Artigo

Gestão Escolar

30 de setembro de 2026

O negligenciamento de pautas étnico-raciais e a inação da gestão escolar na formação de professores

O Negligenciamento de Pautas Étnico-raciais e a Inação da Gestão Escolar na Formação de Professores

Caio Cantanhede; Marcos Cesar Rodrigues de Miranda

DOI: 10.22167/2675-6528-202602752

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O presente estudo discutiu o negligenciamento das pautas étnico-raciais e a inação da gestão escolar na formação continuada de professores, apesar das Leis 10.639/03 e 11.645/08. O objetivo foi identificar o nível de prioridade dado ao antirracismo no cotidiano escolar e propor uma metodologia de gestão para combater práticas racistas e colonizadoras. Realizou-se uma pesquisa documental, que analisou 38 pautas de Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) de uma escola pública estadual do Programa de Ensino Integral (PEI) na cidade de São Paulo, durante um ano. O estudo fundamentou-se na pedagogia libertadora de Paulo Freire, em teorias de gestão democrática e nos conceitos de Colonialidade e Epistemicídio. Os resultados indicaram que, apesar do marco legal, a implementação das leis ocorreu de forma episódica e superficial, muitas vezes restrita a datas comemorativas, evidenciando a invisibilidade dos temas étnico-raciais nas formações. A pesquisa indicou a implementação de uma metodologia de gestão, como o Design Thinking, para iniciar um projeto de mudança cultural no espaço escolar. Para isso, a coordenação pedagógica deve atuar como articuladora da formação docente, desempenhando um papel crucial na superação do verbalismo estéril e na transformação da escola em um espaço efetivo de descolonização do saber.

Palavras-chave: Epistemicídio; Formação de Professores; Gestão Escolar; Lei 10.639/03; Relações Étnico-Raciais.

1. Introdução

A luta antirracista no Brasil possui uma trajetória histórica que remonta ao século XVI, com a organização de movimentos de resistência como os quilombolas, liderados por Zumbi, e levantes como a Revolta dos Malês no século XIX. No século XX, a criação do Teatro Experimental do Negro e a formação de movimentos como o Movimento Negro Unificado, durante a ditadura cívico-militar brasileira, marcaram a intensificação dessas batalhas. Todas essas mobilizações culminaram em um marco histórico significativo: a Constituição de 1988, que estabeleceu direitos fundamentais ao povo negro e tornou a prática de racismo crime no País, um avanço notável após séculos de permissividade.

Apesar dos avanços legais, o empenho pela inclusão e justiça foi historicamente boicotado por leis que privavam o negro de expressar suas culturas, adquirir terras e acessar escolas antes da Constituição de 1988. Esse processo de exclusão é compreendido por Quijano (2005) como Colonialidade, a ideia de que o colonizador é superior ao colonizado. Essa dinâmica de poder se manifesta nas instituições, consolidando-se por meio do fenômeno do epistemicídio, conforme descrito por Carneiro (2005).

O epistemicídio consiste na ocultação, supressão ou eliminação das pautas culturais, religiosas, históricas, antropológicas e biológicas da comunidade negra, priorizando as discussões de interesse da população branca. A escola, nesse contexto, atua como um dos principais agentes do epistemicídio negro ao não abordar a literatura afro-brasileira, não debater o racismo, e não difundir o antirracismo e temas afrocentrados, negligenciando as diretrizes da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Pesquisas recentes corroboram essa realidade.

Em termos de implementação da educação antirracista no Brasil, a pesquisa de Almeida, Lima e Silva (2025), realizada pelo Instituto Alana e Instituto da Mulher Negra (Geledés), investigou 1.187 secretarias municipais de educação. Os resultados indicaram que 53% das escolas realizavam ações regulares para a aplicação das leis, 18% não desenvolviam nenhuma ação antirracista e apenas 29% implementavam medidas concretas de forma regular. O estudo apontou a predominância de ações esporádicas e episódicas, frequentemente restritas a datas comemorativas, e atribuiu a superficialidade à falta de apoio dos estados e da União aos municípios.

A pesquisa de Almeida, Lima e Silva (2025) também destaca a dificuldade na implementação das leis de educação antirracista no ensino superior, especificamente entre estudantes de Pedagogia. A disciplina de Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER), oferecida como eletiva, revelou a importância do letramento racial na formação inicial docente, que deve ser contínuo e estender-se às formações realizadas no ambiente escolar. Isso sugere que o tema do antirracismo e as Leis 10.639/03 e 11.645/08 são negligenciados nas escolas, recebendo baixa prioridade e tratamento superficial ou episódico nas pautas de formação continuada (ATPC) propostas pela coordenação pedagógica.

