Artigo

28 de julho de 2026

Gestão de riscos em consultorias ambientais no licenciamento e execução de projetos

Douglas Augusto Godoi; Gisele Rodrigues Atayde Margarido

DOI: 10.22167/2675-6528-202600730

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A complexidade regulatória, técnica e operacional dos projetos ambientais justifica a análise da gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental. O estudo objetivou analisar a gestão de riscos nessas consultorias, com foco na identificação, avaliação e tratamento de riscos associados a processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos ambientais. A pesquisa utilizou uma abordagem aplicada, combinando métodos quantitativos e qualitativos, incluindo um *survey* com escala Likert, Diagrama de Ishikawa e plano de ação 5W2H. Os resultados revelaram alta concordância na identificação de riscos ambientais, especialmente no licenciamento (87,0%) e aspectos regulatórios (87,0%), e elevada maturidade nas práticas de conformidade, com até 91,3% de concordância no controle de exigências legais. Contudo, apenas 43,5% dos respondentes indicaram o uso de ferramentas estruturadas para avaliação de riscos, evidenciando lacunas metodológicas. A análise qualitativa apontou predominância de riscos regulatórios (65%), técnicos (55%) e operacionais (40%), com causas relacionadas à padronização de processos, integração de equipes e qualidade dos dados. As ações propostas priorizaram padronização técnica, atualização normativa, melhoria da comunicação e estruturação de processos formais de gestão de riscos. Concluiu-se que a gestão de riscos em consultorias ambientais se concentra em aspectos regulatórios, com forte adesão às exigências legais, mas apresenta variabilidade na aplicação de práticas técnicas e operacionais.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Consultoria ambiental; Gestão ambiental; Impacto ambiental; Licenciamento ambiental.

1. Introdução

A gestão de riscos tem se consolidado como um elemento central na condução de projetos em ambientes complexos e dinâmicos. Em setores que envolvem elevada incerteza, múltiplos <i>stakeholders</i> e forte dependência de requisitos regulatórios, a identificação, análise e tratamento de riscos são processos fundamentais para apoiar a tomada de decisão e garantir o desempenho organizacional ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos (Ventura et al., 2025). Essa abordagem sistemática permite antecipar potenciais problemas, minimizando impactos negativos e otimizando a alocação de recursos.

No âmbito da engenharia ambiental, a complexidade é ainda mais acentuada, uma vez que os projetos estão diretamente relacionados à interação entre atividades humanas e o meio ambiente. Isso envolve aspectos técnicos, legais e socioeconômicos que demandam uma compreensão aprofundada das inter-relações (Zhu et al., 2025). A necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental impõe desafios adicionais à gestão, exigindo abordagens estruturadas para lidar com incertezas e impactos potenciais ao longo de todas as fases do projeto (Song et al., 2025).

Dentro desse contexto, os processos de licenciamento ambiental representam um dos principais pontos críticos. Eles são caracterizados por exigências legais rigorosas, múltiplas etapas e elevada dependência de estudos técnicos especializados. A elaboração de documentos como o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) demanda precisão metodológica e consistência de dados, sendo diretamente influenciada pela qualidade da gestão de riscos aplicada ao projeto (Jesus et al., 2021). Falhas nessas etapas podem comprometer a viabilidade de empreendimentos e gerar consequências significativas.

A literatura aponta que falhas na identificação e avaliação de riscos ambientais podem resultar em atrasos nos cronogramas, aumento de custos, necessidade de retrabalho e, em casos extremos, até a inviabilização de empreendimentos. Além disso, a complexidade normativa e a constante atualização das legislações ambientais ampliam o nível de incerteza, exigindo das organizações capacidade contínua de adaptação e monitoramento eficaz (Nguyen et al., 2022; Vega et al., 2025). Esse cenário ressalta a importância de uma gestão de riscos proativa e abrangente.

