Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Piloto das Emoções: um Guia para desenvolver crianças que sabem pensar, sentir e agir

Piloto das Emoções: um Guia para Desenvolver Crianças que Sabem Pensar, Sentir e Agir

Melissa Moreira Zanquetta; Lea da Silva Veras

DOI: 10.22167/2675-6528-202603280

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O desenvolvimento das Funções Executivas na infância é fundamental para o sucesso acadêmico, adaptação social e saúde mental, contudo, a transferência do conhecimento neurocientífico para o cotidiano de pais e educadores representou um desafio devido a barreiras de linguagem e complexidade. O estudo buscou desenvolver e avaliar o guia didático “Piloto das Emoções”, destinado a pais e educadores de crianças de 3 a 12 anos, com o objetivo de traduzir achados neurocientíficos sobre as Funções Executivas em estratégias práticas. A metodologia empregou uma abordagem mista, exploratória e descritiva, que envolveu a elaboração do Guia com o auxílio de personagens lúdicos e sua validação por meio de um questionário online. Este foi aplicado a uma amostra intencional de 34 participantes, composta por pais e educadores de São Paulo. A análise dos dados utilizou uma metodologia mista, integrando dados quantitativos (Escala Likert) e qualitativos (respostas abertas), e aplicou o Teste de Wilcoxon para comparar o conhecimento dos participantes antes e após a leitura do Guia. Os resultados indicaram aprovação unânime do Guia quanto à aplicabilidade e relevância, com um aumento significativo no conhecimento autodeclarado dos participantes, que passou de uma média de 6,6 para 9,4 pontos (p<0,001). A ludicidade dos personagens facilitou a compreensão de conceitos abstratos, resultando em alta taxa de recomendação. Concluiu-se que o Guia constituiu uma ferramenta psicoeducativa acessível e bem avaliada, capacitando adultos a estimular o desenvolvimento neurocognitivo infantil de maneira mais assertiva e colaborativa.

Palavras-chave: Desenvolvimento infantil; Funções executivas; Habilidades socioemocionais; Mediação da aprendizagem; Neurociência aplicada.

1. Introdução

O desenvolvimento das Funções Executivas (FEs) na infância é fundamental para o sucesso acadêmico, a adaptação social e a saúde mental (Diamond, 2013; Bick e Nelson, 2017). Embora as FEs possuam uma base genética (Raffington et al., 2023), seu desenvolvimento é significativamente influenciado por estímulos ambientais e educacionais (Shonkoff, 2010). Este período, especialmente entre os três e os doze anos de idade, é crucial para a formação da capacidade da criança de se autocontrolar, autorregular e interagir com o mundo (Caughy et al., 2024). A estimulação cognitiva bem direcionada desde a primeira infância, em ambientes de cuidado e apoio parental e educacional, exerce um impacto importante na maturação do córtex pré-frontal, a região cerebral intimamente associada às FEs (Mc Dorman et al., 2025).

As FEs são habilidades cognitivas responsáveis pelo controle de pensamentos, emoções e ações, e incluem a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva (Diamond, 2013; Friedman e Robbins, 2022; Zelazo e Carlson, 2023). O controle inibitório permite que o indivíduo evite impulsos automáticos, como distrações e reações habituais, agindo de forma mais refinada e adequada, além de gerenciar pensamentos e comportamentos. A memória de trabalho refere-se à capacidade de reter e manipular informações por curtos períodos, essencial para a solução de problemas. Já a flexibilidade cognitiva desenvolve a habilidade de se adaptar a novas regras, demandas ou perspectivas, mudando o foco da atenção de maneira ágil para resolver desafios e corrigir falhas.

A importância de um bom desenvolvimento dessas habilidades tem sido amplamente comprovada pela ciência. Um estudo longitudinal conduzido por Moffitt et al. (2011), que acompanhou mil crianças por trinta anos, demonstrou que aquelas com melhores habilidades executivas na infância apresentavam menores taxas de evasão escolar, abuso de substâncias lícitas e ilícitas, e crimes na vida adulta, além de melhores índices de saúde e maior sucesso profissional no futuro.

