Mba Executivo Em Liderança E Gestão
25 de junho de 2026
Gestão de Riscos Integrada: Otimização da Construção Vertical
Luciano da Silva de Novais; Sandra Joyce Silva de Souza
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O setor da construção civil brasileira, especialmente no segmento de obras verticais residenciais, opera sob alta variabilidade de frentes de trabalho e forte dependência de interfaces complexas, como estrutura, instalações, esquadrias e revestimentos. Essa interdependência eleva significativamente a exposição a riscos de prazo, custo e qualidade, impactando diretamente a viabilidade e a rentabilidade dos projetos. Evidências setoriais indicam que a produtividade do setor avançou, em média, apenas 1,89% ao ano entre 2003 e 2013, um patamar inferior ao observado internacionalmente, reforçando a urgência de ganhos de eficiência e de controle de variabilidade (SINDUSCON-SP; FGV, 2016). Este cenário desafiador exige modelos de gestão inovadores que possam reduzir a incerteza e aumentar a previsibilidade executiva, garantindo a competitividade das empresas no mercado em constante evolução.
Nesse contexto de mercado exigente, uma construtora de médio porte em Goiânia, com atuação consolidada em empreendimentos residenciais de alto padrão, buscou aprimorar sua excelência operacional. Embora reconhecida pela qualidade construtiva e pontualidade, a organização identificou oportunidades de otimização em seus processos internos para garantir a sustentabilidade de seu crescimento a longo prazo. Uma avaliação interna revelou que, apesar de contar com equipes experientes, as práticas de gerenciamento de riscos não estavam plenamente formalizadas, resultando em falhas executivas recorrentes. Essa lacuna na gestão de obras abriu a oportunidade para a elaboração de um business case focado na implementação de um sistema estruturado de gestão de riscos, visando mitigar prejuízos, elevar a eficiência e fortalecer a governança técnica.
O problema de negócio central identificado foi a ocorrência frequente de retrabalhos nas etapas de acabamento, como revestimento, pintura e esquadrias, que geravam desvios significativos no orçamento e cronograma. Essa situação era um sintoma da abordagem predominantemente reativa da empresa na resolução de problemas, sem mecanismos preventivos formais. A ausência de um processo estruturado de análise crítica e compatibilização prévia de projetos complementares resultava em incompatibilidades que só eram detectadas durante a execução, gerando custos adicionais. Tais falhas executivas recorrentes levavam a desperdícios de materiais, atrasos na entrega e, consequentemente, a prejuízos financeiros que, em alguns casos, podiam atingir até 10% do valor total investido, comprometendo a rentabilidade e a satisfação do cliente final.
A aplicação da técnica dos 5 Porquês e a análise do Diagrama de Ishikawa revelaram que a raiz do problema dos retrabalhos e desperdícios residia na ausência de um sistema estruturado de gestão de riscos que antecipasse falhas antes da execução. As falhas de execução nas etapas de acabamento eram causadas por incompatibilidades nos projetos complementares, as quais, por sua vez, decorriam da falta de um processo formal de análise crítica e compatibilização prévia. A empresa não possuía um sistema de gestão de riscos integrado ao planejamento de projetos, e sua cultura organizacional era orientada a práticas reativas, sem ferramentas metodológicas padronizadas. Este cenário contribuía para a baixa qualificação da mão de obra, planejamento reativo, uso incorreto de materiais e comunicação deficiente, conforme dados setoriais (Elias, 2023).
A falta de processos integrados de gestão impactava diretamente a produtividade e a qualidade dos empreendimentos verticais, conforme apontado por Souto, Lordsleem e Rocha (2022). A burocracia e os atrasos associados ao setor, que podem representar um impacto de R$ 59 bilhões até 2025 (Elias, 2023), exacerbam a necessidade de otimização urgente. A ausência de estruturas eficazes para mitigação de riscos mostrou-se um fator crítico para o desempenho das obras, ocasionando retrabalhos, desperdícios e atrasos que afetavam diretamente os resultados financeiros e a qualidade final do produto entregue ao cliente. A Sondagem Indústria da Construção da CNI (2024) também aponta a escassez de mão de obra qualificada, a elevada carga tributária e as restrições de acesso ao crédito como entraves estruturais que comprimem margens e limitam a capacidade de investimento.