Nesse sentido, a conformidade legal emerge como um dos principais direcionadores da gestão de riscos em projetos ambientais. Sistemas de gestão ambiental baseados em normas como a ISO 14001 reforçam a importância da identificação de aspectos e impactos ambientais, do atendimento a requisitos legais e da melhoria contínua dos processos organizacionais (Arocena et al., 2023; Song et al., 2024). Tais sistemas fornecem uma estrutura para integrar a gestão de riscos às operações diárias, garantindo que as práticas estejam alinhadas com as expectativas regulatórias.

Entretanto, a literatura também evidencia que a gestão de riscos não deve se limitar ao atendimento de exigências regulatórias, mas deve ser integrada de forma estratégica aos processos organizacionais (Al-Marri et al., 2025). A abordagem proposta pelo PMI (2021) enfatiza que a gestão de riscos deve ser contínua, sistemática e integrada às demais áreas de conhecimento, contribuindo para a geração de valor e o aumento da previsibilidade dos projetos. A ausência de uma abordagem estratégica pode levar a uma gestão reativa, focada apenas na mitigação de problemas já existentes.

No contexto das consultorias de engenharia ambiental, esse cenário torna-se ainda mais desafiador. Essas organizações atuam como intermediárias entre os empreendedores e os órgãos reguladores, sendo responsáveis pela elaboração de estudos, interpretação de requisitos legais e suporte à tomada de decisão. Essa posição estratégica amplia a exposição a riscos técnicos, jurídicos e reputacionais (Huang et al., 2024). Estudos recentes indicam que erros em diagnósticos ambientais, inconsistência de dados e falhas na interpretação da legislação estão entre os principais fatores que comprometem a qualidade dos serviços prestados por consultorias ambientais (Ali et al., 2024; Zainuddin et al., 2023). Além disso, a dependência de informações externas, a variabilidade dos processos regulatórios e a atuação de múltiplos atores contribuem para aumentar a complexidade da gestão de riscos.

Apesar do reconhecimento da importância da gestão de riscos, ainda persistem lacunas na aplicação de metodologias estruturadas e na integração entre as equipes técnicas e de gestão de projetos, o que pode limitar a eficácia das ações de mitigação. Diante dessa problemática, este trabalho justifica-se pela necessidade de compreender como a gestão de riscos é conduzida em consultorias de engenharia ambiental, especialmente nos processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos, e tem como objetivo analisar a gestão de riscos nessas consultorias, com foco na identificação, avaliação e tratamento dos riscos associados aos processos de licenciamento, conformidade legal e gestão ambiental, visando propor melhorias na tomada de decisão e na segurança operacional.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como pesquisa aplicada, com abordagem metodológica mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos. Seu caráter descritivo-analítico visou descrever e analisar padrões (Bahia et al., 2023). A estratégia de pesquisa foi o levantamento <i>survey</i>, adequado para coletar dados de indivíduos via questionários padronizados (Mineiro, 2020). O ambiente de pesquisa foi virtual e não controlado, com coleta de dados por questionário eletrônico direcionado a profissionais da área ambiental.

O público-alvo da pesquisa foi composto por profissionais atuantes na área ambiental, como consultores, analistas, engenheiros e gestores experientes. A amostra, não probabilística por conveniência, foi selecionada com base na acessibilidade. Critérios de inclusão abrangeram atuação direta ou experiência comprovada na área ambiental, focada em gestão de riscos, licenciamento e conformidade. Respondentes sem experiência ou com respostas incompletas foram excluídos.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado de 21 questões, elaborado para captar percepções de profissionais da área ambiental sobre a gestão de riscos em consultorias. Foi organizado em três blocos principais. O primeiro bloco continha três questões de caracterização do perfil dos respondentes, abordando cargo, tempo de experiência e tipo de atuação da empresa, com perguntas fechadas de múltipla escolha.

