Artigo

Gestão Escolar

30 de setembro de 2026

Gestão da qualidade em um cursinho pré-vestibular

Gestão da Qualidade em um Cursinho Pré-vestibular

Djanelene Cristina Amancio de Melo; Marilda Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202602830

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Este estudo investigou a desmotivação de professores e alunos em um cursinho pré-vestibular comunitário na Zona Leste de São Paulo. O objetivo foi aplicar ferramentas de Gestão da Qualidade, como o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa) e o Brainstorming, para diagnosticar e propor soluções para essa questão. Adotou-se um estudo de caso com abordagem qualitativa e quantitativa. Coletaram-se dados por meio de questionários estruturados aplicados a 22 colaboradores e 350 estudantes, além de uma sessão de brainstorming com a equipe de gestão. Os dados foram analisados para identificar variáveis causais e categorizar problemas. Os resultados revelaram que a desmotivação era multifatorial, com pontos críticos na gestão de pessoas, infraestrutura física, métodos e materiais de ensino. Identificou-se alto índice de burnout entre voluntários e defasagem na base escolar dos alunos. A percepção discente sobre a didática foi majoritariamente positiva (85% satisfatória/excelente), mas o cansaço do trabalho (35%) e a insegurança com conteúdos básicos (62%) foram obstáculos à participação e motivação. Queixas sobre ruído externo e ventilação insuficiente afetaram 70% dos respondentes. Concluiu-se que a aplicação dessas ferramentas de gestão da qualidade é uma estratégia metodológica viável para aprimorar a eficiência institucional e o impacto social do cursinho. A profissionalização da gestão, mesmo em contextos sociais e voluntários, mostrou-se essencial para a sustentabilidade do projeto e a democratização do acesso ao ensino superior.

Palavras-chave: Democratização do ensino; Educação popular; Estudo de caso; Gestão da qualidade; Gestão escolar.

1. Introdução

A história da educação brasileira é marcada pela desigualdade social, pela exclusão e pelo elitismo, apresentando um forte aspecto de mercantilização (Aragão et al., 2015) e impondo grandes desafios para o ingresso no ensino superior, sobretudo nas universidades públicas. Nesse contexto, os cursinhos pré-vestibulares surgem com o propósito de democratizar o acesso à educação superior, oferecendo oportunidades às camadas sociais menos favorecidas por meio da conscientização dos estudantes e em atendimento a demandas como as cotas sociais e raciais.

O objetivo das práticas pedagógicas dos cursinhos pré-vestibulares populares é preparar jovens das camadas historicamente excluídas da educação superior, incluindo populações populares e negras, para a aprovação no vestibular e para um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Groppo et al., 2015). Esses cursinhos comunitários ganharam força educativa e política nos anos 1990, impulsionados por movimentos sociais, como o Movimento Sem Terra e os movimentos negros, a exemplo do Pré-Vestibular para Negros e Carentes. Tais instituições visam combater a exclusão educacional e promover a justiça social, funcionando como uma pedagogia decolonial essencial para a emancipação dos jovens estudantes (Cuaspa Ropaín, 2019). A Lei de Cotas (Brasil, 2012) e o Programa Diversidade na Universidade (Lei nº 10.558/2002) reforçam a relevância desses espaços na democratização do acesso.

Além de seu viés social, um cursinho pré-universitário comunitário necessita de uma gestão eficiente para que seus objetivos sejam alcançados. A incorporação de ferramentas de gestão não é apenas um modismo, mas uma integração necessária de novos conceitos para garantir a sobrevivência institucional (Cordeiro, 2025). As práticas de gestão empresarial em ambientes nos quais a educação é o objeto principal são comuns e trazem resultados proveitosos. Para Domingos (2024), a gestão da qualidade em educação deve ser vista sob enfoques teóricos que considerem as particularidades do ambiente escolar.