Foi nesse ambiente de busca por melhoria contínua que a necessidade de aprofundar a análise sobre as causas de desvios no orçamento e no cronograma se tornou evidente. A lacuna na formalização das práticas de gerenciamento de riscos, apesar da experiência das equipes, resultava em falhas executivas recorrentes, gerando custos não previstos. O objetivo principal deste business case, portanto, foi implementar um sistema estruturado de gestão de riscos em obras verticais residenciais, contemplando as fases críticas de projetos, suprimentos e execução no canteiro. Esperava-se, com isso, reduzir em pelo menos 20% os custos decorrentes de retrabalho e perdas de materiais, elevar os níveis de eficiência executiva pela mitigação das causas-raiz das falhas e melhorar a qualidade final do produto, reduzindo atrasos e desperdícios de forma sistêmica.
A solução recomendada para enfrentar esses desafios é a implementação de um Sistema Integrado de Gestão (SGR + Lean + Digital), uma abordagem baseada na tríade de Gestão de Riscos, Lean Construction e Transformação Digital. Este modelo visa aprimorar a confiabilidade do cronograma, reduzir retrabalhos e sustentar a competitividade da empresa, garantindo uma gestão mais proativa e eficiente em todas as etapas do projeto. O foco da intervenção é alcançar uma redução mensurável de 20% nos custos associados a retrabalho e aumentar a produtividade das equipes executivas em 15%. A literatura contemporânea em gestão de projetos corrobora a relevância desta abordagem integrada, destacando a formalização de práticas de gestão de riscos como essencial para a mitigação de perdas e retrabalhos (Fernandes e Rabechini, 2023).
O primeiro pilar da solução é a implementação de um Sistema de Gestão de Riscos (SGR) estruturado em três fases: identificação, análise e mitigação. Este sistema é aplicado desde a compatibilização de projetos até o canteiro de obras, utilizando ferramentas como matriz de riscos, planos de contingência e indicadores de monitoramento contínuo. A formalização da gestão de riscos é crucial para antecipar e mitigar falhas, proporcionando um controle mais robusto sobre os processos e decisões. Fernandes e Rabechini (2023) apontam que a formalização de práticas de gestão de riscos é essencial para a mitigação de perdas e retrabalhos, garantindo que a empresa possa identificar, avaliar e responder proativamente aos riscos, minimizando impactos negativos e aumentando a previsibilidade operacional de forma estratégica.
O segundo pilar integra metodologias de Lean Construction, visando eliminar desperdícios e reduzir a variabilidade nos processos construtivos. Isso inclui o mapeamento do fluxo de valor para identificar e remover atividades sem valor agregado, a aplicação da linha de balanço para otimizar o ritmo de produção e o uso do Last Planner System (LPS) para reduzir a variabilidade e aumentar a confiabilidade do planejamento. Souto, Lordsleem e Rocha (2022) reforçam que a aplicação do Lean Construction em obras verticais, por meio de ferramentas como o LPS e a Linha de Balanço, é eficaz na redução da variabilidade e de desperdícios. Essa integração melhora a coordenação entre as etapas construtivas e sustenta uma cultura organizacional orientada à eficiência contínua e à melhoria da qualidade final (Spósito et al., 2018).
O terceiro pilar da solução foca na adoção de tecnologias digitais para otimizar a gestão e o controle. O Building Information Modeling (BIM) é utilizado para a compatibilização prévia de projetos e a detecção de interferências antes da execução, reduzindo significativamente as falhas em campo e os custos associados. Complementarmente, dashboards de monitoramento em tempo real oferecem transparência para a gestão, com indicadores-chave de desempenho (KPIs) como percentual de retrabalho, perdas de materiais e avanço físico versus planejado. Tanaka, Matsuda e Maclennan (2024) demonstram que o uso de ferramentas digitais, como o BIM e dashboards de monitoramento, proporciona um controle de produção superior e maior previsibilidade de custos, facilitando decisões baseadas em dados e aprimorando a eficiência operacional de maneira integral.
Para complementar a implementação dos pilares principais, a padronização de processos executivos é fundamental para garantir a consistência e a qualidade. Isso envolve o desenvolvimento de manuais e checklists de qualidade detalhados para etapas críticas da construção, como revestimento, pintura e esquadrias, assegurando que as melhores práticas sejam seguidas. Procedimentos formais de inspeção e aprovação por etapa são estabelecidos para garantir a conformidade e a qualidade do trabalho realizado. Essa padronização visa reduzir a subjetividade e a variabilidade na execução, minimizando a ocorrência de erros e retrabalhos. Ao formalizar cada etapa, a empresa garante maior controle de qualidade, promove uma execução mais eficiente e previsível, contribuindo para a entrega de um produto final de alta qualidade e durabilidade.
