Resumo Executivo

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

25 de junho de 2026

Gestão Estruturada de Demandas em Compras: Eficiência e Governança

Lucca Pongidor Swerts; Thiago Fernando Pires Alves

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

As áreas operacionais desempenham um papel estratégico fundamental na sustentação e no crescimento das organizações, assegurando a eficiência de processos essenciais como finanças, compras e suprimentos. Em um cenário corporativo cada vez mais complexo e competitivo, a eficiência operacional torna-se um fator crítico para a geração de valor e para a sustentabilidade dos resultados. Nesse contexto, a adoção de práticas de melhoria contínua e a eliminação de desperdícios são amplamente discutidas na literatura de gestão, especialmente sob a filosofia Lean, que busca otimizar processos e aumentar a eficiência organizacional (Womack; Jones, 2004).

No campo das Operações de Compras, os desafios operacionais se intensificam devido ao elevado volume de demandas, à constante interação com diversas áreas internas e à necessidade de garantir conformidade com políticas corporativas e requisitos regulatórios. A ausência de processos padronizados, critérios estruturados de priorização e mecanismos claros de governança frequentemente resulta em atrasos na execução de atividades, retrabalho e baixa previsibilidade das entregas. Conforme Imai (1990), a aplicação sistemática de princípios de melhoria contínua permite identificar ineficiências e promover avanços progressivos na gestão dos processos organizacionais.

Além dos aspectos processuais, a gestão de pessoas e a utilização de sistemas estruturados de monitoramento por indicadores exercem influência direta sobre o desempenho operacional. Equipes capacitadas, alinhadas às estratégias organizacionais e apoiadas por métricas de desempenho, demonstram maior engajamento e capacidade de resposta às demandas do negócio (Chiavenato, 2014; Kaplan; Norton, 1996). Dessa forma, a integração entre processos bem definidos, gestão de pessoas e monitoramento por indicadores torna-se fundamental para elevar a maturidade operacional das organizações e otimizar a contribuição da área.

No contexto analisado, a área de Operações de Compras enfrentava desafios significativos na gestão de suas demandas operacionais. Um diagnóstico inicial revelou atrasos recorrentes na execução de solicitações críticas, com aproximadamente 36% das demandas sendo entregues fora do prazo estabelecido. Adicionalmente, identificou-se um acúmulo superior a 415 solicitações pendentes, evidenciando fragilidades na organização do fluxo de trabalho, na priorização de atividades e no monitoramento do desempenho da equipe. Esses indicadores apontavam para uma necessidade urgente de intervenção.

A falta de padronização e priorização também gerava um impacto financeiro considerável devido ao retrabalho operacional. Estima-se que a repetição de atividades, ajustes de solicitações e reexecução de etapas do processo contribuíam para a sobrecarga da equipe e reduziam a eficiência da área. Esse retrabalho resultava em um impacto financeiro anual de até R$ 100 mil, refletindo o desperdício de tempo e esforço da equipe, além de comprometer a produtividade geral da organização.

Diante desse cenário, o problema de negócio centralizou-se em como a integração de metodologias de melhoria contínua e de um sistema estruturado de gestão por indicadores poderia aumentar a eficiência operacional, melhorar a previsibilidade das entregas e fortalecer a governança na área de Operações de Compras. O objetivo foi propor um modelo estruturado de gestão das demandas operacionais, baseado na padronização de processos, na definição de critérios formais de priorização e na utilização de indicadores de desempenho para resolver essas questões.

A proposta buscou reduzir atrasos, diminuir retrabalhos, aumentar a previsibilidade das entregas e fortalecer a governança da área, ampliando sua capacidade de gerar valor para a organização. A relevância estratégica das Operações de Compras para o funcionamento eficiente da organização e para o suporte às áreas de negócio justificou a escolha do tema. Em um ambiente de crescente pressão por eficiência, controle e agilidade, tornou-se fundamental repensar os modelos de gestão operacional, adotando abordagens que promovam maior transparência, padronização e capacidade de resposta às demandas organizacionais.