Diante desse cenário, este estudo se alicerça na discussão de Almeida, Lima e Silva (2025), nas abordagens da educação libertadora de Freire (2011), na educação afrocentrada e antirracista de Carine (2023) e Gomes (2017), e nas perspectivas de gestão escolar de Paro (2017), Luck (2006), Libâneo (2013), Placco (2007) e na metodologia de gestão de Brown (2017). A problemática central reside na inação da gestão escolar e no negligenciamento das pautas étnico-raciais na formação de professores, o que impede a efetivação de uma educação antirracista.

A justificativa para esta pesquisa reside na urgência de compreender e intervir nesse contexto, buscando identificar o nível de prioridade e aprofundamento do tema antirracismo nas formações continuadas, analisar o impacto dessa superficialidade na prática docente e propor estratégias de gestão para que o coordenador pedagógico possa inserir e aprofundar o antirracismo nas pautas formativas. Assim, o presente trabalho tem como objetivo identificar o nível de prioridade dado ao antirracismo no cotidiano escolar e indicar a implementação de uma metodologia de gestão para o fim de práticas racistas e colonizadoras, iniciando um projeto de mudança cultural no espaço escolar.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se pela natureza documental, buscando identificar o nível de prioridade atribuído ao antirracismo no cotidiano escolar e propor uma metodologia de gestão para combater práticas racistas e colonizadoras. Para tanto, realizou-se uma análise aprofundada de documentos pedagógicos, fundamentada em um arcabouço teórico robusto que orientou a interpretação dos dados coletados.

O estudo definiu como seu objeto empírico um corpus documental composto por 38 pautas de Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo Geral (ATPCG). Essas pautas foram coletadas de uma escola pública estadual, integrante do Programa de Ensino Integral (PEI), localizada na região central da cidade de São Paulo. A coleta abrangeu o período de um ano letivo completo, visando uma compreensão abrangente das práticas formativas.

A seleção das 38 pautas ocorreu de forma sistemática, correspondendo a todas as reuniões pedagógicas semanais desenvolvidas na instituição durante o período de um ano. Essas pautas constituíram o material primário para a investigação, permitindo observar o registro da atuação da gestão escolar, especificamente da coordenação pedagógica, no que tange à formação continuada de professores.

A análise dos dados coletados fundamentou-se em perspectivas da Educação e Gestão Escolar, com apoio teórico de Vitor Paro (2017), José Carlos Libâneo (2007), Heloísa Luck (2006), Vera Placco e Laurinda Almeida (2007) e Paulo Freire (2011). O Método Paulo Freire (2011) foi empregado como referencial para verificar a aplicabilidade dos conceitos de Práxis, Diálogo, Consciência e Palavra geradora nos documentos formativos, em relação às Leis 10.639/03 e 11.645/08.

Especificamente, analisaram-se as pautas formativas para verificar o grau de aplicabilidade de temas que visam práticas antirracistas, afrocentradas e decoloniais. Observou-se a seleção dos conteúdos, considerando sua relevância social e formativa, e a organização sequencial e progressiva dos temas previstos nas Leis 10.639/03 e 11.645/08 abordados nas formações. A pesquisa atentou-se à existência, consistência, teor e modo de abordagem dos temas étnico-raciais.

Para o segundo objetivo do estudo, que consistia em indicar uma metodologia de gestão para o fim de práticas racistas e colonizadoras, propôs-se o Design Thinking, conforme Brown (2017). Essa metodologia foi considerada um aporte para desenhar um projeto de mudança cultural no espaço escolar, alinhando-se às fases de Empatia, Ideação, Prototipagem e Implementação para apoiar a coordenação pedagógica na efetivação das leis antirracistas.

A fase de Empatia, no contexto da proposta, visou compreender as necessidades e desafios dos docentes, alunos e da comunidade escolar em relação ao racismo. A Ideação buscou gerar soluções criativas para as pautas formativas, enquanto a Prototipagem incentivou o desenvolvimento e teste de novos recursos pedagógicos. Por fim, a Implementação previu a aplicação das novas práticas e currículos em pequena escala, com monitoramento e ajustes contínuos.