A capacitação e o engajamento da equipe são determinantes para o sucesso do sistema de gestão, pois o fator humano é crucial para a adoção de novas práticas. Programas contínuos de treinamento técnico são implementados para garantir que todos os colaboradores compreendam e apliquem as novas metodologias e ferramentas digitais. Além disso, incentiva-se uma cultura preventiva e colaborativa, onde a identificação e mitigação de riscos são responsabilidades compartilhadas por todos os níveis da organização. A liderança de alta performance, aplicada no canteiro de obras, é essencial para promover a adesão às novas práticas e consolidar a mudança cultural necessária para a efetividade do SGR. Caldana (2024) ressalta que equipes treinadas e orientadas por líderes de alta performance apresentam maior adesão a práticas preventivas e colaborativas, garantindo a sustentabilidade da melhoria contínua e o sucesso do projeto.
O investimento estimado para a implementação do Sistema Integrado de Gestão é de R$ 200 mil, cobrindo treinamentos, softwares e ferramentas de gestão visual, essenciais para a modernização dos processos. A análise financeira demonstrou a robustez da proposta, com projeções de retorno altamente favoráveis. Considerando um custo de retrabalho médio de 8% sobre um valor de obra de R$ 50 milhões, o custo anual de retrabalho é de R$ 4 milhões. A meta de redução de 20% nos custos de retrabalho representa uma economia projetada de R$ 800 mil por ano. Com base nesses dados, o Retorno sobre o Investimento (ROI) estimado é de 300%, e o payback, ou seja, o tempo de recuperação do investimento, é de apenas três meses. Esses indicadores financeiros reforçam a viabilidade econômica e o alto potencial de retorno da iniciativa, justificando o investimento.
O estudo quase-experimental, realizado em uma empresa de construção de médio porte em Goiânia, validou empiricamente a eficácia do Sistema Integrado de Gestão. A metodologia envolveu a comparação de indicadores de desempenho nos três meses anteriores e nos seis meses após a implementação do modelo, utilizando uma abordagem antes/depois. Os resultados observados foram significativos: o índice de retrabalho diminuiu em 22%, demonstrando uma redução substancial nas falhas executivas e nos custos associados. Paralelamente, a produtividade da mão de obra aumentou em 17%, indicando uma otimização dos processos e um uso mais eficiente dos recursos humanos. Esses dados confirmam a capacidade do sistema de gerar melhorias operacionais mensuráveis e impactar positivamente a eficiência geral da construção, validando as hipóteses iniciais do projeto.
Além da redução do retrabalho e do aumento da produtividade, o Percentual de Planejamento Concluído (PPC) subiu para mais de 80% após a implementação do sistema, refletindo uma melhoria substancial na confiabilidade do cronograma e na previsibilidade executiva. Este aumento no PPC indica que as atividades planejadas estão sendo concluídas de forma mais consistente e dentro do prazo, reduzindo a variabilidade. A análise econômica corroborou esses resultados operacionais, estimando um Retorno sobre o Investimento (ROI) de 300% e um período de payback de apenas três meses, evidenciando a solidez financeira da proposta. Tais resultados empíricos demonstram que a incorporação de gestão de riscos formalizada, planejamento colaborativo e tecnologia digital contribui dramaticamente para a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira da empresa em obras de arranha-céus.
A implementação do Sistema Integrado de Gestão projeta impactos estratégicos e operacionais de longo prazo, consolidando a empresa no mercado. Espera-se uma redução mínima de 20% nos custos com retrabalhos e perdas de material, e um aumento de 15% na produtividade da equipe, medido pelo indicador de unidades entregues no prazo planejado. O sistema visa também a melhoria da eficiência de processos internos, com maior integração entre projetos, suprimentos e execução, otimizando o fluxo de trabalho. Outros impactos incluem o fortalecimento da governança técnica, com padronização de processos e rastreabilidade de riscos, e a sustentabilidade organizacional, com maior previsibilidade de prazos, custos e qualidade final. Essas metas, quando alcançadas, consolidarão a empresa como referência em excelência operacional e gestão de riscos no setor da construção civil.
A contribuição gerencial deste business case é multifacetada, transformando a gestão de riscos de uma atividade meramente documental em um instrumento estratégico de agregação de valor para a organização. Ao formalizar processos, o sistema aumenta a transparência, a rastreabilidade e a organização tecnicamente governada, diminuindo as inconsistências frequentes na construção, historicamente caracterizadas por incertezas operacionais e baixa padronização. Financeiramente, o forte retorno sobre o investimento demonstra que a eficiência operacional é uma das chaves para a competitividade empresarial. Menos desperdício e falhas executivas afetam positivamente as margens de lucro e podem produzir melhores resultados, solidificando a posição da empresa no mercado e garantindo sua sustentabilidade a longo prazo, com uma gestão mais robusta e proativa.
