Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Cognição e Ritmo: entendendo como as funções executivas moldam a experiência musical

Cognição e Ritmo: Entendendo como as Funções Executivas Moldam a Experiência Musical

Elisa Maria Prevedel Varro; Marilda Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202602857

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Uma pesquisa exploratória e descritiva investigou a influência das funções executivas no desenvolvimento rítmico de alunos do quarto ano do ensino fundamental, bem como a forma como atividades rítmicas motoras promovem essas funções e o processo de aprendizagem. O estudo também buscou compreender a percepção docente sobre o impacto das funções executivas trabalhadas nas aulas de música no desenvolvimento dos alunos em outras disciplinas. A investigação foi realizada com quatro turmas do quarto ano do ensino fundamental em 2025, em uma escola particular. Os dados foram coletados por meio de análise de documentação pedagógica, observação da prática em sala de aula e entrevistas com a equipe docente e gestão escolar. As análises, de caráter qualiquantitativo, revelaram que as atividades rítmicas musicais estimularam funções executivas como atenção, controle inibitório, planejamento, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, automonitoramento e regulação emocional. Concluiu-se que a aquisição dessas funções executivas extrapolou o aprendizado específico das aulas de música, manifestando-se em diversas situações do cotidiano dos alunos e contribuindo significativamente para o desenvolvimento cognitivo e psicomotor geral.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação; Música; Neurociência; Ritmo.

1. Introdução

A educação musical, particularmente por meio de atividades rítmicas, demonstra um potencial significativo para o desenvolvimento cognitivo. A relação intrínseca entre música, funcionamento cerebral e processos de aprendizagem tem sido amplamente reconhecida (Levitin, 2010; Sacks, 2007). A música não se restringe à expressão artística, mas atua como um estímulo potente para diversas funções cognitivas. Dentre os elementos musicais fundamentais, o ritmo destaca-se por sua natureza temporal e pela capacidade de ser observado em diversas manifestações humanas (Fonseca, 1995).

Este estudo fundamenta-se na perspectiva da psicomotricidade, que considera a motricidade como a base do conhecimento, evoluindo para ações mentais (Fonseca, 2004). Essa abordagem sugere que atividades que envolvem movimento são essenciais para estimular a aprendizagem e aprimorar aspectos como equilíbrio, esquema corporal, lateralidade e planejamento motor (Graciani et al., 2011). A vivência corporal é, portanto, reconhecida como fundamental para o desenvolvimento da percepção corporal e das noções espaço-temporais (Le Boulch, 1987).

Nesse contexto, as funções executivas assumem um papel central na compreensão do desenvolvimento cognitivo. Elas constituem a base do comportamento intencional, capacitando o indivíduo a direcionar, analisar, reprogramar ou interromper ações de forma adequada (Cosenza e Guerra, 2011; Dias e Malloy-Diniz, 2023; Diamond, 2013). Essas funções englobam habilidades como planejamento, memória de trabalho, controle inibitório, regulação comportamental e flexibilidade cognitiva, e estão intrinsecamente ligadas ao lobo frontal e a diversas estruturas cerebrais envolvidas nos processos cognitivos conscientes (Marangoni e Ramiro, 2012; Amaral et al., 2022; Martín, 2024; Tieppo, 2021). A prática musical, especialmente a rítmica, oferece um ambiente propício para a estimulação dessas funções, ativando múltiplas áreas cerebrais de forma simultânea (Carrer e Muszkat, 2024).

Apesar do potencial reconhecido da música e da psicomotricidade, ainda é necessário investigar de forma aprofundada como as atividades rítmicas motoras, desenvolvidas nas aulas de música, contribuem para o desenvolvimento das funções executivas e para o processo de aprendizagem em crianças. Adicionalmente, é crucial compreender a percepção dos educadores sobre como o trabalho com funções executivas nas aulas de música se reflete no desempenho dos alunos em outras disciplinas do currículo escolar. A pesquisa original emergiu da prática profissional da pesquisadora, com o propósito de analisar os conteúdos e procedimentos pedagógicos sob a ótica da aprendizagem musical, cognitiva e comportamental dos estudantes.

O interesse no funcionamento cerebral, particularmente no que diz respeito às funções executivas relacionadas ao fazer rítmico, justifica a busca por dados que possam subsidiar uma prática docente mais eficiente, reflexiva e fundamentada. Assim, este estudo teve como objetivo estabelecer relações entre o trabalho rítmico em vivências de expressão corporal e atividades motoras no ensino de música e o desenvolvimento das funções executivas, supondo que esta prática requeira e estimule planejamento, memória de trabalho, controle inibitório, regulação comportamental e flexibilidade cognitiva. Adicionalmente, buscou-se estudar a percepção docente sobre o desenvolvimento do desempenho dos estudantes a partir das aulas de Música.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa, de natureza exploratória e descritiva, empregou uma abordagem qualiquantitativa para investigar as relações entre elementos rítmicos e componentes cognitivos em atividades musicais e corporais. O estudo buscou compreender a contribuição de atividades rítmicas motoras no ensino de música para o desenvolvimento das funções executivas e da aprendizagem em crianças, e analisar a percepção docente sobre esse impacto.