Dessa forma, a metodologia empregada permitiu não apenas a análise do cenário atual das formações pedagógicas, mas também a proposição de um caminho estratégico para a gestão escolar. A articulação entre a análise documental e o referencial teórico forneceu a base para a indicação de uma abordagem de gestão que visa transformar a escola em um espaço de descolonização do saber.

3. Resultados e Discussão

A presente pesquisa buscou identificar o nível de prioridade atribuído às pautas antirracistas no cotidiano escolar e propor uma metodologia de gestão para combater práticas racistas e colonizadoras. Os resultados obtidos a partir da análise documental de 38 pautas de Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) de uma escola pública estadual do Programa de Ensino Integral (PEI) na cidade de São Paulo, durante um ano letivo, revelaram uma intensa invisibilidade e superficialidade na abordagem dos temas étnico-raciais. Esta constatação corrobora a hipótese inicial de que as Leis 10.639/03 e 11.645/08 são negligenciadas nas escolas, recebendo baixa prioridade e tratamento episódico nas formações continuadas propostas pela coordenação pedagógica.

A análise quantitativa das pautas formativas observadas demonstrou que apenas 10,8% das formações abordaram temas étnico-raciais de forma explícita, enquanto 2,7% se referiam a pautas de inclusão de modo mais genérico. A esmagadora maioria, 86,5%, dedicou-se a “outros temas”, evidenciando que o letramento racial permanece como uma questão periférica no ambiente escolar. Este cenário de marginalização e silenciamento impede que o debate pedagógico sobre racismo e diversidade ocupe a centralidade que lhe é devida, transformando-o em um assunto adjacente, frequentemente restrito a datas comemorativas, e não como um componente estrutural do currículo.

A superficialidade na abordagem dos temas étnico-raciais, conforme observado, manifesta-se no tratamento episódico e descontextualizado. Durante o ano letivo analisado, as temáticas raciais apareceram em apenas três ocasiões. Uma delas foi em razão da data de 13 de maio, rememorando a abolição da escravatura; outra, em novembro, em referência ao Dia da Consciência Negra. A terceira ocorrência esteve ligada ao desenvolvimento de habilidades previstas no currículo de História e Arte, indicando uma inserção pontual, mas não uma integração orgânica e contínua do tema no planejamento pedagógico.

Este padrão de abordagem episódica e superficial nas formações continuadas de professores, as ATPCs, reflete o que Sueli Carneiro (2005) denomina epistemicídio. Trata-se de um processo sistemático de negação e desvalorização dos saberes, histórias e culturas das populações negras e indígenas, que perpetua a hegemonia do conhecimento eurocêntrico. A escola, ao negligenciar as diretrizes legais e as pautas afrocentradas, atua como um agente desse epistemicídio, privando os docentes de um repertório sólido e seguro para abordar o antirracismo em sala de aula.

Diversos fatores contribuem para esse vazio formativo e a manutenção do epistemicídio. A pesquisa identificou o excesso de burocracia administrativa como um entrave significativo, que sobrecarrega os professores e a gestão, desviando o foco da formação pedagógica aprofundada. Além disso, a falta de preparo e a ausência de especialização dos coordenadores pedagógicos no tema antirracismo foram apontadas como elementos cruciais que impedem uma mediação eficaz e a articulação de ações formativas consistentes.

O silenciamento das pautas étnico-raciais nas formações continuadas tem um impacto direto e negativo na prática docente e, consequentemente, na experiência dos alunos. Professores que não recebem formação adequada e segura sobre o tema tendem a ignorá-lo ou abordá-lo de maneira superficial, comprometendo a efetividade das Leis 10.639/03 e 11.645/08. A difusão dessas leis no currículo oficial e oficioso da escola é fundamental, pois elas destacam a importância do tema como uma competência e habilidade a ser desenvolvida, exigindo preparo contínuo dos profissionais.

A análise das pautas formativas revelou que, em 86,5% das ocasiões, as ATPCs se concentravam em questões burocráticas e informativas, como prazos para digitação de notas, início de férias, datas de avaliações externas e logística escolar. Essa predominância de temas administrativos, conforme detalhado na Tabela 1, transformou as formações em meras réplicas de informes institucionais, distanciando-as do propósito de aperfeiçoamento constante e reflexão sobre a prática pedagógica, conforme preconizado por Libâneo (2013).

