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26 de octubre de 2026

Gerenciamento de Riscos na Logística de Sequenciamento de Containers para a Instalação de uma Planta Industrial

Pedro Manoel do Nascimento Junior; Fabiano José Stocco de Campos

DOI: 10.22167/2675-6528-202601322

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Em um cenário de crescente complexidade das operações logísticas internacionais e intensificação da concorrência, investigou-se a implementação da gestão de riscos na logística de sequenciamento de contêineres para a instalação de uma planta industrial no setor automotivo. O estudo objetivou identificar, analisar e desenvolver estratégias para minimizar os riscos associados ao transporte de equipamentos desde a origem internacional até a fábrica em Sorocaba-SP. Adotou-se uma pesquisa aplicada, com abordagem quali-quantitativa, por meio de um estudo de caso com observação participativa. Utilizaram-se as diretrizes do PMBOK e o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) como fundamentação para estruturar o processo de gestão de riscos. Os resultados revelaram que a aplicação consistente das ferramentas permitiu a identificação de riscos críticos, sua priorização por meio de uma matriz de probabilidade e impacto, e a implementação de ações corretivas e preventivas eficazes. O transporte terrestre destacou-se como o principal fator de risco, responsável pela maioria dos atrasos. A utilização de indicadores e ferramentas estatísticas, como o gráfico de Pareto, mostrou-se essencial para direcionar as ações de mitigação. Concluiu-se que uma gestão de riscos bem estruturada eleva a previsibilidade logística, aprimora a tomada de decisões e contribui significativamente para o êxito de projetos industriais complexos.

Palavras-chave: Cadeia de suprimentos; Estudo de caso; PDCA; PMBOK; Setor automotivo.

1. Introdução

O cenário empresarial contemporâneo, marcado por crescente complexidade, globalização e intensa concorrência, exige das organizações uma capacidade aprimorada de gerenciar projetos complexos. A gestão de riscos emerge como pilar estratégico, essencial para mitigar incertezas que podem comprometer prazos, elevar custos e impactar a qualidade. Projetos industriais, em particular, estão intrinsecamente expostos a falhas que, se não gerenciadas proativamente, resultam em perdas financeiras e danos à reputação. A previsibilidade e a resiliência operacionais são, portanto, imperativos para a sustentabilidade dos negócios em um mercado volátil (NGUENHA et al., 2026).

A complexidade se acentua nas cadeias de suprimentos globais, especialmente no setor automotivo. O transporte internacional de equipamentos para a instalação de novas plantas industriais, frequentemente realizado via contêineres, envolve uma teia intrincada de fornecedores, múltiplos modais e regulamentações aduaneiras. Essa interdependência cria um ambiente propenso a atrasos, falhas operacionais e danos à carga, capazes de desestabilizar o cronograma do projeto. A gestão de riscos na cadeia de suprimentos, portanto, torna-se crucial para assegurar a continuidade das operações e a eficácia dos fluxos logísticos (CARNEIRO et al., 2021). A entrega de itens fora de sequência, atrasos na liberação ou problemas no transporte da última milha podem resultar em paradas na montagem, retrabalho e elevação de custos.

A gestão de riscos tem evoluído, com a adoção de abordagens sistematizadas que integram princípios de gerenciamento de projetos com tecnologias e técnicas analíticas. Essa combinação permite identificação e avaliação precisas de ameaças, além do desenvolvimento de estratégias de mitigação eficazes, aprimorando a tomada de decisões e fortalecendo a resiliência logística (MARTON; PEREZ; FERREIRA, 2024). Para estruturar esse gerenciamento, as diretrizes do Project Management Institute (PMI), como o Guia PMBOK (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, 2021), enfatizam processos definidos para identificação, análise, planejamento de respostas e monitoramento contínuo dos riscos. Complementarmente, o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), popularizado por W. Edwards Deming (DEMING, 1986), oferece uma estrutura sistemática para a melhoria contínua e o controle de processos, permitindo planejar, executar, verificar resultados e agir para corrigir desvios, sendo aplicável à gestão de riscos logísticos por sua natureza iterativa e foco na otimização (CAMPOS, 2004).

A relevância da gestão de riscos na logística é corroborada por dados empíricos que evidenciam a alta vulnerabilidade das cadeias de suprimentos a interrupções. O transporte terrestre, por exemplo, é frequentemente um dos principais fatores de risco em operações logísticas complexas, responsável por uma parcela significativa dos atrasos e incidentes, atingindo em alguns contextos até 80% das ocorrências (MANGLA et al., 2022). Em projetos industriais, a pontualidade e sequência das entregas são cruciais, e a dependência de múltiplos fornecedores e a variabilidade das condições de transporte amplificam a exposição a riscos. A falta de visibilidade e coordenação contribuem para a ineficiência e imprevisibilidade, tornando a mitigação uma prioridade estratégica para o sucesso de projetos (SODHI; TANG, 2021; IVANOV, 2022).

Diante da complexidade inerente às operações logísticas internacionais e da necessidade premente de otimizar o sequenciamento de contêineres para a instalação de plantas industriais no setor automotivo, justifica-se a investigação aprofundada sobre a aplicação de metodologias de gestão de riscos. Compreender como ferramentas e diretrizes podem elevar a previsibilidade e mitigar interrupções é fundamental para o sucesso de empreendimentos de grande porte. Assim, o presente artigo busca identificar, analisar e propor estratégias eficazes para a gestão de riscos na logística de sequenciamento de contêineres, com o intuito de minimizar os impactos adversos associados ao transporte de equipamentos desde a origem internacional até a fábrica em Sorocaba-SP, contribuindo significativamente para a eficiência e o êxito de projetos industriais complexos.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi classificado como uma pesquisa aplicada, adotando uma abordagem metodológica mista, que combinou elementos qualitativos e quantitativos. Os objetivos da investigação foram de natureza descritiva e exploratória, buscando aprofundar o entendimento sobre o fenômeno em questão e propor soluções práticas. A escolha pela pesquisa aplicada justifica-se pela intenção de gerar conhecimento diretamente útil para a melhoria de processos reais, especificamente no sequenciamento logístico de contêineres, conforme preconizado por Gil (2017).