A Gestão da Qualidade, quando aplicada a cursinhos populares, difere da lógica industrial ou de mercado, na qual a qualidade está centrada no produto e em sua comercialização. Na educação, ela se concentra no processo de ensino-aprendizagem e em seu impacto social. Em um cursinho comunitário, a qualidade assume uma dimensão ética, significando garantir que, mesmo com poucos recursos, o processo seja padronizado, o ambiente seja acolhedor e motivador, e que os recursos materiais e humanos sejam otimizados para evitar a evasão escolar e assegurar a qualidade do ensino ofertado, resultando na aprovação e na inclusão do maior número possível de alunos. A avaliação do rendimento escolar serve como bússola para a gestão educacional, permitindo ajustes que favoreçam o aprendizado (Sousa, 2013; Dias e Melão, 2009). É fundamental que a gestão em instituições de caráter comunitário busque o que Silva (2009) e Sordi et al. (2016) denominam qualidade social, evitando o risco de o discurso da qualidade se tornar uma retórica conservadora baseada em indicadores de desempenho frios (Gentili, 2012). Ferramentas como o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa, 1993) e o brainstorming são essenciais para uma gestão estratégica (Rosa, 2012) que não perca de vista a função social do projeto.

A desmotivação de professores e alunos em cursinhos comunitários, como o estudado, localizado na Zona Leste de São Paulo, é um problema multifatorial, que se manifesta como um sintoma de falhas operacionais passíveis de correção técnica. A profissionalização da gestão, mesmo em ambientes de caráter social e voluntário, é o caminho para garantir a sustentabilidade do projeto educacional e a efetiva democratização do acesso ao ensino superior. Este estudo de caso, portanto, justifica-se por fornecer um diagnóstico das percepções sobre infraestrutura, conteúdos e métodos, servindo como fator de reflexão para a tomada de decisões assertivas.

O trabalho reafirma a complementaridade entre eficiência educativa e compromisso social, de modo que, ao organizar os processos internos e solucionar as causas da desmotivação, a gestão e a equipe pedagógica fortalecem a missão transformadora do cursinho. Isso impacta positivamente a realidade dos jovens da Zona Leste de São Paulo, por meio do estabelecimento de condições estruturais e didático-pedagógicas adequadas, práticas afirmativas e inclusivas, contribuindo para a democratização do acesso à educação. O objetivo desta pesquisa é coletar dados sobre as dificuldades encontradas pela gestão escolar de um cursinho pré-vestibular comunitário e aplicar o Diagrama de Causa e Efeito, com o propósito de verificar se é possível, a partir da análise dos dados coletados, obter respostas concretas aos problemas identificados e, assim, orientar a tomada de decisões e a implementação de melhorias na gestão institucional.

2. Material e Métodos

O presente estudo, de natureza exploratória e descritiva, adotou a estratégia de estudo de caso, caracterizada como uma abordagem metodológica voltada à investigação aprofundada de um fenômeno dentro de seu contexto real (Gil, 2018). A pesquisa combinou abordagens qualitativa e quantitativa, buscando compreender as dinâmicas de gestão e os fatores que influenciam a motivação em um cursinho pré-vestibular comunitário. O objetivo central foi coletar dados sobre as dificuldades enfrentadas pela gestão escolar e aplicar ferramentas de gestão da qualidade para orientar a tomada de decisões.

A unidade de análise foi um cursinho pré-vestibular comunitário localizado no distrito do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Esta instituição, que atua desde 2004, dedica-se à preparação de jovens da periferia da capital paulista para o ingresso no ensino técnico e superior. A escolha do local justifica-se pela relevância de seu papel social e pela necessidade de aprimoramento de sua gestão.

Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos: a equipe de colaboradores e o corpo discente. A equipe era composta por 27 indivíduos, sendo 2 gestores responsáveis pela coordenação pedagógica e administrativa, 23 professores e 2 profissionais de apoio. Do total da equipe, 22 colaboradores participaram do estudo, representando uma taxa de adesão de aproximadamente 81%.

O corpo discente, por sua vez, contava com aproximadamente 1.000 estudantes matriculados, distribuídos nos períodos matutino, vespertino e noturno. Para a pesquisa, obteve-se a participação de 350 estudantes, o que correspondeu a uma amostra de 35% do total de alunos. Todos os participantes eram adultos saudáveis, legalmente capazes e sem impedimentos, e foram selecionados por conveniência, a partir de sua disponibilidade e interesse em contribuir com o estudo.

Para a coleta de dados primários, utilizou-se um questionário estruturado, elaborado especificamente para a instituição em estudo. As questões direcionadas aos professores abordaram sua experiência profissional, participação e avaliação como docentes de cursinho pré-vestibular. Para os alunos, as perguntas focaram no cotidiano escolar, na percepção do processo de ensino-aprendizagem, na didática aplicada e em seus anseios em relação ao cursinho.

