Artigo

09 de outubro de 2026

Estilos de liderança e desempenho organizacional: correlação em unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil

Estilos de Liderança e Desempenho Organizacional: Correlação em Unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil

Lucas de Oliveira Sousa Castro; Maria Cristina Galvão Machado

DOI: 10.22167/2675-6528-202603173

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A gestão de organizações do terceiro setor apresenta desafios específicos, nos quais a liderança exerce papel fundamental na conversão da missão institucional em resultados operacionais. O presente estudo analisou a correlação entre o perfil de liderança servidora, percebido pelos membros, e o desempenho organizacional de dez unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB). A metodologia empregou uma abordagem quantitativa e correlacional, fundamentada na aplicação de um instrumento adaptado do modelo “Servant Leadership Questionnaire” de Liden et al. (2008), que mensurou sete dimensões críticas. Coletaram-se dados de 124 respondentes, e o tratamento estatístico utilizou o coeficiente de Correlação de Pearson (r) para mensurar a relação entre o Índice de Liderança Servidora (ILS) e os indicadores-chave de desempenho (KPIs) de arrecadação, expansão de membros e engajamento para o exercício de 2025. Os resultados demonstraram correlações positivas em todos os indicadores analisados. Verificou-se uma correlação moderada para crescimento de doações (r = 0,460) e crescimento de membros (r = 0,465). O resultado mais expressivo foi observado no crescimento da frequência anual (r = 0,647), indicando forte correlação e um coeficiente de determinação (R²) de aproximadamente 0,42. Concluiu-se que o perfil servidor do gestor local é um motor de engajamento direto, validando a hipótese de que o foco no bem-estar e no desenvolvimento dos liderados potencializa a sustentabilidade e a eficácia operacional das unidades estudadas.

Palavras-chave: Gestão de pessoas; Igreja Messiânica Mundial do Brasil; Indicadores de resultados; Liderança servidora; Terceiro setor.

1. Introdução

A gestão de Organizações do Terceiro Setor (OTS) apresenta desafios distintos em comparação ao setor privado, especialmente no que se refere à gestão de pessoas. Essas entidades, conforme Salamon (1998), surgem como uma força global capaz de preencher lacunas deixadas pelo Estado e pelo mercado, operando com base em propósitos. Em tais organizações, a motivação da força de trabalho frequentemente se fundamenta no voluntariado e no alinhamento com a missão, e não em incentivos financeiros, como aponta Tenório (2004). Nesse contexto, a eficácia dessas organizações depende diretamente de uma liderança capaz de transformar a missão institucional em ações concretas e resultados, conforme destacado por Drucker (1990).

No campo da administração, a liderança servidora, conceito introduzido por Greenleaf (1977), emerge como uma terminologia fundamental. Este modelo define o líder como aquele cujo foco primordial reside no crescimento e bem-estar das pessoas e da comunidade à qual pertence. Enquanto Greenleaf lançou as bases filosóficas, Spears (2010) sistematizou o modelo em características operacionais aplicáveis ao cotidiano institucional. Diferente dos modelos tradicionais focados no poder hierárquico, a liderança servidora privilegia a ética, a empatia e a capacitação dos liderados, características que encontram forte sinergia em ambientes baseados em valores, como observado por Van Dierendonck (2011).

Nesse cenário, a Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB) constitui-se como uma organização religiosa sem fins lucrativos, enquadrada como OTS. Suas unidades locais, denominadas “Johrei Centers”, operam como filiais com autonomia na gestão de membros e recursos, embora sigam diretrizes estratégicas da Sede Central. A literatura sugere que estruturas orientadas ao serviço demandam que o gestor atue como um facilitador e suporte para a base (Wong e Page, 2003). A força de trabalho da IMMB é composta por ministros, que atuam como gestores profissionais e líderes espirituais, e por um vasto contingente de voluntários. Atualmente, a instituição possui cerca de quinhentas unidades e conta com aproximadamente um milhão e oitocentos mil seguidores, onde a liderança exercida pelos ministros responsáveis é um fator crítico para o alcance dos indicadores de desempenho institucionais.

Embora exista vasta literatura sobre o impacto da liderança no desempenho corporativo (Bass e Avolio, 1994; Greenleaf, 1977), conforme revisado por Parris e Peachey (2013), ainda há uma lacuna de estudos empíricos que apliquem estas teorias de gestão ao contexto de organizações religiosas no Brasil. A compreensão de como o perfil de liderança servidora influencia o desempenho organizacional em entidades do terceiro setor, especialmente as de cunho religioso, permanece um campo pouco explorado, justificando a necessidade de investigações mais aprofundadas.