Apesar do crescente conhecimento científico que atesta a relevância das FEs, a transferência desse saber para o cotidiano de pais e educadores ainda é um desafio. Existe uma demanda por informações sobre a neurociência do desenvolvimento infantil, mas frequentemente falta um método eficaz para traduzir os resultados da pesquisa científica em estratégias pedagógicas e práticas familiares de fácil compreensão e aplicação. A complexidade dos conceitos neurocientíficos e a linguagem técnica, embora essenciais no ambiente acadêmico, podem se tornar barreiras para o público em geral que busca informações claras, simples e objetivas sobre o desenvolvimento cerebral infantil (Sigman et al., 2014; SESI, 2024).

Diante dessa lacuna, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de preencher a distância entre o conhecimento científico e a aplicação prática, oferecendo um recurso que capacite adultos a promoverem o desenvolvimento neurocognitivo infantil de maneira mais eficaz. O objetivo principal do presente estudo foi desenvolver e avaliar um Guia didático, que transformou os achados neurocientíficos e terminologias acadêmicas complexas sobre as FEs em orientações práticas e de fácil compreensão e aplicabilidade, para pais e educadores de crianças entre três e doze anos.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem metodológica mista, de natureza exploratória e descritiva, com caráter aplicado. O objetivo foi desenvolver e avaliar o Guia didático “Piloto das Emoções”, para pais e educadores de crianças entre três e doze anos. A metodologia compreendeu a elaboração do Guia e sua validação por questionário online.

A elaboração do Guia didático foi a primeira fase da pesquisa. O material foi fundamentado em conceitos neurocientíficos sobre o desenvolvimento das Funções Executivas (FEs) na infância, suas aplicações práticas e habilidades socioemocionais. A linguagem do Guia foi simples, direta e abrangente, evitando termos técnicos para facilitar a compreensão pelo público-alvo.

Para otimizar a compreensão de conceitos neurocientíficos complexos e promover engajamento, foram criados três personagens fictícios: o Robô Freio (controle inibitório), a Memo-Luz (memória de trabalho) e o Mola Flex (flexibilidade cognitiva). A criação dos personagens e figuras do Guia utilizou inteligência artificial, com prompts desenvolvidos pela pesquisadora com base em seu conhecimento e especialização na área.

A amostra para a fase de validação foi composta por 34 participantes, incluindo pais, responsáveis e educadores de crianças de três a doze anos, atuantes em escolas particulares de São Paulo. A seleção da amostra foi intencional, buscando indivíduos que interagiam diretamente com o desenvolvimento infantil. O número de participantes foi considerado adequado para análises descritivas quantitativas e qualitativas (Vianna, 2014; Guest et al., 2006).

A validação do Guia foi conduzida por meio de um questionário online, desenvolvido na plataforma Google Forms. O instrumento coletou a percepção dos participantes sobre clareza, relevância e aplicabilidade do material, com perguntas baseadas em modelos de avaliação pedagógica.

O recrutamento ocorreu exclusivamente pela internet, via convites por e-mail, sem contato físico direto com a pesquisadora. Antes de responderem ao questionário, os participantes aceitaram sua participação após a leitura obrigatória do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que detalhava os procedimentos e direitos relacionados ao projeto.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) em 09 de fevereiro de 2026 (CAAE n° 94377925.8.0000.9927), com Parecer Consubstanciado publicado. A coleta de dados iniciou-se após esta aprovação, em conformidade com as diretrizes éticas.

Para garantir confidencialidade e anonimato, o questionário online foi configurado para desativar a coleta de e-mails e IPs. Os dados foram exportados do Google Forms para um computador exclusivo da equipe, criptografado e protegido por senha, com acesso restrito à pesquisadora principal e orientadora.