A investigação foi conduzida em uma escola particular na Zona Sul da Cidade de São Paulo, que oferece Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os participantes diretos foram setenta e oito estudantes do quarto ano do Ensino Fundamental, com idades entre nove e dez anos, distribuídos em quatro turmas. A coleta de dados com os alunos ocorreu no segundo semestre de 2025, durante aulas de Música focadas em dinâmicas rítmicas, psicomotoras e de expressão corporal.

A coleta de dados junto aos alunos foi realizada por meio da análise de documentos pedagógicos, que registravam as atividades desenvolvidas pela pesquisadora. Para a pesquisa, obteve-se autorização formal da instituição. Para investigar a percepção da Coordenação Pedagógica do Ensino Fundamental 1 e de docentes, aplicou-se um questionário semiestruturado via Google Forms. Os participantes forneceram consentimento livre e esclarecido, com garantia de sigilo de suas identidades, em conformidade com os critérios éticos.

As atividades rítmicas motoras analisadas incluíram dinâmicas de expressão corporal e jogos que envolviam ritmo e movimento. As dinâmicas específicas foram: Siga o Mestre Musical, Amarelinha Campo Minado, Roda com Bolinha, Pega-pega Musical e Amarelinha Vai e Vem. Cada atividade foi concebida para estimular aspectos psicomotores e funções executivas, sendo implementadas e observadas pela pesquisadora.

O Siga o Mestre Musical consistiu em movimentos livres dos alunos pela sala, seguindo o ritmo de um tambor com variações de intensidade e andamento. Progressivamente, foram introduzidas células rítmicas e pausas, utilizando dois tambores para alternar movimentos de pés e palmas, exigindo coordenação e atenção às mudanças rítmicas.

A Amarelinha Campo Minado foi demarcada no chão com fita crepe, contendo dez linhas e quatro casas por linha, com algumas casas “minadas” (X). Regras específicas de pulo foram aplicadas, e a dinâmica exigia um fluxo contínuo de participantes. A atividade Roda com Bolinha envolveu os alunos em círculo, passando uma bolinha de tênis ao som de um tambor, com a complexidade aumentada pela introdução de compassos variados.

No Pega-pega Musical, os alunos se dispersavam pela sala, enquanto um deles, com um bastão, tentava tocar os colegas. O movimento era restrito a um passo por pulsação de um tambor em compasso quaternário, com a dificuldade ajustada pela introdução de compassos variados. A Amarelinha Vai e Vem foi estruturada com dez linhas e três casas por linha, onde os alunos executavam sequências de pulos e palmas, acompanhando a música africana “Ayele”. A atividade evoluiu para a entrada sequencial de alunos e, posteriormente, para duas turmas em sentidos opostos, exigindo precisão rítmica e espacial.

A análise dos dados, de caráter qualiquantitativo, foi realizada com base nos registros pedagógicos e nas respostas dos questionários. Para as atividades rítmicas motoras, os dados foram analisados considerando as funções executivas, elementos rítmicos e psicomotores, com foco em acertos de entrada, pausa, execução e finalização. A percepção docente foi analisada a partir das respostas obtidas.

A fundamentação teórica da pesquisa, pautada na teoria sócio-histórica de Vygotsky (1991), orientou a compreensão de que as formas psicológicas superiores derivam da vida social e que o desenvolvimento cognitivo ocorre na zona de desenvolvimento proximal. Essa perspectiva subsidiou a análise das dinâmicas rítmicas como atividades com propósito, cujas regras demandam atenção e regulação, elementos cruciais para as funções executivas.

3. Resultados e Discussão

A análise das ações pedagógicas desenvolvidas nas aulas de Música com alunos do quarto ano do Ensino Fundamental revelou a intrínseca relação entre atividades rítmicas motoras e o desenvolvimento das funções executivas, bem como a percepção docente sobre essa influência no processo de aprendizagem geral. O estudo considerou as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018) e conceitos da Neurociência, buscando compreender como a prática musical estimula habilidades e competências essenciais. Os achados demonstram que a vivência musical, especialmente a rítmica, atua como um catalisador para o aprimoramento cognitivo e psicomotor, extrapolando o ambiente da aula de música e impactando o cotidiano dos estudantes.

Dentre as atividades rítmicas executadas nas aulas de Música, foram objeto de análise a dinâmica de expressão corporal, os jogos de amarelinha com canção ou acompanhamento do tambor, variações rítmicas e práticas psicomotoras, o jogo de Pega-pega Musical e a atividade com bolinha e agachamento em diferentes compassos. Tais atividades permitiram identificar aspectos como atenção, controle inibitório e planejamento, flexibilização de ações, monitoramento do comportamento, regulação emocional e memória de trabalho, diretamente relacionados às funções executivas, conforme proposto por estudiosos do tema, como Cosenza e Guerra (2011), Dias e Malloy-Diniz (2023) e Diamond (2013). Também foram considerados outros aspectos musicais e psicomotores, como falhas e acertos nos momentos de entrada, pausa, execução e finalização das atividades, equilíbrio, coordenação temporal, lateralização, praxia global e noção corporal.

Análise das atividades desenvolvidas à luz dos referenciais teóricos

A dinâmica Siga o Mestre Musical explorou elementos sonoros (intensidade, altura, andamento) para uma experiência sensorial corporal, visando a sensibilização dos alunos para a fruição e execução musical, conforme Swanwick (2003). A ausência de obstáculos e a regra de não tocar nos colegas aprimoraram a noção espacial (Vayer, 1984) e a visão periférica (Le Boulch, 1987). Aspectos psicomotores como lateralização, noção corporal e estruturação espaço-temporal foram significativamente estimulados, alinhando-se a Fonseca (2004) e Sousa (2007).