O desenho da pesquisa empregou o método de estudo de caso, considerado adequado para analisar fenômenos contemporâneos em seu contexto real, especialmente quando as fronteiras entre o fenômeno e o ambiente não são claramente delimitadas (Yin, 2015). Adicionalmente, a pesquisa incorporou características da pesquisa-ação, na qual o pesquisador se envolveu ativamente no ambiente estudado, contribuindo para a compreensão e aprimoramento das práticas observadas, conforme a metodologia proposta por Thiollent (2011).

O contexto do estudo foi uma operação logística complexa, focada na instalação de uma nova unidade industrial no setor automotivo, localizada na cidade de Sorocaba, São Paulo. A unidade de análise concentrou-se na logística de transporte e sequenciamento de contêineres, que continham equipamentos essenciais para a montagem da fábrica. O período da pesquisa abrangeu a execução do projeto, permitindo a observação direta e o acompanhamento das atividades de planejamento, monitoramento e gerenciamento de riscos ao longo do tempo.

Para fundamentar teoricamente a investigação e subsidiar a interpretação dos dados coletados, realizou-se uma revisão bibliográfica abrangente. As buscas foram conduzidas em bases de dados acadêmicas reconhecidas, como Google Scholar, Scopus e ScienceDirect, além de periódicos científicos especializados. Também foram consultadas obras clássicas e referências consolidadas nas áreas de logística, gerenciamento de projetos, qualidade e metodologia científica, visando integrar contribuições contemporâneas com autores consagrados.

Na etapa de revisão bibliográfica, foram utilizadas palavras-chave em português e inglês, de forma isolada e combinada, para ampliar o alcance da busca. Termos como “gestão de riscos”, “logística internacional”, “cadeia de suprimentos” e “PDCA” foram empregados. Os critérios de seleção incluíram aderência direta ao tema, priorização de publicações recentes (últimos cinco anos) sobre gestão de riscos e resiliência, inclusão de obras clássicas, disponibilidade do texto completo e relevância para operações logísticas complexas. Materiais com baixa aderência ou fragilidade metodológica foram excluídos.

A coleta de dados em campo, na fase prática do estudo, envolveu a análise de informações operacionais e documentais. Foram examinadas planilhas de embarque, registros de entrega, cronogramas logísticos, anotações de incidentes, documentos internos de monitoramento e materiais de apoio utilizados em reuniões do projeto. Esses documentos foram cruciais para compreender o fluxo logístico, as datas planejadas e executadas, os fornecedores envolvidos e os pontos críticos identificados durante o processo.

Simultaneamente à análise documental, empregou-se a observação participante, com o pesquisador imerso na rotina do projeto. Essa imersão incluiu a participação em reuniões de coordenação, debates sobre prioridades logísticas e avaliações dos impactos dos atrasos nas fases de instalação. A coleta de informações também abrangeu a identificação e sistematização dos riscos detectados, que foram documentados, categorizados e avaliados conforme sua natureza, frequência, probabilidade de ocorrência e impacto no cronograma e nas operações.

A metodologia do projeto foi estruturada com base nas orientações do Project Management Institute (PMI, 2021) e no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), que serviu como principal ferramenta de suporte à gestão de riscos. A escolha do PDCA justificou-se por sua eficácia em contextos que demandam planejamento rigoroso, execução controlada, monitoramento contínuo e aprimoramento progressivo, elementos essenciais para a gestão de riscos logísticos.

A fase de planejamento (Plan) envolveu o levantamento do fluxo logístico e o mapeamento das atividades de sequenciamento de contêineres, desde a origem internacional até a chegada à planta industrial. Identificaram-se os principais agentes envolvidos e os riscos potenciais, como atrasos no transporte e falhas de comunicação. Na fase de execução (Do), os riscos identificados foram organizados em listas e planilhas de controle, sendo avaliados conforme a dinâmica real do projeto, com discussões sobre ações preventivas e corretivas.

No estágio de verificação (Check), os riscos foram analisados sistematicamente por meio de uma matriz de probabilidade e impacto 5×5, que permitiu classificar os eventos por criticidade. Registros de falhas e incidentes logísticos foram examinados, e o gráfico de Pareto foi utilizado para identificar os fatores de maior impacto. Na fase de ação (Act), os resultados subsidiaram a proposição de melhorias, com estratégias de mitigação para reduzir atrasos e aumentar a previsibilidade, evidenciando a importância do aprendizado contínuo.

Os métodos de análise dos dados combinaram a dimensão qualitativa, por meio da observação do fluxo logístico, análise do contexto operacional e interpretação dos riscos, com a dimensão quantitativa, que envolveu a coleta e análise de dados operacionais, registros de incidentes, categorização de riscos em matrizes de probabilidade e impacto, e uso de ferramentas visuais como gráficos de Pareto. A interpretação dos dados foi realizada de forma comparativa com a literatura, conferindo robustez acadêmica à análise.

Em relação aos aspectos éticos, o estudo baseou-se exclusivamente em dados operacionais e organizacionais, garantindo a confidencialidade e a proteção da identidade da empresa e dos participantes. Não foram coletadas informações sensíveis de ordem pessoal, nem realizados procedimentos que envolvessem experimentação em seres humanos, animais ou interferência com o meio ambiente. Uma limitação metodológica identificada foi a condução da pesquisa em um ambiente particular, o que pode restringir a extrapolação dos achados para outros contextos.

3. Resultados e Discussão

Os resultados alcançados nesta pesquisa foram enriquecidos por meio da análise conjunta dos dados operacionais, das tabelas de controle logístico e dos registros de eventos descritos no estudo. A discussão foi organizada de acordo com as fases metodológicas do ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), possibilitando a conexão entre os achados práticos e as publicações recentes sobre gerenciamento de riscos e logística global. Esta abordagem sistemática permitiu uma compreensão aprofundada das dinâmicas de risco inerentes ao sequenciamento de contêineres para a instalação de uma planta industrial, fornecendo insights valiosos para aprimorar a previsibilidade e a resiliência das operações logísticas.