O segundo bloco do questionário compreendeu 17 questões fechadas, estruturadas em escala Likert de cinco pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente). Essas questões foram distribuídas em cinco dimensões analíticas: identificação de riscos, avaliação e análise de riscos, conformidade e regulatório, gestão operacional e processos, e estratégia e tomada de decisão. O terceiro bloco incluiu uma questão aberta, destinada a identificar, de forma qualitativa, os principais riscos enfrentados e as possíveis estratégias de mitigação.

O instrumento foi elaborado com base em referenciais teóricos consolidados nas áreas de gestão de projetos, riscos e gestão ambiental, garantindo alinhamento conceitual e consistência metodológica. As dimensões do questionário foram estruturadas a partir dos domínios da gestão de riscos propostos pelo PMI (2021) e dos princípios de sistemas de gestão ambiental, com ênfase na ISO 14001 (Arocena et al., 2023).

O questionário foi disponibilizado em formato eletrônico, utilizando a plataforma Google Forms, e divulgado por meio de redes profissionais, incluindo grupos especializados e a plataforma LinkedIn. O período de coleta de dados ocorreu entre 01 de fevereiro e 30 de fevereiro de 2026. Aproximadamente 60 profissionais foram contatados, dos quais 46 respostas válidas foram obtidas, resultando em uma taxa de retorno de cerca de 76,7%.

Antes da participação, os respondentes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e os procedimentos envolvidos por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A participação foi voluntária e anônima, garantindo a confidencialidade das informações fornecidas. Os participantes tiveram a opção de imprimir ou gerar uma cópia em PDF do TCLE para seu registro pessoal.

O tratamento e a análise dos dados coletados foram realizados por estatística descritiva e análise qualitativa. As respostas das questões fechadas em escala Likert foram organizadas em planilha eletrônica para tabulação e cálculo de frequências absolutas e relativas. Para as respostas abertas, realizou-se análise de conteúdo, com categorização e agrupamento das informações em dimensões temáticas. Em seguida, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa, ferramenta para organizar causas de problemas (Kumah et al., 2024), construído com base nas respostas da questão aberta sobre riscos e mitigação.

As respostas foram organizadas e categorizadas em dimensões analíticas, como aspectos regulatórios, técnicos, operacionais, estratégicos e institucionais. Essa estruturação permitiu relacionar o fenômeno central às suas respectivas causas, sistematizando as informações qualitativas obtidas. Para a estruturação das ações propostas, utilizou-se a análise 5W2H, ferramenta gerencial que detalha atividades por sete elementos fundamentais (Ventura et al., 2020). Essa análise foi aplicada após a organização das causas identificadas, permitindo a estruturação sistemática e padronizada das ações, detalhando-as conforme os elementos da ferramenta e relacionando-as aos aspectos identificados.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa oferecem uma visão abrangente sobre a gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental, revelando padrões consistentes em algumas dimensões e lacunas em outras. A análise do perfil dos respondentes indicou uma predominância de profissionais diretamente envolvidos na execução técnica das atividades ambientais, como analistas e consultores ambientais, que representaram 43,5% e 28,3% da amostra, respectivamente. Essa composição da amostra, com 56,5% dos participantes atuando em consultoria ambiental, fortalece a relevância dos achados para o contexto prático do setor, pois reflete a percepção de quem lida diretamente com os desafios operacionais e regulatórios (Arocena et al., 2023).

A experiência profissional dos participantes também se mostrou diversificada, com 37,0% possuindo entre dois e cinco anos de atuação e 32,6% com mais de dez anos. Essa distribuição sugere que a pesquisa capturou tanto a perspectiva de profissionais em fase de consolidação quanto a de especialistas mais experientes, enriquecendo a análise sobre a maturidade e as práticas de gestão de riscos. A predominância de analistas e consultores indica que a percepção dos riscos tende a ser mais operacional e técnica, frequentemente identificando problemas antes que escalem para níveis estratégicos (Bin Hammad et al., 2024; Cavallito et al., 2026; Chalaris et al., 2023).