Nesta atividade, observou-se estímulo direto ao controle inibitório, manifestado na capacidade dos alunos de inibir respostas impulsivas e controlar estímulos distratores, especialmente durante as pausas (Tieppo, 2021). O automonitoramento e a flexibilidade cognitiva foram requisitados pela adaptação às mudanças rítmicas, variações de intensidade e alterações de regras (Amaral et al., 2022). Ao final, verificou-se boa execução das pausas e dos inícios e fins de movimentos, indicando sensibilização eficaz aos elementos dinâmicos e rítmicos musicais, com avanços no desenvolvimento psicomotor e na flexibilidade cognitiva.

A Amarelinha Campo Minado promoveu o desenvolvimento rítmico por meio de vivências psicomotoras, focando no espaço-temporal, noção de corpo e equilíbrio. A complexidade das regras, com casas proibidas e pulos específicos, exigiu intensamente a memória operacional, ou memória de trabalho. Esta função executiva é fundamental para organizar informações e processar atitudes básicas, conforme Masruha (2018), sendo crucial para a navegação bem-sucedida pelo percurso.

Adicionalmente, a atividade demandou planejamento e monitoramento de comportamento (Cosenza e Guerra, 2011). A capacidade de prever mentalmente a sequência motora (Wallon, 1995) e o controle da inibição (Galvão, 1995) foram exercitados. A programação do movimento, que ocorre no lobo frontal (Fonseca, 2004), foi ativada, e a noção de tempo para cada tarefa (Tieppo, 2021) aprimorada. Ao término, a atividade rítmica atingiu seu objetivo, com boa resposta dos componentes psicomotores e das funções executivas de memória operacional e planejamento.

O jogo Roda com Bolinha, acompanhado por tambor em compasso quaternário, exigiu alta atenção dos alunos para filtrar informações e organizar estímulos (Lucia e Zaninotto, 2017). O objetivo era o desenvolvimento rítmico, prontidão e rapidez nos movimentos, estimulando aspectos psicomotores como tônus, equilíbrio, noção espacial e corporal, e praxia global. A dinâmica inicial com a bolinha e agachamentos em tempos específicos demandou concentração e coordenação.

Durante a execução, monitoramento do comportamento e autorregulação foram solicitados, envolvendo o controle de impulsos e emoções (Tieppo, 2021). A regra de saída temporária da roda para quem errasse gerou irritação em dois estudantes, oferecendo oportunidade para a construção da regulação emocional. Embora emoções possam atrapalhar atenção e memória de trabalho (Martín, 2024), o acolhimento e estímulo contribuíram para o amadurecimento neural, diminuindo reações emocionais com a maturação das funções psíquicas superiores (Wallon, 1995; Galvão, 1995).

Ao final das aulas, observou-se que manter a sequência rítmica foi desafiador, mas os alunos, com esforço, conseguiram. Aspectos psicomotores como tônus, equilíbrio, percepção espacial e corporal, e praxia global foram bem estimulados. As funções executivas de atenção, automonitoramento, autorregulação e regulação emocional encontraram um campo fértil para estimulação, demonstrando a importância de situações que exijam auto regulação emocional, desde que acolhidas com afetividade e respeito.

A aula com Pega-pega Musical objetivou o desenvolvimento rítmico, exigindo alto equilíbrio na perspectiva psicomotora. As atividades motoras solicitaram noção de distância, trajetória, noção corporal e lateralidade (Berger, 2016), além da representação mental do movimento (Le Boulch, 1987). A percepção temporal foi fundamental para o movimento no tempo correto, envolvendo audição e sentido sinestésico, com a introdução de compassos variados para aumentar a dificuldade.

As funções executivas exigidas nesta brincadeira incluíram atenção, controle inibitório, planejamento, foco, flexibilidade cognitiva e monitoramento do comportamento. A flexibilidade cognitiva, em particular, destacou-se como a capacidade de rever planos e reajustá-los (Tieppo, 2021). Ao final, constatou-se a facilidade na realização da atividade, que pôde ser repetida inúmeras vezes. Aspectos rítmicos e psicomotores foram contemplados e realizados com competência, e as funções executivas de foco, controle inibitório, planejamento, flexibilização cognitiva e monitoramento de comportamento foram plenamente alcançadas.

O jogo Amarelinha Vai e Vem visou a manutenção rítmica da atividade, acompanhada pela canção africana Ayele. Esta atividade demandou coordenação temporal e percepção rítmica significativas, além de bases psicomotoras como equilíbrio, lateralidade, noção corporal e praxia global (Sousa, 2007). A parte final, com duas turmas se encontrando de lados opostos, exigia manutenção rigorosa do ritmo para evitar atropelamentos, intensificando a necessidade de precisão e planejamento.

As funções executivas trabalhadas incluíram planejamento, atenção, controle inibitório e automonitoramento (Amaral et al., 2022; Cosenza e Guerra, 2011). A facilidade na realização da tarefa, apesar da complexidade das regras, foi notável. Os alunos executaram a sequência rítmica com tranquilidade, errando apenas em dois momentos ao pular fora do ritmo, o que demonstra a rapidez no planejamento da atividade, conforme Tieppo (2021) sobre a automatização de movimentos. Foco e flexibilidade cognitiva também foram realizados com êxito.

