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16 de octubre de 2026

Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de verificação da Qualidade para o Ranking SICONFI

Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de Verificação da Qualidade para o Ranking Siconfi

Paulo Henrique Mariano Chaves; Gian Carlo Decarli

DOI: 10.22167/2675-6528-202603363

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A transparência e a integridade da informação contábil são requisitos fundamentais para a conformidade fiscal dos entes públicos, avaliadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio do Ranking do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI). O estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) antes do resultado oficial. A metodologia baseou-se em Ciência de Dados, utilizando a linguagem Python para a extração automatizada da Matriz de Saldos Contábeis (MSC) via Interface de Programação de Aplicações (API) do Tesouro Transparente, e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade. O projeto focou na integração de dados para garantir a simetria de prazos e entregas entre os registros contábeis e os demonstrativos fiscais. Os resultados demonstraram que a automatização do fluxo de dados permitiu a identificação antecipada de divergências, promovendo a confiabilidade da informação e a eficiência do controle interno governamental, com arquitetura estruturada para expansão às demais dimensões do ranking. A aplicação da ferramenta em dados do exercício de 2025 demonstrou seu pleno funcionamento, com 100% de conformidade nas 38 verificações de controle da Dimensão 1. Concluiu-se que a solução atuou como um modelo inovador e escalável para a modernização da gestão pública, entregando uma ferramenta capaz de mitigar inconsistências fiscais previamente à consolidação do Ranking SICONFI.

Palavras-chave: Ciência de dados; Conformidade governamental; Controle interno; Gestão pública; Inteligência de negócios.

1. Introdução

A gestão das finanças públicas no Brasil é regida por princípios de transparência e responsabilidade, fundamentados na Lei de Responsabilidade Fiscal [LRF], estabelecida pela Lei Complementar nº 101/2000 (Brasil, 2000). Essa legislação impõe aos entes federativos a obrigatoriedade de publicar instrumentos que permitam o controle social e o monitoramento pelos órgãos de fiscalização. Nesse cenário, a transparência na gestão fiscal transcende o mero cumprimento legal, tornando-se um ativo estratégico para as entidades públicas.

A capacidade de um órgão se destacar na administração pública contemporânea depende diretamente do uso analítico dos dados para a tomada de decisão, conforme apontam Davenport e Harris (2017). No contexto brasileiro, o Ranking do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro [SICONFI] atua como um termômetro de excelência, avaliando a consistência e a qualidade das informações enviadas ao Tesouro Nacional. A pontuação nesse ranking reflete a aderência dos entes federativos às normas contábeis e fiscais vigentes.

A geração do Relatório Resumido da Execução Orçamentária [RREO] e do Relatório de Gestão Fiscal [RGF] constitui exigências legais primordiais para o acompanhamento da execução orçamentária e financeira. A padronização desses documentos é regida pelo Manual de Demonstrativos Fiscais [MDF], editado pela Secretaria do Tesouro Nacional [STN] (STN, 2024), que estabelece regras rigorosas de integridade, conceitos contábeis e layouts para assegurar a comparabilidade e a fidedignidade das contas públicas. No entanto, a elaboração desses relatórios apresenta desafios operacionais significativos, dada a complexidade no cruzamento de dados orçamentários, financeiros e patrimoniais, que exige um elevado nível de precisão e mínima intervenção manual.

Historicamente, o acompanhamento das dezenas de verificações exigidas pelo Tesouro Nacional demandava um esforço predominantemente manual. Esse processo envolvia o cruzamento de relatórios em extensas planilhas, arquivos em formato Comma-Separated Values [CSV] e extratos em Portable Document Format [PDF]. Tal modelo analógico apresentava alta suscetibilidade a falhas humanas e consumia tempo significativo das equipes técnicas. Goularte (2022) destaca que a evolução do ranking de qualidade da informação exige dos entes federativos não apenas a transmissão de dados, mas uma verificação rigorosa e contínua da integridade contábil, evidenciando uma lacuna na capacidade de auditoria proativa.

Para superar esse cenário de alta complexidade e otimizar os processos de controle interno governamental, este estudo propõe uma solução inovadora. A metodologia fundamenta-se em Ciência de Dados, integrando a linguagem Python para a extração automatizada de informações, como a Matriz de Saldos Contábeis [MSC] via Interface de Programação de Aplicações [API] do Tesouro Transparente, e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade. A utilização de técnicas de storytelling e visualização de dados, conforme preconizado por Knaflic (2015), torna-se essencial para que os gestores identifiquem distorções de forma clara e acionável, transformando dados complexos em insights visuais.