Planejamento dos Riscos Logísticos (Plan)

A fase de planejamento, que se alinha com a etapa “Plan” do ciclo PDCA, envolveu a agregação e análise de informações operacionais detalhadas. A visualização unificada dos dados relacionados aos envios, englobando volumes, datas estimadas e prioridades operacionais, foi demonstrada nas planilhas de embarque.

Fonte: Empresa de importação

Figura 1. Relação de embarques

A Figura 1 exibe uma planilha operacional minuciosa, que mostra a lista dos envios de equipamentos e componentes voltados para o projeto industrial, proporcionando uma compreensão abrangente do fluxo logístico global. A configuração da tabela destaca fatores essenciais para gerenciar a ordem dos contêineres, incluindo a origem, etapas do processo, fornecedor, datas de envio (ETD), datas previstas de chegada (ETA), situação da entrega e identificação dos pedidos. O exame desses dados destacou a complexidade inerente ao planejamento logístico, especialmente devido à variação nas datas de chegada e à necessidade crítica de priorização de acordo com o cronograma de instalação. Essa complexidade é um reflexo direto da natureza global e interconectada das cadeias de suprimentos modernas, onde múltiplos fornecedores e transportadores contribuem para um fluxo de materiais que deve ser meticulosamente orquestrado (DOLGUI; IVANOV; SOKOLOV, 2021). A uniformização desses dados possibilitou uma rastreabilidade e supervisão das operações, sendo crucial para o planejamento eficaz da logística. De acordo com Wang et al. (2023), a transparência das informações ao longo da cadeia é um dos elementos mais importantes para a eficácia na administração logística, pois permite que os gestores tenham uma visão clara do status de cada remessa e possam tomar decisões proativas.

Constatou-se que as remessas estão alocadas em diversos processos de produção, com ênfase em áreas como “Body Booth Introdução” (com uma quantidade ampliada de produtos), “PTED” e “Pre-treatment”. Essa organização sugere que a ordem dos contêineres está intimamente relacionada às etapas do projeto industrial, necessitando de uma coordenação intrínseca entre a entrega dos materiais e o planejamento da instalação. A falha nessa coordenação pode resultar em atrasos significativos na montagem e elevação dos custos operacionais, comprometendo o início das atividades da fábrica. A literatura corrobora que a sincronização entre a logística de entrada e as fases de produção é um pilar fundamental para o sucesso de projetos industriais complexos (KERZNER, 2017).

Além disso, a análise da Figura 1 revelou a existência de diversos envios vinculados ao mesmo processo, o que eleva a complexidade da gestão logística. Essa situação é típica de cadeias de suprimentos fragmentadas, nas quais é necessário integrar diferentes fornecedores e remessas, aumentando a probabilidade de descoordenação e atrasos (DOLGUI; IVANOV; SOKOLOV, 2021). A variação nas datas de envio e recebimento, com períodos bastante reduzidos entre o envio e a recepção em algumas situações e variações significativas em remessas alternativas, indica uma falta de consistência nos prazos logísticos. Esse comportamento pode estar associado a fatores como variações de rotas e modais de transporte, restrições portuárias e dificuldades com transportadoras, evidenciando as incertezas logísticas inerentes ao transporte internacional (SODHI; TANG, 2021). A dependência de poucos fornecedores, como Takisha e Parker, para múltiplos itens, também foi identificada como um risco potencial, pois qualquer interrupção na operação desses fornecedores pode gerar atrasos generalizados em diversas etapas do projeto.

A observação da planilha, especialmente por meio das colorações utilizadas, permitiu identificar potenciais riscos, tais como a concentração de datas de chegada semelhantes, indicando a possibilidade de sobrecarga nas operações de recebimento. Essa sobrecarga pode levar a gargalos no descarregamento, restrições de espaço e pressão excessiva sobre as equipes envolvidas. Conforme Ivanov (2022), redes logísticas com elevado grau de interdependência tendem a apresentar maior vulnerabilidade a efeitos em cadeia, onde um atraso em uma etapa pode desencadear uma série de problemas subsequentes. A alta concentração de envios em determinados períodos, notadamente nos meses de outubro e novembro, sugere aumentos súbitos na demanda operacional, maior pressão sobre as operações logísticas e de armazenagem, e elevação da probabilidade de atrasos simultâneos. Esse padrão de concentração temporal é apontado na literatura como um fator crítico de risco logístico, pois reduz a flexibilidade operacional e a capacidade de resposta a imprevistos (KATSALIAKI; GALETSI; KUMAR, 2021).

Apesar dos aspectos favoráveis, como o alto nível de detalhamento das informações, a estruturação padronizada dos dados e a boa visibilidade do fluxo logístico, a análise também revelou limitações significativas. A necessidade de controle manual, a ausência de automação e integração entre sistemas, as dificuldades na análise preditiva e o risco de inconsistências nos dados são pontos críticos. Segundo Queiroz, Ivanov e Dolgui (2021), a transformação digital é essencial para aprimorar a precisão e a eficiência no controle logístico, e a dependência de planilhas manuais pode limitar a agilidade e aumentar a probabilidade de erros humanos. Dessa forma, observa-se um sistema logístico funcional, porém vulnerável a riscos típicos de cadeias globais complexas, como variações nos prazos, concentração de operações e dependência de múltiplos *stakeholders*. Os dados indicam que, embora exista controle operacional, ainda há oportunidades de melhoria relacionadas à transformação digital, análise preditiva, integração de sistemas e gestão proativa de riscos. Esse cenário está alinhado com estudos recentes que destacam a necessidade de tornar as cadeias logísticas mais resilientes e orientadas por dados (ALI et al., 2023).