A aplicação dos questionários estruturados foi realizada por meio da ferramenta Google Forms, o que permitiu a sistematização e organização dos dados coletados. Após a coleta, procedeu-se à análise e depuração das informações obtidas, preparando-as para as etapas subsequentes de análise metodológica.

A técnica de análise dos dados empregada foi o Diagrama de Causa e Efeito, também conhecido como Diagrama de Ishikawa ou Espinha de Peixe (Ishikawa, 1993). Esta ferramenta de gestão da qualidade foi utilizada para identificar, organizar e analisar as causas que contribuem para um problema específico, permitindo a visualização das relações de causa e efeito e a determinação das causas fundamentais (Carpinetti, 2012; Chiavenato, 2016).

Para complementar a aplicação do Diagrama de Causa e Efeito e garantir a precisão na categorização das variáveis, utilizou-se o brainstorming, uma técnica de dinâmica de grupo que promove a discussão produtiva e colaborativa (Carpinetti, 2012). Uma sessão de brainstorming foi realizada com a equipe de gestão, funcionários e professores, com a finalidade de identificar o maior número possível de causas potenciais relacionadas à motivação de docentes e discentes.

O Manual de Ferramentas da Qualidade do SEBRAE (2025) serviu como base para a sistematização do uso do Diagrama de Causa e Efeito, orientando a categorização das variáveis e a organização das informações. Os dados consolidados foram inseridos na ferramenta analítica para representação gráfica das causas e suas relações de interdependência, agrupadas conforme os principais fatores determinantes.

Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados durante toda a pesquisa. Os questionários estruturados foram encaminhados aos participantes com a garantia de consentimento livre e esclarecido, além do sigilo de suas identidades. A pesquisa foi conduzida com o compromisso de proteger a privacidade e a confidencialidade de todos os envolvidos, assegurando a integridade dos dados coletados.

3. Resultados e Discussão

A investigação sobre a desmotivação de professores e alunos em um cursinho pré-vestibular comunitário na Zona Leste de São Paulo revelou um cenário multifatorial, onde a aplicação de ferramentas de Gestão da Qualidade, como o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa) e o Brainstorming, mostrou-se eficaz para diagnosticar e propor soluções. O estudo de caso permitiu uma análise aprofundada das percepções e desafios enfrentados, evidenciando que a desmotivação não é um problema isolado, mas um sintoma de falhas operacionais e estruturais passíveis de intervenção técnica. Os achados confirmam a relevância de uma gestão profissionalizada, mesmo em contextos de caráter social e voluntário, para a sustentabilidade e o impacto educacional do projeto.

O cursinho em estudo, atuante desde 2004 no distrito do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, desempenha um papel estratégico na preparação de jovens da periferia para o ingresso no ensino técnico e superior. A equipe é composta por 27 colaboradores, incluindo 2 gestores, 23 professores e 2 profissionais de apoio, que atuam nos períodos matutino, vespertino e noturno. O corpo discente abrange aproximadamente 1.000 estudantes, com a maior densidade no período noturno, totalizando cerca de 500 alunos, o que reflete a necessidade de conciliar estudos com a jornada de trabalho. O perfil sociodemográfico predominante é de jovens e adultos de classe média-baixa e baixa, egressos da rede pública de ensino, com renda familiar de até dois salários-mínimos e faixa etária majoritária entre 13 e 20 anos. Historicamente, a instituição mantém uma taxa média de aprovação de 82% em instituições como ETECs, FATECs e outras universidades públicas.

Sistematização e análise dos dados coletados

A coleta de dados primários envolveu um universo de 1.027 indivíduos, com a aplicação de questionários estruturados a 27 colaboradores e 1.000 estudantes. Obteve-se o retorno de 22 colaboradores, o que representa uma taxa de adesão de aproximadamente 81% da equipe, e 350 estudantes, correspondendo a 35% do corpo discente. Essa amostra conferiu robustez à análise quantitativa e qualitativa dos desafios educacionais e administrativos. A sessão de brainstorming com a equipe de gestão, associada aos dados dos questionários, corroborou que a desmotivação entre profissionais e alunos é um fenômeno multifatorial, sem uma causa única, o que justifica a abordagem sistêmica das ferramentas de gestão da qualidade.