Diante da problemática da alta complexidade e da ineficiência dos processos manuais de auditoria fiscal e contábil, que resultam em inconsistências e riscos de sanções para os entes federativos, justifica-se o desenvolvimento de uma ferramenta que otimize o controle interno e promova a confiabilidade da informação. Assim, o estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) do Ranking SICONFI antes do resultado oficial.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada, com abordagem descritiva, voltada ao desenvolvimento de uma solução tecnológica. O objetivo foi aprimorar a qualidade da informação fiscal e otimizar os processos de controle interno governamental. A metodologia fundamentou-se em Ciência de Dados, integrando a linguagem Python para a extração automatizada de informações e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade.

O procedimento metodológico foi estruturado em um fluxo contínuo, iniciando-se na coleta de duas fontes primárias distintas de informação. A primeira vertente focou na extração externa, capturando os relatórios já homologados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária [RREO], do Relatório de Gestão Fiscal [RGF] e da Matriz de Saldos Contábeis [MSC]. Essa etapa foi automatizada por meio da linguagem Python, consumindo a Interface de Programação de Aplicações [API] do Tesouro Transparente.

Simultaneamente, a segunda vertente englobou a base de dados interna, capturando as informações do Sistema Contábil do Estado [SCG]. A extração dos dados da MSC foi segmentada por poder (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública) e por classes, visando otimizar o processo e garantir a integridade dos dados para posterior verificação.

A Matriz de Saldos Contábeis [MSC] agregada, uma obrigação acessória, foi extraída para cada mês do exercício, e a Matriz de Encerramento [MSCE] foi coletada para o encerramento do exercício. A MSC agregada é subdividida em três matrizes: a Matriz de Saldos Contábeis Patrimonial [MSCP], a Matriz de Saldos Contábeis Orçamentária [MSCORC] e a Matriz de Saldos Contábeis de Controle [MSCC].

Após a extração, procedeu-se ao tratamento e normalização dos dados, utilizando a ferramenta Power Query e a biblioteca Pandas. Esta fase foi essencial para a padronização das informações, tratamento de valores nulos e compatibilização das chaves primárias, permitindo a conexão entre as contas do sistema estadual e as exigências da Secretaria do Tesouro Nacional [STN], conforme recomendam Davenport e Harris (2017).

Nesta etapa, realizou-se a conversão de tipos de dados para assegurar que os saldos contábeis fossem lidos como valores numéricos precisos e a padronização das nomenclaturas de contas do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público [PCASP]. A estrutura completa do PCASP vigente foi importada para o modelo de dados, em uma tabela de dimensão denominada PCASP_estendido, contendo a codificação das contas e a natureza do saldo.

Em seguida, a arquitetura do banco de dados foi estruturada no ambiente do Power BI, seguindo o modelo Star Schema. O modelo foi desenhado com tabelas fato, contendo os volumes das matrizes e extratos de entrega, e tabelas dimensão, como calendário, plano de contas e relatório de poder e órgão. Essa modelagem garantiu o desempenho das consultas analíticas e a integridade dos relacionamentos necessários para a aplicação das regras de auditoria.

A fase final do desenvolvimento consistiu na etapa de Business Intelligence, com a aplicação da linguagem Data Analysis Expressions [DAX]. Foram criadas métricas avançadas com o propósito de realizar o cruzamento entre as bases da matriz de saldo e os extratos de entrega. A utilização de técnicas de storytelling e visualização de dados, conforme preconizado por Knaflic (2015), foi essencial para a construção do painel.

O produto final desta arquitetura foi um painel de validação, uma interface interativa projetada para análise e consulta. Este painel foi desenvolvido para evidenciar divergências, monitorar o cumprimento dos prazos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e gerar alertas automatizados, propiciando a correção proativa das inconsistências antes do encerramento dos prazos legais de homologação. O escopo prático da validação delimitou-se estritamente à Dimensão 1 (Gestão da Informação) do Ranking SICONFI, para um ente da federação (ID 52), utilizando dados do exercício de 2025.

3. Resultados e Discussão

Os resultados alcançados neste estudo demonstraram a viabilidade técnica da solução proposta, evidenciando que a integração entre a linguagem Python e o Power BI é capaz de antecipar inconsistências que anteriormente seriam detectadas apenas após a publicação oficial no SICONFI. A abordagem desenvolvida representa um avanço significativo no controle interno governamental, transformando um processo reativo em um sistema de monitoramento contínuo e proativo. A seguir, detalham-se as etapas executadas e os achados iniciais, com foco na Dimensão 1 (Gestão da Informação).