Execução e Monitoramento dos Riscos (Do e Check)

Na fase de execução (Do), os riscos previamente identificados foram organizados em listas e planilhas de controle, sendo avaliados conforme a dinâmica real do projeto. Essa etapa buscou compreender como os riscos se manifestavam na prática e quais impactos geravam no cronograma e na sequência de instalação dos equipamentos.

Fonte: Empresa de importação

Figura 2. Check List dos Riscos

A Figura 2, que apresenta o *Check List* dos Riscos, revela que a maior parte dos riscos identificados possui um caráter sistêmico, incidindo muitas vezes pela mesma razão. Isso indica que a cadeia logística, por si só, constitui o principal vetor de incerteza para o projeto, reforçando a ideia de que a análise de riscos deve ser baseada na criticidade e não apenas na identificação isolada de problemas por equipamento. Essa percepção é crucial, pois permite que as ações de mitigação sejam direcionadas às causas-raiz dos problemas, em vez de apenas tratar os sintomas. A literatura de gestão de riscos em cadeias de suprimentos frequentemente enfatiza a importância de uma visão holística e sistêmica para identificar vulnerabilidades e desenvolver estratégias robustas (SODHI; TANG, 2021).

Foram discutidas ações preventivas e corretivas, como reprogramação de entregas, ajustes nas prioridades operacionais, intensificação do acompanhamento junto a transportadoras e fornecedores, além da revisão das sequências logísticas em função de atrasos ocorridos. Essas ações refletem a aplicação prática dos princípios do gerenciamento de projetos, conforme preconizado pelo PMI (2021), que destaca a importância de um plano de resposta a riscos bem definido e a capacidade de adaptação contínua. A observação participante do pesquisador, imerso na rotina do projeto, permitiu entender não apenas as informações formais contidas nas planilhas, mas também aspectos práticos da operação, como problemas de comunicação, limitações de infraestrutura, dependência de fornecedores, restrições de transporte e a necessidade de reprogramações constantes. Essa imersão qualitativa complementou a análise quantitativa, proporcionando uma visão mais rica e contextualizada dos riscos.

No terceiro estágio, correspondente à verificação (Check), os riscos foram analisados de forma mais sistemática por meio de uma matriz de probabilidade e impacto 5×5, permitindo a classificação dos eventos conforme seu nível de criticidade.

Fonte: Autoria do autor.

Figura 3. Matriz priorização 5×5

A Figura 3, que representa a Matriz de Priorização 5×5, demonstrou que os riscos não se encontravam distribuídos de maneira uniforme, mas sim concentrados em segmentos específicos do fluxo logístico. Os resultados indicaram três riscos classificados como extremos, quatorze como elevados e treze como moderados, evidenciando uma distribuição significativa de riscos com potencial de impactar o cronograma do projeto. Esse padrão está em conformidade com a literatura, que aponta que cadeias logísticas complexas tendem a concentrar riscos em níveis elevados de criticidade, exigindo uma abordagem de priorização baseada na criticidade para alocar recursos de forma eficiente (DOLGUI; IVANOV; SOKOLOV, 2021; KATSALIAKI; GALETSI; KUMAR, 2021). A matriz permitiu transformar dados operacionais dispersos em informações gerenciais úteis para a tomada de decisão, direcionando o foco para os problemas mais relevantes.

A etapa de planejamento, estruturada com base na lógica do ciclo PDCA, que contempla o diagnóstico e a definição de diretrizes, permitiu concluir que um planejamento adequado reduz a variabilidade e aumenta a previsibilidade das entregas. A revisão dos riscos identificados ao longo do desenvolvimento do projeto, evidenciada na Tabela 1, demonstra o caráter dinâmico da gestão de riscos no contexto logístico.

Tabela 1. Revisão de riscos

Origem

Fornecedor

ETD

ETA

Status

Japão

Takisha

01/09

15/10

Em trânsito

Alemanha

Parker

05/09

20/10

Atrasado

China

DURR

10/09

25/10

Entregue

Fonte: Autoria do autor.

A Tabela 1 apresenta a revisão dos riscos identificados ao longo do desenvolvimento do projeto, evidenciando o caráter dinâmico da gestão de riscos no contexto logístico. Essa etapa possibilitou a reavaliação da probabilidade e do impacto dos eventos inicialmente mapeados, considerando a evolução das operações e a efetividade das ações de mitigação implementadas. A análise demonstra que a gestão de riscos não se limita à identificação inicial, mas requer monitoramento contínuo e atualização sistemática, especialmente em cadeias logísticas complexas e sujeitas a incertezas (IVANOV; DOLGUI; SOKOLOV, 2022).

Observou-se que parte dos riscos inicialmente classificados como críticos apresentou redução de severidade ao longo do tempo, resultado diretamente associado à implementação de ações corretivas, à melhoria na comunicação entre as áreas envolvidas e ao maior controle sobre o sequenciamento logístico. Esse comportamento indica que medidas estruturadas de mitigação podem contribuir significativamente para a redução da exposição ao risco, especialmente quando relacionadas a fatores internos do processo. Por outro lado, alguns riscos permaneceram em níveis elevados mesmo após a aplicação das ações, evidenciando limitações no controle de variáveis externas, como atrasos logísticos e dependência de fornecedores, o que está em conformidade com a literatura, que aponta a existência de riscos residuais inerentes às cadeias de suprimentos globais (SODHI; TANG, 2021).