Identificação de Riscos Ambientais

No que tange à identificação de riscos ambientais, observou-se um elevado nível de concordância entre os respondentes, especialmente em relação ao licenciamento e aos aspectos regulatórios. A identificação prévia de riscos no licenciamento ambiental obteve 87,0% de concordância, com 63,0% dos participantes concordando totalmente. De maneira similar, o mapeamento de riscos legais e regulatórios também demonstrou alta maturidade percebida, com 87,0% de concordância e 60,9% de concordância total. Esses dados sublinham a forte conscientização e incorporação dos requisitos regulatórios como pilares da gestão de riscos ambientais nas organizações (Arocena et al., 2023).

A análise dos riscos associados ao uso de recursos hídricos, como a outorga, também revelou alta concordância, com 89,1% dos respondentes indicando que esses riscos são devidamente analisados. No entanto, a variável referente à existência de processos estruturados para identificação de riscos ambientais, embora tenha apresentado 78,3% de concordância, exibiu maior dispersão nas respostas, com 10,9% de neutralidade e 10,9% de discordância. Essa variabilidade sugere que, apesar do reconhecimento da importância, a formalização e padronização dos processos de identificação de riscos ainda não são uniformes em todas as consultorias (Arocena et al., 2023).

Avaliação e Análise de Riscos Ambientais

A avaliação e classificação de riscos ambientais demonstraram uma predominância de concordância, embora com maior heterogeneidade em comparação à identificação. A avaliação de riscos considerando impactos no solo, água e biodiversidade obteve 82,6% de concordância, sendo 67,4% de concordância total. Da mesma forma, a avaliação de impactos conforme estudos como o EIA/RIMA registrou 76,1% de concordância, com 54,3% de concordância total, indicando que práticas técnicas e normativas consolidadas são amplamente adotadas (Almeida et al., 2015).

Contudo, a utilização de critérios definidos para classificar riscos, como probabilidade e impacto, e o uso de ferramentas estruturadas, como matrizes de risco, apresentaram maior dispersão. Apenas 65,2% dos respondentes concordaram com a utilização de critérios estruturados, e somente 43,5% indicaram o uso de ferramentas como matriz de risco, enquanto 34,8% discordaram. Esse cenário aponta para uma fragilidade na aplicação de instrumentos formais de priorização e uma tendência a abordagens mais qualitativas e menos metodologicamente estruturadas na avaliação de riscos, o que pode limitar a consistência na tomada de decisão (PMI, 2021; Almeida et al., 2015).

Conformidade e Aspectos Regulatórios

No que diz respeito à conformidade e aos aspectos regulatórios, as consultorias ambientais demonstraram um elevado nível de maturidade. O controle atualizado das exigências legais ambientais obteve 91,3% de concordância, com 76,1% dos respondentes concordando totalmente. De maneira similar, o tratamento do não cumprimento de condicionantes ambientais como risco crítico também alcançou 91,3% de concordância, com 71,7% de concordância total. Esses resultados evidenciam uma forte adesão às exigências legais e um reconhecimento da criticidade dos riscos associados à não conformidade (Ali et al., 2024).

A existência de processos para garantir a conformidade com licenças ambientais e o acompanhamento contínuo das exigências dos órgãos ambientais também apresentaram alta concordância, com 84,8% para ambas as variáveis. Esses achados reforçam que a conformidade legal é um indutor primário das práticas organizacionais de gestão de riscos, impulsionando as empresas a manterem sistemas de controle atualizados e a monitorarem constantemente as mudanças regulatórias (Arocena et al., 2023; Song et al., 2024). A consistência nessas áreas é crucial para evitar sanções e impactos negativos.

Gestão Operacional e Processos

A gestão operacional e de processos revelou que os riscos são monitorados ao longo de todo o ciclo do projeto, com 78,3% de concordância. Além disso, a consideração dos riscos na fase de planejamento dos projetos ambientais também obteve 78,3% de concordância. Esses dados indicam que as etapas iniciais e de planejamento são bem consolidadas na gestão de riscos ambientais. No entanto, a existência de planos de ação para mitigação de riscos ambientais, embora com 71,7% de concordância, apresentou maior dispersão nas respostas, com 13,0% de neutralidade e 15,2% de discordância.