Investigação com docentes e coordenação pedagógica

A investigação com docentes e coordenação pedagógica buscou compreender a percepção dos educadores sobre a influência das aulas de Música no desenvolvimento das funções executivas e na aprendizagem geral dos alunos. Participaram do estudo 16 professoras, atuantes em quatro classes do segundo ano (71 alunos, 7-8 anos), três classes do terceiro ano (61 alunos, 8-9 anos), quatro turmas do quarto ano (78 alunos, 9-10 anos) e cinco turmas do quinto ano (87 alunos, 10-11 anos). A maioria das respondentes, 87,5%, possuía formação em Pedagogia, enquanto 6,3% tinham formação em Matemática e outros 6,3% em Letras.

Quanto à pós-graduação, treze docentes eram pós-graduadas em diversas áreas da educação, incluindo uma com mestrado, e três não possuíam titulação de pós-graduação. A experiência profissional na educação era predominantemente longa, com 43,8% das respondentes atuando há mais de 30 anos, 31,3% entre 20 e 30 anos, e 18,8% entre 10 e 20 anos. Apenas 6,3% tinham menos de 10 anos de docência. Em relação ao tempo de atuação na escola específica, 62,5% trabalhavam entre 11 e 20 anos, 25% há mais de 31 anos e 12,5% entre 1 e 10 anos.

As turmas para as quais as respondentes lecionaram em 2025 distribuíram-se da seguinte forma: 40% no quinto ano, 26,7% no terceiro ano, 20% no quarto ano e 13,3% no segundo ano. Este perfil demonstra uma equipe docente experiente e com formação sólida, o que confere robustez às suas percepções sobre o impacto das atividades musicais no desenvolvimento dos alunos, fornecendo uma base confiável para a análise da influência das funções executivas trabalhadas nas aulas de Música no desempenho geral dos estudantes.

No que concerne à atenção sustentada, 78% das docentes perceberam uma melhora no desempenho dos alunos, embora não conseguissem distinguir se o efeito era exclusivo das aulas de música. Uma minoria de 7% raramente percebia essa melhora, enquanto 14% a percebiam com frequência. Este dado sugere que, embora as aulas de música contribuam, a atenção é um construto multifacetado, influenciado por diversas fontes de estímulo, mas com um impacto positivo geral.

Em relação à necessidade de repetições para entender comandos verbais, 57% das respondentes perceberam com frequência que os alunos precisavam de menos repetições, 35% raramente percebiam essa redução e 7% nunca a perceberam. A rapidez na resposta a sinais sonoros, como palmas ou voz, também foi avaliada positivamente, com 85,7% das docentes percebendo essa melhora com frequência e 14,4% sempre. Estes resultados indicam um aprimoramento na capacidade de processamento auditivo e na prontidão de resposta dos alunos ao longo do ano letivo.

A capacidade dos alunos de identificar sons ou distrações externas sem perder o foco nas tarefas foi outro ponto investigado. A maioria das professoras, 57%, relatou que a maioria dos alunos conseguia fazê-lo. Cerca de 21% indicaram que aproximadamente 50% dos alunos apresentavam essa habilidade, enquanto 7% observaram que menos da metade conseguia e 14,3% que apenas alguns alunos demonstravam essa capacidade. Estes dados sugerem que as atividades musicais podem ter contribuído para o desenvolvimento da atenção seletiva e sustentada, embora com variações entre os estudantes.

No quesito memória de trabalho, 64,3% das docentes observaram que a maioria dos estudantes conseguia realizar atividades solicitadas em duas ou mais etapas sem a necessidade de repetição constante das instruções. Aproximadamente 21% indicaram que cerca de metade dos alunos apresentava essa capacidade, enquanto 7% relataram que apenas alguns e outros 7% que menos da metade dos alunos conseguiam. Este desenvolvimento no uso da memória de trabalho ao longo do ano letivo foi considerado significativo, reforçando a importância do trabalho desenvolvido nas aulas de música em consonância com outras áreas do conhecimento.

A percepção sobre o controle inibitório revelou que 53% das professoras notaram com frequência que os alunos respeitavam os turnos de fala. Contudo, 33% perceberam essa melhora, mas não souberam atribuí-la diretamente às aulas de música, e 13,3% raramente a observaram. Este achado sugere que, embora o controle inibitório seja estimulado, sua atribuição exclusiva à música pode ser complexa, dada a multiplicidade de fatores que influenciam o comportamento infantil. O controle inibitório foi identificado como a habilidade mais trabalhada nas aulas de música, especialmente em função das pausas, e sua consolidação refletiu-se em outras situações da vivência dos alunos.

Em outro aspecto do controle inibitório, 50% das professoras observaram que a maioria dos alunos retomava a atenção aos comandos com rapidez após o intervalo do recreio. Cerca de 28,6% indicaram que apenas alguns alunos demonstravam essa prontidão, e 21,4% que aproximadamente metade dos alunos a apresentava. Estes resultados reforçam a ideia de que as atividades rítmicas musicais, ao exigirem a inibição de respostas impulsivas e a manutenção do foco, contribuem para o aprimoramento dessa função executiva, essencial para a autorregulação comportamental.