A relevância deste estudo fundamenta-se em uma perspectiva tripla: acadêmica, gerencial e prática. No âmbito acadêmico, a pesquisa contribui para o fortalecimento da literatura de administração ao aplicar teorias de liderança a um objeto de estudo ainda pouco explorado no Brasil, as Organizações do Terceiro Setor religiosas. Sob a ótica gerencial, o trabalho gera valor ao apoiar-se em dados coletados de estudos de campo para o aprimoramento da gestão em qualquer organização fundamentada no voluntariado, onde os desafios de motivação e engajamento diferem substancialmente do setor corporativo tradicional, validando o impacto da liderança no engajamento (Melchar e Bosco, 2010). Por fim, em uma esfera prática, o estudo oferece à própria Igreja Messiânica Mundial do Brasil um diagnóstico técnico e fundamentado, capaz de nortear a otimização de seus programas internos de desenvolvimento de líderes, potencializando o desempenho organizacional e a eficácia de suas unidades locais.

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a correlação entre o perfil de liderança servidora, percebido pelos membros, e o desempenho organizacional de dez unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB), utilizando uma estrutura multidimensional de liderança servidora de Liden et al. (2008).

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo quantitativo e correlacional, voltado à identificação da relação entre o perfil de liderança servidora e o desempenho organizacional em unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB). A abordagem metodológica visou analisar a correlação entre as variáveis de interesse, concentrando-se em dez unidades locais da IMMB, denominadas “Johrei Centers”. A amostra foi selecionada por conveniência, incluindo unidades de diversas localidades do Brasil para contemplar diferentes perfis. A coleta de dados primários totalizou 124 respondentes, compostos por membros ativos e voluntários das unidades selecionadas.

Para mensurar a variável independente, o perfil de liderança servidora, utilizou-se um instrumento adaptado do modelo “Servant Leadership Questionnaire” (SLQ) de Liden et al. (2008). A adaptação dos itens foi realizada para adequar a linguagem ao vocabulário e cotidiano da IMMB, garantindo a compreensão dos respondentes. O questionário mensurou sete dimensões críticas da liderança servidora: formação de conceitos, cura emocional, priorização dos liderados, apoio ao crescimento, comportamento ético, empoderamento e criação de valor para a comunidade.

A construção do questionário seguiu três etapas: seleção das dimensões, redação dos itens e validação. As sete dimensões críticas do modelo original foram mantidas, e para cada uma, redigiu-se uma afirmação direta com terminologias aderentes ao contexto da IMMB. O questionário passou por revisão preliminar e foi aplicado a um grupo focal reduzido para assegurar a correta interpretação dos termos e realizar ajustes vocabulares, como a substituição de “Meu líder” por “O ministro responsável” e “Organização” por “Unidade”.

A avaliação do perfil de liderança foi realizada de modo online e anônimo, por meio da plataforma Google Forms. Utilizou-se uma escala Likert de 5 pontos, onde 1 representou “Discordo Totalmente” e 5 “Concordo Totalmente”. Estipulou-se uma participação mínima de 10 respondentes por unidade para garantir a estabilidade das médias de percepção e a robustez do Índice de Liderança Servidora (ILS). Para assegurar o anonimato absoluto e mitigar vieses de constrangimento, optou-se pela não coleta de variáveis sociodemográficas individuais dos 124 participantes.

A variável dependente consistiu em três indicadores-chave de desempenho (KPIs) administrativos do exercício de 2025, selecionados sob a lógica do “Balanced Scorecard”. Os indicadores foram: sustentabilidade financeira, mensurada pelo crescimento de doações anual; número de adeptos, avaliado pelo crescimento do número de fiéis anual; e engajamento, aferido pelo crescimento da frequência anual na unidade. Esses KPIs foram utilizados para correlacionar com o Índice de Liderança Servidora (ILS) de cada unidade.

Os dados coletados foram tabulados e processados eletronicamente para gerar o Índice de Liderança Servidora de cada ministro. Para a estimação das correlações, adotou-se a premissa de uma relação linear entre a percepção de liderança e os resultados numéricos dos KPIs. A mensuração das relações lineares entre as variáveis utilizou o Coeficiente de Pearson (r), conforme Hair Jr et al. (2009), uma técnica estatística robusta. O coeficiente situou-se no intervalo de -1 a +1, e o processamento estatístico foi realizado com o auxílio do software Microsoft Excel. A classificação da intensidade da correlação seguiu os intervalos propostos pela literatura estatística.