Como resultado prático da automação voltada à Dimensão 1, foi desenvolvido um script em Python dedicado exclusivamente à captura do extrato oficial de entregas. Este script foi parametrizado para buscar o histórico do exercício de 2025 para o ente federativo (ID 52), permitindo a captação de dados de transmissões realizadas ao longo do ano. A extração bem-sucedida deste pipeline de dados permitiu a identificação de 119 registros de entrega para o exercício de 2025, abrangendo remessas da Matriz de Saldos Contábeis Agregada (MSC Agregada), Matriz de Saldos Contábeis de Encerramento (MSCE), Declaração de Contas Anuais (DCA), Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e Relatório de Gestão Fiscal (RGF).

Essas remessas foram provenientes de diversos Poderes e Órgãos (PO), incluindo a Assembleia Legislativa, Defensoria Pública do Estado, Governo do Estado (Executivo), Ministério Público do Estado, Tribunal de Contas do Estado, Tribunal de Contas dos Municípios do Estado e Tribunal de Justiça do Estado. A análise preliminar dos dados capturados revelou a data e hora exatas da transmissão, registradas na coluna `data_status`. Essa informação possibilitou o cálculo automatizado e a rastreabilidade da conformidade com os prazos legais de entrega, como o dia 30 do mês subsequente para a MSC mensal, o dia 30 do mês subsequente para o RREO bimestral, o dia 30 do mês subsequente para o RGF quadrimestral e o dia 30 de abril do ano subsequente para a DCA.

Após a extração, os dados do extrato de entregas foram integrados ao ambiente do Power BI, onde o Power Query foi utilizado para as etapas de tratamento e normalização. Esta fase foi crucial para a padronização das informações, o tratamento de valores nulos e a compatibilização das chaves primárias, permitindo a conexão entre as contas do sistema estadual e as exigências da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). A arquitetura do banco de dados foi estruturada no Power BI seguindo o modelo Star Schema, com tabelas fato contendo os volumes das matrizes e extratos de entrega, e tabelas dimensão como calendário, plano de contas e relatório de poder e órgão. Essa modelagem garante o desempenho das consultas analíticas e a integridade dos relacionamentos necessários para a aplicação das regras de auditoria.

No âmbito da preparação analítica no Power Query, a estratégia adotada segmentou o extrato de entregas em duas tabelas distintas: uma dedicada exclusivamente às remessas da Matriz de Saldos Contábeis e outra aos relatórios fiscais (RREO, RGF e DCA). Essa abordagem de modelagem visa facilitar as rotinas de verificação da Dimensão 1, permitindo que o sistema processe as regras de tempestividade de forma independente para cada tipo de obrigação. A tabela segmentada para relatórios fiscais permite monitorar a adimplência por quadrimestre ou bimestre de diversos Poderes e Órgãos, garantindo que o painel de verificação aponte com precisão eventuais falhas de transmissão em unidades específicas do ente. Este refinamento na estrutura de dados é essencial para a democratização da informação, transformando um volume massivo de metadados em indicadores granulares e acionáveis para o gestor (Knaflic, 2015).

Em seguida, foi construído um pipeline de extração via API, capaz de lidar com a volumetria da Matriz de Saldos Contábeis. Diferente de extrações genéricas, o script foi parametrizado para realizar a coleta segmentada por Poder e Órgão, o que evitou falhas de timeout comuns em requisições de grande porte. A utilização de funções modulares permitiu uma gestão eficiente da memória e garantiu a resiliência do processo através de lógicas de tentativa automática (retry). A implementação da lógica de extração e resiliência no script Python utilizou a biblioteca Requests e a parametrização do offset para a paginação dos dados da API do Tesouro Transparente.

A estrutura da MSC agregada é subdividida em três matrizes distintas, disponibilizadas pela API do SICONFI para extração. A Matriz de Saldos Contábeis Patrimonial (MSCP) contempla informações sobre ativos, passivos e patrimônio líquido do ente, abrangendo as Classes 1 (Ativo), 2 (Passivo), 3 (Variações Patrimoniais Diminutivas – VPD) e 4 (Variações Patrimoniais Aumentativas – VPA). A Matriz de Saldos Contábeis Orçamentária (MSCORC) registra a execução do orçamento, detalhando a previsão e realização da receita, bem como a fixação e execução da despesa, focando nas Classes 5 e 6 (Planejamento e Execução do Orçamento). Por fim, a Matriz de Saldos Contábeis de Controle (MSCC) destina-se ao registro de atos potenciais e informações que não afetam o patrimônio de imediato, além de controles específicos de transparência, compreendendo as Classes 7 (Controles de Devedores) e 8 (Controles de Credores). A Matriz de Encerramento (MSCE), conhecida como 13ª MSC, consolida todas as contas patrimoniais, orçamentárias e de controle ao final do exercício.