Para compreender detalhadamente o funcionamento do processo atual, foi realizado um mapeamento do fluxo de atendimento das demandas da área de Operações de Compras. Esse mapeamento permitiu identificar as principais etapas do processo e os pontos de maior ocorrência de gargalos operacionais. Evidenciou-se que as solicitações chegavam à área por diferentes canais de comunicação e, frequentemente, sem critérios formais de classificação ou priorização, dificultando a organização das atividades e comprometendo a previsibilidade das entregas.

A partir da compreensão do fluxo operacional, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa para identificar as possíveis causas associadas aos atrasos e retrabalhos observados. Os fatores identificados estavam relacionados principalmente às dimensões de processos, métodos, pessoas e gestão. Para aprofundar a investigação, utilizou-se a técnica dos 5 Porquês, que permitiu examinar sistematicamente as origens do problema organizacional, revelando a ausência de um modelo estruturado de gestão.

A investigação demonstrou que a causa-raiz dos atrasos e retrabalhos era a ausência de um modelo estruturado de gestão das demandas operacionais. Isso se refletia na inexistência de fluxos padronizados, critérios formais de priorização e mecanismos sistemáticos de acompanhamento do desempenho. A gestão não havia estabelecido rotinas estruturadas ou critérios claros para diferenciar o que era vital/urgente, resultando em uma execução reativa das demandas e falta de estrutura no processo de gestão.

A ausência de um modelo estruturado de gestão das demandas contribuía para um ambiente operacional caracterizado por baixa previsibilidade das entregas, dificuldades no planejamento das atividades da equipe e sobrecarga de trabalho em determinados períodos. Como consequência, a área operava predominantemente de forma reativa, respondendo às solicitações conforme surgiam, em vez de atuar com planejamento estruturado e controle efetivo do fluxo de trabalho. Essa reatividade comprometia a eficiência e a capacidade de resposta da área.

Diante desse diagnóstico, tornou-se evidente a necessidade de implementar um modelo estruturado de gestão das demandas operacionais, capaz de promover maior organização dos processos, melhorar a priorização das atividades e aumentar a previsibilidade das entregas. A adoção de práticas de gestão baseadas em padronização de processos, melhoria contínua e monitoramento por indicadores apresentou-se como uma alternativa adequada para elevar o nível de eficiência operacional da área de Operações de Compras e reduzir os impactos negativos associados aos atrasos e retrabalhos.

A solução recomendada consiste na implementação de um Modelo Estruturado de Gestão das Demandas Operacionais na área de Compras, fundamentado em três pilares principais. O primeiro pilar é a padronização de processos, o segundo é a priorização estruturada das demandas e o terceiro é o monitoramento do desempenho por meio de indicadores de gestão. Essa proposta busca estabelecer maior organização no fluxo de atendimento das solicitações, aumentar a previsibilidade das entregas e reduzir os níveis de retrabalho.

O primeiro pilar da proposta consiste na padronização do fluxo de atendimento das demandas, por meio da definição de um processo estruturado que estabeleça etapas claras para o recebimento, análise, execução e conclusão das solicitações. A padronização do processo permite reduzir ambiguidades operacionais, melhorar a organização das atividades da equipe e aumentar a eficiência no tratamento das demandas. Isso garante consistência e clareza em todas as etapas do ciclo de vida de uma solicitação, desde a sua origem até a sua finalização.

O segundo pilar, a priorização estruturada, visa estabelecer critérios formais para classificar e priorizar as demandas. Atualmente, a ausência desses critérios dificulta a alocação eficaz de recursos e o foco em tarefas críticas. Com a implementação de diretrizes claras de urgência e importância, a equipe poderá gerenciar sua carga de trabalho de forma mais eficiente, garantindo que as solicitações estratégicas sejam atendidas prontamente e alinhadas aos objetivos organizacionais, melhorando a capacidade de resposta geral.

O terceiro pilar, o monitoramento do desempenho, envolve a utilização sistemática de indicadores de gestão para acompanhar a performance operacional. Esse monitoramento contínuo permite a medição objetiva da eficiência, previsibilidade e governança da área. A análise regular dessas métricas facilita a identificação proativa de desvios, possibilita intervenções rápidas e apoia a tomada de decisões baseada em dados, fomentando uma cultura de melhoria contínua dentro da área de Compras.