Uma cópia de segurança foi mantida em dispositivo externo criptografado. Após a confirmação da integridade, todos os registros e o formulário original foram excluídos definitivamente do Google Forms. Os dados serão mantidos por cinco anos e, posteriormente, eliminados de forma definitiva por ferramentas de data wiping, conforme as normas éticas.

A análise dos dados empregou uma metodologia mista, integrando informações quantitativas, obtidas por meio de uma Escala Likert, e qualitativas, provenientes de respostas abertas e textuais. O processo analítico estruturou-se em três etapas: Análise Quantitativa (percepção de clareza, relevância e aplicabilidade do Guia), Análise Qualitativa (respostas abertas para contextualizar dados numéricos) e integração dos resultados.

Para a análise dos dados quantitativos ordinais, utilizou-se estatística não paramétrica. Aplicou-se o Teste de Wilcoxon para amostras pareadas, comparando o conhecimento dos participantes antes e após a leitura do Guia. Adicionalmente, empregou-se o Teste de Wilcoxon para uma amostra nas respostas da Escala Likert, verificando se as avaliações de clareza, relevância e aplicabilidade superaram o valor neutro da escala.

3. Resultados e Discussão

Os resultados obtidos por meio do questionário de validação do Guia “Piloto das Emoções” foram analisados utilizando uma metodologia mista, que integrou dados quantitativos, extraídos da Escala Likert, e dados qualitativos, provenientes de respostas abertas. O objetivo central da análise foi avaliar a satisfação dos participantes e compreender os contextos que fundamentaram as pontuações atribuídas, garantindo que o guia fosse cientificamente rigoroso e, ao mesmo tempo, prático para o público-alvo. Este processo analítico foi estruturado em três etapas fundamentais: Análise Quantitativa, Análise Qualitativa e Integração dos Resultados, culminando em um relatório de revisões para o aprimoramento final do material.

A amostra analisada foi composta por 34 participantes, todos atuantes diretamente no cuidado infantil, sendo 64,7% pais ou responsáveis, 26,5% educadores e 8,8% indivíduos que exerciam ambos os papéis. A distribuição etária das crianças com as quais esses adultos interagiam foi abrangente, cobrindo todas as faixas etárias do estudo, com 26,5% interagindo com crianças de três a cinco anos, 55,9% com crianças de seis a oito anos e 38,2% com crianças de nove a doze anos. Essa representatividade reforça a pertinência do estudo, uma vez que o desenvolvimento das Funções Executivas é considerado crítico precisamente entre os três e os doze anos de idade, conforme destacado por Davidson et al. (2006) e Diamond (2013).

A avaliação do nível de conhecimento prévio dos participantes sobre as Funções Executivas revelou uma média inicial de 6,6 pontos. Após a leitura do Guia, essa média elevou-se significativamente para 9,4 pontos. O Teste de Postos Sinalizados de Wilcoxon para amostras pareadas indicou uma diferença estatisticamente significativa entre os níveis de conhecimento autodeclarados antes e depois da intervenção (Z=4,72; p<0,001). Este achado evidencia um aumento substancial no conhecimento individual dos participantes, o que demonstra a eficácia do Guia como ferramenta de transferência de conhecimento neurocientífico para o público-alvo.

Este aumento no conhecimento é crucial, pois a complexidade dos conceitos neurocientíficos e a linguagem técnica frequentemente atuam como barreiras para a população em geral, dificultando a aplicação prática de descobertas importantes sobre o desenvolvimento cerebral infantil. A tradução desse saber para uma linguagem acessível é fundamental para que pais e educadores possam criar ambientes de aprendizagem mais favoráveis, colaborando de maneira mais direta e objetiva no desenvolvimento infantil (Sigman et al., 2014; SESI, 2024). O Guia “Piloto das Emoções” buscou preencher essa lacuna, tornando o conhecimento científico mais acessível e aplicável.