Após o consumo dos dados, aplicou-se o Tratamento e Normalização dos Dados, ou Data Wrangling, onde os dados foram submetidos a um processo de limpeza e normalização utilizando a biblioteca Pandas. Nesta fase, os resultados preliminares indicaram a necessidade de ajustes críticos, como a conversão de tipos de dados para assegurar que os saldos contábeis fossem lidos como valores numéricos precisos e a padronização das nomenclaturas de contas do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP). Este tratamento garantiu que os arquivos CSV gerados estivessem prontos para a modelagem no Power BI, sem a necessidade de intervenções manuais em planilhas Excel, o que representa um ganho significativo de produtividade e segurança da informação. A etapa de normalização e tipagem de dados fiscais, a estruturação das colunas de saldos e a limpeza de registros duplicados garantiram a integridade da base antes da carga analítica.

Para viabilizar as verificações das dimensões, que avaliam a consistência dos registros contábeis, foi realizada a importação da estrutura completa do PCASP vigente para o modelo de dados, na tabela de dimensão denominada `PCASP_estendido`. Esta tabela contém a codificação das contas, a natureza do saldo (Ativo, Passivo, Variações) e descritivos funcionais. Essa integração é fundamental para garantir a uniformização das práticas contábeis, permitindo que o sistema verifique automaticamente se a natureza do saldo devedor ou credor, na MSC do ente, está em conformidade com as regras estabelecidas pela STN. A utilização deste referencial normativo permitiu a identificação imediata de inconsistências de classificação das contas contábeis. Ao relacionar a MSC capturada via API com a tabela do PCASP, o modelo de dados consegue detectar, por exemplo, se contas de ativos da Classe 1 apresentaram saldos credores indevidos ou se houve utilização de subcontas em desacordo com a padronização federal. Esta abordagem automatizada materializa o conceito de democratização e clareza de dados (Knaflic, 2015), transformando a complexidade técnica do plano de contas em uma trilha de auditoria transparente e rastreável, assegurando a fidedignidade da informação contábil que compõe o Ranking SICONFI.

Para operar de forma granular, a extração foi dividida nas requisições por poder (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública) e por classes, que, em conjunto com o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) em formato CSV (extraído do Tesouro Nacional), foram combinadas. Essa estratégia de fragmentação de consultas à API do Tesouro Transparente mostrou-se essencial para combinar os dados, garantindo a integridade da Matriz de Encerramento (MSCE) para posterior verificação. Assim, o estudo alcançou seu objetivo de verificar e avaliar a qualidade da informação e das práticas contábeis nas quatro dimensões de críticas do Ranking SICONFI.

A primeira dimensão analisada, D1 (Gestão da Informação), avalia o comportamento do ente no envio das declarações MSC, RREO, RGF e DCA, com ênfase na tempestividade e na observância dos prazos legais. A ferramenta desenvolvida alcançou essa verificação de forma eficaz. A dimensão D2 (Contábil) verifica a consistência dos dados dentro da MSC, analisando se os registros respeitam a natureza das contas de ativo, passivo e variações patrimoniais, e se os saldos seguem a lógica do PCASP. A dimensão D3 (Fiscal) cruza as informações da MSC com os relatórios fiscais do RREO e RGF, verificando se os valores declarados nos documentos fiscais conferem com os dados contábeis enviados eletronicamente. Por fim, a dimensão D4 (Contábil e Fiscal) realiza o cruzamento das informações contábeis e fiscais, avaliando a consistência entre a Declaração Contábil Anual (DCA) e os relatórios fiscais RREO e RGF, e a relação entre o resultado líquido e o patrimônio com a execução orçamentária do exercício.

O pipeline de dados consolidou as 38 verificações exigidas na Dimensão 1 em três grandes pilares automatizados de controle de governança, criando uma malha fina contínua para o ente federativo. O primeiro pilar de auditoria foca na Tempestividade e Completude. A lógica do algoritmo monitora a descentralização das obrigações, garantindo que relatórios críticos (RREO, RGF e DCA) de diferentes esferas, como Executivo, Legislativo e Judiciário, sejam entregues dentro dos prazos da Lei de Responsabilidade Fiscal. O sistema cruza a data de processamento na API com os marcos regulatórios, anulando o risco de perda de pontuação por atrasos sistêmicos ou omissões bimestrais.