A revisão também possibilitou identificar riscos persistentes, especialmente aqueles associados ao transporte terrestre e à variabilidade nos prazos de entrega. Esses fatores indicam a presença de vulnerabilidades estruturais na cadeia logística, reforçando a necessidade de estratégias mais robustas, como maior controle sobre transportadoras e aprimoramento do planejamento operacional. Estudos recentes destacam que o transporte é um dos principais pontos críticos em operações logísticas, sendo responsável por grande parte das incertezas no fluxo de materiais (MANGLA et al., 2022). Outro aspecto relevante observado na Tabela 1 é a avaliação da efetividade das ações de mitigação. Verificou-se que riscos relacionados a falhas de planejamento e comunicação apresentaram redução mais significativa, enquanto riscos externos mantiveram maior nível de criticidade. Esse resultado evidencia que ações internas tendem a ser mais facilmente controláveis, ao passo que riscos externos demandam abordagens mais complexas e integradas, incluindo estratégias de resiliência e adaptação (POURNADER et al., 2021). Além disso, a análise reforça a importância da revisão periódica como ferramenta de aprendizado organizacional. A atualização contínua das informações permite não apenas corrigir desvios, mas também aprimorar os processos e aumentar a maturidade da gestão de riscos. Esse processo está diretamente relacionado ao ciclo de melhoria contínua, no qual a etapa de verificação subsidia a tomada de decisão e a implementação de novas ações corretivas, fortalecendo a capacidade de resposta da organização frente às incertezas (CHOWDHURY; QUADDUS, 2021). De forma geral, evidencia-se que a revisão de riscos é um elemento essencial para garantir a eficácia da gestão de riscos no projeto analisado. Os resultados demonstram que, embora tenha havido avanços na mitigação de parte dos riscos, ainda existem desafios relacionados à variabilidade logística e à dependência de fatores externos. Assim, conclui-se que a gestão de riscos deve ser conduzida de forma contínua, integrada e adaptativa, sendo fundamental para aumentar a previsibilidade e a confiabilidade das operações logísticas (ALI et al., 2023).

Ação e Melhoria Contínua (Act)

O cronograma de entrega de contêineres, apresentado na Tabela 2, representa a distribuição temporal das operações logísticas no período analisado, evidenciando sua relação direta com o planejamento do projeto.

Tabela 2. Planejamento de entrega de containers

Fonte: Autoria do autor.

A Tabela 2, que apresenta o planejamento de entrega de contêineres, permite compreender a alocação das entregas, a capacidade operacional prevista e os períodos de maior concentração de atividades, sendo fundamental para a gestão eficiente do sequenciamento logístico. Nota-se que a organização do planejamento foi realizada com o intuito de distribuir as entregas ao longo das semanas, visando prevenir a sobrecarga nas operações e assegurar um fluxo contínuo de materiais essenciais para a execução do projeto. Essa estruturação reflete a preocupação em sincronizar a chegada dos contêineres com as necessidades das etapas produtivas, o que é fundamental para reduzir atrasos e paradas. Segundo Wang et al. (2023), o planejamento antecipado baseado em dados é um dos fatores essenciais para a eficiência logística em cadeias de suprimentos complexas.

Entretanto, a análise detalhada do planejamento revela a existência de períodos com maior concentração de entregas, indicando possíveis picos operacionais que podem gerar sobrecarga nas atividades de recebimento e riscos de formação de gargalos. Essa concentração aumenta a exposição a atrasos e reduz a flexibilidade do sistema logístico, conforme destacado por Katsaliaki, Galetsi e Kumar (2021). Além disso, o planejamento demonstra forte dependência do cumprimento das datas previstas, sendo sensível a variações no transporte e na liberação de cargas. Esse fator evidencia a necessidade de monitoramento contínuo e de ajustes ao longo da execução, característica essencial em cadeias logísticas complexas (IVANOV, 2022). De modo geral, a Tabela 2 evidencia que, embora o planejamento esteja estruturado, sua eficácia depende da capacidade de adaptação frente a desvios, reforçando a importância de uma gestão dinâmica e integrada dos processos logísticos (ALI et al., 2023).

A análise de Pareto das ocorrências logísticas revelou uma concentração crítica de falhas. Os dados indicaram que o atraso da transportadora responde por cerca de 80% dos incidentes registrados, relegando variáveis como condições climáticas, quebras mecânicas ou ocupação de docas a um segundo plano estatístico. Essa assimetria confirma que o maior risco ao sequenciamento não reside na burocracia aduaneira, já que os contêineres operam sob regime de carga liberada, mas sim na última milha logística até a planta. Sob a ótica do Diagrama de Pareto, o diagnóstico é claro: o transporte rodoviário é o principal gargalo de confiabilidade. Portanto, a gestão de riscos deve priorizar o *compliance* e a performance dos provedores de transporte. Concluindo o rito do ciclo PDCA, esta fase de monitoramento (Check) entrega o embasamento técnico necessário para que a etapa subsequente (Act) foque em ações mitigatórias direcionadas, transformando dados brutos em intervenções estruturadas no fluxo de entrada.

As implicações práticas desse achado são profundas. Primeiramente, a empresa deve investir em um programa robusto de qualificação e monitoramento de transportadoras, estabelecendo indicadores de desempenho (KPIs) claros e contratos que prevejam penalidades por atrasos. Isso pode incluir a implementação de sistemas de rastreamento em tempo real, que forneçam visibilidade contínua da localização dos contêineres e permitam a detecção precoce de desvios. Em segundo lugar, a diversificação de parceiros de transporte pode reduzir a dependência de um único provedor, mitigando o risco de falhas sistêmicas. A criação de um *pool* de transportadoras qualificadas, com capacidade de resposta rápida, pode ser uma estratégia eficaz. Em terceiro lugar, a comunicação proativa e transparente com as transportadoras é fundamental. Reuniões regulares de alinhamento, compartilhamento de cronogramas e expectativas, e um canal de comunicação aberto para reportar e resolver problemas podem fortalecer a parceria e a capacidade de resposta. Além disso, a empresa pode considerar a implementação de *buffers* de tempo estratégicos para a etapa de transporte rodoviário, reconhecendo sua inerente variabilidade. Isso significa ajustar os cronogramas internos para absorver pequenos atrasos sem impactar o cronograma geral do projeto. Finalmente, o aprendizado contínuo a partir dos incidentes é vital. Cada atraso ou falha deve ser documentado, analisado e suas causas-raiz identificadas para que ações corretivas e preventivas possam ser implementadas, realimentando o ciclo PDCA e promovendo a melhoria contínua da gestão de riscos logísticos.