A flexibilidade cognitiva e a regulação emocional foram avaliadas pela percepção das professoras sobre a reação dos alunos a mudanças repentinas na rotina. Uma expressiva maioria de 78,8% das docentes percebeu que a maioria dos alunos respondia bem a essas alterações. Cerca de 14,3% indicaram que aproximadamente metade dos alunos reagia positivamente, e 7,1% que apenas alguns o faziam. Este dado sugere que as atividades musicais, ao introduzirem variações e exigirem adaptação, contribuem para o desenvolvimento da capacidade de rever planos e reajustá-los, conforme a definição de flexibilidade cognitiva de Tieppo (2021).

Durante os ensaios gerais e a apresentação na Mostra Cultural da escola, as professoras observaram o desempenho dos alunos em relação às funções executivas. No quesito atenção, 93,3% das respostas indicaram percepção frequente, enquanto 6,7% raramente perceberam. A atenção dos alunos foi constantemente requisitada para a regência, o acompanhamento do piano e outros instrumentos, e para os momentos de entrada, execução e pausas. Este alto percentual de percepção frequente sublinha a eficácia das atividades musicais na estimulação da atenção sustentada e seletiva em contextos de performance.

Em relação à memória de trabalho, 100% das respostas das professoras indicaram percepção frequente. Os alunos demonstraram alta competência ao guardar combinados de última hora, como mudanças de regras ou pausas inesperadas, realizando as solicitações com notável destreza. Este resultado é um forte indicativo de que a prática musical, ao exigir a retenção e manipulação de informações em tempo real, aprimora significativamente a memória de trabalho, uma função executiva crucial para a aprendizagem complexa.

Para o controle inibitório, 86,7% das professoras perceberam com frequência o uso desta função, enquanto 7% raramente a perceberam. Uma parcela significativa, também 86,7%, indicou não ter analisado este aspecto, o que pode ser explicado por momentos de conversa durante os ensaios e pequenas demoras na concentração. Apesar disso, a percepção geral aponta para um trabalho consistente do controle inibitório nas aulas de música, especialmente nos momentos de pausa, que exigem a inibição de movimentos e sons.

Finalmente, sobre a flexibilidade cognitiva, 92,9% das professoras perceberam com frequência o uso desta função executiva, e 7,1% raramente a perceberam. Este item foi associado a mudanças de combinados de última hora, nas quais os alunos responderam muito bem, embora essa resposta não tenha sido plenamente percebida por todas as professoras. A capacidade de adaptação a novas instruções e a reajustes de planos, inerente à prática musical, contribui para o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva, permitindo aos alunos lidar com imprevistos de forma mais eficaz.

A questão aberta sobre a percepção geral das vivências e conteúdos das aulas de Música revelou um diálogo positivo com o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. As respostas indicaram que as aulas de Música contribuem significativamente para o desenvolvimento das funções executivas, favorecendo a aprendizagem e o desenvolvimento integral. As vivências musicais dialogam de maneira integrada com o processo global de aprendizagem, e a ampliação da carga horária de Música poderia potencializar ainda mais esses resultados, promovendo um trabalho mais aprofundado e contínuo.

As docentes observaram que as vivências das aulas de música favorecem o desenvolvimento motor, cognitivo e verbal, com notável evolução no ritmo. A música foi reconhecida como importante para o raciocínio linguístico e a memória, refletindo-se no desempenho dos alunos em outras disciplinas. Além disso, ela estimula o cérebro, melhora a memória, amplia o vocabulário e auxilia na promoção da autoexpressão, autoconhecimento e autoestima, contribuindo para a interação social, especialmente em crianças inibidas.

Foi notado que as crianças conseguem permanecer mais focadas e respeitam mais os momentos de fala, e nas apresentações, houve avanços importantes em habilidades como escuta atenta e capacidade de seguir orientações. A quantidade de crianças com maior envolvimento nas propostas aumentou, e grande parte executa o solicitado com mais foco e autonomia. Houve uma mudança visível na postura durante as apresentações, com os alunos menos agitados, mais concentrados e seguros.

O senso de ritmo também evoluiu, impactando positivamente a organização e o tempo das atividades, e muitas crianças se mostraram menos envergonhadas e mais confiantes em público. Esses resultados demonstram que os alunos desenvolveram competências importantes não apenas nas aulas de música, mas que se refletem no aprendizado geral. Apenas uma resposta apontou a música como uma matéria estanque, contudo, a maioria ressaltou a relevância e o diálogo da disciplina de Música com as demais áreas do currículo, evidenciando seu papel essencial na ampliação das competências e aprendizagens.

Em síntese, os resultados desta pesquisa demonstram que as atividades rítmicas motoras desenvolvidas nas aulas de Música, com alunos do quarto ano do ensino fundamental, atuam como um poderoso catalisador para o desenvolvimento das funções executivas, incluindo atenção, controle inibitório, planejamento, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, automonitoramento e regulação emocional. A observação direta das atividades e a percepção da equipe docente corroboram que a aquisição e o aprimoramento dessas funções extrapolam o contexto da aula de música, manifestando-se em diversas situações do cotidiano escolar e contribuindo significativamente para o desenvolvimento cognitivo e psicomotor geral dos estudantes, conforme os objetivos propostos pelo estudo.