O segundo pilar assegura a Integridade Contábil e Prevenção de Fraudes. O grande diferencial analítico da ferramenta reside na validação matemática do balancete. O sistema foi programado para aplicar o princípio das partidas dobradas e atestar a equação contábil fundamental de forma automatizada, rastreando valores absolutos negativos indevidos, inversões da natureza das contas, saldos credores onde deveriam ser devedores, e inconsistências de continuidade temporal entre os meses. Como inovação técnica, o modelo implementou uma heurística de assinatura digital capaz de detectar manipulações artificiais de envio, como a cópia integral do balancete do mês anterior, atuando como um rigoroso filtro antifraude.

Por fim, o terceiro pilar atua na qualidade e transparência do gasto público. A ausência de Informações Complementares inviabiliza o rastreamento do dinheiro governamental. Dessa forma, a ferramenta realiza uma varredura nas matrizes orçamentárias em busca de lacunas nos metadados essenciais, exigindo a correlação exata entre a Natureza da Despesa, a Classificação Funcional e a Fonte de Recursos. Isso assegura não apenas o compliance técnico, mas a transparência social sobre como e onde os recursos públicos estão sendo aplicados.

Toda essa inteligência computacional foi estruturada por meio de medidas dinâmicas em linguagem DAX, projetadas para consolidar milhares de linhas de dados contábeis em uma interface visual acessível. O principal ganho tecnológico foi superar as limitações de ferramentas de planilhas eletrônicas, entregando à alta gestão um painel interativo capaz de processar as regras de conformidade e gerar diagnósticos em tempo real. O painel da Dimensão 1 foi desenvolvido sob a ótica do Business Intelligence, traduzindo o rigor técnico e matemático da auditoria contábil em insights visuais de fácil assimilação para a alta gestão da Secretaria de Estado da Economia do ente.

A arquitetura do painel foi dividida em zonas de navegação estratégica. No painel lateral esquerdo, foram implementados filtros de segmentação de dados (slicers) que conferem interatividade à análise, permitindo ao gestor isolar os resultados por tipos de dimensão e por ano. Essa granularidade atende à necessidade de auditoria contínua, rompendo com o modelo tradicional de análises estáticas e anuais. Os resultados obtidos aplicados à base de dados do exercício de 2025 demonstraram o pleno funcionamento da ferramenta. A seção superior do painel exibe Key Performance Indicators (KPIs) sintéticos, evidenciando que todas as 38 verificações de controle elaboradas para a Dimensão 1 foram atendidas, com 100% de conformidade. O indicador gráfico de eficiência das entregas reflete a tempestividade e a completude na remessa dos relatórios RREO, RGF e MSC por todos os poderes do Estado.

A estrutura matricial disposta na área central do painel atuou como um mapa de rastreabilidade. Nela, cada indicador das verificações de D1_00001 a D1_00038 assumiu valor binário 1 (conforme) ou 0 (inconsistente). Em um cenário real de operação governamental, a simples aparição de um indicador com valor 0 ou sinalizado em vermelho atuaria como um gatilho de auditoria em flag vermelho, permitindo que os técnicos contábeis isolassem a falha na matriz e procedessem com a correção antes da submissão final ao Tesouro Nacional. Dessa forma, o painel atingiu o objetivo principal do estudo, ao identificar inconsistências antes da data de corte de avaliação do Ranking SICONFI, substituindo a tradicional constatação reativa de erros por um processo de verificação contínua e proativa.

A dinamicidade do Ranking SICONFI exige um alto grau de adaptabilidade dos entes federativos, uma vez que a Secretaria do Tesouro Nacional revisa periodicamente os critérios de avaliação. A estrutura de validações evoluiu significativamente durante o período deste estudo. Até meados de abril de 2026, o ranking contava com 186 verificações totais, sendo 38 delas para a Dimensão 1. Posteriormente, uma consulta pública introduziu 37 novas regras provisórias, das quais 6 eram para a Dimensão 1. A publicação oficial em 28 de junho de 2026, após um balanço de inclusões e exclusões de critérios, fixou a avaliação em 210 verificações vigentes, com 44 destinadas à Dimensão 1.

Para a Dimensão 1 (Gestão da Informação), foco prático desta pesquisa, essa atualização normativa exigiu a absorção de novas regras, como validações adicionais sobre restos a pagar e destinação de recursos vinculados. No modelo analógico tradicional, a adaptação a um novo escopo de avaliação exigiria a reformulação manual de dezenas de planilhas, demandando semanas de esforço da equipe técnica para atestar a conformidade retrospectiva. Contudo, a arquitetura modular desenvolvida em Python e Power BI demonstrou, na prática, sua escalabilidade. As novas exigências, assim que disponibilizadas em consulta pública, foram parametrizadas no motor DAX em questão de horas.