A aplicação preliminar do Diagrama de Ishikawa (6Ms) revelou pontos críticos categorizados em gestão de pessoas, infraestrutura física, método e materiais de ensino. No que tange à gestão de pessoas, identificou-se um alto índice de burnout entre os voluntários, muitos dos quais cumprem jornada dupla de trabalho. Além disso, a falta de treinamentos específicos para lidar com a defasagem escolar dos alunos foi apontada como um fator contribuinte para a desmotivação. Essa realidade sublinha a necessidade de suporte e reconhecimento para a equipe, conforme a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg, onde o sentido do trabalho é um motivador intrínseco fundamental.

A análise da percepção discente sobre a clareza da didática e o cumprimento do conteúdo programático indicou que 55% dos 350 respondentes classificaram a atuação pedagógica como satisfatória, e 30% a consideraram excelente. Isso totaliza uma percepção positiva de 85% sobre o domínio técnico dos professores, sugerindo que, apesar das limitações de recursos, a qualidade do ensino é bem avaliada. Contudo, os 15% que avaliaram a didática como regular ou insuficiente apontam para a necessidade de ajustes metodológicos, especialmente nas disciplinas de ciências exatas e da natureza, a fim de otimizar o aprendizado de todos os estudantes.

Em relação aos fatores motivacionais dos estudantes, os dados revelaram que a perspectiva de aprovação em instituições de prestígio é o principal motor para 45% dos alunos. No entanto, um dado crítico para a gestão da qualidade é que 35% dos estudantes apontaram o cansaço derivado da jornada de trabalho como o principal obstáculo à motivação, impactando diretamente a assiduidade, especialmente no período noturno. Complementarmente, 20% dos alunos destacaram o apoio pedagógico e o acolhimento institucional como fatores essenciais para mantê-los engajados no processo de aprendizagem, reforçando a importância do suporte emocional e pedagógico.

A convergência de diagnósticos entre alunos e colaboradores foi notável. Dos 22 educadores participantes, 60% identificaram a defasagem da base escolar dos alunos como o maior desafio para o cumprimento do cronograma. Essa necessidade de retomar conteúdos básicos da educação fundamental cria um paradoxo na gestão do tempo, exigindo um esforço adicional para equilibrar o nivelamento da turma com o cronograma exigido pelos vestibulares. Enquanto 18% dos colaboradores apontaram a infraestrutura como um ponto de atenção, a questão da defasagem pedagógica permaneceu como o eixo central de preocupação, demonstrando a complexidade da gestão educacional em contextos de periferia.

As queixas sobre a infraestrutura da sala de aula foram significativas, com 70% dos respondentes considerando o conforto térmico e acústico como insatisfatório. Desse grupo, 45% enfatizaram o ruído externo como o principal distrator, e 25% apontaram a ventilação precária como o maior incômodo. Esses fatores dificultam a concentração de docentes e estudantes no período noturno, afetando diretamente o engajamento e a qualidade do ambiente de aprendizagem. A iluminação e o mobiliário foram considerados insatisfatórios por 15% dos respondentes, enquanto outros 15% consideraram as condições satisfatórias, indicando uma heterogeneidade nas percepções.

No que diz respeito aos aspectos metodológicos e às condições de aprendizagem, os alunos relataram que o ritmo das aulas, excessivamente teóricas para cumprir o cronograma do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), gerava frustração na resolução de exercícios. Verificou-se que 56% dos estudantes percebiam um excesso de teoria e um ritmo acelerado, enquanto 30% consideravam o equilíbrio entre teoria e prática adequado. A falta de aprofundamento teórico foi apontada por 8% dos alunos, e 6% tinham outras opiniões. Esses dados sugerem um descompasso entre a abordagem pedagógica e as necessidades de aprendizado dos alunos, que buscam maior equilíbrio entre teoria e prática.

Quanto aos materiais de ensino, a pesquisa revelou a necessidade de apostilas e outros suportes mais alinhados à realidade dos alunos de cursinhos populares, com linguagem mais acessível e exemplos práticos. A avaliação do nível de adequação da linguagem e contextualização dos exemplos nas apostilas atuais indicou que 48% dos estudantes consideravam a linguagem muito complexa ou pouco acessível. Outros 32% classificaram o material como regular, necessitando de mais exemplos práticos, e apenas 20% o consideraram adequado à realidade. Esses resultados reforçam a importância de adaptar os recursos didáticos para facilitar a compreensão e o engajamento dos alunos.