Em suma, a aplicação sistemática do ciclo PDCA e das ferramentas de gestão de riscos revelou-se um diferencial para o projeto. O planejamento detalhado permitiu antecipar potenciais problemas, a execução controlada garantiu a implementação de ações corretivas, a verificação sistemática possibilitou a priorização e o monitoramento dos riscos, e a fase de ação direcionou a proposição de melhorias contínuas. Essa abordagem integrada não apenas aprimorou a previsibilidade das operações logísticas, mas também fortaleceu a capacidade da organização de responder a incertezas, contribuindo significativamente para o êxito da instalação da planta industrial. A colaboração entre os setores participantes do processo logístico foi crucial para a efetividade das ações realizadas, com uma comunicação organizada e a harmonização constante entre as partes interessadas promovendo um controle mais eficiente sobre o agendamento dos contêineres e uma resposta aprimorada a ocorrências imprevistas (POURNADER et al., 2021).

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que o presente artigo conseguiu identificar, analisar e propor estratégias eficazes para a gestão de riscos na logística de sequenciamento de contêineres. A aplicação sistemática das diretrizes do PMBOK e do ciclo PDCA revelou-se fundamental para minimizar os impactos adversos associados ao transporte de equipamentos desde a origem internacional até a fábrica em Sorocaba-SP, contribuindo para a eficiência e o êxito do projeto industrial. A pesquisa demonstrou que a gestão de riscos, quando bem estruturada, aprimora a previsibilidade das operações e fortalece a capacidade de resposta da organização frente às incertezas logísticas, especialmente aquelas relacionadas ao transporte rodoviário, que se mostrou o principal gargalo de confiabilidade.

Contudo, é importante reconhecer que esta pesquisa foi conduzida em um ambiente particular, o que pode limitar a extrapolação dos achados para outros contextos. Essa especificidade do estudo de caso representa uma limitação inerente à metodologia adotada. Para estudos futuros, sugere-se expandir a investigação para analisar a utilização da metodologia em diversos setores ou ambientes logísticos, a fim de verificar a aplicabilidade e a adaptabilidade das estratégias propostas. Além disso, a inclusão de novas ferramentas de análise e a exploração de soluções de automação e integração de sistemas podem enriquecer ainda mais a gestão de riscos em cadeias de suprimentos complexas, promovendo maior resiliência e eficiência.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de octubre de 2026

Guia móvel de lazer urbano em São Paulo: elicitação de requisitos e desenvolvimento de MVP

Um protótipo funcional de guia móvel para lazer urbano em São Paulo foi desenvolvido para mitigar a fragmentação de informações e a recorrência de dados desatualizados, que dificultam a tomada de decisão dos usuários sobre opções de lazer. O objetivo central foi projetar e implementar um aplicativo que centralizasse informações essenciais, como preço, distância e horários de funcionamento, viabilizando uma consulta georreferenciada. Para isso, conduziu-se uma etapa inicial de engenharia de requisitos, aplicando um questionário online a 56 respondentes para caracterizar o público-alvo, validar o problema e priorizar funcionalidades. Com base nesse levantamento, implementou-se o LazerSP, um aplicativo móvel em React Native 0.81.5 com Expo SDK 54, compatível com Android e iOS, e um backend em Node.js 20 com Express.js e persistência em SQLite. Após a implementação, avaliou-se a usabilidade do artefato com 15 participantes, utilizando a escala SUS. Os resultados demonstraram alta percepção de utilidade e forte intenção de uso, com localização por proximidade, horário de funcionamento e filtro gratuito/pago sendo os requisitos mais valorizados. A avaliação de usabilidade obteve 87,5 pontos, classificando o aplicativo como “Excelente” e confirmando que atendeu a padrões elevados de usabilidade percebida. Concluiu-se que os objetivos foram alcançados, e o LazerSP representa uma base estruturada para futuras iterações, orientadas pelas necessidades reais dos usuários.

Palavras-chave: Design Science; Experiência do usuário; Geolocalização; React Native; Usabilidade.

26 de octubre de 2026

Empregabilidade e Recolocação Profissional: a percepção dos trabalhadores sobre as práticas de Gestão de Pessoas

As transformações contemporâneas nas relações de trabalho, marcadas pela digitalização e pela necessidade de atualização constante de competências, posicionaram a empregabilidade como um elemento central na trajetória profissional. O estudo teve como objetivo analisar como as práticas de Gestão de Pessoas, focadas no desenvolvimento profissional, influenciaram a percepção dos trabalhadores sobre sua própria empregabilidade e seus processos de recolocação no mercado. A pesquisa caracterizou-se como um levantamento de campo, de abordagem qualitativa, e foi realizada por meio de um questionário on-line aplicado a trabalhadores com experiência profissional. Os dados coletados foram analisados de forma descritiva, utilizando gráficos e nuvens de palavras para identificar padrões nas respostas. Os principais resultados indicaram que os participantes manifestaram uma elevada percepção de empregabilidade, que associaram à experiência profissional, qualificação contínua, competências comportamentais e ao networking. Observou-se, contudo, que práticas organizacionais como treinamento, desenvolvimento, feedback e incentivo ao aprendizado, embora reconhecidas como relevantes para o fortalecimento da empregabilidade, foram, em muitos casos, implementadas de forma parcial ou inconsistente, especialmente no que se refere ao apoio em processos de desligamento e transição de carreira. Concluiu-se que a empregabilidade é um fenômeno que resulta da interação complexa entre fatores individuais e organizacionais, evidenciando o papel fundamental e estratégico da Gestão de Pessoas na promoção de trajetórias profissionais mais sustentáveis e adaptáveis às demandas do mercado.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Capital humano; Desenvolvimento de competências; Mobilidade de carreira; Suporte organizacional.