4. Conclusão

Este estudo buscou estabelecer relações entre o trabalho rítmico em vivências de expressão corporal e atividades motoras no ensino de música e o desenvolvimento das funções executivas, além de investigar a percepção docente sobre o desempenho dos estudantes. Verificou-se que as atividades rítmicas motoras, como dinâmicas de expressão corporal e jogos psicomotores, estimularam significativamente funções executivas como atenção, controle inibitório, planejamento, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, automonitoramento e regulação emocional em alunos do quarto ano do ensino fundamental. A observação direta das práticas pedagógicas revelou a constante requisição e aprimoramento dessas habilidades. Adicionalmente, a percepção da equipe docente e da coordenação pedagógica corroborou que a aquisição dessas funções executivas extrapolou o contexto das aulas de música, manifestando-se em diversas situações do cotidiano escolar e contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e psicomotor geral dos estudantes. As professoras notaram melhorias na atenção sustentada, na redução da necessidade de repetições de comandos, na prontidão de resposta a estímulos sonoros e na capacidade de manter o foco, além de um notável desenvolvimento da memória de trabalho e do controle inibitório.

A principal contribuição deste trabalho reside na evidência de que a educação musical, por meio de atividades rítmicas motoras, constitui um recurso pedagógico potente para o desenvolvimento integral das funções executivas, fundamentais para a aprendizagem e o comportamento. Este conhecimento pode subsidiar uma prática docente mais eficiente e reflexiva, além de promover uma melhor elaboração do currículo musical, reconhecendo a música como um elemento essencial para a ampliação de competências e habilidades em diversas áreas do conhecimento. Contudo, observou-se a dificuldade em isolar o impacto exclusivo das aulas de música no desenvolvimento de algumas funções executivas, dada a multiplicidade de estímulos presentes no ambiente escolar. Para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas longitudinais que acompanhem o desenvolvimento dessas funções ao longo de ciclos escolares mais amplos, bem como investigações que comparem grupos com diferentes cargas horárias de educação musical ou que utilizem metodologias que permitam uma atribuição mais precisa dos efeitos. Aprofundar a compreensão sobre a relação entre a intensidade da prática musical e o grau de desenvolvimento das funções executivas pode oferecer insights valiosos para a otimização dos programas educacionais.

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Wallon, H. 1995. A Evolução Psicológica da Criança. 1ed. Edições 70, Lisboa, Portugal.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Educação Antirracista: Práticas Educativas Inclusivas e Desenvolvimento Social

A educação antirracista, compreendida como eixo estruturante da educação inclusiva e do desenvolvimento social, foi investigada no contexto brasileiro. O estudo objetivou identificar e analisar, com base em documentos legais e na percepção de professores, as práticas educativas capazes de promover o antirracismo na escola e na sociedade, e como a implementação das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08 contribuiu para a justiça social. Adotou-se uma abordagem qualitativa e documental, com análise de legislação educacional, diretrizes curriculares, relatórios institucionais e literatura acadêmica. Complementarmente, aplicou-se um questionário semiestruturado a 295 professores da Educação Básica. Os dados foram avaliados quantitativa e qualitativamente, por meio de análise de conteúdo temática, e validados com estudos bibliográficos. Os resultados revelaram um paradoxo: apesar de um arcabouço legal robusto, a implementação das políticas antirracistas mostrou-se frágil e pontual, com carência de formação docente, materiais didáticos adequados e monitoramento. Constatou-se a persistência de desigualdades educacionais significativas entre estudantes brancos e negros, e a maioria dos professores reconheceu a ocorrência de racismo nas escolas, mas sem protocolos institucionais claros. A análise neurocientífica demonstrou que o racismo impacta negativamente o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes. Concluiu-se que a educação antirracista é central para uma educação de qualidade, exigindo compromisso político, investimento público e articulação intersetorial. A integração da Neurociência na formação docente e a produção de materiais qualificados são cruciais para fortalecer o papel da escola na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Palavras-chave: Desenvolvimento Social; Educação Antirracista; Justiça Social; Lei 10.639/03; Práticas Educativas Inclusivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Caminhos da Inclusão: Percepções de Pais e Professores sobre a Escolarização de Estudantes com Dupla Excepcionalidade no Contexto Brasileiro

A Dupla Excepcionalidade, caracterizada pela coexistência de Altas Habilidades/Superdotação e transtornos do neurodesenvolvimento, representa um fenômeno complexo que desafia modelos tradicionais de identificação e escolarização. O estudo teve como objetivo compreender as percepções de pais ou responsáveis, professores e outros profissionais da educação acerca da escolarização de estudantes com Dupla Excepcionalidade no contexto brasileiro, investigando desafios, estratégias pedagógicas e possibilidades de inclusão pautadas na equidade. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, e coletou dados por meio de um questionário online, voluntário e anônimo, respondido por 25 participantes. Os dados discursivos foram analisados por meio da análise de conteúdo temática. Os resultados indicaram que o conhecimento sobre o tema é frequentemente construído a partir de experiências pessoais e profissionais, revelando lacunas na formação sistematizada. Identificaram-se dificuldades na identificação desses estudantes, na formação docente e na implementação de planos educacionais individualizados, flexibilização pedagógica e enriquecimento curricular. Relataram-se repercussões socioemocionais, como frustração e baixa autoestima. Contudo, algumas escolas demonstraram práticas inclusivas fundamentadas na equidade, articulando necessidades específicas e potencialidades. Embora os resultados não permitam generalizações, evidenciaram a necessidade de fortalecer a formação profissional e a articulação entre escola, família e serviços especializados. Concluiu-se que a inclusão de estudantes com Dupla Excepcionalidade requer práticas que reconheçam simultaneamente suas dificuldades e potencialidades, garantindo condições equitativas de participação, aprendizagem e desenvolvimento.