Um aspecto crucial investigado foi a percepção de engajamento em sala de aula. Enquanto os professores sentiam falta de participação ativa dos estudantes, os alunos revelaram que o silêncio em sala muitas vezes era fruto de insegurança, e não de falta de interesse. Os dados mostraram que 62% dos alunos sentiam insegurança frente a conteúdos básicos ou anteriores, e 18% tinham medo de fazer perguntas “bobas” ou errar. O cansaço extremo após a jornada de trabalho foi um fator de inibição para 12% dos alunos, e 3% apontaram outros motivos. Essa descoberta é vital para a gestão pedagógica, pois indica que a barreira para a participação não é a apatia, mas o receio de expor lacunas de aprendizado anteriores.

A pesquisa confirmou a validade do Diagrama de Causa e Efeito como uma ferramenta eficaz para este contexto, permitindo aos gestores visualizar que a desmotivação é um sintoma de falhas operacionais passíveis de correção técnica. A gestão escolar pode atuar em frentes que minimizem o impacto da defasagem escolar, identificada por 60% dos docentes e 62% dos alunos. A análise do engajamento no cursinho em estudo revelou que a motivação interna de gestores e docentes é o que sustenta a instituição desde sua criação em 2004, diferentemente de instituições privadas, onde incentivos financeiros podem ser o principal motivador. No contexto comunitário, a motivação é predominantemente intrínseca, ligada à ética do educador e ao compromisso político e social com a transformação da vida dos jovens da periferia (Freire, 1996).

De acordo com a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg, enquanto os fatores higiênicos, como infraestrutura, ventilação e ruído, avaliados negativamente por 70% da amostra, geram insatisfação, o que gera satisfação e engajamento é o reconhecimento e o sentido do trabalho. É vital que a gestão esteja atenta ao limite entre o engajamento e o esgotamento, pois a literatura sobre o Terceiro Setor alerta para o risco da romantização da precariedade, onde o propósito social não substitui a necessidade de suporte técnico e emocional. A motivação interna precisa ser alimentada por vitórias parciais, como a manutenção da taxa de 82% de aprovação, que serve como feedback positivo e combustível para a resiliência da equipe frente aos desafios de infraestrutura e sobrecarga, reforçando a importância de uma gestão estratégica (Rosa, 2012) que valorize tanto os resultados quanto o bem-estar da equipe.

Em síntese, os resultados desta pesquisa demonstram que a desmotivação de professores e alunos no cursinho pré-vestibular comunitário é um problema complexo, enraizado em questões de gestão de pessoas, infraestrutura, métodos e materiais de ensino, e na defasagem educacional dos alunos. A aplicação do Diagrama de Causa e Efeito, em conjunto com o brainstorming, revelou-se uma estratégia metodológica robusta para identificar essas causas-raiz e orientar a tomada de decisões. Os achados reforçam que a profissionalização da gestão, focada na qualidade social e na otimização dos recursos, é fundamental para a sustentabilidade do projeto e para a efetiva democratização do acesso ao ensino superior, alinhando eficiência educativa com o compromisso social da instituição.

4. Conclusão

O presente estudo buscou coletar dados sobre as dificuldades enfrentadas pela gestão escolar de um cursinho pré-vestibular comunitário e aplicar o Diagrama de Causa e Efeito, com o propósito de verificar a viabilidade de obter respostas concretas aos problemas de desmotivação de professores e alunos, orientando a tomada de decisões e a implementação de melhorias. Verificou-se que a desmotivação era um fenômeno multifatorial, enraizado em questões de gestão de pessoas, infraestrutura física, métodos e materiais de ensino. Identificou-se um alto índice de burnout entre os voluntários, muitos dos quais enfrentavam jornada dupla de trabalho, e a falta de treinamentos específicos para lidar com a defasagem escolar dos alunos. A percepção discente sobre a didática foi majoritariamente positiva, com 85% dos estudantes classificando-a como satisfatória ou excelente. Contudo, o cansaço decorrente da jornada de trabalho e a insegurança frente a conteúdos básicos foram apontados como os principais obstáculos à motivação e participação dos alunos. Queixas sobre ruído externo e ventilação insuficiente afetaram significativamente o ambiente de aprendizagem, e os materiais de ensino foram considerados complexos ou pouco acessíveis por grande parte dos estudantes. A aplicação das ferramentas de Gestão da Qualidade, como o Diagrama de Causa e Efeito e o brainstorming, revelou-se uma estratégia metodológica robusta para diagnosticar essas causas-raiz.