A postura da gestão escolar observada nas formações divergiu dos princípios de liderança democrática e pedagógica propostos por Paro (2017). Em vez de atuar como articuladora de processos, promotora da escuta e incentivadora da participação, a gestão limitou-se à reprodução de informações institucionais. Essa abordagem negligencia a dimensão humana e humanizada da educação, falhando em construir condições de liberdade, cooperação e pertencimento, elementos essenciais para uma gestão escolar verdadeiramente democrática e antirracista.

A ausência de diálogo e práxis, conceitos fundamentais na pedagogia libertadora de Freire (2011), foi uma lacuna notável nas formações. As expectativas de encontrar uma abordagem problematizadora, que estimulasse a reflexão crítica sobre as práticas e a realidade, foram frustradas. Quando os temas étnico-raciais surgiam, os docentes eram convidados a apresentar suas atividades de forma sucinta e cronometrada, sem espaço para aprofundamento reflexivo ou para a construção coletiva de soluções, o que resultava em um verbalismo estéril e sem transformação social.

A ineficácia das formações pedagógicas, segundo a perspectiva de Libâneo (2013), decorre da falta de fomento ao aperfeiçoamento constante e da replicação de informes institucionais. A análise das pautas e formações demonstrou uma aplicabilidade superficial dos temas antirracistas, sem densidade reflexiva ou organização sequencial e progressiva, como seria necessário para o cumprimento efetivo das Leis 10.639/03 e 11.645/08. A flexibilidade para ajustar o plano às necessidades dos alunos, um aspecto crucial em Libâneo (2011), também se mostrou deficiente.

A visão sistêmica na gestão escolar, conforme Luck (2006), enfatiza o papel do gestor como facilitador e articulador, promovendo um ambiente de participação e inovação. No entanto, a pesquisa revelou que os gestores não atuavam plenamente nesse papel, o que resultava em professores abordando os temas étnico-raciais por iniciativa própria, muitas vezes devido à compreensão pessoal da importância ou a uma demanda curricular específica, sem o suporte e a formação contínua da gestão.

A falta de letramento racial crítico na gestão escolar, como apontado por Placco e Almeida (2007), impede que o coordenador pedagógico atue como mediador eficaz entre a gestão e os docentes. A análise das pautas formativas evidenciou que o planejamento das formações era predominantemente burocrático, focado em informações da Secretaria da Educação e avisos internos, sem espaço para estudo, reflexão ou debate sobre temas pedagógicos relevantes, incluindo as questões étnico-raciais.

Para combater o epistemicídio e a inação da gestão, é fundamental compreender a relação entre linguagem e colonialismo, conforme Fanon (2008). A língua do colonizador, ao funcionar como instrumento de dominação e alienação, explica a ausência de temáticas antirracistas nos currículos e a inação dos coordenadores. A formação acadêmica de muitos gestores, anterior a 2015, frequentemente não abordava as temáticas étnico-raciais, perpetuando um padrão eurocêntrico no discurso curricular.

A necessidade de uma Gestão Escolar Democrática e Antirracista, como defendido por Gomes (2017), é crucial para promover a equidade e a diversidade étnico-racial. A gestão deve reconhecer a diversidade cultural como intrínseca à formação humana, e não como um “tema transversal” isolado. A pesquisa observou que a atuação da coordenação da escola analisada se chocava com essa perspectiva, necessitando de uma revisão das ações com base em letramento racial, formação afrocentrada e participação em debates e eventos de movimentos negros.

A formação de educadores antirracistas, segundo Pinheiro (2023), não deve ser um evento pontual, mas um processo contínuo e coletivo de desconstrução. A análise das pautas revelou que nem todos os membros da comunidade escolar eram vistos como educadores em constante formação antirracista, incluindo funcionários e pais. As formações não preparavam os educadores para pensar a educação a partir de perspectivas não ocidentalizadas e não racializadas, mantendo o epistemicídio e a invisibilidade das pautas étnico-raciais.

Diante desse cenário, a pesquisa propõe a implementação de uma metodologia de gestão, como o Design Thinking (Brown, 2017), para iniciar um projeto de mudança cultural na escola. Essa abordagem, centrada no ser humano, desafia o *status quo* e as “velhas ideias” colonizadoras, racistas e eurocêntricas, focando na empatia e na cocriação para a implementação efetiva das Leis 10.639/03 e 11.645/08.

O Design Thinking oferece suporte à coordenação pedagógica por meio de quatro fases principais. A primeira, Empatia, exige que o gestor compreenda as necessidades, desafios e sentimentos dos docentes e alunos (especialmente negros e indígenas) em relação ao racismo e à invisibilidade histórica. Isso é feito por meio de imersões, entrevistas, observações e escuta ativa, permitindo identificar como e onde o racismo opera no ambiente escolar e na prática pedagógica.