A integração entre equipes técnicas e de gestão de projetos na análise de riscos também mostrou variabilidade, com 63,0% de concordância, mas com 37,0% de respostas neutras e discordantes. Essa dispersão sugere que, apesar do reconhecimento da importância da gestão de riscos, a operacionalização e a articulação entre as diferentes áreas ainda enfrentam desafios. A literatura em gestão de projetos enfatiza que o monitoramento contínuo e a implementação de respostas a riscos são essenciais para o desempenho do projeto, exigindo comunicação eficaz e integração entre equipes (PMI, 2021; Gao et al., 2024).

Estratégia e Tomada de Decisão

Em relação à estratégia e tomada de decisão, a gestão de riscos demonstrou influenciar diretamente as decisões estratégicas da empresa, com 69,6% de concordância. Os riscos ambientais também são considerados na viabilidade de novos projetos, com 73,9% de concordância. A adoção de práticas alinhadas a sistemas de gestão ambiental, como a ISO 14001, obteve 60,9% de concordância, mas com 23,9% de neutralidade e 15,2% de discordância, indicando diferentes níveis de maturidade organizacional e formalização dos processos (Aven et al., 2007).

A variável que investiga se a empresa utiliza a gestão de riscos como diferencial competitivo no mercado apresentou o maior nível de dispersão, com apenas 47,8% de concordância e 52,2% de respostas neutras ou discordantes. Esse resultado sugere que, embora a gestão de riscos seja reconhecida como importante para a operação e conformidade, ela ainda não é amplamente percebida como um elemento estratégico de diferenciação no mercado. Isso aponta para uma abordagem mais reativa, focada na mitigação, em vez de uma proativa, orientada à geração de valor e vantagem competitiva (Balsarini et al., 2021; Buganová et al., 2019).

Principais Riscos Identificados e Suas Causas

A análise qualitativa das respostas abertas, complementada pelo Diagrama de Ishikawa, permitiu identificar os principais riscos percebidos pelas consultorias ambientais em cinco dimensões: regulatória/jurídica, técnica, operacional, estratégica/mercado e institucional/governamental. A dimensão regulatória/jurídica foi a mais recorrente, mencionada em 65% das respostas, destacando-se a complexidade e as mudanças frequentes na legislação, as dificuldades de interpretação, o risco de responsabilização técnica (ART) e a possibilidade de multas e responsabilidade solidária. Esse cenário reflete a elevada incerteza normativa no contexto brasileiro, que exige constante atualização e interpretação por parte das organizações.

A dimensão técnica apareceu em 55% das respostas, com causas relacionadas a falhas em estudos ambientais, inconsistência de dados, erros metodológicos e baixa qualidade das análises. Esses aspectos indicam que a robustez técnica dos produtos entregues é um fator crítico, pois erros nessa etapa podem comprometer o licenciamento, gerar retrabalho e aumentar a exposição a riscos legais e reputacionais. A dependência de dados atualizados, metodologias adequadas e equipes qualificadas é fundamental para a confiabilidade das decisões e a efetividade das medidas de mitigação (Jesus et al., 2021).

Os fatores operacionais foram mencionados em 40% das respostas, incluindo problemas na execução de atividades de campo, segurança das equipes, falhas na integração de processos e definição ineficiente de escopo. A ausência de alinhamento entre diferentes áreas e falhas na comunicação e coordenação das atividades podem potencializar riscos ao longo do ciclo do projeto, o que ressalta a importância da integração entre processos e equipes para o controle de riscos e o desempenho organizacional (PMI, 2021).