Como a extração da base de dados já estava automatizada e íntegra, o sistema processou as novas regras quase instantaneamente. O painel gerou um diagnóstico em tempo real, atestando 100% de conformidade do ente 52 frente às novas exigências da Dimensão 1, eliminando a necessidade de alocar servidores adicionais para a conferência ou de realizar ajustes nos relatórios já entregues. Esse episódio validou a ferramenta não apenas como um instrumento de auditoria passiva, mas como um ativo de adaptação regulatória ágil, promovendo uma governança baseada em dados e na transparência proativa.

A quantificação dos resultados evidencia o impacto direto da automação na eficiência do controle interno e na otimização do capital humano do ente. No modelo analógico anterior, o processo de verificação da Dimensão 1 gerava gargalos operacionais específicos. Algumas verificações demandavam o esforço de dois servidores durante um dia inteiro a cada mês apenas para a conferência parcial. Adicionalmente, no encerramento do exercício contábil, fazia-se necessária uma força-tarefa de quatro servidores, dedicados por cerca de cinco dias úteis exclusivamente para revisar todas as 38 verificações da Dimensão 1 conhecidas e garantir a correção dos dados. Estima-se que esse modelo reativo consumia um total de 352 horas-homem anuais.

Com a implementação do pipeline de dados validado neste estudo, a dinâmica operacional foi transformada em um monitoramento contínuo. Após o esforço técnico de desenvolvimento da solução, a rotina de validação passou a ser estritamente mensal. O processamento passou a exigir a alocação de apenas um servidor para realizar a extração da base de dados e a análise do painel analítico, consumindo aproximadamente 96 horas-homem anuais. Esse novo fluxo tecnológico representa uma redução estimada de 72,7% no esforço operacional dedicado à Dimensão 1. O ganho mais expressivo para o órgão, contudo, reside na eliminação total da necessidade de uma força-tarefa de encerramento de exercício para estas verificações, uma vez que as análises se tornaram tempestivas. As inconsistências passaram a ser mitigadas de forma antecipada, mês a mês, permitindo que a consolidação anual ocorra de forma fluida e sem retrabalhos operacionais.

Os achados do estudo demonstram que a ferramenta de auditoria proativa, fundamentada em Ciência de Dados, é eficaz na mitigação de inconsistências fiscais na Dimensão 1 do Ranking SICONFI. A automatização da extração, tratamento e visualização de dados permitiu a identificação antecipada de divergências, garantindo 100% de conformidade nas 38 verificações iniciais e adaptando-se rapidamente às 6 novas regras introduzidas. Essa abordagem resultou em uma redução de 72,7% no esforço operacional anual, eliminando a necessidade de forças-tarefas reativas e promovendo uma gestão pública mais eficiente, transparente e alinhada às exigências da STN.

4. Conclusão

O estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) do Ranking SICONFI antes do resultado oficial. Verificou-se que a integração de tecnologias de Ciência de Dados, como a linguagem Python para extração automatizada da Matriz de Saldos Contábeis (MSC) via Interface de Programação de Aplicações (API) do Tesouro Transparente e o software Power BI para modelagem e visualização, permitiu a identificação antecipada de divergências. Os resultados demonstraram a conformidade integral do ente com as 38 verificações iniciais da Dimensão 1 para o exercício de 2025, além da rápida adaptação a seis novas regras normativas. A ferramenta consolidou três pilares de governança: tempestividade e completude, integridade contábil e prevenção de fraudes, e qualidade e transparência do gasto público, transformando a auditoria reativa em um monitoramento contínuo. Esta abordagem resultou em uma redução estimada de 72,7% no esforço operacional anual dedicado à Dimensão 1, eliminando a necessidade de forças-tarefas reativas e otimizando o capital humano. A principal contribuição reside na entrega de um modelo inovador e escalável que moderniza a gestão pública, promovendo a confiabilidade da informação e a eficiência do controle interno governamental.

Embora o estudo tenha focado na Dimensão 1, a arquitetura modular da solução foi concebida para permitir sua expansão. A complexidade técnica e o vasto volume de regras do Tesouro Nacional sugerem a replicação desta lógica para as demais Dimensões do Ranking SICONFI (2, 3 e 4) como uma perspectiva para trabalhos futuros. Tal ampliação possibilitaria a adaptação dos parâmetros de validação às diversas periodicidades exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, consolidando um ecossistema de auditoria proativa capaz de monitorar a conformidade do ente de forma sistêmica. A ferramenta, portanto, atua como um vetor de modernização tecnológica, capaz de mitigar inconsistências fiscais previamente à consolidação do Ranking SICONFI, assegurando uma governança baseada em dados e na transparência proativa.

Referências Bibliográficas

Brasil. 2000. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm>. Acesso em: 10 fev. 2026.