A análise quantitativa, estruturada na Escala Likert, demonstrou uma aprovação generalizada do Guia, sem registros de avaliações inferiores ao conceito de concordância. Em relação à clareza e simplicidade de leitura do material, 82,4% dos respondentes atribuíram a nota máxima. Este dado é particularmente relevante, pois a simplificação da linguagem técnica foi um dos pilares na elaboração do Guia, visando superar as barreiras de compreensão que frequentemente impedem a aplicação prática do conhecimento neurocientífico.

O critério de relevância do Guia para o desenvolvimento infantil foi muito bem avaliado, com um valor Z de 5,51 (p<0,001), indicando uma alta significância estatística. Este resultado está alinhado com as evidências de Shonkoff (2010) e Diamond (2013), que reforçam a importância de um ambiente saudável e de estímulos adequados para o desenvolvimento do córtex pré-frontal infantil. A percepção de relevância do Guia pelos participantes sugere que o material aborda uma necessidade real e oferece soluções práticas para o cotidiano de pais e educadores.

Quanto à aplicabilidade dos exemplos práticos apresentados no Guia para o cotidiano, a totalidade da amostra manifestou concordância altamente positiva, com um valor Z de 5,56 (p<0,001). Este achado é fundamental, pois um dos objetivos centrais do estudo era desenvolver um material que não apenas informasse, mas que também oferecesse estratégias concretas e de fácil implementação. A alta taxa de concordância demonstra que o Guia conseguiu traduzir conceitos complexos em ações práticas e acessíveis, promovendo a intervenção neurocognitiva de forma eficaz.

Os critérios de clareza e simplicidade do material como um todo também registraram índices estatisticamente superiores ao limiar de neutralidade da escala Likert, com um valor Z de 5,47 (p<0,001). Isso reforça a percepção de que a linguagem utilizada no Guia foi adequada para o público-alvo, facilitando a compreensão de conceitos abstratos e complexos. A capacidade de tornar o conteúdo acessível é um diferencial importante para materiais psicoeducativos, especialmente aqueles que abordam temas da neurociência.

Um resultado crucial foi a autoavaliação dos participantes em relação à sua confiança para estimular as Funções Executivas das crianças após a leitura do Guia. Verificou-se que 67,6% dos participantes declararam-se “preparados” e 32,4% concordaram que se sentiriam “mais preparados”, totalizando 100% de respostas positivas. Este dado indica que o Guia atingiu seu objetivo de promover aplicabilidade e confiança, capacitando os adultos a atuarem como mediadores eficazes no desenvolvimento neurocognitivo infantil.

O entendimento da importância do preparo dos adultos que interagem com crianças é um resultado fundamental, pois o desenvolvimento adequado das Funções Executivas prepara os indivíduos para serem mais saudáveis e terem mais sucesso na vida adulta, conforme apontado por Moffitt et al. (2011). Capacitar os adultos mediadores é, portanto, o passo inicial para garantir a eficácia da intervenção neurocognitiva, que exerce uma base importante para o desenvolvimento neurocognitivo saudável (Friedman e Robbins, 2022).

A análise qualitativa, que envolveu as respostas abertas dos participantes, complementou os dados numéricos ao capturar as percepções subjetivas e os motivos que justificaram a alta aceitação quantitativa. Na questão referente à parte mais apreciada do Guia, a análise temática revelou o forte impacto da criação dos personagens lúdicos: o Robô Freio, a Memo-Luz e o Mola Flex. Esses personagens facilitaram a assimilação de conteúdos complexos, como Controle Inibitório, Memória de Trabalho e Flexibilidade Cognitiva (Zelazo e Carlson, 2023).