Palavras-chave: Desenvolvimento humano; Formação docente; Inclusão escolar; Neurodivergência; Práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Formação de professores sobre neurociência sensorial: impactos nas estratégias pedagógicas inclusivas para crianças autistas

A inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no sistema educacional brasileiro é um tema de crescente relevância, dada a prevalência de disfunções no processamento sensorial que afetam a maioria dessas crianças. Investigou-se o conhecimento de professores em neurociência sensorial e sua relação com a confiança docente e a prática de estratégias pedagógicas inclusivas no ensino de crianças com TEA. Realizou-se uma pesquisa exploratório-descritiva, de método misto, por meio de questionários estruturados e semiestruturados aplicados via Google Forms a professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental I que atuavam ou já atuaram com crianças autistas. Os resultados indicaram que professores com menor tempo de atuação, tanto na docência quanto no trabalho com crianças autistas, apresentaram níveis menores de confiança. O conhecimento em neurociência sensorial influenciou diretamente a adoção de estratégias pedagógicas inclusivas. A maioria dos participantes demonstrou nível de conhecimento intermediário ou baixo sobre integração sensorial, e aqueles que receberam orientação de terapeutas ocupacionais propuseram estratégias mais eficazes. Concluiu-se que o conhecimento em neurociência sensorial impacta a prática pedagógica, ressaltando a necessidade de formação e suporte especializados para docentes.

Palavras-chave: Inclusão Escolar; Neuroeducação; Terapia Ocupacional; Transtorno do Espectro Autista.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

A importância do controle inibitório na escola e o papel do Mindfulness no aprendizado

Estratégias pedagógicas que promovem atenção e regulação emocional são cruciais para o desenvolvimento de aprendizagens significativas em crianças no ambiente escolar. Nesse contexto, as práticas de Mindfulness destacaram-se por fortalecer funções executivas, especialmente o controle inibitório, essencial para manter o foco, filtrar distrações e modular impulsos. O estudo investigou como o fortalecimento do controle inibitório, por meio da prática de Mindfulness, pode impactar o desempenho e o comportamento dos estudantes no contexto escolar. A pesquisa foi conduzida por meio da aplicação de um questionário estruturado, que coletou percepções de docentes sobre atenção, autorregulação emocional, impulsividade e comportamentos em sala de aula. A análise dos dados identificou dificuldades recorrentes no cotidiano escolar, notadamente no controle emocional e na manutenção do foco após interrupções. Relatos reforçaram a importância de práticas pedagógicas que acolhessem as dimensões socioemocionais dos estudantes, influenciando diretamente o engajamento e a disponibilidade para aprender. Os resultados indicaram que os docentes perceberam o Mindfulness como prática potencialmente benéfica para promover atenção plena, autocontrole e um clima emocional mais equilibrado. Concluiu-se que estratégias baseadas em Mindfulness representam uma alternativa promissora para fortalecer o controle inibitório e favorecer o desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental dos estudantes, contribuindo para ambientes de aprendizagem mais saudáveis e produtivos.

Palavras-chave: Aprendizagem escolar; Autorregulação emocional; Controle inibitório; Engajamento estudantil; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Corporeidade negra: a dança afro-brasileira como prática pedagógica antirracista nos anos iniciais do ensino fundamental

Apesar da obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nas instituições de educação básica desde 2003, sua aplicação no ambiente escolar ainda ocorre de maneira limitada. Diante desse cenário, o estudo analisou de que modo a corporeidade da dança afro-brasileira pode contribuir para a efetivação dessa legislação, além de investigar seu potencial como instrumento educativo. Para isso, utilizou referências teóricas sobre relações étnico-raciais, dança afro-brasileira e educação antirracista. A pesquisa foi realizada por meio de análise documental e observação não participativa, com ações exploratórias e descritivas, em turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental 1 de uma escola privada na cidade de São Paulo. Os resultados indicaram que a utilização da dança afro-brasileira no contexto educacional constituiu uma potente prática pedagógica. Essa abordagem favoreceu o conhecimento histórico, ampliou o contato dos estudantes com saberes ancestrais, promoveu o respeito e a valorização de corpos e culturas negras, e incentivou o combate a preconceitos. Concluiu-se que a prática fortaleceu a autoestima de todos os envolvidos, contribuindo para a construção de diálogos antirracistas e para a formação de uma sociedade que conheça e valorize a pluralidade.

Palavras-chave: dança afro-brasileira; educação; educação antirracista; relações étnico-raciais.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Estratégias neurocientíficas para o atendimento de alunos com transtornos de aprendizagem.