Davenport, T.H.; Harris, J.G. 2017. Competing on analytics: the new science of winning. 2ed. Harvard Business Review Press, Boston, MA, EUA.

Goularte, J.L.L. 2022. Análise da evolução do ranking do indicador da qualidade da informação contábil e fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional. Contabilometria – Brazilian Journal of Quantitative Methods Applied to Accounting 9(2): 118-135.

Knaflic, C.N. 2015. Storytelling com dados: um guia sobre visualização de dados para profissionais de negócios. Alta Books, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Secretaria do Tesouro Nacional [STN]. 2024. Manual de Demonstrativos Fiscais [MDF]: aplicado à União e aos Estados, Distrito Federal e Municípios. 14ed. Tesouro Nacional, Brasília, DF, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq

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16 de octubre de 2026

Previsão de alta precipitação no Rio Grande do Sul para prevenção de desastres hidrometeorológicos

Em abril de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior tragédia climática de sua história, evidenciando a necessidade de aprimorar estratégias de previsão e prevenção de desastres hidrometeorológicos. O estudo teve como objetivo desenvolver um modelo preditivo baseado em redes neurais do tipo Long Short-Term Memory (LSTM) para classificar eventos de alta precipitação no estado. Utilizaram-se dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) entre 2013 e 2025, coletados de 44 estações meteorológicas automáticas. A metodologia compreendeu a seleção de variáveis pelo algoritmo Random Forest, que identificou a precipitação total horária e a temperatura do ponto de orvalho como as features de maior poder preditivo, e a modelagem com arquitetura LSTM de duas camadas, treinada com aplicação do SMOTE para tratamento do desbalanceamento entre classes. O modelo alcançou um AUC-ROC de 0,9373 e um recall de 82,4% para eventos extremos, definidos como precipitação acima do percentil 95 da distribuição histórica (8,60 mm/hora). Demonstrou-se a capacidade de identificar a grande maioria das ocorrências de alta precipitação com antecedência, confirmando a viabilidade do uso de redes neurais LSTM para a previsão de eventos hidrometeorológicos extremos. O trabalho oferece potencial contribuição para sistemas de monitoramento climático e políticas públicas de prevenção de desastres naturais no Brasil.

Palavras-chave: Desastres hidrometeorológicos; LSTM; Precipitação extrema; Redes Neurais Artificiais; Rio Grande do Sul.

16 de octubre de 2026

Análise Espacial da Idade dos Condomínios em São Paulo como Ferramenta Estratégica para Administradoras

O adensamento habitacional em São Paulo, onde 29,4% da população reside em apartamentos, estabeleceu um mercado de gestão de condomínios altamente competitivo que demanda estratégias de prospecção baseadas em dados espaciais. O estudo objetivou mapear a evolução urbana da capital paulista por meio de algoritmos de análise espacial e indicadores de idade predial para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência competitiva. A metodologia compreendeu a extração e integração de dados públicos do CNPJ via plataforma KNIME, resultando em uma base de 32.040 condomínios, dos quais 98% foram geocodificados com a API do Google Maps. A análise macroespacial identificou que as Zonas Leste e Sul lideraram o crescimento imobiliário recente, enquanto picos de registros em 1984 e 1985 foram associados a mudanças na legislação tributária e não a ciclos construtivos reais. Paralelamente, a análise microespacial utilizou o algoritmo BallTree para comparar cada condomínio aos seus 20 vizinhos mais próximos, revelando que 29% das unidades representaram pontos de renovação local em áreas consolidadas. Os resultados foram consolidados em um dashboard interativo que permite a visualização estratégica do mercado em diferentes níveis de granularidade. Concluiu-se que a integração da ciência de dados ao território permitiu que administradoras substituíssem abordagens genéricas por prospecções personalizadas ao ciclo de vida e à realidade competitiva de cada condomínio, otimizando a alocação de recursos de marketing e a efetividade das equipes comerciais.

Palavras-chave: Algoritmo BallTree; Análise Espacial; Ciência de Dados Urbanos; Gestão Condominial.