Os riscos estratégicos e de mercado foram citados em 35% das respostas, principalmente relacionados à concorrência por preço, baixa valorização dos serviços ambientais e ausência de padronização. Esses fatores indicam que o ambiente competitivo pode induzir à redução da qualidade técnica ou à adoção de práticas menos robustas, aumentando a exposição a riscos. A literatura aponta que organizações em mercados altamente competitivos podem comprometer a adoção de boas práticas quando não há mecanismos claros de diferenciação baseados em qualidade e conformidade.

Por fim, a dimensão institucional/governamental foi identificada em 30% das respostas, destacando falhas na fiscalização, inconsistências nos órgãos reguladores e lacunas na aplicação das normas. Esse cenário contribui para aumentar a incerteza nos processos de licenciamento e dificulta a padronização das práticas, impactando diretamente a previsibilidade dos projetos. A efetividade da gestão de riscos depende não apenas das práticas organizacionais, mas também da qualidade institucional e da estabilidade regulatória (Aven et al., 2007).

Propostas de Ação para Mitigação de Riscos (5W2H)

Com base nos riscos identificados, foram propostas cinco ações estratégicas, estruturadas pela ferramenta 5W2H, visando aprimorar a gestão de riscos nas consultorias ambientais. A primeira ação foca na padronização e atualização contínua dos requisitos legais ambientais, implementando um sistema de monitoramento para garantir a conformidade jurídica e reduzir a insegurança legal. Isso envolve a criação de checklists e a revisão interna periódica das normas aplicáveis, com um custo estimado entre R$ 3.000 e R$ 6.000 e prazo de curto a médio.

A segunda ação visa fortalecer a qualidade técnica dos estudos ambientais, propondo a adoção de checklists técnicos padronizados, revisões internas sistemáticas e capacitação contínua das equipes. Essa iniciativa busca minimizar falhas metodológicas e inconsistências de dados, garantindo maior robustez nas análises e confiabilidade nos resultados, com um custo estimado entre R$ 4.000 e R$ 8.000 e prazo de médio a longo. Essa medida contribui diretamente para a redução de retrabalho e a melhoria da qualidade das entregas.

A terceira ação está associada à melhoria da integração entre equipes técnicas e de gestão de projetos, com a implementação de rotinas formais de alinhamento, definição clara de responsabilidades e utilização de ferramentas de gestão de projetos para maior visibilidade das atividades. O objetivo é reduzir falhas operacionais e melhorar a coordenação das atividades ao longo do ciclo do projeto, com um custo estimado entre R$ 1.000 e R$ 3.000 e prazo de curto a médio.

A quarta ação envolve a estruturação de processos formais de gestão de riscos, incluindo identificação, análise, resposta e monitoramento. Propõe-se a adoção de matrizes de risco e a definição de critérios de probabilidade e impacto, além do acompanhamento contínuo dos riscos. Essa formalização visa fortalecer a tomada de decisão e a aplicação de metodologias estruturadas, com um custo estimado entre R$ 3.000 e R$ 7.000 e prazo de médio a longo.