O crescente número de alunos com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento nas escolas públicas brasileiras intensificou as demandas sobre a organização escolar e o trabalho docente, evidenciando desafios na infraestrutura, formação de professores e efetividade das políticas de educação inclusiva. O estudo objetivou propor estratégias pedagógicas fundamentadas na neurociência e analisar criticamente as políticas públicas voltadas ao atendimento de crianças com transtornos de aprendizagem, visando contribuir para a melhoria da qualidade educacional e a redução da sobrecarga docente. Realizou-se uma pesquisa qualitativa e descritiva, por meio de análise bibliográfica e documental, baseada em literatura especializada e documentos oficiais de órgãos como INEP, MEC e IBGE. Os resultados indicaram que, apesar da ampliação do acesso à escola regular, persistem limitações estruturais, pedagógicas e institucionais que impactam a qualidade do atendimento e as condições de trabalho docente, especialmente para alunos com transtornos de aprendizagem não plenamente contemplados pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE). Concluiu-se que a efetividade da inclusão escolar depende da articulação entre políticas públicas, condições institucionais e práticas pedagógicas cientificamente fundamentadas, destacando-se a necessidade de investimentos estruturais e formativos que sustentem o trabalho docente no contexto da educação inclusiva, e o guia prático desenvolvido serve como suporte efetivo.

Palavras-chave: Docência; Educação especial; Educação pública; Neurociência; Neurodivergências.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

02 de outubro de 2026

Entre a Norma e a Prática: Descompassos na Implementação da Atenção Psicossocial nas Escolas

A saúde mental na infância e adolescência, especialmente no contexto escolar, é fundamental para o desenvolvimento da aprendizagem. Buscou-se evidenciar se a implementação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas escolas, sob a Lei nº 14.819/2024, foi efetivamente aplicada neste contexto. A pesquisa baseou-se em dados obtidos do Monitoramento Nacional, conduzido pela Frente Parlamentar da Saúde Mental em parceria com o Instituto de Estudos para Políticas Públicas de Saúde. Caracterizou-se como documental, com abordagem qualitativa e delineamento descritivo-analítico, utilizando a Análise de Conteúdo de Bardin como método. Estruturou-se o estudo com ênfase na análise por unidade federativa, contemplando os níveis estadual e municipal, com recorte no estado do Ceará e no município de Fortaleza. Os resultados evidenciaram diferenças significativas na implementação da política, com predominância de ações vinculadas ao Programa Saúde na Escola (PSE), indicando limitada formalização de instrumentos de acompanhamento e monitoramento por órgãos governamentais. No Ceará, observou-se adesão às diretrizes curriculares nacionais; contudo, verificaram-se inconsistências na regulamentação e execução das ações de atenção psicossocial. Concluiu-se que o fortalecimento de políticas intersetoriais, a ampliação da atuação multiprofissional e a implementação de indicadores baseados em evidências científicas, especialmente no campo da neurociência, são fundamentais para a efetividade da atenção psicossocial no contexto escolar brasileiro.

Palavras-chave: atenção psicossocial; infância e adolescência; neurociência da educação; políticas públicas; saúde mental escolar.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Saberes docentes sobre neuroplasticidade e aprendizagem

A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência mostrou-se relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configurou-se como elemento central para a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica. O estudo objetivou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e caráter descritivo, desenvolvida por meio de levantamento de campo do tipo survey. A coleta de dados ocorreu com 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo, por meio de questionário on-line estruturado em eixos temáticos. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora a maioria dos docentes reconheça a relevância da neuroplasticidade para a aprendizagem, predominaram níveis básicos e intermediários de conhecimento, além de lacunas na formação inicial e continuada. Evidenciou-se a importância de considerar ações formativas para os profissionais da educação.

Palavras-chave: Formação docente; neurociência; neuroeducação.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurobiologia da dupla excepcionalidade: integração neuropsicofarmacológica e desafios em adultos com TEA, TDAH e AH/SD

Os transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), impactam a funcionalidade clínica e acadêmica. O estudo objetivou analisar a intersecção entre a modulação neuropsicofarmacológica e as estratégias de suporte educacional no Córtex Pré-Frontal em adultos com diagnóstico tardio de dupla excepcionalidade. Conduziu-se um estudo de caso qualitativo, por meio de observação participante de uma discente de 22 anos, com diagnóstico clínico de TEA, TDAH e AH/SD, durante o estágio supervisionado de Graduação em Enfermagem em ambiente hospitalar. Os resultados evidenciaram que, embora a intervenção medicamentosa proporcionasse estabilização neuroquímica, o ambiente hospitalar desestabilizou a cognição devido à poluição sonora e ao excesso de estímulos. Mapearam-se correlações neuropsicofisiológicas, incluindo hiperacusia, alterações do sono e rigidez de pensamento. Contudo, a implementação de pausas estratégicas para autorregulação e o fracionamento de tarefas possibilitaram o retorno do foco atencional e a execução precisa de procedimentos técnicos. Concluiu-se que a consolidação das Funções Executivas e a funcionalidade adaptativa exigem abordagens multimodais, onde o ajuste psicofarmacológico é um facilitador biológico indispensável, mas a eficácia terapêutica depende do acolhimento pedagógico e de adaptações ambientais para a inclusão efetiva do indivíduo neurodivergente.

Palavras-chave: Córtex Pré-Frontal; Funções Executivas; Neurobiologia; Psicofarmacologia.

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