Este estudo também oferece uma contribuição teórica significativa, fornecendo evidências empíricas quantitativas sobre a relação entre gestão de riscos estruturada e desempenho operacional na construção civil brasileira. Ele serve como uma ponte entre construtos teóricos e práticas gerenciais, validando a aplicação de conceitos acadêmicos em um ambiente de negócios real e complexo. O uso de indicadores objetivos e o exame estatístico aprimoram o rigor metodológico da análise, oferecendo insights valiosos para a comunidade acadêmica e profissional. Ao demonstrar ganhos mensuráveis em produtividade, confiabilidade do cronograma e desempenho financeiro, o business case reforça a importância de uma abordagem integrada para a gestão de projetos complexos, promovendo a inovação e a melhoria contínua no setor.
A implementação de qualquer sistema inovador apresenta riscos, e este business case identificou e propôs estratégias de mitigação para os principais, garantindo a viabilidade do projeto. Um risco potencial é a baixa adesão da equipe devido à resistência a novos métodos; para contornar isso, será oferecido treinamento prático e gestão visual desde a fase inicial de diagnóstico, promovendo o engajamento. A resistência da gerência, decorrente da falta de alinhamento de metas, será mitigada vinculando o Percentual de Planejamento Concluído (PPC) e o OTIF (On-Time, In-Full) a indicadores de desempenho gerencial, incentivando a colaboração. Por fim, a inconsistência de dados, frequentemente causada pela coleta manual de informações, será resolvida por meio da automatização via aplicativo de campo e auditorias semanais, garantindo a integridade e a confiabilidade dos dados para tomadas de decisão estratégicas.
Em síntese, a implementação e validação empírica do Sistema Integrado de Gestão (SGR + Lean + Digital) em uma obra vertical residencial demonstram um impacto transformador na eficiência operacional e na sustentabilidade financeira. O estudo comprovou que a formalização da gestão de riscos, integrada ao planejamento colaborativo e às tecnologias digitais, é capaz de produzir ganhos mensuráveis em produtividade, confiabilidade do cronograma e desempenho financeiro. Esta abordagem não apenas reduz a variabilidade executiva e mitiga retrabalhos, mas também fortalece a governança técnica e a competitividade da organização. A gestão de riscos, quando estruturada e incorporada ao processo produtivo, deixa de ser vista como um custo e se torna um vetor estratégico para a excelência na construção civil, impulsionando a inovação e a liderança no mercado.
Referências Bibliográficas:
CALDANA, A. C. F. Liderança e Seleção de Equipes de Alta Performance. Ribeirão Preto: FEA/USP, 2024.
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ELIAS, Juliana. Burocracia e atrasos podem custar R$ 59 bi à construção até 2025, diz estudo. CNN Brasil, São Paulo, 27 set. 2023. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/burocracia-e-atrasos-podem-custar-r-59-bi-a-construcao-ate-2025-diz-estudo. Acesso em: 23 ago. 2025.
FERNANDES, P. J. M. A.; RABECHINI JR., R. Gestão de riscos na abordagem ágil e o sucesso de projetos. Journal of Management & Technology, v. 23, n. 1, p. 138-162, 2023.
SINDUSCON-SP; FGV. Produtividade brasileira na construção ficou abaixo da média mundial na última década. São Paulo, 15 jan. 2016. Disponível em: https://sindusconsp.com.br/produtividade-brasileira-na-construcao-ficou-abaixo-da-media-mundial-na-ultima-decada/. Acesso em: 23 ago. 2025.
SOUTO, J. B.; LORDSLEEM, A. C.; ROCHA, H. M. Construção enxuta em obras de edificações verticais: estudo de caso em canteiro de obras. Ambiente Construído, v. 22, n. 4, p. 143-160, 2022.
SPÓSITO, J. P.; DUTRA PERDIGÃO, V.; BARBOSA, R. V.; GALVÃO Jr., P. “Análise das práticas do Lean Construction em um empreendimento residencial”. Revista Gestão & Tecnologia, v. 18, n. 2, p. 253-273, 2018. DOI: 10.20397/2177-6652/2018.v18i2.1097.
TANAKA, K.; MATSUDA, E.; MACLENNAN, M. Transformação digital na construção civil: impactos e desafios para a produtividade. Revista Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 24, n. 1, 2024.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq
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