Na fase de Ideação, o coordenador pedagógico pode utilizar técnicas como o *brainstorming* e a colaboração para gerar soluções criativas e inovadoras, centradas nos professores e alunos. O objetivo é promover o protagonismo docente e discente, garantindo que as propostas formativas sejam construídas coletivamente, fazendo com que os professores se sintam pertencentes às soluções e, assim, superando o verbalismo estéril e a inação.

A fase de Prototipagem incentiva o desenvolvimento de novos recursos pedagógicos e a testagem de conteúdos e práticas em pequena escala. Por exemplo, uma nova sequência didática afrocentrada pode ser testada com um grupo reduzido de professores, que fornecerão *feedback* para refinar as pautas formativas antes da implementação em larga escala. Isso permite aprender com os erros e encaminhar soluções de forma mais eficaz.

Por fim, a fase de Implementação consiste na aplicação efetiva das novas práticas e currículos (“protótipos”) em toda a escola. O coordenador pedagógico monitora os resultados, avalia o impacto na sala de aula e promove ajustes pontuais. Essa metodologia transforma a obrigatoriedade legal em ações pedagógicas significativas, criativas e centradas nas necessidades reais dos docentes e estudantes, promovendo ativamente o fim das ideias racistas e do negligenciamento das leis étnico-raciais.

Em síntese, a pesquisa revelou que a inação da gestão escolar e o tratamento superficial das pautas étnico-raciais nas formações continuadas perpetuam o epistemicídio e impedem a efetivação de uma educação antirracista. A implementação de uma metodologia de gestão como o Design Thinking oferece um caminho estruturado para que a coordenação pedagógica atue como articuladora, mediadora e incentivadora, transformando a escola em um espaço de descolonização do saber e de promoção da justiça social, superando o verbalismo estéril e a mera burocracia.

4. Conclusão

O presente estudo buscou identificar o nível de prioridade atribuído ao antirracismo no cotidiano escolar e propor uma metodologia de gestão para combater práticas racistas e colonizadoras. Verificou-se que, apesar da existência das Leis 10.639/03 e 11.645/08, a abordagem das pautas étnico-raciais nas Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) ocorreu de forma predominantemente superficial e episódica. Observou-se que a maioria das formações se concentrava em temas administrativos e burocráticos, relegando as discussões sobre letramento racial a momentos pontuais, muitas vezes vinculados a datas comemorativas. Essa invisibilidade e o tratamento descontextualizado das temáticas étnico-raciais nas formações continuadas de professores contribuíram para a manutenção do epistemicídio e para a ineficácia da gestão escolar em promover uma educação antirracista. Identificou-se que o excesso de burocracia e a falta de preparo específico dos coordenadores pedagógicos no tema foram fatores que impediram uma mediação eficaz e o aprofundamento necessário.

Diante desse cenário, a principal contribuição deste trabalho reside na proposição do Design Thinking como uma metodologia de gestão para iniciar um projeto de mudança cultural no espaço escolar. Essa abordagem, centrada na empatia, ideação, prototipagem e implementação, oferece um caminho estruturado para que a coordenação pedagógica atue como articuladora da formação docente, superando o verbalismo estéril e a mera reprodução de informes institucionais. A aplicação dessa metodologia permite transformar a obrigatoriedade legal em ações pedagógicas significativas, promovendo a descolonização do saber e a construção de uma escola genuinamente democrática e antirracista. Sugere-se que futuras pesquisas explorem a aplicação prática do Design Thinking em diferentes contextos escolares, avaliando seu impacto na formação continuada e na efetivação das leis antirracistas, consolidando uma cultura de equidade e diversidade.

Referências Bibliográficas

Almeida, L. C.; Lima, R. M. F.; Silva, T. R. 2025. Avanços e desafios na implementação da Educação antirracista no Brasil. Educação em Revista. v. 41. São Paulo-SP, Brasil.

Brasil. Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, p.1, 10 jan. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 20 abr. 2024

Brasil. Lei 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, p. 1, 11 mar. 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 20 abr. 2024.

Brown, Tim. 2017. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Tradução de Cristina Yamagami. 1ed. Alta Books. Rio de Janeiro-RJ. Brasil.

Carine, 2023 [Referência completa não encontrada no documento original]

Carneiro, Sueli. 2005. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser: uma análise do pensamento de Michel Foucault e a questão racial. USP. São Paulo-SP, Brasil.