Adicionalmente, utilizou-se o Coeficiente de Determinação (R²), calculado pelo quadrado do coeficiente de correlação, para mensurar a proporção da variância da variável dependente (KPIs) explicada pela variável independente (Liderança Servidora). Para aprofundar a análise, aplicou-se a técnica de Regressão Linear Simples, estimada pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Este procedimento quantificou o impacto da variável independente (ILS) sobre a variável dependente (KPIs), permitindo a estimação do coeficiente angular (β₁). A validade do modelo foi verificada pela análise de significância estatística (p < 0,05) e pela avaliação do ajuste do modelo.

3. Resultados e Discussão

Os resultados apresentados nesta seção decorreram da aplicação do instrumento de pesquisa em dez unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB), distribuídas em diferentes regiões do território nacional. A coleta de dados primários totalizou 124 respondentes, garantindo a estabilidade das médias de percepção para todas as unidades da amostra. A análise descritiva inicial revelou que o Índice de Liderança Servidora (ILS) médio das unidades apresentou-se elevado, situando-se no intervalo entre 4,243 e 4,900 em uma escala de 5 pontos. Tais valores indicam uma percepção consolidada de comportamentos servidores por parte dos gestores locais, refletindo um alinhamento com os princípios da liderança servidora conforme delineado por Greenleaf (1977) e Spears (2010).

No que tange ao desempenho organizacional, observou-se uma heterogeneidade nos resultados dos Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs). Enquanto o crescimento de doações e de membros apresentou valores positivos na maioria das unidades, o indicador de frequência anual registrou retrações em 40% da amostra. Essa variação nos resultados dos KPIs permitiu testar a correlação entre o comportamento do líder servidor e as oscilações de desempenho, buscando compreender a influência direta da liderança no contexto das organizações do terceiro setor, onde a motivação e o engajamento dos membros são cruciais para a sustentabilidade e eficácia operacional, como apontado por Tenório (2004).

Uma análise comparativa preliminar entre os principais polos amostrais, Rio de Janeiro (cinco unidades) e São Paulo (três unidades), revelou que o estado do Rio de Janeiro apresentou um ILS médio ligeiramente superior (4,64) em relação a São Paulo (4,58). Contudo, as unidades paulistas registraram médias superiores e mais expressivas nos indicadores de desempenho, com destaque para a expansão anual de novos membros (média de 36,2% em São Paulo frente a 11,1% no Rio de Janeiro) e frequência anual (5,7% em São Paulo frente a 0,8% no Rio de Janeiro). Essa comparação regional reforça a constatação de que, embora a liderança servidora atue como um vetor interno consistente de engajamento, fatores socioeconômicos e dinâmicas regionais locais influenciam diretamente a amplitude de crescimento das unidades, conforme a complexidade administrativa do Terceiro Setor discutida por Drucker (1990).

A análise descritiva das médias obtidas em cada uma das sete dimensões da liderança servidora, conforme o modelo de Liden et al. (2008), indicou que as dimensões “Formação de Conceitos” e “Cura Emocional” registraram as maiores médias da amostra, ambas com 4,7. Este achado evidencia um forte alinhamento dos gestores com o acolhimento e a clareza doutrinária, elementos essenciais para a coesão em organizações religiosas. A capacidade de compreender a missão institucional e demonstrar empatia são percebidas como pontos fortes, contribuindo para um ambiente de confiança e suporte mútuo entre líderes e liderados, o que Eva et al. (2019) associam ao impulsionamento do engajamento.

Em contrapartida, a dimensão “Empoderamento” apresentou a menor média do estudo, com 4,3. Este resultado sugere que, embora os líderes sejam percebidos como acolhedores e orientadores, ainda existe um espaço significativo para o fortalecimento da delegação de autoridade e da concessão de autonomia aos liderados nas unidades analisadas. A baixa percepção de empoderamento pode limitar a capacidade dos membros e voluntários de tomar decisões independentes e assumir responsabilidades, impactando a agilidade operacional e a formação de novos líderes locais, um aspecto crucial para a sustentabilidade de longo prazo da organização.

Para mensurar a força da relação linear entre o comportamento do líder e os resultados da unidade, os dados foram submetidos ao tratamento estatístico pelo Coeficiente de Pearson (r), seguindo as premissas de Hair Jr et al. (2009) e a escala de interpretação de Dancey e Reidy (2006). A análise dos coeficientes demonstrou que a liderança servidora exerce uma influência positiva em todos os eixos de desempenho organizacional avaliados. Este achado geral valida a hipótese central do estudo, reforçando a importância do perfil servidor do gestor para o alcance dos objetivos institucionais no contexto do terceiro setor.