26 de octubre de 2026

Inteligência emocional e produtividade no segmento farmacêutico magistral

O cenário competitivo do mercado de vendas exige que os profissionais desenvolvam habilidades emocionais refinadas para lidar com a pressão e a complexidade. Este estudo objetivou analisar a influência da inteligência emocional (IE) na produtividade de equipes de vendas no segmento farmacêutico magistral. Para tanto, empregou-se uma abordagem metodológica mista, que consistiu em entrevistas qualitativas com quatro gestores para aprofundar a compreensão de suas percepções sobre a IE e um questionário quantitativo aplicado a 28 profissionais de vendas para mensurar suas experiências. Os resultados evidenciaram uma elevada consciência teórica da importância da IE entre os participantes, com índices de concordância superiores a 90% sobre seu impacto no desempenho. Contudo, foram identificados gargalos significativos na aplicação prática da regulação emocional em períodos de baixa performance, sugerindo que a maturidade emocional não é um estado estático, mas uma competência que demanda reforço contínuo. A pesquisa também destacou o papel crucial da gestão na regulação do clima emocional e na mitigação do “contágio emocional” entre a equipe. Concluiu-se que a inteligência emocional atua como um diferencial competitivo e um pré-requisito essencial para a sustentabilidade dos resultados comerciais, capacitando os vendedores a transformar a ansiedade em frieza analítica e o desespero em persistência estratégica. A relevância das *soft skills* no mercado magistral foi reforçada, mostrando-se tão ou mais importante que o conhecimento técnico dos produtos para o sucesso a longo prazo.

Palavras-chave: Desempenho comercial; Gestão de equipes; Resiliência; Soft skills; Vendas consultivas.

26 de octubre de 2026

O Fenômeno da Alta Rotatividade nas Empresas de Base Florestal do Mato Grosso do Sul

A alta rotatividade de colaboradores constitui um desafio persistente na gestão de pessoas, com impactos significativos na estabilidade e produtividade organizacional, especialmente no setor florestal do Mato Grosso do Sul. Identificou-se os principais fatores que influenciam a permanência e a saída de profissionais em empresas de base florestal na região da Costa Leste do Mato Grosso do Sul. Realizou-se um estudo descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, por meio da aplicação de um questionário eletrônico na plataforma Google Forms. O instrumento foi divulgado via WhatsApp a profissionais do setor, resultando em 127 respondentes válidos. Os dados coletados foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo temática. Os resultados revelaram que, embora remuneração e benefícios fossem relevantes, a permanência esteve fortemente associada a oportunidades de crescimento, reconhecimento, qualidade da gestão, suporte organizacional e clima de trabalho. A saída, por sua vez, intensificou-se diante de fragilidades na liderança, ausência de perspectivas de carreira, desvalorização percebida, sobrecarga e desalinhamento entre cobrança e condições de trabalho. Concluiu-se que a decisão de permanecer ou sair é multifatorial, englobando dimensões econômicas, relacionais e simbólicas. Sugere-se que as empresas invistam em trilhas de carreira claras, capacitação de lideranças em gestão de pessoas, feedback estruturado e reconhecimento, além de alinhar metas e recursos para reduzir a intenção de desligamento.

Palavras-chave: Clima organizacional; Gestão de pessoas; Retenção de talentos; Suporte organizacional.

26 de octubre de 2026

Gestão da qualidade na construção civil: o papel do controle tecnológico

A gestão da qualidade na construção civil tem se destacado como fator estratégico, dada a complexidade técnica dos empreendimentos e a necessidade de garantir segurança, durabilidade e desempenho das edificações. Observou-se, contudo, que a aplicação prática do controle tecnológico, embora reconhecida como essencial, nem sempre ocorre de forma estruturada e integrada aos processos de gestão de projetos. Nesse contexto, um estudo teve como objetivo estruturar e avaliar a aplicação do controle tecnológico como instrumento de gestão da qualidade em projetos de construção civil, identificando as práticas adotadas no mercado, as lacunas entre a teoria e a execução em obra, e propondo recomendações gerenciais aplicáveis. A metodologia adotada foi descritiva, de natureza aplicada e abordagem quantitativa, realizada por meio de um levantamento tipo survey com cento e setenta e oito profissionais do setor. Os dados foram coletados por questionário estruturado com questões fechadas e analisados com estatística descritiva. Para aprofundar a análise, aplicaram-se ferramentas de gestão de projetos, como Diagrama de Ishikawa, Matriz SWOT e 5W2H, que permitiram identificar causas-raiz, estruturar o diagnóstico e orientar as propostas de melhoria de forma sistemática. Os resultados revelaram uma elevada percepção da importância e dos benefícios do controle tecnológico, sobretudo nas etapas estruturais e iniciais da obra, mas também apontaram desafios significativos ligados à cultura organizacional e à padronização de práticas. Concluiu-se que o controle tecnológico possui potencial estratégico para aprimorar a tomada de decisão, prevenir não conformidades e elevar o desempenho técnico e organizacional dos projetos, desde que sistematicamente integrado ao planejamento e controle das obras.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Desempenho técnico; Governança do projeto; Melhoria contínua; Não conformidades.

26 de octubre de 2026

Crédito rural no Brasil: acesso e impactos na produção agrícola familiar e empresarial

O crédito rural configurou-se como um dos principais instrumentos de política pública para o desenvolvimento da atividade agropecuária no Brasil, contribuindo para o financiamento, modernização e sustentabilidade das propriedades rurais, ao ampliar o acesso a recursos financeiros e fortalecer a competitividade do setor. O estudo objetivou analisar as modalidades de crédito rural disponíveis no país, avaliando o acesso, a aplicação dos recursos e os impactos na produção agrícola de agricultores familiares e produtores empresariais. A pesquisa foi conduzida com abordagem descritiva e exploratória, empregando métodos quantitativos e qualitativos, fundamentados em pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Dados primários foram coletados por meio de questionários estruturados aplicados a produtores rurais e entrevistas semiestruturadas com profissionais de instituições financeiras, enquanto dados secundários foram obtidos de relatórios e publicações oficiais. Essa abordagem possibilitou uma compreensão abrangente do fenômeno investigado. Os resultados indicaram que o crédito rural contribuiu para a continuidade da produção, o planejamento e a produtividade, mas evidenciaram desigualdades no acesso entre agricultores familiares e produtores empresariais. As principais barreiras identificadas foram a burocracia documental, as exigências de garantias e a regularização fundiária. Observou-se que agricultores familiares priorizaram o custeio da produção, enquanto produtores empresariais direcionaram recursos para investimentos estruturais. Concluiu-se que, embora essencial para o desenvolvimento do setor, o crédito rural requer aprimoramentos institucionais para ampliar sua efetividade e promover maior equidade no meio rural.