Constituição, 1988 [Referência completa não encontrada no documento original]

FANON, Frantz. 2020. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Sebastião Nascimento. Ubu Editora. São Paulo-SP, Brasil.

Freire, Paulo. 2011. Pedagogia do oprimido. Edição: 50ed. Paz e Terra. São Paulo-SP. Brasil.

Gomes, Nilma Lino. 2017. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. 1ed. Vozes. Petrópolis. Rio de Janeiro-RJ. Brasil.

Libâneo, José Carlos. 2013. Didática. 2ed. Cortez. São Paulo -SP, Brasil.

Lück, Heloísa. 2006. Gestão educacional: uma questão paradigmática. 2ed. Vozes. Petrópolis. Rio de Janeiro-RJ. Brasil.

Paro, Vitor Henrique. 2017. Gestão democrática da escola pública. 4. ed. Cortez. São Paulo-SP. Brasil.

Pinheiro, 2023 [Referência completa não encontrada no documento original]

Placco, Vera Maria Nigro de Souza; Almeida, Laurinda Ramalho de. 2007. O coordenador pedagógico e o espaço da mudança. 6ed. Loyola. São Paulo -SP. Brasil.

Quijano, 2005 [Referência completa não encontrada no documento original]

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Gestão Escolar

13 de outubro de 2026

Potencialidades e Limites dos Ateliês de Trabalho no Processo de Inclusão Escolar

A crescente heterogeneidade da sala de aula e as legislações inclusivas impulsionaram a busca por estratégias pedagógicas que atendam à diversidade dos alunos, destacando-se as metodologias ativas e a organização em ateliês, proposta por Celestin Freinet. Identificou-se, à luz da neurociência, as potencialidades e limites da organização do trabalho pedagógico em ateliês no processo de inclusão escolar. Para isso, realizou-se uma pesquisa descritiva do tipo levantamento de campo (survey). Aplicaram-se questionários a seis professoras do Ensino Fundamental I da rede pública de Campinas, São Paulo, que utilizavam ateliês em sua prática docente. As respostas foram analisadas qualitativamente para identificar as contribuições e limites dessa organização pedagógica para a inclusão. Os resultados revelaram que os ateliês se configuraram como uma estratégia potente para promover a personalização da aprendizagem, a interação entre pares e o desenvolvimento da autonomia dos alunos. Contudo, observaram-se limites importantes relacionados às condições concretas de trabalho docente, como o elevado número de alunos por turma, a ausência de profissionais de apoio e a falta de tempo para planejamento coletivo. Concluiu-se que, embora as professoras possuam uma concepção ampla de inclusão e conhecimento de práticas ativas, a efetividade da inclusão está diretamente relacionada às condições institucionais e estruturais da escola.

Palavras-chave: Educação inclusiva; Freinet; Metodologias ativas; Neurociência; Prática pedagógica.

Gestão Escolar

13 de outubro de 2026

Da burocracia ao reconhecimento: estratégias de gestão escolar para reduzir sobrecargas docentes

Diante da intensificação da burocracia no contexto educacional contemporâneo, especialmente no período pós-pandemia, o estudo analisou os impactos das demandas administrativas sobre o trabalho docente, considerando suas implicações para a organização escolar e a qualidade do ensino. O objetivo consistiu em investigar a percepção de coordenadores pedagógicos e diretores acerca da burocracia escolar, bem como identificar práticas de gestão capazes de reduzir a sobrecarga administrativa e promover maior equilíbrio institucional. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, com base no método de estudo de caso múltiplo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários semiestruturados aplicados a três gestores de duas instituições privadas de educação básica, sendo as respostas analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a burocracia é reconhecida como elemento necessário à organização do trabalho escolar, especialmente no que se refere ao planejamento, ao registro de avaliações e ao acompanhamento pedagógico. Contudo, quando estruturada de forma fragmentada e redundante, associou-se ao retrabalho, à perda de tempo pedagógico e à intensificação do trabalho docente. Em contrapartida, práticas de gestão colaborativa e estratégias de integração e organização dos processos demonstraram potencial para mitigar tais efeitos. Concluiu-se que a eficácia da burocracia escolar depende de sua organização em bases integradas e de sua articulação com finalidades pedagógicas.