Os participantes relataram que “os personagens ajudam muito na visualização”, elogiando “a linguagem simples sem termos difíceis” e destacando que “a transposição didática está perfeita”. Outros relatos incluíram observações como “as ilustrações tornaram a leitura dinâmica e divertida, sem perder a informação” e “gostei muito das ilustrações, das analogias feitas, que trazem um entendimento mais fácil de conteúdos abstratos, como é estudar o funcionamento do cérebro”. Essas percepções confirmam a eficácia da estratégia de ludicidade na comunicação de temas complexos.

A utilização do lúdico não apenas atraiu a atenção infantil, mas também atuou como um facilitador cognitivo para os adultos. As analogias empregadas no Guia, como a comparação do cérebro a um avião, das funções executivas à cabine de comando da aeronave, da criança ao piloto e do adulto mediador ao copiloto, proporcionaram uma visão mais palpável e educativa para o entendimento do conteúdo. Essa abordagem tornou os conceitos abstratos mais concretos e fáceis de serem assimilados e aplicados no dia a dia.

A personificação das Funções Executivas por meio dos personagens permitiu que os pais “externalizassem” regras e conceitos, utilizando frases como “O que o Robô Freio faria agora?”. Essa estratégia é baseada em evidências e fortemente recomendada para o manejo comportamental infantil, além de contribuir para a redução da sobrecarga cognitiva da criança (Child Mind Institute, 2025; Zelazo e Carlson, 2023). A interação entre o controle inibitório e a memória de trabalho, facilitada pelos personagens, é fundamental para que a criança consiga se adequar a novos comportamentos e regras (León et al., 2013).

A etapa final de integração entre os dados quantitativos e qualitativos confirmou a consistência interna da pesquisa, demonstrando que a concordância quantitativa sobre a aplicabilidade do Guia se refletiu nos apontamentos qualitativos. Os usuários expressaram a intenção de incorporar as brincadeiras propostas, como o “Jogo da Estátua”, em suas rotinas diárias, o que indica uma alta probabilidade de uso prático do material e sua integração nas interações familiares e educacionais.

Ao serem questionados sobre quais temas gostariam de ver aprofundados, os participantes sugeriram abordagens voltadas aos desafios comportamentais contemporâneos. Dentre as sugestões, destacaram-se: como lidar com birras e frustrações utilizando os personagens, o uso de telas aliado ao controle inibitório e à memória de trabalho, atividades práticas de flexibilidade cognitiva, estratégias para a sala de aula, jogos coletivos e atividades para crianças neurodivergentes e com dificuldades de aprendizagem. Essas sugestões são valiosas para o aprimoramento contínuo do Guia.

Essas sugestões confirmam as descobertas de Mc Dorman et al. (2025), que destacam como a qualidade da relação parental e o manejo do ambiente em casa e na escola atuam como moderadores diretos das habilidades socioemocionais das crianças. Além disso, a busca por ferramentas lúdicas e pedagógicas que funcionem em momentos de estresse real, como mencionado por Caughy et al. (2024), reforça a relevância de incluir esses temas no Guia para atender às necessidades práticas dos pais e educadores.

O nível de satisfação geral com o Guia foi alto, com relatos dos participantes descrevendo-o como “muito útil” e afirmando que “superou expectativas”. Consequentemente, a taxa de recomendação do Guia foi unânime, consolidando sua validade como um recurso psicoeducativo. Este feedback positivo e a alta intenção de uso demonstram que o material não apenas atendeu às expectativas, mas também gerou um impacto positivo na percepção dos usuários sobre sua capacidade de promover o desenvolvimento das Funções Executivas.

Com base na integração dos resultados, foi elaborado um relatório de revisões para otimizar o Guia didático. A primeira recomendação foi a expansão em regulação emocional prática, incluindo um roteiro de ação rápida sobre como acionar o Robô Freio e o Mola Flex durante picos de desregulação emocional, como birras, frustrações e dificuldades de aprendizagem em crianças neurodivergentes. Esta adição visa fornecer ferramentas ainda mais diretas para situações desafiadoras do cotidiano.

