Imagem Elementos que influenciam a contratação de seguro de vida pelos brasileiros

16 de janeiro de 2026

Elementos que influenciam a contratação de seguro de vida pelos brasileiros

Autor(a): João Marcos Nogaroto Monteiro — Orientador(a): Daiana Rafaela Pedersini

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo desta pesquisa é compreender os fatores que influenciam a decisão dos brasileiros em contratar um seguro de vida. O estudo analisa a influência da renda e da educação financeira, avalia como o conhecimento sobre seguros e a percepção de sua importância afetam a adesão, e investiga o papel das influências familiares e sociais. O seguro de vida é um instrumento de proteção financeira essencial para a estabilidade familiar, oferecendo amparo em situações como falecimento, invalidez ou diagnóstico de doenças graves. Funciona como uma rede de segurança que mitiga riscos, sendo um pilar para o planejamento financeiro de longo prazo. Embora sua relevância seja reconhecida em economias desenvolvidas, o mercado de seguros de vida no Brasil ainda enfrenta desafios para sua expansão.

Apesar do crescimento recente, a adesão ao seguro de vida no Brasil permanece baixa em comparação a nações desenvolvidas. Essa lacuna exige uma investigação dos fatores econômicos, sociais, culturais e psicológicos que moldam a decisão de contratação. A complexidade dessa decisão transcende a análise de custo-benefício, envolvendo percepções de risco, níveis de educação financeira e influências do ambiente social. A compreensão dessas variáveis é crucial para que as seguradoras aprimorem suas estratégias e desenvolvam produtos alinhados às necessidades da população brasileira.

O cenário de incertezas foi intensificado pela pandemia de COVID-19, que evidenciou a necessidade de proteção financeira. O receio da doença e as dificuldades econômicas levaram muitas famílias a reavaliar suas prioridades e a perceber sua vulnerabilidade. Esse período marcou uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a valorizar mais os instrumentos de proteção diante da imprevisibilidade, conforme aponta o estudo de Pereira e Almeida (2020). O aumento da percepção de risco gerou um interesse renovado pela contratação de seguros de vida, transformando a percepção do produto na sociedade.

A contratação de um seguro de vida envolve decisões complexas. Segundo Alves (2016), a percepção de risco é fundamental, pois os indivíduos buscam proteção quando se sentem vulneráveis. Contudo, muitos brasileiros ainda enxergam o seguro como um gasto supérfluo, por restrição orçamentária ou falta de compreensão sobre seus benefícios. O desconhecimento sobre o produto e a baixa percepção de risco são barreiras significativas. Costa (2019) observa que a evolução dos produtos de seguros no Brasil não foi acompanhada por uma educação financeira eficaz, o que impede a população de entender a relevância do seguro como ferramenta de proteção patrimonial. A falta de informação sobre coberturas e custos perpetua a resistência à adesão.

A influência cultural também é relevante. O brasileiro tende a adotar uma visão de proteção financeira que privilegia o curto prazo, sem considerar riscos futuros. De acordo com Garcia (2020), a percepção sobre o seguro de vida no Brasil está ligada a um contexto cultural que favorece soluções imediatas em detrimento de medidas preventivas de longo prazo. Fatores como renda familiar e escolaridade também são determinantes. Ferreira (2019) destaca que a desigualdade econômica impede que muitas famílias de menor renda considerem o seguro de vida, cujo prêmio é visto como inacessível, reforçando a percepção de que o produto é destinado apenas às classes mais altas.

A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa e descritiva, utilizando um questionário online para coletar dados mensuráveis sobre os fatores que influenciam a contratação de seguro de vida. O objetivo foi caracterizar percepções, motivações e barreiras dos consumidores sem manipular variáveis. A amostragem foi probabilística para garantir a representatividade da população brasileira e a generalização dos resultados, focando na análise de dados primários para identificar padrões e relações que afetam a decisão de compra.

O questionário foi estruturado em quatro seções. A primeira coletou dados demográficos e socioeconômicos (faixa etária, gênero, escolaridade, renda familiar, estado civil). A segunda explorou a percepção sobre seguros de vida, com perguntas sobre o nível de conhecimento e a importância atribuída ao produto. A terceira investigou influências externas, como o papel da família, redes sociais e publicidade. A quarta seção focou nos obstáculos percebidos na contratação, abordando questões econômicas, culturais e educacionais. A coleta de dados foi realizada pela plataforma Google Forms, com divulgação em redes sociais e e-mail para alcançar um público diversificado.

A amostra foi composta por 500 brasileiros de 18 a 65 anos. Os critérios de inclusão exigiam residência no Brasil e ensino fundamental completo. Antes da aplicação, o questionário foi submetido a um teste piloto com 30 pessoas para garantir sua clareza. A análise dos dados iniciou-se com estatística descritiva para observar as distribuições das variáveis, com atenção a fatores como percepção de risco e conhecimento do produto, que, segundo a literatura (Alves, 2016; Costa, 2019), influenciam a adesão. Aspectos éticos foram observados, com um termo de consentimento informado garantindo a confidencialidade e o anonimato dos participantes.

A análise da amostra de 500 entrevistados (18 a 65 anos) mostrou que a maioria dos participantes se situava na faixa etária de 25 a 45 anos (63%), perfil que demonstra maior preocupação com o planejamento financeiro de longo prazo. Em relação à escolaridade, 58% dos entrevistados possuíam nível superior completo, um dado que se alinha com as observações de Costa (2019) sobre a correlação positiva entre o grau de instrução e a adesão ao seguro de vida. Indivíduos com maior escolaridade tendem a ter uma compreensão mais aprofundada da importância do seguro como ferramenta de proteção.