Palavras-chave: Burocratização da educação; Cultura organizacional; Eficiência organizacional; Melhoria de processos; Valorização profissional.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Formação Docente para Competências Socioemocionais: uma análise das estratégias de gestão em Belo Horizonte – MG

Este estudo investigou as práticas de gestão que apoiam a formação docente para competências socioemocionais na rede municipal de Belo Horizonte (MG). O objetivo foi analisar as estratégias de gestão da rede municipal para a formação socioemocional, confrontando-as com as diretrizes estaduais de Minas Gerais e observando como se articulam ou se distanciam. Utilizou-se uma pesquisa qualitativa de cunho documental, que rastreou o itinerário das políticas públicas e analisou como as diretrizes foram transpostas e reorganizadas entre as esferas estadual e municipal. A análise de conteúdo, baseada em Bardin (2011), foi aplicada ao Currículo de Referência de Minas Gerais, à plataforma da Escola de Formação e ao Projeto Socioemocional. Os resultados revelaram que o município recontextualizou as diretrizes estaduais, adaptando-as às realidades locais e gerando diversidade de estratégias. Contudo, observou-se uma priorização de modelos autoinstrucionais que fragilizaram o diálogo e a troca de saberes, além de uma intensificação do trabalho docente com a atribuição de responsabilidades socioemocionais sem o devido suporte institucional. Concluiu-se que, apesar do alinhamento documental, as estratégias de gestão carecem de mecanismos efetivos para a viabilidade prática e a materialização das propostas no cotidiano escolar, necessitando de uma estrutura que sustente a complexidade da atuação docente.

Palavras-chave: Competências socioemocionais; Formação docente; Gestão escolar; Políticas educacionais.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Metodologias Ativas: Um Novo Olhar para o Fazer Pedagógico no Espaço Escolar

A educação brasileira enfrentou desafios relacionados ao engajamento, à motivação e ao protagonismo dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem, o que impulsionou a adoção de práticas pedagógicas inovadoras no contexto escolar. Investigou-se o impacto das metodologias ativas no processo pedagógico, analisando sua contribuição para o engajamento, autonomia e protagonismo dos estudantes, bem como para a ressignificação da atuação docente. A pesquisa caracterizou-se como um levantamento de campo (survey), com abordagem quantitativa, complementada por análises qualitativas de respostas abertas. Foi realizada com professores do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de questionários digitais, que abordaram a frequência de utilização das metodologias ativas, a percepção docente sobre o engajamento e a autonomia dos alunos, os desafios de implementação e os impactos no planejamento pedagógico. Os resultados indicaram que o uso das metodologias ativas favoreceu a participação dos estudantes, ampliou sua autonomia e promoveu mudanças significativas na dinâmica das aulas, além de contribuir para a transformação do papel do professor, que assumiu a função de mediador. Identificaram-se desafios como falta de tempo para planejamento, infraestrutura inadequada e necessidade de formação continuada. Concluiu-se que as metodologias ativas constituem estratégias relevantes para o aprimoramento das práticas pedagógicas e para a promoção de aprendizagens mais significativas no espaço escolar.

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Ensino-aprendizagem; Inovação pedagógica; Prática docente; Protagonismo discente.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Atividades profissionais confiáveis no estágio do curso técnico em enfermagem: avaliação do desenvolvimento de competências

A avaliação em estágios do ensino técnico em enfermagem enfrenta desafios na fragmentação de critérios e no acompanhamento do desenvolvimento discente. Objetivou-se descrever e analisar o processo de criação das Atividades Profissionais Confiáveis (EPAs) como ferramenta de gestão educacional no ensino técnico em enfermagem. Realizou-se um estudo de caso qualitativo, de natureza aplicada, em uma instituição privada de São Paulo. A pesquisa utilizou análise documental de registros institucionais, rubricas avaliativas e materiais produzidos durante a construção das EPAs, entre 2023 e 2024, com análise de conteúdo. Os resultados revelaram que o modelo avaliativo prévio apresentava limitações na fragmentação de critérios e na ausência de progressão explícita. A construção das EPAs foi mediada pela coordenação, que geriu divergências docentes e definiu critérios avaliativos. A seleção das atividades priorizou a viabilidade prática e a observabilidade nos estágios. O modelo final organizou a avaliação por níveis de confiança e explicitou a progressão, demandando alinhamento contínuo entre avaliadores e adaptação institucional. Concluiu-se que a criação das EPAs se configurou como um processo de gestão que envolveu mediação pedagógica, definição de critérios e adequação às condições institucionais.