A principal contribuição deste estudo reside na demonstração de que a profissionalização da gestão, mesmo em contextos sociais e voluntários, é essencial para a sustentabilidade de projetos educacionais e para a efetiva democratização do acesso ao ensino superior. Ao organizar os processos internos e solucionar as causas da desmotivação, a gestão e a equipe pedagógica fortalecem a missão transformadora do cursinho, impactando positivamente a realidade dos jovens da Zona Leste de São Paulo. Embora o estudo de caso ofereça um diagnóstico aprofundado para a instituição específica, suas limitações incluem a generalização direta dos achados para outros contextos sem validação adicional. Sugere-se que estudos futuros explorem a implementação das soluções propostas, avaliando seu impacto a longo prazo na motivação e no desempenho dos alunos, e que a metodologia seja replicada em outros cursinhos comunitários para ampliar a compreensão sobre a gestão da qualidade na educação popular.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

Metodologias Ativas: Um Novo Olhar para o Fazer Pedagógico no Espaço Escolar

A educação brasileira enfrentou desafios relacionados ao engajamento, à motivação e ao protagonismo dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem, o que impulsionou a adoção de práticas pedagógicas inovadoras no contexto escolar. Investigou-se o impacto das metodologias ativas no processo pedagógico, analisando sua contribuição para o engajamento, autonomia e protagonismo dos estudantes, bem como para a ressignificação da atuação docente. A pesquisa caracterizou-se como um levantamento de campo (survey), com abordagem quantitativa, complementada por análises qualitativas de respostas abertas. Foi realizada com professores do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de questionários digitais, que abordaram a frequência de utilização das metodologias ativas, a percepção docente sobre o engajamento e a autonomia dos alunos, os desafios de implementação e os impactos no planejamento pedagógico. Os resultados indicaram que o uso das metodologias ativas favoreceu a participação dos estudantes, ampliou sua autonomia e promoveu mudanças significativas na dinâmica das aulas, além de contribuir para a transformação do papel do professor, que assumiu a função de mediador. Identificaram-se desafios como falta de tempo para planejamento, infraestrutura inadequada e necessidade de formação continuada. Concluiu-se que as metodologias ativas constituem estratégias relevantes para o aprimoramento das práticas pedagógicas e para a promoção de aprendizagens mais significativas no espaço escolar.

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Ensino-aprendizagem; Inovação pedagógica; Prática docente; Protagonismo discente.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Atividades profissionais confiáveis no estágio do curso técnico em enfermagem: avaliação do desenvolvimento de competências

A avaliação em estágios do ensino técnico em enfermagem enfrenta desafios na fragmentação de critérios e no acompanhamento do desenvolvimento discente. Objetivou-se descrever e analisar o processo de criação das Atividades Profissionais Confiáveis (EPAs) como ferramenta de gestão educacional no ensino técnico em enfermagem. Realizou-se um estudo de caso qualitativo, de natureza aplicada, em uma instituição privada de São Paulo. A pesquisa utilizou análise documental de registros institucionais, rubricas avaliativas e materiais produzidos durante a construção das EPAs, entre 2023 e 2024, com análise de conteúdo. Os resultados revelaram que o modelo avaliativo prévio apresentava limitações na fragmentação de critérios e na ausência de progressão explícita. A construção das EPAs foi mediada pela coordenação, que geriu divergências docentes e definiu critérios avaliativos. A seleção das atividades priorizou a viabilidade prática e a observabilidade nos estágios. O modelo final organizou a avaliação por níveis de confiança e explicitou a progressão, demandando alinhamento contínuo entre avaliadores e adaptação institucional. Concluiu-se que a criação das EPAs se configurou como um processo de gestão que envolveu mediação pedagógica, definição de critérios e adequação às condições institucionais.