Houve leve predominância de mulheres (52%) na amostra, o que pode refletir uma maior preocupação com a segurança financeira da família, conforme sugerido por Martins (2017). Culturalmente, as mulheres ainda são frequentemente vistas como gestoras do bem-estar familiar, o que pode incliná-las a decisões proativas de proteção. O estado civil também se mostrou relevante, com 65% da amostra sendo composta por indivíduos casados ou em união estável. Este dado é consistente com as descobertas de Garcia (2020), que apontam que a presença de dependentes aumenta a motivação para contratar um seguro de vida, tornando a proteção do padrão de vida familiar uma prioridade.

Os fatores socioeconômicos, especialmente a renda, emergiram como determinantes fortes. Observou-se uma disparidade acentuada: 72% dos participantes com renda superior a 10 salários mínimos possuíam seguro de vida, em contraste com apenas 25% daqueles com renda inferior a 3 salários mínimos. Estes dados confirmam os achados de Santos (2018), que indicam uma influência direta da renda na adesão a produtos financeiros. Para as classes de maior poder aquisitivo, o seguro é um investimento essencial, enquanto para as de menor renda, o custo do prêmio é frequentemente uma barreira, reforçando a percepção de que o produto é um luxo.

Fatores psicossociais também desempenham um papel crucial. A pesquisa revelou que participantes que relataram maior insegurança financeira ou que vivenciaram eventos de risco, como doenças graves na família, estavam mais propensos a contratar um seguro. Este achado corrobora a análise de Ferreira (2019), que sugere que fatores emocionais e experiências prévias com adversidades moldam a percepção de risco. A contratação, nesses casos, é motivada por um desejo de prevenção e segurança emocional. A preocupação com o futuro dos entes queridos torna-se um catalisador para a ação.

A influência do círculo social, particularmente da família, foi destacada como um fator decisivo. Cerca de 55% dos participantes afirmaram que a recomendação de familiares foi importante em sua decisão, reforçando o estudo de Garcia (2020) sobre o papel central da família nas decisões financeiras. As discussões sobre segurança financeira no núcleo familiar criam um ambiente propício à conscientização. Em contrapartida, a influência das redes sociais mostrou-se mais significativa entre os jovens (18-34 anos), com 45% deste grupo mencionando as plataformas digitais como fonte de informação. Este fenômeno, alinhado aos estudos de Souza (2021), aponta para uma mudança geracional no consumo de informação sobre produtos financeiros.

A análise regional expôs as desigualdades do Brasil. As regiões Sudeste e Sul apresentaram os maiores índices de adesão (62% e 60%, respectivamente), refletindo maior desenvolvimento econômico e acesso a produtos financeiros. Em contraste, as regiões Norte e Nordeste registraram os menores índices (28% e 35%), onde barreiras como menor renda e falta de informação são mais proeminentes. Estes dados estão em consonância com as pesquisas de Silva (2015) e Ferreira (2019), que associam o desenvolvimento regional à penetração do mercado de seguros. A superação dessas disparidades exige estratégias adaptadas às realidades locais.

O impacto da pandemia de COVID-19 foi notável, com 40% dos entrevistados afirmando que passaram a considerar mais seriamente a contratação de um seguro de vida após o início da crise sanitária. O aumento da percepção de vulnerabilidade impulsionou essa mudança de mentalidade, como observado por Pereira e Almeida (2020). No entanto, apesar da maior conscientização, a conversão em contratações efetivas ainda enfrenta as barreiras financeiras e de conhecimento. Este cenário representa uma oportunidade para as seguradoras inovarem, oferecendo produtos mais flexíveis e alinhados às novas necessidades do consumidor, como sugere Fromm (2024).

Aspectos psicológicos, como a procrastinação e a percepção de que a morte é um evento distante, foram identificados como barreiras significativas, especialmente entre os mais jovens. A desconfiança em relação à transparência das seguradoras e a falta de clareza sobre os termos do contrato geram hesitação, reforçando a necessidade de uma comunicação mais empática e acessível por parte das seguradoras para construir confiança e superar as barreiras que limitam a expansão do mercado.

A pesquisa sobre os fatores que influenciam a contratação de seguro de vida revelou um panorama complexo, onde variáveis socioeconômicas, culturais e psicológicas se entrelaçam. Os achados indicam que a renda e o nível de escolaridade são os determinantes mais poderosos, criando uma nítida divisão no acesso a este tipo de proteção. A baixa adesão nas classes de menor renda e escolaridade não reflete falta de percepção da importância do produto, mas sim a existência de barreiras estruturais, como o custo e a falta de conhecimento. A influência familiar destacou-se como um forte catalisador, enquanto as redes sociais emergem como um canal de relevância para os mais jovens, apontando para a necessidade de estratégias de comunicação segmentadas.

As implicações práticas destes resultados direcionam para a necessidade de uma transformação no mercado segurador. As seguradoras precisam desenvolver produtos mais acessíveis e personalizados, que considerem as disparidades regionais e socioeconômicas. A simplificação da linguagem contratual e a maior transparência são fundamentais para construir a confiança do consumidor. Além disso, investir em programas de educação financeira é crucial para desmistificar o seguro de vida e demonstrar seu valor como ferramenta de planejamento familiar. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a decisão de contratação de seguro de vida pelos brasileiros é um fenômeno multifacetado, influenciado predominantemente por fatores socioeconômicos como renda e escolaridade, pela percepção de risco, pelo nível de conhecimento sobre o produto e pelas dinâmicas de influência social e familiar.

Referências:
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SPILLER, Eduardo Santiago; SILVA, Mônica Ferreira da. SINAF seguros. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 8, n. 4, p. 1-14, out./dez. 2004.

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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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