Palavras-chave: Avaliação educacional; Educação em saúde; Estágio em enfermagem; Gestão escolar.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Tecnologia na Gestão Escolar: Automação e Qualidade nos Planos de Ensino do SENAI São Paulo

A elaboração de documentos pedagógicos, como Planos de Ensino e instrumentos de avaliação, alinhados à Metodologia SENAI de Educação Profissional (MSEP), demanda rigor técnico e frequentemente resulta em sobrecarga de trabalho para o corpo docente. Diante desse desafio, analisou-se a eficácia do “Assistente da MSEP”, um assistente virtual baseado em Inteligência Artificial Generativa (LLM), desenvolvido para otimizar o planejamento escolar. O objetivo foi avaliar sua eficácia em duas dimensões complementares: a eficiência operacional, mensurada pela redução do tempo de planejamento, e a qualidade pedagógica, validada por meio de ciclos temáticos que analisaram a fidelidade curricular e a usabilidade do sistema. A pesquisa aplicada foi conduzida em duas fases distintas: um diagnóstico quantitativo de eficiência e uma validação qualitativa estruturada em quatro ciclos temáticos, utilizando o Google Classroom. Os resultados da primeira fase indicaram uma redução de até 90% no tempo de elaboração de documentos. Na segunda fase, observou-se que a ferramenta garantiu a padronização metodológica, com 100% de fidelidade, e elevou a qualidade dos critérios de avaliação, embora tenha demandado revisão humana para cálculos de carga horária. Concluiu-se que a integração da Inteligência Artificial na gestão escolar promoveu robusta eficiência operacional e devolveu aos docentes o foco nas estratégias pedagógicas e na mediação humana do conhecimento.

Palavras-chave: Eficiência Educacional; Inteligência Artificial Generativa; Metodologia SENAI de Educação Profissional; Planejamento Pedagógico.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Políticas públicas como um elemento motivacional para estudantes: O caso do Programa de Iniciação Científica Jr. OBMEP

Políticas públicas buscam promover ações que garantam direitos e melhorias em serviços essenciais, como a educação. A pesquisa analisou o impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) na trajetória de estudantes premiados, considerando efeitos imediatos no engajamento e resultados de longo prazo em suas formações e carreiras. Para isso, realizou-se uma análise documental qualitativa de 54 depoimentos de egressos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.) que atuaram como tutores em 2025. Os relatos foram coletados por meio de um formulário Google, onde os participantes descreveram suas experiências mais marcantes como alunos do PIC Jr. Os resultados indicaram que o PIC Jr. funcionou como um elemento propulsor da motivação intrínseca, fortalecendo os sentimentos de competência, autonomia e pertencimento dos estudantes. Essa influência direcionou a decisão dos egressos em seguir carreiras na área de exatas. O papel do professor e o suporte da gestão escolar mostraram-se fundamentais para a manutenção do engajamento no ambiente escolar. Concluiu-se que o PIC Jr. consolidou-se como uma política pública eficaz na construção de projetos de vida e no fortalecimento do vínculo com o conhecimento científico.

Palavras-chave: Autodeterminação; Ensino de Matemática; Gestão Escolar; Motivação Intrínseca; Programa de Governo.

Gestão Escolar

08 de outubro de 2026

Educação, território e colapso socioambiental: análise crítica do Plano Municipal de Educação de São José dos Campos (2015-2025)

Diante das demandas impostas pelo colapso socioambiental e pelas especificidades dos territórios rurais, analisou-se a forma como o Plano Municipal de Educação (PME) de São José dos Campos (2015-2025) incorporou ou negligenciou a urgência da educação ambiental no cenário de crise climática. O estudo teve como objetivo analisar como as políticas educacionais do município contemplaram a promoção da educação ambiental crítica nos territórios rurais, à luz de categorias gramscianas que permitiram evidenciar disputas de hegemonia e processos de invisibilização territorial. Realizou-se pesquisa documental, concentrada na análise de conteúdo do PME, fundamentada em referenciais da educação ambiental crítica, da educação do campo e do debate sobre o colapso socioambiental. Os resultados indicaram limites na incorporação das especificidades territoriais e socioambientais no planejamento educacional, evidenciando a predominância de uma abordagem universalizante que tendeu a invisibilizar as realidades do campo. A pesquisa revelou possibilidades de tensionamento e reorientação das políticas públicas a partir de perspectivas críticas e territorializadas.

Palavras-chave: Colapso socioambiental; Educação ambiental; Educação do campo; Políticas educacionais; Territórios rurais.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade