre equipes técnicas e de gestão de projetos, com a implementação de rotinas formais de alinhamento, definição clara de responsabilidades e utilização de ferramentas de gestão de projetos para maior visibilidade das atividades. O objetivo é reduzir falhas operacionais e melhorar a coordenação das atividades ao longo do ciclo do projeto, com um custo estimado entre R$ 1.000 e R$ 3.000 e prazo de curto a médio.

A quarta ação envolve a estruturação de processos formais de gestão de riscos, incluindo identificação, análise, resposta e monitoramento. Propõe-se a adoção de matrizes de risco e a definição de critérios de probabilidade e impacto, além do acompanhamento contínuo dos riscos. Essa formalização visa fortalecer a tomada de decisão e a aplicação de metodologias estruturadas, com um custo estimado entre R$ 3.000 e R$ 7.000 e prazo de médio a longo.

Por fim, a quinta ação busca fortalecer a gestão estratégica e o posicionamento de mercado, considerando os riscos associados à concorrência e à baixa valorização dos serviços ambientais. Recomenda-se a definição de padrões técnicos mínimos, diferenciação baseada em qualidade e comunicação clara do valor agregado dos serviços prestados. Essa ação visa reduzir a competição baseada exclusivamente em preço e aumentar a maturidade do setor, com um custo estimado entre R$ 8.000 e R$ 15.000 e prazo de médio a longo.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que a gestão de riscos em consultorias ambientais é fortemente orientada pela conformidade regulatória e pelo licenciamento ambiental, com alta maturidade na identificação e controle desses aspectos. Contudo, observou-se uma variabilidade na aplicação de metodologias estruturadas para avaliação de riscos e na integração entre equipes, além de uma percepção limitada da gestão de riscos como diferencial competitivo. Os riscos regulatórios, técnicos e operacionais são os mais proeminentes, e as ações propostas visam aprimorar a padronização, a qualidade técnica, a integração e a formalização dos processos, contribuindo para uma gestão mais proativa e estratégica, conforme o objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental, com foco na identificação, avaliação e tratamento de riscos associados a processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos ambientais. Verificou-se que a identificação de riscos regulatórios e de licenciamento ambiental apresenta alta maturidade nas organizações, com forte adesão às exigências legais e ao controle de condicionantes. Contudo, observou-se uma lacuna na aplicação de ferramentas estruturadas para a avaliação de riscos, como matrizes de risco, e na utilização de critérios definidos de probabilidade e impacto, indicando uma abordagem mais qualitativa e menos formalizada. Os principais riscos identificados concentraram-se nas dimensões regulatória, técnica e operacional, com causas relacionadas à complexidade normativa, falhas em estudos e inconsistência de dados, e desafios na integração de equipes. Como contribuição prática, o estudo propôs um plano de ação estruturado, visando a padronização de requisitos legais, o fortalecimento da qualidade técnica dos estudos, a melhoria da integração entre equipes e a formalização dos processos de gestão de riscos, além de estratégias para o posicionamento de mercado.

A pesquisa, embora tenha fornecido uma compreensão valiosa das percepções dos profissionais, apresentou limitações decorrentes da amostra não probabilística e da predominância de respondentes em funções operacionais e técnicas, o que pode ter influenciado a ênfase nos desafios práticos em detrimento de aspectos estratégicos. Para trabalhos futuros, sugere-se a ampliação da amostra para incluir diferentes perfis organizacionais e maior participação de gestores estratégicos, buscando uma visão mais abrangente da gestão de riscos no setor. Recomenda-se também a adoção de abordagens metodológicas complementares, como estudos longitudinais e análise documental, a fim de aprofundar a compreensão sobre a relação entre a maturidade em gestão de projetos e a eficácia da gestão de riscos em consultorias ambientais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais estruturadas e orientadas à geração de valor.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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