A segunda diretriz de aprimoramento sugeriu a inclusão de um subtópico contextualizando o impacto da superexposição às telas no desenvolvimento da Memo-Luz (atenção sustentada e memória de trabalho) e do Robô Freio (controle inibitório, resistência a impulsos e distrações), além de orientações sobre como estabelecer limites saudáveis. Esta revisão aborda uma preocupação contemporânea e oferece estratégias para um manejo mais consciente do tempo de tela, alinhando o Guia às necessidades atuais das famílias.

A terceira recomendação foi a adaptação escolar, com a inserção de dicas rápidas sobre como aplicar as atividades propostas em formato de jogos coletivos, facilitando a adesão por educadores em sala de aula. Esta medida visa ampliar o alcance e a aplicabilidade do Guia para o ambiente educacional, tornando-o uma ferramenta versátil que pode ser integrada tanto em casa quanto na escola, promovendo um desenvolvimento holístico das Funções Executivas.

Dessa forma, os resultados confirmaram que a versão avaliada do “Piloto das Emoções” é altamente eficaz em sua proposta de traduzir o conhecimento neurocientífico em práticas acessíveis. As revisões propostas, baseadas no feedback dos usuários, garantirão que a versão final do Guia seja uma ferramenta ainda mais assertiva e completa para a promoção da saúde cognitiva e emocional na infância. A capacidade de adaptação e aprimoramento contínuo do material, a partir da experiência dos usuários, são elementos que reforçam sua relevância e potencial de impacto.

Em síntese, o estudo demonstrou que o Guia didático “Piloto das Emoções” foi bem-sucedido em seu objetivo de desenvolver e avaliar uma ferramenta psicoeducativa que traduz achados neurocientíficos sobre as Funções Executivas em estratégias práticas para pais e educadores. A pesquisa revelou um aumento significativo no conhecimento dos participantes, alta aprovação quanto à clareza, relevância e aplicabilidade, e um impacto positivo da ludicidade dos personagens na compreensão de conceitos abstratos. As sugestões de aprimoramento, incorporadas ao relatório de revisões, asseguram que o Guia se manterá relevante e alinhado às necessidades práticas do público-alvo, fortalecendo a capacidade dos adultos de estimular o desenvolvimento neurocognitivo infantil de maneira assertiva e colaborativa.

4. Conclusão

O presente estudo buscou desenvolver e avaliar um guia didático destinado a pais e educadores de crianças de três a doze anos, com o propósito de traduzir achados neurocientíficos complexos sobre as Funções Executivas em estratégias práticas e acessíveis. Verificou-se que o Guia “Piloto das Emoções” obteve aprovação unânime dos 34 participantes, composta por pais e educadores, quanto à sua aplicabilidade e relevância para o desenvolvimento infantil. Observou-se um aumento significativo no conhecimento autodeclarado dos participantes sobre as Funções Executivas após a leitura do material, o que demonstrou a eficácia do Guia como ferramenta de transferência de conhecimento. A clareza e a simplicidade da linguagem, aliadas à criação de personagens lúdicos como o Robô Freio, a Memo-Luz e o Mola Flex, foram destacadas como facilitadores cruciais para a compreensão de conceitos abstratos, resultando em uma alta taxa de recomendação do material. Assim, o Guia constitui uma ferramenta psicoeducativa acessível e bem avaliada, que capacita adultos a estimular o desenvolvimento neurocognitivo infantil de maneira mais assertiva e colaborativa.