Palavras-chave: Desigualdades; Desenvolvimento rural; Financiamento agropecuário; Política agrícola; Sustentabilidade econômica.

26 de octubre de 2026

Gestão de riscos sociais no descomissionamento de minas

A paralisação de atividades minerárias pode gerar impactos significativos em territórios economicamente dependentes, especialmente no que se refere aos riscos sociais associados à interrupção de cadeias produtivas, empregos e dinâmicas econômicas locais. O estudo objetivou identificar, analisar e propor estratégias de mitigação para os riscos sociais decorrentes da interrupção de operações minerárias. A pesquisa desenvolveu-se a partir de uma investigação de campo realizada no município de Anchieta-ES, Espírito Santo, concentrando-se em comunidades situadas no entorno de uma unidade de beneficiamento de minério de ferro cujas atividades foram temporariamente suspensas após o rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. A coleta de dados realizou-se por meio da aplicação de entrevistas com dez atores locais, abrangendo representantes do poder público municipal, empresários atuantes e moradores das comunidades afetadas. Os riscos sociais foram identificados e sistematizados com base nas percepções dos entrevistados, complementadas pela literatura especializada e experiências prévias, sendo avaliados conforme as diretrizes da ABNT NBR ISO 31010 e do Guia PMBOK, classificando-os quanto à probabilidade de ocorrência e ao impacto potencial. Os resultados evidenciaram a recorrência de riscos de alta criticidade, como desemprego estrutural, retração da atividade econômica local, redução da arrecadação municipal, fragilidade institucional e incertezas quanto ao futuro territorial. A partir dessa análise, propôs-se estratégias de mitigação voltadas ao fortalecimento da governança territorial e à redução das vulnerabilidades socioeconômicas associadas à interrupção das atividades minerárias, reforçando a necessidade de planejamento antecipado e engajamento multissetorial.

Palavras-chave: Dependência econômica; Desemprego estrutural; Governança territorial; Planejamento de transição; Vulnerabilidade socioeconômica.

26 de octubre de 2026

Desenvolvimento de um software rastreador de coleta de água de hemodiálise com scheduler automático

A gestão de coletas e análises de água em clínicas de hemodiálise representa um processo crítico para assegurar a conformidade com normas sanitárias e a segurança dos pacientes, exigindo controle rigoroso de prazos e uma distribuição eficiente das atividades. Objetivou-se desenvolver um sistema web inovador para o rastreamento e planejamento automático dessas coletas, incorporando um algoritmo de agendamento capaz de gerar cronogramas otimizados. A metodologia adotada consistiu na construção de um sistema completo, que incluiu um *backend*, um *frontend*, um simulador de dados e um algoritmo de *scheduling* baseado em programação por restrições (CP-SAT). Para a avaliação do desempenho, definiram-se indicadores relacionados à homogeneidade da distribuição das coletas, ao atraso e ao adiantamento, e realizou-se uma análise experimental detalhada com variação dos pesos da função objetivo para avaliar a qualidade das soluções geradas. Os resultados demonstraram que o modelo foi capaz de produzir cronogramas totalmente aderentes às restrições temporais, eliminando atrasos e adiantamentos em diversas configurações. Evidenciou-se que a principal diferenciação entre as soluções residiu na distribuição das coletas ao longo do tempo. Adicionalmente, o sistema desenvolvido apresentou uma arquitetura modular e robusta, adequada ao problema, permitindo integração eficiente entre as camadas e proporcionando uma boa experiência de uso. Concluiu-se que a abordagem proposta é viável para apoiar significativamente a gestão de coletas em ambientes de engenharia clínica, contribuindo para maior eficiência operacional e conformidade regulatória.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Engenharia clínica; Otimização; Programação por restrições; Sistemas web.

26 de octubre de 2026

Priorização de fatores críticos na gestão da legalização de empreendimentos imobiliários

O processo de legalização de empreendimentos imobiliários constitui uma etapa crítica do ciclo de incorporação, caracterizada por elevada complexidade regulatória e dependência de múltiplos stakeholders. O estudo identificou e priorizou os fatores críticos, internos e externos, que impactam o tempo de legalização, além de propor diretrizes de gestão para mitigação de atrasos. Conduziu-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa, por meio de um survey com 17 profissionais atuantes no setor imobiliário. Os dados foram analisados por estatística descriptiva e pelo Índice de Criticidade (IC), calculado a partir do produto entre impacto e frequência, com classificação baseada em quartis. Os resultados evidenciaram maior criticidade associada à morosidade dos órgãos públicos (IC = 67,47), à gestão de stakeholders externos (IC = 55,15) e à falta de padronização normativa (IC = 50,87), indicando a predominância de fatores externos como principais condicionantes do tempo de legalização. Fatores internos, como gestão de stakeholders internos (IC = 23,55) e qualidade técnica da documentação (IC = 23,21), apresentaram menor criticidade relativa, mas foram identificados como relevantes para a mitigação de atrasos. Concluiu-se que, embora os principais fatores críticos estejam associados ao ambiente institucional e apresentem baixa controlabilidade, a adoção de práticas estruturadas de gestão de riscos, governança e comunicação pode contribuir para reduzir a exposição aos atrasos e aumentar a previsibilidade dos empreendimentos. A integração entre gestão de riscos, stakeholders e governança emergiu como elemento central para a redução de atrasos e o aumento da eficiência no ciclo de desenvolvimento imobiliário.

Palavras-chave: Análise de criticidade; Gestão de riscos; Gestão de stakeholders; Governança; Incorporação imobiliária.