Palavras-chave: Avaliação educacional; Educação em saúde; Estágio em enfermagem; Gestão escolar.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Tecnologia na Gestão Escolar: Automação e Qualidade nos Planos de Ensino do SENAI São Paulo

A elaboração de documentos pedagógicos, como Planos de Ensino e instrumentos de avaliação, alinhados à Metodologia SENAI de Educação Profissional (MSEP), demanda rigor técnico e frequentemente resulta em sobrecarga de trabalho para o corpo docente. Diante desse desafio, analisou-se a eficácia do “Assistente da MSEP”, um assistente virtual baseado em Inteligência Artificial Generativa (LLM), desenvolvido para otimizar o planejamento escolar. O objetivo foi avaliar sua eficácia em duas dimensões complementares: a eficiência operacional, mensurada pela redução do tempo de planejamento, e a qualidade pedagógica, validada por meio de ciclos temáticos que analisaram a fidelidade curricular e a usabilidade do sistema. A pesquisa aplicada foi conduzida em duas fases distintas: um diagnóstico quantitativo de eficiência e uma validação qualitativa estruturada em quatro ciclos temáticos, utilizando o Google Classroom. Os resultados da primeira fase indicaram uma redução de até 90% no tempo de elaboração de documentos. Na segunda fase, observou-se que a ferramenta garantiu a padronização metodológica, com 100% de fidelidade, e elevou a qualidade dos critérios de avaliação, embora tenha demandado revisão humana para cálculos de carga horária. Concluiu-se que a integração da Inteligência Artificial na gestão escolar promoveu robusta eficiência operacional e devolveu aos docentes o foco nas estratégias pedagógicas e na mediação humana do conhecimento.

Palavras-chave: Eficiência Educacional; Inteligência Artificial Generativa; Metodologia SENAI de Educação Profissional; Planejamento Pedagógico.

Gestão Escolar

09 de outubro de 2026

Políticas públicas como um elemento motivacional para estudantes: O caso do Programa de Iniciação Científica Jr. OBMEP

Políticas públicas buscam promover ações que garantam direitos e melhorias em serviços essenciais, como a educação. A pesquisa analisou o impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) na trajetória de estudantes premiados, considerando efeitos imediatos no engajamento e resultados de longo prazo em suas formações e carreiras. Para isso, realizou-se uma análise documental qualitativa de 54 depoimentos de egressos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.) que atuaram como tutores em 2025. Os relatos foram coletados por meio de um formulário Google, onde os participantes descreveram suas experiências mais marcantes como alunos do PIC Jr. Os resultados indicaram que o PIC Jr. funcionou como um elemento propulsor da motivação intrínseca, fortalecendo os sentimentos de competência, autonomia e pertencimento dos estudantes. Essa influência direcionou a decisão dos egressos em seguir carreiras na área de exatas. O papel do professor e o suporte da gestão escolar mostraram-se fundamentais para a manutenção do engajamento no ambiente escolar. Concluiu-se que o PIC Jr. consolidou-se como uma política pública eficaz na construção de projetos de vida e no fortalecimento do vínculo com o conhecimento científico.

Palavras-chave: Autodeterminação; Ensino de Matemática; Gestão Escolar; Motivação Intrínseca; Programa de Governo.

Gestão Escolar

08 de outubro de 2026

Educação, território e colapso socioambiental: análise crítica do Plano Municipal de Educação de São José dos Campos (2015-2025)

Diante das demandas impostas pelo colapso socioambiental e pelas especificidades dos territórios rurais, analisou-se a forma como o Plano Municipal de Educação (PME) de São José dos Campos (2015-2025) incorporou ou negligenciou a urgência da educação ambiental no cenário de crise climática. O estudo teve como objetivo analisar como as políticas educacionais do município contemplaram a promoção da educação ambiental crítica nos territórios rurais, à luz de categorias gramscianas que permitiram evidenciar disputas de hegemonia e processos de invisibilização territorial. Realizou-se pesquisa documental, concentrada na análise de conteúdo do PME, fundamentada em referenciais da educação ambiental crítica, da educação do campo e do debate sobre o colapso socioambiental. Os resultados indicaram limites na incorporação das especificidades territoriais e socioambientais no planejamento educacional, evidenciando a predominância de uma abordagem universalizante que tendeu a invisibilizar as realidades do campo. A pesquisa revelou possibilidades de tensionamento e reorientação das políticas públicas a partir de perspectivas críticas e territorializadas.

Palavras-chave: Colapso socioambiental; Educação ambiental; Educação do campo; Políticas educacionais; Territórios rurais.

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