Contudo, reconhece-se que o estudo possui limitações inerentes à sua natureza de pesquisa-ação descritiva e caráter piloto, não oferecendo comprovação experimental de eficácia clínica e restringindo suas validações ao recorte sociocultural da amostra de São Paulo. Para aprimoramento contínuo e expansão da contribuição do Guia, sugeriu-se a inclusão de roteiros de ação rápida para regulação emocional em situações desafiadoras, como birras e frustrações, e a contextualização do impacto da superexposição às telas no desenvolvimento das Funções Executivas, com orientações para limites saudáveis. Adicionalmente, propôs-se a adaptação do material para o ambiente escolar, com dicas para a aplicação de atividades em jogos coletivos. Essas recomendações visam fortalecer a relevância do Guia e sua conexão com os desafios práticos enfrentados por famílias e educadores, consolidando-o como um recurso transformador para a promoção da saúde cognitiva e emocional na infância a longo prazo.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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13 de outubro de 2026

Guia neuroeducativo para inclusão escolar baseado na análise do PPP de uma escola montessoriana

A inclusão escolar de estudantes com deficiência constitui um princípio orientador da Educação Básica. Analisou-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola privada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com o objetivo de identificar convergências, lacunas e implicações para o trabalho docente relacionadas à inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nos Anos Finais do Ensino Fundamental. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter exploratório, com delineamento em estudo de caso, utilizando a análise documental do PPP, confrontado com a Base Nacional Comum Curricular, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Os resultados indicaram alinhamento conceitual e normativo entre o PPP e as normativas oficiais quanto à inclusão escolar e valorização da diversidade. Contudo, identificaram-se lacunas na operacionalização da adaptação curricular, organização da aprendizagem e sistematização de orientações para o trabalho docente. Verificou-se que o documento não explicitou instrumentos sistematizados para apoiar a implementação das diretrizes. Esses achados fundamentaram a proposição de um guia neuroeducativo, destinado ao apoio formativo e prático dos docentes da instituição, com potencial de adaptação a outros contextos, visando fortalecer as práticas pedagógicas inclusivas.

Palavras-chave: Educação Especial; Educação inclusiva; Neuroeducação; Prática docente.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Multiletramentos, Cultura Digital e Neurociência: percepções docentes e implicações na prática pedagógica escolar

A presente pesquisa analisou como professores do 9º ano do Ensino Fundamental II percebem e integram multiletramentos, cultura digital, letramento crítico e competências digitais em suas práticas pedagógicas, considerando as diretrizes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (2018) e do Currículo Paulista (2019), além da relevância das funções executivas no ensino-aprendizagem. Adotou-se uma abordagem exploratória e descritiva, com metodologia mista predominantemente qualitativa. Coletaram-se dados por meio de um questionário anônimo aplicado a quatro professores de escolas privadas de São Paulo. Os resultados indicaram que os docentes demonstraram conhecimento conceitual consistente sobre os temas, mas a integração desses conceitos às práticas pedagógicas ocorreu de forma parcial e não sistêmica. Observou-se que a formação continuada dos professores para o uso de tecnologias digitais era insuficiente, levando à busca autônoma por capacitação. Além disso, identificaram-se fragilidades nas funções executivas dos alunos, como planejamento, foco e autorregulação, impactando o letramento crítico. Concluiu-se que a integração efetiva da cultura digital e dos multiletramentos exige trabalho intencional do professor, formação adequada, planejamento pedagógico consistente e atenção às habilidades cognitivas dos estudantes, com a neurociência oferecendo suporte para práticas mais conscientes.

Palavras-chave: Cultura digital; Formação docente; Funções executivas; Letramento crítico; Multiletramentos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Ação teatral como metodologia ativa para aprendizagem: convergência entre neurociência e educação