O resultado mais expressivo da pesquisa foi a correlação de 0,647 entre a liderança servidora e o crescimento da frequência anual (KPI 3). Este valor indica uma correlação forte e positiva, sugerindo que o perfil servidor do gestor local é um dos principais determinantes para a assiduidade e o engajamento dos membros. Este achado ecoa o estudo de Peterson et al. (2012), segundo o qual o líder que prioriza as necessidades alheias cria um efeito cascata que culmina em resultados institucionais superiores, especialmente em contextos onde a participação é voluntária e baseada em valores.

Ao observar os dados individuais, unidades como a Unidade G, que apresentou o maior ILS da amostra (4,90), também registraram um dos maiores índices de crescimento de frequência (13,67%). Por outro lado, unidades com ILS menores, como a Unidade E (4,24), apresentaram retração na frequência (-9,48%). Essa disparidade reforça a ligação direta entre a percepção de liderança servidora e o engajamento dos membros, indicando que a qualidade da liderança ministerial é um fator crítico para a retenção e a motivação da base de voluntários e fiéis.

As correlações para o crescimento de doações (KPI 1), com r = 0,460, e de novos membros (KPI 2), com r = 0,465, revelaram uma relação moderada e positiva. Isto indica que, embora o comportamento do ministro influencie a disposição dos membros em contribuir financeiramente e em realizar a prospecção de novos fiéis, esses indicadores sofrem maior influência de variáveis externas. Achados de Melchar e Bosco (2010) convergiram com esta perspectiva, demonstrando que o comportamento servidor impacta a performance, mas a conjuntura econômica regional ou a localização geográfica da unidade podem modular a amplitude desse impacto, especialmente em indicadores financeiros e de expansão.

Para aprofundar o entendimento sobre o impacto da Liderança Servidora nos resultados, aplicou-se a técnica de Regressão Linear Simples pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO), focando no KPI 3 (Crescimento da Frequência Anual). O modelo apresentou um coeficiente angular (β₁) de 22,90, o que indica que, para cada aumento de 1 ponto no Índice de Liderança Servidora (ILS), projeta-se um crescimento médio de 22,9 pontos percentuais na frequência anual da unidade. A significância estatística foi validada pelo valor p de 0,043, situando-se abaixo do limite de 0,05, conferindo robustez científica ao estudo.

O Coeficiente de Determinação (R²) de 0,418 indica que aproximadamente 42% da variância na frequência anual pode ser explicada pelo modelo de liderança adotado. Este dado é fundamental para a gestão da IMMB, pois sugere que o investimento no desenvolvimento de ministros servidores atua diretamente na retenção e fidelização dos membros. Mesmo ao penalizar o modelo pelo tamanho reduzido da amostra agregada (dez unidades), o perfil de liderança servidora preservou uma capacidade explicativa relevante de aproximadamente 35% a 42% sobre a variabilidade da frequência dos fiéis, reforçando a validade do modelo.

As premissas de regressão foram rigorosamente avaliadas. A multicolinearidade é estruturalmente inexistente em um modelo de regressão linear simples com apenas uma variável independente (ILS). A distribuição dos resíduos do modelo apresentou dispersão constante (homocedasticidade) em torno da reta de regressão estimada, com erro padrão residual de 6,89, sem padrões heterocedásticos que pudessem invalidar a eficiência dos estimadores MQO. Além disso, a distribuição dos erros amostrais apresentou aderência satisfatória ao pressuposto de normalidade, concentrando-se de forma simétrica em torno do valor médio esperado, validando a inferência estatística e a significância do parâmetro estimado.

Quanto às dimensões de sustentabilidade financeira (KPI 1) e expansão (KPI 2), os modelos de regressão apresentaram coeficientes positivos, contudo, sem atingir significância estatística ao nível de 5% (p > 0,05). Esse fenômeno reforça a perspectiva de Drucker (1990) sobre a complexidade administrativa do Terceiro Setor, na qual o desempenho financeiro e a expansão de membros são compreendidos como subprodutos de uma missão bem executada e são mais sensíveis a variáveis externas e ao cenário macroeconômico local do que ao impacto direto e isolado da liderança ministerial. Isso não invalida a correlação, mas contextualiza a força preditiva do modelo para esses KPIs.

A partir dos diagnósticos obtidos, especialmente a identificação da dimensão “Empoderamento” como a principal oportunidade de aprimoramento gerencial e o elevado desempenho em “Cura Emocional” e “Formação de Conceitos”, estruturou-se uma matriz de recomendações práticas. Este direcionamento visa subsidiar os programas de capacitação ministerial da IMMB, orientando ações voltadas ao fortalecimento da liderança servidora e à ampliação do desempenho organizacional. A matriz propõe intervenções específicas para cada dimensão, visando otimizar a gestão e os resultados das unidades.