Adicionalmente, recomenda-se a automatização do board operacional para a gestão das demandas da área de Operações de Compras. O objetivo é aprimorar o registro, o acompanhamento e a organização das solicitações recebidas. A utilização de ferramentas digitais centraliza as demandas em um único ambiente de gestão, facilitando o controle do fluxo de trabalho e aumentando a transparência das atividades realizadas pela equipe. Essa plataforma digital serve como a espinha dorsal operacional para o modelo estruturado proposto.

Para reduzir a subjetividade na escolha da plataforma digital e alinhar a decisão aos fatores críticos de sucesso do projeto, aplicou-se uma matriz de decisão multicritério. Os pesos definidos foram: impacto na eficiência (30%), aderência à cultura/processos (30%), facilidade de uso/adoção (20%) e custo total de implantação e manutenção (20%). As alternativas avaliadas incluíram Monday.com, Planner, Excel, Mural e Smartsheet, com notas ponderadas para cada critério, garantindo uma seleção baseada em dados objetivos.

A análise realizada evidenciou a superioridade da plataforma Monday.com, destacando-a como a alternativa mais adequada para apoiar a gestão das demandas operacionais. Esse resultado decorre principalmente da combinação entre elevado potencial de impacto na eficiência operacional e forte aderência ao modelo de governança proposto. Além disso, Monday.com apresentou um equilíbrio favorável entre facilidade de adoção e custo total de implementação e manutenção, justificando sua escolha como a ferramenta central para a solução.

Monday.com se destaca pela capacidade de padronizar fluxos de trabalho, possibilitar a criação de automações e permitir a visualização consolidada das demandas operacionais, contribuindo para maior organização e controle das atividades. A ferramenta favorece a estruturação de rotinas de governança, com definição clara de responsáveis, acompanhamento periódico das demandas e monitoramento contínuo de indicadores. Sua interface intuitiva e curva de aprendizado relativamente curta também facilitam a adoção pela equipe, exigindo apenas um esforço moderado na etapa inicial de configuração.

O investimento necessário para a implementação de Monday.com apresenta uma boa relação custo-benefício, especialmente diante do potencial de redução de atrasos, retrabalho e melhoria do controle das demandas. A plataforma oferece um ambiente robusto para gerenciar o ciclo de vida das solicitações, desde o recebimento até a conclusão, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma mais eficaz e que os objetivos de eficiência e governança sejam alcançados. Isso representa um valor estratégico significativo para a organização.

A implementação de indicadores de desempenho é crucial para o acompanhamento sistemático da gestão das demandas e do desempenho operacional da área. Entre os indicadores que serão utilizados, destacam-se o percentual de demandas atendidas no prazo (SLA), o tempo médio de atendimento das solicitações (Lead Time) e o volume de demandas pendentes (Backlog Ativo). Esses indicadores fornecem uma base objetiva para medir o progresso e identificar áreas que necessitam de ajustes, garantindo a melhoria contínua.

O SLA – Taxa de cumprimento de prazos – tem como meta atingir patamares superiores a 95% das demandas concluídas no prazo acordado. O Índice de retrabalho, que mede o percentual de demandas reabertas ou devolvidas para correção, busca uma redução progressiva em relação à linha de base. O Backlog ativo, que representa o volume de demandas em aberto, visa uma redução mês a mês do estoque de solicitações pendentes, otimizando o fluxo de trabalho e a capacidade de resposta da equipe.

Outros indicadores incluem o Volume de escalonamentos, que contabiliza os casos encaminhados à liderança, com o objetivo de manter a estabilidade ou reduzir progressivamente, aumentando a resiliência do processo. A Satisfação do cliente interno (CSAT), medida pela nota média das áreas clientes, tem como meta alcançar ≥ 4/5. O Tempo médio de atendimento (Lead Time), que calcula o tempo desde a abertura até a finalização da demanda, também busca uma redução progressiva em comparação com a linha de base.