A presente pesquisa propôs a utilização da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem para estudantes do ensino fundamental II, fundamentada em neurociência, teatro e pedagogia. O estudo investigou o potencial da prática teatral como estratégia pedagógica para potencializar a compreensão e retenção de conteúdos teóricos. O objetivo foi estruturar e propor uma intervenção pedagógica baseada na criação coletiva de cenas teatrais enquanto aprendizagem ativa, comparando-a com práticas tradicionais de ensino expositivo. Realizou-se uma pesquisa experimental, com abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo quatorze estudantes do 7º ano. Os participantes foram submetidos a pré-testes objetivos e dissertativos sobre lobos cerebrais, hipocampo e amígdala. O grupo controle (7 estudantes) participou de aula expositiva, enquanto o grupo experimental (7 estudantes) criou cenas teatrais colaborativas. Dados de desempenho e observação foram analisados. Ao final da investigação, o grupo experimental demonstrou melhor retenção de conceitos e funções em comparação ao grupo controle. Concluiu-se que o teatro possui grande potencial como metodologia ativa para o desenvolvimento estudantil no contexto escolar, podendo ser aplicado em diferentes disciplinas por mobilizar engajamento, emoção, razão e resolução de problemas, além de auxiliar professores na elaboração de planos de aula.

Palavras-chave: aprendizagem ativa; engajamento estudantil; metodologia pedagógica; neurociência educacional; teatro educativo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Educação não formal digital e juventude: condições de acesso, uso e aprendizagem significativa no Brasil.

A expansão das tecnologias digitais transformou os processos de aprendizagem nas últimas décadas, mas desigualdades persistentes no acesso condicionam as possibilidades educativas da juventude brasileira. O estudo investigou como as condições de acesso digital podem favorecer ou limitar a aprendizagem significativa (Ausubel, 1963; Moreira, 2012) em contextos não formais. Para isso, a pesquisa, de natureza quali-quantitativa e abordagem descritivo-analítica, analisou dados secundários da pesquisa TIC Domicílios (Cetic.br, 2025) e documentos institucionais (A4AI, 2020; UNESCO, 2024). Os resultados revelaram que, embora a maioria dos jovens brasileiros acesse a internet, uma parcela significativa o fez exclusivamente por smartphone, especialmente nas classes socioeconômicas mais baixas. A precariedade técnica decorrente dessa condição impôs uma carga cognitiva extrínseca, que consumiu recursos da memória de trabalho e comprometeu a disposição para aprender e a ancoragem de novos conhecimentos, conforme a teoria da Carga Cognitiva (Sweller, 1994). Concluiu-se que a métrica binária da conectividade é insuficiente. A ausência de Conectividade Significativa (A4AI, 2020) operou como uma barreira neurocognitiva à aprendizagem, aprofundando as desigualdades educacionais e desafiando o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 4 e 10 no Brasil (ONU, 2015).

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Conectividade significativa; Desigualdade digital; Educação não formal; Juventude.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

A inclusão da pessoa com deficiência visual nas escolas regulares: desafios e possibilidades

A inclusão escolar de estudantes com deficiência visual representa um desafio persistente nas instituições de ensino brasileiras, apesar dos avanços legislativos. Barreiras pedagógicas, atitudinais, estruturais e formativas ainda comprometem o acesso pleno desses alunos à educação regular, especialmente em escolas particulares, onde há resistência à matrícula e ao acolhimento. O estudo teve por objetivo analisar como ocorre a inclusão de estudantes com deficiência visual em uma escola regular, identificando desafios, recursos disponíveis e práticas bem-sucedidas. Para isso, observou-se o cotidiano de uma escola particular em Fortaleza [CE], que atende da educação infantil ao ensino fundamental I. A pesquisa contemplou visitas sistemáticas à instituição ao longo de três meses, visando compreender a atuação dos profissionais, a infraestrutura escolar, as estratégias pedagógicas e o uso de recursos tecnológicos e assistivos, destacando possibilidades e caminhos para uma inclusão efetiva. Identificaram-se os principais entraves enfrentados por docentes e gestão escolar, bem como práticas que favoreceram o desenvolvimento, a autonomia e o pertencimento dos alunos com deficiência visual. Concluiu-se que a inclusão, quando planejada e contextualizada, beneficia não apenas o aluno com deficiência, mas toda a comunidade escolar, promovendo uma educação mais humana, equitativa e colaborativa.

Palavras-chave: acessibilidade; deficiência visual; educação inclusiva; inclusão escolar; práticas pedagógicas.

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