Para a dimensão “Empoderamento”, que apresentou a menor média (4,3), as ações práticas sugeridas incluem a realização de workshops de delegação e liderança compartilhada, a criação de comitês locais geridos por voluntários e a definição de alçadas e maior autonomia para iniciativas locais. O impacto esperado dessas ações é o incremento na autonomia dos membros e voluntários, maior agilidade operacional e a formação contínua de novos líderes locais, o que contribui para a sustentabilidade e o crescimento da organização, conforme a literatura sobre empoderamento (Liden et al., 2008).

No que se refere às dimensões “Cura Emocional” e “Formação de Conceitos”, que obtiveram as maiores médias (4,7), as recomendações visam manter e fortalecer as práticas existentes. Isso inclui a manutenção das práticas de escuta e suporte individual, bem como a estruturação de programas formais de mentoria para ministros mais jovens. O impacto esperado é a retenção contínua de membros e a consolidação do engajamento em cultos e reuniões, o que se traduz diretamente no crescimento da frequência, o KPI mais fortemente correlacionado com a liderança servidora.

Para a dimensão “Criação de Valor para a Comunidade”, que apresentou uma média intermediária (4,6), as ações propostas incluem a ampliação de projetos de ação social no entorno da unidade e o estabelecimento de parcerias com outras Organizações do Terceiro Setor locais. O impacto esperado é o aumento da visibilidade institucional e a atração de novos membros, contribuindo para a expansão da unidade. Essas ações reforçam o papel da IMMB como uma OTS que gera impacto social positivo, alinhando-se com a missão de serviço e contribuindo para o bem-estar da comunidade, um pilar da liderança servidora.

Em síntese, os resultados desta pesquisa demonstram uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre o perfil de liderança servidora dos gestores locais e o desempenho organizacional das unidades da IMMB, especialmente no que tange ao engajamento dos membros, medido pela frequência anual. Embora as correlações para doações e expansão de membros sejam moderadas e mais suscetíveis a fatores externos, a capacidade preditiva do modelo de liderança servidora para o engajamento é robusta. Os achados fornecem um diagnóstico valioso para a IMMB, indicando áreas de força e oportunidades de aprimoramento gerencial, com foco no empoderamento e na valorização do perfil servidor, que se mostra um motor essencial para a sustentabilidade e eficácia das unidades estudadas.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a correlação entre o perfil de liderança servidora, percebido pelos membros, e o desempenho organizacional de dez unidades da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB). Verificou-se uma correlação positiva em todos os indicadores de desempenho avaliados, com destaque para a forte relação observada entre a liderança servidora e o crescimento da frequência anual, que apresentou um coeficiente de 0,647. Este achado indicou que o perfil servidor do gestor local atua como um motor direto de engajamento dos membros, explicando aproximadamente 42% da variância na frequência anual. Para os indicadores de crescimento de doações e de novos membros, identificou-se uma correlação moderada, de 0,460 e 0,465, respectivamente, sugerindo que, embora a liderança influencie, esses resultados são mais suscetíveis a variáveis externas. As dimensões “Formação de Conceitos” e “Cura Emocional” foram percebidas com as maiores médias, enquanto “Empoderamento” registrou a menor, apontando uma oportunidade de aprimoramento gerencial.

A principal contribuição deste trabalho reside no fortalecimento da literatura de administração, ao aplicar teorias de liderança a organizações religiosas do Terceiro Setor no Brasil, um campo pouco explorado. Praticamente, o estudo ofereceu à IMMB um diagnóstico técnico, com uma matriz de recomendações para otimizar programas de desenvolvimento de líderes, focando no empoderamento e na valorização do perfil servidor para potencializar a eficácia das unidades. Contudo, a pesquisa apresentou limitações, como o tamanho da amostra agregada de dez unidades, que restringe a generalização dos resultados. A natureza transversal do estudo também não permitiu captar variações longitudinais, e a sensibilidade dos indicadores financeiros e de expansão a variáveis macroeconômicas externas foi observada. Para estudos futuros, recomenda-se a realização de investigações longitudinais para acompanhar o desenvolvimento dos ministros, a expansão da amostra para outras regiões geográficas com métodos qualitativos, e a inclusão de novas variáveis de controle, como o tempo de fundação da unidade e o perfil socioeconômico local, para refinar a análise do impacto gerencial.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

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