Por fim, a quinta ação busca fortalecer a gestão estratégica e o posicionamento de mercado, considerando os riscos associados à concorrência e à baixa valorização dos serviços ambientais. Recomenda-se a definição de padrões técnicos mínimos, diferenciação baseada em qualidade e comunicação clara do valor agregado dos serviços prestados. Essa ação visa reduzir a competição baseada exclusivamente em preço e aumentar a maturidade do setor, com um custo estimado entre R$ 8.000 e R$ 15.000 e prazo de médio a longo.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que a gestão de riscos em consultorias ambientais é fortemente orientada pela conformidade regulatória e pelo licenciamento ambiental, com alta maturidade na identificação e controle desses aspectos. Contudo, observou-se uma variabilidade na aplicação de metodologias estruturadas para avaliação de riscos e na integração entre equipes, além de uma percepção limitada da gestão de riscos como diferencial competitivo. Os riscos regulatórios, técnicos e operacionais são os mais proeminentes, e as ações propostas visam aprimorar a padronização, a qualidade técnica, a integração e a formalização dos processos, contribuindo para uma gestão mais proativa e estratégica, conforme o objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a gestão de riscos em consultorias de engenharia ambiental, com foco na identificação, avaliação e tratamento de riscos associados a processos de licenciamento, conformidade legal e execução de projetos ambientais. Verificou-se que a identificação de riscos regulatórios e de licenciamento ambiental apresenta alta maturidade nas organizações, com forte adesão às exigências legais e ao controle de condicionantes. Contudo, observou-se uma lacuna na aplicação de ferramentas estruturadas para a avaliação de riscos, como matrizes de risco, e na utilização de critérios definidos de probabilidade e impacto, indicando uma abordagem mais qualitativa e menos formalizada. Os principais riscos identificados concentraram-se nas dimensões regulatória, técnica e operacional, com causas relacionadas à complexidade normativa, falhas em estudos e inconsistência de dados, e desafios na integração de equipes. Como contribuição prática, o estudo propôs um plano de ação estruturado, visando a padronização de requisitos legais, o fortalecimento da qualidade técnica dos estudos, a melhoria da integração entre equipes e a formalização dos processos de gestão de riscos, além de estratégias para o posicionamento de mercado.

A pesquisa, embora tenha fornecido uma compreensão valiosa das percepções dos profissionais, apresentou limitações decorrentes da amostra não probabilística e da predominância de respondentes em funções operacionais e técnicas, o que pode ter influenciado a ênfase nos desafios práticos em detrimento de aspectos estratégicos. Para trabalhos futuros, sugere-se a ampliação da amostra para incluir diferentes perfis organizacionais e maior participação de gestores estratégicos, buscando uma visão mais abrangente da gestão de riscos no setor. Recomenda-se também a adoção de abordagens metodológicas complementares, como estudos longitudinais e análise documental, a fim de aprofundar a compreensão sobre a relação entre a maturidade em gestão de projetos e a eficácia da gestão de riscos em consultorias ambientais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais estruturadas e orientadas à geração de valor.

Referências Bibliográficas

Al-Marri, R.;Abdalla, G.;Mahdi, E. 2025. Project management maturity in project-based organizations: frameworks, drivers, and the role of sustainability. Future Business Journal, 11(1).

Ali, A.;Sameh, H. 2024. Developing a theoretical framework for enhancing green project approaches via Agile methodology. Sci Rep, 14(1), 27786.

Almeida, A.;Sertão, A.;Soares, P.;Angelo, H. 2015. Deficiências no Diagnóstico Ambiental dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA). Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, 4(2), 33-48.

Arocena, P.;Orcos, R.;Zouaghi, F. 2023. The scope of implementation of ISO 14001 by multinational enterprises: The role of liabilities of origin. J Environ Manage, 327, 116844.

Aven, T.;Vinnem, J. E.;Wiencke, H. S. 2007. A decision framework for risk management, with application to the offshore oil and gas industry. Reliability Engineering & System Safety, 92(4), 433-448.

Bahia, P. Q.;Belo, R. d. L. S.;Ferreira, L. R.;De Souza, R. R. C. 2023. A TÉcnica Do Estudo De Caso Como Estratégia Metodológica Aplicado Na Pesquisa Científica. Revista Contemporânea, 3(6), 5955-5984.

Balsarini, P.;Lambert, C.;Ryan, M. M.;MacCarthy, M. 2021. Subjective Knowledge, Perceived Risk, and Information Search when Purchasing a Franchise: A Comparative Exploration from Australia. Journal of Risk and Financial Management, 14(8).

Bin Hammad, M. Z. M.;Yahaya, J. B.;Mohamed, I. B. 2024. A model for enterprise resource planning implementation in the Saudi public sector organizations. Heliyon, 10(2), e24531.

Buganová, K.;Šimíčková, J. 2019. Risk management in traditional and agile project management. Transportation Research Procedia, 40, 986–993.