16 de octubre de 2026

Critérios e usabilidade de documentos no processo de escolha de materiais didáticos

Um estudo analisou documentos pedagógicos que orientam a escolha de materiais didáticos no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), considerando sua relevância para a prática docente e a gestão escolar. O objetivo foi analisar a clareza, a organização e a aplicabilidade do Guia Digital do PNLD 2023 – Anos Iniciais e do Roteiro de Apoio à Análise de Materiais Didáticos do Instituto Reúna, identificando seus limites, potencialidades e implicações para a prática pedagógica. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na análise documental orientada pela técnica de análise de conteúdo. Examinaram-se aspectos como estrutura, navegabilidade, organização dos critérios, densidade textual e estimativa de tempo de leitura. A análise revelou tensões entre regulação estatal, mercado editorial e autonomia escolar, e os resultados apresentaram diferenças significativas entre os documentos. O Guia do PNLD mostrou-se extenso, tecnicamente denso e predominantemente normativo. Em contraste, o Roteiro do Instituto Reúna organizou-se de forma progressiva e didática, com recursos gráficos que favoreceram a compreensão e o uso coletivo pelas escolas. Concluiu-se que as características estruturais e discursivas dos documentos influenciam diretamente sua usabilidade e podem impactar o grau de autonomia e participação das equipes escolares no processo de escolha dos materiais didáticos.

Palavras-chave: formação docente; materiais didáticos; PNLD; políticas curriculares; processo decisório.

16 de octubre de 2026

Modelo estruturado de gestão de alto risco na saúde suplementar: eficiência operacional e coordenação do cuidado

A crescente pressão pela sustentabilidade econômico-assistencial na saúde suplementar brasileira impulsionou a adoção de modelos de gestão para populações de maior risco. O estudo objetivou descrever e analisar a estruturação e operacionalização de um modelo de gestão de uma carteira de alto risco assistencial, bem como comparar, de forma descritiva, os indicadores agregados de internações hospitalares e passagens em pronto-socorro da mesma coorte de 100 beneficiários entre 2023 e 2025. Realizou-se um estudo de caso único, descritivo e retrospectivo, integrando análise documental qualitativa e análise quantitativa descritiva de dados administrativos. O modelo foi implementado em uma operadora verticalizada, com 100 beneficiários de alto risco identificados por marcador eletrônico. O processo envolveu captação diária de eventos assistenciais, categorização por especialidade, distribuição dos casos à equipe responsável e protocolo multiprofissional de acompanhamento por 28 dias após passagens pelo pronto-socorro ou altas hospitalares. A análise documental revelou maior padronização dos fluxos, definição das responsabilidades e rastreabilidade dos acompanhamentos no modelo reformulado. Na comparação entre os períodos, as internações hospitalares diminuíram de 166 em 2023 para 52 em 2025, uma redução de 68,67%, e as passagens em pronto-socorro caíram de 238 para 130, uma variação de 45,38%. As reduções ocorreram no período em que o modelo já se encontrava incorporado à rotina institucional, configurando uma associação temporal favorável. Contudo, devido ao delineamento descritivo, à ausência de grupo de comparação e à impossibilidade de ajuste de fatores clínicos e contextuais, as variações observadas não puderam ser atribuídas exclusivamente à implantação do modelo. O estudo contribuiu ao sistematizar uma experiência organizacional de gestão de uma carteira de alto risco na saúde suplementar, oferecendo elementos para análise e adaptação em contextos institucionais semelhantes.

Palavras-chave: Coordenação do cuidado; Gestão de alto risco; Gestão populacional; Monitoramento pós-evento; Saúde suplementar.

16 de octubre de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de octubre de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de octubre de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

16 de octubre de 2026

Sistema de “Early Warning” para queda do Índice de Educação Básica em municípios brasileiros

Investigou-se a viabilidade de um sistema municipal de aviso precoce para quedas relevantes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino fundamental (anos iniciais e finais) em municípios brasileiros. O estudo objetivou prever a probabilidade de uma queda relevante do Ideb no ciclo seguinte. Para isso, combinaram-se históricos defasados do Ideb com indicadores fiscais e institucionais municipais, como a Capacidade de Pagamento (CAPAG) e o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), além de despesas municipais em educação. Utilizaram-se dados históricos, com treino em 2019 e 2021 e teste em 2023. Foram aplicados modelos de regressão logística, Random Forest, XGBoost e LightGBM, avaliados por métricas como AUC-ROC e AUC-PR. Os resultados indicaram que variáveis educacionais defasadas possuíram grande poder explicativo. A inclusão de variáveis fiscais apresentou ganhos heterogêneos e, em geral, não acrescentou poder preditivo aos modelos. Algoritmos não lineares, como XGBoost e LightGBM, mostraram ganhos de desempenho e estabilidade superiores à regressão logística, auferindo valores de AUC-ROC de até 0,805. A modelagem revelou-se mais desafiadora para os anos iniciais do ensino fundamental, com melhor performance nos anos finais. Concluiu-se que a proposta é empiricamente viável, especialmente para os anos finais, reforçando o potencial do uso de Machine Learning para monitoramento e intervenção tempestiva na gestão educacional.

Palavras-chave: Educação; Gestão municipal; Machine learning; Políticas públicas; Sistemas preditivos.