A adoção conjunta dessas medidas contribuirá para estruturar de forma mais eficiente a gestão das demandas da área de Operações de Compras. Projeta-se maior organização dos processos, redução de atrasos e retrabalhos, e aumento da previsibilidade das entregas. Dessa forma, a área passará a operar com maior disciplina operacional, melhor controle do fluxo de trabalho e maior capacidade de suporte às demais áreas da organização, fortalecendo seu papel estratégico no desempenho organizacional e na geração de valor.

A avaliação da proposta de implementação do modelo estruturado de gestão das demandas operacionais fundamenta-se no monitoramento sistemático de indicadores de desempenho. O objetivo dessa etapa é mensurar os impactos da solução na eficiência operacional, na previsibilidade das entregas e no fortalecimento da governança da área de Operações de Compras. A avaliação visa verificar, de forma objetiva e baseada em dados, se as medidas implementadas são capazes de produzir os resultados esperados e sustentar melhorias contínuas no desempenho da área.

Os resultados obtidos a partir da implementação do modelo serão comparados com a situação inicial identificada no diagnóstico, que apontou aproximadamente 36% das demandas concluídas fora do prazo e um volume acumulado de mais de 415 solicitações pendentes. A partir da implementação da solução proposta, espera-se alcançar melhorias progressivas nesses indicadores, com destaque para o aumento do SLA para níveis superiores a 95%, a redução do backlog operacional e a diminuição do retrabalho decorrente de falhas no processo.

A coleta e o acompanhamento dos dados ocorrerão de forma contínua por meio de dashboards operacionais integrados ao board digital de gestão das demandas. A automatização do registro das informações permitirá maior confiabilidade na mensuração dos resultados, além de facilitar a identificação de desvios operacionais e a análise das tendências de desempenho ao longo do tempo. Os indicadores operacionais serão acompanhados semanalmente pela equipe responsável, permitindo intervenções rápidas em casos de atrasos ou falhas.

Adicionalmente, será realizada uma consolidação mensal dos resultados em reuniões formais de governança, nas quais serão avaliados os principais indicadores de desempenho, discutidos eventuais desvios em relação às metas estabelecidas e definidas ações corretivas ou de melhoria. A responsabilidade pelo monitoramento dos indicadores ficará a cargo da área responsável pela gestão das demandas operacionais, em articulação com a liderança da área de Compras e com a estrutura de governança organizacional, assegurando alinhamento estratégico.

O processo de avaliação seguirá os princípios de melhoria contínua, com análise periódica dos resultados, identificação de oportunidades de aprimoramento e revisão das práticas adotadas sempre que necessário. A utilização sistemática dos indicadores fortalecerá a disciplina operacional da área, promoverá maior previsibilidade das entregas e garantirá que o modelo de gestão proposto evolua ao longo do tempo. Essa etapa de avaliação constitui um mecanismo permanente de monitoramento e aprendizagem organizacional.

Em síntese, a implementação do modelo estruturado de gestão das demandas representa uma alternativa viável e estrategicamente relevante para elevar o nível de eficiência da área de Operações de Compras. Ao integrar padronização de processos, ferramentas digitais de gestão e monitoramento por indicadores de desempenho, a solução proposta contribui para tornar o processo mais organizado, transparente e alinhado às necessidades da organização, ampliando a capacidade da área de apoiar o funcionamento eficiente das atividades empresariais.

A consolidação dos resultados esperados dependerá do comprometimento da liderança, do engajamento da equipe e da manutenção de rotinas de governança capazes de sustentar a disciplina operacional ao longo do tempo. Essa iniciativa não apenas responde aos desafios identificados no diagnóstico inicial, mas também representa um avanço importante na maturidade da gestão da área, fortalecendo sua capacidade de apoiar as áreas de negócio, melhorar a eficiência organizacional e gerar valor sustentável para a organização.

Referências Bibliográficas:

CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: O Novo Papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

IMAI, M. Kaizen: A Estratégia para o Sucesso Competitivo. São Paulo: IMAM, 1990.

KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action. Boston: Harvard Business Press, 1996.

WOMACK, J. P.; JONES, D. T. A Mentalidade Enxuta nas Empresas: Elimine o Desperdício e Crie Riqueza. Rio de Janeiro: Campus, 2004.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq

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