Cavallito, A.;Bianchi, I.;Mancia, T.;Catania, D.;Rossi, M.;Marchetti, B. 2026. Evaluating the sustainability and productivity of conventional, organic, and regenerative agriculture in maize-soybean rotations: a modelling LCA study. Sci Rep, 16(1).

Chalaris, M.;Gkika, D. A.;Tolkou, A. K.;Kyzas, G. Z. 2023. Advancements and sustainable strategies for the treatment and management of wastewaters from metallurgical industries: an overview. Environ Sci Pollut Res Int, 30(57), 119627–119653.

Gao, L.;Dong, F. 2024. The impact of corporate governance on the total factor productivity of pharmaceutical enterprises: a study based on the fsQCA method. Sci Rep, 14(1), 3285.

Huang, H.;Lu, J.;Jin, L.;Ren, H. 2024. The Future of Environmental Engineering Technology: A Disruptive Innovation Perspective. Engineering, 41, 153–160.

Jesus, M. S. d.;Silva, M. G. d.;Tavares, M. d. S.;Silva, L. G. O. d. C.;Santos, R. E. M. d.;Brandão, T. M.;Costa, I. M. N. B. d. C.;Amorim, E. O. C. 2021. Métodos de avaliação de impactos ambientais: uma revisão bibliográfica/ Environmental impact assessment methods: a literature review. Brazilian Journal of Development, 7(4), 38039–38070.

Kumah, A.;Nwogu, C. N.;Issah, A. R.;Obot, E.;Kanamitie, D. T.;Sifa, J. S.;Aidoo, L. A. 2024. Cause-and-Effect (Fishbone) Diagram: A Tool for Generating and Organizing Quality Improvement Ideas. Glob J Qual Saf Healthc, 7(2), 85–87.

Mineiro, M. 2020. Pesquisa De Survey E Amostragem: Aportes Teóricos Elementares. Revista de Estudos em Educação e Diversidade – REED, 1(2), 284–306.

Nguyen, H. D.;Macchion, L. 2022. Risk management in green building: a review of the current state of research and future directions. Environment, Development and Sustainability, 25(3), 2136-2172.

PMI, 2021 [Referência completa não encontrada no documento original]

Song, D.;Shin, J. H.;Sam, A. G. 2024. Corporate environmentalism and economic performance: examining the effects of ISO 14001 certification on technical efficiency. Journal of Environmental Planning and Management, 69(2), 404–424.

Song, J.;Munyinda, M.;Adu Sarfo, P. 2025. Examining the impact of risk management practices on sustainable project performance in the construction industry: the role of stakeholder engagement. Frontiers in Built Environment, 11.

Vega, P. N.;Castresana, U. L. 2025. Sustainability in project risk management methodologies through the AHP-TOPSIS method applied to logistics and supply chain management. Environmental and Sustainability Indicators, 26.

Ventura, K. S.;Suquisaqui, A. B. V. 2020. Aplicação de ferramentas SWOT e 5W2H para análise de consórcios intermunicipais de resíduos sólidos urbanos. Ambiente Construído, 20(1), 333-349.

Ventura, L.;Martín-Jimenez, I.;Gallego-Garcia, M. 2025. A Risk Management Framework to Enhance Environmental Sustainability in Industrial Symbiosis Ecosystems. Sustainability, 17(6).

Zainuddin, S. A.;Abdullah, B.;Nasir, N. A. M.;Abdullah, T.;Nawi, N. C.;Patwary, A. K.;Hashim, N. 2023. Sustainable risk management practice in the organization: a Malaysian case study. Environ Sci Pollut Res Int, 30(9), 24708–24717.

Zhu, Y.;Chen, H.;Ma, J.;Pan, F. 2025. Risk Management of Green Building Development: An Application of a Hybrid Machine Learning Approach Towards Sustainability. Sustainability, 17(14).

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade